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1 DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA Autor: Fowler R. P. Cunha I-INTRODUÇÃO. O Código de Processo Civil possui diversas espécies de execução, das quais são organizadas de acordo com a obrigação estabelecida no título. O presente artigo que iremos abordar, visa a esclarecer brevemente as modificações do Código de Processo Civil, principalmente com a introdução das Leis n.º /2005 e /2006, que alterou e acrescentou diversos artigos referente a execução por quantia certa, bem como, iremos abordar até quando essas alterações da nova Lei atinge o Processo do Trabalho. Também iremos demonstrar que na penhora, existem bens penhoráveis e impenhoráveis, porém, esta impenhorabilidade pode se tornar relativa dependendo de cada caso concreto, explorado pelo operador do direito e apresentado para análise do Judiciário, que decidirá sobre o assunto.

2 2 Ao final iremos aduzir alguns comentários, em síntese conclusiva. II - EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA.

3 3 A execução por quantia certa tem por objetivo expropriar bens do devedor, a fim de satisfazer o direito do credor (artigo 646 do CPC), consubstanciado no título executivo judicial ou extrajudicial. Quanto ao procedimento de execução por quantia certa, os bens do patrimônio do devedor ficam sob apropriação da Justiça que irá transformar esses bens em dinheiro, a fim de satisfazer os créditos do exeqüente. Por força das alterações promovidas pelas Leis /2005 e /2006, os procedimentos executivos têm algumas diferenças, conforme se baseiam em título judicial ou extrajudicial, especialmente quanto à forma de defesa do devedor, mas que à partir de certo momento procedimental, seguem um rito comum. 1-EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE.

4 4 A execução por quantia certa contra o devedor solvente é a espécie de execução mais comum e conhecida por todos os operadores do Direito, servindo de fonte subsidiária para outras modalidades de execução. Essa modalidade de execução visa à satisfação do crédito, mediante expropriação de bens do devedor. O devedor pode adimplir ou não a obrigação estabelecida, seja através de título judicial ou extrajudicial. É através da intervenção estatal que abre ao credor a possibilidade de exigir essa intervenção para o cumprimento coercitivo desse dever, que somente será válida com a provocação do Estado, devendo o credor requerer a execução por meio da petição inicial, do qual terá sempre que conter requisitos contidos no artigo 282 do Código de Processo Civil. Ainda, com a edição da Lei n.º /2006 o credor poderá indicar na própria petição inicial os bens a serem penhorados (art º), mas sempre respeitando o artigo 655 do CPC, ou seja, observando quais são os bens penhoráveis que poderá indicar à penhora. Prosseguindo com a citação do devedor para quitar a dívida em questão, e não o fazendo, consequentemente seguirá a

5 5 execução para a penhora, com a apreensão de bens e transformação desses bens em dinheiro, para finalmente pagar o exeqüente. Vale ressaltar que o executado tem o direito de defesa (conforme princípio do contraditório), só que, deverá estabelecer uma nova relação processual incidente, fora do processo executivo propriamente dito, em que ele será o autor e o credor o réu. Tal procedimento é denominado embargos de execução. No Direito Trabalhista de acordo com artigo 884 da CLT, os embargos de execução e da sua impugnação poderão ser opostos garantidos a execução ou penhorados os bens no prazo de cinco dias pelo executado e igual prazo para impugnação ao exeqüente. A sua natureza jurídica de ação tendo como objetivo extinguir o processo ou o desconstituir a eficácia do respectivo título executivo ( 1º do art.884 da CLT).Muito embora a doutrina majoritária entenda que sua natureza jurídica é de ação, os embargos de execução serão julgados nos respectivos autos de acordo com o artigo 884 4º da CLT. III MANDADO EXECUTIVO. PENHORA E AVALIAÇÃO.

