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1 CONCLUSÕES Workshop O Sector Empresarial do Ambiente Oportunidades de Internacionalização No dia 16 de Novembro de 2007 na parte da manhã, decorreu na APA Agência Portuguesa do Ambiente, em Lisboa, o Workshop sobre O Sector Empresarial do Ambiente Oportunidades de Internacionalização, uma iniciativa da APEMETA, Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais, organizado em colaboração com a APA. O principal objectivo deste evento foi o de informar o sector empresarial ambiental sobre as oportunidades de negócio de âmbito internacional, mais especificamente nos mercados de Espanha, Angola e Roménia. Neste evento foi realizado o lançamento do Guia de Acesso ao Mercado Espanhol do Sector do Ambiente, elaborado pela APEMETA, no âmbito do projecto de internacionalização da Fileira da Engenharia Portuguesa, que integra o AICEP Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e outras associações parceiras (AECOPS, AICCOPN, ANEOP, APPC). Esta publicação foi oferecida a todos os participantes. A APEMETA aproveitou ainda este certame para proceder ao lançamento e divulgação da sua nova organização e da sua nova imagem, numa altura em que esta Associação comemora 20 anos de actividade, que reflectem o seu empenho em dar respostas cada vez mais eficazes aos enormes desafios que se colocam ao sector empresarial do ambiente. Este workshop deu início com a presença, na Sessão de Abertura, do Engº Manuel Gaeiras, Director da AICEP e o Eng.º Carlos Iglézias, Presidente da APEMETA. O Engº Manuel Gaeiras destacou a importância da AICEP, como uma Agência de referência para a criação de um ambiente de negócios competitivo, em particular para as PMEs. As prioridades da AICEP são definidas em função das necessidades das PMEs, que são transmitidas a este organismo através do preenchimento de um inquérito realizado pela AICEP às PMEs. A AICEP aposta numa estratégia de causar impacto na economia nacional, sendo que a actividade desta Agência é medida por indicadores como, o índice de exportações, qualificação dos postos de trabalho, novos investimentos estruturantes, entre outros. A AICEP tem como missão, entre outras, divulgar a internacionalização, exportar bens e serviços, dinamizar rede de negócios, sendo que para o efeito a AICEP apresenta-se ao dispor de todas as empresas nacionais. Este evento decorreu no período da manhã, tendo sido moderado pelo Dr. João Luís Sousa, Director Adjunto do Jornal Vida Económica. A primeira apresentação foi efectuada pelo Engº Manuel Gaeiras que abordou o Projecto Promoção Externa da Fileira da Engenharia Portuguesa. A Fileira da Engenharia Portuguesa engloba actividades tão diversas como a Arquitectura, a Consultoria de Engenharia/Projecto, a Construção Civil e as Obras Públicas, o Ambiente e a Consultoria Jurídica e Financeira. Os mercados internacionais funcionam de forma integrada e o cliente procura serviços de espectro mais amplo, tipo chave na mão. A Engenharia Portuguesa tem uma sólida reputação baseada em critérios, como a dinâmica e flexibilidade empresarial, a experiência internacional reconhecida, a qualidade e eficácia no serviço, as soluções inovadoras, a criatividade e prestígio e a responsabilidade ambiental. As empresas do sector da construção (CAE 45) são as mais representativas no universo das empresas portuguesas, seguidas das empresas do sector do comércio por grosso (CAE 51), das empresas com actividades jurídicas, consultoria empresarial, fiscal e de gestão (CAE 741) e das empresas com outras actividades de serviço prestadas às empresas (CAE 748). As empresas nacionais da fileira do ambiente são jovens e maioritariamente PME, actuam em nichos de mercado da Engenharia Portuguesa, nomeadamente na área da água e saneamento, efluentes, resíduos, ordenamento do território, ruído, ar, etc. Têm forte componente tecnológica e uma especialização na área da engenharia com 1

2 elevado grau de qualificação e know-how. Têm apostado em Espanha como primeiro mercado de Internacionalização. No sector do ambiente, é necessário implementar programas específicos e normas rigorosas e divulgação intensiva das melhores práticas, bem como desenvolver novas soluções (tratamento dos resíduos da construção, por exemplo) de produtos limpos e de tecnologias sustentáveis. O Projecto Promoção Externa da Fileira da Engenharia Portuguesa resultou da necessidade de concertar a estratégia de intervenção externa dos sectores da Construção e da Consultoria de projecto e Ambiente, tendo este projecto, com 24 meses de duração, um montante de investimento total de ,84, um montante de incentivo de ,87 Os objectivos desta parceria foram ganhar dimensão e massa crítica, expandir a base exportadora