Definição da Distribuição de Poisson
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- Anderson Meneses Lameira
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1 Capítulo IX Distribuição de Poisson Definição da Distribuição de Poisson Significado do parâmetro Propriedades da Distribuição de Poisson Aproximação Gaussiana da Distribuição de Poisson O problema do Ruído de Fundo (Background) 155 Definição da Distribuição de Poisson A distribuição de Poisson descreve resultados de experiências nos quais contamos acontecimentos que ocorrem aleatoriamente mas a uma taxa média definida. Por exemplo: as contagens de um decaimento radioactivo ou o nº de bebés que nasce por mês num determinado hospital. Consideremos uma amostra radioactiva e um detector adequado e em bom estado, com o qual pretendemos contar o nº de partículas emitidas,, num intervalo de tempo de 2 minutos. Estando o detector a funcionar bem, o valor de não terá incerteza associada. Se repetirmos a experiência, obteremos, quase seguramente, um nº diferente para. Essa variação obtida em não reflecte incerteza na contagem mas antes o carácter intrinsecamente aleatório do processo de decaimento radioactivo. Cada núcleo radioactivo de uma dada espécie química tem uma probabilidade definida de decair em qualquer intervalo de dois minutos. Se conhecêssemos essa probabilidade e o nº de núcleos radioactivos na nossa amostra, poderíamos calcular o nº médio esperado de decaimentos nos dois minutos. Contudo, cada núcleo decai num instante aleatório e, em qualquer intervalo de dois minutos, o nº de decaimentos pode ser diferente do nº médio esperado. 156 Dep. Física, FCTUC 80
2 Podemos fazer a pergunta: se repetirmos a nossa experiência muitas vezes, que tipo de distribuição devemos esperar para o nº de contagens,, observado nos dois minutos? Diremos que a distribuição esperada é uma distribuição binomial. Se existirem n núcleos e se for p a probabilidade de um qualquer núcleo decair, então a probabilidade de decaimentos é apenas a probabilidade de sucessos em n tentativas ou B n,p (). Neste tipo de experiência podemos, contudo, fazer uma simplificação importante. O nº de tentativas, ou seja, de núcleos, é enorme (n pode ser da ordem de ). Nestas circunstâncias, n grande e p pequeno, pode mostrar-se que a distribuição binomial é indistinguível de uma função mais simples designada por distribuição de Poisson: Prob ( contagens em qualquer intervalo definido) = P () sendo P () a distribuição de Poisson dada por: P ( ) = e! (9.1) onde é um parâmetro positivo. 157 Significado do parâmetro Não vamos derivar a distribuição de Poisson. Vamos apenas mostrar que é a distribuição adequada para este tipo de experiências. Para estabelecermos o significado do parâmetro na eq. 9.1, temos que calcular o nº médio de contagens,, que seria esperado se nós repetíssemos a experiência muitas vezes. Esta média é determinada somando todos os valores possíveis de, cada um multiplicado pela sua probabilidade: = P ( ) = e = 0 = 0! (9.2) O 1º termo da soma pode ser abandonado porque é nulo; pode ser substituído! por 1 ( 1)!. Se passarmos para fora do somatório o factor comum e, obtemos: = e = 1 1 ( ) 1! (9.3) 158 v Dep. Física, FCTUC 81
3 = e = 1 1 ( ) A soma infinita corresponde a: = e 2! 3! e, portanto, o factor e é cancelado por esta soma. Concluímos então que: 1! (9.4) = (9.5) ou seja, o parâmetro que caracteriza a distribuição de Poisson P () é exactamente o nº médio de contagens que esperamos obter se repetirmos a experiência muitas vezes. Por vezes, conhecemos à partida a taxa média R à qual devem ocorrer os acontecimentos que estamos a medir. Nesse caso, o nº médio de eventos esperado num tempo T é = taxa x tempo = RT Inversamente, se a taxa é desconhecida, então, contando o nº de acontecimentos ocorridos num tempo T, podemos obter uma estimativa de e, portanto, da taxa R, através de R best = best /T. 159 Propriedades da Distribuição de Poisson A distribuição de Poisson, P () dá a probabilidade de obter o resultado numa experiência na qual contamos eventos que ocorrem aleatoriamente mas a uma taxa média definida. Vimos que o parâmetro é precisamente a contagem média esperada,. Qual é o desvio padrão desse nº de contagens quando repetimos a experiência muitas vezes? O desvio padrão de qualquer distribuição (depois de um nº elevado de tentativas) é a raiz do valor médio dos desvios relativamente à média, ou seja: ( ) 2 σ 2 = (9.6) que se pode mostrar ser igual a ( ) 2 σ 2 = 2 (9.7) 160 Dep. Física, FCTUC 82