6 6 Tratando-se de mandado executivo Humberto Theodor Júnior ressalta que acolhida à petição inicial, o órgão judicial determinará a citação do executado através do mandado executivo, que consiste na ordem de citação do devedor, intimando-o a, em três dias, cumprir a obrigação, sob pena de penhora (art. 652, caput e 1º) 1. O mandado será expedido em duas vias, sendo, a primeira via para citação, ou seja, o Oficial manterá por dez dias o mandado em seu poder, sendo que, durante esse período o Oficial de Justiça procurará o devedor por três vezes em dias distintos, e não o encontrando, devolverá o mandado em cartório, certificando a ocorrência (art. 653, parágrafo único); já a segunda via servirá para que, se caso passar três dias reservado ao pagamento voluntário o devedor não efetuar o pagamento, assim, a segunda via entrará para proceder à penhora, ou seja, após ter mandado em cartório, o credor será intimado para que no prazo de dez dias, seja requerida a citação por edital do devedor. Findo o prazo do edital, ou seja, não havendo manifestação do interessado, terá o devedor o prazo a que se refere o artigo 652, convertendo-se em penhora em caso de não pagamento (art. 654 do Código de Processo Civil). 1 - JUNIOR, Theodoro Humberto, Processo de Execução e Cumprimento da Sentença, Edição 24ª, Editora Eud, Capítulo XVII, pág. 239.

7 7 O mandado executivo na Justiça do Trabalho, tendo em vista que se trata de execução de sentença, far-se á através de Oficial de Justiça através de mandado de intimação, penhora e avaliação em ato continuo, ou seja, o Oficial de justiça ira intimá-lo para pagamento e, já localizando bens visíveis e passiveis de penhora o fará já com a respectiva avaliação do valor do bem, caso esteja capacitado para tal fim naquela oportunidade, ficando o executado, caso assim queira ficar, como depositário do bem. Denomina-se penhora o ato pelo qual se apreendem bens para empregá-los, de maneira direta ou indireta, na satisfação do crédito exeqüendo. Diz-se que o bem é empregado diretamente na satisfação do crédito quando o credor adjudica ou dele usufrui até pagá-lo; é empregado indiretamente quando é o produto da alienação do bem que satisfaz o crédito, conforme artigo 880/ 883 da CLT. Salientamos que a penhora é o mesmo ato tanto no processo civil como no processo trabalhista, ou seja, o Processo do Trabalho é fonte subsidiária das normas de direito processual comum, conforme descreve o artigo 769 da CLT:

8 8 Art Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título. Tratando-se de condenações ao pagamento de quantia certa, o Código de Processo Civil obteve reforma através da Lei n.º /2005, acrescentando o artigo 475-J, conforme veremos a seguir: Art. 475-J.Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não efetue no prazo de quinze (15) dias, o montante da condenação será acrescido de multa percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observando o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. 1º Do auto da penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts. 236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de (15) dias. 2º Caso o oficial de justiça não possa proceder à avaliação, por depender de conhecimentos especializados, o Juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe breve prazo para a entrega do laudo. 3º O exeqüente poderá, em seu requerimento, indicar desde logo os bens a serem penhorados.

9 9 4º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput deste artigo, a multa de dez por cento incidirá sobre o restante. 5º Não sendo requerida a execução no prazo de seis (6) meses, o Juiz mandará arquivar os autos, sem prejuízo de seu desarquivamento a pedido da parte. O caput do artigo 475-J, fixa o prazo de 15 dias, que se conta a partir do trânsito em julgado, para cumprimento da sentença por quantia certa, que corre independemente de citação ou intimação, bem como, fixa multa de 10% para o devedor que não proceder ao pagamento voluntário nos 15 dias subseqüentes à sentença que fixou o valor da dívida. Já o devedor efetuando o pagamento parcial no referido prazo, a multa de 10% incidirá sobre o restante, conforme 4º do artigo 475-J. aplicar respectiva norma na Justiça do Trabalho. A problematização inicial se deve ou não Para alguns doutrinadores e operadores do Direito, defendem que multa de 10% em caso de não cumprimento

