Patrimônio Cultural e Natural

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1 Universidade do Sul de Santa Catarina Patrimônio Cultural e Natural Disciplina na modalidade a distância

2 Universidade do Sul de Santa Catarina Patrimônio Cultural e Natural Disciplina na modalidade a distância Palhoça UnisulVirtual 2011

3 Créditos Universidade do Sul de Santa Catarina Campus UnisulVirtual Educação Superior a Distância Avenida dos Lagos, 41 Cidade Universitária Pedra Branca Palhoça SC Fone/fax: (48) e [email protected] Site: Reitor Unisul Ailton Nazareno Soares Vice-Reitor Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Willian Máximo Pró-Reitora Acadêmica Miriam de Fátima Bora Rosa Pró-Reitor de Administração Fabian Martins de Castro Pró-Reitor de Ensino Mauri Luiz Heerdt Campus Universitário de Tubarão Diretora Milene Pacheco Kindermann Campus Universitário da Grande Florianópolis Diretor Hércules Nunes de Araújo Campus Universitário UnisulVirtual Diretora Jucimara Roesler Equipe UnisulVirtual Diretora Adjunta Patrícia Alberton Secretaria Executiva e Cerimonial Jackson Schuelter Wiggers (Coord.) Marcelo Fraiberg Machado Tenille Catarina Assessoria de Assuntos Internacionais Murilo Matos Mendonça Assessoria de Relação com Poder Público e Forças Armadas Adenir Siqueira Viana Walter Félix Cardoso Junior Assessoria DAD - Disciplinas a Distância Patrícia da Silva Meneghel (Coord.) Carlos Alberto Areias Cláudia Berh V. da Silva Conceição Aparecida Kindermann Luiz Fernando Meneghel Renata Souza de A. Subtil Assessoria de Inovação e Qualidade de EAD Denia Falcão de Bittencourt (Coord) Andrea Ouriques Balbinot Carmen Maria Cipriani Pandini Iris de Sousa Barros Assessoria de Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coord.) Felipe Jacson de Freitas Jefferson Amorin Oliveira Phelipe Luiz Winter da Silva Priscila da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão Tamara Bruna Ferreira da Silva Coordenação Cursos Coordenadores de UNA Diva Marília Flemming Marciel Evangelista Catâneo Roberto Iunskovski Assistente e Auxiliar de Coordenação Maria de Fátima Martins (Assistente) Fabiana Lange Patricio Tânia Regina Goularte Waltemann Ana Denise Goularte de Souza Coordenadores Graduação Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luísa Mülbert Ana Paula R. Pacheco Arthur Beck Neto Bernardino José da Silva Catia Melissa S. Rodrigues Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Fabiano Ceretta José Carlos da Silva Junior Horácio Dutra Mello Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes Janaína Baeta Neves Jardel Mendes Vieira Joel Irineu Lohn Jorge Alexandre N. Cardoso José Carlos N. Oliveira José Gabriel da Silva José Humberto D. Toledo Joseane Borges de Miranda Luciana Manfroi Luiz G. Buchmann Figueiredo Marciel Evangelista Catâneo Maria Cristina S. Veit Maria da Graça Poyer Mauro Faccioni Filho Moacir Fogaça Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Fontanella Rogério Santos da Costa Rosa Beatriz M. Pinheiro Tatiana Lee Marques Valnei Carlos Denardin Roberto Iunskovski Rose Clér Beche Rodrigo Nunes Lunardelli Sergio Sell Coordenadores Pós-Graduação Aloisio Rodrigues Bernardino José da Silva Carmen Maria Cipriani Pandini Daniela Ernani Monteiro Will Giovani de Paula Karla Leonora Nunes Leticia Cristina Barbosa Luiz Otávio Botelho Lento Rogério Santos da Costa Roberto Iunskovski Thiago Coelho Soares Vera Regina N. Schuhmacher Gerência Administração Acadêmica Angelita Marçal Flores (Gerente) Fernanda Farias Secretaria de Ensino a Distância Samara Josten Flores (Secretária de Ensino) Giane dos Passos (Secretária Acadêmica) Adenir Soares Júnior Alessandro Alves da Silva Andréa Luci Mandira Cristina Mara Schauffert Djeime Sammer Bortolotti Douglas Silveira Evilym Melo Livramento Fabiano Silva Michels Fabricio Botelho Espíndola Felipe Wronski Henrique Gisele Terezinha Cardoso Ferreira Indyanara Ramos Janaina Conceição Jorge Luiz Vilhar Malaquias Juliana Broering Martins Luana Borges da Silva Luana Tarsila Hellmann Luíza Koing Zumblick Maria José Rossetti Marilene de Fátima Capeleto Patricia A. Pereira de Carvalho Paulo Lisboa Cordeiro Paulo Mauricio Silveira Bubalo Rosângela Mara Siegel Simone Torres de Oliveira Vanessa Pereira Santos Metzker Vanilda Liordina Heerdt Gestão Documental Lamuniê Souza (Coord.) Clair Maria Cardoso Daniel Lucas de Medeiros Eduardo Rodrigues Guilherme Henrique Koerich Josiane Leal Marília Locks Fernandes Gerência Administrativa e Financeira Renato André Luz (Gerente) Ana Luise Wehrle Anderson Zandré Prudêncio Daniel Contessa Lisboa Naiara Jeremias da Rocha Rafael Bourdot Back Thais Helena Bonetti Valmir Venício Inácio Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão Moacir Heerdt (Gerente) Aracelli Araldi Elaboração de Projeto e Reconhecimento de Curso Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Francielle Arruda Rampelotte Extensão Maria Cristina Veit (Coord.) Pesquisa Daniela E. M. Will (Coord. PUIP, PUIC, PIBIC) Mauro Faccioni Filho(Coord. Nuvem) Pós-Graduação Anelise Leal Vieira Cubas (Coord.) Biblioteca Salete Cecília e Souza (Coord.) Paula Sanhudo da Silva Renan Felipe Cascaes Gestão Docente e Discente Enzo de Oliveira Moreira (Coord.) Capacitação e Assessoria ao Docente Simone Zigunovas (Capacitação) Alessandra de Oliveira (Assessoria) Adriana Silveira Alexandre Wagner da Rocha Elaine Cristiane Surian Juliana Cardoso Esmeraldino Maria Lina Moratelli Prado Fabiana Pereira Tutoria e Suporte Claudia Noemi Nascimento (Líder) Anderson da Silveira (Líder) Ednéia Araujo Alberto (Líder) Maria Eugênia F. Celeghin (Líder) Andreza Talles Cascais Daniela Cassol Peres Débora Cristina Silveira Francine Cardoso da Silva Joice de Castro Peres Karla F. Wisniewski Desengrini Maria Aparecida Teixeira Mayara de Oliveira Bastos Patrícia de Souza Amorim Schenon Souza Preto Gerência de Desenho e Desenvolvimento de Materiais Didáticos Márcia Loch (Gerente) Desenho Educacional Cristina Klipp de Oliveira (Coord. Grad./DAD) Silvana Souza da Cruz (Coord. Pós/Ext.) Aline Cassol Daga Ana Cláudia Taú Carmelita Schulze Carolina Hoeller da Silva Boeing Eloísa Machado Seemann Flavia Lumi Matuzawa Gislaine Martins Isabel Zoldan da Veiga Rambo Jaqueline de Souza Tartari João Marcos de Souza Alves Leandro Romanó Bamberg Letícia Laurindo de Bonfim Lygia Pereira Lis Airê Fogolari Luiz Henrique Milani Queriquelli Marina Melhado Gomes da Silva Marina Cabeda Egger Moellwald Melina de La Barrera Ayres Michele Antunes Corrêa Nágila Hinckel Pâmella Rocha Flores da Silva Rafael Araújo Saldanha Roberta de Fátima Martins Roseli Aparecida Rocha Moterle Sabrina Bleicher Sabrina Paula Soares Scaranto Viviane Bastos Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel (Coord.) Letícia Regiane Da Silva Tobal Mariella Gloria Rodrigues Avaliação da aprendizagem Geovania Japiassu Martins (Coord.) Gabriella Araújo Souza Esteves Jaqueline Cardozo Polla Thayanny Aparecida B.da Conceição Gerência de Logística Jeferson Cassiano A. da Costa (Gerente) Logísitca de Materiais Carlos Eduardo D. da Silva (Coord.) Abraao do Nascimento Germano Bruna Maciel Fernando Sardão da Silva Fylippy Margino dos Santos Guilherme Lentz Marlon Eliseu Pereira Pablo Varela da Silveira Rubens Amorim Yslann David Melo Cordeiro Avaliações Presenciais Graciele M. Lindenmayr (Coord.) Ana Paula de Andrade Angelica Cristina Gollo Cristilaine Medeiros Daiana Cristina Bortolotti Delano Pinheiro Gomes Edson Martins Rosa Junior Fernando Steimbach Fernando Oliveira Santos Lisdeise Nunes Felipe Marcelo Ramos Marcio Ventura Osni Jose Seidler Junior Thais Bortolotti Gerência de Marketing Fabiano Ceretta (Gerente) Relacionamento com o Mercado Eliza Bianchini Dallanhol Locks Relacionamento com Polos Presenciais Alex Fabiano Wehrle (Coord.) Jeferson Pandolfo Karine Augusta Zanoni Marcia Luz de Oliveira Assuntos Jurídicos Bruno Lucion Roso Marketing Estratégico Rafael Bavaresco Bongiolo Portal e Comunicação Catia Melissa Silveira Rodrigues Andreia Drewes Luiz Felipe Buchmann Figueiredo Marcelo Barcelos Rafael Pessi Gerência de Produção Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Francini Ferreira Dias Design Visual Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Alice Demaria Silva Anne Cristyne Pereira Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Daiana Ferreira Cassanego Diogo Rafael da Silva Edison Rodrigo Valim Frederico Trilha Higor Ghisi Luciano Jordana Paula Schulka Marcelo Neri da Silva Nelson Rosa Oberdan Porto Leal Piantino Patrícia Fragnani de Morais Multimídia Sérgio Giron (Coord.) Dandara Lemos Reynaldo Cleber Magri Fernando Gustav Soares Lima Conferência (e-ola) Carla Fabiana Feltrin Raimundo (Coord.) Bruno Augusto Zunino Produção Industrial Marcelo Bittencourt (Coord.) Gerência Serviço de Atenção Integral ao Acadêmico Maria Isabel Aragon (Gerente) André Luiz Portes Carolina Dias Damasceno Cleide Inácio Goulart Seeman Francielle Fernandes Holdrin Milet Brandão Jenniffer Camargo Juliana Cardoso da Silva Jonatas Collaço de Souza Juliana Elen Tizian Kamilla Rosa Maurício dos Santos Augusto Maycon de Sousa Candido Monique Napoli Ribeiro Nidia de Jesus Moraes Orivaldo Carli da Silva Junior Priscilla Geovana Pagani Sabrina Mari Kawano Gonçalves Scheila Cristina Martins Taize Muller Tatiane Crestani Trentin Vanessa Trindade

4 Victor Henrique Moreira Ferreira Patrimônio Cultural e Natural Livro didático Revisão e atualização de conteúdo Nilzo Ivo Ladwig Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini João Marcos de Souza Alves 2ª edição Palhoça UnisulVirtual 2011

5 Copyright UnisulVirtual 2011 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Edição Livro Didático Professor Conteudista Victor Henrique Moreira Ferreira Revisão e atualização de conteúdo Nilzo Ivo Ladwig Design Instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini João Marcos de Souza Alves (2ª edição) Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Anne Cristyne Pereira Diogo Silva (2ª edição) Revisão Ortográfica Carmen Maria Cipriani Pandini Jaqueline Tartari (2ª edição) F44 Ferreira, Victor Henrique Moreira Patrimônio cultural e natural: livro didático / Victor Henrique Moreira Ferreira; revisão e atualização de conteúdo Nilzo Ladwig ; design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini, João Marcos de Souza Alves. 2. ed. Palhoça : UnisulVirtual, p. : il. ; 28 cm. Inclui bibliografia. 1. Patrimônio cultural. 2. Turismo. 3. Recursos naturais Conservação. 4. Desenvolvimento sustentável. I. Ladwig, Nilzo. II. Pandini, Carmen Maria Cipriani. III. Alves, João Marcos de Souza. IV. Título. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

6 Sumário Apresentação...7 Palavras do professor...9 Plano de estudo UNIDADE 1 Cultura e Patrimônio: definições e nuances UNIDADE 2 Patrimônio Cultural e a Atividade Turística UNIDADE 3 Patrimônio Natural conceitos e abrangência UNIDADE 4 Turismo e Meio Ambiente Para concluir o estudo Referências Sobre o professor conteudista Respostas e comentários das atividades de autoavaliação Biblioteca Virtual...189

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8 Apresentação Este livro didático corresponde à disciplina Patrimônio Cultural e Natural. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz. Lembre-se de que sua caminhada, nesta disciplina, será acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual, por isso a distância fica caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores e instituição estarão sempre conectados com você. Então, sempre que sentir necessidade entre em contato. Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso, tais como: telefone, e o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem, que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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10 Palavras do professor Caro(a) estudante, Ao teres contato com esta disciplina que versa sobre Patrimônio Cultural e Natural, você terá a possibilidade de adquirir conhecimentos acerca da cultura material e natural de determinadas regiões do Brasil e do exterior, assim como tomar conhecimento acerca do patrimônio artístico, histórico, gastronômico, paisagístico e biológico. Isto, sem dúvida alguma, com vistas não só a sua valorização como atrativo turístico, mas também como forma de se respeitar o meio ambiente e os valores culturais e artísticos da região em que está inserido. Não custa lembrar que o futuro das próximas gerações em nosso planeta depende de muitas variáveis, que por muitas vezes não percebemos e estão diretamente relacionadas com nossas atitudes, gestos e exemplos. Na qualidade de futuros profissionais da área hoteleira, é responsabilidade sua ter um conhecimento básico sobre a importância do legado cultural e, principalmente do legado ambiental como forma de promover a sua sustentabilidade. Que este livro possa representar um instrumento não só de conhecimento, como também de possibilidade de reflexão sobre os diversos matizes e nuances que são inerentes à atividade profissional da área turística e hoteleira. Professor Victor Henrique Moreira Ferreira

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12 Plano de estudo O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos desse processo: o livro didático; o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA); as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de autoavaliação); o Sistema Tutorial. Ementa Conceito de cultura. Cultura material e simbólica. Conceito de patrimônio. Cultura global e cultura local. Preservação e Conservação. O turismo como fator de valorização do patrimônio. Patrimônio nacional e internacional. Museus, monumentos, prédios históricos. Restaurantes e hotéis temáticos. Conceito. Legislação ambiental brasileira. Mapeamentos de patrimônio natural. Sustentabilidade do patrimônio natural na atividade turística.

13 Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivos Geral A disciplina deverá proporcionar ao acadêmico o conhecimento dos elementos do patrimônio cultural e natural distribuídos no espaço geográfico com vistas a sua valorização e utilização sustentável como atrativo turístico. Específicos Tornar os alunos mais seguros de seu desempenho ao familiarizá-los com elementos que costumam se apresentar como imponderáveis ou até mesmo ameaças para o exercício de suas atividades rotineiras. Formar profissionais com visão mais abrangente de determinado tipo de problemas e, portanto, com mais aptidão para resolvê-los. Compreender conceitos, identificar fatores de conformidade legal nas questões histórico-culturais e ambientais no turismo. Ocasionar a reflexão e o debate sobre os aspectos sociais, econômicos, ambientais e políticos, e sua relação com o turismo. Reconhecer na organização do espaço geográfico os elementos que podem ser explorados como recursos turísticos. Compreender que todo o espaço territorial possui um limite para a sua ocupação e uso, a partir do qual será excedida a sua capacidade de sustentabilidade ambiental.

14 Patrimônio Cultural e Natural Carga Horária A carga horária total da disciplina é 60 horas-aula. Conteúdo programático/objetivos Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Unidades de estudo: 4 Unidade 1 - Cultura e Patrimônio: definições e nuances Nesta unidade, você estará em contato com as definições sobre cultura e patrimônio. Teremos a oportunidade de abordar também acerca do preconceito que ainda existe sobre o turismo cultural em termos de território brasileiro. Ao final desta unidade, apresentaremos, em breve recapitulação, as características principais dos serviços e, principalmente, a importância de se prestar serviços hoteleiros com qualidade, sempre tendo em mente a prestação destes serviços em ambientes caracterizados pela presença do patrimônio cultural e patrimônio natural. Unidade 2 Patrimônio Cultural e a Atividade Turística A unidade 2 versa basicamente sobre três pilares fundamentais, nomeadamente: o patrimônio histórico e o turismo como preservar e consumir, turismo e museus, o enorme potencial ainda a ser explorado e, finalmente, turismo e festas folclóricas no Brasil.

15 Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 3 Patrimônio Natural conceitos e abrangência Na unidade 3, você terá a oportunidade de estudar e conhecer, da mesma forma que na unidade anterior, três pilares básicos que permeiam esta etapa do livro didático: turismo, meio ambiente e espaço rural, o turismo que ocorre em parques nacionais e a arqueologia e o turismo. Unidade 4 Turismo e Meio Ambiente A última unidade deste nosso livro didático tratará de aspectos selecionados da legislação ambiental brasileira, principalmente aqueles relacionados às unidades de preservação que permitem a ocorrência da atividade turística. Da mesma forma a sustentabilidade ambiental será abordada sob o espectro socioambiental da atividade turística.

16 Patrimônio Cultural e Natural Agenda de atividades/cronograma Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e professor. Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas, com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Atividades obrigatórias Demais atividades (registro pessoal)

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18 UNIDADE 1 Cultura e Patrimônio: definições e nuances 1 Objetivos de aprendizagem Conhecer as definições sobre cultura e patrimônio cultural. Compreender aspectos destacados e relacionados ao preconceito existente em relação ao turismo cultural brasileiro. Destacar alguns princípios e conceitos acerca das características, importância e aplicabilidade dos serviços hoteleiros, para utilização em trabalhos relacionados a atividades culturais e ao patrimônio histórico de uma destinação turística. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Definições sobre cultura e patrimônio cultural Considerações sobre o preconceito em relação ao turismo cultural brasileiro Características, importância, qualidade e aplicabilidade dos serviços hoteleiros

19 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta Unidade você terá a oportunidade de conhecer quais as definições sobre cultura e patrimônio cultural. Poderá compreender que uma conceituação universalmente aceita, e única, não existe, devido às características particulares e multifacetadas dos termos. O Brasil, por ser um país jovem, não valoriza de forma adequada toda a sua riqueza histórico-cultural. Pode-se alegar que alguns governos que geriram nosso território não foram sensíveis o suficiente para incrementar ações concretas de preservação e conservação do patrimônio histórico cultural, mas é um cenário que vem sendo mudado, pois a sensibilidade com tais questões tem aumentado. Estas são algumas das principais características apresentadas ao longo da seção 2. Um mercado notoriamente caracterizado por oferta de produtos turísticos precisa de profissionais qualificados e atuantes. Neste sentido, optamos por dar um destaque, na seção 3, para as características dos serviços. Num primeiro momento, pode parecer um pequeno disparate, mas na qualidade de autor e bacharel em Turismo e Hotelaria, reconheço a suma importância de se abordar estas peculiaridades como forma de poder contribuir para uma formação ampla dos atuais e futuros profissionais desta área, que é dinâmica, pois se modifica constantemente porque integra uma sociedade com pessoas, ideias, desejos e necessidades. Assim, convido-lhes a dar início aos estudos, que atuarão de forma interdisciplinar para a sua formação acadêmica no Curso de Turismo, e posterior atuação no mercado de trabalho. 18

20 Patrimônio Cultural e Natural Seção 1 Definições sobre cultura e patrimônio cultural A conceituação sobre determinado tema ou assunto se faz necessária, pois é somente a partir dela que conseguimos nos orientar sobre os fatores que influenciam ou determinam os desdobramentos e eventuais evoluções que ocorreram na sociedade. Neste sentido, definir cultura é um desafio. Existem dúvidas a respeito do critério que deve ser adotado para dizer o que é cultura. E o que deve ser realmente preservado? A ideia mais difundida é a de que, se o homem participou do processo que envolve o bem cultural, ele deve ser preservado para conhecimento e crítica, inclusive na posteridade. Segundo Fani (1999), cultura é um universo historicamente criado decorrente da ação social. A educação que está presente em praticamente todas as atividades sociais depende do conhecimento cultural. A sobrevivência do turismo também depende da educação e da cultura. O processo da atividade turística exige convivência e seria inviável sem a educação. [...] cada realidade cultural tem suas características próprias e, para entendê-la, é preciso examiná-la dentro do contexto em que é produzida. Ela está sempre marcada pela história, hábitos, crenças e costumes dos agrupamentos humanos que a vivem. (CORRÊA, 1997, p. 9). Indivíduos de diferentes culturas podem ser identificados por seu modo de agir, vestir, pensar, falar, comer, dentre outras características. Essas práticas, hábitos e costumes são produtos de uma herança cultural. A cultura depende, portanto, de um aprendizado que consiste na reprodução de padrões estabelecidos por um grupo. Unidade 1 19

21 Universidade do Sul de Santa Catarina Poderíamos dizer que a identidade cultural é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos de um corpo de conhecimentos, seus elementos individualizadores e identificadores, enfim, o conjunto dos traços psicológicos, o modo de ser e de agir de um grupo, que se reflete nas ações e na cultura material. (PIRES, 2001, p. 102). Muitos grupos sociais, comunidades de indivíduos somente percebem o outro a partir de sua perspectiva, considerando assim, o seu modo de ser como o mais correto dentre todos os outros. Esta é uma tendência etnocentrista do ponto de vista da antropologia, da sociologia e da sociedade. O perigo desta tendência está em justificar atos de racismo e xenofobismo e ainda o aculturamento. É importante ressaltar que quando trabalhamos para desenvolver um turismo equilibrado, temos que atentar para a importância das relações sociais e à promoção de medidas que evitem os conflitos ou visões unilaterais. O incremento do turismo cultural é uma prática que deve considerar e unir essas necessidades. Assim, ao mesmo tempo em que torna a cultura autóctone fortalecida, fará com que o conhecimento da cultura do outro traga o respeito mútuo e evite a aversão ao turista. O homem é um animal que constitui, através de sistemas simbólicos, um ambiente artificial no qual está continuamente transformando. A cultura é propriamente, esse movimento de criação, transmissão e reformulação desse ambiente artificial. (DURHAM apud PELLEGRINI, 1997, p.92). Em síntese, não se pode dizer que um homem não possui cultura. Muitas pessoas erroneamente equiparam-na ao nível tecnológico e classificam comunidades em mais ou menos evoluídas e com menor ou maior cultura. É necessário difundir o conhecimento cultural a ponto de compreender que todo ser humano tem o mesmo valor e que a riqueza está na diversidade cultural de cada um. O turismo é uma ótima ferramenta para viabilizar essa compreensão. 20

22 Patrimônio Cultural e Natural Para Michel de Certeau (1986), cultura trata de um corpo de significados incorporados aos símbolos e historicamente transmitidos na sociedade, às gerações. A cultura, segundo ele, é condicionada pelos lugares, regras e dados. Ela é a proliferação dos espaços circunscritos. Desse modo, para que haja cultura é preciso que as práticas sociais tenham significado para aquele que as realiza. Como toda a cultura requer uma atividade, um modo de apropriação e adoção, e transformação pessoal, um intercâmbio instaurado em um grupo social, ela é maior do que as visões de indivíduos ou de grupos. O patrimônio cultural é interdisciplinar, atemporal e não linear. - A partir de agora você estudará alguns conceitos e definições sobre patrimônio cultural. O que você sabe sobre patrimônio cultural? Você sabe como ele se apresenta no Brasil? Que características este assumiu no decorrer da história? A que serve em termos turísticos? Patrimônio Cultural A seguir apresentamos a definição de patrimônio Cultural, segundo a Constituição Federal de Unidade 1 21

23 Universidade do Sul de Santa Catarina Art Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material ou imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. Das dimensões relacionadas ao patrimônio cultural temos: é construído pelo homem; quando alterado, perde seu valor; necessita de constante preservação e conservação. A prática do Turismo Cultural está em visitar localidades, com a finalidade de: conhecer e compreender a história do povo, a sua cultura, o seu idioma, seus hábitos e costumes, a gastronomia, o folclore e crenças, a arte, o artesanato, a arquitetura, tradições que o constitui. Comecemos com um pouco de história: No fim do séc. XIX, a partir de debates na Europa sobre a conservação do patrimônio surgem duas correntes de opinião, uma defendendo que se deve colocar os imóveis em sua unidade estilística de origem e outra que se deve evidenciar, também os diversos períodos que agregaram valor ao bem. Figura Patrimônio Cultural de Minas Gerais Fonte: Jornada Mineira do Patrimônio Cultural, Durante a existência do patrimônio, ele recebe importância na medida em que presencia fatos e eventos históricos, artísticos e sociais mostrando que a nova concepção sobre patrimônio cultural não se restringe à arquitetura, tem significado mais amplo. 22

24 Patrimônio Cultural e Natural (PELLEGRINI, 1997). Este conceito inclui ainda produções tangíveis e intangíveis, histórias oficiais e extraoficiais. São considerados bens patrimoniais: sítios arqueológicos, inscrições pré-históricas, objetos de arte, artesanato e utilitários, textos e muitas outras coisas. Dentre os bens móveis mais recentes podemos encontrar os filmes, fotos, culinária, lendas, músicas entre outros. Não se pode esquecer que o presente será o passado daqui a algum tempo e que a conservação da cultura é um esforço contínuo. Essa preocupação é que possibilitará a compreensão do nosso momento social futuramente. O entorno do patrimônio deve ser conservado para que se conheça em que ele estava inserido (PELEGRINI, 1997), ou seja, a história da cultura é parte fundamental para a compreensão do patrimônio. Assim, a preocupação com a conservação do patrimônio, depois percebido o seu valor como identificador da cultura, não vem de hoje e cerca as discussões mundiais há longos anos. A Carta de Atenas (1933) e a Carta de Veneza (1964) são um exemplo de documentos criados com a intenção de preservar bens do passado. Pellegrini (1977), relata brevemente as recomendações da Carta de Atenas e de Veneza sobre evitar demolições de conjuntos arquitetônicos. Notando que o patrimônio cultural, principalmente dos países mais pobres ficava a mercê de desgastes, o patrimônio destes países era adquirido e transportado para outros locais para ser visitado ou colecionado. Para coibir tais práticas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) fez em 1964 recomendações para que os bens culturais não saíssem de seus territórios de origem. A partir destas recomendações surgiram outros documentos importantes para a preservação do patrimônio. Esta relação de documentos e seus principais critérios podem ser encontradas na obra Ecologia, Cultura e Turismo, de Pellegrini (1997). Unidade 1 23

25 Universidade do Sul de Santa Catarina No Brasil, a movimentação em defesa da conservação caracterizou-se por medidas isoladas até a década de Nesta mesma década, Mário Andrade dá amplitude à noção de patrimônio cultural em um pré-projeto; mas, o patrimônio cultural por muitos anos continua a ser sinônimo de patrimônio arquitetônico no Brasil. (SIMÃO, 2001). Somente no final da década de 1970 é que se entende melhor a abrangência dos bens culturais, ou seja, que podem ser móveis ou imóveis, das classes dominantes ou das minorias. O patrimônio cultural nacional recebe maior atenção na Constituição de 1988 e na criação do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC), em (PELLEGRINI, 1997). Mesmo com estas medidas, o patrimônio cultural ainda continuou a ser depredado. Sabemos que muita coisa foi feita como a revitalização do Pelourinho, em Salvador, do Centro Histórico de Recife, em Pernambuco, dentre outras iniciativas. Segundo a Constituição Federal de 1988 a preservação patrimonial está disposta nos arts. 23, inciso III e IV, 24, incisos VII e VIII, 30, inciso IX e 216. Vejamos: Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: VIII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico e paisagístico; Art. 30. Compete aos Municípios: IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. 24

26 Patrimônio Cultural e Natural Art Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais. 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei. 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos. O gosto do povo brasileiro pelo descartável e a referência equivocada do que é desenvolvimento, vem a cada dia esmagando mais os bens culturais. Resgatar os bons hábitos culturais como o de visitar os museus e incentivar a educação democrática e a consciência nacional pela preservação do patrimônio é uma necessidade para que possamos assegurar a longo prazo a valorização do patrimônio histórico-cultural da nossa sociedade. O dinamismo da vida em sociedades complexas, na segunda metade do século XX, constituiu um fator de mudanças que provocou dificuldades à política de preservação do patrimônio cultural. A memória brasileira foi e está sendo atropelada pelo progresso cego: especulação imobiliária, expansão ou inchaço das áreas urbanas, os órgãos de comunicação social facilitando Como exemplo, pode-se citar a situação de discussão no curso de MBA (Masters in Bussiness Administration) em História Cultural, da Fundação Getulio Vargas SP de 2008 em que o fabricante da Melissa é citado como empresário de sucesso enquanto os fabricantes de calçados de couro do sul do país encontram sérias dificuldades no mercado. Unidade 1 25

27 Universidade do Sul de Santa Catarina o advento e a adoção de modismos. Daí a necessidade maior da preservação esclarecida e da documentação dos traços culturais, para se poder efetuar uma leitura satisfatória e correta da Nação. Neste contexto de preservação ativa, o turismo assume papel de inegável importância. (PELLEGRINI, p. 105). A revitalização dos bens culturais gera benefícios na qualidade de vida das pessoas. As antigas construções, muitas vezes, encontram-se em condições insalubres como é o exemplo do Ecomuseu do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, Santa Catarina, que atualmente possui forte cheiro de mofo devido à umidade e por ficar muito tempo fechado ao longo do ano abrindo normalmente somente no período de alta temporada. A restauração é uma necessidade constante para conservar as coisas antigas, mas, que fique evidente quando é definida a importância do bem patrimonial. Para perceber o valor cultural do patrimônio é preciso que se conviva com ele ou que se entenda a história da sua existência. Por exemplo, um teatro revitalizado aproxima as pessoas do acervo e do conhecimento e ainda causa movimentação dentro de um espaço que deve ser entendido como adequado para uso da sociedade. (...) ao contrário do que muita gente pensa, o tombamento não visa isolar o bem patrimonial, não visa sacralizá-lo, paralizando-o, impedindo que ele seja útil. O que se pretende e o tombamento constitui no início e que de nossa parte, chamamos preservação ativa do bem patrimonial: se for um objeto ou uma coleção de objetos, poderá integrar-se ao acervo de um museu ou semelhante, poderá servir a eventos culturais (exposições itinerantes, seminários escolares etc.), se for uma construção significativa poderá ser colocada em seu uso, talvez reciclado, e assim por diante. Nesse sentido, o bem patrimonial deve ser encarado como algo integrado ao quadro econômico-financeiro local, regional e talvez nacional, com uso efetivo. Aqui entra o interesse turístico, direta e indiretamente. (PELLEGRINI, 1997, p. 109). 26

28 Patrimônio Cultural e Natural O patrimônio arquitetônico pode ser reciclado e ter suas funções modificadas desde que se mantenham suas características e que se respeite sua capacidade de carga. Vários restaurantes, museus e hotéis fazem sucesso pelo mundo adequando-se à estrutura de castelos, cadeias, residências e outros. Sobre isso você pode encontrar exemplos no livro Ecologia, Cultura e Turismo de Pellegrini (1997). A Fortaleza de Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim, no litoral da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis), abriga a sede do Centro de Pesquisas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Este patrimônio histórico arquitetônico interessa ao turismo urbano, pois pode representar uma possibilidade de diversificação da oferta turística do lugar. Portanto, os turismólogos devem incentivar a apropriação desse patrimônio, promovendo sua conservação, preservação e inserindo-o entre os produtos oferecidos ao turista. (CRUZ, 2001, p. 53). Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o patrimônio é o legado que recebemos do passado, vivemos no presente e deixamos para o futuro. As formas como o homem interage com os bens naturais e culturais, também fazem parte do patrimônio. O patrimônio cultural é insubstituível e os países devem orgulhar-se de possuílos. (UNESCO, 1999). Tendo visto esta abordagem sobre cultura e patrimônio cultural, na seção a seguir, você terá a possibilidade de conhecer algumas considerações importantes sobre o atual turismo cultural brasileiro. - Bom prosseguimento de estudos! Unidade 1 27

29 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 2 Considerações sobre o turismo cultural brasileiro Durante muito tempo, prevaleceu em nosso país a ideia de que uma visita a um renomado museu ou qualquer patrimônio cultural arquitetônico, ou a uma pinacoteca deveria, necessariamente, ser revestida de certa gravidade. É como se, ao entrar no edifício detentor das veneráveis relíquias, todos devessem percorrer os longuíssimos corredores e intricado labirinto de salas em quase absoluto silêncio, quebrado apenas por leves sussurros de algumas explicações dos mestres ou anfitriões que acompanhavam a visita. Atualmente, pode-se afirmar que os museus modificaram-se bastante, agregando atividades antes sequer imaginadas. Posturas novas foram implantadas com o objetivo de integrar a comunidade ao museu, mediante visitas guiadas levando-se em conta o interesse dos visitantes, com aulas de pintura, decoração, apresentações teatrais, exposições de obras de autores da própria localidade e muitas outras iniciativas. Uma nova concepção o transformou em um espaço de educação extraclasse, contribuindo, desta forma, para o cumprimento de uma de suas grandes metas: a pedagógica. Embora tenham se passado muitas décadas da época em que era comum aquele antigo tipo de visitação, compenetrada e sisuda, e os museus tenham se renovado, observamos que, num dado momento, as visitas perderam a flexibilidade e voltaram a ser de certa forma, chatas. Alunos do ensino fundamental e ensino médio não se sentiram mais motivados a visitar um museu ou um edifício histórico cultural para desenvolver em salas especiais, atividades que, em grande parte, já tinham sido absorvidas pelas próprias instituições de ensino. 28

30 Patrimônio Cultural e Natural Salta aos olhos a seguinte pergunta: o que aconteceu para que os museus e casas históricas perdessem a capacidade de atração novamente? Dê sua opinião! Questões erroneamente denominadas ecológicas, mas consagradas pela mídia e de domínio e aceitação populares, culto ao corpo e aos esportes, comuns e radicais, vida sedentária e desejo ansioso por sol e água, ao mesmo tempo em que justificam, em parte, o desinteresse pelos atrativos culturais, servem igualmente para esconder outro problema que é: uma abissal dificuldade dos museus, casas de cultura, localidades históricas, pinacotecas e demais atrativos culturais de se adaptarem a uma nova realidade, na qual as opções de informação são quase infinitas. Pergunto-me o que fazer para atrair o público a um museu, a um centro cultural ou a uma casa histórica? A pergunta merece um momento de reflexão. Sempre haverá administradores de museus cujo discurso inflamado baterá na jurássica tônica da falta de verbas. Aqueles que dirão que no passado muita coisa foi feita e a prova disso são as recheadas pastas com recortes de jornal e sobras de material impresso oriundas dos tempos das vacas gordas. Se hoje pouco ou nada se faz para mudar esse quadro, isso se deve exclusivamente ao abandono a que os museus foram relegados pelos governos, insensíveis que são à educação e à cultura. (PIRES, 2001, p. 39). Unidade 1 29