do sector, aprofundar a relação empresas - mercados alvo, incentivar a cooperação das empresas da Fileira Engenharia entre si e aumentar o número de concursos internacionais ganhos nos mercados alvo. Para além dos tradicionais PALOP são considerados mercados prioritários do Projecto da Fileira a Roménia, a Polónia e a República Checa (potencial de crescimento), a Espanha (proximidade geográfica), e o Mercado dos Concursos Internacionais com financiamento multilateral. Para a Engenharia Portuguesa verifica-se que o volume de negócios tem aumentado na Europa Oriental, nomeadamente na Polónia e Roménia; os mercados da América Central e do Norte têm perdido importância e os mercados como os EUA e como o Canadá têm mantido a sua importância relativa. As tendências futuras são a aposta na inovação e na internacionalização das empresas, no maior enfoque à internacionalização dos serviços de engenharia e consultadoria em especial por parte de PMEs, a ligação das empresas às Universidades, o incremento das redes e Parcerias Público Privadas para desenvolvimento de estratégias internacionais e a aposta na diversificação para actividades com elevado potencial como as energias renováveis. O presidente da APEMETA, Engº Carlos Iglézias, procedeu à apresentação do guia de acesso ao mercado espanhol para o sector do ambiente, tendo procedido primeiramente à apresentação da nova organização e imagem desta Associação. A decisão sobre a nova imagem da APEMETA nasce de uma nova visão e identidade, que se pretende reforçar ao nível da maturidade e profissionalismo que o sector empresarial do ambiente conquistou. O reconhecimento da Utilidade Pública da actividade e estatutos da Associação reforça a responsabilidade de todos que trabalham e colaboram para cumprir a sua missão. A imagem dinâmica e actual visa reflectir a preponderância cada vez mais forte deste sector no tecido empresarial português exigindo uma Associação com experiência de duas décadas, capaz de corresponder aos desafios futuros continuando a assegurar a excelência de desempenhos com confiança e responsabilidade. O compromisso desta direcção é assumir os actuais desafios no novo contexto e renovada organização com base em valores de transparência, integridade e competência que são exigíveis a esta Associação de Utilidade Publica, com vinte anos de actividade em prol dos seus associados. O estudo do mercado espanhol revestiu-se de grande importância para a APEMETA, na medida em que as empresas associadas revelaram este mercado como prioritário, através de um inquérito realizado às mesmas pela Associação. Neste sentido, foi elaborado o Guia de Acesso ao Mercado Espanhol, sendo este um guia prático e operacional, que permite ao empresário encontrar, fácil e comodamente, respostas às questões que surgem na expansão da sua actividade. O Guia de Acesso ao Mercado Espanhol apresenta uma caracterização genérica do país, uma síntese do mercado espanhol e o sistema legal daquele país (licenciamento da actividade empresarial, o sistema financeiro, o sistema fiscal, o sistema laboral e o apoio e incentivos ao investimento). A Administração Geral do Estado, o Ministério da Economia e Finanças, o Ministério do Ambiente, as Redes de autoridades ambientais, os concursos públicos, as entidades competentes, a acreditação e certificação, as autoridades ambientais das Comunidades Autónomas e as instituições associativas empresariais, constituem matérias abordadas neste guia. 2

3 O Guia de Acesso ao Mercado Espanhol apresenta ainda uma caracterização sectorial por domínio ambiental, o enquadramento legislativo, as principais feiras e certames; os contactos, endereços e sites mais relevantes, bem como alguns operadores do sector do ambiente em Espanha. Seguidamente, deu início o debate da Mesa Redonda, subordinada ao tema Mercados Emergentes e Oportunidades de Internacionalização. O Mercado de Espanha foi comentado pelo Eng.º Luís Conde Santos, Gerente da dblab, Lda. e Presidente da dblab España - Laboratório de Acústica y Vibraciones, SL e pelo Dr. Jorge Moreira, Membro da Junta Directiva da CCILE, Câmara de Comércio e Indústria Luso Espanhola. O Engº Luís Conde Santos falou da experiência da sua actividade empresarial em Espanha, que aconteceu no ano de No entanto, este empresário considera que a dblab está ainda na fase de entrada no mercado espanhol. Considera que opera num mercado doméstico, pois actua em regiões ibéricas como a Catalunha. O Engº Luís Conde Santos realçou a confiança como um factor chave para o estabelecimento de negócios neste mercado, onde o contacto físico e pessoal entre as partes intervenientes é o mais importante. A dblab começou a sua participação em concursos públicos, sendo que actualmente a actividade