POLO MINERAL do AMAZONAS
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- Maria dos Santos Bonilha Maranhão
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1 POLO MINERAL do AMAZONAS THIERRY ACANTHE 24/03/2014
2 O polo de produção mineral Preambulo O projeto Polo mineral representa a implementação de uma nova matriz de desenvolvimento econômico para o Estado do Amazonas, valorizando uma vocação tardia (vice-governador Jose Melo) apesar de possuir recursos minerais consideráveis. A importância da mineração no novo modelo econômico amazonense simboliza-se na mudança do nome do projeto do Polo Naval em Complexo naval, mineral e logístico o dia 5 de novembro Com uma cultura ambiental e industrial muito forte, o Estado procura atrair investimentos que agreguem o conceito de companhias verdes. Para o desenvolvimento dos setores industriais de mineração, óleo e gás e dos recursos hídricos, o Amazonas conta em sua Capital Manaus com a presença das representações dos principais órgãos gestores federal e estadual: Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM, Serviço Geológico do Brasil CPRM, Agência Nacional de Biocombustíveis, Gás Natural e Petróleo ANP e a Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos. Por meio de investimentos do Governo Federal, o Estado do Amazonas desde o final de 2013, esta em processo final de interconexão via a linha de transmissão de Tucuruí Macapá, ao Sistema Nacional de Energia, o que permite aos atuais e novos investidores contarem com recursos energéticos em total segurança.
3 Introdução O mapa geológico e de recursos minerais do Amazonas reconhece uma exuberante Geodiversidade com muitos recursos de classe mundial: nióbio, potássio, caulim, óleo e gás, estanho, ouro e oportunidades de exploração das reservas de tântalo, terras raras, água mineral, flúor, alumínio e calcário agrícola e para a indústria de cimento (confere quadro abaixo). BEM MINERAL MUNICÍPIOS RESERVAS TOTAIS Estanho, Criolita (Na e F) e Nióbio (Nb) Presidente Figueiredo e Urucará t Nióbio São Gabriel da Cachoeira t Bauxita (Al) Presidente Figueiredo, Urucará e Nhamundá t Tântalo (Ta) Presidente Figueiredo e Urucará t Columbita/tantalita (Nb/Ta) Barcelos (Serra do Acará) São Gabriel da Cachoeira (Alto Rio Negro) 330 t Ainda não quantificada Tório (Th), Urânio (U), Xenotima (Y) e Zircão (Zr) Presidente Figueiredo e Urucará t Calcário Urucará, Maués, Nhamundá, Apuí (Localidade de Terra Preta Rio Sucunduri) t Ainda não quantificada Potássio (K) Nova Olinda do Norte e Itacoatiara Caulim Maués e Rio Preto da Eva Argila Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Manaus t Maués (Garimpo dos Abacaxis), Humaitá e Manicoré (rio t Madeira), Apuí e Manicoré Ouro Barcelos (Serra do Aracá), Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira (Serra da Neblina), São Gabriel da Cachoeira (Serra Tunuí/Caparro), Japurá (Cordilheira Traíras e rio Puruí), Novo Aripuanã e Apuí (Rio Juma), Apuí (Vila do Sucunduri) Ainda não quantificada Areia Manaus e Rio Preto da Eva m³ Gpsita (gesso) Urucará e Nhamundá t Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Tabatinga, São Linhito (carvão) Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Jutaí t e Japurá (Alto Rio Solimões) Turfa Nova Olinda do Norte, Maués, Boa Vista do Ramos e Urucurituba (Médio Amazonas) m³ Ferro Urucará t Topázio e Monazita Barcelos (Serra do Acará) 54t Coari (Província de Urucu), Carauari (Pólo Juruá) e Silves Óleo e Condensado m³ (Áreas do Rio Uatumã) Gás Natural Coari, Carauari e Silves m³
4 Além do extenso patrimônio mineral o Estado conta com uma extensiva rede de rios, que funcionam como estradas, formando a Bacia Hidrográfica Amazônica com mais de km de navegação, oferecendo opções logísticas valiosas; destacam-se: a hidrovia do Rio Madeira que leva produtos para a região Centro Sul do Brasil; a hidrovia do Rio Amazonas em direção ao Atlântico; a hidrovia do Rio Negro /Rio Branco, que integra o Estado do Amazonas ao de Roraima; e a hidrovia do Rio Solimões, que conjugada ao modal rodoviário até o porto de Manta, no Pacífico, tornase uma competitiva rota alternativa à Ásia, sem a necessidade de passagem pelo Canal do Panamá. O conceito de polo mineral desenvolvido pela