Fixação axial percutânea da coluna lombar
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- Liliana Porto Espírito Santo
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1 TRATAMENTO DAS FRATURAS DE FÊMUR Fixação axial percutânea da coluna lombar Andrew Cragg 1, Allen Carl 2, Flavio Castaneda 3, Curtis Dickman 4, Lee Guterman 5, Carlos Oliveira 6, Jefferson A. Galves 7 RESUMO Os autores descrevem a técnica de fixação percutânea axial da coluna lombar. Fazem comentários sobre indicação e complicações. Descritores: Espondilartrite; Artrodese; Discopatia degenerativa SUMMARY The authors describe a percutaneaus technique of lumbar spine axial fixation. They make a brief relate of indications and complications. Key Words: Spondylarthritis; Arthrodesis; Degenerative discopaty INTRODUÇÃO A cirurgia minimamente invasiva da coluna vertebral tem crescido nos últimos anos em decorrência do avanço tecnológico e do desenvolvimento de novas vias de acesso cirúrgico à coluna vertebral. Entre os fatores que norteiam este desenvolvimento, está o desejo dos pacientes e dos cirurgiões por procedimentos com menor morbidade. 1. Médico da University of Minnesota, Minneapolis, MN 2. Médico da Albany Medical College, Albany, NY 3. Médico da University of Illinois, Peoria, IL 4. Médico do Barrow Neurological Institute, Phoenix, AZ 5. Médico da State University of New York, Buffalo, NY 6. Médico do Hospital do Servidor Estadual, São Paulo, Brasil 7. Médico do Hospital do Servidor Estadual, São Paulo, Brasil Endereço para correspondência: Centro de Estudos Ortopédicos HSPE-SP Rua Borges Lagoa, º andar Vila Clementino CEP São Paulo SP.
2 Técnicas em Ortopedia Figuram entre as desvantagens da cirurgia lombar aberta, a necessidade de descolamento muscular, afastamento neural, dissecção ligamentar e óssea, exposição vascular e ruptura do ânulo fibroso (1), o que pode produzir cicatriz e instabilidade na área tratada. Desta forma, o objetivo da estabilização da coluna através de técnicas minimamente invasivas é implantar o instrumental de fixação através de menores incisões e portais, com menor morbidade. Quando a estabilização da coluna lombossacra está indicada, uma construção axial que poupa o ânulo fibroso e tecidos de suporte, oferece vantagens significativas em relação a outros métodos. Uma nova técnica tem sido desenvolvida para unir o acesso axial minimamente invasivo à instrumentação. A técnica representa o casamento entre os conceitos da estabilização da coluna vertebral com os conceitos de acesso remoto, guiados por imagem e avançada tecnologia de implantes (2-12). PLANEJAMENTO CIRÚRGICO Meticuloso planejamento pré-operatório facilita a cirurgia e minimiza os riscos do ato cirúrgico. Para esta técnica, imagens multiplanares de ressonância magnética e/ou tomografia computadorizada são essenciais para determinar se o paciente é um candidato apropriado para o procedimento. È necessário adequado preparo instestinal pré-operatorio. O paciente é posicionado em decúbito ventral em mesa radiotransparente, com coxins sob a pelve e ombros, para elevar o sacro e estabelecer a postura lombossacra fisiológica. A seguir é introduzido um cateter no reto para insuflação de ar, cujo intuito é torná-lo visível à radioscopia pelo contraste oferecido pelo ar. O sítio cirúrgico é preparado com barreira adesiva iodada e isolado do perínio. O aparelho de radioscopia é posicionado de maneira a permitir visualização frontal e lateral do segmento lombossacro. A cirurgia é realizada sob anestesia geral. TÉCNICA CIRÚRGICA A técnica para o acesso axial minimamente invasivo para a coluna lombar baixa é demonstrada nas figuras 1A e B. Instrumentais apropriados foram desenvolvidos para garantir a segurança e a assebilidade ao espaço discal L5/S1 (figura 2). A) Discectomia radial O acesso axial ao disco é alcançado através de uma cânula sacral de 9 mm. Instrumentais especificamente construídos para a discectomia, preparação das placas terminais, remoção dos tecidos e endoscopia são inseridos através desta
