VALE PARA 1, PARA 2, PARA 3,... VALE SEMPRE?
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- Patrícia Bandeira Batista
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1 VALE PARA 1, PARA 2, PARA 3,.... VALE SEMPRE? Renate Watanabe As afirmações abaio, sobre números naturais, são verdadeiras para os números 1, 2, 3 e muitos outros. Perguntamos: elas são verdadeiras sempre? Verdadeiro ou falso? 1. n IN, n < n IN, n 2 + n + 41 é um número primo. 3. n IN*, 2 nunca começa com n IN*, a soma dos n primeiros números ímpares é n n IN*, 2n + 2 é a soma de dois números primos. 6. n IN*, se n for par, divida-o por 2; se n for ímpar, multiplique-o por 3 e adicione 1. Repita o processo com os resultados. A sequência de números assim obtidos sempre termina em 1. Vejamos: 1. n < 100 é uma sentença verdadeira para n = 1, n = 2, n = 3 e outros, mas torna-se falsa para qualquer número natural maior do que 99. Portanto, n IN, n < 100 é uma sentença falsa. 2. n 2 + n + 41 é um número primo é uma sentença verdadeira para n = 1, n = 2, n = 3 e outros. De fato, ela é verdadeira para todos os números naturais menores do que 40. Porém o número = 40 (40 + 1) + 41 = não é primo, mostrando que a sentença n IN, n 2 + n + 41 é um número primo é uma sentença falsa. (Em 1772, Euler mostrou que f(n) = n 2 + n + 41 assumia valores primos para n = 0, 1, 2,..., 39. Observando que f(n 1) = f( n), vê-se que n 2 + n + 41 assume valores primos para 80 inteiros consecutivos: 40, 39,..., -1, 0, 1,..., 39. Substituindo a variável n por n 40, obtémse : f(n 40) = g(n) = n 2 79n que assume valores primos para todos os números naturais de 0 até 79 um record para trinômios do segundo grau.) 3. n IN*, 2 nunca começa com 9 é uma sentença verdadeira para n = 1, n = 2, n = 3 e, demora um pouco até se achar um número que a torna falsa. 2 é a primeira potência de 2 que começa com 9 e por isso n IN*, 2 nunca começa com 9 é uma sentença falsa. [Há um teorema curioso: Dada uma sequência qualquer de dígitos (70941, por eemplo), eiste uma potência de 2 que começa com essa sequência de dígitos.] 1
2 4. A soma dos n primeiros números ímpares é n 2 é uma sentença verdadeira para n = 1, n =2, n = 3 e, como no caso anterior, após muitas e muitas tentativas, não se acha um número natural que a torne falsa. Nesse caso, tal número não eiste, pois essa sentença é verdadeira sempre. 5. 2n + 2 é a soma de dois números primos é uma sentença verdadeira para n = 1, n = 2, n = 3 e, como no eemplo anterior, após muitas e muitas tentativas, não se encontra um número natural que a torne falsa. Mas agora temos uma situação nova: ninguém, até hoje, encontrou um número que tornasse a sentença falsa e ninguém, até hoje, sabe demonstrar que a sentença é verdadeira sempre. (A sentença é a famosa conjetura de Goldbach feita em 1742 numa carta dirigida a Euler: Todo inteiro par, maior do que 2, é a soma de dois números primos. Não se sabe, até hoje, se essa sentença é verdadeira ou falsa.) 6. n IN*, se n for par, divida-o por 2; se n for ímpar, multiplique-o por 3 e adicione 1. Repita o processo com os resultados. A sequência de números assim obtidos sempre termina em 1 Essa é uma sentença verdadeira para n = 1, n = 2, n =3 e, como no eemplo anterior, ninguém, até hoje, encontrou um número que tornasse a sentença falsa e ninguém, até hoje, sabe demonstrar que ela é verdadeira sempre. Trata-se da conjetura de Collatz que começou circular por volta de 1930 e tem roubado horas de sono de muitos matemáticos (RPM 74, p.4) Em suma, dada uma afirmação sobre números naturais, se encontrarmos um contra-eemplo, saberemos que a afirmação é falsa. E se não encontrarmos um contra-eemplo? Nesse caso, suspeitando que a afirmação seja verdadeira sempre, uma possibilidade é tentar demonstrá-la recorrendo ao princípio da indução. PRINCÍPIO DA INDUÇÃO FINITA Seja n₀ um inteiro não negativo. Para cada inteiro n n₀, seja dada a proposição p(n). (a) Se p(n₀) é verdadeira e (b) se, sendo p(n) verdadeira, p(n+1) também é verdadeira para todo n n₀, então, p(n) é verdadeira para todo n n₀. 2
