Marcelo Augusto de Barros 1 Janeiro 2010 I. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

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1 Supressão de vegetação para edificação em área urbana no Estado de São Paulo aplicação a loteamentos Biomas Cerrado e Mata Atlântica - Quadro comparativo Marcelo Augusto de Barros 1 Janeiro 2010 I. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Regra geral, a nativa em área urbana deve obedecer ao disposto na Resolução SMA nº 31/2009. O texto da norma gera dúvidas quanto à interpretação. Os incisos do art. 3º, por exemplo, definem as regras de preservação mínima em caso de supressão da vegetação. Texto abaixo: I - Somente poderá ser concedida autorização para supressão de vegetação quando garantida a preservação da vegetação nativa em área correspondente a, no mínimo, 20% (vinte por cento) da área da propriedade. II - Respeitado o disposto no inciso I, deverá ser garantida a preservação de no mínimo 30% (trinta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade no caso de estágio inicial de Pode-se entender que a premissa básica é a preservação de vegetação correspondente a 20% da propriedade. Esse sempre será o valor mínimo de preservação. Passo seguinte, calcula-se a área total de vegetação existente na propriedade. Desse resultado, 30% da vegetação (no exemplo, 1 Advogado, integrante das áreas Ambiental/Contratos/Societária Rua dos Ingleses, 149 Bela Vista São Paulo SP Tel.: (11)

2 em estágio inicial de regeneração) deve ser preservado. Uma medida não prejudica a outra. É o que parece dispor a norma. Caso a vegetação seja considerada integrante do Bioma Cerrado, isto é, identificada por Savana no Mapa de Vegetação do IBGE, deverá ser obedecido, também, o disposto na Lei Estadual SP nº /2009. No que se refere às áreas a serem preservadas em caso de supressão, os dispositivos são praticamente idênticos ao da Resolução SMA 31/2009, como se pode observar do Quadro Comparativo abaixo. A Resolução SMA nº 64/2009, editada para regulamentar a Lei Estadual nº /2009, detalhou as fisionomias da vegetação do Bioma Cerrado e os respectivos estágios de As áreas preservadas serão chamadas de Área Verde e deverão ser averbadas na matrícula do respectivo imóvel. Importante: áreas de preservação permanente (APP), cuja utilização é muito restrita por vezes, nula, poderão ser computadas como Área Verde. Quando, no entanto, a área estiver situada no Bioma Mata Atlântica, tipo de bioma com presença relevante no Estado de São Paulo, aplicar-se-ão os dispositivos da Lei Federal nº /2006 e correspondente Decreto Federal nº 6.660/2009. Destaque para o arts. 30 e 31 da Lei, e 40 e 41 do Decreto, destinados a loteamentos e edificações em áreas urbanas. Essa lei veio para substituir o antigo Decreto Federal nº 750/1993, por muitos considerado inconstitucional. II. QUADRO COMPARATIVO Resolução SMA 31/2009 (geral) Artigo 2º - a autorização para nativa para o parcelamento do solo ou para qualquer edificação na área urbana, neste último caso ressalvadas as edificações para obras de interesse público objeto da Resolução SMA nº , deverá atender ao disposto nesta Resolução e nas demais normas legais pertinentes, mediante a apresentação de estudo técnico específico. Lei Estadual /2009 (cerrado) Artigo 1º - A conservação, a proteção, a regeneração e a utilização do Bioma Cerrado no Estado observarão o disposto nesta lei e na legislação ambiental vigente, em especial a Lei federal n 4.771, de 15 de setembro de 1965, que institui o Código Florestal. Lei Federal nº /2006 (mata atlântica) Art. 1 o A conservação, a proteção, a regeneração e a utilização do Bioma Mata Atlântica, patrimônio nacional, observarão o que estabelece esta Lei, bem como a legislação ambiental vigente, em especial a Lei no 4.771, de 15 de setembro de