Secretaria de Estado de Mineração Geodiversidade e Recursos Hídricos - SEMGRH se define como um conglomerado de projetos e /ou atividades econômicas minerais, em conformidades com as jazidas do território do Amazonas. Podemos identificar na composição do polo mineral, dois clusters consolidados, inclusive com unidade geográfica: O polo cerâmico localizado em Iranduba /Manacapuru, e o polo óleo e gás localizado em Manaus. Podemos analisar o nascendo setor mineral amazonense referindo-se de um lado a cadeias produtivas ativas e por outro lado a projetos estratégicos do governo abraçados por empresas privadas. A. Cadeias produtivas: Produção de Estanho / Polo cerâmico / Calcário / terras raras B. Projetos estratégicos: Potássio / Polo óleo e gás / Projeto Caulim O estudo do Polo mineral do Amazonas seria incompleto sem uma analise dos processos de apoio publico a projetos empresarias de mineração e do projeto CONAM.
5 Cadeias produtivas A. Produção de Estanho O principal investimento (R$ 1,25 bilhão) em mineração no Amazonas e realizado pela Mineração TABOCA na mina de Pitinga em Presidente Figueiredo, distante de 280 km da sede da Capital em reserva indígena Waimiri Atroari. De capital peruano desde 2008 (mineradora Minsur) esta planta industrial é responsável pelo abastecimento de 60% do mercado doméstico brasileiro de estanho. A fundição de Estanho é realizada em Pirapora do Bom Jesus- PBJ no estado de São Paulo. A mina conta com geração própria de energia (foto), a partir da UHE Pitinga, e deverá estar, nos próximos anos interligada ao Sistema Nacional de Energia para suprir as novas necessidades da planta. Ao final dos anos 90, a produção de estanho, proveniente de minério aluvionar começa a decair e a empresa iniciou estudos para exploração da rocha primária, visando extração de minério de estanho e outros, como nióbio e tântalo. Após vários estudos foi identificado um contexto geológico favorável a outras ocorrências de mineralizações: Outras possibilidades metalogenéticas (Ni e Ag) Mineralizações Nb-Ta relacionadas ao Granito Europa. Depósitos já conhecidos na Mina Pitinga: - Os depósitos aluvio-coluvionares e greisens Sn relacionados aos corpos graníticos Madeira e Água Boa
6 - Albita granito (rocha Sã), contendo Sn-Nb-Ta-Y-Yr-REE-Li-Th-U(+criolita) DNPM /80 - Os depósitos rejeito/rejeito Planta concentração, Grota C, Paixiuba DNPM /80 A produção apresentada no quadro abaixo apresenta os dados efetivos ate 2011 e as projeções para os anos seguintes. Importante notar que a Liga FeNbTa é feita por Alumino termia em Pitinga. Os desafios e objetivos da Mineração TABOCA podem ser resumidos nos itens seguintes: Programa sondagem Mina Rocha Sã finalizado em 2011, objetivando novo modelo geológico e reavaliação dos recursos e reservas tanto para Sn (cassiterita) e Nb-Ta (columbita);
7 Modernização da planta de concentração, unidades de beneficiamento mineral; Necessidade de aumento da capacidade de energia em Pitinga, visando estabelecer processos metalúrgicos de Sn e Nb-Ta in loco; Produção de 800 t/h ROM; Aproveitamento econômico da Zirconita, Criolita e ETRs; B. Polo cerâmico Como o confirma o titulo do convênio Nº 160/2007 SUFRAMA/SDS, Elaborar diagnóstico do potencial socioeconômico, ambiental, político e tecnológico do aglomerado produtivo cerâmico da região de Iranduba AM, a noção de Polo cerâmico e posterior a Em 2010 o governo estadual criou um APL (Arranjo Produtivo Local) de base mineral: O PÓLO CERÂMICO OLEIRO, com os objetivos seguintes: Estimular a cooperação entre as empresas; Aumentar a produtividade e a competitividade das empresas; Desenvolver a qualificação profissional; Formar novas lideranças locais como agentes de desenvolvimento local; Fortalecer as entidades de classe; Promover o desenvolvimento local e regional. O Polo Iranduba/Manacapuru, região metropolitana de Manaus apresentas as seguintes características: População: habitantes em Iranduba e em Manacapuru Participação dos empregos ocupados na indústria em relação ao total geral de empregos: 80% Salário Base salario mínimo R$ 724,00 Potencial e Diversidade geológica de argilas 32 cerâmicas Pequena Diversidade de Produtos (tijolos e telhas) Cadeia Produtiva Cerâmica sem tecnologia Número de empresas filiadas a ACERAM (ASSOCIACAO DOS CERAMISTAS DO ESTADO DO AMAZONAS): 23 empresas participantes;