3 Ao lado está uma visão intuitiva do princípio da indução. Se a primeira pedra for derrubada e se elas estiverem colocadas de modo que caindo uma, a seguinte também cairá, então todas as pedras cairão. TEOREMA, n = (+1)(2 + 1). Demonstração por indução: A afirmação é verdadeira para n = 1, pois 1 =.1.(1+1).(2+1). Vamos supor que a afirmação é verdadeira para um número k, isto é, k = ( +1)(2 + 1), e vamos provar que a afirmação é verdadeira para k + 1, isto é, k + (k+1) = ( + 1)( +2)(2 + 3). De fato, k + (k+1) = 1 6 ( +1)(2 + 1) +(+1). Colocando (k + 1) em evidência, o segundo membro é igual a 1 6 (+1) = 1 6 (+1) = = (+1)2( +2) +3( +2) = (+1)( +2)(2 + 3) c.q.d. O princípio da indução garante que a igualdade é verdadeira sempre. 3
4 QUANTOS QUADRADOS TEM UM TABULEIRO DE XADREZ? Há 64 quadrados 11, mas também há quadrados 22, 33, etc. Quantos há, ao todo? Não sabendo como fazer a contagem, é uma boa ideia começar com uma situação mais simples. Num quadriculado 22 há 4 quadrados 11 e 1 quadrado 22. Total: 5 quadrados. Num quadriculado 33 há 9 quadrados 11, 4 quadrados 22 e 1 quadrado 33 Total: 14 quadrados Quantos quadrados 33 há num quadriculado 55? Refazendo a pergunta: Quantos pontos desse quadriculado podem ser vértice superior esquerdo (VSE) do quadrado? Resposta: 4
5 Na primeira linha, 3 pontos (3 = 6 3); na segunda linha, 3 pontos; na terceira linha, 3 pontos; nas outras linhas, nenhum ponto. Para cada VSE, eiste um quadrado 33. Eistem 9 quadrados 33 contidos no quadriculado 55. Quantos quadrados 22 há num quadriculado 55? Ou seja, quantos pontos do quadriculado podem ser vértice superior esquerdo (VSE) do quadrado? Resposta: Na primeira linha, 4 pontos (6 2); na segunda linha, 4; na terceira linha 4; na quarta linha, 4; nas outras linhas, nenhum ponto. Para cada VSE, eiste um quadrado 22. Eistem 16 quadrados 22 contidos no quadriculado 55. 5
6 Em geral, num quadriculado n n, há quantos quadrados k k? Repetindo o processo acima, observa-se que a linha superior de um quadriculado n n tem n + 1 pontos. Os k pontos mais à direita dessa linha não podem ser VSE. Os restantes n + 1 k pontos podem. Eistem n + 1 k quadrados k k com VSE na primeira linha. O mesmo acontece na segunda, terceira,... (n + 1 k) - ésima linha. Então, em um quadriculado n n eistem (n + 1 k) 2 quadrados k k. k n + 1 k nº de quadrados k k 1 n n 2 2 n 1 (n 1) 2 3 n 2 (n 2) 2 n n 1 1 Assim, um quadriculado n n contém ao todo n = (+1)(2 + 1) quadrados. 6
7 Em particular, um tabuleiro de adrez contém 204 quadrados. A igualdade acima foi demonstrada por indução, mas o segundo membro caiu do céu. Como se descobre esse segundo membro? Há vários jeitos. Um deles, usando o Binômio de Newton, é o seguinte: 1 3 = = (1+1) 3 = = (2+1) 3 = n 3 = [(n 1)+1] 3 = (n 1) (n 1) (n 1) (n+1) 3 = (n+1) 3 = n n n Ignorando a coluna entre as barras e somando os elementos de cada coluna, obtém-se, após os cancelamentos de 1 3, 2 3, 3 3,..., n 3, ( + 1) =3.( ) +3.(1+2+ +) + (+1). Lembrando que = ( + 1), obtém-se: ( + 1) =3.( ) + 3 (+1) + (+1); 2 6. ( ) = (+1)2. (+1) 3 2 = (+1)2 +. Finalmente, = 1 (+1)(2 + 1). 6 Essa oficina apoiou-se nos seguintes artigos da RPM: RPM 9, p.32 - Vale para 1, para 2, para 3... Vale sempre? RPM 69, p.36 - Contando quadrados em tabuleiros de adrez. RPM 7, p.44 - Como calcular
Após enunciar uma forma do princípio de indução e usá-lo em um exemplo, passaremos a descrever duas situações envolvendo indução:
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(a 1 + a 100 ) + (a 2 + a 99 ) + (a 3 + a 98 ) +... + (a 50 + a 51 ).
Questão 1. A sequência 0, 3, 7, 10, 14, 17, 21,... é formada a partir do número 0 somando-se alternadamente 3 ou 4 ao termo anterior, isto é: o primeiro termo é 0, o segundo é 3 a mais que o primeiro,
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