10 10 espontâneo da obrigação pelo devedor, com visto, é aplicada subsidiariamente ao Processo do Trabalho, pois a execução é destinada à satisfação de créditos alimentares. entendimento. Deveria, mas não é este o melhor A regra processual estipula que o CPC aplicase subsidiariamente à Justiça do Trabalho quando a norma legal é omissa o que não é o caso, ou seja, há regramento neste sentido estipulado no art. 880 da CLT. Assim, ao invocar os termos do art. 769 da CLT, o qual prevê que o Código de Processo Civil somente é aplicável ao Processo do Trabalho quando há omissão e compatibilidade com as normas que regem o Processo Laboral. Portanto, o art. 475-J não tem o condão de revogar respectiva norma, porém, entendemos que a recente reforma do CPC teve como objetivo estimular o pagamento pelo devedor das execuções, primando pelo princípio da celeridade e efetividade processual. Assim, entendemos que necessário se faz ocorrer mudanças neste sentido na norma legal da CLT, afim de que se

11 11 possa utilizar tal norma na Justiça do Trabalho, mesmo porque verificamos que as reformas ocorridas no CPC foram espelhadas na própria CLT, como fundamento prático do que se pratica na Justiça do Trabalho, que muito prima pela nova fase que estamos vivenciando, ou seja, a Constitucionalização dos Direitos Trabalhistas, intensificando tal aplicação, a fim de preservar a justiça das decisões e a própria segurança jurídica, tudo conforme ficou exposto acima. Humberto Theodoro Júnior esclarece que o parágrafo 1º do mesmo artigo, fixa que se o devedor não efetuar o pagamento no prazo legal, mas apresentando impugnação na execução definitiva, do qual é permitida pelo mesmo artigo, acarretará sempre a imposição da multa, e complementa dizendo que o objetivo desta sanção é justamente evitar a procrastinação do cumprimento da sentença, salvo se tal impugnação for procedente, excluindo assim a multa, bem como, o devedor não terá que efetuar o pagamento sequer do principal. 2. Também no mesmo parágrafo, fixa que lavrado o auto de penhora e avaliação o executado intimado, em regra, será na pessoa de seu advogado. Não havendo advogado constituído a intimação ocorrerá 2 JÚNIOR, Theodoro Humberto, As Novas Reformas do Código de Processo Civil, Edição 2ª,

12 12 através do representante legal do executado, ou ainda, na própria pessoa do executado. Ao contrário, aplica-se tal norma na Justiça do Trabalho, já que neste caso a CLT é omissa no que se refere sobre a possibilidade da intimação da penhora dirigida ao advogado constituído pelo devedor, mesmo porque não haveria qualquer prejuízo, na medida em que o devedor, indiretamente, tomaria ciência da realização do ato processual. Outra mudança trazida pelo artigo 475-J 1º, e que não se aplica na Justiça do Trabalho são os meios que dispõe o devedor para questionar o cálculo de liquidação e a própria execução. Na nova regra processual civil, estipula-se um prazo de 15 dias para o devedor apresentar impugnação, diferentemente da Justiça do Trabalho que tem regulamento específico na CLT, contido no artigo 884, do qual fixa o prazo de cinco dias para o executado se insurgir contra a execução, questionando o cálculo, a penhora e qualquer outra matéria prevista na Lei.

13 13 O Código de Processo Civil inovou ao estipular que em ato subseqüente à penhora, o oficial de justiça procederá a avaliação do bem penhorado, caso se dê por competente para sim o fazer de imediato, primando, por óbvio, pela celeridade processual, prática que já é atribuída na Justiça do Trabalho, desde a edição da Lei n.º 5.442/68. Assim, modifica o cumprimento da sentença, do qual se fixa que a avaliação será realizada pelo oficial de justiça. novo das execuções Trabalhistas. Assim, tal reforma no CPC nada influencia de Já em 3º do artigo 475-J, visa à facilitação da execução, pois fixa que o exeqüente pode indicar os respectivos bens à serem penhorados, ou seja, o exeqüente pode indicar na própria petição inicial o bens a serem penhorados (art º). Como na Justiça do Trabalho, na maioria, executa-se apenas a Sentença transitada em julgado, ou seja, título executivo judicial, em tese, não houve modificações significativas a serem aplicadas, exceto nos casos previstos com a Emenda Constitucional n.º 45.

