Kurt Koffka
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- Ian Bernardes Brunelli
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1 Kurt Koffka Por que Psicologia? O comportamento e seu campo.
2 Resumo de sua biografia Nasceu em Berlim Foi educado por um tio biólogo e uma professora particular de língua inglesa Cursou faculdade de Filosofia (Berlim e Edimburgo) Mudou seu campo de estudos para a Psicologia, quando voltou à Berlim Assistente de fisiologia médica, depois pesquisador na Universidade de Wutzburgo (centro da psicologia experimental) Inicia trabalho com o professor Friedrich Schumann, junto com Wolfgang Khöler (Frankfurt). Dividem laboratório com Max Wertheimer Estabelecem as bases teóricas e experimentais da psicologia da Gestalt, rejeitanto as abordagens introspectivas da época principalmente a psicologia de Wundt (para Koffka, a psicologia de Wundt era atomista) Gestalt Palavra alemã que significa: forma, configuração, organização.
3 Resumo de sua biografia Os Gestaltistas eram contra a noção de que todo o fato psicológico se constituiria de átomos inertes não relacionados e que as associações são praticamente os únicos fatores que combinem esses átomos, introduzindo a ação. Os gestaltistas defendiam que o todo seria anterior à existência das partes: as partes seriam sempre parte de uma Gestalt formadora. Buscavam no filósofo austríaco Christian Von Ehrenfels a base fenomenológica para desenvolver seus métodos de pesquisa. Assim, procuraram estudar a percepção tal como acontecia em qualquer pessoa, sem treinar os sujeitos para tal descrição. Koffka, Khöler e Wertheimer trabalharam juntos. Koffka lecionou na Universidade de Giessen ( ) Após a primeira Guerra Mundial, a psicologia da Gestalt sofrera oposição na Alemanha, entretanto, era apreciada pelos americanos. A partir de 1927, Koffka fora convidado a apresentar suas ideias nos EUA, para onde se mudou. Trabalhou como professor e pesquisador do Smith College, em Massachusetts. Em 1935 publica o livro Princípios da Psicologia da Gestalt Morre aos 55 anos.
4 Princípios da Psicologia da Gestalt (1935) Cap. 1- Por que Psicologia? A motivação para escrever esse livro, toma como base a questão: Qual a contribuição da Psicologia para a humanidade? Qual proveito a sociedade, ou uma fração dela, pode obter com um livro sobre Psicologia? Situação em que estamos aqui, na USP?
5 Ao tentar responder a essa questão... Questiona a divisão da Psicologia em muitos ramos e escolas; (Noção de campo de dispersão, presente ainda hoje) Questiona a necessidade da ciência em ater-se aos fatos, em descobrir fatos e mais fatos. Ao falar de fatos: O que são fatos? Qual o problema com os fatos? Critica um certo modo de fazer em Psicologia, no qual se proliferam os dados oriundos de observação e experimentação, com pouca articulação teórica.
6 Crítica de Koffka à Psicologia da época Precedência dos fatos sobre a investigação, a teoria; Os fatos se tornam mais importantes do que a própria atuação do Psicólogo/pesquisador como um ser criativo; Entretanto, a busca de fatos na Psicologia, legitimou seu lugar como ciência. Sucesso obtido pelos fatos!! A Psicologia passou de um estado em que: Sabia-se pouco...imaginava-se muito Imagina pouco...sabe muito
7 O que significa saber muito? Análise sobre a ciência Multum non multa (muito não muitas coisas): do ponto de vista Multa, a pessoa que sabe muitas coisas seria superior à aquela que sabe uma ou duas coisas (de uma forma mais intrínseca); do ponto de vista Multum, a pessoa que sabe vários itens, porém superficialmente, seria inferior à aquela que sabe menos coisas. Essa pessoa, se conhecesse 2 itens em sua relação intrínseca, de modo que já não sejam dois, mas um só com duas partes, sabe muito mais do que a outra que conhece 20 itens, em pura agregação (p.17). O progresso da ciência foi visto como um aumento do número de fatos conhecidos Multa Para Koffka, seria o conhecimento profundo de um fato (Multum) que levaria a muitíssimos outros há uma interdependência dos fatos Aqui ele antecipa a ideia de unidade-integridade
8 Unificação x especialização Onde estaria a unidade e integridade da Ciência/Psicologia? Especialização Progresso científico Qual seria a relação mútua entre todas as ciências? como pode um Multum surgir desse Multa? A ciência e sua aplicabilidade prática X suas teorizações isoladas Ciência não pode ser inteiramente divorciada da conduta
9 Conduta e Ciência A conduta é possível sem ciência O homem primitivo, ou pré científico: Executava suas tarefas muito antes de existir ciência; A situação lhe dizia como se comportar; Conhecimento direto, não científico A ciência exerce influência na conduta O homem moderno aprendeu a desconfiar... Dúvida desenvolveu o pensamento reflexão sobre as consequências de eventos e ações Conhecimento mais indireto/ contrução de sistemas racionais Ações mais intelectualizadas
10 O perigo da ciência Selecionar fatos que se submetam a sua sistematização; Abandonar ou rejeitar certos fatos ou aspectos da realidade; Colecionar fatos sem dar organização desses fatos (sem fazer relação entre eles para uma possível teoria); Sendo assim diz:...a ciência cônscia de suas imperfeições deve ampliar gradualmente sua base, de modo a incluir cada vez mais fatos que, no começo, achou necessário excluir e, por conseguinte, equipar-se cada vez melhor para responder àquelas questões que não se pode negar à humanidade o direito de formular (p.20).