da empresa em Espanha representa 15% do volume de negócios global. Em 2005, Espanha estava mais atrasada ao nível de legislação ambiental do que o nosso país, sendo que actualmente encontram-se mais avançados. Para uma empresa entrar com sucesso no mercado espanhol é essencial dominar a língua, dado que a experiência desta empresa permite-lhe concluir que quando não se fala o espanhol são criados muitos entraves e equívocos entre as empresas. Segundo a experiência da dblab é preferível a empresa portuguesa levar colabores portugueses para Espanha do que contratar pessoas daquela região. Para o efeito, as passagens de low cost são uma grande vantagem para o sector empresarial português. A dblab tem maioritariamente trabalhos na Catalunha e Galiza, sendo que é recomendável a empresa portuguesa que quer se expandir em Espanha concentrar-se numa região e num sector (sector industrial). No caso da dblab foi na indústria cimenteira. Para o efeito, efectuaram estudos de mercado para saberem onde existem e como funcionam as cimenteiras, sendo que os primeiros contactos foram telefónicos e por a partir de Portugal. Presentemente, já operam em 3 cimenteiras (em Espanha existem cerca de 20). O Engº Luís Conde Santos referiu que em Espanha, as empresas que ganham os concursos públicos são aquelas que apresentam o preço mais elevado, sendo que estes processos não são muito transparentes. A dblab já está a trabalhar também numa central de biomassa florestal para produção de bioetanol. Um aspecto a explorar é ter uma empresa consultora associada porque as empresas de consultoria normalmente atraem as empresas prestadoras de serviços. A CCILE, representada pelo Dr. Jorge Moreira é constituída por cerca de 20 Directores, sendo que 5 são empresas portuguesas. A CCILE é patrocinada pelo Ministério da Economia Espanhol. A CCILE tem como objectivo apoiar no estabelecimento tanto das empresas portuguesas em Espanha, como das empresas espanholas em Portugal. Os empresários podem contactar a CCILE no sentido de saberem que empresas existem numa determinada região espanhola. A CCILE funciona como uma plataforma, essencialmente para as PMEs. Há cerca de anos atrás, Espanha trouxe as suas empresas para Portugal, tendo estas vindo em massa. No entanto, actualmente o investimento português é maior em Espanha, do que o de Espanha em Portugal. Os espanhóis são excelentes vendedores, pró-activos, empreendedores, solidários no negócio e muito cooperantes entre eles. Há empresa espanholas que fabricam os seus produtos em Portugal, o que prova que a iberização está feita há muito tempo. O Mercado de Angola foi o segundo mercado em destaque nesta Mesa redonda. O Engº Afonso Lobato Faria, Director de Desenvolvimento Sustentável do ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade), fez uma pequena introdução ao ISQ, afirmando que este Instituto é uma Associação privada há 40 anos, tendo iniciado a sua actividade na área 3

4 da soldadura. É constituído por 800 trabalhadores e actualmente abrange todas as áreas da engenharia. 60 pessoas trabalham nas áreas do Ambiente e Energia. O ISQ há cerca de 25 anos que opera em mercados externos, tendo começado no Brasil e na China (via Macau). Há cerca de 20 anos que o ISQ está presente no mercado angolano, através de um parceiro fiável. Há 10 anos que esta empresa opera na área do ambiente em Angola, sendo que neste momento, o ISQ tem 4 trabalhadores naquele país de forma quase permanente. O Engº Afonso Lobato Faria salientou a dificuldade de encontrar trabalhadores portugueses que queiram se estabelecer em Angola, daqui que os técnicos do ISQ permanecem em Angola meio ano e em Portugal outro meio ano. A confiança e o contacto pessoal e permanente também são factores chave para o estabelecimento de negócios. O mercado do ambiente em Angola tem sido desencadeado pela legislação que tem sido criada, sendo que o mercado existem é maioritariamente no saneamento básico, saneamento de águas pluviais e na gestão dos resíduos, sendo Portugal muito forte a nível de experiência nestes sectores. Os grandes investimentos em Angola são na área do saneamento básico. Em Angola existe muito concorrência, não sendo um mercado de penetração fácil e verificando a existência de muitos países dedicados à internacionalização. Nesta área, Portugal tem vantagens, sendo que o passado colonial já não se revela como um aspecto de influência negativa. Devido à concorrência, a exigência ao nível dos serviços é muito elevada, sendo que na área do ambiente há um mercado de não baixa tecnologia. A legislação angolana na área do ambiente ainda é muito escassa, no entanto, os grandes investimentos têm que incluir um estudo de impacte ambiental. Angola, sendo um país que esteve muitos anos em guerra, apresenta grandes oportunidades ao nível da construção, abastecimento de água e construção ferroviária, sendo a incorporação da questão ambiental muito lenta. Portugal tem uma grande exigência ao nível da legislação ambiental, o que confere experiência às nossas empresas, sendo este facto uma vantagem competitiva. O mercado da Roménia foi apresentado pelo Eng.