14 14 O mandado de cumprimento da sentença condenatória, somente será não expedido se o credor requerer, pois conforme artigo 475-J, 5º, estabelece que o credor que não fizer tal requerimento no prazo de 6 meses, poderá o Juiz arquivar os autos, sem prejuízo de seu desarquivamento a pedido da parte. 1-BENS PENHORÁVEIS. São penhoráveis, conforme o artigo 655 do CPC, tanto os bens corpóreos, como os incorpóreos: Art. 655.A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II veículos de via terrestre; III bens móveis em geral; IV bens imóveis; V navios e aeronaves; VI ações e quotas de sociedade empresárias; VII percentual do faturamento de empresa devedora; VIII pedras e metais preciosos; IX títulos da dívida pública da União, Estados e Distrito Federal com cotação em mercado;

15 15 X títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; XI outros direitos. 1º Na execução de crédito com garantia hipotecária, pignoratícia ou anticrética, a penhora recairá, preferencialmente, sobre a coisa dada em garantia; se a coisa pertencer a terceiro garantidor, será também esse intimado da penhora. 2º Recaído a penhora em bens imóveis, será intimado também o conjugue do executado. Os veículos de vias terrestres, bens móveis, bens imóveis, navios e aeronaves passam à frente das pedras e metais preciosos e títulos da dívida pública no rol das garantias do crédito. A Lei n.º /2006, trouxe reforço a observância da ordem estipulada para a penhora, ao dispor que ela deve der preferencialmente seguida. Portanto, em princípio deve o julgador seguir a ordem da penhora estabelecida no art. 655 do CPC. 2-BENS IMPENHORÁVEIS E IMPENHORABILIDADE ABSOLUTA E RELATIVA

16 16 A impenhorabilidade absoluta, disciplinada no art. 649 do CPC, em sua nova redação, trouxe novidades através da introdução da Lei n.º11.382/2006, como previsão de impenhorabilidade de móveis e pertences de uso pessoal, salvo, em ambos os casos, se de elevado valor (art. 649, II e III). Foi incluída, ainda, a impenhorabilidade dos depósitos em cardeneta de poupança até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos. seguintes bens: No seu texto atual, declarou impenhoráveis os I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução. Um exemplo que podemos citar é a impenhorabilidade dos bens públicos, dada a sua intrínseca inalienabilidade (Código Civil de 2002, art. 100; CC de 1916, art. 67). II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado.

17 17 Este inciso veio com a proteção pela Lei de Bem de Família Lei n.º 8.009/90, quanto à impenhorabilidade dos bens que guarnecem a residência do executado acrescida daqueles considerados de utilidade doméstica.a atual redação deste inciso, visa a evitar a penhora de bens que não tem valores significativos, e que, se tirados para realização da penhora acarretaria em prejuízos para sobrevivência de uma família. A Lei não delimita o que seja utilidades domésticas, muito menos, expõem o que é de extrema importância para sobrevivência digna de uma família. Podemos citar como exemplo, o televisor: um único televisor é obvio que seja impenhorável, mas, dois ou mais televisores, é realmente essencial para garantir uma sobrevivência digna a uma família? Vale salientar que a Lei n.º 8.009/90, dispõe sobre a impenhorabilidade do bem de família, bem como, fixa em qual situação a impenhorabilidade torna-se relativa, conforme os artigos 2ºe 3º, in verbis:

18 18 Art. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos. Parágrafo único. No caso de imóvel locado, a impenhorabilidade aplicase aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo. Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: I - em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias; II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; III - pelo credor de pensão alimentícia; IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar; V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar; VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória e ressarcimento, indenização ou perdimento de bens; VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.

