DAI: Índice de Acesso Digital
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- João Henrique Igrejas Peres
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1 DAI: Índice de Acesso Digital Este tutorial apresenta o Ìndice de Acesso Digital (DAI), criado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) para medir o acesso da população de uma determinada região (país, estado, cidade, etc.) de acessar e utilizar as tecnologias de informação e comunicação (ICT's) e de sua inserção na Sociedade da Informação. São apresentados resultados de sua aplicação para os vários estados do Brasil. Caio Bonilha Fundador da empresa de consultoria Brampton Telecom, é engenheiro de Telecomunicações com mais de 20 anos de atuação no ramo e passagens na CRT, CPqD, Alcatel e Celtec. [email protected] Duração estimada: 15 minutos Publicado em: 10/05/
2 DAI: O que é O analfabetismo digital está deixando de ser uma consequência da disparidade de renda e rapidamente se transforma em uma causa. Recente pesquisa efetuada pelo Núcleo de Pesquisa Favela Opinião e Mercado (Valor Econômico-06/05/2004) mostra que, na média, a renda de um habitante de favela com computador (e boa parte com acesso à Internet) é mais do que o dobro dos que tem não computador em casa. E mostra que o acesso à Internet só não é maior pelos custos atuais de acesso. A pesquisa mostra, também, surpreendentemente, que a densidade dos "digitalizados" nas favelas do Rio de Janeiro é maior que em algumas capitais do Norte e do Nordeste, indicando que outros fatores, além da renda contribuem para o analfabetismo digital. Para mostrar e comparar o índice de alfabetização digital, a União Internacional de Telecomunicações (ITU) criou o Índice de Acesso Digital (DAI). Ele serve para medir o acesso da população de uma determinada região (país, estado, cidade, etc.) de acessar e utilizar as tecnologias de informação e comunicação (ICT's) e de sua inserção na Sociedade da Informação. 2
3 DAI: Fatores Componentes Essencialmente, cinco fatores impactam no acesso às tecnologias de informação e comunicação (ICT's) e o somatório de suas valorações compõem o índice. Três deles medem as condições potenciais de acesso. São eles: Disponibilidade de Infra-estrutura: mede a penetração na população dos serviços básicos de telecomunicações tanto serviços fixos como móveis (celulares); Preço Relativo de Acesso: mede a relação entre o preço de acesso aos serviços de ICT, principalmente o acesso a Internet, e a renda média da população em estudo; Nível Educacional: mede o índice de alfabetização e a frequência escolar. Os dois últimos índices medem na prática o desenvolvimento da região no acesso ao ICT: Qualidade: mede a disponibilidade de banda internacional de acesso à Internet e a densidade de acessos de banda larga; Utilização: mede a densidade de usuários da Internet. Existem um outro conjunto de fatores que também influem nas condições de acesso, por exemplo, o grau de liberalização do mercado que pode influir nos preços e na disponibilidade de infra-estrutura, mas a UIT julgou serem os acima mencionados os fatores preponderantes. A disponibilidade de equipamentos (PC's), através de aquisição ou disponibilização em Internet cafés, escolas, etc, é um outro fator importante que não está medido diretamente e tem grande impacto no grau de acesso. De qualquer modo, a divulgação do índice, em sua segunda edição - a primeira foi em 1998 com somente 40 países- dá uma idéia de como cada país está comparativamente inserido no acesso à Sociedade da Informação. 3
4 DAI: Ranking do Índice de Acesso Digital A UIT utilizou este índice, na segunda edição de sua divulgação em 2002, para medir e comparar 178 países onde os dados forma disponibilizados. Pelos resultados, os países forma divididos em 4 categorias: Superior ("High"): países que tiveram um índice mínimo de Nesta categoria se incluiram 25 países, sendo a Suécia, com 0.85 o país de mais alto DAI. Este seleto grupo é formado por países da Europa Ocidental, América do Norte, Oceania, alguns "tigres asiáticos" (Singapura, Taiwan, Coréia do Sul e Hong Kong) e Israel. Nenhum país da América Latina aparece neste grupo; Alto ( "Upper"): se enquadram nesta categoria países que alcançaram um DAI mínimo de Temos 40 países neste grupo, incluindo o Brasil, com o índice de 0.50 e o Chile, com 0.58, o melhor país da America Latina; Médio ("Medium"): se enquadram nesta categoria países que alcançaram um DAI mínimo de Temos 58 países incluídos neste grupo; Baixo ("Low"): se enquadram neste range os demais países, sendo os piores, com DAI inferior a 0.10, os africanos Mali, Burkina Faso e Niger. 4