8 A grande maioria destas empresas utiliza processos de fabricação de tijolo bastante artesanais e rudimentares, desde a preparação das massas, à conformação dos tijolos, seguido da seca até à queima, embalagem e expedição. Apenas algumas já têm processos minimamente automatizados, mas utilizando sempre uma forte intensidade de mão de obra em relação à quantidade produzida. Na produção de telha existem apenas duas unidades propriedade do grupo Miranda Corrêa, que é líder de mercado neste segmento e que já dispõe de processos produtivos mais automatizados. Para ter a noção da dimensão das empresas do polo tijolos em termos produtivos apresentamos a seguir a sua distribuição por três categorias: o das que produzem até 100 mil tijolos por mês, o de 100 a 400 mil tijolos por mês e o de mais de 400 mil tijolos/mês. Verifica-se uma distribuição equilibrada entre as várias categorias, especialmente acima dos 100 mil tijolos mês: Ate / mês: 4 empresas De 100 ate tijolos/ mês: 7 empresas Mas que por mês: 9 A quase totalidade das olarias do polo de Iranduba possuem as suas próprias jazidas, na maioria junto à empresa ou a poucos quilómetros do local de produção (nunca ultrapassando a distância dos 5 quilómetros), preparando diretamente as suas próprias pastas (massas) para fabricação do tijolo ou da telha. A maioria das olarias utiliza as argilas na produção como as colhe, não as sujeitando a nenhum processo de melhoria ou controle para que o produto final possa ter melhor qualidade e apresente características mais homogéneas. Estas exigências presentemente são expressas pelos clientes mais criteriosos, como as construtoras dos edifícios de maior dimensão, que tem de cumprir padrões finais de qualidade e segurança mais elevados. C. Calcário A mina de Jatapu, situada a 640 km de Manaus no município de Urucará tem a exploração licenciada pela empresa Nassau Itautinga há quase três décadas para a extração do tipo de calcário utilizado na fabricação de cimento (80 mil sacos por dia). Com uma reserva estimada inicialmente em 1,7 milhão de toneladas do
9 minério nos tipos empregados na agricultura, a mina tem potencial para tornar o Estado autossuficiente na produção para o consumo interno e convertê-lo em um dos principais polos de comercialização para o mercado brasileiro. O dia 8 de março 2014 chegou a Manaus o primeiro carregamento de calcário dolomitico extraído da mina do Jatapu, São quatro mil toneladas. O calcário extraído do Jatapu será processado pela empresa Calnorte Ltda. e vendido ao preço de R$ 145 a tonelada, bem abaixo dos R$ 455 pagos pelo produtor atualmente (RS 450). De acordo com o secretário estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, Daniel Nava, a redução no preço do calcário agrícola extraído do Jatapu em mais de 70% do preço que hoje é pago pelo produtor rural do Amazonas, foi possível porque o governador Omar Aziz isentou o minério do pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadoria de Serviço (ICMS), para oferecer ao produtor um preço acessível e compensar os custos de logística no transporte do calcário da mina até o município de Manacapuru, onde ele será beneficiado e comercializado. O secretario Nava explicou que o fato de o minério ser produzido no Estado também influenciou no atual valor que o minério está sendo comercializado. A balsa com as quatro mil toneladas do minério aportou no Porto Itaguara, no Distrito Industrial, e seguiu para o município de Manacapuru, onde o produto será triturado e moído para ser comercializado aos produtores rurais do Estado. D. Terras raras Minério considerado estratégico pelo governo brasileiro pelo seu potencial na produção de equipamentos de alta tecnologia como computadores e celulares, os Elementos Terras Raras (ETR) têm duas reservas em terras indígenas demarcadas da Amazônia brasileira: No Morro Seis Lagos, na Terra Indígena Balaio, no Amazonas, Na Serra do Repartimento, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Na Serra do Repartimento, há forte pressão de invasão das terras por fazendeiros e garimpeiros, que exploram ilegalmente ouro há mais de 30 anos.