º Manuel de Sousa Pereira, Administrador da Lena Construções e pelo Eng.º Ricardo Gomes, Vice-Presidente da Direcção da AECOPS. O Engº Ricardo Gomes comparou a Roménia a Portugal há cerca de 20 anos atrás. Este país constitui a nova Europa e é o país que mais oportunidades oferece às empresas portuguesas. Sendo a Roménia a nova Europa tem actualmente muitos fundos estruturais disponíveis cerca de 19 mil milhões de euros até Este país saiu do sistema socialista, sendo actualmente uma anarquia controlada, consequentemente não tem um tecido empresarial estruturado. Aos concursos públicos concorrem empresas romenas em parceria com empresas de outros países. Prevê-se que as empresas romenas não terão grande capacidade de executar os programas de fundos comunitários até 2013, sendo os investimentos com capital unicamente nacional insuficientes. Este país tem instituições políticas que dificultam o estabelecimento de negócios, trazendo implicações macroeconómicas. Daí que se prevê que os fundos estruturais só irão ser efectivamente aplicados no ciclo, As grandes dificuldades na Roménia estão muito relacionadas com a incapacidade da máquina administrativa o processo de decisão é pouco transparente para as empresas que investem. O Eng.º Manuel de Sousa Pereira referiu que o saneamento básico é a fonte das parcerias para as empresas portuguesas. A estratégia neste país é estabelecer parcerias. Verifica-se neste país que os romenos de 2ª geração formados nos EUA e filhos de imigrantes, têm uma visão europeia e internacional, tentando implementar modelos PPP. Outras das desvantagens para as empresas portuguesas são os custos da distância, situação que se agrava no caso das PMEs. No entanto, este país constitui um grande potencial resultante da nova Europa. 4

5 O Engº Manuel de Sousa Pereira, da LENA Construções, afirmou que esta empresa tem grandes interesses na Roménia. A LENA Construções foi para a Roménia numa pesquisa de mercado, estando a operar também na Bulgária, no entanto está mais avançada na Roménia, em que já possui clientes fidelizados. A LENA Construções faz muitos concursos públicos, sendo que inicialmente nos concursos públicos a que concorriam, ficavam em último lugar no preço. No estabelecimento de negócios, o contacto pessoal e a confiança entre as empresas é fundamental, para que as empresas portuguesas não dêem a ideia de que são intrusos, mas sim parceiros. A grande dificuldade para as nossas empresas é a distância, dado que se gasta um dia de viagem. A LENA Construções comprou na Roménia uma empresa de obras públicas e construção civil, em que inicialmente compraram 60% da empresa e agora já possuem 100%. Esta empresa possuía alguns terrenos, em que agora num deles, a LENA Construções tem uma obra de construção imobiliária. Para além disso, esta empresa comprou a empresa Abrantina, que tinha projectos na Roménia, nomeadamente projectos imobiliários. Esta empresa portuguesa tem um conhecimento profundo da geografia do país, que tem 22 milhões de habitantes. Assim, até 2018 este país constitui um grande potencial nas áreas da construção e engenharia, devido ao grande acesso aos fundos comunitários que este país tem. O Engº Manuel de Sousa Pereira afirmou que esta empresa vai estar alguns anos na Roménia, levando para este país técnicos portugueses, oferecendo qualidade, de forma a fidelizar clientes. A LENA Construções vai continuar a apostar nas parcerias com outras empresas e nos concursos públicos de concessões ferroviárias com portagens. A Sessão de Encerramento foi efectuada pelo Engº Carlos Iglézias, que agradeceu aos conceituados oradores a sua presença e o relato das suas experiências nos mercados dos países em causa, que muito enriqueceu o presente workshop, tendo estes oradores mostrado uma visão real, actual, construtiva e didáctica aos participantes deste evento. O Engº Carlos Iglézias alertou para o facto de, apesar de neste evento terem sido mostrados casos de sucesso de internacionalização, existem muitos mais casos de insucesso de tentativa de implementação de empresas nos mercados em causa, tais como em Angola. As questões culturais são necessárias serem asseguradas. Este evento ficou também marcado de forma especial para a APEMETA, pelo lançamento da sua nova Imagem associada à nova organização. 5

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