REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA. Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira,

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1 Senhor Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, Excelência, Senhor o Presidente do Governo Regional da Madeira, Excelência, Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Excelentíssimo Senhor Comandante Operacional e da Zona Militar da Madeira, Excelentíssimo Senhor Comandante da Zona Marítima da Madeira, Excelentíssimos Senhores e Senhora cônsules, Minhas Senhoras e Meus Senhores. Comemoramos hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A Assembleia Legislativa da Madeira, principal órgão de governo próprio da Região, associa-se a esta comemoração, saudando de modo muito efusivo as comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo. Vivemos hoje num mundo globalizado, mais aberto e integrado, que exige uma nova abordagem às relações entre a Região e as suas comunidades emigrantes, numa lógica de maior proximidade e multigeracional. Temos o dever de estar mais próximo das nossas comunidades porque são elas que promovem, por esse mundo fora, a divulgação da nossa língua, das nossas culturas e tradições, sendo um importante ativo estratégico na abertura da Região ao exterior. São elas também, que no retorno à terra mãe, trazem muito da cultura dos países de acolhimento. 1

2 A Assembleia Legislativa da Madeira, por proposta do Governo Regional, aprovou a criação de dois organismos, o Fórum Madeira Global e o Conselho da Diáspora Madeirense, para ouvir os nossos emigrantes, estar mais próximos deles, reforçando a sua participação na análise das medidas respeitantes à política regional para as comunidades madeirenses. Esta comemoração tem lugar no ano em que celebramos 40 anos de Autonomia política, Autonomia que, não sendo a que os madeirenses e porto-santenses legitimamente aspiram, permitiu à nossa Região um desenvolvimento acelerado, mais justo e inclusivo. Quarenta anos depois da consagração constitucional da Autonomia regional, a Região Autónoma da Madeira passou da região mais pobre do País para uma das mais desenvolvidas, apresentando um nível de progresso que a população usufrui e que aqueles que nos visitam têm sinalizado e enfatizado. Continuamos a viver tempos difíceis mas há sinais de confiança para enfrentar o futuro. Temos estabilidade política, restauramos a confiança dos mercados nas nossas finanças públicas, somos uma Região mais atrativa para o investimento e o nosso turismo continua a registar uma grande dinâmica. O tempo das grandes obras públicas acabou mas está a ser feito um grande esforço para serem concluídas infraestruturas rodoviárias iniciadas pelo anterior Governo Regional, o que trará mais emprego, prosperidade, segurança e dinâmica às nossas populações. Somos uma Região desenvolvida, moderna e cosmopolita, com excelentes infraestruturas ao nível das acessibilidades, das comunicações, da educação, da saúde, da cultura e do desporto. As relações com os governos da República são boas e têm sido mantidas por ser uma exigência dos dias de hoje e da própria Autonomia, já que o diálogo com a 2

3 República é importante para a resolução rápida e eficaz dos assuntos que à Madeira dizem respeito. Este é o momento para reconhecermos o trabalho de todos aqueles que com o seu saber, empenho e determinação contribuíram para o aprofundamento e consolidação da nossa autonomia, nos quais incluo os nossos emigrantes que não deixaram de investir na sua terra. Fizemos muito com os recursos disponíveis. Temos agora de estar atentos a outros desafios, quer no aprofundamento da nossa Autonomia quer no quadro europeu. A nossa inclusão na rede transeuropeia de transportes marítimos, as denominadas autoestradas do mar e a proteção do Vinho Madeira e da nossa banana, no quadro do Acordo de Comércio Livre entre a União Europeia e os EUA, ainda em fase de negociação, são importantes e têm de ser salvaguardadas. Exmas. Autoridades Minhas Senhoras Meus Senhores São as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores que dão dimensão marítima a Portugal. Se vier a ser aprovada a proposta que Portugal apresentou às Nações Unidas para alargamento da sua plataforma continental, Portugal será um País bem maior do que é hoje. A Madeira terá todas as vantagens em participar ativamente na definição das estratégias europeias e nacionais para o mar e em implementar uma política integrada para este sector que se revelará decisivo nos próximos anos quer ao nível estratégico quer económico. 3

4 O mar tem um forte potencial de desenvolvimento que devemos explorar com eficácia. A Madeira já saiu do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro que foi imposto pela República. Mas não é tempo para vender ilusões ou fazer promessas fáceis. Como não é tempo para desanimar ou ser pessimista. Há que seguir em frente. Quero saudar nesta oportunidade todos os nossos emigrantes espalhados pelo Mundo mas permitam-me que, em especial, hoje as minhas palavras sejam dirigidas à nossa comunidade emigrante na Venezuela que passa por momentos dramáticos, de grande inquietação e incerteza perante a situação de eminente rutura social que se vive naquele país. Uma comunidade que durante muitos anos contribuiu com o seu trabalho e amor à Madeira para o progresso da nossa Região Autónoma. Os venezuelanos, estou certo, saberão ultrapassar esta grave crise humanitária em democracia, com o contributo da nossa comunidade que aí vive. Sabemos que os nossos emigrantes têm orgulho na Madeira que construímos, assim como nós temos orgulho no trabalho e no prestígio que as nossas comunidades têm nos países de acolhimento. Não esquecemos que as nossas comunidades foram severamente atingidas com o colapso de duas instituições bancárias nacionais com relevante impacto nas suas poupanças. Há que fazer tudo para minorar esse autêntico flagelo que atingiu muitos dos nossos, sobretudo na Venezuela e na África do Sul. A nossa diáspora enriquece-nos e não pode nem deve ser esquecida. Neste mundo global em que vivemos, da internet e das redes sociais, ganha outrossim um papel relevantíssimo por tornar-nos maiores e mais próximos do que alguma vez fomos. 4

5 Por isso, a nossa responsabilidade para com as nossas comunidades é hoje maior do que antes, mesmo que o perfil da nossa emigração tenha mudado. Saibamos estar à altura deste desafio. O Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira

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