11 Função da ciência Para Koffka, a ciência tem função integradora, isto é, ele não se opõe aos fatos, mas critica a fragmentação entre fato e teoria; Rejeita as soluções dadas pelo Materialismo, Vitalismo e Espiritualismo;...a aquisição do verdadeiro saber deve ajudar-nos a reintegrar o nosso mundo, que foi fragmentado; deve ensinar-nos a irrefutabilidade das relações objetivas, independentes de nossos desejos e preconceitos; e deve indicar-nos nossa verdadeira posição no mundo, fazendonos respeitar e reverenciar as coisas animadas e inanimadas (p. 21).
12 Função da ciência É inerente a qualquer investigação a presença de sentidos e significados. A busca dos fatos, portanto, está relacionada a um sentido anterior que orienta esta busca. Aponta para a importância do sentido e do valor ao se fazer ciência
13 A Psicologia deve oferecer: Não ignorar os problemas mente-corpo e vida-natureza; Uma qualidade integradora, usando as ciências da Natureza, da Vida e da Mente e extrai um conceito específico de cada uma delas: QUANTIDADE e QUALIDADE ORDEM SIGNIFICADO E VALOR
14 Quantidade e qualidade Dualidade quantidade x qualidade: não são opostos. Quantidade é um modo preciso de representar a qualidade. Equívoco: considerar apenas os fatos individuais com suas quantidades medidas, esquecendo-se o modo como se distribuem. A Psicologia pode ser quantitativa sem perder seu caráter de ciência qualitativa, podendo também ser qualitativa sabendo que poderá ser traduzida em termos quantitativos. Conceito de ordem Disposição ordenada dos objetos, quando cada um deles está num lugar, determinado pela sua relação com todos os outros objetos. A natureza inorgânica compartilha com a orgânica(vida) o apecto de ordem Respeito e reverência às duas
15 Conceito de significado e valor. A Cultura não só possui existência, mas também significado e valor. - O crescimento de uma ideia dependerá do clima intelectual em que ela se desenvolve; - Diferenças entre o clima Alemão e dos EUA: Idealismo alemão: o historiador estaria mais interessado nas relações entre um grande homem e o plano do universo; do que em suas relações com os eventos no planeta; Diferente do clima americano, onde é principalmente prático,;o presente com suas necessidades é prioridade. Tendência à supervalorização dos fatos, e à desvalorização da metafísica que, segundo Koffka, envolveria uma especulação mais elevada de ideias e ideais.
16 Cap. 2 O comportamento e seu campo COMPORTAMENTO MOLAR - todas as inúmeras ocorrências do nosso mundo cotidiano a que o leigo chama comportamento. Tal qual aquele que se comporta o significa. Os pontos de vista pessoais sobre os fatos. COMPORTAMENTO MOLECULAR - habita o meio fisiológicogeográfico. Estes meios são entendidos como interdependentes: entre o estímulo e a resposta há sempre a mediação do meio comportamental do sujeito, seu mundo individual ou sua consciência: todo e qualquer dado é um dado comportamental; a realidade física não é um dado, mas um constructo Tal qual o cientista o vê, através do experimento e observação sistemática.
17 O Comportamento Molar e seu meio (o meio geográfico e o meio comportamental) Numa noite de inverno, em meio a uma violenta nevasca, um homem a cavalo chegou a uma estalagem, feliz por ter encontrado abrigo após muitas horas cavalgando na planície varrida pelo vento, na qual o lençol de neve tinha coberto todos os caminhos e marcos que pudessem orientá-lo. O dono da estalagem caminhou até a porta, encarou o forasteiro com surpresa e perguntou-lhe de onde vinha. O homem apontou na direção oposta à estalagem, ao que o dono, num tom de pasmo e temor, disse: - Sabe que esteve cavalgando todo o tempo em cima do Lago da Constança? Dito isto, o cavaleiro tombou morto a seus pés. (p.39 e 40) Em que meio, pois, teve lugar o comportamento do forasteiro? Qual dos dois meios, o geográfico ou o comportamental, exerce a função reguladora?
18 O meio comportamental é o mediador entre o meio geográfico e o comportamento ou seja, entre a realidade física e minha experiência de significado. (p.44) tenho um mundo tal como eu percebo; que é o meu meio comportamental. Desta forma Koffka propõe que a psicologia deve ser uma ciência do comportamento molar. (p. 52)
19 Comportamento Molecular Mov. Físico/Químico/Fisiológico/Motor Quantidade, causa e efeito Meio ambiente: Geográfico Independente do sujeito/organismo Carece de significado; Como realmente são ; Realidade (camada de gelo) Realização Comportamento Molar Significado/ a realidade percebida pelo organismo Meio Comportamental Ambiente significado pelo sujeito/organismo Parece ser Aparência Percepção (terra firme)
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