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1 Este livro levará você a lugares fantásticos, onde incríveis histórias acontecem. O primeiro volume de Mundos Distantes leva o leitor a quatro universos fantásticos diferentes: começa em um pub, onde encontramos um irlandês forjado pela guerra; em seguida, conheceremos dois aventureiros enfrentando um escaldante deserto; depois, viajaremos até um futuro espacial com mistérios a serem desvendados ; e, por fim, atravessaremos um território inóspito, porém mágico, destinado a ser explorado por um decadente rei. Mun d bilh os Dist an et naçã e de pa tes reú ne ss o dad, conten agem p pedaç o eef a anta do suas ra terra s expre ss sia. próp s lon gínq ivos de rias u parc d elas as, exis iversos Ces t d e u n ar A e av entu tes no niverso lcáz sf t e ra, d ar ram mpo e antásti Chr e c a, m isto istér spaço d os. Um phe io, d a r Ka iver imagisão, sten real smi id t Marca Mar celo Aug usto Galv ão 1 Marca

2 Cesar Alcázar Christopher Kastensmidt Marcelo Augusto Galvão Marca

3 Copyright 2013 by Cesar Alcázar, Christopher Kastensmidt e Marcelo Augusto Galvão Todos os direitos reservados à 9Bravos. 1ª edição, 2013 Organizador: Ricardo S. Andrade Ilustração de capa: Caio Yo Layout de capa e diagramação: Cristiane Viana Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Mundos distantes / organizado por Ricardo Sodré Andrade. Salvador : 9Bravos, (Mundos distantes, 1) Conteúdo: Caminho para o purgatório / Marcelo Augusto Galvão A Cidade dos mil pilares; Lobos / César Alcázar Um Pedaço de madeira, uma planície de poeira / Christopher Kastendsmidt. ISBN: Contos brasileiros I. Andrade, Ricardo Sodré II. Galvão, Marcelo Augusto III. Alcázar, César IV.Kastendsmidt, Christopher CDD Índice para catálogo sistemático: 1. Contos : Literatura brasileira Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, por qualquer meio, seja total ou parcial, constitui violação da Lei 9.610/98. Marca 9Bravos Caixa Postal 10537, CEP: Salvador - Bahia - Brasil

4 sobre os autores Cesar Alcázar Cesar Alcázar nasceu em Porto Alegre, no ano de Admirador de Hemingway, Borges e Robert E. Howard, encontrou na literatura uma forma de exteriorizar seus devaneios aventurescos e sombrios. É o autor dos livros Bazar Pulp Histórias de Fantasia, Aventura e Horror e Cemitério perdido dos Filmes B (como Cesar Almeida), além de ter organizado a antologia "Crônicas de Espada e Magia". Também atua como editor (Argonautas Editora) e tradutor. Christopher Kastensmidt Christopher Kastensmidt é autor da série A Bandeira do Elefante e da Arara (ABandeira.org), publicada no Brasil pela Devir Livraria. Foi finalista do Prêmio Nebula, idealizador do Concurso Hydra e cofundador da Odisseia de Literatura Fantástica. Participou da criação de trinta games e chegou a ser Diretor Criativo da Ubisoft Brasil. Atualmente é professor da UniRitter. Marcelo Augusto Galvão Marcelo Augusto Galvão é apreciador de vários gêneros literários. Teve contos publicados em sites, na revista Scarium e nas antologias Imaginários, Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, Sherlock Holmes Aventuras Secretas, Space Opera, Caminhos do Fantástico, Sagas, Retrofutrismo e Dark Policial Divisão de Casos Sobrenaturais. Blog: galvanizado.wordpress.com

5 apresentação Mundos Distantes é a junção de pedaços de universos fantásticos. Um bilhete de passagem que proporciona um empolgante passeio por terras longínquas, existentes no tempo e espaço da imaginação. Este volume inclui três histórias fantásticas em diferentes cenários: Caminho para o Purgatório, uma aventura espacial com muito mistério e protagonizada por um investigador implacável, escrita por Marcelo Augusto Galvão; A Cidade dos Mil Pilares, uma caça ao tesouro em pleno deserto escaldante, com um contrabandista de armas britânicas e seu fiel ajudante, criada por Cesar Alcázar; e Um Pedaço de Madeira, uma Planície de Poeira, a viagem de um rei decadente e o que restou de sua corte por uma terra inóspita, porém mágica, de autoria de Christopher Kastensmidt e traduzido do original em inglês por Arthur Ferreira Jr. Além de tudo isso, você ainda poderá ler Lobos, um conto bônus com o guerreiro irlandês Anrath, personagem de Cesar Alcázar. A ilustração de capa desta edição é de Caio Yo, com projeto gráfico de Cristiane Viana. Ricardo S. Andrade Organizador