19 19 A impenhorabilidade do bem de família se torna relativa, ao passo que o imóvel deixe de servir de domicilio da família passando o imóvel para uso comercial. Em nenhum momento a norma legal prevê a sua perpetuação existindo, portanto, um momento de extinção, e sendo assim, neste caso, não possuindo mais o status de família, o bem volta a ser penhorável. Portanto, um bem que guarneça a casa de família poderá ou não ter tido como impenhorável de acordo com o caso concreto, conforme esse bem, no contexto daquela família, constitua ou não elemento de sobrevivência condigna e de cidadania. III os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor. A justificativa, aqui, é a mesma utilizada no inciso II, ou seja, o legislador impôs uma limitação à impenhorabilidade, excluindo os bens que tenham características de suntuosidade. IV os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios, as

20 20 quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, observado o disposto no 3º deste artigo. A novidade deste inciso é a inclusão de ganhos do trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal. Em relação à impenhorabilidade deste inciso, Humberto Theodoro Júnior cita que há uma ressalva legal que abre possibilidade para a penhora, qual seja: se o débito em execução consistir em prestação de alimentos, torna-se cabível a penhora sobre os salários, remunerações e outras verbas equivalentes auferidas por aquele que responda pela pensão alimentícia ( 2º do art. 649). 3 IV os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão. 3 - JUNIOR, Theodoro Humberto, Processo de Execução e Cumprimento da Sentença, cit, pg. 260.

21 21 Presente a coerência com o resguardo da dignidade, pois sem o seu trabalho o homem não tem condições de produzir o necessário para quitar a dívida se manter e os seus. A tese foi acolhida pelo Superior Tribunal de Justiça: os bens úteis e/ou necessários indispensáveis ás atividades desenvolvidas pelas pequenas empresas onde os sócios atuam pessoalmente, são impenhoráveis, na forma do disposto no art. 649, IV, do CPC (Resp /SC, DJU ; Resp /RO, DJ ; STJ- RT 821:210). VI o seguro de vida. Em relação o seguro de vida Humberto Theodoro Júnior cita que a função de seguro de vida é criar em favor de terceiro (o beneficiário) um fundo alimentar. Dessa natureza jurídica é que decorre a impenhorabilidade do seguro de vida JUNIOR, Theodoro Humberto, Processo de Execução e Cumprimento da Sentença, cit, pg. 261.

22 22 VII os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas. Segundo o ensinamento de Humberto Theodoro Júnior os materiais são, por antecipação, parte integrante da obra. Como tal só podem ser penhorados se o todo for. Trata-se de impenhorabilidade que não se aplica à execução da dívida contraída na própria aquisição do objeto a excutir (art. 649, 1º) 5. VIII a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família. Este inciso converteu em impenhorável a pequena propriedade rural definida em lei, desde que trabalhada pela família, ou seja, independente da origem da dívida, se a família trabalha no imóvel, a pequena propriedade rural é impenhorável. Para definir o que é pequena propriedade rural, a jurisprudência vem adotando o art. 4º inciso II do Estatuto da Terra, bem como a extensão territorial é definida de 01 a 04 módulos rurais na

23 23 Lei de Desapropriação para Reforma Agrária Lei n.º 8.629/1993, art. 4º. Em suma: a pequena propriedade rural sob exploração familiar é absolutamente impenhorável, segundo o novo dispositivo processual revisto pela Lei /2006. IX os recursos públicos recebidos por instituições privadas para a aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social. Com a edição da Lei n.º /2006 os recursos públicos não perdem sua impenhorabilidade. Porém, não podemos concluir que estes recursos públicos estão imunes à penhorabilidade, como por exemplo, os bens particulares da instituição, que será garantida para saldar a dívida. Complementa, ainda, Humberto Theodoro Júnior, que são os recursos públicos, e apenas estes, que devem ser aplicados nas metas projetadas de educação, saúde e assistência social, 5 - JUNIOR, Theodoro Humberto, c Processo de Execução e Cumprimento da Sentença, cit, pg. 262.