31 Universidade do Sul de Santa Catarina O referido autor ainda se reporta ao tema afirmando que esse tipo de administrador ainda se alastra por todo o território brasileiro, e que ainda há outro muito mais pernicioso, porém, felizmente, em avançado estágio de extinção. Ele se refere àqueles para quem um museu é um local de cultura apenas e, por isso, não tem, tampouco terá a preocupação de competir com outras formas de lazer existentes no mundo contemporâneo. Nessa concepção, cultura não é lazer! Apesar de serem homens e mulheres ligados ao universo do conhecimento, ainda assim desprezam ou desconhecem as inúmeras obras clássicas sobre o lazer, mesmo podendo, no mínimo, prestar atenção à expressão lazer cultural, atualmente bastante difundida. Como forma de complementar esta seção, você está convidado, a partir de agora, a conhecer algumas variáveis importantes no que tange às categorias que possibilitam verificar os fatores de atratividade do patrimônio cultural brasileiro, conforme Pires (2001): CATEGORIA CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS a) Preservação É uma intervenção legal no bem histórico. Neste sentido pode ser considerada sinônimo de tombamento. Aquilo que, em princípio, foi julgado importante a ponto de justificar sua permanência à posteridade. Recebe, assim, a proteção legal, integrando o inventário de bens que, originalmente, consistia no livro do tombo. Hoje em dia, pode ocorrer nas diferentes esferas: UNESCO, como patrimônio da humanidade, que é o exemplo de Ouro preto ou Olinda; IPHAN instituto responsável pelo tombamento no âmbito nacional; CONDEPHAAT, na esfera do Governo do Estado de São Paulo, ou DPH e outros órgãos, no âmbito municipal da cidade de São Paulo. b) Restauração, conservação Se a preservação trata do aspecto legal, a restauração é uma intervenção física no bem histórico de forma que mantenha sua integridade. Comumente, a restauração ocorre como uma intervenção drástica visando a objetivos que se alteram do essencial, que é manter de pé certa edificação ou localidade, até restabelecer suas características o mais próximas possível da obra original. O grau de realce da pintura ou mesmo o tipo de material a ser empregado varia enormemente de acordo com as escolas de restauro, gerando muitas vezes bastante polêmica na imprensa. A conservação, por outro lado, é uma intervenção mais leve, realizada em geral diuturnamente com o propósito de afastar do bem tudo o que possa, de alguma maneira, prejudicá-lo. Nos raros exemplos brasileiros, um bem recebe o seu tombamento em bom estado; cabe então ao proprietário (público ou privado) conservá-lo. Quadro Categorias do Patrimônio Histórico Fonte: Pires (2001). 30

32 Patrimônio Cultural e Natural CATEGORIA CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS c) Deslocamento É a remoção de bens históricos do local em que originalmente foram construídos ou gerados. Embora não tão comuns, edificações e grandes monumentos são também passíveis de deslocamentos. O grande exemplo mundial é o do templo de Abu Simbel, no Egito, que envolveu complexa tecnologia nesta operação. No Brasil é digno de nota o deslocamento do portão da Real Academia de Belas Artes no Rio de janeiro, símbolo da Missão Artística de 1816, que foi transferido para o jardim Botânico com o alargamento da atual Avenida Pereira Passos. Os casos mais comuns de deslocamentos referem-se aos acervos de museus, em que conjuntos de bens históricos são transferidos dos seus lugares originais para dentro de edificações com a finalidade de pesquisa e visitação. d) Réplica É a reprodução de um original no qual se respalda. Embora esse conceito pressuponha a existência de um original, pode ocorrer que por algum incidente, este venha a se perder, permanecendo apenas uma ou mais cópias que se basearam em um protótipo. Neste caso, mesmo sem a existência do original, mantém-se a definição de réplica para essas reproduções. Estas são amplamente justificáveis por diferentes razões, como a exposição que, por algum motivo, coloque em perigo o bem original. O exemplo clássico é o do David, de Michelangelo, recolhido da poluição para o ambiente controlado do museu, tendo sido colocada no local uma réplica. Também são construídas cópias perfeitas de ferramentas e máquinas antigas para manuseio do público em museus interativos, deixando os delicados originais em exposição. Quadro Categorias do Patrimônio Histórico Fonte: Pires (2001). CATEGORIA CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS e) Reconstrução É a recriação de um bem histórico já desaparecido no local onde se encontrava o original. Isso se justifica no caso de fatos importantes para uma localidade ou nação terem ocorrido nesse bem histórico. Tem sido aceita, igualmente, em residências de protagonistas de eventos importantes, como a casa de Benjamin Franklin, na Filadélfia. Para a recriação de um bem desaparecido em local diferente do original, o termo mais empregado internacionalmente é reprodução. f) Reutilização Reaproveitamento de edificações e artefatos para usos diversos daqueles para os quais foram originalmente concebidos. As possibilidades são praticamente infinitas e no Brasil muitos são os exemplos, como em Ouro Preto, MG, a antiga Casa da Câmara e Cadeia transformada em Museu da Inconfidência; em Petrópolis, RJ, a residência de verão de D. Pedro II hoje abriga o Museu Imperial. Inúmeros são os casos de conventos transformados em museus, solares, em casas de cultura ou pousadas, além das variadas destinações dadas a objetos antigos em outros contextos. Quadro Categorias do Patrimônio Histórico Fonte:Pires (2001). Unidade 1 31

33 Universidade do Sul de Santa Catarina A próxima seção ilustrará com algumas características a importância e a aplicabilidade dos serviços no turismo, tendo sempre em mente que estas características são importantes para os atuais e futuros profissionais da área do turismo, que possuem em suas áreas de trabalho os elementos do patrimônio cultural e natural. - Que você possa seguir trilhando este caminho de leitura e de dedicação! Bons estudos! Seção 3 Características, importância, qualidade e aplicabilidade dos serviços em turismo Características dos serviços Os serviços representam uma ação humana com o objetivo de promover algo que satisfaça ou beneficie outrem. São variáveis, dependem do tempo, das pessoas e do modo que cada prestador executa determinado serviço. Gianesi e Corrêa (1996, p. 32), definem: os serviços são experiências que o cliente vivencia enquanto os produtos são coisas que podem ser possuídas. Os serviços apresentam quatro características básicas. Vamos conhecê-los? a) Intangibilidade: os serviços, ao contrário dos produtos, não podem ser tocados, sentidos ou cheirados no ato de sua compra. Eles não se caracterizam por serem bens materiais. Essa característica gera nos possíveis clientes inúmeras incertezas, principalmente se o serviço é de qualidade. Para amenizar essas dúvidas é imprescindível que a empresa invista na qualidade da prestação de serviços, o que gera uma propaganda favorável para o estabelecimento hoteleiro. 32

34 Patrimônio Cultural e Natural A função de quem oferece serviços, além de demonstrar as evidências, é conseguir tornar palpável o intangível, ao contrário do que fazem os gerentes de produtos quando colocam slogans, palavras e dizeres, maquiar com ideias abstratas os bens para torná-los mais atraentes. (VIERA, 2003, p. 115). b) Inseparabilidade: quando se presta um serviço, comprador e prestador estarão frente a frente. Portanto, eles são prestados e consumidos ao mesmo tempo. É nesse momento que ocorre o Momento da Verdade, definido por Las Casas (1999) como: Os momentos de contato com os clientes observados, pela característica de inseparabilidade. Portanto, a característica da inseparabilidade aproxima o prestador do cliente, podendo ser o momento em que o prestador demonstrará toda a qualidade dos serviços que a empresa presta, como pode ser o momento em que a empresa, por um simples contato, pode ser desqualificada. É a hora mais imprescindível na prestação de um serviço, pois é o momento de cativar um cliente, encantá-lo, dar-lhe atenção e garantir a sua volta. c) Variabilidade: essa característica depende das pessoas que executam os serviços. Como os serviços são produzidos por pessoas diferentes, com características instáveis, não há como padronizar totalmente a prestação desses serviços. Para que essa característica seja sempre um parâmetro de qualidade, é inevitável que os hotéis padronizem seu atendimento, ou seja, ensinem seus colaboradores e os conscientizem da importância de um bom atendimento. É evidente que na prestação de serviços, o atendimento nunca será totalmente igualitário, mas é preciso que haja treinamento para que os serviços sejam executados de forma semelhante. d) Perecibilidade: Os serviços não podem ser estocados como os produtos. Eles são fabricados e consumidos simultaneamente, não podendo ser repassados para outro consumidor. Quando se trata de hotelaria, cita-se um exemplo muito habitual para exemplificar a perecibilidade Unidade 1 33

35 Universidade do Sul de Santa Catarina No show: significa desistência da reserva sem o respectivo cancelamento. (CASTELLI, 2001, p. 159). dos serviços, que é o caso do no show, quando o cliente deixa de comparecer ao hotel e determinado apartamento que estava reservado para ele não é vendido, não gerando lucratividade. Quando se trata de serviços, é necessário que as pessoas que irão prestá-los tenham a clara distinção entre estes e os produtos. Os serviços dependem de pessoas e só existem de fato se houver participação de duas ou mais envolvidas no processo. Para uma empresa que presta serviços, como é o caso da hoteleira, é importante que haja a conceituação das características dos serviços e a maneira mais hábil para tratar com os clientes que receberão por eles. Os serviços no turismo No turismo, os resultados econômicos estão voltados à prestação de serviços. Por exemplo, os hotéis oferecem produtos aos seus clientes, como camas, banheiros e boas instalações, mas para o sucesso de um hotel, não basta que os produtos sejam de qualidade e satisfaçam seus clientes, é preciso aliar isso com a boa prestação de serviços, fator este que será decisivo no momento da escolha do cliente. O mesmo acontece quando estou oferecendo um produto de ecoturismo, pois há necessidade de pessoas qualificadas e muitas vezes equipamentos de segurança que possam garantir a integridade física do turista que está praticando a atividade. O setor de serviços vem ganhando um crescimento gigantesco nestes últimos anos. Dentro dele destacase a área de lazer e turismo cultural, na qual as viagens turísticas têm ganho uma dimensão nunca antes vista. A hotelaria se constitui num suporte indispensável para a prática dessas atividades. Ela é formada por empresas essencialmente prestadoras de serviços. (CASTELLI, 2001, p. 117). As empresas que prestam serviços estão diretamente vinculadas aos seus clientes. Estes, por sua vez, serão a força matriz que acaba gerando lucros para a organização e satisfação tanto para os clientes externos que usufruíram do serviço, como para os clientes externos, os prestadores do serviço. 34

36 Patrimônio Cultural e Natural O mercado está com um número considerável de empresas que oferecem atividades de turismo que investem nos serviços, e para tanto aliam os mesmos com a qualidade, treinando e capacitando seus funcionários, mas, toda essa educação profissional depende de cada segmento turístico. O essencial no momento da prestação do serviço é que esse seja visto com importância, principalmente por quem o presta. É preciso ter como ideias principais a criatividade e a inovação, percebendo que, para superar permanentemente as expectativas do cliente, é preciso inovar e criar não só no produto a ser oferecido, mas também na forma pela qual ele é oferecido (serviço). (VIERA, 2004, p. 87). Com a expansão do mercado, novos empreendimentos estão sendo inaugurados nos mais diversos lugares do país. Empresas que trabalham no setor de turismo estão investindo fortemente na qualificação profissional de seus colaboradores, considerando que um dos pontos relevantes na prestação de serviços será a concepção de que é necessário conhecer o cliente e procurar satisfazer seus desejos, superando-os constantemente. Para Albrecht (1994, p.34), uma forma de conquistar e fidelizar clientes é aplicando uma técnica chamada de ciclos de serviço, definidos como a cadeia contínua de eventos pela qual o cliente passa à medida em que experimenta o serviço prestado por você. Desse modo, quando se trata de empresa de turismo, pode-se considerar que essa cadeia está fortemente direcionada aos contatos de prestação de serviços que acontecem entre as empresas de turismo receptivo e emissivo. As empresas do final do século XX buscaram, e buscam até hoje, formas de diferenciar seus serviços fornecendo uma qualidade visível e superior à dos concorrentes. O conceito de serviços e seus processos é hoje mais importante do que uma lucratividade linear. As empresas precisam ser lembradas, admiradas e defendidas por seus consumidores. A concorrência cada vez maior faz com que a área do turismo busque obter diferenciais que provoquem a recompra dos serviços e a fidelidade dos clientes. (CAMPOS, 2005, p. 151). Unidade 1 35

37 Universidade do Sul de Santa Catarina Devido à forte concorrência, as empresas de turismo que saíram na frente foram aquelas que se adaptaram às necessidades mercadológicas. Atualmente, não basta ter um empreendimento em ótima localização e serviços frustrantes, é preciso que a combinação desses dois fatores seja de boa qualidade, salientado-se que, preferencialmente, os serviços estarão em um patamar mais elevado pelos clientes no momento da escolha por determinado serviço turístico. A importância da prestação de serviços Os serviços, além de possuírem merecidos destaque proporcionando para quem os recebem experiências novas e satisfação de necessidades, estão diretamente relacionados à importante posição econômica que exercem no Produto Interno Bruto, gerando empregos e se adaptando às novas tendências impostas pelo mercado consumidor. No Brasil, o setor de serviços vem aumentando consideravelmente a sua participação, em termos de mão de obra na economia nacional. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a participação do PIB (Produto Interno Bruto) do setor de serviços, em conceito amplo, situou-se em 58,3% em 2009, respondendo por 57,2% da absorção de mão de obra na economia. Figura PIB Brasil Participação por atividades Fonte: IBGE (2009). A importância primordial no ato da prestação de um serviço é o diferencial, garantindo continuamente a satisfação dos clientes e a qualidade no atendimento. É evidente que não se pode avaliar os serviços somente pela sua representatividade econômica, 36

38 Patrimônio Cultural e Natural é necessário ter a clareza de que as empresas prestadoras de serviços dependem da excelência desses para o seu sucesso e a permanência no mercado. As tendências nacionais no setor do turismo são animadoras. Por exemplo, no setor hoteleiro várias redes internacionais estão implantando hotéis no país e redes brasileiras estão se consolidando no mercado e demonstrando ampla qualificação nos serviços, educando e profissionalizando seus colaboradores. Desse modo, pode-se acreditar que com a concorrência cada vez mais acirrada, as empresas passem a investir em pessoal capacitado e em serviços diferenciados para o mercado consumidor. Sabe-se que as empresas que prestam serviços, como é o caso das hoteleiras, se estabelecem no mercado em função da demanda composta por pessoas cada vez mais exigentes e que buscam excelência nos serviços. Excelência de serviço: um nível de qualidade de serviço, comparado ao de seus concorrentes, que é suficientemente elevado, do ponto de vista de seus clientes, para lhe permitir cobrar um preço mais alto pelo serviço oferecido, conquistar uma participação de mercado acima do que seria considerado natural, e/ou obter uma margem de lucro maior do que a de seus concorrentes. (ALBRECHT, 1994, p. 13). O ato de servir é a razão de ser de uma empresa no setor do turismo. Os clientes, atualmente, além do preço e da localização buscam fatores diferenciais no momento de escolha por determinado serviço. O diferencial está na preferência decisiva dos consumidores, fazendo com que a empresa gere lucros e garanta o retorno dos clientes, tornando-os fidelizados. Conceitos de Qualidade Acabou-se o tempo da produção em série em que Henry Ford produzia o mítico Ford Model T e a demanda superava as opções da oferta. Com a chegada da Revolução Industrial, a oferta passou a superar a demanda, houve então, a necessidade de buscar novos mercados, tanto na produção quanto nos serviços. Com o passar do tempo, os consumidores tornaram-se mais Unidade 1 37

39 Universidade do Sul de Santa Catarina exigentes frente às opções do mercado, e passou-se a perceber que atender e suprir as necessidades dos clientes era algo imprescindível para uma empresa gerar lucros e satisfazer os consumidores, chegando-se ao ponto da qualidade. Como a qualidade mede o grau de satisfação dos serviços? O que deve ser considerado nesta análise? A qualidade mensura o grau de satisfação dos clientes, é através dela que se tem uma noção parcial da prestação de serviços, da qualificação de pessoal e da superação de expectativas. É por meio dela que a empresa pode avaliar o empenho do trabalho realizado e da presteza na prestação de serviços. Muitas definições de qualidade são usadas em setores e ciências diferentes. Não existe um conceito único de qualidade. Várias ciências (filosofia, economia, marketing, produção) elaboraram conceitos sobre Qualidade, cada uma delas enfatizando aspectos que lhe são próprios. (CASTELLI, 1998, p.18). A qualidade nos serviços depende de uma série de fatores, sendo adaptados pelos modelos de cada organização, individualmente, que por fim, geram o conceito de qualidade compatível àquilo que a empresa almeja agregar no seu valor diferencial e oferecer aos seus clientes. O conceito atual de qualidade é algo muito relativo. Nem todas as pessoas definem qualidade como algo fixo e acabado. Atualmente esse termo toma dimensões maiores e leva a uma série de interpretações, dependendo do modo de análise de cada um. O que pode ser qualidade para um indivíduo, pode não ser para outro. De acordo com Juran (1991 apud VIERA 2004, p. 14), a qualidade é a adequação ao uso. Para Ishikawa (1986 apud VIERA 2004, p. 14), qualidade é a rápida percepção e a satisfação das necessidades do mercado, adequação ao uso dos produtos e homogeneidade dos resultados do processo. Desse modo, a qualidade deve atender às necessidades dos clientes, algo importantíssimo a ser avaliado nos dias atuais, devido a enorme concorrência e adaptação ao mercado, principalmente nas empresas prestadoras de serviços turísticos, como é o caso, por 38

40 Patrimônio Cultural e Natural exemplo, de uma agência de viagens que precisa estar em amplo aperfeiçoamento para a garantia de satisfação e de retorno de seus clientes, fatores esses que geram a qualidade. Para Gianesi (1996, p. 196) os serviços com qualidade são definidos como o grau em que as expectativas do cliente são atendidas/excedidas por sua percepção do serviço prestado. Por exemplo, a expansão do mercado hoteleiro é constante. Hoje, as empresas que não se adaptarem às exigências dos clientes, acabarão por perdê-los, deixando de fidelizá-los, fatores primordiais para a garantia da qualidade e de satisfação. Pode-se sintetizar a função da qualidade, segundo Juran (1991 apud VIERA 2004, p.16), como o conjunto das atividades através das quais se atinge a adequação do produto ou do serviço ao uso, não importando em que parte da organização estas atividades são executadas. Sabe-se que é necessário que haja preparação e envolvimento para que as partes envolvidas em todo processo gerem qualidade e atinjam as metas propostas. Paladini (1995, p.16) define qualidade como: uma definição que compromete e requer esforço de quem pretende adotá-la: o compromisso de sempre atender ao consumidor da melhor forma possível e o esforço de aperfeiçoar todas as ações do processo que contribuem para esse fim. Nas empresas prestadoras de serviços, as pessoas farão a diferença na obtenção de resultados para a garantia da qualidade. Por exemplo, na indústria hoteleira os recepcionistas, as camareiras, os agentes de reservas, os mensageiros entre outros, estarão envolvidos e comprometidos para dar ao hóspede o melhor serviço possível e fazendo com que as expectativas deles sejam sempre superadas, o que se caracteriza como uma maneira de obter a fidelização. As empresas prestadoras de serviços devem apostar fundamentalmente na qualidade do elemento humano, já que a excelência do serviço, condição da competitividade e sobrevivência da empresa, depende de como esse elemento humano estará interagindo com os clientes. Essa qualidade se obtém através de educação e treinamento. (CASTELLI, 2001, p. 19). Unidade 1 39

41 Universidade do Sul de Santa Catarina Assim, o elemento humano é de primordial importância para que o cliente seja bem recebido, com hospitalidade, sinta-se bem e retorne. É necessário que todos os colaboradores da empresa estejam cientes e envolvidos nesse processo, pois é um trabalho de parceria e dedicação. Partindo-se do princípio que qualidade é a busca da satisfação das necessidades dos clientes, é importante que as organizações estejam voltadas para esse parâmetro. Não só de buscar e de satisfazer as necessidades dos clientes, mas de propor alternativas que superem os seus anseios, e que esse processo seja contínuo, 365 dias por ano e 24 horas do dia. Segundo Las Casas (1999, p. 17), os clientes percebem serviços de forma diferenciada (...) uma vez que a qualidade do serviço é variável de acordo com o tipo de pessoa. Sabe-se que as pessoas são diferentes, possuem desejos diferentes e as necessidades variam muito, não só de pessoa para pessoa, mas de tempos em tempos. Para isso é vital que a administração esteja sempre empenhada em buscar nos clientes os seus desejos, as suas expectativas, seja por , telefone, questionário de satisfação dentre outros. Segundo Campos (1992, p. 100), a garantia da qualidade é a embaixatriz do cliente na empresa, é a função que visa confirmar que todas as ações necessárias para o atendimento das necessidades dos clientes estão sendo conduzidas de forma completa e melhor que o concorrente. O feedback dos serviços da organização virão dos principais envolvidos no processo da qualidade, ou seja, dos próprios clientes; então, todo os esforços e aprimoramentos feitos devem surgir em função deles e para eles. Através dos tempos e da evolução humana construíram-se inúmeros conceitos, na tentativa de definir qualidade. Não existe um conceito único de qualidade. Várias ciências (filosofia, economia, marketing, produção) elaboraram conceitos sobre Qualidade, cada uma delas enfatizando aspectos que lhe são próprios. (CASTELLI, 1998, p. 18). Por fim, observa-se que não há uma definição única, que exprima em todos os sentidos amplos de economia, indústria, administração e de prestação de serviços, o que significa 40

42 Patrimônio Cultural e Natural qualidade. Esta conceituação é feita pelos mais diversos historiadores e leigos, continuamente, pois é algo relativo, que muda através do tempo e das evoluções que o homem passa. Para finalizar esta seção e fazer uma contextualização dos temas na unidade, principalmente aos que abrem as discussões, é importante que façamos uma relação possível entre patrimônio cultural, patrimônio natural e prestação de serviços com qualidade. Sobre isso se pode dizer que faz parte do atendimento de qualidade a informação, feita com parâmetros de qualidade, considerando as variáveis culturais, sociais, econômicas e ecológicas daquela região. Bons exemplos são as informações de acervo acerca do patrimônio cultural e natural em vários formatos nos estabelecimentos que dão suporte ao turismo. Vídeos podem ser disponibilizados na internet, terminais de computadores estrategicamente alocados à disposição dos turistas são elementos que pontuam na qualidade dos serviços oferecidos. Seguimos com estes conteúdos... Boa leitura! A importância da qualidade para os serviços turísticos Com a imensa concorrência e a oferta cada vez mais global, as empresas que investirem em processos que gerem qualidade estarão à frente no mercado. Atualmente, a aplicação da qualidade nas empresas prestadoras de serviços faz-se tão necessária para a obtenção de êxito quanto à cortesia ao atender um telefonema e a agilidade e praticidade ao responder uma solicitação do cliente. Um mercado cada vez mais feroz e competitivo tem exercido uma enorme pressão sobre as indústrias de serviços, obrigando-as a melhorar a qualidade de seus produtos. Inspiradas pelo aumento crescente das exigências da clientela e pela pressão competitiva, muitas empresas de hospitalidade têm trabalhado incessantemente no melhoramento da qualidade dos serviços que oferecem. (WALKER, 2002, p. 478). Unidade 1 41

43 Universidade do Sul de Santa Catarina Sabe-se que fatores como a qualidade, produtividade e competitividade são de extrema relevância atualmente. As empresas que conseguirem elevar sua taxa de qualidade aumentarão a sua produtividade e por consequência a competitividade; ou seja, será bem mais fácil de um produto ou serviço se destacar da concorrência, seja pelo preço ou pelas características que ele possui. No contexto que abrange a importância da qualidade é relevante ressaltar a participação fundamental dos colaboradores da empresa em todo processo que atingirá a satisfação do cliente. Dar-lhes embasamento e treinamento, mostrar-lhes conceitos amplos de qualidade e exemplos de sucesso são alternativas de impulsioná-los a criar boas experiências frente aos clientes todos os dias. Depois de mais de 18 mil horas de treinamentos e cursos de reciclagem com cerca de 600 colaboradores, promovidos pelo programa de qualidade e padronização da Rede de Hotéis Deville, lançado há dois anos, os primeiros resultados começam a aparecer. Pesquisas internas realizadas com hóspedes das sete unidades do Grupo no Brasil revelaram crescimento nos índices de satisfação. A avaliação positiva estimulou a empresa a vislumbrar outras metas audaciosas para a nova fase do programa. Para monitorar a continuidade dos padrões implantados, os colaboradores são avaliados por suas chefias uma vez por ano. O resultado permite medir o desempenho de cada um e, conforme a necessidade, desenvolver um plano para corrigir as deficiências. (HOTEL COMPETITIVO, 2010). A importância da qualidade para uma empresa de turismo é que não ocorram falhas em todo processo de contato com o cliente. É de vital importância que atender aos anseios, superar expectativas e ir além daquilo que o cliente deseja é o resultado de um serviço oferecido com qualidade e que certamente encanta quem o recebe. Por isso, é com merecido destaque que os treinamentos que ocorrem, geralmente nas empresas, gerem conceitos que fazem com que os colaboradores entendam todo o processo da qualidade e onde esta pretende chegar, pois é uma avaliação individual, feita por cada pessoa que recebe o serviço. 42

44 Patrimônio Cultural e Natural Atualmente, as empresas que não tiverem em sua missão e/ou visão conceituações que busquem formas de gerar qualidade total para sua organização, perderão clientes e colaboradores e não conseguirão se adaptar às exigências que o mercado requer. As empresas que prestam serviços precisarão ir mais longe, além de capacitar e treinar seus funcionários, elas terão que padronizar os processos de atendimento, de modo que a satisfação por parte dos clientes seja total, com o menor número possível de reclamações ou sem a existência delas. Qualidade no turismo A qualidade nas empresas, sejam elas prestadoras de serviços ou não, é algo fundamental para garantir estabilidade no mercado. Por exemplo, na hotelaria, onde são prestados serviços, a qualidade está primordialmente nas pessoas. O primeiro contato será definitivo para que o cliente mensure a qualidade dos serviços prestados. Mesmo porque, no atendimento e na prestação do serviço não poderá haver erro, pois é o momento em que o cliente fica frente a frente com o colaborador, que é o chamado momento da verdade. Sobre o momento da verdade, Castelli (2001, p. 127) afirma é o momento em que o cliente avalia a qualidade dos bens e serviços ofertados pela empresa. É a real interação entre aquele que vai promover a qualidade e aquele que vai avaliá-la. O momento da verdade representa a hora decisiva de contato com o cliente, para poder encantá-lo, produzindo o melhor serviço possível, garantindo assim o seu retorno e a sua fidelização à empresa. Albrecht (1992) define qualidade em serviços como sendo a capacidade que uma experiência ou qualquer outro fator tenha para satisfazer uma necessidade, resolver um problema ou fornecer benefícios a alguém. Uma agência de viagens enquadra-se perfeitamente na definição dada por Albrecht, pois a visão do trabalho consiste na busca da satisfação de necessidades de outrem, procurando sempre superá-las. Está na atenção e no encantamento do cliente a definição de qualidade que ele buscará para avaliar a sua satisfação frente aos serviços ofertados. Unidade 1 43

45 Universidade do Sul de Santa Catarina Nunca é demais reiterar que quando se fala em qualidade nos serviços, ela está diretamente relacionada com as pessoas que prestarão esses serviços para os clientes. Por exemplo, antes de analisar um hotel bonito, novo e bem localizado, é necessário analisar as pessoas que estarão ofertando os serviços para que os adicionais de uma boa hospedagem façam com que o cliente se sinta realizado. Para isso, capacitação de pessoal é algo imprescindível nas empresas, também no que se refere às questões de conhecer os atrativos turísticos. Uma pessoa bem formada e informada faz a diferença na empresa, principalmente quando se trata de espaços que atendem turistas em potencial, o chamado turismo de lazer. É fundamental também que os administradores tenham a clareza de contratar mão de obra especializada, levando em consideração as pessoas que estudaram turismo, hotelaria, hospitalidade, mercado, comportamento de clientes, postura profissional, economia, atendimento entre outros, e que estão aptas para exercerem serviços aperfeiçoados, diferenciados e agregando valor a eles, constituindo a qualidade. A qualidade pessoal resulta do somatório das aptidões inatas de cada indivíduo e de todos os elementos a ele agregados através da educação e do treinamento. É esta qualidade que os empregados estarão reproduzindo no momento em que estão interagindo com os clientes. (...) É importante qualificar as pessoas que integram a empresa par atuarem de forma ótima em todos os Momentos da Verdade, pois o sucesso da empresa depende da qualidade desses momentos. Daí a importância de se elevar ao máximo o nível de desempenho de cada empregado, pois, além de repercutir positivamente nos negócios da empresa, elevará também a sua autoestima, uma das necessidades fundamentais de todo ser humano. (CASTELLI, 2001, p. 39). O trabalho em equipe, a cooperação dos colaboradores e uma comunicação eficiente entre os setores é o primeiro passo na fundamentação de uma proposta de serviços que visa atender com máxima satisfação os clientes e fazer com que os mesmos retornem para a empresa, gerando lucratividade. Além disso, quando se trata de satisfação dos clientes, é de extrema importância que haja 44

46 Patrimônio Cultural e Natural harmonia e cooperação entre os envolvidos no atendimento, para que a estada do mesmo não apenas o satisfaça, mas que também agregue valor e supere as suas expectativas. Numa empresa de prestação de serviços, os atores são os funcionários de contato direto com o cliente. São as pessoas que estão no palco, trabalhando com o cliente. Mas, seu sucesso depende da contribuição de todos os funcionários por trás das cenas, que fazem muitas coisas para assegurar a qualidade do serviço de linha de frente. Os funcionários de contato direto são os clientes, por assim dizer, do pessoal de apoio. Neste sentido, todos os funcionários são pessoas de linha de frente, mesmo que haja uma distinção entre os funcionários de contato e os de bastidores. Todos estão desempenhando funções de prestação de serviços, seja para os clientes, seja uns para os outros. (ALBRECHT, 1992, p. 142). A prestação de serviços no turismo é um momento único. É no contato direto com o cliente, seja pessoalmente ou por telefone que o colaborador começa a definir o processo de qualidade. Assim, como destacamos anteriormente, fica evidenciado que existem formas diversas de prestar determinado tipo de serviço e de atender a uma solicitação ou telefonema. Mas, além da importância de padrões estabelecidos para a prestação de serviços é necessário que haja sempre a personalização. Por exemplo, uma agência de viagens não deve ser vista como uma empresa que presta serviços com pessoas que agem igualmente. É fundamental que os colaboradores sejam eles mesmos, exercendo os padrões de cada administração, mas nunca esquecendo que o lado humano faz a diferença. Diante disso, encerramos esta primeira unidade em que vários novos conceitos foram abordados e na qual esta última seção optou por enfocar de maneira contundente as características, a importância e a aplicabilidade dos serviços turísticos. Além disso, vimos uma série de novos termos e novas informações. Leia na sequência a síntese e realize os exercícios de autoavaliação, pois estes dois simples gestos consolidarão a sua aprendizagem dos assuntos ora tratados e consulte as indicações no Saiba Mais. Unidade 1 45

47 Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Nesta unidade, em sua primeira seção, você estudou os conceitos acerca de cultura e patrimônio cultural. Foi possível verificar alguns dados referentes a estes conceitos e, principalmente, verificar a amplitude dos termos. Aspectos selecionados acerca do patrimônio cultural no Brasil. receberam destaque na seção 2, onde foi possível também apresentar uma tabela contendo as categorias de patrimônio histórico em território nacional, seguidos de vários exemplos. Já a seção 3 versou sobre os conceitos de serviços no turismo, qualidade na prestação de serviços e suas respectivas aplicabilidades. Pode-se notar que o objetivo específico de apresentar tais conceitos e abordagens, visou um olhar mais amplo sobre as atividades no setor do turismo. Destacando que em cada destinação turística nacional consolidada existem atrativos do patrimônio histórico-cultural e natural, alguns já formatados como produtos turísticos e outros que necessitam serem trabalhados. Isto significa dizer que o profissional da área de turismo tem o compromisso de prestar serviços de excelência e qualidade para esta atividade, que ainda lamentavelmente não recebe a devida atenção e os devidos investimentos pelos diferentes níveis governamentais no Brasil. Muito ainda deverá ser feito, por todos nós, como forma de transformar este quadro lamentável e a consequente valorização do profissional das áreas de turismo e hotelaria. Esperamos que você aluno(a) do Curso de Turismo siga motivado(a) e curioso(a) para com as unidades que estão por vir neste livro. Posso lhes assegurar que muitos conhecimentos relevantes estarão à sua espera, para ilustrar melhor a importância dos patrimônios histórico-cultural e natural, sempre tendo em mente que a atividade do turismo deve trilhar o caminho da qualidade dos serviços prestados. 46

48 Patrimônio Cultural e Natural Atividades de autoavaliação 1) A Constituição da República Federativa do Brasil estabelece que o poder público, com a cooperação da comunidade, deve promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro. Dispõe ainda que esse patrimônio é constituído pelos bens materiais e imateriais que se referem à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, como: as formas de expressão; os modos de criar, fazer, viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. Esses bens materiais e imateriais que formam o patrimônio cultural brasileiro são, portanto, os modos específicos de criar e fazer (as descobertas e os processos genuínos na ciência, nas artes e na tecnologia); as construções referenciais e exemplares da tradição brasileira, incluindo bens imóveis (igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos) e bens móveis (obras de arte ou artesanato); as criações imateriais como a literatura e a música; as expressões e os modos de viver, como a linguagem e os costumes; os locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral, assim como as paisagens e as áreas de proteção ecológica da fauna e da flora. Quando se preserva legalmente e na prática o patrimônio cultural, conserva-se a memória do que fomos e do que somos: a identidade da nação. Patrimônio, etimologicamente, significa herança paterna - na verdade, a riqueza comum que nós herdamos como cidadãos, e que se vai transmitindo de geração a geração. (FUNDARPE 2010). Unidade 1 47

49 Universidade do Sul de Santa Catarina Responda: De acordo com o conteúdo estudado ao longo da Unidade 01, qual a importância de se conservar e, principalmente, preservar o patrimônio cultural de uma destinação turística? 2) Leia a matéria e responda em seguida: Campanha pelo Patrimônio Reviver quer preservar Luanda O NEAAUD (Núcleo de Estudos de Arte, Arquitectura, Urbanismo e Design) do Departamento de Arquitectura da Universidade Lusíada de Angola e a Associação Kalu (Associação dos Naturais, Residentes e Amigos de Luanda) e outros ilustres cidadãos deste país estão particularmente preocupados com o Patrimônio Cultural, mais especificamente com a identidade da Cidade e com o seu Patrimônio Público Arquitetônico, face à completa degradação e esquecimento a que algumas obras de invulgar qualidade arquitetônica e histórica estão votadas nos últimos tempos, sem que até ao momento se tenha tomado uma atitude séria no sentido de as preservar como símbolos, os abaixo-assinados, solicitam a Vossas Excelências, que apóiem a Campanha Reviver. Este é extrato do teor de uma carta 48

50 Patrimônio Cultural e Natural destinada ao Presidente da República, à ministra da Cultura e à Governadora de Luanda. Os signatários, que estão lançados numa campanha denominada Reviver pretendem apresentar ao público o patrimônio classificado em risco de extinção; refletir sobre a importância histórica do patrimônio classificado; divulgar a especificidade dos objetos arquitetônicos e sensibilizar a sociedade sobre o tema da preservação patrimonial. Justifica-se a Reviver e os seus signatários na sua atitude porque estes objetos, detentores de tantas memórias da cidade e das suas gentes, são mais do que uma obra de arquitetura, são sim ícones sociais e culturais: porque avançam a maior homenagem possível à identidade da cidade seria recuperar e requalificar o seu patrimônio classificado. (O PAÍS DOSSIER, 2011). A notícia acima, que se relaciona com Angola, na África, país de idioma português como o nosso, e que enfrenta também problemas na questão de preservação cultural. Elabore, de acordo com os conteúdos vistos e estudados ao longo desta unidade, uma pequena dissertação em que você vai destacar de que forma os governos e/ou autoridades podem interferir no sentido de apoiar e de preservar o patrimônio cultural de uma localidade. Unidade 1 49

51 Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Leia o enunciado abaixo e responda em seguida: Sabe-se que as empresas que prestam serviços, como o caso, por exemplo, de uma agência de viagens, se estabelecem no mercado em função da demanda composta por pessoas cada vez mais exigentes e que buscam excelência nos serviços. O barateamento dos preços das passagens aéreas, a entrada de novas linhas aéreas com política aplicada de baixo custo, proporciona uma oportunidade para que cada vez mais um número maior de pessoas possam conhecer destinações turísticas pelo Brasil. Com base neste enunciado, responda: quais são as qualidades de excelência para a prestação de serviços, por parte de um profissional da área do turismo, que devem priorizadas? 50