3 FIXAÇÃO AXIAL PERCUTÂNEA DA COLUNA LOMBAR cânula inicial (figura 3). A localização dos instrumentais é monitorada pela radioscopia nos dois planos, bem como pela endoscopia.a entrada axial ao espaço discal facilita o uso de expansores, e a técnica de discectomia radial, alinhada ao plano do disco intervertebral e das placas terminais, torna-a mais fácil e mais completa do que aquelas realizadas pela orientação horizontal proporcionada pelo acesso pósterolateral. B) Distração e Descompressão Dinâmica O método para alcançar a distração axial percutânea de um segmento motor está ilustrado na figura 4. Através de uma cânula discretamente mais larga, um parafuso de distração com 12 mm de diâmetro, é inserido e completamente acoplado ao túnel trans-ósseo criado do corpo de S1 em direção ao corpo de L5. O parafuso possui duas roscas com diâmetros diferentes, 9mm na sua porção lombar e 12 mm na sacral, esta diferença nos diâmetros permite que ao ser inserido, o parafuso provoque distração dinâmica entre L5/S1 e conseqüentemente um aumento do espaço discal e foraminal entre estes corpos vertebrais (figuras 4A e B e 5). O resíduo ósseo retirado dos corpos vertebrais no momento da criação do túnel intervertebral é misturado a hidroxihapatita e/ou fatores de crescimento. Esta mistura é então depositada no espaço discal através de orifícios existentes no centro do parafuso. Após o término do procedimento, a cânula é retirada e a pele fechada com sutura simples. È liberada a deambulação no dia seguinte ao procedimento. Em nossa experiência o procedimento está associada a mínima dor pós-operatória. C) Fixação Em patologias com excessiva sobrecarga de forças cisalhantes A fixação axial pode ser complementada pela fixação pedicular posterior (Figura 6). Figuras 1A e 1B a) A área de entrada na pele é próxima ao ápice da prega glútea superior. A incisura paracoccígea é facilmente palpável e serve como uma janela de entrada ao espaço pré-sacral. Uma incisão de 15 mm é realizada neste ponto. b) A incisura paracoccígea é definida medialmente pelo cóccix e superiormente pelo arco do segmento sacral caudal. Um guia rombo é inserido em direção ao arco e então diretamente inferior e abaixo deste. A resistência da fáscia pré-sacral é sentida Figura 1A
4 Técnicas em Ortopedia aproximadamente 2 cm abaixo da pele, e esta resistência é importante para localizar a entrada na pelve. Figura 1B c) Após atravessar a fáscia pré-sacral, o guia é dirigido para baixo e a seguir em direção à parede anterior do sacro. A partir deste ponto, o controle fluoroscópico biplanar é crítico para assegurar o avanço seguro do guia na linha média. O guia é então avançado superiormente contra a parede anterior do sacro até a área de entrada. Figura 2 Figura 2 Quando a ponta do guia alcança aproximadamente o espaço S1/S2, o ponto de entrada para a região anterior da coluna é definido. Neste ponto uma cânula de proteção e um fio guia cortante são introduzidos no corpo do sacro a trajetória é alargada através de uma série de dilatadores. Esta técnica minimiza o risco de sangramento que estaria associado à dissecção com instrumentais cortantes. Por fim uma cânula de 9 mm é inserida e impactada contra o sacro para a realização do túnel intra-ósseo. Figura 3 Figura 3 A discectomia radial e a preparação das placas terminais são realizadas previamente à colocação do implante. Instrumentais cortantes expansíveis de vários comprimentos e diferentes direções de cortes são inseridos para destruir o núcleo pulposo, remover o tecido discal e realizar uma leve abrasão das placas terminais. Um instrumental desenvolvido especificamente para a remoção do material discal é então utilizado para o preparo final do leito de fusão. Figura 4A Figura 4B Figuras 4A e 4B a) O parafuso de distração esta sendo inserido através da cânula de proteção Observe o colapso parcial do espaço discal. b) O segmento lombar do parafuso tem diâmetro menor que o sacral. A distração entre os corpos vertebrais ocorre por esta diferença de diâmetro.o parafuso pode ser confeccionado em duas partes para permitir a remoção sem reduzir o grau de distração alcançado ou como implante único permanente.