10 Dados do DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Minerária) indicam que existem mais de 40 milhões de toneladas de terras raras na região de Seis Lagos. Na área há também reservas de nióbio e manganês. O levantamento do potencial de terras raras na Amazônia faz parte do programa do governo brasileiro que vai levantar todo o potencial minerário do país. Só para o estudo de terras raras o governo liberou R$ 18,5 milhões. O relatório final das terras raras deve ser entregue no início de O governo também incluiu as terras raras como minério estratégico do Plano Nacional de Mineração 2030, que integra o Programa de Aceleração de Crescimento 2 (PAC 2). As terras raras, como são mais conhecidas, formam um grupo de 17 elementos químicos compostos por escândio, ítrio e lantanídeos que podem ser utilizados na produção de computadores, smartphones, ímãs, automóveis híbridos, ligas de aço, reatores nucleares, entre outros. A Constituição de 1988 permite a mineração em terra indígena apenas se houver uma regulamentação específica para o tema. Atualmente, tramita em regime de urgência no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB), que pretende regulamentar a mineração em terra indígena. Os indígenas já se declararam contrários à exploração mineral em suas terras. A outra reserva mineral de terras raras fica na região de Pitinga, na área metropolitana de Manaus (AM). Segundo o DNPM, a reserva, que é particular, tem potencial de produção de 2 milhões de toneladas do elemento xenotima, é de propriedade da Mineração Taboca. O geólogo Romualdo Paes de Andrade, especialista em recursos minerais e autor de relatórios de terras raras do DNPM, disse ao Amazônia Real que Pitinga está desenvolvendo um estudo sobre a existência de xenotima. Este minério integra o grupo de terras raras consideradas pesadas. Levantamento da CPRM confirmou a presença de xenotima no Pitinga com geração de patente do processo.
11 Este pedido teria sido encaminhado ao DNPM, mas segundo Burgos, não há informações de registro de parente por parte da empresa Mineração Taboca (responsável por Pitinga). Apenas pesquisas. As ETR são 17 elementos químicos agrupados em uma família na tabela periódica porque ocorrem juntos na natureza e são quimicamente muito parecidos. Projetos estratégicos A. Potássio No Brasil só há uma mina explorada, em Sergipe, pela Vale Fertilizante, que anunciou investimentos de US$ 1,5 bilhão em dois anos, com produção inicial estimada em 1,2 milhão de toneladas anuais. O Amazonas possui as mais importantes reservas de potássio da América do Sul, com capacidade de atender às demandas do Brasil e de outros países. O potássio é utilizado principalmente na fabricação de fertilizantes, na forma do NPK, e utilizado estrategicamente na produção de alimentos e biocombustíveis. Localizadas na região da foz do rio Madeira com o rio Amazonas, importantes hidrovias que dotam o projeto industrial de uma logística privilegiada, estas reservas podem alcançar mais de 900 (novecentos) milhões de toneladas de sais de potássio, conforme recentes resultados de investimentos privados em pesquisa mineral na região. Com uma extensão que pode alcançar 400 km, uma jazida de classe mundial, e com o início de operação da mina projetado para o ano de 2018, certamente o novo empreendimento que deverá injetar o montante de investimentos da ordem de 2,5 bilhões de dólares, consistirá em importante vetor de crescimento econômico, indutor do desenvolvimento sustentável regional e nacional.