52 Patrimônio Cultural e Natural Saiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade ao consultar as seguintes referências: DIAS, Edna Cardozo. Patrimônio cultural. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 417, 28 ago CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. 9.ed. Caxias do Sul: Educs, CORRÊA, Carlos Humberto P. História da cultura catarinense. Florianópolis: UFSC, FANI, Alessandri Carlos; CRUZ, Rita de Cássia A. (Orgs). Turismo: espaço, paisagem e cultura. 2. ed. São Paulo: Hucitec, GIANESI, I. N.; CORRÊA, H.L. Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. São Paulo: Atlas, LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Qualidade total em serviços: conceitos, exercícios, casos práticos. 3. ed. São Paulo: Atlas, PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, Cultura e Turismo. 2. ed. Campinas: Papirus, PIRES, Mário Jorge. Lazer e Turismo Cultural. Barueri: Manole, SIMÃO, Maria Cristina Rocha. Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte: Autêntica, Unidade 1 51

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54 UNIDADE 2 Patrimônio Cultural e a Atividade Turística 2 Objetivos de aprendizagem Conhecer as definições sobre patrimônio histórico em relação ao turismo. Compreender aspectos selecionados sobre as atividades desenvolvidas em museus, conceitos e evolução histórica da arte e do teatro. Destacar as principais festas folclóricas religiosas que ocorrem no Brasil. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Patrimônio histórico e o turismo Como preservar e consumir turismo e museus Turismo e festas folclóricas

55 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo O legado histórico cultural deixado pelas gerações anteriores assume um caráter de suma importância quando nos referimos à necessidade de conservação e de preservação, visando à herança para as gerações futuras. Neste sentido, teremos a oportunidade de verificar nesta unidade aspectos destacados acerca do patrimônio histórico e suas relações com a atividade turística. Da mesma forma, por meio de alguns exemplos práticos em nível nacional e internacional conheceremos como se pode preservar e consumir a atividade turística em museus. Destaca-se ainda, a importância da arte e do teatro, enquanto formas de patrimônio cultural importantes como atrativos turísticos. Recebem igual destaque algumas festas folclóricas brasileiras, que, sem dúvida nenhuma, é outra fonte de atração turística bem consolidada no gosto popular nacional, como por exemplo, o Carnaval. Assim, convidamos você a conhecer nesta unidade, todas estas variáveis que representam um arcabouço importante em termos de atratividade turística. Sinta-se nosso visitante curioso e venha conhecer um pouco mais sobre estas importantes áreas. Seção 1 Patrimônio histórico e o turismo Turismo Cultural Podemos começar perguntando: o que impulsiona o turismo? A resposta é simples: o turismo em geral é impulsionado pelo lazer, fuga do cotidiano e busca de novos conhecimentos nas viagens, concorda? 54

56 Patrimônio Cultural e Natural Se acreditarmos que o turismo como entendemos hoje é um fenômeno gestado e expandido no contexto da sociedade industrial. (CAMARGO apud TRIGO, 2001 p. 40). Então, deve-se entender que a preservação da cultura no núcleo receptivo deve oferecer ao turista um destino mais interessante, menos desprotegido culturalmente e com maior qualidade de vida, certo? Mas, é fato que dificilmente poderíamos localizar no Brasil do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX traços da oferta e da demanda cultural. (CAMARGO apud TRIGO, 2001, p. 79). Porque parecem visíveis os indícios de que durante o século XIX e início do século XX, o povo brasileiro rejeita a herança dos colonizadores como uma reação natural pós-independência e nega o passado em benefício do que era considerado moderno para a época. Para os homens deste período, não existia cultura passada digna de apreciação. O fato de muitas construções terem resistido se deve à utilização do seu espaço. Foram fazendas que continuaram a produzir, igrejas que receberam os fiéis dentre outros exemplos. Foi preciso perceber a ameaça de perda do patrimônio nacional para que houvesse uma reconciliação com o passado. (CAMARGO, apud TRIGO, 2001). Ouso dizer que o Brasil engatinha em termos de turismo; porém, mal começou a engatinhar no que tange ao turismo cultural. (PIRES, 2001, VII). O Brasil possui pouca bibliografia sobre turismo cultural. No exterior, encontram-se uma enxurrada de livros que aos poucos vão sendo traduzidos. O turismo cultural vem crescendo a cada ano no mundo. (PIRES, 2001). Organizar o material existente e facilitar o acesso aos trabalhos realizados na área do turismo, juntamente com incentivo a novas pesquisas são medidas que atenuariam este problema, mas ainda é baixo o incentivo para tal fim, com relação ao investimento financeiro dos setores públicos, principalmente. Em muitos países, pelo contrário, o turismo cultural movimenta o mercado com vendas de livros, reproduções, gastronomia, visitação a monumetos, museus e locais históricos. Estes lucros são reinvestidos no próprio segmento turístico. (PIRES, 2001). Unidade 2 55

57 Universidade do Sul de Santa Catarina Evidenciar a importância de perceber a existência e o valor do patrimônio cultural é uma necessidade social, pois é ele que representa a identidade de uma localidade. O turismo cultural deve estabelecer um preço justo para os turistas. Da mesma forma que não se pretende que seja massificado, também não deve ser excludente. A população, na maioria das vezes desconhece o valor de seus bens e ainda não compreendeu as possibilidades que o turismo oferece. (SIMÃO, 2001, p. 68). E ninguém se preocupa em conservar algo que não conhece. As estruturas de lazer criadas para os moradores do local são utilizadas pelos turistas. Portanto, pode-se melhorar a qualidade de vida e incrementar o turismo cultural ao mesmo tempo. Recursos do Turismo Cultural Locais associados a acontecimentos históricos e pessoas famosas Atrações históricas: Museus e centros históricos Castelos, casas majestosas e monumentos antigos Jardins históricos Paisagens históricas Vilarejos históricos e vistas de cidades Cultura popular moderna: Locações para filmes Locações feitas para a TV Comidas e bebidas tradicionais Férias com algum interesse especial Atividades de esporte e lazer: Participantes Espectadores Jogos e esportes tradicionais Festivais e eventos especiais: Folclore Artes performáticas Esportes Interesse especial Recursos do Turismo Cultural Ofícios tradicionais Artes: Teatros Galerias de arte Indústria e comércio: Visitas a locais de trabalho Atrações rurais Lojas famosas Mercados Complexos de lojas e atividades de lazer Locais religiosos: Santuários Igrejas Catedrais Tipos de arquitetura Linguagem: Idioma nativo predominante Línguas minoritárias e regionais Escolas de línguas Figura 2.1 Recursos do Turismo Cultural Fonte: Swarbrooke (2000). 56

58 Patrimônio Cultural e Natural Pode-se observar na figura acima que os bens culturais são variados e sua conservação amplia a oferta turística. A história cheia de nacionalismo muitas vezes foi distorcida e engrandeceu apenas uma figura histórica para cada fato. Sabe-se que ninguém faz história sozinho e que as diversas classes sociais e suas contribuições, também deveriam ser relatadas. Mas, isso não quer dizer que deva-se negar totalmente o passado. Turismo cultural é o acesso a esse patrimônio cultural, ou seja, à história, à cultura e ao modo de viver de uma comunidade. Sendo assim, o turismo cultural não busca somente lazer, repouso e boa vida. Caracteriza-se também, pela motivação do turista em conhecer regiões em que o seu alicerce está baseado na história de um determinado povo, nas suas manifestações culturais, históricas e religiosas. (MOLETTA, 1998, p. 9). O desafio é, portanto, encontrar meios de tornar o turismo cultural mais sustentável em si mesmo, e mais capaz de contribuir para o desenvolvimento do turismo sustentável em geral. (SWARBROOKE, 2000, p. 44). Ações que incentivam o turismo cultural Importante ressaltar que o turismo cultural é uma tipologia turística que permite resultados satisfatórios quando ocorre de forma planejada e oferece vantagens para a comunidade local. No seu pleno desenvolvimento o turismo incentiva ações que melhoram a infraestrutura, preservam os atrativos e fazem com que a renda circule e seja aplicada no local. Analise o exemplo a seguir: Unidade 2 57

59 Universidade do Sul de Santa Catarina O parque temático Futuroscope, no oeste da França, é um exemplo excelente de projeto do setor público que se antecipou à causa do turismo cultural sustentável, e ajudou a promover a causa da moderna cultura popular. O Futuroscope é um parque temático dedicado a imagens em movimento, e também dá lugar a um complexo industrial de alta tecnologia e a uma série de instituições educacionais. Foi desenvolvido pela autoridade local, o Conseil General de la Vienne, e inaugurado em Desde então, o número de visitantes passou de 220 mil para mais de dois milhões ao ano. O Futuroscope contribui para o objetivo do turismo cultural sustentável de diversas maneiras. Ele promove as indústrias de filmes, televisores, vídeos e de multimídia, que estão se tornando um elemento crucial para o turismo cultural, ao mesmo tempo como produto e meio de comunicação com os visitantes. Além disso, ele fornece benefícios inesperados para a região, como resultado do dinheiro gasto pelos turistas que visitam o parque temático.finalmente, os visitantes desse parque tendem a passar vários dias na área, durante os quais visitam outras atrações culturais, como as igrejas romanescas do Poitou, além de consumir produtos alimentícios naturais da região. (SWARBROOKE, 2000 p. 46). O financiamento das ações no âmbito cultural deve acontecer por meios privados e públicosem conjunto, para que o bem patrimonial não se torne o estande de uma empresa e nem esteja vinculado a uma ideologia dominante. SANTOS, Klécio. Caderno de Viagem. DIÁRIO CATARINENSE. Florianópolis - SC. 7 de janeiro Exemplo disso ocorre em Washington que é a cidade dos museus, uma paixão norte-americana. Há por parte da sociedade e governo um incentivo e um cuidado para com esse patrimônio. Atualmente, há cerca de 70 museus disponíveis para visitação sobre os mais diversos temas histórico-culturais. Impossível visitá-los todos de uma vez. O Museu da Espionagem, por exemplo agrega além da história, uma série de jogos interativos que divertem a garotada. 58

60 Patrimônio Cultural e Natural Medidas tomadas em benefício da cultura são bem-vindas, pois, o processo de revitalização do turismo cultural não ocorrerá de forma isolada e sim pela junção de ações planejadas e aplicadas corretamente. Verificou-se ao longo desta primeira seção que o turismo pode se caracterizar como uma possível saída para a preservação do patrimônio cultural, por meio dos recursos que ele gera, mas também, sabe-se que a atividade acaba causando impactos negativos. No turismo cultural, estes efeitos nocivos são muito perigosos, pois é difícil resgatar algo que foi danificado. Portanto, é importante a tomada de medidas que estimulem um esforço conjunto com vistas de conservar o patrimônio. Seção 2 Como preservar e consumir o turismo de visitação de museus Os museus devem ser um corpo vivo e atuante na formação dos cidadãos. Diante desta missão social devem se reformular para atender as expectativas de seus visitantes. Não é transformando-se em algo descaracterizado, mas sim, em algo interessante e dinâmico. Primeiro encante, seduza, depois toque no intelecto. (PIRES, 2001, p.101). Atrair o público atualmente não é tarefa fácil para os museus, pois são taxados de monótonos. Muitas pessoas responsáveis por tornar o museu mais visitado insistem em esforços que necessitam de um intelecto profundo para compreensão. As pessoas devem sentir prazer nesta visitação e isto só irá ocorrer quando elas descobrirem o que o museu contém. Mas, isso não pode ocorrer de forma forçada. O cartão de visita dos museus deve ser algo atraente. Unidade 2 59

61 Universidade do Sul de Santa Catarina O envolvimento do teatro com a história do local e principalmente com a história privada e das minorias que possuem fatos engraçados e interessantes, atrairá os públicos mais exigentes, inclusive adolescentes e intelectuais. Compreender o significado do objeto é essencial para que se perceba o valor de conservar peças que representam a cultura de uma determinada época e povo. O deleite de ter contato com símbolos da cultura explica a importância de conhecer e preservar. Pode-se explorar a história através das roupas, hábitos de higiene, dentre outras inúmeras abordagens. A partir de um objeto ou fato curioso desenvolve-se o contexto que o produziu. Ensinando sobre o comportamento humano de outros períodos d á-se subsídios para análise das relações atuais. Dessa maneira, os visitantes sentem prazer em adquirir conhecimento e vão buscar saber mais, aprendendo assim profundamente a respeitar a história. O museu deve ser reconhecido por moradores e turistas. Desta cumplicidade depende sua sobrevivência e desenvolvimento. Essa relação estabelece-se como uma troca: as pessoas preservam o museu por meio de sua admiração e visitação e o museu conserva a cultura. A cultura só é produzida por pessoas. Este envolvimento, se estabelecido, gera benefícios para ambas as partes, para o homem e patrimônio. [...] o museu foi feito para ser visitado e esse é um compromisso social. (PIRES, 2001, VIII). Vivendo uma experiência agradável ao visitar o museu, o turista ou a comunidade divulga suas experiências, até que o prazer de estar convivendo com a cultura torna a visitação mais frequente. Quando há miséria e insegurança parece romântico falar em preservação do patrimônio. (PIRES, 2001). Mas é importante ressaltar que o preservar contribui para o desenvolvimento sustentável quando educa a sociedade, identifica e simboliza a cultura, gera renda no entorno do patrimônio e mobiliza ações planejadas que melhorem a qualidade de vida. Alem disso, é um direito de todos ter acesso à identidade cultural. 60

62 Patrimônio Cultural e Natural Entretanto, [...] como o tema da preservação não garante votos, a qualidade de vida continua caindo, as periferias aumentando e a cidade se transfigurando a cada amanhecer. (PIRES, 2001, p. 104). Nos museus internacionais, intensamente visitados, as medidas que os mantém ativos são organizadas e realizadas por pessoas. Antes de mais nada turismo é gente. E não é apenas a restauração, a manutenção, e o uso de novas tecnologias que garantem a vida do espaço museológico, mas, as atividades promovidas dentro dos museus. A divulgação deve ir além de sites e catálogos, e estes têm que ser encontrados com facilidade dentro dos equipamentos turísticos. Releitura de obras do acervo em roupas e outros objetos, vendas de livros e atividades artísticas, dentre outras coisas, podem inibir a exclusão do museu dos roteiros turísticos. Ao contrário da preservação do meio ambiente que tem sido o discurso preferido entre os políticos, a cultura não é tida como artigo de primeira necessidade. Segundo FERREIRA, Victor; Livro Didático: Teoria Geral do Turismo. Palhoça: UNISUL Virtual, Dados Históricos acerca dos Museus Até o século XVI, os museus do ocidente funcionaram em castelos fechados. Por muito tempo o museu representou um lugar para guardar tesouros de acordo com as necessidades das classes dominantes. (BARRETO, 2000). Figura Museu do Louvre Instalado no Palácio do Louvre, em Paris, é um dos maiores e mais famosos museus do mundo. Sofreu transformações já no período , pós-revolução, quando foram introduzidos valores burgueses em seu acervo nobre. Fonte: Wikipedia, Unidade 2 61

63 Universidade do Sul de Santa Catarina Na Inglaterra, só houve alguma modificação no século XIX com a Grande Exposição que acabou com o mito de que os operários não se interessavam por cultura. (BARRETO, 2000). No Brasil, o cuidado em guardar o patrimônio veio com a chegada da Família Real. A preocupação do Imperador em escrever a história do país formou um patrimônio de exclusões. exclusões. RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro Paulo; PINSKY, Jaime (orgs.). Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, Por volta do ano de 1946, discute-se os rumos do museu no mundo, pois, passa-se a questionar o seu papel na sociedade. (BARRETO, 2000). Em 1946, constituiu-se uma instituição civil ligada a UNESCO, o International Council Museums (ICOM), com sede em Paris, para discutir os rumos da museologia. (BARRETO, 2000, p. 55). Com Georges Henri Rivièrri, o pai da nova museologia, em 1950, planta-se a ideia de que os museus podem ser fóruns de discussão dos problemas do presente. (BARRETO, 2000). Surge a chamada nova museologia que propunha um museu pluralista, em que todos os segmentos da sociedade se sentissem representados. (BARRETO, 2000). O museu passa a ser um [...] instrumento, concebido, moldado e operado conjuntamente pelo público (autoridades e população local). É um espelho onde a população local assiste a si próprio para descobrir sua imagem e no qual procura uma explicação para o território do qual faz parte. É um espelho que a população mostra aos visitantes para ser compreendida de forma que sua indústria, seus costumes e sua identidade inspire respeito. Coloca o ser humano em seu ambiente natural. Retrata a natureza tanto na sua condição selvagem quanto nas adaptações provocadas pela sociedade tradicional e industrial. (HUDSON, 1992 apud BARRETO, 2000, p. 56). RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro Paulo; PINSKY, Jaime (orgs.). Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, No Brasil em 1967, durante o governo de Castelo Branco, com a Carta de Quito e a Embratur (Conselho Nacional de Turismo), surge uma preocupação com o patrimônio como atrativo turístico. Uma das finalidades do patrimônio e do turismo no período da ditadura foi a de ser sinônimo de desenvolvimento e de contornar problemas como o do desemprego. 62

64 Patrimônio Cultural e Natural Com a democratização do país e direitos de cidadania em 1980, inicia o reconhecimento do papel de outros segmentos sociais e étnicos como dignos de serem patrimônio. (RODRIGUES, 2001). A história entende que ninguém a construiu sozinho. Desde então, incluiu-se a cultura das pessoas anônimas dentro da visão de patrimônios. Diversos atrativos culturais, no Brasil e no mundo, vêm recebendo incrementos que os tornam reestruturados para a atualidade. São cafés, lojas, exposições, atividades artísticas e outros que possibilitam que o patrimônio seja preservado, mas, acima de tudo, que as pessoas possam estar envolvidas com o patrimônio cultural. Atividades Paralelas nos Museus A aquisição dos acervos tem grande importância nos museus, mas não é o fator de maior urgência em diversas cidades brasileiras. Existem sérios problemas de acesso e de conservação por falta de investimento. Seria importante reestruturar os museus, organizar melhor o seu acervo criando alternativas que o tornem mais atraentes. Com atividades paralelas nos museus pode-se explicar a história e os costumes destacando as características locais. São oficinas de trabalhos manuais, polemização sobre obras, apresentações teatrais, dentre outras atividades que podem permitir a crítica e o diálogo no espaço do museu. As encenações dentro do espaço museológico facilitam a comunicação entre o patrimônio cultural e o público, traduzem a linguagem técnica de curadores e museólogos. A interpretação do acervo pode vir a valorizá-lo. Pessoas caracterizadas e histórias interessantes dentro do contexto do museu em questão podem intensificar a compreensão e tornar as visitas mais prazerosas. O processo de inclusão de pessoas anônimas na História do Brasil vem ocorrendo desde RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro Paulo; PINSKY, Jaime (orgs.). Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, Unidade 2 63

65 Universidade do Sul de Santa Catarina As apresentações teatrais nos museus, além de transformá-los em lugares vivos e dinâmicos, podem com seu programa, incluir os outros segmentos sociais. Representando dentro do espaço museológico as pessoas anônimas, indispensáveis à construção da história e conservação da cultura, preenche-se a lacuna histórica que se forma quando se relata a história apenas da elite. Analise a matéria a seguir e verifique a relação do museu, com o significado de cultura, já expressos neste estudo: Depois de dois anos de reformas e restaurações, o mais antigo museu do Estado vai completar 50 anos em março de Sergipanos e turistas de todo o mundo já podem voltar a visitar o Museu Histórico de Sergipe (MHS). Depois de dois anos de reformas e restaurações, o mais antigo museu do Estado vai completar 50 anos em março de 2010 e vai dispor de um auditório batizado com o nome da historiadora e museóloga Maria Thétis Nunes, salas de souvenirs, exposições temporárias, dentre outros. Localizado na praça São Francisco, candidata a Patrimônio da Humanidade em São Cristóvão, a unidade da Secretaria de Estado da Cultura tem mais de quatro mil peças no acervo. 64

66 Patrimônio Cultural e Natural Todas as inovações estão previstas em um Plano Museográfico, feito pela primeira vez na história do museu, e que passará a diferenciá-lo como um espaço bem planejado e funcional, e não apenas como um local de exposição de peças antigas. O projeto museográfico foi pensado com base no acervo que nós temos no museu. Temos peças riquíssimas e de importante valor histórico disponíveis aqui, por isso pensamos em dispor o acervo de uma forma limpa e objetiva para que o público saísse daqui satisfeito e interessado, afirmou a museóloga que assinou o 1º projeto museográfico do Estado, Anne Caroline. De acordo com a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, reabrir e manter o devido funcionamento do Museu Histórico de Sergipe marca o início da volta do funcionamento dos museus e igrejas de São Cristóvão para visitação pública e manutenção de um positivo fluxo turístico. Desde a última sexta-feira (13), não só o MHS, mas o Museu de Arte Sacra e as igrejas do município estarão abertos ao público durante os dois turnos do dia. O nosso passado nos ajuda a enxergar quem somos, portanto, a reabertura do museu é um presente, principalmente, porque celebramos recentemente o Dia Nacional da Cultura. Foi-se o tempo em que o museu era o lugar para onde iam as coisas velhas. Hoje, ele é um espaço que pode contribuir na formação da cidadania, é um espaço que deve trabalhar a interação com a sociedade, afirmou. Segundo a secretária de Cultura de São Cristóvão, Aglaé Fontes, preservar o museu histórico é preservar a memória do Estado. Um museu fechado é uma casa de memória que não presta as informações necessárias às novas gerações e à comunidade. O povo de São Cristóvão tinha grande expectativa porque este museu representa não só um polo de memória, mas também de afetividade da própria cidade com ele. Reabri-lo é uma ação extremamente valiosa. Acervo Diverso em sua origem, o prédio e o acervo do museu remontam o século XVIII com temas da sociedade provincial e republicana, numa cronologia que perpassa a mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju, em 1855, a falência do regime monarquista e implantação de nova ordem política de O diretor do MHS, Thiago Fragata, explica que o museu estará funcionando em sua plenitude na comemorações de seus 50 anos. Resolvemos reabrir o museu para visitação diante dos inúmeros pedidos da população e de turistas. As pessoas precisam contemplar esse belo local e suas obras de arte. A total Unidade 2 65

67 Universidade do Sul de Santa Catarina recuperação do prédio depende apenas de alguns pontos do Plano Museográfico. Falta apenas a finalização do afresco da sala Horário Hora, ou seja, o serviço de pintura da parede. Entre as 4 mil peças do MHS estão obras de artes plásticas, mobiliário, numismática e medalhística, porcelana, documentos, armaria, entre outras. Fonte:Defesa Civil do Patrimônio Histórico de Sergipe, O que isso significa? O que esta matéria nos remete? Significa dizer que a chave para o interesse pelo museu está em levar o turista a perceber o quanto ele não sabia sobre nossa cultura e preencher sua curiosidade com informações claras, precisas e inesperadas. As pessoas, muitas vezes, sentem-se desmotivadas para ler legendas e se cansam logo da visita. Proporcionar lazer de forma apropriada dentro de um museu aumenta a capacidade de concentração dos turistas. A ideia é criar alternativas compatíveis com a proposta cultural do museu, porque ele não deve se tornar um parque de diversões. O museu deve apresentar as diferenças culturais que guarda, mudando o cotidiano dos turistas e estar aberto às inovações. Na reportagem acima se pode observar que há uma preocupação com o turista e com os desejos e necessidades que aponta. A importância que este passado adquire na construção da história está expressa na forma como este processo foi conduzido. Percebe-se também que há uma conscientização da equipe na elaboração do plano de restauração e implementação deste espaço voltado à cultura, à história, às pessoas e às finalidades turísticas para o desenvolvimento local. O objetivo principal é levar a comunidade para dentro do museu para que este se torne um espaço de integração cultural, acessível e interessante não apenas para intelectuais, mas também para seus representantes, pois destes dependem a continuação da tradição e preservação do patrimônio cultural. 66

68 Patrimônio Cultural e Natural A prática de atividades culturais dentro dos museus é uma maneira de fazer com que este espaço fique mais atraente para as pessoas do local e para os turistas. Aproximando os visitantes, será possível ter um museu movimentado e vivo para contar sua história. Com o incentivo da visitação além da iniciativa pública, a renda para investir no patrimônio pode vir dos ingressos dos turistas e da iniciativa privada que verá em um lugar de grande circulação de pessoas um bom investimento para destacar a sua imagem. O museu ensina por meio do acervo sobre os hábitos e costumes que formaram a sociedade tal como conhecemos, e permite a compreensão da atualidade preparando as pessoas para o futuro. A questão é que o modelo de museu, que esteve por muito tempo habituado a remeter o público à monotonia, como vimos, e veremos adiante, está mudando aos poucos. As encenações dentro do espaço museológico, por exemplo, podem levar as informações fiéis ao visitante de maneira agradável, de fácil e correta compreensão. Estas representações teatrais, assim como outras atividades culturais inseridas nos museus, facilmente incluem a história das minorias no contexto das histórias contadas atualmente. Certamente você já teve a oportunidade de conhecer um museu, seja em sua cidade, sua região, seu estado, seu país, ou mesmo no exterior. Com base no que acabamos de ler e verificar ao longo desta seção, faça uso do espaço abaixo como forma para descrever as suas impressões gerais acerca desta experiência. Ela foi motivadora? Ela deixou uma lembrança boa ou ruim? O que poderia ser feito para que houvesse uma melhora para o museu visitado, como forma de atrair vistantes, principalmente a comunidade local e os turistas? Elabore respostas para as questões acima. Mudanças ocorridas na museografia Discussões sobre a museografia, técnicas de apresentação do acervo e o papel social que os museus devem desempenhar, há muito convivem com as inovações dentro dos museus. Vejamos algumas funções e inovações relacionadas: Unidade 2 67

69 Universidade do Sul de Santa Catarina A função do museu não é a de suprir a deficiência de soluções para problemas socioeconômicos, mas, educar para torná-los mais amenos e auxiliar no processo de encontrar resoluções para os problemas. As inovações começaram tentando redimensionar a função pedagógica e social do museu, buscando uma ruptura com o museu tradicional e uma intensificação das relações com o público. (BARRETO, 2000, p. 62). A mensagem na nova museologia deve possibilitar um diálogo com o público, para tanto, a maneira de expor precisou ser revista. Esta nova concepção tratou de organizar os objetos do museu, identificando-os, fazendo a conexão entre um e outro. Percebe-se, então, que mais ações devem ser realizadas para estreitar a comunicação entre o museu e o público. O museu de História Natural de Londres, por volta de 1884, ordena o acervo, cientificamente, de acordo com a teoria de Darwin. Depois passou a mostrar os objetos em cenários de tamanho natural. Atualmente, os visitantes podem interagir, inclusive, com elementos robotizados. (BARRETO, 2000). Com o surgimento das novas tecnologias, o museu teve que repensá-las a seu favor. Não podia ficar apenas concorrendo com outras formas de lazer, como o cinema e os parques de diversões. As dúvidas a respeito dos efeitos que a tecnologia causa na comunicação dos museus envolve muitos museógrafos. Alguns acreditam que a mensagem deve ser simples e estar acessível a todos, outros pensam que o padrão científico deve ser mantido para que não haja uma descaracterização. Em sua maioria, os museus da América Latina foram fundados com a intenção de mostrar para o novo mundo os padrões científicos e culturais dos colonizadores. E muitos matém-se tradicionais, sem adequar-se as novas necessidades sociais e portanto não são atraentes. (BARRETO, 2000). 68

70 Patrimônio Cultural e Natural Embora ainda existam muitos museus tradicionais, em especial no Brasil, atualmente, em geral, o museu está voltado para a compreensão do acervo pelos visitantes. Mesmo que de modo insuficiente ele tenta ordenar-se para o entendimento das pessoas. As primeiras ações para incremento dos museus O professor, especialista em língua escandinava Hazelius, inicia uma coleção de objetos artísticos, culturais e históricos. Preocupado com o desgaste da cultura sueca, começa a organizar pequenas exposições em Estocolmo. Na Exposição Internacional de Paris em 1878, introduziu uma inovação que chamou de quadros vivos, em que as pessoas encenavam o cotidiano da vida rural sueca. (BARRETO, 2000, p. 57). Essas ações culminam na criação, em 1891, do primeiro museu ao ar livre, (Os museus ao ar livre ocupam grandes extensões de terreno e reconstroem cenários do passado) Skansen, na Suécia. (BARRETO, 2000). A ideia do professor Hazelius foi repetida em outros museus adquirindo novas roupagens. O pioneiro do site museum e, também, do museu jardim (Museu afastado da urbanização com jardim à disposição da sociedade.), foi o Museu Farnham, na Inglaterra, em Em Munique, no ano de 1925, o Deutsches Museum realiza a primeira exposição hands on que possibilitava a experimentação científica. (BARRETO, 2000). Os museus de ciência entenderam a importância de proporcionar a interação com os objetos para conquistar o interesse e aprendizado dos visitantes. Ao pioneirismo de Oppenheimer, que fundou o Exploration em São Francisco, em 1969 seguiram outros museus que são intensamente visitados. O maior deles é o Cidade das Ciências e das Indústrias de La Villete, Paris. Em sete andares os visitantes podem experimentar diversas sensações, como por exemplo, entrar no mundo dos micróbios e até sentir o seu cheiro. (BARRETO, 2000). (Segundo o ICOM (Internacional Coucil of Museums), o site museum é um museu concebido e implantado para proteger a propriedade natural ou cultural, móvel ou imóvel, em seu local original, ou seja, preservada no local em que tal propriedade foi criada e descoberta. (HUDSON, 1987 apud BARRETO, 2000, p. 59). Unidade 2 69

71 Universidade do Sul de Santa Catarina Por sua própria especificidade os museus de arte foram os primeiros a despertar para a necessidade de educar para ver. Na década de 1970, foram introduzidas experiências inovadoras pelo Museus Nacional de Cuba, em Havana, e pelo Museu da Criança, criado numa sala do Museu de Belas Artes do Palais de Longchamp, em Marselha, na França. Após familiarizar-se com as técnicas artísticas, com ajuda de professores, os visitantes podiam tocar as obras expostas. (BARRETO, 2000, p. 63). Conservar o museu não implica colocá-lo em uma redoma de vidro. O museu tem que interagir com seus visitantes, como já dissemos, de acordo com sua proposta e as pessoas devem ter oportunidade de tocar os objetos, orientadas por especialistas, quando constatado que não há maiores riscos para o legado cultural. A cultura em seu estado original sofre mudanças ao longo do tempo e não se deve desejar que ela permaneça estagnada. Entretanto, é importante manter presentes suas bases. Após a revolução cultural de 1968, os museus passaram a retratar a história das minorias e temas cotidianos. (BARRETO, 2000). Na década de 1970, ocorreram rupturas com o conteúdo dos museus, usados agora para mostrar soluções para os problemas cotidianos da população. O Museu de Anacostia, localizado em Washington, organizou exposições sobre ratos e criminalidade que consistiam nos principais problemas da comunidade negra na qual o museu estava instalado. (BARRETO, 2000). O pioneiro desta inovação foi o Museu Antropológico do México. Foram reconstruídas cenas da vida cotidiana com o propósito de explicar a história e os costumes mexicanos para um público em sua maioria analfabetos. (BARRETO, 2000). Em 1970, conta-se na Europa a história social da industrialização dos museus. (BARRETO, 2000). E os progressos continuaram até os dias atuais do século XXI. Todas estas iniciativas encadearam em uma movimentação que despertou a curiosidade e a vontade de aprender nas pessoas. 70

72 Patrimônio Cultural e Natural Exemplos de estruturas semelhantes Os museus da atualidade ocupam um grande espaço no quadro dos atrativos mundiais. Em diversos países, para que se caracterize a visita local é preciso que se conheça os museus. Não foi naturalmente que estes patrimônios tornaram-se ícones do turismo, com uma série de ações que agregaram valores aos seus bens culturais. O teatro possui uma forma de comunicar universal que atrai pelo seu dinamismo e possibilita a interação e troca de informações com o público. Neste sentido, a facilidade na comunicação fará com que o museu fique mais atraente. Figura: Museu da Língua Portuguesa Fonte: Site do museu da Língua Portuguesa (2010). Um exemplo excelente de projeto de turismo cultural sustentável é a La Cinéscénie, no Ecomusée de la Vendée em Puy-du-Fou, na França. La Cinéscénie é uma interpretação ao vivo de cenas da história da região. É integralmente representada por voluntários locais nos terrenos de um velho castelo, e administrada exclusivamente pela comunidade local. A renda do evento é usada não apenas para ajudar na proteção do legado cultural da região, mas também para sustentar a comunidade que ali reside e suas atividades culturais. Nos últimos anos, os lucros têm sido usados na fundação de um clube arqueológico, na instalação de um centro de pesquisas das tradições locais, no apoio a uma escola de dança popular, na expansão das tradições locais, na expansão do Ecomusée e no financiamento de uma estação de rádio local. (SWARBROOKE, 2000, p ). No Brasil, também pode-se encontrar medidas de incentivo à visitação dos museus relacionadas ao teatro. Com um pouco mais de ousadia e periodicidade essas ações poderiam atrair um número mais significativo de visitantes. O dia 18 de maio é o dia Internacional do Museu. Neste dia, ocorrem atividades nos museus brasileiros que fogem da rotina, mas são atividades e iniciativas isoladas de comemoração. Unidade 2 71

73 Universidade do Sul de Santa Catarina Dentre as iniciativas mundiais para o desenvolvimento do turismo e da cultura que utilizam-se da caracterização de personagens com roupas de época para compor a história do local, estão os Centros de Entretenimento Gold Reef City, na África do Sul e o Vikingar, na Escócia. Centro de Entretenimento Gold Reef City O Centro de Entretenimento Gold Reef City, na África do Sul, oferece a seus visitantes uma grande variedade de opções de lazer. A principal atração é a história do lugar e a maneira dinâmica de como ela é levada ao público. A descoberta do ouro no fim da década de 1890, trouxe a corrida do ouro pelos exploradores de todo o mundo para a área que é conhecida como Johannesburg, na província de Gauteng (antigo Transvaal). Pode-se conhecer a mina que foi desativada em 1971, descer ao subterrâneo e perceber as técnicas de mineração utilizadas no início do século XX. E o melhor de tudo é que o estilo de vida daqueles que trabalhavam nas minas e de suas famílias são representados por atores caracterizados por todo o empreendimento. Figura 2.4 O movimento migratório conhecido como Groottrek levou os colonizadores holandeses ao interior da África do Sul, na metade do século XIX, originando a descoberta de ouro e de diamantes na região. Fonte: HAUSSMANN, Evan. Taking the Karoo by Storm. In: GETAWAY Africa Safari Trips, vol. 21, nº3, Johannesburg (SA). Junho

74 Patrimônio Cultural e Natural Podem-se conhecer as técnicas de mineração utilizadas no início do século XX, descendo ao subterrâneo, pois existe neste complexo turístico a mina de ouro desativada. Centro de Entretenimento Vikingar O Centro de Entretenimento Vikingar, na Escócia, oferece uma série de atrativos como piscinas, centro de eventos, a história dos vikings, além de permitir conhecer as suas sagas. Os feitos dos grandes homens e mulheres, assim como seus hábitos e costumes, estão representados nas mais diversas formas. Os visitantes logo envolvem-se com o estilo viking colocando roupas da época que estão disponíveis e ainda podem fazer fogueiras para cozinhar como eles. Figura 2.5 -Fachada antiga da entrada de Gold Reef City. Fonte: PINNOCK, Don. Long Street at down. In: GETAWAY Africa Safari Trips, vol. 21, nº3, Junho Johannesburg (SA). O final do regime político viking é comemorado anualmente entre agosto e setembro. Encenações de batalhas celebram a Batalha de Largs, de Os vikings residentes contam as sagas, os mitos e as lendas associadas com a vida e a cultura viking. Existem, também, filmes sobre essas famílias, salas com painéis de pedra informativos, uma ilha para reuniões, Ilha do Homem, onde vikings costumavam se reunir, e jogos de pedra e metal que são uma ótima opção encontrada para tornar o conhecimento da história prazerosa e interessante e, ainda, incrementar o turismo cultural. Figura Atores com roupas tradicionais dos vikings que trabalham diariamente no Vikingar. Fonte: Visit Scotland Guido, Unidade 2 73

