GESTÃO DA ÁGUA E FERTILIZAÇÃO

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1 GESTÃO DA ÁGUA E FERTILIZAÇÃO A BASE AMBIENTAL DA PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA II Congresso Nacional de Citricultura A água é um recurso limitado e esgotável que está sujeito a uma pressão de consumo cada vez maior, com consequentes implicações a nível ambiental e agravamento do seu custo de utilização. Por este motivo torna-se imperativo gerir cada vez melhor a utilização deste recurso, criando acções que levem a um uso mais racional da água. A monitorização do seu consumo e formas de uso, constitui uma importante ferramenta de decisão que leva a um uso mais eficiente da água. O consumo de água na agricultura representa cerca de 70% do consumo total de água potável no planeta. A importância do consumo de água na agricultura torna obrigatório o uso de sistemas de rega cada vez mais eficientes, assim como um conhecimento cada vez mais real sobre a forma como esta é aplicada nas explorações agrícolas. Porque devemos monitorizar a rega? Devemos monitorizar a rega, através de medição contínua da percentagem de água no solo, porque dessa forma poupamos água (maximizamos a sua utilização), poupamos energia, minimizamos as perdas de fertilizantes e pesticidas, evitamos o stress hídrico das plantas quer por excesso, quer por falta de água e ainda tomamos medidas de gestão documentadas. Consequentemente, o conjunto destes benefícios permite o aumento da quantidade e qualidade da produção. Monitorizar a rega servirá de apoio à decisão de quando regar, qual a quantidade de água a aplicar em cada rega, qual a profundidade atingida pela água em cada rega, qual o padrão de extracção de água do solo pelas raízes e qual a evolução do gasto da água de rega ao longo da campanha.

2 A figura 1 representa um sistema de monitorização típico que utiliza sondas de capacitivas. Figura 1: Componentes de um sistema de monitorização da água As sondas capacitivas baseiam-se na medição da capacitância do solo e detectam pequenas variações da quantidade de água que se encontra livre no solo (que provoca grandes efeitos nas propriedades electromagnéticas do meio solo-água). As sondas capacitivas têm várias unidades de sensores que conseguem medir a água no solo expressando-a em % humidade do solo. As sondas devem ser instaladas de forma a podermos ter a melhor imagem possível da distribuição da água no solo. Dessa forma, para rega localizada, deve instalar-se uma sonda o mais próximo do centro do bolbo húmido e outra na periferia do mesmo (figura 2). Figura 2 distribuição das sondas capacitivas segundo o tipo de bolbo húmido.

3 A posição e número de sensores nas sondas variam, dependendo da profundidade a que queremos medir a humidade, do tipo de cultura e do tipo de solo. Naturalmente, essa zona de medição deve representar ao máximo a zona preferencial de trabalho da planta, ou seja, onde se encontram as raízes (as 3 primeiras sondas) e uma zona onde não queremos que a água chegue (4ª sonda) (figura 3). Figura 3: Zona onde a planta preferencialmente trabalha. Depois de instalado o sistema de monitorização e de se ter decidido todos os parâmetros do mesmo, podemos definir quando e como regar. A posição de cada sensor nas sondas indica onde se encontra a água a várias profundidades do solo, também indica como é o comportamento da água no solo, qual a zona de influência das raízes das plantas e como é feito o consumo da água pelas mesmas. O sistema de monitorização dá-nos toda a informação necessária, através de um gráfico, sobre o comportamento da água no solo e o seu consumo. As flutuações correspondem ao consumo diurno das plantas (evapotranspiração) (figura 4). Figura 4: Gráfico representativo do consumo de uma cultura de tomate durante o dia, a 10, 20 e 30 cm de profundidade.