3 Artigo 3º - a autorização para nativa para parcelamento do solo ou qualquer edificação na área urbana poderá ser fornecida mediante o atendimento das seguintes condicionantes: I - Somente poderá ser concedida autorização para supressão de vegetação quando garantida a preservação da vegetação nativa em área correspondente a, no mínimo, 20% (vinte por cento) da área da propriedade. II - Respeitado o disposto no inciso I, deverá ser garantida a preservação de no mínimo 30% (trinta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade no caso de estágio inicial de III - Respeitado o disposto no inciso I, deverá ser garantida a preservação de no mínimo 50% (cinquenta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade no caso de estágio médio de IV - Respeitado o disposto no inciso I, em se tratando de propriedade localizada em perímetro urbano definido antes da edição da Lei Federal nº , deverá ser garantida a preservação de no mínimo 70% (setenta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade no caso de estágio avançado de Artigo 8º - Nas áreas urbanas, a supressão da vegetação do Bioma Cerrado para parcelamento do solo ou qualquer edificação, observado o disposto no plano diretor do Município e demais normas aplicáveis, dependerá de prévia autorização do órgão ambiental competente e deverá atender os seguintes requisitos: I - preservação da vegetação nativa em área correspondente a, no mínimo, 20% (vinte por cento) da área da propriedade; II - preservação de, no mínimo, 30% (trinta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade, no caso de estágio inicial de regeneração, e de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) da área do fragmento de vegetação nativa existente na propriedade, no caso de estágio médio de regeneração, respeitado o disposto no inciso I deste artigo; III - averbação à margem da matrícula do imóvel correspondente da vegetação remanescente como área verde, sendo essa providência dispensada quando a área for inferior a m2 (mil metros quadrados). Parágrafo único - Poderão ser incluídas nas áreas verdes as áreas de preservação permanente definidas na Lei federal n 4.771, de 15 de setembro de Art. 30. É vedada a supressão de vegetação primária do Bioma Mata Atlântica, para fins de loteamento ou edificação, nas regiões metropolitanas e áreas urbanas consideradas como tal em lei específica, aplicando-se à supressão da vegetação secundária em estágio avançado de regeneração as seguintes restrições: I - nos perímetros urbanos aprovados até a data de início de vigência desta Lei, a supressão de vegetação secundária em estágio avançado de regeneração dependerá de prévia autorização do órgão estadual competente e somente será admitida, para fins de loteamento ou edificação, no caso de empreendimentos que garantam a preservação de vegetação nativa em estágio avançado de regeneração em no mínimo 50% (cinqüenta por cento) da área total coberta por esta vegetação, ressalvado o disposto nos arts. 11, 12 e 17 desta Lei e atendido o disposto no Plano Diretor do Município e demais normas urbanísticas e ambientais aplicáveis; II - nos perímetros urbanos aprovados após a data de início de vigência desta Lei, é vedada a secundária em estágio avançado de regeneração do Bioma Mata Atlântica para fins de loteamento ou edificação. V - a vegetação remanescente na propriedade deverá ser averbada à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis competente como Área Verde, sendo dispensada a averbação no caso de lotes com área inferior a m2. Art. 31. Nas regiões metropolitanas e áreas urbanas, assim consideradas em lei, o parcelamento do solo para fins de loteamento ou qualquer edificação em área de vegetação secundária, em estágio médio de regeneração, do Bioma Mata 3

4 1 - Poderão ser averbadas como Áreas Verdes as áreas de preservação permanente, obedecendo-se as disposições da Resolução CONAMA nº Existindo dois ou mais estágios de regeneração dentro da propriedade objeto de análise, onde se constate a impossibilidade de individualização, será aplicado o critério correspondente ao estágio de regeneração mais avançado. 3º - em se tratando de propriedade localizada em perímetro urbano definido após a edição da Lei Federal nº a nativa em estágio avançado de regeneração não poderá ser autorizada. Atlântica, devem obedecer ao disposto no Plano Diretor do Município e demais normas aplicáveis, e dependerão de prévia autorização do órgão estadual competente, ressalvado o disposto nos arts. 11, 12 e 17 desta Lei. 1 o Nos perímetros urbanos aprovados até a data de início de vigência desta Lei, a secundária em estágio médio de regeneração somente será admitida, para fins de loteamento ou edificação, no caso de empreendimentos que garantam a preservação de vegetação nativa em estágio médio de regeneração em no mínimo 30% (trinta por cento) da área total coberta por esta vegetação. 2 o Nos perímetros urbanos delimitados após a data de início de vigência desta Lei, a secundária em estágio médio de regeneração fica condicionada à manutenção de vegetação em estágio médio de regeneração em no mínimo 50% (cinqüenta por cento) da área total coberta por esta vegetação. 4º - Nos pedidos de solicitação de para lotes localizados em loteamentos já implantados, deverão ser verificadas as Áreas Verdes existentes no loteamento, que se cobertas por vegetação nativa poderão ser consideradas para fim de atendimento ao percentual de vegetação a ser preservada, levando-se em conta, nestes casos, a área total do fragmento de vegetação existente dentro do loteamento, bem como a área total do mesmo. Não há disposição semelhante Não há disposição semelhante 4

5 III. MAPA DE VEGETAÇÃO DO BRASIL - IBGE Para fins, em especial, de aplicação das legislações relacionadas aos Biomas Cerrado e Mata Atlântica, essencial a verificação do Mapa de Vegetação do Brasil - IBGE. Destaque abaixo para a região da represa de Jurumirim: *No exemplo acima, a área identificada por F, Floresta Estacional, é considerada Mata Atlântica 5

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