75 Universidade do Sul de Santa Catarina Figura Vestimentas típicas vikings Fonte: Visit Scotland Guido, Museu da Energia O museu da Energia foi fundado pela Fundação do Patrimônio Histórico e da Energia de São Paulo. O núcleo de Jundiaí dispõe de dois roteiros permanentes para seus visitantes. A apresentação do teatro de Fantoches faz parte do roteiro desenvolvido para crianças. Através dos personagens ligados ao tema do museu, como a Fada Luz e o Zé do Carvão, o público infantil aprende de forma simples e adequada a importância do museu. No roteiro histórico, é possível assistir palestras sobre a relação do homem com a energia e todo o seu esforço para conquistá-la. As mudanças ocorridas na sociedade pelo uso da energia são muito significativas. O Museu Vivo, no núcleo de Itu, envolve apresentações teatrais, entre elas a apresentação da personagem Dona Ignácia Joaquina Corrêa Pacheco que foi uma pessoa que realmente viveu na casa onde o museu está instalado. Após muita pesquisa, obtiveram informações sobre sua vida. Ela era uma mulher notável que soube vencer as dificuldades de seu tempo. 74

76 Patrimônio Cultural e Natural A apresentação consta da própria Dona Ignácia narrando sobre sua vida aos visitantes em uma das salas do Museu e, por enquanto, ocorre apenas para grupos agendados, mas há a intenção de ampliar estas atividades teatrais, incluindo outros personagens da época e percorrer outras salas. O público de todas as faixas etárias tem apreciado muito. Além de ituanos, o museu apresenta grande movimentação de turistas. Trata-se de uma atividade interessante e que mostra respeito pelos cidadãos do local, pois existem vários descendentes da família de Dona Ignácia na cidade. Estas atividades foram introduzidas no Museu da Energia com o intuito de incentivar a educação patrimonial. Os resultados são positivos, haja vista o aumento do número de visitantes e a absorção do conhecimento sobre o museu por parte dessas pessoas. A Fada Luz, assim como as outras personagens, possui seu nome ligado ao tema energia, como mostra a figura que segue. Ao lado, o Museu da Energia, Núcleo de Itu, com a encenação em que a personagem é a antiga moradora da casa onde o museu está instalado. Na sequência desta seção, apresentaremos para você duas expressões fundamentais no âmbito do patrimônio cultural que são: a arte e o teatro. Figura Personagem do Teatro de Fantoches do Museu da Energia Fonte: Fundação Energia e Saneamento, Arte A palavra arte vem do latim agere que quer dizer agir. A ação artística é aquela em que o homem cria e forma. Surge de uma necessidade de comunicação dos seres humanos. Figura Museu da Energia Fonte: Fundação Energia e Saneamento, A arte pode ser analisada do ponto de vista de várias linhas como a psicologia, filosofia, história, sociologia, dentre outras. Unidade 2 75

77 Universidade do Sul de Santa Catarina Da perspectiva da sociologia da arte, a arte é um fenômeno cultural concebido em função da vida das sociedades humanas. É neste contexto cultural que o homem manifesta sua criatividade. Ao agir, ele age culturalmente, apoiado na cultura e dentro de uma cultura. (OSTROWER, 1999, p. 13). Consideramos a criatividade um potencial inerente ao homem; e a realização desse potencial uma de suas necessidades. (OSTROWER, 1999, p.5). Criar é um processo que passa pela intuição, percepção e sensibilidade. Formar algo novo implica em fazer opções, escolhas. Os critérios para a execução desta nova produção estão embasados na cultura do artista. Na medida em que são exteriorizados, os processos criativos são conscientes. O potencial criador do homem está em permanente transformação. Para algum futuro imprevisível, o consciente guarda lembranças na memória, muitas vezes expressas nas obras de arte. A intuição artística é aquela que se baseia na criação. Entretanto, se todo homem tem de alguma maneira, intuição, sensibilidade e percepção, o que o diferencia dos demais artistas? É o fato de que sua criação não prevê o uso, mas possui finalidade e propósito. A arte é uma linguagem que visa introduzir a emoção estética. A emoção estética pode ser entendida como as sensações de admiração, prazer, curiosidade e temor, dentre outras tantas, frente à obra de arte. Assim, associadas, geralmente, a beleza, a arte e a estética têm conceitos muito mais amplos e complexos que variam conforme a cultura onde estão inseridas. Há muito tempo que discussões contraditórias e imprecisas cercam a atividade artística. O belo sob o ponto de vista subjetivo é o que agrada de maneira geral e necessária sem conceito de utilidade prática [...]. (KANT apud OSTROWER, 1999, p. 69). Entretanto, vale ressaltar que a atividade artística transcende a ideia de belo, mostrando uma composição que pode ser agradável ou não para o espectador. 76

78 Patrimônio Cultural e Natural A habilidade para fazer arte é inata. A arte é intemporal podendo ser permanentemente apreciada. O museu deriva inclusive da arte. Teatro A comunicação teatral é um processo de troca de informações entre palco e plateia. Este processo implica em um emissor, uma mensagem e um receptor. Dentre as linguagens utilizadas para fazer compreender os códigos das mensagens estão a vestidura, as palavras, a música, os gestos, os cenários, dentre outros. O código associa arbitrariamente um sistema de informação a outro. A intenção entre atores e público é recíproca e simbólica. Pode-se dizer que o teatro é uma manifestação social e estética. Tudo o que aparece em cena esta simbolizando outra realidade. Para acontecer uma peça tem-se que ter seres humanos, fala e um conjunto de acontecimentos representados, segundo convenções de uma época. Quando não há fala configura-se a pantomima. O momento em que a obra foi criada e representada tem influência sobre sua formação. Encenação por meio de música onde um ator mascarado representa todos os papéis. A palavra teatro deriva do grego Theatron que quer dizer o local onde se vê. Essa denominação é utilizada para definir o prédio e a obra de arte dramática, dentre outras coisas. Persona era o nome dado às mascaras do teatro grego. A personagem teatral deriva desta palavra. O ator dissocia sua pessoa da personagem, trocando gestos vozes e pensamentos. O ator é o executante da personagem durante a representação. O script ou texto dramático exerce seu maior sentido na representação. A representação existe apenas no presente. É o momento da junção do ator, espaço cênico e espectador. A escolha do espaço cênico tem grande influência na comunicação. Unidade 2 77

79 Universidade do Sul de Santa Catarina História do Teatro A palavra teatro tem origem grega. Deriva da palavra theastai. Nos antigos festivais gregos haviam representações em homenagem a deus Dionísio. Os escritores cuidavam da produção das peças que eram encenadas por homens em círculos que mais tarde virariam os palcos elevados. O primeiro passo para o teatro como conhecemos hoje foi dado na Grécia, no século VI a.c., quando Téspis destaca-se do coro e representa o deus Dionísio. Em Roma, os primeiros jogos cênicos datam de 364 a.c. Na Grécia, Pisistrato, o tirano, organiza concursos dramáticos e Aristóteles formula regras para o teatro. Define o tempo, o lugar e que é de uma só história. Dentre os principais autores gregos estão Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes. Em Roma, o teatro também ia se desenvolvendo em grandes tendas para até quarenta mil pessoas. Os romanos criaram a pantomima. Com o predomínio da comédia, durante o Império Romano os autores que se destacam são Plauto e Terêncio. O cristianismo condenou o teatro e estagnou-o. Enquanto isso, nas cortes espanholas continuavam a acontecer comédias. Na Idade Média, a Igreja ressuscita o teatro através das representações da história de Cristo. Do século X ao XV os membros do Clero escrevem e representam dramas religiosos em latim que podem durar até dias. Os fiéis participam como figurantes. O espaço cênico são as igrejas. Alguns grupos foram para as ruas atuar, e envolveram os temas profanos e a língua do país, com os temas religiosos e o latim. Já, na Idade Moderna (1548) a igreja tenta inibir a mistura de sagrado e profano e acaba por incentivar o teatro popular que trata agora de acontecimentos cotidianos. Na Renascença Italiana o teatro recebe inovações, como a adesão das atrizes, que irão influenciar França e Inglaterra, neste último destacando-se Shakespeare. 78

80 Patrimônio Cultural e Natural Neste período (século XV até XVII) o teatro erudito é acadêmico e baseia-se nos moldes greco-romanos. Porém, em vários países o teatro popular põe o homem como centro das preocupações e realiza peças cheias de ação e vigor. Durante o período Barroco há um resgate às tradições cristãs. As peças são repletas de pessimismo e sobriedade. O teatro neoclassista é racional e segue a tradição do teatro na antiguidade. A moral julga as atitudes. Voltaire é o autor francês de tragédia neoclassicista. Com a Revolução Francesa e Industrial o teatro ganha muitas inovações desde palcos com elevadores hidráulicos, iluminação a gás e elétrica. As peças tornaram-se mais populares e complexas, e surge a figura do diretor. No Romantismo os dramas adquirem estilo livre. O teatro adapta-se ao gosto do público. É permitido o uso de expressões coloquiais e temas locais por meio dos princípios enumerados por Victor Hugo. A preferência pelas histórias de personagens comuns aparece no Realismo (XIX) para satisfazer o gosto burguês. Também, no século XIX, o Teatro Simbolista sugere mais do que descreve, é subjetivo. A partir do século XX o teatro caracteriza-se pelas quebras de tradições. O grande inovador do teatro moderno foi o dramaturgo alemão Berlot Brecht. Ecletismo é a marca do teatro contemporâneo. As duas grandes Guerras são fatores de forte influência nas tendências que vão surgindo. No Brasil do século XVII o teatro era totalmente influenciado pelo teatro português. As primeiras peças, do Padre José Anchieta, tinham a intenção de catequizar os índios e foram seguidas, mais tarde, de peças que louvavam as autoridades nas praças públicas. Em 1810, D. João VI manda construir o Real Teatro de São João (atual São Caetano) onde também são marcantes os autores portugueses. A partir do Romantismo é que o teatro caracterizase como nacional por meio de seus temas, atores e autores. Unidade 2 79

81 Universidade do Sul de Santa Catarina Esta seção procurou formular de maneira objetiva a importância da conservação e preservação do patrimônio cultural, representado para efeito deste estudo, através dos museus, da arte e do teatro. Com uma década já dentro do novo século, no Brasil ainda nos ressentimos em demasia da falta de uma política nacional que venha a privilegiar não só o resgate, bem como a conservação e preservação de espaços culturais, que representam um grande potencial para o pleno desenvolvimento da área turística. O Beatles Museum, na cidade de Liverpool, no norte da Inglaterra, pelo contrário, recebe anualmente mais de 8 milhões de visitantes ou seja um número maior do que os atuais (em média) 5,5 milhões de turistas estrangeiros que visitam nosso país. Seção 3 Turismo e festas folclóricas O estudo das festas folclóricas como fator de atração turística e de preservação de importante patrimônio cultural, é tão delicado quanto uma pesquisa antropológica ou sociológica, uma vez que requer a mesma argúcia e o mesmo cuidado científico. O turista pode ser um estudioso de Ciências Sociais, ou ainda que não o seja, deseja sempre saber o significado dos rituais que compõem as festas. Atenção! Para efeito desta seção, optamos por tratar somente das festas devocionais do calendário católico com presença marcante na cultura brasileira. As festas e suas características Além da liberação momentânea, as festas apresentam um caráter ideológico uma vez que comemorar é, antes de tudo, conservar algo que ficou na memória coletiva. 80

82 Patrimônio Cultural e Natural A dramatização dos símbolos e das alegorias no interior da festa tende a justificar ou explorar uma doutrina. Há sempre uma crença a ser defendida. Toda festa tem uma longa história que aponta uma enorme quantidade de interesses espirituais e materiais, constantemente alteradas no decorrer de sua existência. É em face de tais interesses que se pode esboçar uma caracterização das festas populares brasileiras, de enorme legado cultural. Veja a seguir os principais componentes estruturais. TIPO DE FESTA COMPONENTES ESTRUTURAIS a) Religiosas Ministradas por sacerdotes ou por pessoas autorizadas pela Igreja, como missa, procissão, bênção, novena e reza. b) Profano-religiosas Ministradas por leigos com aprovação do sacerdote, homenageando as figuras sacras, de modo alegre e festivo: levantamento de mastro, bailados como congados, folia de reis, Império do Divino, reinado do Rosário, Pastorinhas. c) Profanos Têm caráter de diversão. Visam segurar os visitantes mais wtempo nas festas: leilões, danças, comidas, barraquinhas e folguedos como malhação do Judas, bumba-meu-boi, pau-de-sebo, cavalhada e outros. Quadro 2.1 Componentes estruturais Fonte: Funari (2002). Adaptações do autor. No escopo do estudo das festas folclóricas e sua relação com o turismo, enquanto parte inerente do patrimônio cultural brasileiro faz-se necessário apresentar o calendário das festas em questão, nomeadamente: CALENDÁRIO PERMANENTE Festas natalinas de 24 de dezembro a 6 de janeiro Festa de São Gonçalo 10 de janeiro Festa de São Sebastião 20 de janeiro Festa de N. S. dos Navegantes 2 de fevereiro Carnaval calendário litúrgico Semana Santa calendário litúrgico Unidade 2 81

83 Universidade do Sul de Santa Catarina Festa de Santa Cruz 3 de maio Festa do Divino calendário litúrgico maio ou junho Festas juninas 13, 24 e 29 de junho Festa de São Joaquim agosto Círio de Nazaré outubro (segundo domingo) Jubileu de Bom Jesus de Matozinhos 14 de setembro Festa do padre Cícero 30 de outubro Festa de N. S. do Rosário 7 de outubro Festa de N. S. Aparecida 12 de outubro Festa de N. S. da Conceição 8 de dezembro A seguir, será apresentado um resumo das principais festas, enquanto herança do nosso vasto e rico patrimônio cultural. O conteúdo descritivo das festas foi baseado na seguinte obra: FUNARI, Pedro Paulo; PINSKY, Jaime (orgs). Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: Contexto, a) Ciclo Natalino: A comemoração do nascimento de Jesus é motivadora de realizações de alegres festividades, como bailados, autos, peças teatrais, banquetes, queimas de fogos, manifestações herdados via colonizador - quer de povos ibéricos, quer de cristãos-novos. Diversos traços da cultura do colonizador conservam-se quase intactos, carregados de sentido ideológico mantidos pelos símbolos que sustentam personagens representando o amor, a esperança, a caridade, a liberdade, figuras populares, a natureza e a santidade. A simbologia da universalidade do cristianismo está presente na festa natalina quando evoca a união entre todos os fatores divergentes da sociedade: negro e branco; pobre e rico; feio e bonito; homem e mulher; nacional e estrangeiro. As peças natalinas de Gil Vicente entraram também como contribuições para a divulgação do natalismo na cultura brasileira. b) Carnaval: Data comemorativa em fevereiro ou março, 40 dias antes da Páscoa. No Brasil, a festa popular chegou com o nome de jogo de entrudo, ainda na época colonial, nos primórdios do século XVIII. Era uma brincadeira das classes privilegiadas que consistia em divertidas batalhas de limões de cheiro, feitos de cera, em forma de frutas, cheios 82

84 Patrimônio Cultural e Natural de água, perfumes, tintas e até de urina. É claro que muitas vezes terminava em batalha de água e conflitos entre os participantes. No final da época monárquica começaram as proibições da brincadeira por causa dos excessos. Era comum atirar baldes ou urinóis com líquidos coloridos, excrementos. No começo da época republicana, a burguesia em ascensão resolveu imitar o carnaval de Veneza. Blocos de máscaras e fantasias desfilando em carros alegóricos. Não mais como o nome de entrudo, mas de carnaval. Portanto, o Carnaval é um esforço de modernização e um grito de adeus ao colonialismo português. O carnaval popular é o que se fixou nas escolas de samba do Rio de Janeiro e por sua influência, nas regiões Sudeste e Sul. No Nordeste, as manifestações do carnaval contam com os trios elétricos, na Bahia. O carnaval folclórico ocorre em todas as regiões do Brasil. No Nordeste são conhecidos os blocos carnavalescos de Recife e Olinda: Oficina das Virgens, que sai uma semana antes do carnaval; Bacalhau do Batata, que sai na quarta-feira de Cinzas; pitombeiras dos quatro cantos; os maracatus e outros folguedos de origem natalina. No Sudeste, o Zé Pereira do Rio de Janeiro fixou-se em Minas nas cidades de Ouro preto e Diamantina. Os blocos caricatos de Belo Horizonte, os blocos de sujo de Nova Lima e Belo Horizonte, as bandas carnavalescas Sapo Seco de Diamantina e Banda Mole de Belo Horizonte. c) Semana Santa: Data móvel (primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte) calendário litúrgico. A celebração da Semana Santa, que é uma rememoração da vida de Jesus Cristo, obedece a três estratos intelectuais. O primeiro é o erudito, por meio dos rituais herdados da Idade Média, no interior dos templos católicos, muitas vezes celebrados em latim com requintes de expressões verbais e cenográficos, a exemplo do sermão de descendimento da cruz; o lava-pés; o círio pascal e outras cerimônias. O segundo, de caráter popular, corresponde às encenações de paixão e morte de Cristo; a procissão de encontro e a procissão de enterro. O terceiro nível, o folclórico, está ligado ao rompimento das aleluias que pode ocorrer no Unidade 2 83

85 Universidade do Sul de Santa Catarina sábado ou no domingo de Páscoa. São eventos de iniciativa popular no final da Semana Santa, e quase sempre redunda em carnaval ou na folia do Divino. No Nordeste existe uma grande tradição de celebração da Semana Santa com encenação ao vivo. No Centro-Oeste, em Goiás, há a procissão do fogaréu, quando se encenam a busca e prisão de Cristo por Herodes. No Sudeste, em Minas Gerais, em todas as cidades históricas realizam-se encenações ao vivo, redundando em festa popular, com raros fatos folclóricos. Em Diamantina, guardam ainda uma tradição de cunho folclórico, que é o de cada fiel levar para casa um ramo de arruda que se encontrava depositado aos pés da imagem do Senhor Morto, na Sexta-feira da Paixão. d) Festa do Divino: A data da festa é no domingo de Pentecostes, 42 dias depois do domingo de Páscoa. A festa era uma forma de exaltar o poder do rei como agente de Deus na Terra. A simbologia dos componentes da Festa do Divino confere com o ideário de Joaquim de Flora. Os imperadores europeus, pela graça do Divino Espírito Santo, são representados como justos, caridosos, inteligentes e ricos. Daí as cavalhadas de mouros e cristãos; o cortejo de império, a alegria e a farra da distribuição de comidas e bebidas; diversas formas de bailados; queima de fogos. Na época colonial e imperial, durante a festa, armava-se um trono para o imperador do Divino que, na Bahia e no Rio de Janeiro, era uma criança. O imperador eleito para realizar a festa era investido de um poder invejável, pois bastava um simples gesto seu para que fossem libertos presos comuns. e) Festas juninas: Ocorre no mês de junho dia 13 Santo Antônio, 24 São João e 29 São Pedro. O cristianismo incorporou nos festejos em homenagens aos santos alguns rituais da época clássica, na adaptação de alguns símbolos como a águia, o fogo e a referência à fertilidade humana. O mês de junho era consagrado à deusa Juno e no seu transcorrer eram celebradas festas. Tratava-se da divindade que representava a fidelidade, a maternidade e a fertilidade. 84

86 Patrimônio Cultural e Natural Há, portanto, uma relação sincrética na absorção de tais festas pelo cristianismo nas coincidências das duas épocas. As festas juninas, com as fogueiras, queima de fogos, espetáculos pirotécnicos, comidas típicas, casamentos e danças, assemelham-se à festa pagã do passado clássico. Os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil as festas juninas em louvor a Santo Antônio, São João e São Pedro. Coincide no Brasil com o período da colheita de milho, cereal básico na alimentação humana e dos animais domésticos. É a época mais abastada do ano, o que concorre para a alegria das festas. No Nordeste, temos os rituais de confecção e levantamento do mastro com a bandeira do santo que se comemora. Noutras regiões esse ritual é constante nas comunidades em que o santo junino é o padroeiro. O momento em que erguem o mastro é acompanhado de espetáculos pirotécnicos. Outro ritual folclórico de grande permanência e frequência é a fogueira, cuja simbologia é animadora porque ilumina e aquece. Em torno dela as pessoas se reúnem com alegria. A música, a dança e a comida típica regionais contribuem para que as festas juninas sejam as mais alegres do país. f) Círio de Nazaré: Data Segundo domingo de outubro Belém do Pará. Talvez a mais comovente festa religiosa do país. A história da festa é uma extensão da história da província do Grão-Pará. Conta-se que no começo do século XVIII um mulato de nome Plácido José de Souza venerava em sua casa a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Portugueses e nativos construíram uma capela de taipa para a Santa. Em 1793 o governador da capitania, Dom Francisco de Souza Coutinho, que instituiu o Serviço de Proteção aos Índios, determinou a instalação de uma feira em que pudesse reunir a população da vila de Belém, incluindo os indígenas, durante a festa de Nossa Senhora de Nazaré. O próprio governador determinou que se levasse a imagem para a ermida do palácio. Depois da celebração da novena, a imagem seguiu para a sua igreja em procissão, a qual foi composta de alas de pedestres e cavaleiros militares. No cortejo seguia o governador e capitão-general, em uniforme de gala. O trajeto percorrido pela procissão luminosa do Unidade 2 85

87 Universidade do Sul de Santa Catarina Círio do Nazaré, com mais de 200 anos de tradição, reúne mais de 300 mil fiéis. O andor da Santa é protegido por uma corda empunhada por pagadores de promessas. Estas, portanto, são as principais festas religiosas que elegemos como representativas para o estudo desta unidade. Sabe-se que existem muitas outras oriundas de outras religiões, bem como de outros matizes. Contudo, seria muita pretensão tentar elencá-las todas neste espaço. - Leia a seguir a síntese da unidade, realize as atividades de autoavaliação, e consulte o Saiba-mais para aprofundar seus conhecimentos. Síntese Nesta unidade, na primeira seção, você estudou as definições sobre patrimônio histórico e sua intrínseca relação com o turismo. Da mesma forma viu-se que estes recursos, quando bem administrados, conservados e preservados, constituem-se como um grande fator de atratividade turística. Lamentavelmente, ainda em termos nacionais atuamos de forma incipiente, muito em função da total ausência de uma política nacional que venha a atender as necessidades do setor. A maioria das ações está e fica restrita à iniciativa privada, que investe de maneira ainda tímida, sempre apresentando quando há a possibilidade de renúncia fiscal. Aspectos relacionados ao desenvolvimento de atividades nos museus, compartilhado por exemplos diversos, tanto em nível nacional, quanto internacional, foram a tônica da unidade 2, onde ficou patente a diferença que ainda grassa a nossa oferta, principalmente em relação aos países desenvolvidos. A arte e o teatro receberam igual destaque, pois se constituem indubitavelmente como patrimônio cultural de extremo significado. Quando bem trabalhados e com um planejamento adequado, constituem-se como diferenciais para a oferta turística. 86

88 Patrimônio Cultural e Natural A seção 3 destacou as principais festas folclóricas religiosas que ocorrem no Brasil e que são famosas e bem ao gosto popular. Muitas vezes não nos damos conta de quão importante são as festas natalinas e o Carnaval, por exemplo. O movimento gerado em termos de número de pessoas e de participantes nos mais diversos recantos deste nosso enorme país, faz com que necessitemos cada vez mais de mão de obra qualificada. Isto com vistas a atender a uma demanda crescente e cada dia mais exigente. Você, atual ou futuro profissional da área hoteleira, deve sempre ter em mente que ainda há um longo caminho a ser percorrido, para que possamos oferecer serviços pautados pela excelência e pela qualidade é preciso versar sobre os conceitos de cooperativismo e um grande número de termos que se inter-relacionam. Atividades de autoavaliação 1) Leia atentamente o enunciado e responda à questão que segue: Santuário das Neves é patrimônio histórico O Santuário da Igreja das Neves, que fica em Presidente Kennedy, litoral Sul Capixaba, virou mais um Patrimônio Histórico do Estado do Espírito Santo. O tombamento aconteceu em agosto do ano passado, durante as comemorações da Festa das Neves, e a Igreja das Neves, como é chamada carinhosamente pelos fiéis, foi entregue para a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim e recebida pelas mãos do Bispo Dom Célio. Essa é uma emoção muito grande para todos nós. Agora podemos realmente chamar a Igreja das Neves de nossa. Com isso, teremos a garantia infinita de que ninguém irá acabar com o nosso Santuário. Isso é mais uma obra divina., disse, emocionado, Dom Céli. Unidade 2 87

89 Universidade do Sul de Santa Catarina Segundo Amanda Rangel, secretária municipal de arte e cultura de Presidente Kennedy, esse processo de tombamento é uma grande conquista para os kennedenses. Conseguir o tombamento histórico e cultura da nossa Igreja foi uma grande vitória para nós. Com esse documento, garantimos que ninguém poderá modificar ou mexer em nosso patrimônio que já está com a gente há mais de 350 anos. Estamos felizes com isso, explicou ela. Todo esse evento aconteceu durante a realização da principal missa da programação da Festa das Neves, no dia 05 de agosto, como acontece a mais de 20 anos no município. Essa festa atrai fiéis do mundo inteiro. Este ano, foram mais de 30 mil pessoas que passaram por aqui., explicou o Frei Levy, pároco do Santuário. O tombamento histórico de Igreja foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura, como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, e o imóvel fica sob guarda permanente dos poderes públicos estaduais e municipais. Para o Prefeito, Reginaldo Quinta, essa é mais vitória do município de Presidente Kennedy. O tombamento da Igreja das Neves garante que mais um patrimônio histórico de Presidente Kennedy não seja prejudicado ou perdido. Cuidar da cultura e da arte, incentivar esse tipo de ação, é também um grande passo para o desenvolvimento do nosso município, disse Reginaldo. A Festa de Nossa Senhora das Neves acontece na Paróquia Nossa Senhora das Neves, na Praia das Neves, entre o mês de julho e agosto. Este ano, a festa ainda está sem data confirmada. Vale lembrar que na paróquia acontece todo dia 15 de cada mês, a Missa no Santuário com novena às 15h. Fonte: Defender (2010). 88

90 Patrimônio Cultural e Natural Responda: A notícia em destaque é um exemplo de iniciativa do poder público em parceria com a comunidade local e as autoridades religiosas. Este tema da preservação histórica foi estudado ao longo da seção 01 desta unidade. Note que mais de 30 mil pessoas para lá se deslocam anualmente como forma de participar do referido evento religioso. Descreva em forma de texto quais são as necessidades que estes turistas religiosos precisam quando lá chegam e o que deveria estar disponibilizado para eles em termos de infraestrutura. Unidade 2 89

91 Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Leia a matéria e responda a questão que segue: Cidade-sede mais segura da Copa tem incomum museu Considerada a cidade-sede mais segura da Copa do Mundo, onde se pode andar de dia e de noite sem grandes preocupações, Bloemfontein, na África do Sul, possui um caprichado centro da cidade, com prédios históricos a maioria funcionando hoje como órgão público, com belos jardins em volta. Todos os monumentos são próximos um do outro, tornando uma caminhada entre eles um agradável passeio. Em alguns desses prédios funcionam museus. Um deles é de literatura sul-africana. É raro se deparar com algum estabelecimento no mundo que conserve acervo de um conjunto de escritores. No museu, a maioria dos autores apresentados é africânder pessoas nascidas na África do Sul, mas descendente de holandeses. Mas há também uma parte dedicada a escritores sul-africanos do idioma sotho, que é um dos ramos da língua banta o grupo de línguas banto é nativo da África e possui enorme influência no continente. Além de livros, o museu apresenta objetos e ainda recria com mobiliário original o ambiente de trabalho de alguns escritores abordados no local. Um dos que mais chama a atenção é Eugène Marais, nascido em Pretória no século XIX. O autor escreveu livros de poesia e também científicos sobre a formiga e o babuíno, após um denso trabalho de pesquisa, ganhando posteriormente reconhecimento internacional por conta de ambas obras. A produção literária em africâner cresceu bastante depois que o idioma começou a ser usado, em 1875 somente em 1912 o idioma dos descendentes holandeses foi reconhecido na África do Sul. A propósito, os avisos em placas de prédios públicos, museus, bares, restaurantes, comércio em geral e ruas e avenidas pelo País afora são, na maioria dos casos, escritos em inglês e africâner. Por vezes, algum idioma de origem sul-africana como o zulu aparece em placas informativas. Fonte: Diniz, (2010). 90

92 Patrimônio Cultural e Natural Responda: Estudamos ao longo desta unidade que um dos maiores desafios do turismo cultural é garantir que a visitação crescente não destrua as qualidades peculiares que atraem os turistas. De acordo com a notícia fornecida anteriormente, descreva se este tipo de museu encontrado na África do Sul, geraria interesse e curiosidade aqui no Brasil. Justifique a sua resposta. Unidade 2 91

93 Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Analise a matéria e responda à questão solicitada. 5 destinos religiosos mais badalados do Brasil Nova Trento - Santa Catarina Nova Trento fica a 75 km de Florianópolis. Fundada em 1875 por colonizadores italianos, conserva as heranças da fé cristã trazidas pelos imigrantes da região de Trento, norte da Itália. Com cerca de 10 mil habitantes, esta cidade do Estado de Santa Catarina passou a receber um número grande de visitantes após a beatificação de Madre Paulina em 1991, e sua consequente canonização em 19 de maio de 2002, fazendo dela a primeira santa brasileira. Único lugar do Brasil a possuir mais de um santuário, Nova Trento oferece dois roteiros religiosos aos cerca de 20 mil romeiros e turistas de todas as partes do País, que mensalmente chegam à cidade. O primeiro é o bairro de Vígolo, a cinco quilômetros do centro. Foi ali que a religiosa iniciou seu trabalho assistencial, dedicando-se aos enfermos e às crianças, vindo a fundar a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Existe até uma réplica do casebre onde ela se instalou para cuidar de uma mulher com câncer. A outra atração é o museu que funciona no mesmo prédio da congregação onde a freira morou a partir de 1895, quando ingressou na vida religiosa. Além de documentos e objetos pessoais da madre, o museu guarda a cama onde ela faleceu, já cega, com um braço amputado em decorrência de uma gangrena ocasionada pela diabetes. Hoje, os fiéis que visitam o local deixam pedidos e orações sob o colchão de palha que cobre a cama. Quanto aos santuários, há o Santuário de Madre Paulina, onde há muito detalhes que podem passar despercebidos, como o cenário construído pelo artesão Francisco Minatti. A segunda opção é o Santuário de Nossa Senhora do Bom Socorro, localizado a 525 metros de altitude. Construído no início do século, todo o material utilizado na sua edificação foi carregado nas costas pelo povo de Nova Trento. Fonte: Andrés Bruzzone Comunicação (2010). 92

94 Patrimônio Cultural e Natural Responda: As festas religiosas constituem-se como um grande atrativo em termos de patrimônio cultural, para milhões de pessoas no mundo inteiro, que percorrem locais religiosos para expressar a sua fé. Você como atual ou futuro profissional na área do turismo sabe que os equipamentos e serviços a serem disponibilizados para estes turistas devem necessariamente possuir qualidade e conforto. Faça uma pesquisa na Internet ou outro meio qualquer e registre um exemplo de turismo religioso (qualquer lugar do mundo) que possui boa infraestrutura de serviços turísticos disponíveis citando e caracterizando cada um deles. Unidade 2 93

95 Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Se você desejar, aprofunde os conteúdos estudados nesta unidade ao consultar as seguintes referências: BARRETO Margarita. Turismo e Legado Cultural. São Paulo: Papirus, CUSTÓDIO, L.A.B..Dando a partida: como desenvolver o turismo cultural. Brasília: Editora do Ministério do Trabalho, MOLETTA, Vânia Florentino. Turismo Cultural. Porto Alegre: Sebrae, OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro: Vozes, PIRES, Mário Jorge. Lazer e Turismo Cultural. Barueri: Manole, SIMÃO, Maria Cristina Rocha. Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte: Autêntica, TRIGO, L. G. G. A sociedade pós industrial e o profissional em turismo. Campinas: Papirus, SWARBROOKE, John. Turismo sustentável: turismo cultural, ecoturismo e ética. São Paulo: ALEPH, v. 5,

96 UNIDADE 3 Patrimônio Natural conceitos e abrangência 3 Objetivos de aprendizagem Compreender os conceitos e abrangência sobre o patrimônio natural. Conhecer a evolução histórica sobre o ecoturismo, meio ambiente, conceitos de ecoturismo e tipologia de ecoturistas. Compreender como se deu o desenvolvimento da educação ambiental no mundo. Caracterizar as potencialidades ecoturísticas. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 Seção 3 Seção 4 Conceitos e abrangência sobre patrimônio natural Resumo evolutivo histórico do ecoturismo, meio ambiente, conceitos de ecoturismo e tipologia de ecoturistas O desenvolvimento da educação ambiental no mundo Potencialidades ecoturísticas

97 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Final de semana chegando ou então, quem sabe, um feriado prolongado ou até mesmo as merecidas férias. O tempo está firme, sol e calor convidativos! Uma breve e suave brisa traz consigo o cheiro do camarão frito, limão e cevada. Imediatamente tem-se a impressão de que, ao virar a esquina, iremos nos deparar com uma extensa e calma enseada delineada por coqueiros e falésias. Ao longe, pontos minúsculos se movem entre a areia da praia e a arrebentação do mar. Outros se esforçam para manter-se acima das espumas das ondas. Vendedores ambulantes, alguns com carrinhos, avançam lentamente sob um sol escaldante e sobre as dunas como uma grande caravana. De repente acordamos e constatamos que ainda nos encontramos como reféns do caos urbano! Ainda assim, quantas vezes não estivemos em um cenário assim? Quantas vezes ao longo de um ano não nos surpreendemos com este tipo de pensamento? Pois é! Neste sentido é que esta unidade vai lhe proporcionar a possibilidade de, através das quatro seções, conhecer muitas variáveis que estão intimamente relacionadas com o patrimônio natural. - Junte-se a nós e aproveite. Bons estudos! Seção 1 Conceitos e abrangência sobre patrimônio natural Esta unidade trata do objeto de estudo e abrangência do patrimônio natural. Iniciemos definindo o que é patrimônio natural. Conceituar patrimônio natural é uma tarefa que exige dividir o território em meio urbano, meio rural e meio natural, tendo em vista o grau de transformação provocado pelas atividades humanas. Quando se trata de territórios com processo civilizatório muito antigo, como é o caso da Europa, não existe mais um meio natural, pois há centenas de anos a natureza 96

98 Patrimônio Cultural e Natural foi modificada. Neste caso devem ser considerados dois tipos de território: o meio urbano e o meio rural, dos quais alguns componentes da natureza original permanecem em áreas limitadas, dentro de um conjunto ambiental rural. Discernimento entre patrimônio, recurso e produto turístico A adoção de expressões constituirá, de certa forma, o referencial e a base terminológica para estudos, o planejamento e a implementação de ações e atividades no âmbito do turismo. Isso requer o seu prévio discernimento conceitual em nível semântico e à luz das possíveis interpretações operacionais a fim de que a uniformidade e a correção na aplicação da linguagem possam contribuir para a qualidade e consistência das iniciativas que se realizam em seu nome. Segundo Boullón (1995), o setor turístico precisa consolidar uma linguagem de aceitação universal visando a alcançar um progresso efetivo no campo conceitual, aperfeiçoando, assim, a capacidade de expressão com a elaboração de conceitos mais consistentes e dotando as palavras de um significado mais preciso. Parece razoável admitir que a responsabilidade primeira desta iniciativa deva recair justamente sobre aqueles que nos organismos oficiais ou nas instituições de pesquisa, fomento e planejamento, irão se encarregar do processo de concepção, planejamento e gestão do turismo; e cujas idéias, diretrizes, normas e conceitos emanados irão orientar e servir de referencial para as ações e iniciativas da sociedade. a) Patrimônio turístico: é o conjunto potencial (conhecido ou desconhecido) de bens materiais ou imateriais à disposição do homem, e que podem ser utilizados mediante um processo de transformação para satisfazer as suas necessidades turísticas. b) Recurso turístico: são todos os bens e serviços que por intermédio da atividade humana e dos meios a sua disposição, tornam possível a atividade turística e satisfazem as necessidades da demanda. Unidade 3 97