4 Para que estes dados sejam úteis é preciso definir os parâmetros que se vão utilizar para programar a rega. Os mais importantes são: a linha de máximo de rega, ou seja, o valor máximo de água que nós decidimos que a planta deve receber de forma a satisfazer as suas necessidades hídricas sem que haja excessos com perdas por lixiviação e a linha do limiar do stress, isto é, o valor mínimo de água que a planta tem que receber para corresponder às sua necessidades hídricas mínimas (abaixo deste valor a planta entra em défice hídrico) (Figura 5). Figura 5: Gráfico representativo das dosagens diárias de rega, da linha de máximo de rega (200 mm) e da linha do limiar do stress (110 mm). Enquanto elemento fundamental para o metabolismo das plantas, a gestão adequada da água de rega torna-se um passo determinante para controlar e optimizar a produção agrícola e para reduzir os excessos, não só de água, como de energia e nutrientes, sem comprometer o sucesso da produção.

5 Por além das mais-valias citadas, este controlo também tem resultados positivos numa perspectiva ambiental, pois permite reduzir os níveis de contaminação do solo, muitas vezes provocados pelos fertilizantes aplicados através dos sistemas de rega. Como tal não faz sentido o controlo da rega sem o devido controlo da fertilização da cultura, por isso é importante fazer um plano de fertilização. Um plano de fertilização, especificamente na cultura dos citrinos, deve ter em conta a caracterização da exploração (variedades, porta enxertos, compassos e idades da exploração, sistema de rega, número e tamanho de sectores e análises de solo, água, foliares e seiva) e as três fases principais de seu desenvolvimento (rebentação, floração e frutificação). Depois de definidos todos estes parâmetros, devem decidir-se os equilíbrios nutritivos, determinar as fórmulas respectivas dos fertilizantes e as quantidades previsionais de cada fórmula. Durante o período da rebentação, deve-se maximizar o desenvolvimento da cultura, durante a floração, deve-se potenciar o equilíbrio e vingamento da flor e, durante a frutificação, deve-se potenciar a qualidade e quantidade do fruto. Isto consegue-se através de um plano de aplicação de nutrientes equilibrado e aplicado de forma eficiente ao longo do desenvolvimento da cultura. Depois de feito o plano de fertilização, deve-se implementá-lo. Para tal, é essencial o acompanhamento contínuo da cultura, para, se necessário, recomendar eventuais correcções no solo e fazer possíveis ajustamentos e adaptações do plano de fertirrega. Os fertilizantes têm evoluído de forma significativa nos últimos vinte anos, principalmente com o desenvolvimento dos adubos líquidos, que vieram permitir adubos com equilíbrios feitos à medida da cultura, com uma logística eficiente e uma qualidade assegurada. Estes mesmos adubos previnem obturações dos sistemas de rega (têm uma dissolução perfeita e equilibrada dos nutrientes e um ph controlado), evitam erros que são comuns nas misturas de adubos sólidos solúveis (em que por vezes, por erro, se podem fazer misturas incompatíveis), visto as fórmulas já virem feitas com o equilíbrio exacto que se quer e a sua absorção ser mais eficiente por parte das plantas (mais fácil com os adubos líquidos do que com adubos sólidos solúveis). Por outro lado, devido à logística dos adubos líquidos não existe o custo de se ter que fazer stock, os adubos são entregues ao longo do período de desenvolvimento da cultura.

6 Resumindo os adubos líquidos têm a vantagem de ser rápidos (forma mais fácil e eficiente de praticar fertirrega), têm o equilíbrio perfeito (aplicação do equilíbrio e ph mais adequado à fase da cultura - por medida), têm total automatização do sistema (redução dos custos de mão-de-obra) e precisão (máxima precisão nas fórmulas e qualidade dos fertilizantes). O mercado exige cada vez mais, a responsabilidade ambiental e o uso sustentável dos factores de produção a água é um dos mais importantes. Por isso monitorar o consumo de água e proporcionar a sua correcta utilização é um passo decisivo para garantir a sua disponibilidade e qualidade no futuro, poupar recursos e diminuir no presente, a poluição e salinização dos aquíferos. É baseado nesta realidade que a Grupo Hubel tem tido como missão promover o desenvolvimento económico colocando no mercado produtos e serviços especializados, que potenciem valor acrescentado aos clientes e à sociedade em geral, nas áreas do uso e gestão da água e da produção agrícola. Engº Marcos Cunha, Técnico Comercial da Hubel Verde

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