24 24 sem sofrer embaraço de penhora por dívidas da instituição a que se destinam 6 X até o limite de quarenta (40) salários mínimos, a quantia depositada em cardeneta de poupança. A criação de nova hipótese de impenhorabilidade, para as aplicações de até 40 salários mínimos em cardeneta de poupança, não faz nenhum sentido, muito menos no processo do trabalho. Não seria passível, como por exemplo, a não aceitação de uma determinada penhora de caderneta de poupança, com valores inferiores a 40 salários mínimos, de um sócio, cuja empresa dissolveu-se irregularmente, e para esconder os lucros da empresa, ficaria sob a proteção da Lei, desonerando da penhora através da norma legal. Aliás, este não é o entendimento adotado em nossos Tribunais. Em princípio os sócios proprietários estariam sob a proteção da Lei. Mas se acaso o devedor não provar que referidos 6 - JUNIOR, Theodoro Humberto, Processo de Execução e Cumprimento da Sentença, cit, pg. 263.

25 25 valores, mesmo que inferiores a 40 salários mínimos não são advindos de uma dissolução fraudulenta do empreendimento, entendemos que poderia ser considerado passível de penhora de respectivos valores, a fim de satisfazer, em parte ou mesmo na totalidade da dívida. 3-PENHORA ON LINE substituição do papel pelo virtual. A penhora on line nada mais é que a Salientas que na Justiça do Trabalho a penhora on line é aplicada desde 2002 pelo convênio BACEN JUD. A penhora on line veio disponibilizada pela Lei n.º /2006 através do artigo 655-A que regra a aplicação do instituto com utilização pelo Judiciário dos avanços tecnológicos disponibilizados, in verbis: Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira, o Juiz, a requerimento do exeqüente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do

26 26 executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade, até o valor indicado na execução. O Juiz não pode sem requerimento do credor, ordenar a constrição eletrônica. Mas a partir do momento que o credor faz esse requerimento, o Juiz é obrigado a deferir tal solicitação investigatória dos bens do executado. Mas se o pedido vier cumulado, ou seja, primeiro para pedir informações e outro para realizar a penhora on line dos valores porventura encontrados, o quadro muda de figura, ou seja, o Juiz deferirá o primeiro pedido e o segundo pedido ficara ao exclusivo arbítrio do Juiz. Vale salientar que a penhora on line não contraria a ordem legal de bens penhoráveis, pois a penhora em dinheiro é a primeira na ordem preferencial do art. 655 do CPC. E uma vez concretizada a penhora on line, dando cumprimento ás regras processuais, será lavrado auto de penhora venerando as exigências formais do artigo 655 do CPC com a indicação do depositário dentre aqueles conjeturados no artigo 666 do CPC. Depois

27 27 segue-se com a intimação do executado ou seu devedor para, querendo, aviar embargos à execução (CPC, art º e 5º). Se a penhora recair sobre valores que a lei considera impenhorável, o encargo da prova de impenhorabilidade é ônus exclusivo do devedor, o que pode ser feito nos próprios autos da execução ou mesmo através de embargos à execução (alegação de impenhorabilidade), em obediência ao 2º do art. 655-A, in verbis: 2º. Compete ao executado comprovar que as quantias depositadas em conta corrente referem-se à hipótese do inciso IV do caput do art. 649 desta Lei ou que estão revestidas de outra forma de impenhorabilidade. Em conclusão, acrescenta Amauri Mascaro Nascimento, que a penhora on line, é uma realidade definitivamente incorporada ao sistema processual; não contraria o art. 655 do CPC; atende os imperativos da celeridade processual e leva em conta o princípio da utilidade para que a execução possa chegar efetivamente ao seu fim sem que, nisso, se possa ver um desrespeito às garantias

28 28 processuais do executado quando tem assegurada a possibilidade de ampla defesa e previamente é citado para a execução. 7 III-CONCLUSÃO 7 - NASCIMENTO, Mascaro Amauri, Curso de Direito Processual do Trabalho, Editora Saraiva, pg. 691.