99 Universidade do Sul de Santa Catarina Dessa forma, um recurso não se define apenas pela sua própria existência, mas sim pela sua capacidade de satisfazer as necessidades humanas. Em outras palavras, a atividade turística se realizará se existirem certas atrações que motivem as pessoas a saírem de seus domicílios habituais e permanecerem certo tempo fora destes. Os novos locais adquirem então o status de recursos ou atrativos turísticos. A noção de utilização humana está na base da caracterização dos recursos, sejam eles úteis ao turismo ou a qualquer outra atividade humana. Esta concepção está exposta nas seguintes definições encontradas em SANTOS (1999): Recursos naturais são aquelas riquezas que se encontram em estado natural e são utilizadas racionalmente em benefício da humanidade; Recursos naturais são aquelas situações originadas pela natureza em sua gênesis secular das quais depende o sustento, bem-estar e a cultura material dos homens; Recursos naturais são os bens da natureza sobre os quais exercemos uma influência direta, já que os utilizamos e os consumimos dia a dia. São os bens que nos servem ao longo de nossas vidas como fonte de sustento, ou seja, como recursos para a vida; Recursos naturais compreendem a tudo quanto existe na natureza atual ou que seja parcialmente utilizável pelo homem. Qualquer parte do nosso meio ambiente (como o solo, a água, os campos, as florestas, a fauna silvestre, os minerais, a população humana) que o homem pode utilizar para incrementar o seu bem-estar pode ser considerado como recurso natural. Os conceitos de patrimônio e recurso natural são de fundamental importância para que se possa compreender de forma clara as demais seções que compõem esta unidade. Prepare-se para, na seção a seguir, conhecer as diversas considerações relevantes acerca da evolução do ecoturismo, bem como para ter um contato com conceitos como meio ambiente, ecoturismo, e, finalmente, a tipologia de ecoturistas! Vamos lá? 98

100 Patrimônio Cultural e Natural Seção 2 Resumo evolutivo-histórico do ecoturismo e de meio ambiente, conceitos de ecoturismo e tipologia de ecoturistas Os primeiros ecoturistas foram os visitantes que chegaram em massa aos parques nacionais de Yellowstone e Yosemite, os viajantes que adentraram por Serengeti, na África, há 50 anos, e os caminhantes que acamparam em Anapurna, no Himalaia, 25 anos mais tarde. No século XX ocorreu uma modificação nas viagens a áreas naturais. No início deste século, os safáris na África foram utilizados para caça e captura de grandes animais. Por volta da metade do século Figura 3.1 Ecoturismo em Bonito. Fonte: Rico, XX, os safáris fotográficos eram mais populares do que os de caça. Em meados de 1970 o turismo de massa e o individual passaram a desrespeitar o habitat dos animais selvagens. Segundo LINDBERG e HAWKINS (1995, p.16) Hoje esse comportamento está mudando. Mais visitantes estão conscientes do dano ecológico que podem provocar, do valor da vida natural e dos interesses das populações locais. Há alguns anos a palavra ecoturismo e seus princípios não existiam. Havia viajantes naturalistas, como Humboldt, Darwin, Bates e Wallace. Mas suas experiências não trouxeram nada de concreto, como por exemplo, a intenção na preservação de áreas naturais e nem vantagens no âmbito socioeconômico. De acordo com LINDBERG e HAWKINS (1995, p.25) Foi somente com o advento da viagem aérea a jato, com a enorme popularidade dos documentários televisivos sobre a natureza e sobre viagens, e com o interesse crescente em questões ligadas à conservação e ao meio ambiente, que o ecoturismo passou a ser verdadeiramente um fenômeno característico do final do século XX, e, tudo leva a crer, do século XXI. Unidade 3 99

101 Universidade do Sul de Santa Catarina Desde 1990, muitas conferências e simpósios sobre ecoturismo estão sendo organizados. As instituições públicas e privadas ficaram interessadas no tema. Foi (e está sendo) o momento de colocar em prática projetos concretos que comprovem os benefícios socioeconômicos que o ecoturismo produz. Vejamos, portanto, alguns conceitos sobre meio ambiente. Conceito de meio ambiente É a expressão usada para designar a interação entre o conjunto das condições naturais, os organismos vivos e os seres humanos com suas múltiplas e mútuas influências. O meio ambiente, o sistema ecológico ou ainda o ecossistema constituem-se num conjunto de elementos e fatores indispensáveis à vida. Qualquer unidade que inclua todos os organismos (a comunidade) de uma determinada área interagindo com o meio físico, constitui um sistema ecológico ou ecossistema, onde há um intercâmbio de matérias vivas e não vivas. Segundo SOUZA e CORRÊA (2000, p. 99) o meio ambiente é o Conjunto de todas as condições e influências externas circundantes que interagem com um organismo, uma população ou uma comunidade, e sua relação com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem. GILPIN apud ELY (1986, p.03) define meio ambiente como: Todo o meio exterior ao organismo que afeta o seu integral desenvolvimento. De acordo com ELY (1986, p. 03), o meio ambiente contém três elementos chaves: 100

102 Patrimônio Cultural e Natural ELEMENTOS DESCRIÇÃO a) Meio Exterior Significa que o meio ambiente é tudo aquilo que cerca um organismo (o homem é um organismo vivo), seja o físico (água, ar, terra, bens tangíveis feitos pelo homem), seja o social (valores culturais, hábitos, costumes, crenças), seja o psíquico (sentimentos do homem e suas expectativas, segurança, angústia, estabilidade). b) Organismo: O conceito não especifica o organismo, mas trata dos organismos bióticos (vivos), tais como as plantas e os animais (nestes últimos se destaca o homem). c) Integral Desenvolvimento: Os meios físico, social e psíquico dão as condições interdependentes necessárias e suficientes para que o organismo vivo (planta ou animal) se desenvolva na sua plenitude, sob pontos de vista biológico, social e psíquico. Quadro 3.1: Elementos chave do meio ambiente. Fonte: ELY (1986). Conforme o conceito anterior, o meio ambiente efetivo é todo o meio exterior ao ser vivo. Esse meio exterior inclui os fatores abióticos (não vivos) da terra: água, atmosfera, clima, sons, odores e gostos; os fatores bióticos dos animais, das plantas, das bactérias e dos vírus; os fatores sociais de estética e os fatores culturais e psicológicos. O caráter de integração e interdisciplinaridade dá ao meio ambiente uma imagem totalista, sistêmica e abrangente. No meio ambiente cabe praticamente tudo: o físico, o social e o psicológico que acompanham a evolução do homem no seu dia a dia. Assim, a ideia de interdisciplinaridade e interdependência sistêmica do meio ambiente fica bastante evidenciada. Isso sugere que toda e qualquer tentativa para soluções práticas aos problemas do homem deve receber um tratamento interdisciplinar e global. Além de tudo, o homem é o centro de todas as ações e acontecimentos do universo. - Vejamos agora conceitos sobre ecoturismo. Unidade 3 101

103 Universidade do Sul de Santa Catarina Conceito de ecoturismo O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) definem o ecoturismo como sendo o turismo desenvolvido em localidades com potencial ecológico, de forma conservacionista, procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente, harmonizando as ações com a natureza, bem como oferecendo aos turistas um contato íntimo com os recursos naturais e culturais da região, buscando a formação de uma consciência ecológica. O ecoturismo visa igualmente o desenvolvimento das regiões em que se insere, devendo ser um instrumento para a melhoria da qualidade de vida as populações que acolhem essa atividade. Ainda de acordo com o IBAMA, o Brasil está entre os três países de maior diversidade biológica do mundo. Aproximadamente 4% do território nacional são áreas de proteção ambiental ou Unidades de Conservação de uso indireto, as quais são destinadas à pesquisa científica, à educação ambiental e à recreação, o que inclui o turismo. O ecoturismo pode e deve ser uma das grandes ferramentas de luta para a preservação e educação ambiental no planeta. Se conseguirmos fazer com que o indivíduo se engaje no preservar para sobreviver ; ou seja, se conseguirmos criar um mercado, gerar empregos e transformar o turismo em principal atividade econômica das comunidades com potencial ecológico, a preservação passa a ser uma questão de sobrevivência; preservar e fazer preservar passam a ser sinônimos de mais renda. E não há como negar que esta é a melhor maneira de conscientizar o ser humano: fazê-lo sentir a necessidade de conservar para benefício próprio e imediato, para sua subsistência. A atividade do ecoturismo deve abranger, em sua conceituação, a dimensão do conhecimento da natureza, a experiência educacional interpretativa e a valorização das culturas tradicionais locais (promovendo, assim, o bem-estar das populações envolvidas e a promoção do desenvolvimento sustentável). 102

104 Patrimônio Cultural e Natural O ecoturismo deve satisfazer a vontade de estar em contato com o meio ambiente, visar a conservação e evitar os impactos negativos. A missão do ecoturismo é detectar as oportunidades e os riscos que a atividade provoca. Atenção! De acordo com LINDBERG e HAWKINS (1995, p.34) Os custos potenciais são a degradação do meio ambiente, as injustiças e instabilidade econômicas, as mudanças socioculturais negativas. Os benefícios potenciais são a geração de receita para áreas protegidas, a criação de empregos para pessoas que vivem próximo a essas áreas e a promoção de educação ambiental sobre a conservação. Deve-se procurar uma forma de minimizar os custos e maximizar os benefícios, buscando um elo entre o ecoturismo, a conservação e o desenvolvimento. Atualmente as linhas mestras do turismo ecológico apontam para uma visão administrativa moderna, de longo prazo e com uma postura responsável diante da integridade do meio ambiente através do uso sustentável dos recursos naturais. A partir de agora vamos nos concentrar na tipologia do ecoturista! Tipologia do ecoturista Para COCHRANE apud SERRANO in ANSARAH (2001, p. 224) o ecoturista pode ser escrito como explorador, mochileiro, especialista, de interesse genérico, de massa. A caracterização de cada um desses tipos é a que segue: a) Explorador: individualista, não requer facilidades especiais. Pode pagar por alguns serviços, mas prefere não gastar. Inclui caminhantes, escaladores e observadores de aves. Idade: 25 a 45 anos. Unidade 3 103

105 Universidade do Sul de Santa Catarina b) Mochileiro: faz viagens longas, com orçamento limitado. Utiliza transporte coletivo local e acomodações baratas. Privilegia mais a experiência da viagem do que a cultura local, embora aprecie o exotismo. Gosta de caminhadas e paisagens, embora normalmente não visite áreas mais remotas devido ao custo da viagem. Necessita de serviços de baixo custo. Idade: 18 a 25 anos. c) Turista especialista: dedica-se a hobbies particulares, pouco aventureiro, dispõe-se a pagar por serviços e auxílio logístico. Pode ter pouco interesse pela cultura. Exige facilidades especiais e serviços, como barcos, guias etc. Aceita desconfortos e longas viagens, se necessário, para atingir seus objetivos. Pode ter participação ativa, por exemplo, em projetos de recuperação ambiental. Inclui pesquisadores e grupos pequenos. Idade: 20 a 70 anos. d) Turista de interesse genérico: em geral, prefere a segurança dos grupos ou programas personalizados. Tem bom nível de renda. Interessa-se por cultura e pela vida silvestre, desde que não seja necessário muito esforço para apreciá-la. Muitos são ativos e apreciam a atividade de aventura sem risco, como caminhadas e rafting. Não se sujeita a viajar longas distâncias sem que haja grandes atrativos. Requer muitas facilidades, embora possa aceitar condições rústicas por curtos períodos. Idade: 35 a 65 anos. e) Turista de massa: prefere viajar em grandes grupos; pode ter bom nível de renda; interessa-se superficialmente por alguns aspectos da cultura local; aprecia paisagens naturais e vida silvestre (se o acesso for fácil); requer muitas facilidades e viaja apenas com condições muito confortáveis. Inclui passageiros de cruzeiros. Idade: 40 a 90 anos. Quais os tipos de Ecoturismo? Para RIBEIRO e BARROS apud SERRANO in ANSARAH (2001, p.225) no ecoturismo há quatro subcategorias: 104

106 Patrimônio Cultural e Natural 1º) Turismo do tipo Cancún - requer ampla infraestrutura e serviços, alimenta-se dos fluxos internacionais de turistas e apresenta retórica conservacionista; 2º) Turismo do tipo institucional-ambiental - visitas a unidades de conservação (guiadas); atende a regras préestabelecidas para visitação; 3º) Turismo do tipo aventura de luxo pseudocientíficohumanista - utiliza serviços seguros e confortáveis; tem habitualmente a presença de personalidades ou autoridades ambientalistas como guia na visita à mãe natureza e (a) o bom selvagem ; 4º) Turismo tipo aventura desportista de grupo - atividade de esporte radical; exige pouco investimento fixo, mas em geral proporciona alto retorno, tendo por base ideologias ambientalistas. Inter-relação entre turismo e meio ambiente A inter-relação existente entre turismo e meio ambiente é indiscutível, visto que o meio ambiente é matéria-prima da atividade turística. O modo de vida conturbado das grandes metrópoles induz cada vez mais pessoas a procurar regiões com belezas naturais em seu período de férias e fins de semana. Porém, esse fluxo de turistas traz consequências negativas ao meio ambiente. A urbanização e a ocupação das áreas naturais fazem com que o meio ambiente se torne poluído devido à presença em massa dos turistas no litoral. Além disso, a alta concentração desses turistas e a sazonalidade estimulam a poluição das águas e o acúmulo de detritos deixados na areia. As poluições visuais (provocadas pela especulação imobiliária, construção de hotéis e restaurantes) descaracterizam a paisagem. Essas consequências devem ser avaliadas e minimizadas antes que a degradação a esse patrimônio natural seja inevitável. Para isso é necessário definir diretrizes para uma política de turismo voltada para o meio ambiente, determinando os limites suportáveis e compatíveis para cada espaço. Unidade 3 105

107 Universidade do Sul de Santa Catarina A razão pela qual o homem agride a natureza se dá pelo fato de ele estar sendo agredido em seu próprio meio, cujas manifestações se encontram na violência e na poluição sonora e atmosférica. De acordo com RUSCHMANN (1999, p.19) trata-se de um círculo vicioso que é preciso romper por meio de planejamento dos grandes centros urbanos e de medidas enérgicas que visem à conscientização para a preservação dos meios naturais, promovendo a sua conservação e perenização. Contudo, a atividade turística não causa somente danos ao meio ambiente, mas traz algumas vantagens: a criação de programas de conservação de áreas naturais e de sítios arqueológicos; lança empreendedores turísticos que visam manter a atratividade dos recursos naturais; permite a valorização e o conhecimento de determinadas regiões através do turismo ecológico; arrecada impostos, taxas e ingressos que faz com que a infraestrutura turística seja ampliada; possibilita o intercâmbio cultural entre turistas e a comunidade local; contribui com a economia (ocorrendo um aumento e melhora na distribuição de renda); percebe a racionalização dos espaços e do convívio com a natureza. Ainda de acordo com RUSCHMANN (1999, p. 82): [...] o relacionamento do turismo com o meio ambiente está longe de ser simples. Numerosas situações de conflito são registradas e, diante de sua fragilidade, cada medida ou precaução pode gerar um efeito perverso, difícil de controlar. O desafio reside em encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento da atividade e a proteção ambiental. As fases do relacionamento entre o turismo e o meio ambiente serão apresentadas a seguir, como forma de poder se consolidar o entendimento e a aprendizagem desta importante variável. Fases do relacionamento entre turismo e meio ambiente A relação entre o turismo e o meio ambiente não tem sido muito harmoniosa. Mas, atualmente, aparecem vestígios de que sua interação seja crescente e vantajosa para ambos. 106

108 Patrimônio Cultural e Natural Vários estudos desenvolvidos na França (Ministère de L Environnement et Tourisme 1992, p. 16) apresentam quatro fases do relacionamento do turismo e do meio ambiente. A primeira fase ocorreu no século XVIII e caracterizou-se pela descoberta da natureza e das comunidades receptoras. Suas motivações baseavam-se no convívio, no alcance de lugares onde a industrialização ainda não havia chegado ou nos ambientes turísticos expandidos à beira-mar para o bronzeamento e para banhos. Foi a fase do relacionamento e dos primeiros equipamentos turísticos. Na segunda fase ocorreu um turismo de elite (final do século XIX e início do XX). Nessa época a especulação imobiliária intensificou-se devido ao aumento da demanda turística, originando os centros turísticos mais antigos da Europa, muito conhecido atualmente. Não havia a preocupação com a conservação do meio ambiente, haja vista o crescimento da construção civil. Conforme RUSCHMANN (1999, p. 20): [...] trata-se da fase na qual a natureza é domesticada, porém, não necessariamente esquecida, pois as empresas turísticas limitavam-se seus produtos às estações e ao seu entorno, onde a natureza e as civilizações tradicionais tinham seus direitos garantidos. A terceira fase corresponde ao turismo de massa e ocorreu a partir de 1950 e teve seu apogeu nos anos de 1970 e Foi um período catastrófico para a conservação ambiental, caracterizando-se pelo domínio do turismo sobre a natureza - nessa fase a demanda turística cresceu assustadoramente. As cidades não cresceram na mesma proporção; elas foram urbanizadas, porém, sem o devido planejamento e não na medida que a demanda necessitava. O crescimento foi desordenado, faltava saneamento básico e tratamento de esgoto. A infraestrutura turística, como a criação de marinas, portos e de estações de inverno ficou a desejar. Unidade 3 107

109 Universidade do Sul de Santa Catarina Na metade da década de 1980 surge a quarta fase. Esse é o período onde o turismo ecológico se propaga em certas localidades turísticas, evitando a ocupação de todos os espaços. Aparecem esportes como o rafting (descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios); o mountain bike (passeios de bicicletas especialmente adaptadas para trilhas); e uma série de novos esportes que necessitam de uma natureza preservada. Trata-se da renovação do turismo, que busca a tranquilidade, a aventura, a preservação, a educação e o conhecimento aprofundado das regiões visitadas. Você certamente já presenciou algum ato de depredação ou de agressão ao meio ambiente, seja no ato da ocorrência, ou mesmo depois do ocorrido. Neste sentido, utilize o espaço abaixo para: a) descrever o local do ocorrido; b) descrever qual tipo de agressão você presenciou; c) citar as medidas ou as ações tomadas (no sentido de denunciar e/ou evitar que ocorresse a agressão). No escopo desta seção 2, foi possível destacarmos para seu conhecimento diversos aspectos relacionados à evolução histórica do ecoturismo, bem como definições sobre o meio ambiente, conceitos sobre ecoturismo e a tipologia de ecoturistas. A próxima seção desta unidade trará à tona aspectos importantes sobre o desenvolvimento da educação ambiental mundial, tópico de suma importância para se poder relacionar variáveis no escopo do patrimônio natural e sua importância para a atividade turística. - Preparados para adentrarmos nesta nova etapa? Boa sorte e bons estudos! 108

110 Patrimônio Cultural e Natural Seção 3 O desenvolvimento da educação ambiental no mundo O marco inicial de discussão sobre o desenvolvimento do meio ambiente é a Conferência de Estocolmo, organizada pela ONU em É essa situação que desencadeará uma série de debates e conferências internacionais e fará emergir dada a percepção de que os problemas relacionados aos recursos naturais e sua apropriação e conservação derivam da cultura e não exclusivamente da natureza a necessidade de se trabalhar também com os sujeitos que dão sustentação a tal cultura e estilo de vida, passando assim pela reflexão sobre as necessidades humanas e pelos valores socialmente construídos, através da educação ambiental... (SERRANO in: ANSARAH, 2001, p.212). Em meio a tais discussões, foi anunciada, primeiramente em 1975, a definição de educação ambiental no documento do primeiro encontro realizado para debater formas de ação entre populações do planeta: a Carta de Belgrado. Esta carta declara que a meta da educação ambiental é: desenvolver um cidadão consciente do ambiente total, preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, atitudes, motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir os futuros. Após esse encontro, três conferências internacionais contribuíram para novos pensamentos e novas práticas para o desenvolvimento da educação ambiental: Tiblisi (Geórgia, antiga URSS), em 1977; Moscou (Rússia), em 1987 e Thessaloniki (Grécia), em Outro momento importante no aparecimento da educação ambiental é o da conferência das Nações Unidas, conhecida como ECO-92. Porém, desde o primeiro momento em que os seres humanos começaram a interagir com o mundo ao seu redor e a ensinar seus filhos a fazerem o mesmo, estava havendo educação e educação Unidade 3 109

111 Universidade do Sul de Santa Catarina ambiental. Os povos nativos, por exemplo, desenvolveram uma percepção sofisticada dos sistemas naturais que os rodeavam e um profundo respeito por eles, passando esse conhecimento e respeito de geração a geração. Com o passar do tempo, mudaram as razões subjacentes e os modos de fazer isso. Inicialmente, a relação com o meio ambiente estava ligada tão visceralmente à questão da sobrevivência que nenhuma outra razão era mais necessária. Tratava-se de uma relação que dizia respeito a como viver num mundo cuja natureza era externa e mais poderosa do que os homens. O conhecimento ambiental era também necessário para a proteção contra os ataques da natureza e para o aproveitamento de riquezas. Porém, a interação entre os homens e o ambiente ultrapassou a questão da simples sobrevivência. A natureza mostrou-se também fonte de alegria, beleza, identidade e status pessoal, de inspiração para música, arte, enfim, valores internos e perenes pelos quais se quer lutar. Com a urbanização e evolução da civilização humana, a percepção do ambiente mudou drasticamente. A natureza começou a ocupar uma posição de subserviência em relação à humanidade. Passou a ser conhecida para que fosse dominada e explorada. A parte da natureza considerada inútil era estudada basicamente para satisfazer a curiosidade das pessoas a respeito do seu mundo. O estudo do meio ambiente tornava-se ora uma ciência prática de extração de recursos, ora um estudo do mundo natural. Nos dois casos a natureza era considerada como algo separado e inferior à sociedade humana. No fim dos anos 1960 e início dos 1970 muitos problemas ambientais reais e urgentes tornaram-se gritantes. Desertos foram se espalhando, a poluição do ar ameaçava a saúde dos moradores das cidades, lagos secaram e os solos erodiram. Muitos desses problemas ultrapassaram as fronteiras do país; eram os resultados do destempero de processos ambientais regionais ou mesmo globais, devido ao enorme impacto causado pela atividade humana. Esses problemas não se encaixam em projetos educativos 110

112 Patrimônio Cultural e Natural ou disciplinas científicas isoladas. Ilustram o fato de que a vida humana depende de processos naturais complexos e que não podem suportar uma quantidade ilimitada de abusos. Assim, para que esses processos se desenvolvam bem, é necessário levá-los em conta, começar a entendê-los melhor e redirecionar as atividades humanas. A natureza passou a ser vista como algo afetado, em geral de maneira desastrosa, pela ação do homem. Por isso, o conhecimento torna-se necessário para proteger a natureza e corrigir os erros ecológicos. As pessoas precisam gerenciar a saúde do ambiente e protegê-la contra os ataques insensatos do homem. Por essa razão, a educação ambiental é necessária para o gerenciamento criterioso da combinação economia e ambiente. A educação formal se institucionalizou através das escolas, que, ao se configurar como educação ambiental, passou a integrar muitos tópicos de programas e de muitas disciplinas, mas firmou suas bases especialmente nas ciências. A sociedade e a natureza interagem afetando-se mutuamente, porém, ambas são importantes; crescem e desaparecem juntas. O homem é o guardião da natureza, deve saber até que ponto pode explorar sem prejudicar o meio ambiente; a conscientização deve começar na família, se estender na escola e seguir juntamente com a evolução do ser humano no mundo. Compreender isso é necessário para promover ações, invenções e organizações sociais que respeitem a viabilidade, estabilidade e produtividade, tanto da sociedade humana como dos sistemas naturais. Podemos dizer que a educação ambiental é o maior diferencial do ecoturismo e deve estar presente em todas as instituições de ensino (fundamental, médio e superior). Deve também estar entrelaçada a todas as disciplinas e promover o pensamento crítico sobre a problemática social e ambiental. Cabe ainda prover conhecimento teórico e prático a fim de desenvolver formas de produção verdes e melhorar a qualidade de vida e o bem-estar social. Unidade 3 111

113 Universidade do Sul de Santa Catarina Há a necessidade, neste contexto, de se saber por que é importante conhecer as nuances que envolvem a necessidade da preservação ambiental: a própria sobrevivência da espécie humana está condicionada a esta percepção. A importância da conscientização da preservação ambiental Atualmente as pessoas estão mais conscientes das realidades mundiais. Estamos começando a compreender os efeitos de nossas ações individuais e coletivas para nós mesmos e para o meio ambiente. O conceito de sustentabilidade é, em si, reflexo dessa nova consciência. Segundo a UNESCO (1999, p.72) Talvez estejamos avançando para uma nova ética mundial que transcende todos os demais sistemas de lealdade e crenças, uma ética que tem suas raízes na consciência do caráter inter-relacionado e sagrado da vida. Os atuais e crescentes interesses e preocupações em torno da questão ambiental redimem e dimensionam a persistente ação agressiva do homem na degradação ecológica do passado para um maior respeito e convivência harmônica com a natureza. Uma das prioridades da sociedade deve ser a qualidade e o alcance da educação e da reestruturação de seus objetivos, para um maior reconhecimento do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. A educação como geradora de cidadãos ecologicamente responsáveis A educação é o meio mais eficaz que a sociedade possui para enfrentar os desafios relativos ao meio ambiente. O acesso à educação é questão fundamental para uma participação ativa em todos os níveis do mundo moderno. É parte vital de todos os esforços que se façam para imaginar e criar novas relações entre as pessoas e para desenvolver maior respeito pelas necessidades do meio ambiente. 112

114 Patrimônio Cultural e Natural Para a UNESCO (1999, p. 34) O progresso depende, em grau crescente, do rendimento das mentes educadas em matéria de pesquisa, invenção, inovação e adaptação. A educação serve a sociedade de modos variados e seu objetivo é formar pessoas sábias e responsáveis no que diz respeito ao meio ambiente. É evidente que as raízes de uma educação para o desenvolvimento sustentável estão implantadas na Educação Ambiental. Apesar de não ser a única disciplina com importante papel a cumprir no processo de reorientação, constitui aliada importante. Desde o início de sua trajetória, a educação ambiental esforçou-se em alcançar metas e resultados similares ao conceito de sustentabilidade. Com o tempo, a educação também influencia a cultura e a sociedade, sua preocupação agora volta-se às práticas de desenvolvimento não sustentável e à capacidade de enfrentar e de induzir mudanças. Na realidade, o potencial da educação é enorme: não apenas permite informar a pessoa, mas também conscientizá-la. Segundo a UNESCO (1999, p.73): A educação incrementa a capacidade das pessoas de transformar suas ideias sobre a sociedade em realidades funcionais. É por isso que a educação constitui o principal agente de transformação para o desenvolvimento sustentável. Interpretação ambiental É uma atividade educacional que aspira revelar os significados e as relações por meio de objetos originais, experimentos de primeira mão e meios ilustrativos, ao invés de simplesmente comunicar informação literal. Sendo a interpretação uma atividade educativa, os significados do patrimônio natural e cultural de uma área são traduzidos para a linguagem comum dos visitantes. No entanto, é o tipo de abordagem o que a diferencia de outras formas de transferência de informação. Unidade 3 113

115 Universidade do Sul de Santa Catarina A interpretação ambiental é uma técnica didática, flexível e moldável às mais diversas situações, que busca esclarecer os fenômenos de natureza para determinado público alvo, em linguagem adequada e acessível, utilizando os mais variados meios auxiliares para tal. A interpretação procura promover neste público o sentimento de pertinência à natureza, através da sua transformação intima em relação aos recursos naturais, da sua compreensão e de seu entendimento, na esperança de gerar seu interesse, sua consideração e seu respeito pela natureza e, conseqüentemente, pela vida. (LEMOS, 1999, p. 154). Para o desenvolvimento das possibilidades interpretativas das Unidades de Conservação, podem ser utilizados variados meios, métodos e técnicas. Como são classificados? Vamos conhecer? Os diversos meios interpretativos podem ser classificados como: a) Meios não personalizados: não utilizam pessoas diretamente, apenas objetos ou aparatos. Ex.: sinalização através de placas indicativas. b) Meios personalizados: implicam na interação entre o público e uma pessoa que é guia ou intérprete. Ex.: trilhas guiadas. Ao encerrarmos mais esta seção, penúltima da unidade 3, pudemos estudar e aprender sobre como se deu e ainda se dá o desenvolvimento da educação ambiental no mundo. Não restam dúvidas de que este riquíssimo e vasto patrimônio natural, legado da evolução de milhões de anos no planeta Terra, jamais experimentou uma época de tanta devastação como a que ocorre sistematicamente desde os primórdios da Revolução Industrial (final do século XVIII e início do XIX). Tecnologias modernas, comunicações praticamente instantâneas, além de outras comodidades, ainda não conseguiram substituir de forma eficaz a necessidade premente e única da educação ambiental em nível mundial. 114

116 Patrimônio Cultural e Natural A próxima e última seção desta unidade abordará aspectos concernentes às potencialidades ecoturísticas. Espero que estejam aproveitando os conteúdos e que os mesmos sirvam de ferramenta para uma reflexão acerca da nossa interação com o patrimônio natural. Seção 4 Potencialidades Ecoturísticas Todos os conceitos emitidos sobre turismo ecológico permitem estabelecer uma aproximação muito estreita com três aspectos importantes: educação ambiental, desenvolvida através de observação e interpretação da natureza; atividade física, desenvolvida nas caminhadas e nas práticas esportivas no meio natural; e a convivência em grupo, onde os participantes da atividade ecoturística compartilham de forma solidária esta experiência. As informações contidas nesta seção foram adaptadas com base na seguinte obra: PIRES, Paulo dos Santos. Turismo e Ecologia: apostila do Curso de Pós-Graduação (lato sensu) em Turismo: gestão, planejamento e marketing. Balneário Camboriú: UNIVALI, De acordo com PIRES (1999, p.27) O aproveitamento do potencial contido nestes três aspectos, abre um vasto campo para a exploração ecoturística de paisagens e de atrativos da natureza cuja existência abundante e diversificada no Brasil, ainda está por ser adequadamente aproveitada. Conceitualmente qualquer área natural ou mesmo rural proporciona condições para o desenvolvimento do turismo ecológico. Porém, existem ambientes cujas paisagens e recursos naturais possuem um potencial maior. Neste sentido, alguns fatores costumam ser determinantes para a valorização ecoturística de tais áreas, dentre eles, podem ser reconhecidos: a) a presença de contrastes paisagísticos ou limites entre dois ou mais ecossistemas diferentes. Ex.: praia/ floresta, lagoa/montanha; b) a existência de variedade paisagística ou presença de diferentes estruturas naturais representadas por formas, cores, linhas e texturas, localizadas num espaço territorial relativamente pequeno; c) a força da paisagem expressa pela presença de determinados componentes cuja imponência a torna Unidade 3 115

117 Universidade do Sul de Santa Catarina chamativa. Ex.: cadeia de grandes montanhas, uma grande cachoeira; d) a singularidade da paisagem, o que a destaca por possuir alguma característica sobressalente em função de sua raridade e escassez, tanto em nível local, regional, nacional ou internacional. A singularidade pode estar relacionada a fatores ecológicos, geomorfológicos ou culturais; e) a naturalidade da paisagem e o grau de preservação de suas características originais. Quanto mais natural e com menos interferência humana, mais valor ela terá. Turismo ecológico em áreas naturais protegidas No processo de planejamento das áreas naturais protegidas está previsto a elaboração de um Plano de Manejo para cada Unidade de Conservação. Este passará a se constituir num instrumento de gestão que apoiará a definição e administração das atividades que poderão ou não ser desenvolvidas dentro de cada uma delas. Zoneamento O zoneamento é uma das primeiras providências tomadas durante a elaboração de Plano de Manejo de uma Unidade de Conservação. Consiste na divisão do território da Unidade de Conservação em partes homogêneas, atendendo a critérios ecológicos e de destinação de uso. A categoria de manejo Parque Nacional é, atualmente, a única a ter um Plano de Manejo contendo uma proposta de zoneamento e um programa já elaborado para várias Unidades de Conservação no país. O zoneamento adotado tem sido o seguinte: a) Zona Intangível: deverá estar pouco ou nada alterada, permanecerá intacta e com uso proibido; b) Zona Primitiva: também deverá estar pouco alterada e seu uso deve ser restrito e eventual; c) Zona de Uso Extensivo: possui algumas alterações e uso restrito à circulação e atividades esparsas; 116

118 Patrimônio Cultural e Natural d) Zona de Uso Intensivo: pode ser significativamente alterada e concentrar a maior parte dos serviços e atividades da Unidade de Conservação; e) Zona de Uso Especial: destinada à moradia, serviços de administração, manutenção e proteção da Unidade de Conservação; f) Zona Histórico-Cultural: quando ocorrerem sítios especiais que abriguem estas características; g) Zona de Recuperação: áreas que precisam ser recuperadas. São zonas temporárias. Programas Todas as atividades previsíveis numa Unidade de Conservação devem fazer parte dos programas de manejo. Se uma determinada área contempla nos seus objetivos de manejo as atividades de turismo, então deverá ser desenvolvido um capítulo específico destinado a detalhar e normatizar tal atividade. Os programas estabelecem e detalham as atividades a serem desenvolvidas na Unidade de Conservação dentro de cada zona definida, visando cumprir os objetivos de manejo em função de suas próprias categorias. Os programas são divididos em subprogramas, e estes, em projetos específicos. Categorias de manejo que permitem o ecoturismo Dentre as nove categorias de manejo propostas para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, seguem as sete cujos objetivos permitem a prática do ecoturismo. Parque Nacional São áreas terrestres e/ou marinhas extensas. Contém um ou mais ecossistemas naturais preservados ou pouco alterados pela ação humana. São dotados de atributos naturais ou paisagísticos notáveis, e possuem ecossistemas ou sítios geológicos de grande interesse científico e educacional. Unidade 3 117

119 Universidade do Sul de Santa Catarina É permitida a visitação sob controle, porém condicionada a atividades específicas (culturais, educativas e turísticas). Os parques devem contar com um Plano de Manejo cujo zoneamento defina, entre outras, uma área de preservação integral vedada ao público e áreas destinadas à recreação e educação ambiental, com trilhas interpretativas e centro de visitantes. Monumento Natural São áreas terrestres e/ou marinhas contendo um ou mais sítios com características abióticas naturais de importância relevante que, por sua singularidade, raridade, beleza ou vulnerabilidade, corram o risco de se tornar ameaçados e necessitar de proteção. A área deve conter, em condições naturais, formações geológicas pouco comuns, sítios arqueológicos e, eventualmente, sítios históricos. As atividades turísticas podem ser desenvolvidas sob controle. As alterações do ambiente, as instalações e vias de acesso devem ser limitadas ao mínimo, sem prejuízo das características a preservar, e sempre em proveito exclusivo dos objetivos de manejo. As atividades de pesquisa devem ser sempre devidamente autorizadas. Refúgios da Vida Silvestre São áreas terrestres e/ou marinhas em que a proteção e o manejo são necessários para assegurar a existência e a reprodução de determinadas espécies de animais e vegetais, ou comunidades de fauna e flora residentes ou migratórias de importância significativa. A visitação pública pode ser permitida, dependendo das condições particulares de cada caso, e deve sempre prevalecer as necessidades de conservação da natureza. 118