6 sumário Lobos Cesar Alcázar 13 Um Pedaço de Madeira, uma Planície de Poeira Christopher Kastensmidt 23 A Cidade dos Mil Pilares Cesar Alcázar 51 O Caminho para o Purgatório Marcelo Augusto Galvão 79

7

8 13 Lobos c e s a r a l c á z a r

9 Pois eu repito: não estou gostando nada disso! a voz de Einarr transbordava de ódio e apreensão. O homem corpulento e barbado estava inquieto desde que chegara naquela taverna desolada. Quatro outros homens de aparência pouco amigável o acompanhavam em sua encolerizante espera. Eles discutiam com veemência, cuspindo frases ásperas entre goles de cerveja. Apenas um deles permanecia calado: sentado à ponta da mesa, silencioso e sombrio, parecia não dar atenção aos demais. Seus olhos se fixavam na frágil chama da vela à sua frente enquanto bebia. Apesar dele, a discussão continuava: Acalme-se, Einarr! Essa irritação de nada adiantará! Cormac de Leinster procurava manter a fleuma. Contudo, sua tentativa foi em vão. Você deve ter perdido a cabeça! gritou Einarr Eu conheço quase todos aqui e sei que se alguém nos reuniu, não deve ser por bons motivos! Pode ser uma emboscada! exaltou-se Bronagh, ao mesmo tempo em que o estranho Cennec soltava uma gargalhada nervosa. Isso mesmo! A pessoa que nos atraiu com a promessa de riqueza em troca de um serviço pode na verdade querer vingança contra nós, por alguma razão! Sem dúvida cometemos muitos crimes. Muitos senhores de terras querem a nossa cabeça! Einarr agora parecia insano. Um fio de saliva escorreu pela sua barba escura enquanto falava aos gritos. Sob olhares desconfiados, ele continuou. Como falei antes, conheço todos vocês, menos um! ele apontou para o homem silencioso no fim da mesa. Por que você não fala nada? O que você esconde? O homem sombrio pousou o copo sobre a mesa e fitou Einarr com olhos negros e impiedosos. Com calma inabalável, recostou-se na cadeira e logo quebrou seu silêncio: Quando um homem não tem nada de importante para falar, ele deve manter a boca fechada. Sem gostar da resposta, Einarr resmungou raivoso. Do outro lado da sala, Cormac interveio: Você não acha nada de estranho nessa situação? questionou. Onde está nosso suposto contratante, que até agora não deu as caras? 15 m u n d o s d i s t a n t e s Lobos

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11 Um Pedaço de Madeira, uma Planície de Poeira 23 c h r i s t o p h e r k a s t e n s m i d t traduzido por Arthur Ferreira Jr..

12 Três cavaleiros aproximavam-se dos restos de um arco em ruínas. Para um camponês trabalhando em seu campo, se alguém assim estivesse presente, os cavaleiros pareceriam quase régios: três lordes saindo a cavalgar, ou, pelo menos, três comerciantes. Uma montaria custaria uma soma inimaginável para um fazendeiro, e as espadas presas às costas dos homens eram típicas das classes mais altas. Porém, um conhecedor não chegaria a essa mesma conclusão. Primeiro, teria notado que não cavalgavam em palafréns principescos, mas em burricos esqueléticos. Notaria então os cabos enferrujados das espadas. Seus cabelos castanhos claros não combinavam com suas peles bronzeadas, que fediam a trabalho e viagens, mostrando rugas muito além das suas idades de quarenta anos. Suas camisas e calções exibiam inúmeros buracos: alguns onde o tecido havia se desfeito, outros onde rasgões expunham cicatrizes na pele. Ao invés de mochilas cheias de mercadorias, carregavam alforjes quase vazios, pendendo por trás deles como vagens flácidas. Este observador não os perceberia como realeza, porém mesmo como uma paródia da realeza. Por fim, o mais perceptivo dos observadores notaria a dama entre eles, muito embora ela cavalgasse de pernas abertas sobre o burrico ao invés de montar com as duas pernas ao lado; e vestisse as roupas e usasse o cabelo curto típico de um homem. Ainda assim, não seria ela quem chamaria mais a atenção, nem o homem de olhar cansado, curvado na sela do burrico ao lado dela. O homem que cavalgava à frente dominava a cena, com suas costas retas e cavanhaque pontudo, cujos olhos apertados fitavam de um lado para o outro, como se procurando alguma coisa. 25 Reiner estacou diante da arcada em ruínas, uma passagem atravancada que marcava a única entrada construída pelo homem através de uma muralha que alcançava ambos os horizontes. O tempo, contudo, esse mestre de obras insone, fez ruir o arco e adicionou suas próprias aberturas arruinadas por toda a extensão da muralha. m u n d o s d i s t a n t e s Um Pedaço de Madeira, uma Planície de Poeira