5 DAI: A Posição do Brasil No estudo realizado pela UIT ( no universo de 178 países medidos o Brasil ficou em 62 lugar com um índice de 0,50 exatamente na borda inferior dos países classificados como "Alto", juntamente com as Ilhas Mauricio, Rússia e México e atrás dos latino-americanos Chile (0.58), Uruguai (0.54), Argentina (0.53), Jamaica (0.53), Costa Rica (0.52). Com exceção do Nível Educacional, nossa medida relativa foi decepcionante. Vamos analisar o desempenho relativo em cada parâmetro. Disponibilidade de Infra-estrutura: nossa densidade ponderada foi de 0.29, que nos coloca em 64 lugar, entre Granada (61 lugar na classificação geral) e o Líbano (67 ); Preço Relativo de Acesso: nossa medida foi de 0.88, que nos coloca em 74 lugar, juntamente com a Colômbia (79 lugar na classificação geral) e a Argélia(110 ); Nível Educacional: nossa medida foi de 0.90, que nos coloca em 49 lugar, juntamente com Filipinas (79 lugar na classificação geral), Cuba (108 ), Georgia(112 ) e o Tajquistão(132 ); Qualidade: nossa medida foi de 0.32, que nos coloca em 53 lugar, juntamente com St.Kitts e Nevis (39 lugar na classificação geral), Seychelles (52 ), Rússia e México (62 ), Trinidad-Tobago (55 ) e Guatemala(103 ); Utilização: nossa medida foi de 0.10, que nos coloca em 67 lugar, juntamente com Bulgária (56 lugar na classificação geral) e Bielorrúsia (66 ). Os índices relativos mais destoantes foram o Preço e a Utilização, o último sendo consequência do primeiro, mostrando sintomaticamente que uma das maiores barreiras ao incremento de nosso DAI é (a falta de) poder aquisitivo. : A Posição do Brasil 5
6 DAI: Aplicação para os Estados do Brasil Utilizando a metodologia da UIT e a base de dados da BRAMPTON Telecom, realizamos um exercício de avaliação de decomposição do DAI para os Estados do Brasil. Os dados utilizados foram relativos ao ano de 2002 e tiveram como fontes: a Anatel (Infra-estrutura); o IBGE (população, renda per capita e Nível Educacional); os ISP e Operadoras (preços de acesso à Internet); o IBOPE (Utilização) e a BRAMPTON Telecom (Qualidade). A grande dificuldade de tal exercício é a precariedade de alguns dados relativos principalmente à Qualidade, que obtivemos a partir de inferências e extrapolações. Os resultados podem ser vistos no gráfico e espelham nossas disparidades regionais. Todos os Estados do Norte/Nordeste, do Centro-Oeste (exceto o DF), Espírito Santo e Minas Gerais estão abaixo da média nacional. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro, o DF e os Estados do Sul estão acima dela. O melhor desempenho é do DF com 0.61 que o colocaria individualmente em 38 lugar na classificação geral, entre as Bahamas e St.Kittis e Nevis. Os itens destacados são a Infra-estrutura (0.58) e a Utilização (0.22). Todavia, estes dados apresentam uma distorção pois boa parte da população do DF, justamente a mais pobre, reside no Estado de Goiás, nas cercanias do DF. Certamente se computássemos esta população, o DF teria um índice menor, provavelmente no mesmo nível de São Paulo e Rio de janeiro. Estes Estados tem índices de 0.55 e 0.54 e seguem o DF. Com estes valores estariam em 48 e 50 lugares respectivamente na classificação geral. São Paulo juntamente com o Quatar e Brunei e o Rio de Janeiro com a Letônia, Uruguai, Seychelles e Dominica. Na ponta de baixo, os piores desempenhos são do Maranhão e Piaui, ambos com índices de 0.34, que os colocaria no grupo médio (o limite é 0.30) em 116 na classificação geral, juntamente com Indonésia e Gabão. 6
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8 DAI: Conclusões Os resultados obtidos eram previsíveis e mostram a "divisão digital" ( digital divide ) que se configura no Brasil. Esta "divisão" é o resultado de dois fatores: a concentração de renda que existe no país; a concentração de infra-estrutura de de acesso à Internet, uma consequência do primeiro fator. Esta infra-estrutura está sendo implantada por empresas privadas, que buscam os mercados lucrativos. Menos de 1500 dos mais de 5 mil municípios brasileiros têm acesso local à Internet. Nosso índice somente irá melhorar significativamente e as disparidades diminuirão com a adoção das seguites ações: a melhora na distribuição de renda, um processo de longo prazo; o aumento da infra-estrutura de serviços de acesso a internet que passa pela implantação do Serviço de Comunicação Digital (SCD), prevista para se realizar a partir de Este serviço deve utilizar recursos do FUST para financiar a operação de Telecentros e serviços públicos em todas as cidades até 2009, assim como prover serviços de acesso banda larga a preços competitivos e com qualidade. A revolução imposta pela Sociedade da Informação requer que os países, para serem competitivos, tenham cada vez mais pessoas inseridas nesta Sociedade. Já não basta ser alfabetizado: é necessário ser um "alfabetizado digital". 8
9 1) Qual a finalidade do índice de acesso digital? Medir o grau de digitalização de uma rede. DAI: Teste seu Entendimento Medir o acesso da população de uma determinada região (país, estado, cidade, etc.) de acessar e utilizar as tecnologias de informação e comunicação (ICT's). Medir o número de acessos digitais em um sistema celular. Medir o número de pessoas que tem computador em um país. 2) Assinale o item que não corresponde a um dos cinco fatores que entram na composição do DAI. Disponibilidade de Infra-estrutura. Preço Relativo de Acesso. Densidade de usuários da Internet. Número de aparelhos de TV. Nível Educacional 3) Quem apresenta o maior Índice de Acesso Digital no Brasil: São Paulo Rio de Janeiro Distrito Federal Rio Grande do Sul 9
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