120 Patrimônio Cultural e Natural Reservas de Fauna São áreas contendo populações de espécies animais nativas e habitats adequados para a produção de proteínas de origem animal, ou para a observação da fauna. A utilização dos recursos da fauna será sempre feita mediante manejo cientificamente conduzido e sustentado, e sob permanente controle governamental. É permitido o acesso controlado ao público, segundo critérios a serem estabelecidos pela autoridade responsável pela área. O turismo de manejo desta categoria inclui a oferta de turismo ecológico. Áreas de Proteção Ambiental São áreas terrestres e/ou marinhas de configuração e tamanhos variáveis, submetidas a modalidades de manejo diversas, podendo compreender ampla gama de paisagens naturais, semi-naturais ou alteradas com características notáveis e dotadas de atributos bióticos, estéticos ou culturais que exijam proteção para assegurar o bem-estar das populações humanas, conservar ou melhorar as condições ecológicas locais ou preservar paisagens e atributos naturais e culturais importantes. O conceito amplo de Área de Proteção Ambiental admite que esta categoria se aplique à proteção paisagística e ecológica de faixa de terras ao longo de estradas e rios, com atributos naturais importantes e valor panorâmico, cultural, educativo e recreativo. As atividades turísticas são admitidas desde que se harmonizem com os objetivos específicos de cada área de proteção ambiental. Florestas Nacionais São áreas extensas, com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas, que ofereçam condições para a produção sustentável de madeira e de outros produtos florestais, Unidade 3 119

121 Universidade do Sul de Santa Catarina proteção de recursos hídricos, manejo de fauna silvestre e recreação ao ar livre. A característica fundamental é o uso múltiplo dos recursos. O acesso ao público é permitido, subordinados aos objetivos de manejo e de acordo com cada situação, conforme estabelecido no Plano de Manejo. Reservas Extrativistas São áreas naturais ou pouco alteradas, ocupadas por grupos sociais que tenham como fonte de sobrevivência a coleta de produtos da flora nativa, e que a realizem segundo formas tradicionais de atividade econômica puramente extrativista e de acordo com plano de manejos previamente estabelecidos. A característica fundamental desta categoria é facultar, através do uso sustentado, a manutenção de populações que vivam do extrativismo, compatibilizando-a com a conservação de extensas áreas naturais. Além da extração de produtos nativos, notadamente látex, resinas e frutos, somente serão toleradas atividades de subsistência, para o que são permitidas alterações antrópicas em até 5% da área, sendo proibida a extração comercial de madeira. É permitido o turismo educativo para mostrar como a atividade extrativista se harmoniza com o ambiente e a riqueza de produtos que podem ser obtidos da natureza. Atrativos ecoturísticos da natureza Atrativos ecológicos e paisagísticos existem em toda parte e não somente em área protegida por lei, até porque estas procuram preservar e representar apenas uma amostra dos diferentes ambientes naturais e de seus ecossistemas. Por outro lado, isto não quer dizer que as áreas com tais atributos e que não se encontram legalmente protegidas, ou que não pertençam a um Sistema de Unidades de Conservação devam ser exploradas inadequadamente e de forma destrutiva. 120

122 Patrimônio Cultural e Natural Uma das alternativas economicamente mais promissora, ecologicamente mais saudável e socialmente mais desejável para a utilização de boa parte dessas áreas, é a sua destinação para o turismo ecológico. Existem inúmeros lugares que abrigam atrativos com um potencial latente para o ecoturismo e que pertencem, geralmente, a proprietários particulares, a posseiros ou ainda se encontram em terras devolutas do Estado. Podem ser citadas como atrativos paisagísticos e ecológicos que se enquadram perfeitamente nesta condição, os seguintes: a) Morros, montanhas: a altura de determinados morros e montanhas constitui-se num forte apelo para a prática do montanhismo, para a observação panorâmica da paisagem, para a observação da vegetação natural exclusiva destas áreas e para a prática de saltos de voo livre, entre outros; b) Cavernas: foram formadas ao longo de milhares de anos pela ação das águas sobre as fraturas de rochas, que com o desgaste contínuo provocaram a abertura de espaços e canais de diversas dimensões no seu interior. As cavernas contêm galerias e salões em que no seu interior os cursos d água formam uma complexa drenagem subterrânea. Dependendo do estágio de desenvolvimento das cavernas, formam-se as estalagmites e as estalactites de grande efeito ornamental. A ausência de luz faz com que os animais ali existentes apresentem formas de vida totalmente exclusivas, como a falta de pigmentação, a ausência de visão ou visão atrofiada, longas antenas e patas; c) Cachoeiras e saltos: constituem-se sempre em uma grande atração pela movimentação que acrescentam à paisagem, pelo seu potencial de aproveitamento recreativo em banhos e mergulhos; Unidade 3 121

123 Universidade do Sul de Santa Catarina d) Lagos e lagoas: a água presente nesses locais, juntamente com as formas vegetais naturais que se desenvolvem junto às margens, acrescentam qualidade visual à paisagem. Esses ambientes proporcionam condições para a prática de pesca esportiva e de passeios e esportes náuticos de baixo impacto; e) Praias: desfruta-se do contato saudável com o sol e o mar e também se descobrem aspectos da natureza exclusivos destes ambientes cada vez mais raros, como a vegetação pioneira da areias e das dunas, com sua característica única de adaptação ecológica, ou a vegetação de restinga com espécies de bromélias; f) Dunas: constituídas pela areia que, devido à ação dos ventos, vai formando montes sucessivos e podem atingir dimensões surpreendentes. Ao se formarem junto às praias, e à medida que vão se estabilizando com o auxílio da vegetação pioneira, que consegue se adaptar às condições ecológicas adversas, instala-se sobre as dunas, passando a oferecer uma verdadeira proteção natural contra os ventos e a erosão, fato este de grande importância para a proteção das áreas mais para o interior do continente. A vegetação pioneira das dunas, embora resistente ao sol, à salinidade e à extrema aridez da areia, é frágil e não resiste quando pisoteada, devendo, portanto, ser protegida. Além desta importante função ecológica, as dunas também proporcionam o isolamento de muitos recantos praianos, aspecto de grande apelo estético e emocional para os viajantes; g) lhas: em função do seu isolamento geográfico, impõe características muitas vezes singulares à fauna e à vegetação, adaptadas às condições especiais de vida existente nestes locais. As ilhas oceânicas encontram-se mais distantes do continente e geralmente são topos emersos na superfície do mar de grandes montanhas submarinas. É o caso das ilhas de Fernando de Noronha e Trindade. As ilhas mais próximas ao litoral são partes do continente que se separaram devido à elevação do nível do mar. As ilhas abrigam espécies de aves migratórias e da fauna aquática que ali encontra a proteção adequada para a sua alimentação e 122

124 Patrimônio Cultural e Natural reprodução. Além da oportunidade de presenciar todos esses aspectos, as pessoas podem desfrutar de banhos e mergulhos de contemplação subaquáticos; h) Baías: são áreas formadas por planícies baixas onde o mar adentra para o interior do continente e, ao mesmo tempo, estuários receptores dos rios deságuam nelas sua água doce. Em razão disto, forma-se um ecossistema exclusivo para o desenvolvimento da vegetação mangue e de uma fauna que faz desse ambiente o seu único habitat para a procriação e alimentação, gerando a cadeia alimentar de grande parte da vida marinha. As baías são ecossistemas frágeis e em muitas partes do mundo, inclusive no Brasil, já sofreram o processo de urbanização com a consequente descaracterização de sua naturalidade. Em regiões litorâneas onde ainda existem baías com alto nível de preservação e naturalidade, pode ser planejado o turismo ecológico voltado para a contemplação e o conhecimento da fauna e da flora típicas, para a pesca esportiva e para o contato cultural com as populações ribeirinhas; i) Rios e ribeirões: oferecem oportunidades para a navegação ou caminhadas de observação da natureza, onde os cursos d água representam um elo entre os diferentes ambientes e ecossistemas que ocorrem desde a sua nascente até a desembocadura em outro rio, lagoa ou mar. Nos grandes rios do centro-oeste e norte do Brasil são formados bancos de areia nas suas margens; j) Sítios arqueológicos: são colônias remanescentes de antigas culturas humanas que ainda preservam, em grande parte, suas características originais, manifestadas no folclore e nas atividades agrícolas de subsistência; k) Florestas naturais: nas suas diferentes formações, podem ser percorridas por trilhas ou por cursos d água, em grupos monitorados por guias capacitados. Nas florestas naturais há um contato direto com a diversidade e a riqueza de sua flora e fauna e há a oportunidade de observar aspectos do equilíbrio ecológico do ambiente através das associações de mútua dependência entre plantas, animais, solo e clima. Unidade 3 123

125 Universidade do Sul de Santa Catarina Estes e outros atrativos quase nunca ocorrem isolados da forma como foram relacionados, e sim compondo ambientes e ecossistemas com variados graus de complexidade e diversidade paisagística e ecológica. Muitos deles estão presentes nas próprias Unidades de Conservação e constituem a razão principal de sua criação. Os proprietários ou ocupantes das terras onde ocorrem tais atrativos, juntamente com os agentes promotores do turismo na região, podem e devem explorá-los turisticamente com perspectivas de amplas vantagens para ambos e, consequentemente, para a economia da região. Tal iniciativa, entretanto, deve ser aprovada pelos órgãos governamentais responsáveis pela gestão ambiental e turística, a fim de que se garanta a aplicação dos princípios do desenvolvimento conservacionista através do uso turístico sustentado dos recursos naturais. Áreas naturais protegidas (Unidades de Conservação - UC) São áreas que, por possuírem importantes recursos naturais ou culturais, devem ser mantidas na forma silvestre e adequadamente manejadas. De uma maneira geral, são terrenos não utilizados para fins urbanos, agropecuários ou industriais, podendo ser florestas, mangues, montanhas, campos, desertos ou pântanos, e trazem mais benefícios se forem conservados no estado em que se encontram. Unidades de Conservação são porções do território nacional, incluindo as águas territoriais, com características naturais de relevante valor, de domínio público ou propriedade privada, legalmente instituídas pelo poder público, com objetivos e limites definidos, sob regime especial de administração no qual se aplicam as garantias de proteção. 124

126 Patrimônio Cultural e Natural IMPACTOS POSITIVOS Sustentação econômica da Unidade de Conservação. Integração da Unidade de Conservação com as populações locais. Circulação de informações sobre o meio ambiente. Aumento da oferta de atividade de lazer e recreação. Ampliação da capacidade de fiscalização. Controle sobre grupos organizados. Divulgação da Unidade de Conservação. IMPACTOS NEGATIVOS Pisoteamento, compactação, erosão e abertura de atalhos em trilhas; Depredação da infraestrutura, de atrativos e de elementos naturais. Estresse e desaparecimento da fauna em razão da presença humana (provocados por barulho, cheiro e cores estranhos ao ambiente). Aumento e/ou deposição inadequada do lixo. Necessidade de sacrifício de áreas para a instalação de infraestrutura. Aumento do risco de incêndios. Quadro 3.2: Impactos positivos e negativos da atividade ecoturística em Unidades de Conservação Fonte: Pires (1999). Adaptações do autor. Síntese Nesta unidade de estudo o objetivo foi tratar de alguns aspectos de abrangência do conceito de Patrimônio Natural. Você teve a oportunidade de conhecer a evolução histórica da terminologia ecoturismo, meio ambiente, conceitos de ecoturismo e tipologia de ecoturistas, bem como a importância do desenvolvimento da educação ambiental no mundo. Com a finalidade de caracterizar as potencialidades para o desenvolvimento de atividades de ecoturismo, você teve acesso às dimensões do patrimônio natural, do turismo ecológico e do sistema de unidades de conservação. Vislumbrou num resumo da evolução histórica, alguns exemplos de práticas ambientais e formas de compreender o meio ambiente relacionado ao turismo. Unidade 3 125

127 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação 1) Leia a matéria a seguir e responda à questão solicitada: Usina de Dardanelos, crime ambiental premeditado e consolidado A construção da hidrelétrica no MT é um crime contra o patrimônio natural e ecoturístico da Amazônia, afirma o Ministério Público. São Paulo, 20 de julho de Na cidade de Aripuanã - coração da Amazônia Legal -, foi ferido de morte o Salto Dardanelos - a mais bela cachoeira de Mato Grosso, uma das mais belas do Brasil e a única no mundo bafejada por um capricho da Natureza. A construção de uma usina hidrelétrica absolutamente desnecessária e feita para atender interesses de particulares, uma vez que não há interesse público que justifique o crime ambiental que será consumado, fará desaparecer paisagens singulares, belas, exuberantes e ricas que a vista humana pôde contemplar, para dar lugar a um imenso duto de aço que vai engolir o leito do rio, no alto da sucessão de penhascos e, por gravidade, conduzir toda a água para fazer girar as turbinas de uma projetada hidrelétrica de 250 megawatts. Isso mesmo: uma usina que não vai resolver nenhum grande problema de energia elétrica da região e do país, pequena em seu tamanho como usina, mas grande em seu poder de destruição da natureza. A usina, além de não ser de interesse público, está cercada de licenciamento com vícios insanáveis e o Ministério Público do MT pôde afirmar com a força de sua autoridade que É crime ambiental. Fonte: Ecol News

128 Patrimônio Cultural e Natural Responda: Sabemos que de acordo com o conteúdo estudado ao longo desta terceira unidade, qualquer parte do nosso meio ambiente como o ar, o solo, a água, a vegetação, a fauna, dentre outros elementos naturais que o homem pode utilizar para incrementar o seu bem podem ser considerados como uso de recurso natural. A notícia denuncia um crime ambiental grave ocorrido em Faça uma pesquisa na internet buscando informações ou notícias de crimes ambientais no Brasil. Em seguida, relate o mesmo e faça suas considerações no espaço apropriado. Unidade 3 127

129 Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Leia a matéria e responda à questão que segue: Ministro defende integração do ecoturismo Durante o Encontro Nacional de Prefeitos, realizada esta semana em Brasília, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se reuniu com os prefeitos dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro para tratar sobre esgotamento sanitário, resíduos sólidos, mananciais de abastecimento urbano, Agenda 21 e Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). O ministro defendeu a integração de atividades como ecoturismo e educação ambiental nas 16 unidades de conservação fluminense. Ele destacou a criação de corredores florestais, que contam pontos para o município receber o ICMS verde, como forma de preservar o meio ambiente. Ele ressaltou a ampliação do Parque Nacional da Serra dos Órgãos como exemplo de parceria dos municípios com o governo federal. Para Minc, os parques nacionais devem ser usados como circuito de ecoturismo, gastronomia e educação ambiental, com festivais de cinema (curtas ambientais) e exposições de artes. Tem que ser uma coisa viva e interessante, que represente ganho para a população. O parque ajuda o município e o município ajuda o parque. O coordenador da Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Guilherme Franco Neto, falou aos prefeitos que meio ambiente e saúde precisam ser tratados juntos, principalmente quando relacionados ao saneamento básico e à qualidade da água, ar e solo. A questão do meio ambiente deve ser considerada um dos pontos determinantes da saúde do Brasil, defendeu Neto. Os novos prefeitos fluminenses foram aconselhados pelo presidente da Associação Estadual dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro, Vicente Guedes, a implantar um banco de projetos. Segundo Guedes, algumas prefeituras acabam perdendo recursos disponibilizados por não terem projetos. Ele citou como exemplo o município de Valença, que deixou de ser contemplado com recurso do Programa de Aceleração do Crescimento, no início do ano, por não ter projetos prontos para serem executados. A questão de resíduos sólidos é prioridade no Rio de Janeiro, segundo a secretária do Ambiente, Marilene de Oliveira. Ela afirmou que vários órgãos estão disponibilizando recursos para a realização de obras para resolver o problema dos lixões. A gente 128

130 Patrimônio Cultural e Natural só não resolve o lixo se nós não quisermos. Recursos para isso não faltam, assegurou a secretária. Atualmente, somente 15% do lixo do Brasil é tratado. Essa é a primeira vez que o governo abre esse espaço para discutir meio ambiente com os prefeitos. Minc aproveitou a presença dos prefeitos fluminenses em Brasília para o Encontro dos Novos Prefeitos e Prefeitas para convidá-los a debater a política ambiental do Rio de Janeiro em parceria com o governo federal. Fonte: Revista Fator, Responda: Estudamos ao longo desta unidade que desde 1990 muitas conferências e simpósios sobre o ecoturismo estão sendo feitos. As instituições públicas e privadas estão interessadas no tema. É o momento de colocar em prática projetos concretos que comprovem os benefícios socioeconômicos que o ecoturismo produz. A notícia da Revista Fator menciona diversas áreas de estudos e conhecimentos que, segundo as informações do artigo, devem trabalhar em conjunto para buscar soluções de preservação ambiental. Neste sentido você deverá elaborar uma breve dissertação destacando a inter-relação entre o turismo, o meio ambiente e o poder público. Unidade 3 129

131 Universidade do Sul de Santa Catarina 3) Leia, a matéria responda à questão que segue: Caminhar é um esporte que reúne todas as idades Luciana Barreiro é uma desbravadora de trilhas. Com uma mochila nas costas, que chega a pesar 20 quilos, costuma embrenhar-se no mato. Às vezes carrega até um facão para abrir caminho. E vai sempre acompanhada de um pequeno grupo, geralmente formado por homens. Para chegar a lugares deslumbrantes, já ficou dias sem tomar banho, dormiu em barraca e passou muito frio. A arquiteta de 37 anos aguenta firme dores, cansaço e todo tipo de privação. Mas, segundo garante, cada gota de suor é válida quando pratica seu esporte preferido: o trekking. O meu salário é para pagar os equipamentos e viajar, conta. Caio na estrada quase todo fim de semana, e não deixo escapar nenhum feriado. É comum voltar de viagem na madrugada de segunda-feira, tomar um banho rápido em casa e ir direto para o trabalho. A paixão por caminhadas também faz parte da vida da professora aposentada, Eliana Brito Nunes Vendramini, de 59 anos. Como é de praxe entre adeptos do trekking, ela começou a fazer programas de um dia, organizados por agências especializadas. Isso foi há mais de 10 anos, numa época em que estava triste com a doença do pai. Quando se hospedou em um hotel na praia de Juqueí, litoral paulista, viu um folheto sobre uma caminhada curta na Mata Atlântica. Deixei meu marido com o neto e fui sozinha ver como era, recorda-se. Na trilha, lembrei da minha infância no interior, dos banhos de rio. Estava numa fase de me questionar, e percebi como passamos a ser o que os outros querem e acabamos abdicando de tanta coisa na vida. Depois do primeiro passeio, Eliana engatou muitos outros. Nem a cara feia do marido, que prefere um hotel cinco estrelas a andar no mato, a intimidou. A sua jornada começou pelas trilhas brasileiras e estendeu-se para viagens internacionais. Já fez trekking na Patagônia (Argentina), Bolívia, Peru e África, chegando ao Monte Kilimanjaro, o ponto mais alto desse continente. A empolgação com caminhadas a estimulou até a andar de bicicleta na cidade. Tem gente que não gosta muito da ideia de se privar de conforto para caminhar no mato. Mas quem experimenta esse tipo de aventura raramente volta para casa insatisfeito. Para os adeptos do trekking, o mais gratificante é a sensação de liberdade proporcionada pelo convívio estreito com a natureza. O interesse crescente por esse tipo de modalidade fez surgir inúmeras agências especializadas, que passaram a oferecer caminhadas para interessados de vários perfis. Tem trilhas leves para 130

132 Patrimônio Cultural e Natural iniciantes, que duram algumas horas, até opções bem radicais, que exigem preparo físico e muita garra para suportar as dificuldades. Existem também passeios que possibilitam a participação da família inteira, incluindo idosos e crianças. Tanto é que hoje o esporte de aventura não está mais associado àquela ideia de ser uma atividade apenas para musculosos e malucos, que gostam de emoções fortes, avisa Jean-Claude Razel, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). Ele aponta para outra mudança: agora as mulheres arrastam a família, o namorado ou o marido para esse tipo de turismo. Fonte: Verde Vida, Responda: Sabemos que cada vez mais, de forma contínua, o homem urbano busca a fuga da sua rotina diária de trabalho e de estudos na forma de descanso, lazer ou mesmo fuga do estresse causado pelos grandes centros de produção. Neste sentido, faz-se premente a necessidade de se planejar a conservação, a preservação e a sustentabilidade do meio ambiente para o desenvolvimento adequado da atividade turística, já que trata-se de uma atividade significativamente predatória em relação aos espaços naturais, sempre muito sensíveis em relação à interferência humana. a) Qual a importância de se fugir do estresse e do caos urbano? b) Qual a importância do Ecoturismo para a preservação e conservação ambiental? Unidade 3 131

133 Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar conhecimentos O artigo 3 deste código sumariza, em síntese, os conteúdos trabalhados. Boa leitura! Código Mundial de Ética do Turismo, da OMT Organização Mundial do Turismo, em Artigo 3º - Turismo, fator de desenvolvimento sustentável, que seguramente sumariza todo o conteúdo visto ao longo desta unidade: 1º) É dever de todos os agentes envolvidos no desenvolvimento turístico salvaguardar o ambiente e os recursos naturais, na perspectiva de um crescimento econômico sadio, contínuo e sustentável, capaz de satisfazer equitativamente as necessidades e as aspirações das gerações presentes e futuras. 2º) Todos os tipos de desenvolvimento turístico que permitam economizar os recursos naturais raros e preciosos, principalmente a água e a energia, e que evitem, na medida do possível, a produção de dejetos. Tais atitudes devem ser privilegiadas e encorajadas pelas autoridades públicas nacionais, regionais e locais. 3º) Deve ser equacionada a distribuição no tempo e no espaço dos fluxos de turistas e de visitantes, especialmente a que resulta das licenças de férias e das férias escolares. Busca-se, ainda, um melhor equilíbrio na frequência, de forma a reduzir a pressão da atividade turística sobre o meio ambiente e a aumentar o seu impacto benéfico na indústria turística e na economia local. 132

134 Patrimônio Cultural e Natural 4º) As infraestruturas devem conceber e as atividades turísticas programadas de forma que o patrimônio natural seja protegido e constituído pelos ecossistemas e pela biodiversidade, e que sejam preservadas as espécies ameaçadas da fauna e flora selvagens. Os agentes do desenvolvimento turístico, principalmente os profissionais, devem permitir que lhes sejam impostas limitações ou obstáculos às suas atividades quando elas forem exercidas em zonas particularmente sensíveis: regiões desérticas, polares ou de altas montanhas, zonas costeiras, florestas tropicais ou zonas úmidas propícias à criação de parques naturais ou reservas protegidas. 5º) O turismo de natureza e o ecoturismo são reconhecidos como formas de turismo especialmente enriquecedoras e valorizadas, sempre que respeitem o patrimônio natural e as populações locais se ajustem à capacidade de carga dos locais turísticos. Unidade 3 133

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136 UNIDADE 4 Turismo e Meio Ambiente 4 Objetivos de aprendizagem Caracterizar a inter-relação existente entre a atividade turística e o meio ambiente. Descrever aspectos selecionados sobre impacto ambiental, legislação ambiental brasileira e desenvolvimento sustentável. Seções de estudo Seção 1 Seção 2 As relações entre turismo e meio ambiente e os impactos ambientais Legislação ambiental brasileira e desenvolvimento sustentável

137 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Ao iniciarmos esta última unidade de nosso livro didático precisamos deixar esclarecido que os temas e as variáveis a serem aqui apresentados não possuem o intuito específico de cobrir toda a vasta gama de informações que estão disponíveis e são de fácil acesso a qualquer pessoa. Isto porque os tópicos da inter-relação entre turismo e meio ambiente, bem como o de impacto ambiental e de desenvolvimento sustentável são extremamente amplos e recebem diversas interpretações, posicionamentos e abordagens, em função da situação econômica, política e social, de onde e de quem as discute. O mesmo se aplica para o tópico que versa sobre legislação ambiental brasileira, haja vista a existência, no caso do Brasil, de três níveis de administração pública, federal, estadual e municipal, o que acaba gerando uma série quase infinita de leis, normas, portarias, decretos, entre outros com vistas à regulamentação das ações voltadas ao meio ambiente. - Bons estudos! Seção 1 As relações entre turismo e meio ambiente e os impactos ambientais Atualmente já se reconhece que o mundo está enfrentando uma grande degradação ambiental. Tem-se dado atenção internacional à chuva ácida, à redução da camada de ozônio e ao consequente aquecimento do planeta e às catástrofes relacionadas ao uso inadequado dos espaços e disposição final de resíduos. Figura A era do degelo Gigantescos blocos de gelo se desprendem da plataforma Wilkins, na Antártica: o efeito mais visível do aquecimento global Fonte: Elliot (2008). Imagem disponibilizada na revista Veja on-line, edição Em muitos países práticas rudimentares de agricultura e a superpopulação estão destruindo as terras. O uso imprudente de produtos químicos e de fertilizantes está poluindo as fontes de água. A urbanização está reduzindo os espaços naturais para fins de recreação e de lazer, vendo nisso uma grande potencialidade turística. 136

138 Patrimônio Cultural e Natural O que antes foi reconhecido como problemas locais está agora atraindo a atenção mundial. Embora não seja responsável por todos esses problemas, o desenvolvimento do turismo se tornou o principal agravante em alguns países. Sem um esquema de gerenciamento para controlar os problemas, o turismo certamente irá sofrer as consequências. Os governos estão empenhando seus melhores esforços para limitar a degradação, estimulando práticas amigáveis ao meio ambiente e proibindo, de certa forma, as conhecidas ações não amigáveis ou irresponsáveis de uso e apropriação. Em relação ao ecoturismo, a experiência demonstra que grandes volumes de visitantes tendem a criar impactos proporcionalmente maiores ao meio ambiente do que grupos menores. Há uma preocupação crescente em limitar o número de turistas em certos destinos e locais, e tem-se dado mais atenção ao conceito de volume máximo (capacidade de carga) de turistas em uma localidade. Você conhece algum lugar em que o espaço é controlado por algum órgão e os visitantes têm que atender às disciplinas e normas impostas? Faça uma pesquisa e registre suas descobertas. Ecoturismo pode ser definido como o segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentivando sua conservação, ao mesmo tempo em que busca a formação de uma consciência ambientalista em seus praticantes, promovendo a melhoria da qualidade de vida das populações locais (PAPALEO, 2006). Certamente deve ter citado Fernando de Noronha, na sua pesquisa, entre outros paraísos. Acompanhe uma matéria para contextualizar suas pesquisas: Unidade 4 137

139 Universidade do Sul de Santa Catarina Figura 4.1 Tartaruga Marinha Fonte: Portal Web Luxo, (...) Todas as regras existentes em Fernando de Noronha foram criadas para preservar um dos santuários ecológicos mais preciosos do mundo. E elas funcionam bem. Hoje, apesar do número de turistas que recebe todo ano, Noronha é um lugar bem cuidado. A paisagem permanece praticamente intocada, os animais estão protegidos e não há nenhuma ameaça grave à natureza. Nesse aspecto, é um exemplo a ser seguido em outras regiões do país. Para os 3000 brasileiros que lá vivem, no entanto, a situação é complicada. Eles estão proibidos de construir novas casas porque isso agravaria o problema da falta de água e implicaria destruição ambiental. Carro novo também está temporariamente proibido de modo a evitar o crescimento da frota, que atualmente é de 400 veículos. Para reformar a casa, comprar um ar-condicionado ou trazer uma televisão do continente, é preciso ter uma autorização assinada pelo administrador do arquipélago, Sérgio Salles. Todos os visitantes são obrigados a pagar um imposto de 21,28 reais por dia a título de preservação ambiental. Como o valor da taxa aumenta com o tempo, quem fica um mês tem de pagar mais de reais. Na prática, até para casar é necessário pedir a bênção de Salles. Um noronhense casado com alguém de fora da ilha tem de provar que pode abrigar o cônjuge para que ele vire residente e fique isento da taxa. Se ele ou ela não tiver condições de acolher outra pessoa em casa, eu não permito, diz Salles. Não posso contribuir para o processo de favelização. Fonte: Sekeff (2000). 138

140 Patrimônio Cultural e Natural Muitos também são os problemas sociais em Fernando de Noronha (se tiver possibilidade, leia a matéria completa), por isso o gestor, seja administrador público ou gestor de turismo, deve ter uma postura interdisciplinar. Nada existe desvinculado ao homem. Mas se não existirem regras e normas disciplinadoras este paraíso desaparecerá em pouco tempo. Então, não há dúvidas de que a forma como o turismo utiliza o meio ambiente hoje terá consequências para o seu uso e talvez até para sua viabilidade no futuro. Tem-se dado mais ênfase ao desenvolvimento do turismo de pequena escala como uma alternativa mais amigável ao meio ambiente do que o turismo de massa. Na prática, o turismo alternativo é um termo falso. Em muitos países, o turismo de pequena escala pode ser apropriado para certos locais, mas não é considerada uma alternativa séria às chegadas de visitantes em grande volume. Nos países em desenvolvimento, em particular, grandes volumes de turistas são essenciais para gerar economias de escala e fornecer o impulso ao desenvolvimento. O turismo em larga escala não deve ser considerado sinônimo de desenvolvimento não amigável ao ambiente. Ele requer um planejamento cuidadoso que inclua a avaliação dos elementos ambientais e sociais. Como consequência das preocupações globais acerca do meio ambiente, os planejadores do turismo estão agora mais conscientes de sua responsabilidade na preservação dos ecossistemas para as gerações futuras. O gestor em turismo deve entender que o relacionamento entre o meio ambiente e o turismo é muito próximo. Muitos recursos do meio ambiente natural são atrativos para os turistas, mas na maioria das vezes precisa ser trabalhado para se tornar um produto turístico. As instalações e infraestrutura do turismo compreendem um aspecto do meio ambiente construído. A Declaração de Manila da OMT Organização Mundial do Turismo, adotada em 1980, enfatiza a importância dos recursos naturais e culturais no desenvolvimento do turismo e a necessidade de se conservarem os recursos para o benefício tanto do turismo, quanto dos residentes da área turística. Unidade 4 139

141 Universidade do Sul de Santa Catarina A Declaração em conjunto da OMT e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que em 1992 formalizou a coordenação entre agências sobre o turismo e o desenvolvimento, constata: A proteção, a otimização e as melhorias dos diversos componentes do meio ambiente estão entre as condições fundamentais para o desenvolvimento harmonioso do turismo. Da mesma forma, o gerenciamento racional do turismo pode contribuir em grande parte para a proteção e o desenvolvimento do meio ambiente físico e da herança cultural, bem como para a melhoria da qualidade de vida. A proteção, a otimização e as melhorias dos diversos componentes do meio ambiente estão entre as condições fundamentais para o desenvolvimento harmonioso do turismo. Da mesma forma, o gerenciamento racional do turismo pode contribuir em grande parte para a proteção e o desenvolvimento do meio ambiente físico e da herança cultural, bem como para a melhoria da qualidade de vida. IMPACTOS AMBIENTAIS Você sabe que se deve levar em consideração que nosso planeta é composto por muitos ecossistemas e ambientes com características próprias, não podendo haver um padrão único para o estudo, não é mesmo? Assim, não existe uma relação do ser humano sem o meio, certo? Portanto, pode-se afirmar que é impossível o homem viver no planeta sem transformá-lo, seja o ambiente natural ou artificial. O homem já começa a destruir o seu meio no próprio local de trabalho - desgaste físico, violência, doenças causadas pela poluição urbana etc., - necessitando de uma fuga. Essa indigência faz com que surjam os interesses pelo turismo, por uma busca para aliviar as tensões e o estresse do cotidiano. 140

142 Patrimônio Cultural e Natural De acordo com RUSCHMANN (2003), há um grande fluxo de turistas que procura afastar-se do estresse e da falta de verde, típicos da vida urbana, o que pode resultar em um comportamento alienado em relação ao meio que visita. A autora afirma que os turistas não possuem uma cultura turística e entendem que seu tempo livre é sagrado, e que por isso têm o direito de usufruir pelo que pagaram de modo que não se sentem responsáveis pela degradação do meio ambiente. A relação entre turismo e meio ambiente é indiscutível, uma vez que o último constitui a matéria-prima da atividade turística. O meio ambiente é um elemento e um ingrediente fundamental do produto turístico que não tem preço fixo dentro de um sistema de mercado e, como tal, sempre será super explorado. Esta é também uma questão de sustentabilidade, mas não só isto, veja: O físico Fritjof Capra (2001) considera a sustentabilidade como a consequência de um complexo padrão de organização que apresenta cinco características básicas: interdependência, reciclagem, parceira, flexibilidade e diversidade. O autor sugere que, se estas características, forem aplicadas às sociedades humanas, essas sociedades também poderão alcançar a sustentabilidade. Portanto, segundo a visão de Capra, sustentável não se refere apenas ao tipo de interação humana com o mundo que preserva ou conserva o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras, ou que visa unicamente a manutenção prolongada de entes ou processos econômicos, sociais, culturais, políticos, institucionais ou físico-territoriais, mas uma função complexa, que combina de uma maneira particular cinco variáveis de estado relacionadas às características anteriormente citadas. (PAPAPLEO, 2006). Note que o acelerado crescimento do turismo nos anos 1950 e o aperfeiçoamento do homem em relação à natureza fizeram com que o processo de degradação ambiental aumentasse. Os indicadores apontam para um crescimento contínuo da atividade, em cerca de 4% a 5% ao ano e consequentemente, os impactos sobre o meio ambiente também se intensificarão (RUSCHMANN, 1997, p.34). Unidade 4 141

143 Universidade do Sul de Santa Catarina Vamos agora a uma segunda pesquisa: Que lugar na sua região você destacaria como espaço natural com potencial para desenvolver atividades de turismo, mas que não há nenhuma preocupação com a conservação do meio ambiente (não há disciplinamento no que tange a normas para o uso do espaço)? Faça uma pesquisa e relacione suas buscas, vamos usar estas pesquisas nos estudos da disciplina. Você deve ter percebido com esta investigação que no momento em que a atividade turística acontece, o ambiente é inevitavelmente modificado. Os impactos ambientais advindos do turismo se dão devido às modificações e transformações que essa atividade ocasiona no meio natural. Segundo PAPALEO (2006), O ecoturismo praticado no Brasil, em muitos casos, é uma atividade desordenada e impulsionada pela oportunidade mercadológica, comprometendo os recursos existentes. Neste contexto, a autora citada destaca a Amazônia Legal como o maior expoente brasileiro no que tange ao potencial para o turismo de natureza. 142

144 Patrimônio Cultural e Natural A Amazônia é um dos muitos lugares procurados por turistas brasileiros e estrangeiros. Há uma mobilização no sentido de uma normatização. 10% defendem regras internacionais para preservação da Amazônia, diz pesquisa Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira mostra que a maioria dos brasileiros é favorável à preservação da floresta Amazônica com regras impostas pelo governo brasileiro, sem a interferência internacional. No total, 70,9% dos entrevistados defendem que o Brasil deveria preservar a floresta de acordo com suas próprias regras, contra 2,3% favoráveis à sua internacionalização. Outros 10,9% dos entrevistados responderam que a Amazônia deveria ser preservada com regras internacionais e 5,9% se mostraram indiferentes - afirmando que o governo pode fazer o que quiser com a floresta. Os brasileiros estão divididos, porém, no que diz respeito aos recursos financeiros aplicados na preservação da floresta. Enquanto 42,9% dos entrevistados defendem que a comunidade internacional deveria contribuir financeiramente para preservar a Amazônia, outros 47,2% acreditam que essa é uma responsabilidade do Brasil. Dez por centro dos entrevistados não responderam. A maioria dos entrevistados (36,1%) avalia que as discussões sobre o futuro da Amazônia são do âmbito político-econômico, enquanto 25,7% acreditam que sua natureza é ecológica e de preservação do meio ambiente. Fonte: GUERREIRO (2009). Ruschmann (1999) destaca que os impactos são resultados de um processo de interação complexo entre os turistas, as comunidades e os meios receptores, e não de uma causa específica, e assim entendemos que regras são necessárias. Unidade 4 143