13

14 A Cidade dos Mil Pilares 51 c e s a r a l c á z a r

15 Maintenant je suis maudit, j ai horreur de la patrie. Le meilleur, c est un sommeil bien ivre, sur la greve. 1 Arthur Rimbaud 53 Foi mesmo má sorte termos encontrado aquele destacamento turco acampado sobre as ruínas, Qabil! exclamou Haroun Se ao menos tivéssemos trazido suprimentos para mais dias, poderíamos ter ficado à espreita, aguardando que fossem embora. Você deve ter má sorte por causa desse seu nome, Qabil! Que pai daria um nome desses a um filho? Caim fitou o companheiro exibindo uma expressão séria na face. Seus olhos azuis faiscavam em contraste com a pele morena. Sabia que esperar os turcos partirem não seria sensato, pois havia um cão vermelho em seu encalço. O balanço monótono dos camelos deixara-o um pouco cansado, e ele não queria se desgastar com uma discussão nessa altura do dia. Os últimos raios de sol desapareciam no horizonte, e o frio da noite no deserto começava a se anunciar. Além disso, já estava acostumado com o temperamento de Haroun, e decidiu responder-lhe em tom espirituoso: Sabe por que me chamo Caim, ou Qabil, como você insiste em dizer? Não consigo imaginar... Esse nome vem de uma história triste. Eu tive um irmão gêmeo, que nasceu morto. Ele foi sufocado pelo meu cordão umbilical. Então, por causa disso, minha mãe quis me batizar com o nome de Caim. O padre não gostou muito da ideia, e eu acabei não sendo batizado, pelo menos não na igreja. Mas, de qualquer modo, acabei como Caim. Sua mãe? Mas, e seu pai, como concordou com isso? Nunca conheci meu pai. Entendo... Então isso significa que você é um bastardo? Cuidado, Haroun, algumas pessoas poderiam tomar isso como ofensa. Caim riu alto, e o som perdeu-se no deserto. Haroun, por sua vez, 1 Agora sou maldito, tenho horror à pátria. O melhor é dormir, completamente bêbado, na praia. Trad. Janer Cristaldo m u n d o s d i s t a n t e s A Cidade dos Mil Pilares

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17 O Caminho para o Purgatório 79 c e s a r a l c á z a r

18 E então as luzes de emergência se apagaram, a iluminação retornou e a gravidade fez sua parte: o homem desabou, com um estrondo, no piso do corredor. Algo úmido caiu sobre o rosto. Ele passou a mão, que voltou suja de vermelho e amarelo. Eram pedaços de um cérebro Duas horas antes. Foi o padre Agustsdottir quem me recomendou seus serviços. O golfinho nariz-de-garrafa disse com a voz artificialmente grave, respondendo à pergunta feita por Alastair Taichi. Por um instante, o homem encarou o alteranimal sentado no banco do bar, pensando em como Agustsdottir sempre estava disposto a ajudá-lo. O problema era que o caminho para o inferno era pavimentado de boas intenções. Taichi coçou os cabelos grisalhos por baixo do chapéu de aba curta, antes de falar. Eu realmente não sei como posso ser de alguma ajuda nisso, senhor Adams. As duas últimas palavras saíram após uma pausa que durou quase um segundo: Taichi ainda não havia se acostumado a chamar alteranimais por pronomes de tratamento, mesmo que alguns, como aquele ao seu lado, estivessem dispostos a pagá-lo. Se o problema é dinheiro, podemos negociar um pequeno acréscimo no valor. Dionysius Adams disse, como se tivesse lido a mente do homem. Ou, o mais provável, Taichi concluiu, a linguagem corporal. O que preciso é de alguém confiável e, pelo que conversei com o padre Agustsdottir, o senhor se encaixa nessa descrição. Taichi deixou os lábios se estenderem em um sorriso amargo. Dinheiro nunca era demais, ainda mais para um veterano de guerra da Armada Solar vivendo há anos em um espaçoporto lunar como Bangkok Septi- m u n d o s d i s t a n t e s O Caminho para o Purgatório

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