Biologia da Conservação. Disciplina: Biologia da Conservação Docente: Profa. Dra. Maria Elisa de Castro Almeida

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1 Biologia da Conservação Disciplina: Biologia da Conservação Docente: Profa. Dra. Maria Elisa de Castro Almeida

2 BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO Ciência multidisciplinar que foi desenvolvida como resposta à crise com a qual a diversidade biológica se confronta atualmente (Soulé, 1985)

3 OBJETIVOS Entender os efeitos das atividades humanas sobre as espécies, comunidade e ecossistemas Desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas ao seu ecossistema funcional.

4 MULTIDISCIPLINAR E INTERDISCIPLINAR Genética, Taxonomia e Ecologia base para a Biologia da Conservação Legislação Ambiental proteção de espécies raras e ameaçadas Ética Ambiental fundamento lógico para a preservação das espécies Antropologia, Sociologia e Geografia educa as pessoas para a proteção das espécies Economia Ambiental - analisa o valor econômico da diversidade biológica

5

6 BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO Fornece respostas às questões específicas aplicáveis à situações reais Determina melhores estratégias para proteger espécies raras, conceber reservas naturais, iniciar programas de reprodução etc. Harmoniza preocupações conservacionistas com as necessidades da população e governo locais.

7 CONSERVACIONISTA X PRESERVACIONISTA

8 AMBIENTALISTA

9 DATAS IMPORTANTES NA BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO Crenças religiosas e filosóficas: proteção de espécies e da vida natural há milhares de anos; Desde 250 a.c. já se protegiam certos animais, peixes e áreas florestadas na Índia, porém de maneira sistemática isso só ocorreu no séc. XIX; Criação da 1ª unidade de conservação em 1872: Parque Nacional de Yellowstone (EUA); Filósofos como Thoreau: elegeram a natureza como um elemento importante para o desenvolvimento moral espiritual do Homem Aldo Leopold: um dos maiores conservacionistas do mundo; Ética ambiental (livro publicado em 1949). Hipótese de Gaia: Lovelock (1969); André Rebouças ( ): defendeu a criação de unidades de conservação no Brasil Esses conservacionistas defendiam a redução ou encerramento de atividades que perturbam e degradam os ecossistemas; não se via a possibilidade de desenvolvimento sustentável; a conservação era contrária, oposta às atividades econômicas;

10 Gifford Pinchot ( ): defendia a idéia de que os recursos naturais deveriam ser bem administrados para que todos pudessem compartilhá-los pelo maior tempo possível; Inicia-se a idéia de desenvolvimento sustentável: conservar os recursos naturais e promover a utilização consciente desses recursos, de modo que seja garantida a qualidade de vida e o desenvolvimento das sociedades humanas, com a conservação e manutenção dos ecossistemas naturais; 1ªs UCs no Brasil: Parque Nacional do Itatiaia (RJ) (1937) e os Parques Nacionais do Iguaçu (PR), Serra dos Órgãos (RJ) e Sete Quedas (PR) (1939); Código florestal: 1934 Plano de Integração Nacional (PIN): para o desenvolvimento da infraestrutura na Amazônia início da década de 70; Sistema Nacional do Meio Ambiente: estabelecido em 1981 e regulamentado em 1990; Criação do IBAMA: 1989; Publicação dos livros: Essencials of Conservation Biology (1993) e Principles of Conservation Biology (1994)

11 FUNDAMENTOS DA BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO 1- A diversidade de organismos é positiva. Pessoas gostam da diversidade biológica (visitas à parques, bosques, zoológicos etc); 2- A extinção prematura de espécies é negativa. A extinção como consequência de processos naturais é normal, porém nos últimos anos as atividades humanas têm acelerado este processo;

12 3- A complexidade ecológica é positiva. Muitas das propriedades mais interessantes da diversidade biológica aparecem apenas em ambientes naturais: relações de coevolução e estratégias de sobrevivência. 4- A evolução é positiva. A adaptação evolutiva leva a um aumento da diversidade biológica. 5- A diversidade biológica tem um valor em si. As espécies têm seu próprio valor, independentemente de seu valor material para a sociedade humana.

13 Conservação e preservação Preservação: ausências de uso dos recursos naturais e de quaisquer interferências humanas nos ecossistemas que os abrigam; Conservação: implica no uso sustentado dos recursos naturais renováveis e dos ecossistemas, ou então, no uso racional, dos pontos de vista econômico e social, dos recursos naturais não-renováveis, com a devida proteção dos ambientes explorados.

14 A natureza está presente em toda a sua pujança na terra e nos restos de vegetação sob nossos sapatos. A vida selvagem que nossa visão normal é capaz de revelar pode ter desaparecido o lobo, o puma e o glutão não mais existem nas florestas (...) mas outras formas ainda mais antigas continuam a existir. (...) Precisamos apenas diminuir a escala para ver uma parte destas florestas como elas eram há milhares de anos. A mente humana pode trilhar apenas alguns caminhos. Eles são escolhidos pelas satisfações que instintivamente buscamos. A constância da natureza humana é a razão pela qual as pessoas plantam flores, os deuses vivem em altas montanhas e o lago é o olho do mundo através do qual podemos observar nossas próprias almas. É tipicamente humano buscar a totalidade e a riqueza da experiência. Quando estas qualidades são perdidas em meio à agitação da vida cotidiana, vamos procurá-las em outro lugar. (...) Esta é a essência da questão: para preencher o vácuo, a tendência humana é unir-se à natureza. A humanidade é a espécie que é forçada, por sua própria natureza, a fazer opções morais e procurar realizar-se em um mundo mutável por todos os meios que for capaz de imaginar. A natureza é nosso refúgio, nosso lar primordial, é todas estas coisas. Temos que protegê-la, Thoreau disse: na natureza está a continuidade do mundo. Hoje, mais de seis milhões de pessoas habitam o mundo, quase um milhão passa fome. Todos estão lutando para melhorar a qualidade de suas vidas da maneira que podem. Isto, infelizmente inclui a conversão do que resta do ambiente natural. Metade das grandes florestas tropicais já foi derrubada.

15 A corrida já começou entre as forças científicas e tecnológicas que estão destruindo o ambiente e aquelas que podem salvá-lo. Estamos passando por um gargalo de superpopulação e desperdício. Para poder passar pelo gargalo, precisamos com urgência de uma ética para a terra. Uma ética baseada no melhor conhecimento a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca, que a ciência e a tecnologia sejam capazes de nos fornecer. Não há dúvida que as outras espécies vivas são importantes. Não há dúvida quenossa única esperança é saber gerenciar com parcimônia os recursos que nos restam. Seremos sábios se escutarmos atentamente nosso coração e depois agirmos racionalmente com todos os instrumentos que estiverem ao nosso alcance. Temos estado ocupados demais para prever as consequências a longo prazo de nossas ações, e sofreremos perdas terríveis se não pararmos de nos iludir e começarmos logo a procurar uma solução. Foram a ciência e a tecnologia que nos colocaram nesse gargalo; agora a ciência e a tecnologia devem nos ajudar a encontrar uma saída. Uma carta a Thoreau de Edward Wilson em O futuro da Vida: um estudo da biosfera para a proteção de todas as espécies inclusive a humana.

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