145 Universidade do Sul de Santa Catarina Papaleo (2006) defendeu que existe um consenso mundial de que o turismo sustentável deve se firmar em quatro pilares, conforme segue: o ambiental, principal fonte de matéria prima dos atrativos; o social, e aí se entende sua abrangência: a comunidade receptora, o patrimônio histórico-cultural e a interação com os visitantes, ao mesmo tempo em que eleva o padrão de vida e a autoestima dessa comunidade; o econômico, com todos os inter-relacionamentos e interdependências da cadeia produtiva. O pilar econômico permite articulação com a identificação correta de suas unidades de produção e de negócios, para estabelecer uma rede de empresas que atue de forma integrada, proativa e interativa e obtenha níveis de comparatividade e produtividade para o alcance de competitividade; o político, que se instrumentaliza mediante estratégias de gestão que possibilitem coordenar as iniciativas locais na criação de um entorno emulativo de produção, favorecendo o desenvolvimento sustentável. Com o grande aumento da indústria turística, considerando as dimensões apresentadas, houve a necessidade de aumentar e instalar a infraestrutura (meios de hospedagens, restaurantes, saneamento básico etc.), porém ela foi instalada de forma inadequada, sem saber os seus efeitos sobre o ambiente local. Os impactos do turismo em ambientes naturais estão associados tanto à colocação de infraestrutura nos territórios para que o turismo possa acontecer com a circulação de pessoas que a prática turística promove nos lugares. (...) meios de hospedagem edificados em áreas não urbanizadas bem como outras infraestruturas a eles associados podem representar riscos importantes de desestabilização dos ecossistemas em que se inserem (CRUZ, 2003, p.31). 144

146 Patrimônio Cultural e Natural O turismo pode gerar impactos ambientais tanto positivos quanto negativos, dependendo de como o desenvolvimento é planejado e controlado. Os principais impactos são destacados a seguir: TIPO DE IMPACTO Poluição da água Poluição do ar Poluição sonora Poluição visual CARACTERÍSTICAS Se não for instalado um sistema de tratamento de esgoto em um hotel, resort ou em outras instalações turísticas, ele pode poluir o lençol d água subterrâneo; ou se a saída da água de esgoto tiver sido construída em um rio próximo ou em uma área costeira, mas a água do esgoto não tiver sido tratada adequadamente, o efluente irá poluir o parque aquático. Essa situação é comum em áreas de resort de praias onde o hotel constrói saídas de esgoto nas áreas adjacentes ao parque aquático usado pelos turistas, como na área de Pattaya Beach Resort, na Tailândia. O uso da Bandeira Azul como símbolo utilizado pela Comunidade Europeia (para designar áreas aquáticas e praias limpas) tem o objetivo de informar aos usuários potenciais sobre praias com padrões relativos de limpeza. O turismo é em geral considerado uma indústria limpa, mas o desenvolvimento do turismo pode causar poluição do ar, resultado do excesso de tráfego de veículos utilizados por turistas em uma determinada área, especialmente em locais onde ocorre a oferta turística. O barulho gerado pela concentração de turistas, por veículos de turistas e, às vezes, por certos tipos de atrações turísticas, como parque de diversões ou corridas de carros ou motos, pode atingir níveis desconfortáveis e irritantes. Hotéis e outras instalações turísticas projetadas de forma inapropriada e deselegante podem ser incompatíveis com o estilo da arquitetura local. O layout mal planejado de instalações turísticas, paisagens inadequadas e inapropriadas, o uso excessivo de cartazes de publicidade feios e enormes, e a manutenção precária de edifícios e de paisagens podem resultar em um ambiente nada atrativo, tanto para turistas quanto para os residentes. Quadro Impactos negativos da atividade turística em relação ao meio ambiente Fonte: Ely (1986). Adaptação do autor. Unidade 4 145

147 Universidade do Sul de Santa Catarina TIPO DE IMPACTO Superlotação e congestionamento Problemas quanto ao uso de terras Ruptura ecológica Danos ao meio ambiente Danos a locais históricos e arqueológicos Despejo impróprio de lixo CARACTERÍSTICAS A superlotação de turistas, especialmente em atrações turísticas populares, e o congestionamento de veículos (resultante dos problemas ambientais gerados pelo turismo) podem levar ao ressentimento os residentes de um núcleo receptor. De acordo com os princípios do bom planejamento, o desenvolvimento do turismo não deve se apropriar de terras que sejam mais valiosas para outros tipos de utilizações. Incluem aqui os espaços destinados à agricultura, à ocupação residencial ou recreativa e também as terras que devem permanecer sob um rigoroso controle de conservação. O turismo descontrolado pode causar vários tipos de problemas ecológicos. Como exemplo, podemos citar o dano ecológico causado pelo uso abusivo de ambientes naturais frágeis, como a depredação da vegetação ou o tolhimento de seu desenvolvimento em um parque ou área de conservação frequentada por muitos turistas. Outro exemplo é o risco de extinção sofrido por algumas espécies - resultado da prática de colecionar tipos raros de conchas, corais e cascos de tartaruga (tanto por parte dos turistas quanto da população local, que vende esses souvenires). Além disso, quebram e matam corais com barcos e âncoras, e drenam pântanos e mangues, que são ecossistemas importantes para a regeneração da vida marinha e circulação da água. O planejamento de ocupação ou engenharia na construção de instalações turísticas, como em qualquer tipo de desenvolvimento, pode gerar deslizamento de terra, inundação e sedimentação de rios e áreas costeiras como resultado da remoção da vegetação, da ruptura dos canais de drenagem natural, entre outros. O uso abusivo ou mal feito de locais históricos e arqueológicos ambientalmente frágeis pode ocasionar danos a esses recursos através de desgastes, vibrações e atos de vandalismo excessivos. Entulhos jogados na natureza causam enorme problema nas áreas turísticas devido ao grande número de pessoas que utilizam a área e dos tipos de atividades ali realizadas. O despejo impróprio de resíduos sólidos provenientes de resorts e hotéis pode gerar problemas de saúde ambiental causados por parasitas, doenças e poluições, além de prejudicar a atratividade da área. Quadro Impactos negativos da atividade turística em relação ao meio ambiente Fonte: Ely (1986). Se bem planejado e controlado, o turismo pode ajudar a manter e a melhorar o meio ambiente de várias formas, conforme mostra o quadro a seguir: 146

148 Patrimônio Cultural e Natural TIPO DE IMPACTO Preservação de importantes áreas naturais Preservação de locais históricos e arqueológicos Melhorias na qualidade ambiental Melhorias no meio ambiente Melhorias na infraestrutura CARACTERÍSTICAS O turismo pode ajudar a justificar e a pagar pela preservação de parques naturais, recreações ao ar livre e manutenção de áreas como atrações que, de outra forma, poderiam ser deterioradas ecologicamente. O turismo funciona como um incentivo para ajudar a pagar pela manutenção de locais históricos e arqueológicos (como atrações para os turistas) que, de outra forma, poderiam ser deteriorados e até mesmo desapareceriam. O turismo funciona como um incentivo para limpar o meio ambiente como um todo através do controle do ar, da água, da poluição sonora, de problemas com o lixo e outros. Além disso, incentiva a melhoria da estética ambiental por meio de programas de paisagismo, designs adequados de construções e melhor manutenção. Embora este seja um benefício mais subjetivo, o desenvolvimento de instalações turísticas bem projetadas pode promover melhorias em paisagens naturais ou urbanas que, de outra forma, poderiam ser tediosas e desinteressantes. A infraestrutura local de aeroportos, rodovias, sistemas de água e esgoto, telecomunicações, entre outros, pode, em geral, ser otimizada através do desenvolvimento do turismo, o que traz benefícios econômicos e ambientais. Quadro 4.3: Impactos positivos da atividade turística em relação ao meio ambiente Fonte: Ely (1986). Encerramos esta primeira seção tendo apresentado alguns aspectos da inter-relação existente entre a atividade turística e o meio ambiente, além de ter destacado alguns impactos ambientais positivos e outros negativos. O desenvolvimento do turismo de forma sustentável é, portanto um desafio com contradições e dicotomias intrínsecas à própria atividade. No entanto, deve ser ressaltado que a sustentabilidade, enquanto conceito científico, não pressupõe estagnação e sim o equilíbrio dos fatores e recursos envolvidos, assegurando a disponibilidade destes recursos no futuro (PAPALEO, 2006). Fica patente, portanto, a necessidade de se trabalhar sempre tendo em mente o planejamento, como forma de mitigar os problemas decorrentes da atividade turística sobre o meio ambiente, geralmente muito sensível à ação humana. Na sequência você terá a oportunidade de conhecer alguns aspectos selecionados sobre a legislação ambiental brasileira, bem como de conhecer alguns conceitos sobre desenvolvimento sustentável. Unidade 4 147

149 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 2 Legislação ambiental brasileira e desenvolvimento sustentável Legislação ambiental brasileira É o conjunto de normas jurídicas que se destinam a disciplinar a atividade humana, para torná-la compatível com a proteção do meio ambiente. No Brasil, as leis voltadas para a conservação ambiental começaram a ser votadas a partir de 1981, com a lei que criou a Política Nacional do Meio Ambiente. Posteriormente, novas leis foram promulgadas, vindo formar um sistema bastante completo de proteção ambiental. A legislação ambiental brasileira, para atingir seus objetivos de preservação, criou direitos e deveres para o cidadão, instrumentos de conservação do meio ambiente, normas de uso dos diversos ecossistemas, normas para disciplinar atividades relacionadas à ecologia e ainda diversos tipos de unidades de conservação. As leis proíbem a caça e a comercialização de animais silvestres, e, com algumas exceções, permite a pesca fora de temporada e a criação e manutenção em cativeiro desses animais por particulares. As mesmas leis regulam a extração de madeiras nobres, o corte de árvores nativas, a exploração de minas que possam afetar o meio ambiente e a conservação de uma parte da vegetação nativa nas propriedades particulares. O incentivo de atividades de conservação e do uso sustentável dos recursos naturais como o solo, a água, as plantas, os animais e os minerais, também fazem parte deste enorme arcabouço de proteção. Os recursos naturais de uma determinada área são seu capital básico e o uso indiscriminado dos mesmos constitui uma perda econômica. Do ponto de vista ecológico, a conservação inclui também a manutenção das reservas naturais e da fauna autóctone, enquanto do ponto de vista cultural inclui a preservação dos lugares históricos. 148

150 Patrimônio Cultural e Natural Espécies brasileiras ameaçadas Fauna Se entendermos que turismo fotográfico compõe parte importante da dimensão do patrimônio cultural de um país ou região, devemos ter também uma preocupação voltada às espécies da fauna, assim como da flora brasileira. E como turismólogo, você deve manter-se atualizado quanto a esses potenciais em outros países. Com relação ao Brasil, a lista oficial das espécies da fauna brasileira ameaçada de Figura Jaguatirica Fonte: Sefloral, extinção (publicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Ibama, em fevereiro de 2009) registra 57 mamíferos (entre eles o guariba, o mono-carvoeiro, o mico-leão-dourado, o lobo-guará, a jaguatirica, a lontra, a onça-pintada; a ariranha, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, a preguiça-de-coleira, o peixe-boi (amazônico e marinho), a baleia branca e a toninha); 108 aves (como o macuco, o socó-boi, o flamingo, o gavião-real, o mutum-do-nordeste, a jacutinga, a ararinha-azul, o pintor-verdadeiro, a choquinha); nove répteis (entre os quais a tartaruga-verde, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-de-pente; a surucucu e o jacaré-de-papo-amarelo); e 32 insetos (na maioria borboletas e libélulas). Apesar de teoricamente essas espécies estarem protegidas, infelizmente na prática o poder público brasileiro não consegue implantar mecanismos de fiscalização eficientes para impedir a destruição do ambiente natural, a caça e a pesca indiscriminadas. Poucos são também os projetos isolados que têm conseguido proteger espécies ameaçadas. Entre eles, destacam-se o projeto Mico-leão-dourado, na reserva de Poço-das-Antas, município de Casimiro de Abreu, no estado do Rio de Janeiro, e o projeto Tamar, que está conseguindo reduzir o risco de extinção de cinco espécies de tartarugas marinhas atualmente. Unidade 4 149

151 Universidade do Sul de Santa Catarina FLORA Com relação à flora brasileira, a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção foi publicada pelo Ibama em janeiro de Consta de 107 espécies, entre as quais se destacam 15 bromélias e gravatás, 8 orquídeas, o jacarandá-da-bahia, a castanheira-do-brasil e o pinheiro-do-paraná. Figura 4.3 Orquídea Fonte: Lemes (2010). A lista oficial considera extintas duas espécies: a Simaba floribunda e a Simaba suaveolens, arbustos recolhidos por Saint-Hilaire em Minas Gerais em 1823 e que nunca mais foram encontrados pelos botânicos. Provavelmente seus habitats foram destruídos há muito tempo. A Sociedade Botânica do Brasil, no estudo Centuria Plantarum Brasiliensium Exstintionis Minitata, classifica 41 espécies na categoria Em perigo (isto é, seus números foram reduzidos a um nível crítico ou seus habitats foram tão drasticamente reduzidos que a sobrevivência destas espécies torna-se improvável). As demais estão nas categorias Vulnerável, Rara e Indeterminada. Como aconteceu com as duas espécies extintas que Saint- Hilaire registrou, muitas das plantas ameaçadas correm o risco de desaparecer sem deixar sequer um nome que o povo porventura lhes tenha dado, ou seja, não têm nomes comuns. Se algum dia tiveram, perderam-se no tempo. Unidades de Conservação da Natureza Conjunto de áreas legalmente estabelecidas pelo poder público que objetivam a preservação do meio ambiente e das condições naturais de certos espaços territoriais do país. A atual tipologia das Unidades de Conservação da Natureza adotada pelo Brasil abrange os Parques Nacionais e Estaduais, Parques Florestais, Parques Ecológicos e as Reservas (Biológicas, Ecológicas, Florestais e Extrativistas), onde podem estar inseridas unidades menores como as Estações Ecológicas, Áreas de Proteção Ambiental (APA), Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), Áreas sob Proteção Especial (ASPE), Monumentos Naturais e Reservas do Patrimônio Mundial. 150

152 Patrimônio Cultural e Natural Existem no Brasil 119 parques naturais que ocupam uma área de aproximadamente hectares, assim distribuídos: 37 parques nacionais, ocupando hectares; 64 parques estaduais, com hectares; 4 parques ecológicos estaduais, ocupando hectares e 14 parques florestais estaduais, com superfície de hectares. As 146 áreas de reservas ocupam uma extensão aproximada de hectares e estão assim distribuídas: 25 reservas biológicas nacionais, num total de hectares; 33 reservas biológicas estaduais, totalizando hectares; 7 reservas ecológicas nacionais, com área de hectares; 47 reservas ecológicas estaduais, ocupando hectares; 9 reservas florestais nacionais, abrangendo hectares; 16 reservas florestais estaduais, totalizando hectares e 9 recentes reservas extrativistas estaduais, ocupando uma área de hectares. Isso totaliza 265 áreas de conservação, ou seja, um espaço correspondente a hectares. Criação de animais em cativeiro De grande interesse para o ser humano, segue várias linhas com objetivos diferentes. Uma delas diz respeito a pesquisas destinadas à reprodução de animais silvestres que são domesticados para uso comercial (alimento, pele, penas, entre outros). É o caso da criação comercial de jacarés para a obtenção de peles; de capivaras e outros, para a obtenção de carnes sofisticadas; e de avestruzes, para a comercialização de carne e penas, feitas no Brasil, África do Sul e outros países. Outra linha está relacionada à criação de animais em zoológicos visando à educação ambiental, além do lazer e entretenimento. Há ainda a possibilidade de se utilizar a criação de animais com o intuito de desenvolver pesquisas sobre espécies ameaçadas de extinção e de viabilizar seu salvamento, como aconteceu com o mico-leão-dourado. Finalmente, a criação em cativeiro é utilizada largamente nos laboratórios de pesquisa científica para obter animais (cobaias, ratos, mas também macacos e outros) que serão utilizados em experimentos de medicamentos e outras substâncias antes de sua utilização em seres humanos. Unidade 4 151

153 Universidade do Sul de Santa Catarina A prática da caça No Brasil, a caça de animais selvagens está severamente limitada, pois as espécies ameaçadas devem ser protegidas. Figura 4.4: Caça e pesca Fonte: Monfortinho, A caça é considerada por alguns estudiosos uma herança cultural de nossos antepassados. Consiste na atividade que se realiza com uma arma ou outros equipamentos para conseguir alimento ou como esporte. Há dois tipos básicos de caça: a que tem como elemento central uma matilha de cães adestrados, acompanhados por seguidores a pé ou montados, e a que se realiza de forma individual com uma arma (rifle ou escopeta), com ou sem a ajuda de cães. Em função do tipo de caça pode-se dividir essas atividades em caça menor (coelhos e lebres, perdizes, faisões, pombos ou outras aves) e caça maior (cervos, javalis ou veados). Dentro desta última, usa-se o termo safári para designar uma expedição organizada cuja finalidade é abater leões, búfalos, elefantes e outros animais grandes, principalmente na África oriental ou meridional, atividade que hoje está controlada. Caçar é para muitos praticantes uma situação de recreação e lazer que exige ter uma arma e possui numerosas técnicas, das quais as quatro principais são: rastrear a presa individualmente, caçar à espera, caçar com chamariz à espreita e caçar com batedores. Sugere-se que sempre antes de pensar em atividade de caça devase fazer uma breve leitura na Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza - Lei nº 9.605/98 de 12 de fevereiro de Pesca esportiva Figura 4.5: Dourado Fonte: Guia da pesca, A captura de peixes, principalmente como diversão, é contrária à pesca comercial, que possui fins econômicos. A pesca esportiva normalmente compreende o uso de varas de pescar com carretéis de linha e anzóis com iscas naturais ou artificiais para atrair os peixes. É uma das formas mais populares de recreação e lazer em todo o mundo. O Brasil, por sua vez, possui uma vasta 152

154 Patrimônio Cultural e Natural rede hidrográfica nas diferentes regiões deste País, e poderá desenvolver este segmento da pesca esportiva como alternativa de renda para as comunidades autóctones ribeirinhas; no entanto, o turismo deve disponibilizar os serviços. Em 1653 Izaak Walton, em seu livro O Pescador Completo, contribuiu para o conhecimento dos métodos de pesca, e divulgou, com extensas observações, os hábitos de alimentação dos peixes, seus ciclos de vida e os problemas que os pescadores deveriam superar para enganar suas presas. A pesca moderna pode ser dividida em duas categorias: a de água doce e a de mar ou água salgada. A pesca de água doce é praticada em lagos, represas, rios e riachos. Os dois métodos básicos nesta modalidade são a pesca com boia e a pesca com meia vara, na qual o pescador se introduz nos cursos rápidos de água, com botas impermeáveis para melhor aproximar-se dos peixes. A de água salgada realiza-se nos oceanos e estuários, e utiliza frequentemente lanchas para alcançar as áreas piscosas. Os peixes capturados na água doce são, geralmente, o salmão, a truta marinha, a truta parda e a truta arco-íris. A última frequentemente é criada em viveiros e depois solta em reservatórios artificiais ou lagos, para pesca. No Brasil, os principais alvos da pesca esportiva são os peixes de grande porte, como o pirarucu e o surubim. Na pesca marítima, o espadarte e o agulhão-bandeira, semelhantes ao marlim, são muito cobiçados porque, além de seu tamanho, lutam tenazmente para fugir do anzol e desafiam a resistência dos esportistas. Os pescadores usam com frequência as mesmas técnicas básicas (tanto para água doce quanto para água salgada), embora o tamanho dos equipamentos às vezes seja diferente. O equipamento de pesca é desenvolvido e melhorado constantemente. As varas e os carretéis são mais leves, graças a materiais modernos como fibra de carbono e plástico. As linhas de náilon são mais finas e resistentes à ruptura, ainda que em certos casos isto não seja uma vantagem. Unidade 4 153

155 Universidade do Sul de Santa Catarina O conteúdo apresentado neste item é adaptado de material publicado no Instituto Eco Brasil. Consulte a referência nas páginas finais deste livro. Turismo Sustentável Em 1983, a Assembleia das Nações Unidas encomendou um relatório à comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela Primeira Ministra da Noruega, Sra. Brundtland. Sua equipe era composta de 22 autoridades internacionais - ministros de estado, cientistas e diplomatas. O relatório desta comissão, publicado em abril de Nosso Futuro Comum, vem difundindo o conceito de desenvolvimento sustentável, que passou ao uso na linguagem internacional, servindo como eixo central de pesquisas realizadas por organismos multilaterais e mesmo por grandes empresas. O conceito de desenvolvimento sustentável, no informe em questão, possuía três vertentes principais: crescimento econômico; equidade social; equilíbrio ecológico. Estas três vertentes acabam induzindo um espírito de responsabilidade comum como processo de mudança no qual a exploração de recursos materiais, os investimentos financeiros e as rotas de desenvolvimento tecnológico deverão adquirir sentido harmonioso. O relatório de Brundtland traz a seguinte definição: O desenvolvimento sustentável é aquele que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades. Esta definição está centrada na sustentabilidade do desenvolvimento econômico e é criticada por vários autores que insistem que não se pode pensar nas gerações futuras quando parte da geração atual não atende às suas necessidades básicas. A sustentabilidade do turismo está entrando na agenda da OMT Organização Mundial do Turismo. Os gestores de destinos e assuntos ligados à sustentabilidade estão começando a ter ressonância na percepção do público. 154

156 Patrimônio Cultural e Natural O conceito do Destination Scorecard do National Geographic Traveler (2004), que usa seis indicadores de sustentabilidade para fazer um ranking de 115 destinos conhecidos, teve grande repercussão tanto entre os responsáveis pelos destinos quanto entre os turistas. A discussão de sustentabilidade do turismo inclui reconhecer a importância de planejamento a longo prazo e de utilizar indicadores de desempenho que monitoram a valorização econômica, ambiental e socioambiental. Também há a necessidade de se investir em práticas e tecnologias que permitam minimizar os impactos. Os conceitos de ecoturismo e a atenção dada ao segmento foram fundamentais para chamar a atenção para a importância da sustentabilidade do crescimento do turismo e da responsabilidade na operação de todo tipo de turismo. Turismo sustentável, porém, não é um produto, é um conceito interno. O seu poder de marketing só tem valor quando considerado como ingrediente essencial de produtos de turismo de qualidade, que pode ser ecoturismo, turismo de aventura, turismo cultural e até turismo de sol e mar. Impacto Ambiental Iniciaremos verificando alguns conceitos básicos sobre impacto ambiental: Qualquer alteração significativa no meio ambiente - em um ou mais de seus componentes - provocada pela ação humana. De acordo com a definição da NBR ISO 14001:1996, Impacto Ambiental é qualquer alteração benéfica ou adversa causada pelas atividades, serviços e/ou produtos de uma organização. É o resultado da intervenção do ser humano sobre o meio ambiente. Pode ser positivo ou negativo, dependendo da qualidade da intervenção desenvolvida. A ciência e a tecnologia podem, se utilizadas corretamente, contribuir enormemente para que o impacto humano sobre a natureza seja positivo e não negativo. Unidade 4 155

157 Universidade do Sul de Santa Catarina Podemos tomar como conhecimento mais específico que o Impacto Ambiental é consequência da ação ou atividade, natural ou antrópica, que produz alterações bruscas em todo o meio ambiente ou em parte de alguns de seus componentes. De acordo com o tipo de alteração, pode ser ecológica, social e/ou econômica. Neste sentido, impacto ambiental pode ser visto como parte de uma relação de causa e efeito. Do ponto de vista analítico, o impacto ambiental pode ser considerado como a diferença entre as condições ambientais que existiriam com a implantação de um projeto proposto e as condições ambientais que existiriam sem essa ação. Uma alteração (ambiental) pode ser natural ou induzida pelo homem, um efeito é uma alteração induzida pelo homem e um impacto inclui um julgamento do valor da significância de um efeito. Devemos entender que impacto ambiental é a estimativa ou o julgamento do significado e do valor do efeito ambiental para os receptores natural, socioeconômico e humano. Efeito ambiental é a alteração mensurável da produtividade dos sistemas naturais e da qualidade ambiental, resultante de uma atividade econômica. Os impactos são assim classificados: Impacto positivo ou benéfico: quando a ação resulta na melhoria da qualidade de um fator ou parâmetro ambiental. Impacto negativo ou adverso: quando a ação resulta em danos à qualidade de um fator ou parâmetro ambiental. Impacto indireto: quando resulta de uma simples relação de causa e efeito, também chamado impacto primário ou de primeira ordem. Impacto local: quando a ação afeta apenas o próprio sítio e suas imediações. 156

158 Patrimônio Cultural e Natural Impacto regional: quando o efeito se propaga por uma área e suas imediações. Impacto estratégico: quando é afetado um componente ou recurso ambiental de importância coletiva ou nacional. Impacto imediato: quando o efeito surge no instante em que se dá a ação. Impacto a médio e longo prazo: quando o efeito se manifesta depois de decorrido certo tempo. Impacto temporário: quando o efeito permanece por um tempo determinado. Quando se planeja em turismo, devemos atender a legislação ambiental, bem como as normas que regem a utilização dos recursos naturais, a fim de promover a sustentabilidade ecológica. Devemos, assim, considerar os estudos de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA); os estudos de Impacto Ambiental (EIA); o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); o Plano de Controle Ambiental (PCA); a Lei nº , de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como a lei da natureza e que dispõe sobre os crimes ambientais; e a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC. A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) No Brasil, a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) envolve um conjunto de métodos e técnicas de gestão ambiental reconhecidas, com a finalidade de identificar, predizer e interpretar os efeitos e impactos sobre o meio ambiente decorrente de ações propostas, tais como: legislação de solo, políticas, planos, programas, projetos, atividades, entre outros. Assim, sugere-se seguir a orientação disposta na RESOLUÇÃO CONAMA nº. 001 de 23 de janeiro de Unidade 4 157

159 Universidade do Sul de Santa Catarina O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é uma exigência legal do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) na implantação de determinados projetos e visa a previsão de como o meio social, econômico e ecológico ficará afetado, positiva ou negativamente, pela implantação do empreendimento a que se refere o projeto. É um estudo multidisciplinar que envolve uma gama de profissionais das mais diversas especialidades, pertencentes à empresa especialmente contratada pelo empreendedor para essa finalidade. O Relatório de Impacto no Meio Ambiente (RIMA) é realizado pela mesma empresa que realizou o EIA e nada mais é que um resumo do EIA em linguagem acessível ao público, dispensando termos técnicos complexos. O EIA, sendo um dos elementos do processo de avaliação de impacto ambiental, deve tratar da execução, por equipe multidisciplinar, das tarefas técnicas e científicas destinadas a analisar, sistematicamente, as consequências da implantação de um projeto no meio ambiente. O EIA deve desenvolver, no mínimo, as seguintes atividades técnicas: 1. Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto: completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando o meio físico, o meio biológico e o meio socioeconômico, conforme segue: Meio físico Meio biológico Meio sócioeconômico O subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos de água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas. Os ecossistemas naturais - a fauna e a flora - destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente. O uso e ocupação do solo, os usos da água e a socioeconomia,, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e o potencial de utilização desses recursos. Quadro Diagnóstico ambiental: descrição dos meios. Fonte: Conama,

160 Patrimônio Cultural e Natural 2. Descrição do projeto e suas alternativas; 3. Etapas de planejamento, construção e operação; 4. Delimitação e diagnóstico ambiental da área de influência, ou seja, definição dos limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza; 5. Identificação, medição e valorização dos impactos: identificar a magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos, a médios e a longos prazos, temporários e permanentes. Reconhecer seu grau de reversibilidade, suas propriedades cumulativas e sinérgicas, distribuição de ônus e benefícios sociais; 6. Identificação das medidas mitigadoras, isto é, aquelas medidas capazes de diminuir o impacto negativo, sendo, portanto, importante que tenha caráter preventivo e ocorram na fase de planejamento da atividade; 7. Programa de monitoramento dos impactos; 8. Preparação do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). O RIMA é um documento que apresenta os resultados dos estudos técnicos e científicos realizados pelo EIA e constitui um documento do processo de avaliação de impacto ambiental que deve esclarecer todos os elementos da proposta em estudo, de modo que possam ser divulgados e apreciados pelos grupos sociais interessados e por todas as instituições envolvidas na tomada de decisão. O relatório deve refletir as conclusões do EIA e apresentar: 1. Os objetivos e justificativas do projeto; 2. A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, especificando para cada um deles, nas fases de construção e operação a área de influência, as matérias-primas e mão de obra, as fontes de energia, os processos e técnicas operacionais, os prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia, os empregos diretos e indiretos a serem gerados; Unidade 4 159

161 Universidade do Sul de Santa Catarina 3. A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de influência do projeto; 4. A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os métodos, técnicas e critérios adotados para sua identificação, quantificação e interpretação; 5. A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, comparando-as; 6. Diferentes situações da adoção dos projetos e suas alternativas, bem como a hipótese de sua não realização; 7. A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não puderem ser evitados e o grau de alteração esperado; 8. O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos; 9. A recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões). Plano de Controle Ambiental (PCA) O Plano de Controle Ambiental consiste, num conjunto de programas específicos, em todas as ações e medidas minimizadoras, compensatórias e potencializadoras aos impactos ambientais prognosticados pelo EIA/RIMA. A sua efetivação também se dá por equipe multidisciplinar composta por profissionais das diferentes áreas de abrangência, conforme as medidas a serem implementadas. O conjunto de programas específicos deve ter por objetivo prevenir ou corrigir os impactos ecológicos e sociais resultantes das principais alterações no meio ambiente (prognosticada no EIA/RIMA), que possam vir a acontecer com o desenvolvimento do empreendimento. - Leia, a seguir, a síntese da unidade. Realize as atividades de autoavaliação e consulte o Saiba Mais para aprofundar conhecimentos na área. 160

162 Patrimônio Cultural e Natural Síntese Você estudou ao longo desta unidade a inter-relação existente entre a atividade turística e o meio ambiente, destacando diversos aspectos que norteiam a necessidade de desenvolvimento desta área, sempre levando em consideração a obrigação de se preservar o meio ambiente. De acordo com o que vimos também, diversos autores e especialistas consideram o meio ambiente como a matériaprima da atividade turística, haja vista serem os atrativos naturais os grandes destaques do turismo em nível mundial. Sabemos que cada vez mais, de forma contínua, o homem urbano busca a fuga da sua rotina diária de trabalho e de estudos, como forma de descanso, lazer ou mesmo fuga do estresse causado pelos grandes centros de produção. Neste sentido, faz-se premente a necessidade de se planejar a conservação, a preservação e a sustentabilidade do meio ambiente para o desenvolvimento adequado da atividade turística. Trata-se, portanto, de uma atividade significativamente predatória em relação aos espaços naturais, sempre muito sensíveis em relação à interferência humana. Estudamos também, nesta última unidade, alguns aspectos sobre impacto ambiental, legislação ambiental brasileira e desenvolvimento sustentável. Na certeza de que estes conteúdos irão servir de subsídio e apoio para uma visão integrada acerca da importância tanto do turismo quanto do meio ambiente, deixamos uma mensagem e um desejo expresso de muito sucesso em sua caminhada acadêmica! Unidade 4 161

163 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de autoavaliação 1) Leia a matéria e responda à questão: O Ecoturismo no Espírito Santo Segundo o presidente do Instituto Capixaba de Ecoturismo (ICE), Jaime Henrique Pacheco, o Espírito Santo hoje é um destino em potencial para quem gosta de aliar turismo ao contato com a natureza. E, para melhorar ainda mais essa relação, uma boa notícia: está barato fazer Ecoturismo aqui. Em comparação com destinos como Bonito ou Fernando de Noronha, é muito mais viável viajar pelo Estado. Temos uma infraestrutura boa. Aqui podemos fazer Ecoturismo perto de casa, destacou. Natureza radical - E qual a fórmula para aliar atividade turística à preservação ambiental? Para Pacheco, é possível desenvolver essas duas vertentes dentro de princípios de sustentabilidade, avaliando eixos como as características locais e o impacto das atividades que serão desenvolvidas. O conceito de Ecoturismo surgiu no Brasil em 1994, quando um grupo de trabalho que envolvia a Embratur e o Ibama viram que a Chapada Diamantina, as Cataratas do Iguaçu e Bonito, por exemplo, atraíam potencialmente os turistas. Nos últimos anos, essa discussão ganhou força e veio a rebote o turismo de aventura, que também liga natureza, visitação e esportes, afirmou o presidente do ICE. O Espírito Santo possui hoje áreas institucionalizadas para prática do Ecoturismo, Turismo de Aventura e Agroturismo. Os três eixos podem conviver harmonicamente nos ambientes e agradar àqueles que buscam contato com a natureza, adrenalina ou, simplesmente, tranquilidade para descansar em um clima bucólico, de fazenda. Na prática, o Estado abriga cinco pólos distintos: Polo de Ecoturismo de Itaúnas, que abrange a região de Itaúnas e Riacho Doce, no Norte capixaba; Polo da Foz do Rio Doce, no Noroeste do Espírito Santo, em toda a extensão de terras cortadas pelo rio; Polo das Serras Capixabas, que inclui Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves; Polo Passos de Anchieta, formado por Vila Velha, Vitória, Guarapari e Anchieta e, por fim, o Polo Parque do Caparão, que tem por destino a região Centro-Sul do Estado. 162

164 Patrimônio Cultural e Natural Além dessas rotas, municípios como Conceição do Castelo, Panças e Castelo, por exemplo, têm se aprimorado em termos de infraestrutura e serviços e, certamente, vão despontar. Nosso Estado é capaz de oferecer grandes destinos para quem quer praticar escaladas, mountain bike, canoagem e vôo livre, comentou Pacheco, citando locais como Laranja da Terra, Itaúnas, Santa Cruz e Panças. Dicas - Antes de pegar uma bicicleta e sair por aí fazendo mountain bike ou se arriscar a enfrentar as corredeiras dos rios capixabas para a prática da canoagem, é essencial buscar informações sobre os destinos, aparelhagem e equipamentos que um bom turista deve ter. Com informações em mãos, não há como levar gato por lebre. Antes de conhecer qualquer destino novo, é fundamental saber para onde está indo, o que aquele lugar pode te oferecer e o que levar. A prática do Ecoturismo é barata e pode ser aproveitada por toda a família, mas sempre com informações, pontuou. Fonte: Pacheco, Com relação ao conteúdo estudado ao longo desta unidade, responda o questionamento abaixo: Há uma preocupação crescente em limitar o número de turistas em certos destinos e locais, e tem-se dado mais atenção ao conceito de volume máximo de turistas em uma localidade. Elabore uma lista dos aspectos (atitudes) que você considera fundamentais para minimizar os impactos negativos que um turista qualquer deva obedecer, quando da realização de uma atividade de trekking em uma região de Mata Atlântica. A sua resposta pode ser em forma de lista! Unidade 4 163

165 Universidade do Sul de Santa Catarina 2) Leia a matéria a seguir e construa a sua resposta: Brasil vai na contramão do desenvolvimento sustentável Enquanto outros países investem para desenvolver uma economia verde, Brasil diminui compensação ambiental de empreendimentos. A decisão do governo federal de estabelecer o limite máximo de 0,5% de uma parcela do valor da obra para a compensação ambiental de empreendimentos vai na contramão das discussões sobre formas mais sustentáveis de promoção do desenvolvimento. Para o WWF-Brasil, o Decreto nº 6.848, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, contribui para minar a lógica do desenvolvimento sustentável justamente num momento de crise climática, quando a busca por alternativas econômicas mais verdes se mostra imprescindível. Até o ano passado, 0,5% era o valor mínimo para a cobrança da taxa de compensação ambiental. Em abril de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou adequado o instrumento, mas julgou inconstitucional o estabelecimento de um piso de 0,5% para as compensações ambientais por considerar que o valor deveria ser proporcional ao impacto ambiental do empreendimento. Como não foi determinada a metodologia correta para o cálculo, o valor da taxa de compensação ambiental estava sendo arbitrado pelos órgãos ambientais. O Decreto nº 6.848, ao estabelecer um teto máximo para a taxa, contradiz a decisão e determinação do STF. De acordo com o superintendente de Conservação do WWF- Brasil, Cláudio Maretti, a interpretação do governo sobre a decisão do STF é equivocada. Se o Supremo considera que o valor da taxa deve ser estabelecido com base no impacto ambiental do empreendimento, o estabelecimento de um teto é tão inconstitucional quanto o estabelecimento de um piso, avalia. A decisão do STF ocorreu por ocasião do julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que alegava que o estabelecimento de pagamento mínimo de 0,5% de taxa de compensação ambiental equivalia a uma indenização prévia, sem que houvesse comprovação do dano. No entanto, a lógica por trás da cobrança de taxa de compensação ambiental não é cobrar indenização por eventuais danos. 164