12 As reservas de potássio das jazidas de Nova Olinda do Norte (a 135 quilômetros a sudeste) e Itacoatiara (a 176 quilômetros a leste) somam 1,15 bilhão de toneladas, o que equivale a um volume de US$ 587,8 bilhões, com o preço de mercado a US$ 510 por toneladas, segundo relatório de 2008 do Ibram. A situação atual das empresas envolvidas no polo potássio no Amazonas e detentoras de direitos de exploração mineral se apresenta da maneira seguinte: Petrobras: detentora de títulos mais não parece querer desenvolver a atividade Potássio do Brasil (canada- Brasil): empresa mais avançada nas pesquisas. Autazes / Novo Olinda. Western Potash (canada): start up mineral, em fase de capitalização para os testes. Itacoatiara Maués.
13 B. Polo óleo e gás Em 2010, foi inaugurado o gasoduto Coari Manaus que conecta a principal região produtora de gás natural, Bacia Solimões, à Região Metropolitana de Manaus, principal centro industrial e urbano regional, com mais de dois (2) milhões de habitantes, onde está situada a Refinaria Isaac Sabá (REMAN) que abastece os Estados do Norte do Brasil. O Amazonas estuda a consolidação na região de um cluster industrial gás químico, com o aproveitamento do gás natural na fabricação de ureia, metanol e polietilenos. O Amazonas é o segundo maior Estado Federativo produtor de gás natural no Brasil, reservas em terra, representando 16% das reservas brasileiras. Nesta área, a indústria petrolífera deve investir no Amazonas até 2015 aproximadamente 4.5 bilhões de dólares (Petrobras, HRT/BP). Após vários estudos de viabilidade, foram apresentadas recomendações estratégicas no objetivo de ajudar no processo decisório relativo a implantação ou não de empreendimentos gasoquímicos no PIM (Polo industrial de Manaus). Esse novo setor irá articular as dinâmicas regionais e contribuir para que, de maneira endógena, busque-se a promoção do crescimento econômico e do desenvolvimento social. Os produtos que apresentaram nos estúdios mais viabilidade econômica são a amônia/uréia, metanol e os estirênicos. As análises financeiras mostraram diferentes condições para cada um deles. Foi visto também a articulação de cada um com as cadeias produtivas existentes na Amazônia, particularmente no PIM. Dessa forma, sugere-se que a decisão final sobre o que produzir considere uma ordem de prioridade que leve em conta: 1 - Disponibilidade da matéria-prima 2 - Viabilidade técnica 3 - Potencial de articulação com a economia existente 4 - Viabilidade financeira 5 - Esforço para inserção nos mercados 6 - Considerações ambientais Seguindo esse roteiro, uma produção de gás com volume de 05 milhões de m3/dia de GN, a ser disponibilizado pela PETROBRAS viabiliza a produção de todos os produtos
14 aqui estudados, nas quantidades indicadas. Porém, isso não exclui a possibilidade de diferentes mixes de produtos a partir dessa disponibilidade de GN, tais como: a) Metanol (100% do GN fornecido) b) Estireno (100% do GN fornecido) c) Metanol / Estireno d) Estireno / Amônia-Uréia e) Amônia-Uréia Atualmente a Suframa, em conjunto com o governo do Amazonas, intentam aprimorar o projeto desenvolvendo os eixos seguintes: 1- Identificação de investidores interessados, 2- Busca de conhecimento detalhado e inserção nos mercados, 3- Detalhamentos de estudos, 4- Superações de gargalos logísticos e energéticos: No caso da logística, as especificidades associadas aos empreendimentos petroquímicos precisam ser consideradas em profundidade. No aspecto energético, a própria disponibilização de parcela do GN de Urucu para geração de energia elétrica (5,5 milhões de m3/dia, pela previsão da PETROBRAS), acrescida da chegada do linhão de Tucuruí a Manaus, representam solução aparentemente segura e em prazo adequado para o gargalo identificado, até porque nenhum dos empreendimentos previstos, na melhor das hipóteses, será operacionalizado em menos de três a quatro anos, em função do porte das plantas industriais envolvidas e da necessidade básica de já se ter disponibilizada a matéria-prima essencial de toda a cadeia (o GN). 5- Regulação fiscal adequada; Na dimensão fiscal do estudo uma questão macro importante que se identificou é a de que a indústria petroquímica no mundo, em geral, possui amplos incentivos fiscais e financeiros. No que diz respeito à instalação incentivada de empreendimentos petroquímicos no PIM, já há abertura legal para isso, mas ainda não há, logicamente, implementação de ações e alguns detalhes importantes como exclusão de setores que poderiam vir a compor o PIM.
