Marco Civil da Internet

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1 Marco Civil da Internet Depois de 15 anos o marco civil da internet está prestes a sair mas ainda causa polêmica. Um dos aspectos mais relevantes é o do livre acesso (ou não). O Congresso Nacional deve voltar à votação. Raquel Franca Batista AAA/SP - O Projeto de Lei nº 2126/2011, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil (art. 1º), batizado de Marco Civil da Internet, mais uma vez teve sua votação adiada na Câmara dos Deputados, na última sessão de quarta-feira, dia 20 de novembro. O Projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e, diante das recentes denúncias de espionagem por parte dos Estados Unidos, passou a ser considerado de urgência constitucional, de forma que os sucessivos adiamentos vêm trancando a pauta do Plenário da Câmara. A votação tem sido postergada tendo em vista a falta de consenso sobre alguns pontos do texto, especialmente sobre a neutralidade da rede, regra que está prevista no artigo 9º do PL: Art. 9º O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicativo, sendo vedada qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços, conforme regulamentação. Em outras palavras, a neutralidade da rede garante aos usuários igualdade de navegação, de forma que o fornecedor de cabos e fibras de conexão não pode interferir de qualquer forma na escolha de conteúdos ou aplicativos por parte do usuário, garantindo o tráfego isonômico de informações na rede mundial. Contra a neutralidade da rede, há quem defenda que as empresas provedoras de internet devem ser livres para decidir como oferecer os pacotes de dados e serviços aos usuários.

2 Além da neutralidade, outros pontos do texto tem gerado polêmica entre os congressistas e alguns setores da sociedade, tais como a obrigatoriedade de data centers para armazenamento de dados no Brasil; e a vedação de que determinado conteúdo considerado ofensivo seja retirado da rede, a não ser mediante ordem judicial. As questões debatidas são de suma relevância e afetam diretamente diversos setores da economia, o que justifica, em termos, a demora na votação do texto. No entanto, a necessidade de regulação sobre o tema é premente, uma vez que passados mais de 15 anos desde os primeiros projetos de lei apresentados até o momento atual não existe lei específica para regular o uso da internet no Brasil, em que pese seu uso disseminado em nosso País.

3 Marco Civil da Internet A Lei nº batizada de Marco Civil da Internet foi aprovada pelo Congresso Nacional em 23 de abril de 2014, e sancionada pela Presidente da República no mesmo dia, sendo publicada em 24 de abril de A Lei entrará em vigor 60 (sessenta) dias após a sua publicação, ou seja, no dia 23 de junho de Raquel Batista Franca e William Beserra AAA/SP - e A Lei nº batizada de Marco Civil da Internet foi aprovada pelo Congresso Nacional em 23 de abril de 2014, e sancionada pela Presidente da República no mesmo dia, sendo publicada em 24 de abril de A Lei entrará em vigor 60 (sessenta) dias após a sua publicação, ou seja, no dia 23 de junho de Depois de aproximadamente 4 anos de tramitação na Câmara (Projeto de Lei nº 2126/2011), apesar de algumas críticas, a publicação da Lei foi comemorada por diversos setores da sociedade e ainda recebeu elogios da comunidade internacional. A referida lei estabelece princípios, garantias e direitos para o uso da Internet no Brasil (art. 1º), os quais estão descritos no Capítulo III, tais como: (i) garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento; (ii) proteção da privacidade; (iii) proteção dos dados pessoais; (iv) preservação e garantia da neutralidade de rede; (v) preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede; (iv) responsabilidade dos agentes de acordo com suas atividades; (vii) preservação da natureza participativa da rede; (viii) liberdade dos modelos de negócios promovidos na internet. Um dos pontos mais polêmicos tratados pela Lei em questão correspondente à neutralidade da rede, regra prevista no artigo 9º: Art. 9 o O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação.

4 2 Em outras palavras, a neutralidade da rede garante aos usuários de internet igualdade de navegação, de forma que o fornecedor de cabos e fibras de conexão não pode interferir de qualquer forma na escolha de conteúdos ou aplicativos por parte do usuário, garantindo o tráfego isonômico de informações na rede mundial. A regra da neutralidade poderá ser mitigada, no entanto, permitindo-se a discriminação ou degradação do trafego de informações pela internet, desde que decorrentes de: (i) requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e aplicações; e, (ii) priorização de serviços de emergência ( 1º, art. 9º). As situações supra mencionadas deverão ser regulamentadas nos termos das atribuições privativas do Presidente da República previstas no inciso IV do art. 84 da Constituição Federal, ouvidos o Comitê Gestor da Internet e a Agência de Telecomunicações ( 1º, art. 9º). Ainda que presentes os requisitos para discriminação ou degradação do tráfego de informações pela internet, o responsável pela transmissão deverá abster-se de causar dano aos usuários, agindo com proporcionalidade, transparência e isonomia. Ademais, deverá informar de forma clara aos usuários sobre as práticas de gerenciamento e mitigação de tráfego adotadas, inclusive as relacionadas à segurança da rede. Além da neutralidade de rede, o Marco Civil traz em seu corpo outras proteções aos usuários, como a proteção de dados pessoais, prevista no artigo 10. Os provedores de internet, por força da nova lei, deverão observar os direitos dos usuários relativos a preservação da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem, estando proibidos de disponibilizar os registros de conexão e de acesso de internet de seus usuários, bem como de dados pessoais e do conteúdo de comunicações privadas, salvo em caso de ordem judicial. Porém, o disposto no artigo 10, não impede o acesso aos dados cadastrais (qualificação pessoal, filiação e endereço), dos usuários pelas autoridades administrativas que detenham competência legal para requererem, sem ordem judicial, tais informações.

5 3 Ademais, cabe aos provedores de conexão 1 a obrigação de manter os registros de conexão de seus usuários sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 1 (um) ano (art. 13), sendo proibido aos provedores transferirem a responsabilidade de manutenção dos registros a terceiros. Na mesma linha, a lei prevê que o provedor de aplicações 2 mantenha os registros de acesso a aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 6 (seis) meses. Dessa forma, assim como a proteção dos dados pessoais, os registros de conexões dos usuários de internet no Brasil somente poderão ser disponibilizados por meio de ordem judicial. O Marco Civil também disciplina proteções aos provedores, uma vez que a lei isenta o provedor de conexão à internet por danos decorrentes de conteúdos gerados por terceiros. Os provedores, no entanto, responderão por eventuais danos se deixarem de cumprir a tempo e modo a decisão judicial determinando a retirada de determinado conteúdo gerado por terceiros (art. 18 e 19). Neste contexto, o legislador buscou o preenchimento das lacunas da legislação brasileira, relativas às garantias e direitos dos usuários de internet e as obrigações dos provedores de conexão e de aplicação de internet, trazendo evolução e clareza a determinados temas. 1 Provedores de Conexão à Internet: oferecem principalmente serviços de acesso à Internet, agregando a ele outros serviços relacionados, tais como , hospedagem de sites ou blogs, entre outros. (Definição: 2 Provedores de Aplicações à Internet: aquele que disponibiliza ambiente para a instalação e execução de aplicações, centralizando e dispensando a instalação nos computadores dos usuários, também conhecidos como middleware (Definição:

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