4 Para a distribuição de Poisson já vimos que = e um cálculo semelhante dá = +. Então a equação anterior dá σ =. Logo: σ = (9.8) Ou seja, a distribuição de Poisson com contagem média tem desvio padrão. Se realizarmos uma experiência de contagens uma vez e obtivermos a resposta, podemos ver facilmente (usando o princípio da máxima probabilidade) que a melhor estimativa para a contagem média esperada é best =. Da equação acima segue imediatamente que a melhor estimativa para o desvio padrão é. Por outras palavras, se fizermos uma medida do nº de acontecimentos num intervalo de tempo T e obtivermos a resposta,a nossa resposta para a contagem média esperada no tempo T é Nº médio de eventos num tempo T: ± (9.9) Regra da Raiz Quadrada 161 Aproximação Gaussiana da Distribuição de Poisson A distribuição de Gauss G X,σ (x) dá a probabilidade dos diferentes valores possíveis de uma variável continua x. Pelo contrário, a distribuição de Poisson P (), tal como a distribuição Binomial B n,p (), dá as probabilidades de uma variável discreta = 0, 1, 2, 3,.... Outra diferença importante é que a distribuição de Gauss é especificada por 2 parâmetros, a média X e o desvio padrão σ, enquanto a distribuição de Poisson é especificada por um único parâmetro, a média, porque a largura da distribuição de Poisson é automaticamente determinada pela média, uma vez que =. Finalmente, a distribuição de Gauss tem sempre a forma de sino, sendo simétrica em torno do seu valor médio, enquanto a distribuição de Poisson não tem nenhuma destas características em geral, como se pode ver na figura. σ 162 Dep. Física, FCTUC 83
5 As figuras seguintes mostram a distribuição de Poisson para = 3, sem dúvida mais aproximada da foma de sino, e = 9, já muito perto da curva em forma de sino e de ser simétrica em volta do valor médio = 9. De facto, pode provar-se que quando, a distribuição de Poisson se aproxima progressivamente da distribuição de Gauss, com a mesma média e desvio padrão. Ou seja, A curva a tracejado corresponde à função de Gauss com X = 9 e σ = 3. P ( ) G X, ( ) (quando é grande) sendo X = e σ = σ 163 O problema do Ruído de Fundo (Background) Um problema que complica muitas medidas experimentais é o facto de existirem acontecimentos de fundo que não conseguimos distinguir dos acontecimentos que nos interessam e que são também detectados. Por exemplo, quando estudamos desintegrações de uma fonte radiactiva, não conseguimos impedir o detector de detectar partículas de outras fontes radiactivas na vizinhança ou até de raios cósmicos. Isto significa que os nºs que detectamos incluem a parte que nos interessa mais os eventos de fundo. A solução do problema é 1º) realizar a experiência; 2º) remover a fonte radioactiva e medir apenas a radiação de fundo; 3º) subtrair o fundo das contagens ais obtidas. Na prática o problema surge porque é geralmente útil realizar a medida al e a medida só do fundo durante tempos diferentes e, em geral, cometem-se erros, especialmente na análise de erros. Suponhamos que medimos um al de acontecimentos (fonte mais fundo) num tempo T e que depois medidos os acontecimentos do fundo, durante um tempo T. 164 Dep. Física, FCTUC 84
6 É claro que não podemos subtrair simplesmente as duas quantidades, uma vez que dizem respeito a tempos diferentes. Em vez disso, devemos calcular as taxas e subtraí-las: R = T R fonte e = R R R = T Para estimar as incertezas nas quantidades envolvidas, devemos lembrar que a regra da raiz quadrada dá as incertezas nos números medidos e. Devemos, portanto, calcular as incertezas nas taxas através da propagação de erros. 165 Dep. Física, FCTUC 85
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