15 6- Regulação ambiental; Em termos legais, se pode concluir, que uma vez que a União somente trata sobre o licenciamento de polos petroquímicos e de suas atividades como um todo, a competência para legislar sobre o tema é exclusivamente estadual. Assim, o papel do estado é preponderante dentro da questão ambiental. O projeto do polo óleo e gás, mesmo sendo na fase dos premisses, representa uma opção estratégica pelo governo e a Suframa. E fundamental apreciar a metodologia do governo deixando os empresários definir opções em vez de desenhar um cluster rígido, onde o investidor intenta se encaixar. C. Projeto Caulim A Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) recebeu no dia 24 de agosto 2013, representantes da empresa Kalamazon Estudos Geológicos Ltda. para tratar sobre a exploração do caulim e da utilização do gás natural no beneficiamento desse produto. Durante a reunião, os representantes apresentaram o projeto da empresa para exploração e processamento do caulim no Estado do Amazonas, como também o interesse na utilização do gás natural no processo produtivo, que compreende a secagem do produto.
16 E importante ressaltar que a jazida encontra se em uma zona desmatada e degradada, o que significa um impacto ambiental inferior as outras mineradoras de caulim no pais. Segundo os representantes do grupo Kalamazon, a estimativa de produção do produto é de 250 a 500 mil toneladas de caulim por ano. Para isso, eles preveem o uso de 40 a 50 mil metros cúbicos de gás natural por dia na primeira etapa. O caulim é um mineral de argila de cor branca e com diversas aplicações na indústria farmacêutica, de cosméticos, tintas, papel e na construção civil. A previsão é que o empreendimento gere aproximadamente 250 empregos diretos e indiretos, podendo passar de a postos de trabalho, com a viabilização da cadeia produtiva no Estado, como as indústrias de cerâmica branca e vidros. O projeto situado a 40 km de Manaus oferece uma total integração com o projeto do Polo Naval com a criação de um Mineroduto e de um terminal mineral, ambos financiados pelo grupo Kalamazon que projeta investir 150 milhões de dólares. O plano de negocio do grupo determina uma precisão de lucro de 120 dólares por tonelada de caulim. Importante ressaltar que a empresa chinesa GUANGDONG HIGHSUN possui 35 % do capital do grupo Kalamazon e representa um ator importante no comercio mundial do caulim e seus derivados.