29 29 Concluímos que as reformas do Código de Processo Civil através da introdução das Leis n.º /2005 e /2006, vieram em boa hora, ou seja, podemos notar que a cada reforma, cada artigo revogado ou alterado, visa a facilitação do andamento da execução, tanto para o credor que tem uma garantia maior que irá obter sucesso no processo de execução, além de participar mais ativamente do processo, indicando bens a serem penhorados já na inicial, bem como o devedor que tem uma chance para quitar a dívida, impedindo, assim, o prosseguimento da execução. Também abordamos a repercussão dessas novas Leis no Processo do Trabalho que é fonte subsidiária do direito comum, bem como, verificamos que tais procedimentos introduzidos só agora no processo civil, já continha há muito tempo no Processo do Trabalho, como por exemplo, a penhora on line. Concluímos também que a penhora é um ato de muita importância na execução, ou seja, é o ato pelo qual se apreendem bens para empregá-los, de maneira direta ou indireta, na satisfação do crédito exeqüendo. Porém, não podemos penhorar qualquer bem do devedor, pois o Código de Processo Civil elenca em seus artigos 655 e

30 os que podem ser penhorados (bens penhoráveis) ou não (bens impenhoráveis), bem como a impenhorabilidade relativa desses bens. Nesse sentido, há de salientar que a nova redação do artigo 649 do CPC e por conseqüência não se aplicando o artigo 648 do mesmo instituto, tem natureza exemplificativa, tendo em vista que existem exceções a serem levadas em consideração respectivas impenhorabilidades, pois no Direito do Trabalho leva-se em consideração a hipossuficiência do trabalhador e o caráter alimentar do objeto da lide. Por fim, salientamos que necessário que o Poder Judiciário especificadamente na Justiça do Trabalho analisa cada caso concreto, ao relativizar ou não a impenhorabilidade dos bens elencados pela norma legal. Não podemos esquecer que acima de tudo o Direito deve ser flexibilizado a cada caso concreto, levando em consideração os princípios constitucionais e infraconstitucionais já consagrados e as leis só complementam e nos indicam o caminho a seguir. A quem defenda que a Justiça é cega, mas o Juiz não.

31 VI - BIBLIOGRAFIA 31

32 32 1. JÚNIOR, Theodoro Humberto, Processo de Execução e Cumprimento da Sentença. 24ª Ed. São Paulo: Editora Eud, JÚNIOR, Theodoro Humberto, As Novas Reformas do Código de Processo Civil. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, NUNES, Donizetti Elpídeo, Curso Didático de Direito Processual Civil. 5ª Ed. Belo Horizonte: Editora Del Rey, Negrão, Theotonio e Gouvêa, F. Roberto José, Código de Processo Civil e legislação processual em vigor 39ªEd., Editora Saraiva, MARCATO, Carlos Antônio, Código de Processo Civil Interpretado. São Paulo: Editora Atlas, NASCIMENTO, Mascaro Amauri, Curso de Direto Processual do Trabalho. 23ª. Ed., Editora Saraiva, MARTINS, Pinto Sergio, Direito Processual do Trabalho. 17ª Ed., Editora Atlas, São Paulo: Michaelis, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, São Paulo: Editores Melhoramentos, 1998.

33 33 9. Site: A reforma processual e o novo rol de bens absolutamente impenhoráveis do art. 649 do CPC após a Lei n.º / Site: Prodinfo/ destaque/ lei htm. 11. Artigo publicado no DVD Magister, Edição Agosto/2007: Títulos: - Novas modificações no CPC e o Processo do Trabalho: Lei ; Estevão Mallet, Da Impenhorabilidade do Fundo de Previdência Complementar e do Seguro de Vida; Elias Marques de Medeiros Neto.

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