166 Patrimônio Cultural e Natural Todo empreendimento gera alguma modificação no meio ambiente. O processo de licenciamento ambiental visa reduzir os impactos negativos. Em empreendimentos maiores, há necessidade de licença prévia, definida por meio de análise de estudos de impactos ambientais. A escolha da melhor alternativa deve considerar dois critérios: atender aos objetivos do empreendimento e ter o mínimo de impactos negativos no meio ambiente. Além disso, esses impactos devem ser mitigados, e as formas de atenuação desses impactos devem ser estabelecidas já na fase de estudos. Mesmo com esses cuidados, algum dano é gerado, sobretudo quando o empreendimento afeta objetivos de conservação da biodiversidade ou áreas protegidas estabelecidas. A compensação ambiental existe justamente para contrabalançar as potenciais perdas de partes de ecossistemas prioritários. Uma forma de alcançar isso é criar novas áreas protegidas. Outra é repassar recursos de forma a apoiar parte dos gastos com a manutenção de unidades de conservação. Essa responsabilidade do empreendedor, que de alguma forma vai obter lucros com suas atividades e gerar danos ambientais, fica agora minimizada por iniciativa do próprio governo federal com a publicação desse decreto. E essa decisão não chega sozinha. Surpreende ver que, próximo do final, o governo Lula está se posicionando contra o meio ambiente. Percebemos um verdadeiro ataque à questão ambiental por todas as frentes, com base em uma concepção de desenvolvimento que não é sustentável. O Código Florestal está sendo contestado, e o governo lançou medidas provisórias como a MP da reforma agrária, que consolida o modelo produtivo predatório nas áreas ocupadas, e a MP das estradas, que facilita o licenciamento ambiental para um dos principais vetores do desmatamento, afirma Maretti. Estudos internacionais, inclusive feitos por bancos multinacionais e agências das Nações Unidas, mostram que em todo o mundo grande parte dos pacotes de estímulo econômico destinou recursos para o estímulo a uma economia ecológica e socialmente sustentável. Muitas lideranças globais viram a situação de crise como uma oportunidade para se investir em alternativas e em soluções criativas e mais sustentáveis. Com isso, novas iniciativas passaram a fazer parte do dia a dia dos negócios, como maior eficiência energética, alternativas Unidade 4 165

167 Universidade do Sul de Santa Catarina de produção de energia com menor emissão de gases do efeito estufa, recuperação florestal, de cursos d água e de bacias hidrográficas, promoção de emprego vinculado a negócios sustentáveis, entre outras. Infelizmente, no Brasil não vimos nada disso. Pelo contrário, as propostas brasileiras para a crise foram redução dos impostos dos veículos e dos utensílios domésticos, o que fomenta maior consumo. Parece que interessa às autoridades brasileiras aumentar a crise climática, ambiental, econômica. Ou seja, nesse contexto de crise econômica e ambiental, o Brasil vai contra a tendência mundial de propor estímulos, inclusive econômicos, para uma mudança de paradigmas em direção a uma economia mais verde, pondera Maretti. O desafio e o dever de preservamos a natureza e os serviços ecológicos que ela nos presta é de todos, conclui. Fonte: WWF, Responda: Acerca do tema legislação ambiental e em estreita consonância com a notícia anterior, elabore uma breve dissertação, apontando a sua concordância ou não com a atitude tomada pelo governo federal, na questão da redução da cobrança de impostos para a preservação ambiental. 166

168 Patrimônio Cultural e Natural 3) Leia a matéria e responda à questão: Democracia é o caminho para o desenvolvimento sustentável Gro Brundtland, mãe do conceito de desenvolvimento sustentável, vem ao Brasil e afirma que os Estados Nacionais e seus governos pensam a curto prazo e assim são incapazes de tratar dos problemas ambientais que atingem todo o planeta. E acredita que a sustentabilidade não pode ser privilégio de países ricos, mas sim uma conquista daqueles que consolidarem regimes democráticos, nos quais a sociedade tem maior poder de cobrança. A figura da médica norueguesa Gro Harlem Brundtland transmite uma solidez compatível com sua trajetória profissional. Aos 66 anos, Brundtland ostenta no currículo a chefia do governo da Noruega (foi primeira-ministra entre 1986 e 1996) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1998 a Primeira-Ministra, ficou famosa por nomear oito mulheres para cargos-chaves de seu gabinete. Na OMS, por lançar uma campanha bem-sucedida contra a indústria do tabaco. Mas sua consagração como liderança mundial o jornal Financial Times a qualificou no ano passado como uma das quatro personalidades européias mais influentes dos últimos 25 anos, ao lado do Papa João Paulo II, Mikhail Gorbatchev e Margaret Thatcher passa obrigatoriamente por seu trabalho à frente da Comissão Mundial sobre o Desenvolvimento e o Meio Ambiente, das Nações Unidas, que, em 1987, publicou o relatório Nosso Futuro Comum. A Comissão Brundtland, como ficou conhecida, cunhou neste trabalho o conceito de desenvolvimento sustentável e recolocou na agenda mundial a perigosa relação do homem com o meio ambiente. O relatório alertava para a forma insustentável como a humanidade vinha crescendo. Pedia investimentos em fontes alternativas de energia (para substituir os combustíveis fósseis), em transporte público (para reduzir a poluição nas grandes cidades) e na gestão de recursos hídricos. Suas informações ajudaram a transformar a III Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como ECO 92 - realizada no Rio de Janeiro há 13 anos, em um marco na história do movimento ambientalista mundial. Apesar destas conquistas, Gro Brundtland ainda teme pelo mundo que seus nove netos herdarão. Em visita ao Brasil esta semana, para participar da entrega de um prêmio para empresas socioambientalmente responsáveis, diz que Unidade 4 167

169 Universidade do Sul de Santa Catarina o desenvolvimento sustentável é uma meta atingida em poucos e insuficientes locais do planeta. As futuras gerações não votam nem pagam impostos, por isso não são prioridade para os atuais governantes. Mas faz questão de frisar: A democracia é a única forma de sociedades, por mais pobres que sejam, de cobrar ações transformadoras dos governos. É o caminho para um futuro melhor. Fonte: Brundtland, Após a leitura da notícia, responda: Do que foi visto e estudado ao longo desta unidade, descreva abaixo de que forma a atividade turística pode contribuir para que seja aplicado o conceito de desenvolvimento sustentável em locais onde ocorre o turismo de massa, por exemplo, como existe na cidade de Porto Seguro, na Bahia. Como contrabalançar a enorme demanda de pessoas pelos espaços naturais (como é o caso de toda a região de Porto Seguro), sem que haja necessariamente prejuízos para o meio ambiente e também para as populações autóctones? Faça uso do espaço a seguir para a sua resposta! 168

170 Patrimônio Cultural e Natural Saiba mais Para saber mais, indicamos: MACEDO, R. K. de. Gestão Ambiental: os instrumentos básicos para a gestão ambiental de territórios e de unidades produtivas. ABES:AIDIS, Rio de Janeiro, 1994, 284p. MURPHY, P. Tourism: a community approach. Methuen, Londres, Inglaterra, RUSCHMANN, D. V. de M. Turismo e planejamento sustentável: a produção do meio ambiente. Ed. Papirus: Campinas/SP, 1997, 199p. UMBELINO, J: Sustainable Tourism. Lisboa, Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional, Série Estudos, nº 3 (Coordenador), WEARING, S. & NEIL, J. Ecoturismo: Impactos, Potencialidades e Possibilidades. Editora Manole Ltda, Barueri, São Paulo, 2001, 256p. Unidade 4 169

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172 Para concluir o estudo Ao encerrarmos este livro didático, que versa sobre temas tão abrangentes e tão desafiadores para os atuais e futuros profissionais da área hoteleira (e turística também), fica um sentimento bastante expressivo de missão cumprida e a certeza de ter contribuído, de alguma forma, para a vossa respectiva formações acadêmica. Discursar sobre cultura e patrimônio, além de patrimônio cultural e patrimônio histórico com vistas ao aproveitamento dos estudos para profissionais que necessitam de atualização constante, haja vista um mercado tão mutante e de tantas transformações em curtos espaços de tempos, caracterizou-se como um enorme desafio. Isto para lembrar que a quantidade de informações e a amplitude de cada um dos temas estudados, seriam suficientes para poder elaborar um único livro para cada um dos temas! Igualmente, seria motivo de uma produção enorme, a inter-relação do turismo com o meio ambiente, por ser este último (conforme amplamente descrito na produção do livro) considerado como a matéria-prima da atividade turística. Optamos por dar um destaque especial para as atividades desenvolvidas em museus, o conceito e a evolução histórica destes importantes referenciais de cultura e de preservação e conservação de heranças seculares de um povo, uma região, uma nação ou mesmo um acontecimento digno de registro. Muito temos ainda a caminhar nesta esfera, para podermos atingir níveis de frequência (visitantes) como ocorre com diversos museus na Europa, nos Estados Unidos e Canadá, além do Japão e República da África do Sul.

173 Universidade do Sul de Santa Catarina O patrimônio natural abordado neste livro, da mesma forma que o patrimônio cultural, foi no âmbito de aspectos selecionados, levando em consideração a amplitude de exploração e de dissertação que ele permite. Assim, temas tão atuais e de suma importância, não só para os profissionais das áreas da hotelaria e do turismo, mas de TODOS os profissionais atuais e futuros, que se referem ao ecoturismo, desenvolvimento da educação ambiental e os inúmeros e diversificados potenciais ecoturísticos que existem pelo mundo todo, foram oferecidos para estudo e reflexão para cada um de vocês. O profissional da área hoteleira que está imbuído dos melhores preceitos e práticas, com vistas a poder oferecer serviços de qualidade, pautada pela excelência, necessita, impreterivelmente, de uma base de conhecimentos e de estudos que venham a formar um know-how para melhor poder atender aos milhões de turistas que percorrem este nosso vasto mundo. Terá sempre alguma vantagem competitiva aquele que puder demonstrar conhecimento e, principalmente, compreender a sua própria inter-relação, não só enquanto profissional, mas também como ser humano em relação ao seu ambiente de atuação. Para finalizar, acredito na qualidade de turismólogo e de colaborador para o desenvolvimento da atividade em nosso imenso país, que se tivermos a capacidade de enxergar de forma global e conseguirmos aplicar os conhecimentos de forma local, estaremos dando passos significativos para uma atuação verdadeiramente glocal. Isto sem dúvida nenhuma vai beneficiar sobremaneira, não só a conservação e preservação de nossos rios patrimônios culturais e naturais, mas, também, o bem-estar das gerações futuras. 172

174 Referências AGÊNCIA ANDRÉS BRUZZONE COMUNICAÇÃO. Cinco destinos religiosos mais badalados do Brasil. Disponível em: < mochileiros.com/5-destinos-religiosos-mais-badalados-dobrasil-t38287.html>. Acesso em 06 abr ALBRECHT, K. Revolução nos serviços. 4º ed. São Paulo: Pioneira, ANSARAH, M. G. dos Reis (Org.). Turismo: Como aprender como ensinar. 2ª ed. São Paulo: Editora Senac, BARRETO Margarita. Turismo e Legado Cultural. São Paulo: Papirus, BARRETTO, M. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas: Ed. Papirus, BOULLÓN, Roberto C. Planejamento do Espaço Turístico. Editora da Universidade do Sagrado Coração. Edusc, Bauru. São Paulo, BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, Disponível em: < constituicao/constitui%c3%a7ao.htm>. Acesso em: 07 jun BRUNDTLAND, Gro. Democracia é o caminho para o desenvolvimento sustentável. São Paulo, 11 de Nov Entrevista concedida ao Instituto Socioambiental. Disponível em: < detalhe?id=2143>. Acesso em: 05 abr CAMPOS, José R.V. Introdução ao universo da hospitalidade. Campinas: Papirus, CAMPOS, Vicente Falconi. Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). 2.ed. Rio de Janeiro: Bloch, CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. 9.ed. Caxias do Sul: Educs, Excelência em hotelaria: uma abordagem prática. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998.

175 Universidade do Sul de Santa Catarina CERTEAU, Michel de. Histoire et Psychanalyse entre Science et Fiction. Paris: Gallimard, CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (2011). Avaliação de impacto ambiental. Disponível em: < cfm>. Acesso em 07 jun CORRÊA, Carlos Humberto P. História da cultura catarinense. Florianópolis: UFSC, CORREA, Felipe, MOURA JUNIOR, José Geraldo. Editorial: Turismo e Patrimônio Histórico-Cultural - Como se constrói um bom caminho para voltar no tempo. Revista de Estudos Turísticos. Disponível em: < Acessado em dezembro de CRUZ, Rita de Cássia Ariza. Introdução a geografia do turismo. São Paulo: Roca, CRUZ, Rita de Cássia Ariza. Introdução a geografia do turismo. São Paulo: Roca, CUSTÓDIO, L.A.B. Dando a partida: como desenvolver o turismo cultural. Brasília: Editora do Ministério do Trabalho, DEFENDER (2010). Defesa Civil do Patrimônio Histórico. Santuário da Neves é Patrimônio Histórico. Disponível em: < santuario-das-neves-e-patrimonio-historico/>. Acesso em: 06 jun DEFESA CIVIL DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE SERGIPE. Museu histórico de Sergipe está aberto á visitação pública. Agência Sergipe de Notícias. 16 nov Disponível em: < Acesso em 20 fev DIAS, Edna Cardozo. Patrimônio cultural. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 417, 28 ago Disponível em: < asp?id=5605>acesso em 07 abr DINIZ, Augusto. Cidade-sede mais segura da Copa tem incomum museu. Blog do autor. Disponível em: < br/2010/01/cidade-sede-mais-segura-copa-tem-incomum-museu/> Acesso em 06 abr ECOL NEWS. Usina de Dardanelos, crime ambiental premeditado e consolidado. Disponível em: < dardanelos/dardanelos.htm>. Acesso em: 06 abr ELY, A. Economia do meio ambiente: uma apreciação introdutória interdisciplinar da poluição, ecologia e qualidade ambiental. Porto Alegre: Fundação da Economia e Estatística,

176 Patrimônio Cultural e Natural FANI, Alessandri Carlos; CRUZ, Rita de Cássia A. (Orgs). Turismo: espaço, paisagem e cultura. 2. ed. São Paulo: Hucitec, FUNARI, Pedro Paulo.; PINSK, Jaime (orgs.). Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, FUNDAÇÃO ENERGIA E SANEAMENTO. Núcleo de Documentação e Pesquisa. São Paulo. Disponível em: < org.br/nucleopesquisa/>. Acesso em 06 abr FUNDARPE (2010). O que é Patrimônio Cultural. Disponível em: < Acesso em 09 fev GETAWAY AFRICA SAFARI TRIPS. Vol.21, nº 3, junho Johannesburg, South África (SA). GIANESI, I. N.; CORRÊA, H.L. Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. São Paulo: Atlas, GUERREIRO, Gabriela. 10% defendem regras internacionais para preservação da Amazônia. Folha Online. Disponível em: < folha/brasil/ult96u shtml>. Acesso em: 03 fev GUIA DA PESCA (2011). Fotos de pesca. Disponível em: < guiadapesca.com.br/category/fotos-de-pesca/>. Acesso em: 07 jun HOTEL COMPETITIVO (2010). Noticias diversas. Disponível em: < Acesso em: 07 jun LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Qualidade total em serviços: conceitos, exercícios, casos práticos. 3. ed. São Paulo: Atlas, LEMES, Celso. Banco de Imagens: Orquídea. Disponível em: < negociosdojapao.com.br/wp-content/uploads/2007/05/orquidia.jpg>. Acesso em 07 abr LEMOS, A. G. de (org.). Turismo: impactos socioambientais. São Paulo: Ed. Hucitec, LINDBERG, Kreg.; HAWKINS, Donald E. Ecoturismo um guia para planejamento e gestão. Editora Senac, p. MOLETTA, Vânia Florentino. Turismo Cultural. Porto Alegre: Sebrae, MONFORTINHO. Termas de Monfortinho: Programa de Caça. Disponível em: < Acesso em 07 Jun MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. (2010). Disponível em: < museudalinguaportuguesa.org.br/instalacoes.php>. Acesso em 03 jun

177 Universidade do Sul de Santa Catarina O PAÍS DOSSIER. Campanha pelo patrimônio Reviver quer preservar Luanda. Disponível em < Acesso em: 25 fev ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO (2011). Código Global de Ética para o Turismo. Disponível em: < Acesso em: 06 jun OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Rio de Janeiro: Vozes, OURIQUES, H. R. Turismo em Florianópolis: Uma crítica a indústria pósmoderna. Florianópolis: Ed. UFSC, PACHECO, Jaime Henrique. O Ecoturismo no Espírito Santo. Entrevista concedida ao Portal Fator Brasil, 26 maio Disponível em: < top=1546&painel=1&>. Acesso em: 05 abr PALADINI, Edson P. Gestão da qualidade no processo: a qualidade na produção de bens e serviços. São Paulo: Atlas, PAPALEO, Adriana. Sustentabilidade, Desenvolvimento Turístico e a Amazônia Legal, 1/10/2006. Disponível em: < conteudocompleto.asp?idconteudo=11433>. Acesso em: 07 abr PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, Cultura e Turismo. 2. ed. Campinas: Papirus, PIRES, Mário Jorge. Lazer e Turismo Cultural. Barueri: Manole, PIRES, P. dos S. Turismo e Ecologia: apostila do Curso de Pós-Graduação (lato sensu) em Turismo: gestão, planejamento e marketing. Balneário Camboriú: UNIVALI, PIRES, P. S. Turismo e Ecologia: apostila de graduação. Balneário Camboriú: Univali, PORTAL WEB LUXO. Tartaruga Marinha. Disponível em: < webluxo.com.br/menu/turismo/noronha5.jpg>. Acesso em: 20 jan REVISTA FATOR. Ministro defende integração do ecoturismo. Disponível em: < Acesso em; 07 abr RICO (2010). Ecoturismo em Bonito. Disponível em: < bonitobrazil.com.br/fotos/site/26+ecoturismo+em+bonito+++rico. jpg>. Acesso em 07 abr

178 Patrimônio Cultural e Natural RODRIGUES, Marly. Preservar e Consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro Paulo.; PINSK, Jaime (orgs.). Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, RUSCHMANN, D. V. de M. Turismo e Planejamento Sustentável: A proteção do meio ambiente. 3. ed., Campinas: Papirus, RUSCHMANN, D. Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas: Papirus, SANTOS, Klécio. Caderno de Viagem. Diário Catarinense. Florianópolis, 7 jan SANTOS, M. A natureza do Espaço: Espaço e tempo, razão e emoção. São Paulo: HUCITEC, p. SANTOS, S. C. dos (organizador). Santa Catarina no Século XX: ensaios e memória fotográfica. Florianópolis: Ed. da UFSC, SEFLORAL. Banco de Imagens. Disponível em: < br/bi_jaguatirica_003.jpg>. Acesso em 20 mar SEKEFF, Gisela. Inferno no paraíso. Revista Veja. Ed Jun Disponível em: < Acesso em: 06 jun SEMAN - Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Conceitos para se fazer educação ambiental. São Paulo: A Secretaria, SIMÃO, Maria Cristina Rocha. Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte: Autêntica, SOUZA, A. M. CORRÊA, M. V. M.. Turismo Conceitos, Definições e Siglas. 2. ed. rev., Manaus: Ed. Valer, SOUZA, V. de. Criação e retroalimentação de um banco de dados dos municípios integrantes do PNMT através de home page. Monografia de lato sensu. Balneário Camboriú: Univali, SWARBROOK, John. Tursimo sustentável: turismo cultural, ecoturismo e ética. São Paulo: ALEPH, v. 5, TRIGO, L. G. G. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. Campinas: Papirus, TRIGO, L. G. G. Turismo e Qualidade: tendências contemporâneas. Campinas: Ed. Papirus, UNESCO. Educação para um futuro sustentável: uma visão transdisciplinar para ações compartilhadas. Brasília: Ed. Ibama,

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180 Sobre o professor conteudista Victor Henrique Moreira Ferreira É graduado em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Especialista em Planejamento, Gestão e Marketing do Turismo, também pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Especialista pela Scuola di Formazione in Management Culturale, da Fondazione Ravello (Itália) em Gestão de Eventos Culturais. Especialista em Docência para o Ensino Superior (Unisul). Especializando em Ciências da Educação (Unisul e Universitá Ca Foscari, de Veneza - Itália). Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Trabalha como professor de diversas disciplinas na área do Turismo e Hotelaria, no Curso de graduação de Turismo da Universidade do Sul de Santa Catarina (UnisulVirtual) e é conteudista de diversos livros didáticos nesta Universidade. É consultor em planejamento turístico e hoteleiro com experiência em países onde trabalhou e atuou, seja profissionalmente ou na realização de estágios, tais como: África do Sul, Estados Unidos, Itália e Escócia. Em 2007, concluiu um MBA em Gestão de Eventos Culturais, pela Universitá della Sapienza, de Roma Itália, sob a orientação do sociólogo do trabalho, Prof. Dr. Domenico de Masi. Desempenhou diversas atividades na hotelaria nas áreas de hospedagem e eventos no Caesar Park Hotel (RJ), no Fischer Hotel e nas Convenções, em Balneário Camboriú (SC). Atualmente coordena o setor de Desenvolvimento de Ensino a Distância (EaD) para o continente africano.

181 Universidade do Sul de Santa Catarina Sobre o professor revisor (2ª edição). Nilzo Ivo Ladwig Concluiu o doutorado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina em Atualmente é Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina, Professor adjunto da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Já escreveu 4 livros didáticos para disciplinas na modalidade a distância e organizou outros 2 livros. Atua na área de Turismo e Engenharia de Agrimensura, com ênfase em Planejamento Ambiental e Gestão Territorial. Em suas atividades profissionais interagiu com 23 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artísticocultural são: Cadastro Técnico Multifinalitário, Desenvolvimento Sustentável, Turismo e Meio ambiente, Planejamento em Turismo, Cartografia e Geoprocessamento, Gestão Territorial, Planejamento Turístico, Atividades de Ecoturismo e Planejamento Ambiental. 180

182 Respostas e comentários das atividades de autoavaliação Unidade 1 1) A importância da preservação do patrimônio cultural de uma destinação turística se dá pelo fato de que este conjunto patrimonial é caracterizado como a oferta turística, sendo um verdadeiro atrativo para os visitantes, além de se caracterizar como um legado para as populações autóctones (locais). Quando se preserva legalmente e na prática o patrimônio cultural, conserva-se a memória do que fomos e do que somos: a identidade da nação. Patrimônio, etimologicamente, significa herança paterna - na verdade, a riqueza comum que nós herdamos como cidadãos, e que se vai transmitindo de geração a geração. Qualquer resposta que destaque uma das variáveis acima, pode ser considerada como correta. 2) Se aceita como resposta correta aquela em que o acadêmico inclua, dentre outras variáveis: poder público, planejamento, projetos estratégicos, legado para gerações futuras, atrativos turísticos, preservação e conservação ambiental, parceria, universidades etc. O acadêmico tem liberdade para expressar sua opinião. 3) São essenciais as seguintes características, dentre outras, para a prestação de serviços por parte dos profissionais da área hoteleira: formação técnica e/ou acadêmica na área em questão, domínio de pelo menos o idioma inglês (quanto mais idiomas dominar é melhor), domínio sobre informática e programas específicos de hotelaria, solicitude, prestatividade, formalidade, boas maneiras, iniciativa, liderança, boa aparência (cabelos aparados para homens e cabelos presos no caso de serem longos para as mulheres), asseio corporal e hábitos de higiene em geral.

183 Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) A resposta correta para esta questão prevê, entre outros, termos como: locais de hospedagem, independentemente da classificação deles (desde campings, albergues, resorts, apart-hotéis, até hotéis de 1 a 5 estrelas), sinalização turística, localidade que apresente saneamento básico (fornecimento de água potável, energia elétrica e que tenha tratamento de esgotos e efluentes), sistema de transporte mínimo, sistema de informações turísticas, locais apropriados para alimentação (lanchonetes, bares, fast-foods ou restaurantes). 2) Sim, certamente interessaria ao público e despertaria um enorme interesse, pois a exemplo do Museu da Língua Portuguesa que existe em São Paulo (SP), que atrai milhares de visitantes numa base mensal, outras iniciativas tais como o Museu de Som e Imagem a ser inaugurado em 2012 na cidade do Rio de Janeiro e tantos outros exemplos espalhados pelo Brasil, faz com que os atrativos culturais sejam sempre procurados pelos turistas. No que se refere à justificativa, fica a critério do acadêmico com relação ao seu conteúdo e extensão. Foi estudado, ao longo da unidade, que um dos maiores desafios do turismo cultural é garantir que a visitação crescente não destrua as qualidades peculiares que atraem os turistas. De acordo com a notícia fornecida anteriormente, deve-se descrever se este tipo de museu encontrado na África do Sul geraria interesse e curiosidade aqui no Brasil e justificar a resposta. 3) A resposta correta pode ser muito variada e conter elementos diversos, face ao tipo de pesquisa a ser realizada pelo aluno. O importante é que se cite o site pesquisado. Unidade 3 1) A resposta correta pode ser muito variada e conter elementos diversos, face ao tipo de pesquisa e produção escrita realizada pelo aluno, mas o importante é que se cite o site pesquisado. 2) O acadêmico tem liberdade de produzir uma resposta muito variada em termos de amplitude e de conceitos. Porém, o essencial é que a mesma contenha a afirmação de que o meio ambiente se constitui como sendo a matéria-prima da atividade turística e que muito, ou quase a totalidade, da responsabilidade para com a aplicação das leis ora existentes em termos de conservação e de preservação ambiental, é de responsabilidade governamental. Independentemente do poder público em questão (nível municipal, estadual ou federal). 182

184 Patrimônio Cultural e Natural 3) a) O homem moderno é constantemente agredido em seu meio urbano através da poluição visual (propagandas e outdoors em demasia) pela poluição sonora (carros e indústrias) pela poluição de gases (emissões desenfreadas e altamente poluentes e tóxicas) pelas temperaturas extremas e pelas intempéries naturais (chuvas, enchentes, alagamentos, deslizamentos) pelos congestionamentos de trânsito, pela violência criminal, pela dificuldade de acomodação, dentre tantos outros fatores. Assim, ele busca de forma mais intensa o contato com a natureza e os espaços livres, como maneira de se reabastecer de tranquilidade, ar puro, ritmo pacato e outras benesses que a vida fora dos grandes centros urbanos ainda nos proporciona. b) Pelo fato do ecoturismo ser o turismo desenvolvido em localidades com potencial ecológico, de forma conservacionista, procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente, harmonizando as ações com a natureza, bem como oferecendo aos turistas um contato íntimo com os recursos naturais e culturais da região, buscando a formação de uma consciência ecológica. O ecoturismo visa igualmente ao desenvolvimento das regiões em que se insere, devendo ser um instrumento para a melhoria da qualidade de vida das populações que acolhem essa atividade. Unidade 4 1) De acordo com o Ministério do Meio Ambiente lista-se a seguir as medidas recomendáveis para uma conduta consciente em Ambientes Naturais e que muitas das variáveis a seguir servem como resposta para a questão. 1 - Planejamento é fundamental: Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes. Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes de qualquer atividade em ambientes naturais. Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas. Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto. Evite viajar para as áreas mais populares durante feriados prolongados e férias. Certifique-se que você possui uma forma de acondicionar seu lixo (sacos plásticos), para trazê-lo de volta. Aprenda a diminuir a quantidade de lixo, deixando em casa as embalagens desnecessárias. 183

185 Universidade do Sul de Santa Catarina Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico e seu nível de experiência. Entre em contato prévio com a administração da área que você vai visitar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes. 2 - Você é responsável por sua segurança O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, em primeiro lugar, não se arrisque sem necessidade. Calcule o tempo total que passará viajando e deixe um roteiro da viagem com alguém de confiança, com instruções para acionar o resgate, caso necessário. Avise à administração da área a qual você está visitando sobre: sua experiência, o tamanho do grupo, o equipamento que vocês estão levando, o roteiro e a data esperada de retorno. Estas informações facilitarão o seu resgate em caso de acidente. Aprenda as técnicas básicas de segurança, como navegação (como usar um mapa e uma bússola) e primeiros socorros. Para tanto, procure os clubes excursionistas, escolas de escalada etc. Tenha certeza de que você dispõe do equipamento apropriado para cada situação. Acidentes e agressões à natureza em grande parte são causados por improvisações e uso inadequado de equipamentos. Leve sempre: lanterna, agasalho, capa de chuva, um estojo de primeiros socorros, alimento e água; mesmo em atividades com apenas um dia ou poucas horas de duração. Caso você não tenha experiência de atividades recreativas em ambientes naturais, entre em contato com centros excursionistas, empresas de ecoturismo ou condutores de visitantes. Visitantes inexperientes podem causar grandes impactos sem perceber e correr riscos desnecessários. 3 - Cuide das trilhas e dos locais de acampamento: Mantenha-se nas trilhas pré-determinadas - não use atalhos. Os atalhos favorecem a erosão e a destruição das raízes e plantas inteiras. Mantenha-se na trilha, mesmo se ela estiver molhada, lamacenta ou escorregadia. A dificuldade das trilhas faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Se você contorna a parte danificada de uma trilha, o estrago se tornará maior no futuro. Acampando, evite áreas frágeis que levarão um longo tempo para se recuperar após o impacto. Acampe somente em locais pré-estabelecidos, quando existirem. Acampe a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água. 184

186 Patrimônio Cultural e Natural Não cave valetas ao redor das barracas, escolha melhor o local e use um plástico sob a barraca. Bons locais de acampamento são encontrados, não construídos. Não corte nem arranque a vegetação, nem remova pedras ao acampar. Ao percorrer uma trilha, e /ou sair de uma área de acampamento, certifique-se de que ela permanece como se ninguém houvesse passado por ali. Remova todas as evidências de sua passagem. Não deixe rastros! 4 - Traga seu lixo de volta: Se você pode levar uma embalagem cheia para um ambiente natural, pode trazê-la vazia na volta. Embalagens vazias pesam pouco e não ocupam espaço na mochila. Não queime nem enterre o lixo. As embalagens podem não queimar completamente, e animais podem cavar até o lixo e espalhá-lo. Traga todo o seu lixo de volta com você. Utilize as instalações sanitárias que existirem. Caso não haja instalações sanitárias (banheiros ou latrinas) na área, enterre as fezes em um buraco com 15 centímetros de profundidade e a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, e em local onde não seja necessário remover a vegetação. Traga o papel higiênico utilizado de volta. 5 - Deixe cada coisa em seu lugar: Não construa qualquer tipo de estrutura, como bancos, mesas, pontes etc. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais. Nada se leva de um parque ou de uma unidade de conservação. Animais, plantas, sementes, conchas, rochas e frutos encontrados nos local fazem parte do ambiente e nele devem permanecer. Tire apenas fotografias, deixe apenas leves pegadas e leve para casa apenas suas memórias. 6 - Tome extremo cuidado com o fogo: Fogueiras matam o solo, enfeiam os locais de acampamento e representam uma das grandes causas de incêndios florestais. Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira. 185

187 Universidade do Sul de Santa Catarina Para iluminar o acampamento, utilize um lampião ou uma lanterna, em vez de uma fogueira. Se você realmente precisa acender uma fogueira, consulte previamente a administração da área que estiver visitando, e utilize locais estabelecidos. A madeira do local não pode ser utilizada. Caso o visitante necessite fazer uma fogueira, a madeira deve ser levada por ele. Tenha absoluta certeza de que sua fogueira está completamente apagada antes de abandonar a área. 7 - Respeite os animais e as plantas: Observe os animais à distância. A proximidade pode ser interpretada como uma ameaça e provocar um ataque, mesmo de pequenos animais. Além disso, animais silvestres podem transmitir doenças graves. Não alimente os animais. Os animais podem acabar se acostumando com comida humana e passar a invadir os acampamentos em busca de alimento, danificando barracas, mochilas e outros equipamentos. Não retire flores e plantas silvestres. Aprecie sua beleza no local, sem agredir a natureza e dando a mesma oportunidade a outros visitantes. 8 - Seja cortês com os outros visitantes: Ande e acampe em silêncio, preservando a tranquilidade e a sensação de harmonia que a natureza favorece. Deixe rádios e instrumentos sonoros em casa. Ao se aproximar de moradores da área, trate-os com cortesia e respeito. Comporte-se como um visitante em casa alheia. Mantenha fechadas porteiras e cancelas, evitando a fuga de animais para as propriedades vizinhas e/ou ambientes naturais. Deixe os animais domésticos em casa, pois podem causar problemas, como a introdução de doenças e ameaças ao ambiente natural. Cores fortes, como o vermelho, laranja ou amarelo, devem ser evitadas, pois podem ser vistas a quilômetros de distância e quebram a harmonia dos ambientes naturais. Use roupas e equipamentos de cores neutras. Para chamar a atenção de uma equipe de socorro, em caso de emergência, leve um plástico ou tecido vermelho/laranja, com pelo menos 2 m², guardado na mochila. 186

188 Patrimônio Cultural e Natural Colabore com a educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo impacto sempre que houver oportunidade. 2) A resposta correta pode ser muito variada e conter elementos diversos, face ao tipo de abordagem que o aluno fizer. 3) Os impactos do turismo em ambientes naturais estão associados à colocação de infraestrutura nos territórios para que o turismo possa acontecer com a circulação de pessoas que a prática turística promove nos lugares. Meios de hospedagem edificados em áreas não urbanizadas, bem como outras infraestruturas a eles associados podem representar riscos importantes de desestabilização dos ecossistemas em que se inserem. A resposta correta pode variar de acordo com a percepção do aluno de suas experiências vivenciais em relação à atividade turística. Todavia a tabela a seguir mostra algumas das possíveis respostas corretas para a questão: TIPO DE IMPACTO Preservação de importantes áreas naturais Preservação de locais históricos e arqueológicos Melhorias na qualidade ambiental Melhorias no meio ambiente Melhorias na infraestrutura CARACTERÍSTICAS O turismo pode ajudar a justificar e a pagar pela preservação de parques naturais, recreações ao ar livre e manutenção de áreas como atrações que, de outra forma, podem ser deterioradas ecologicamente. O turismo funciona como incentivo para ajudar a pagar pela manutenção de locais históricos e arqueológicos (como atrações para os turistas) que, de outra forma, podem ser deteriorados e até mesmo desaparecer. O turismo funciona como incentivo para limpar o meio ambiente como um todo através do controle do ar, da água, da poluição sonora, de problemas com o lixo e outros, além de incentivar também a melhoria da estética ambiental por meio de programas de paisagismo, designs adequados de construções e melhor manutenção. Embora este seja um benefício mais subjetivo, o desenvolvimento de instalações turísticas bem projetadas pode promover melhorias em paisagens naturais ou urbanas que, de outra forma, podem apresentar-se tediosas e desinteressantes. A infraestrutura local de aeroportos, rodovias, sistemas de água e esgoto, telecomunicações, entre outros, pode, em geral, ser otimizada através do desenvolvimento do turismo, o que traz benefícios econômicos e ambientais. Fonte: Adaptado de ELY (1986). 187

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190 Biblioteca Virtual Veja a seguir os serviços oferecidos pela Biblioteca Virtual aos alunos a distância: Pesquisa a publicações online < Acesso a bases de dados assinadas <www. unisul.br/bdassinadas> Acesso a bases de dados gratuitas selecionadas < Acesso a jornais e revistas on-line <www. unisul.br/periodicos> Empréstimo de livros <www. unisul.br/emprestimos> Escaneamento de parte de obra * Acesse a página da Biblioteca Virtual da Unisul, disponível no EVA, e explore seus recursos digitais. Qualquer dúvida escreva para a: [email protected] * Se você optar por escaneamento de parte do livro, será lhe enviado o sumário da obra para que você possa escolher quais capítulos deseja solicitar a reprodução. Lembrando que para não ferir a Lei dos direitos autorais (Lei 9610/98) pode-se reproduzir até 10% do total de páginas do livro.

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