17 Processos de apoio a projetos de mineração no Amazonas Podemos entender as duvidas de investidores frente a uma metodologia de governo onde os programas de desenvolvimento econômico, como o polo Mineral não beneficia de um quadro jurídico e financeiro, definindo com precisão os comprometimentos governamentais. A. Definição do motus operandi do governo em matéria de incentivo a investidores A o contrario da tradição europeia que define para cada cluster os investimentos públicos a ser realizados a prazo (ordenamento territorial, energia, politica fiscal etc.), o governo do Estado do Amazonas concentra se promover potencialidades econômica enquadradas em macro programas. Uma vez que um investidor apresenta inteires e perfil compatível com a oportunidade industrial, o estado a traves de suas secretarias se empenha em apoiar o projeto ate que se aja realidade. Podemos tomar como referencia o histórico do setor do potássio no Estado de Amazonas. Após estudos geológicos, o enorme potencial mineral foi promovido nacionalmente e internacionalmente ate atrair investidores canadenses para as fases preliminares. A viabilidade técnica e econômica da jazida comprovada, o investidor iniciou negociações com o governo estadual. Na medida da lei o governo se comprometeu a: Alinhar os programas de ordenamento territorial para estabelecer as condições estruturais e logísticas favoráveis ao estabelecimento da cadeia do potássio. Definir parcerias privadas / públicas dinâmicas agilizando e coordenando investimentos portadores de crescimento econômico e social. Essa metodologia a presenta para o investidor a vantagem de privilegiar a viabilidade econômica na criação do projeto industrial negociando com o governo o ordenamento territorial e estrutural do território envolvido além dos incentivos fiscais.
18 B. O complexo do CONAM Essa metodologia se ilustra no modelo de criação de alternativas econômicas para o Estado a traves da construção do Complexo de Negócios Industrial, Comercial, de Defesa e de Serviços Logísticos do Amazonas, o Complexo CONAM. Localizado no Distrito de Puraquequara, no Município de Manaus, estruturado sob o modelo de negócios de parceria público-privada, o Complexo foi projetado como uma aglomeração de dinâmicas econômicas regionais complementares ao modelo Zona Franca de Manaus. Quando em operação, o CONAM deverá fortalecer a indústria naval local, pela atração de um estaleiro-âncora e de um estaleiro de defesa náutica, além de converter o Amazonas em um centro de serviços de reparo. Deverá, também, incentivar o setor mineral, por meio do projeto caulim-potássio, da operação de um Mineroduto e de um terminal de carga mineral. Servirá, ainda, às cadeias produtivas de cerâmica, vidro, óptica, tinta e papel. Consistirá, adicionalmente, em uma plataforma de logística, com terminal portuário, serviços logístico-modais e de armazenagem e distribuição. O CONAM será uma concentração de empresas que possuem complementaridades, instaladas em uma mesma zona geográfica, com a expectativa de promover eficiência, eficácia e efetividade nas suas ações. Espera-se que a localização em área privilegiada e estratégica facilite sua implementação e consolidação com os incentivos de Estado. Quando concluído, o CONAM gerará oportunidades nas mais diversas áreas e setores econômicos, incluindo a indústria naval, reparos, porto, produção e transformação mineral, serviços logístico-modais, parques tecnológicos, serviços de hotelaria, armazenamento e micro negócios de apoio a pequenas, médias e
19 grandes empresas. O complexo do CONAM idealizado, o governo iniciou negociações com diversas empresas interessadas no complexo. C. Noções orçamentarias O PPA (plano plurianual) define o orçamento do estado por 4 anos. Os dados apresentados nos quadros a baixos enfatizam a metodologia detalhada. Em vez de predefinir ajudas a investidores o estado estuda as possibilidades de intervenção, em função do perfil do empreendimento a ser criado, facilitando a criação do quadro estrutural necessário com recursos orçamentários. Importante ressaltar que sempre será privilegiada a parceria privada publica (PPP) em casos de empreendimento a forte necessidade estrutural.
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21 Conclusão Com Recursos minerais importantes o Estado de Amazonas apresenta varias oportunidades no setor da mineração. Em fase de estruturação a indústria mineral se organiza cerca de ações governamentais, parcerias Publico / Privado. A questão da logística, da energia, da infraestrutura e dos impactos ambientais representam para os investidores potenciais gargalos importantes. No objetivo de reduzir o custo amazônico, o governo estadual desempenha um papel de facilitador institucional e verdadeiro parceiro. O investidor europeu deve incorporar a cultura local que privilegia a flexibilidade e a negociação em vez de desenvolver projetos impositivos onde o empresário tem que se adequar a um planejamento não exclusivamente construído sobre a base da viabilidade econômica. Pode se afirmar que no estado de Amazonas, o custo de implantação industrial revela se interessante uma vez que o planejamento do projeto seja fiel a realidade local.
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