5 FIXAÇÃO AXIAL PERCUTÂNEA DA COLUNA LOMBAR Figura 5 O parafuso de distração pode ser confeccionado em metal, sintético ou biomaterial. Em adição, as configurações da rosca, diâmetro e comprimento do instrumental permitem ao cirurgião escolher o implante para a anatomia individual de cada paciente. Figura 6 Um parafuso 360 PAxLIF é ilustrado utilizando a fixação axial percutânea e fixação pedicular suplementar CASO ILUSTRATIVO Sexo feminino, 51 anos com dor recorrente após fusão pósterolateral com instrumentação pedicular. A) Radiografia AP préoperatória B) Radiografia Lateral pré-operatória C) TC axial com 1 semana de pósoperatório. Observe o enxerto ósseo ao redor do parafuso.
6 Técnicas em Ortopedia D) Radiografia AP após três meses de pósoperatório E) Radiografia Lateral após três meses de pósoperatório COMPLICAÇÕES Relataremos algumas complicações potenciais relacionadas ao acesso cirúrgico. A trajetória da via localiza-se logo posterior ao reto e anterior ao sacro, existindo, portanto a possibilidade de infecção relacionada à lesão intestinal. Há ainda o risco de sangramento relacionado à lesão da artéria sacral média ou veias pré-sacrais. O controle radioscópico, a insuflação de ar no reto, bem com a dissecção romba através de instrumentais de dilatação em direção à face anterior do sacro diminuem estes riscos. O ponto de entrada na região anterior do sacro é uma zona relativamente segura, uma vez que as estruturas neurais e vasculares se encontram lateralmente nesta área, deixando uma região livre para o acesso. Na coluna propriamente dita, existe risco em relação ao elementos no interior do canal, se a trajetória do parafuso for inapropriadamente dirigida para a região posterior, ou se os instrumentos de corte rotacionais utilizados para a discectomia forem de tamanho superior ao diâmetro do disco. O mais importante fator para a redução dos riscos é a experiência do cirurgião com cirurgias vídeo-assistidas.
7 FIXAÇÃO AXIAL PERCUTÂNEA DA COLUNA LOMBAR RECOMENDAÇÕES Atenção estrita à radioscopia durante a introdução do fio guia visualizado nos dois planos (anterior e perfil), com intuito de colocá-lo na linha média. Cuidadoso preparo intestinal pré-operatório. Criteriosa seleção de pacientes que tenham sintomatologia relacionada à patologia da transição L 5 /S 1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Perez-Cruet MJ, Fessler RG, Perin NI. Review: complications of minimally invasive spine surgery. Neurosurgery 2002; 51(5 Suppl): Leu HF, Hauser RK. Percutaneous endoscopic lumbar spine fusion. Neurosurg Clin N Am 1996; 7(1): Mathews HH. Percutaneous interbody fusion. Orthop Clin North Am 1998; 29(4): McAfee PC, Regan JJ, Geis WP, Fedder IL. Minimally invasive anterior retroperitoneal approach to the lumbar spine. Emphasis on the lateral BAK. Spine 1998; 23(13): Muhlbauer M, Pfisterer W, Eyb R, Knosp E. Minimally invasive retroperitoneal approach for lumbar corpectomy and anterior reconstruction. Technical Note. J Neurosurg 2000; 93(1 Suppl): O Dowd JK. Laparoscopic lumbar spine surgery. Eur Spine J 2000; 9(Suppl 1):S Olinger A, Hildebrandt V, Mutschler W, Menger MD. First clinical experience with an endoscopic retroperitoneal approach for anterior fusion of lumbar spine fractures from levels T12 to L5. Surg Endosc 1999; 13(12): Regan JJ, Yuan H, McAfee PC. Laparoscopic fusion of the lumbar spine: minimally invasive spine surgery. A prospective multicenter study evaluating open and laparoscopic lumber fusion. Spine 1999; 24(4): Thalgott JS, Chin AK, Ameriks JA, Jordan FT, Giuffre JM, Fritts K, Timlin M. Minimally invasive 360 degrees instrumented lumbar fusion. Eur Spine J 2000; 9(Suppl 1): S51-6.
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