FACULDADE INTEGRADAS PROMOVE CURSO DE BACHAREL EM DIREITO ESTATUTO DE ROMA E CONSTITUIÇÃO FEDERAL: POSSÍVEIS ANTINOMIAS

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "FACULDADE INTEGRADAS PROMOVE CURSO DE BACHAREL EM DIREITO ESTATUTO DE ROMA E CONSTITUIÇÃO FEDERAL: POSSÍVEIS ANTINOMIAS"

Transcrição

1 FACULDADE INTEGRADAS PROMOVE CURSO DE BACHAREL EM DIREITO ESTATUTO DE ROMA E CONSTITUIÇÃO FEDERAL: POSSÍVEIS ANTINOMIAS ALUNO: ÉDLON NUNES FILHO ORIENTADORA: (DOUTORA) FERNANDA NEPOMUCENO DE SOUSA Brasília, DF 2013

2 ÉDLON NUNES FILHO CURSO DE BACHAREL EM DIREITO ESTATUTO DE ROMA E CONSTITUIÇÃO FEDERAL: POSSÍVEIS ANTINOMIAS Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial do curso de Direito, para obtenção do título de Bacharel sob a orientação da professora Doutora Fernanda Nepomuceno de Sousa. Brasília, DF 2013

3 Estatuto de roma e constituição federal: possíveis antinomias Rome Statute and the federal constitution: possible antinomies Por Édlon Nunes Filho Graduando em direito Aluno do 10º Semestre do Curso de Direito das Faculdades Integradas Icesp-Promove de Brasília Resumo O presente artigo menciona a Constituição Federal e o Estatuto de Roma, bem como sua incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro, passando pelo Tribunal Penal Internacional, entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 45, definindo e caracterizando ambos, visando uma análise em relação a possíveis antinomias entre o Estatuto e a Constituição. Esse Trabalho visa esclarecer a existência de possíveis incompatibilidades entre o Estatuto de Roma e a Constituição Federal onde foi identificado que as tais antinomias seriam apenas aparentes uma vez que depois de minuciosa análise, não foi encontrado nenhuma discordância entre ambos. Palavra-chave: Constituição Federal. Estatuto de Roma. Antinomias. Tribunal Penal Internacional. Abstract This article mentions the Federal Constitution and the Rome Statute, as well as its incorporation into the Brazilian legal system, through the International Criminal Court, Entry into force of the Constitutional Amendment nº. 45, defining and characterizing both aiming at an analysis regarding possible ente antinomies the statute and the Constitution. This work aims to clarify the existence of possible incompatibilities between the Rome Statute and the Federal Constitution. Was identified that such antinomies would be apparent only once after thorough analysis, no incompatibility between the two has not been identified. Keywords: Federal Constitution. Rome Statute. Antinomies. International Criminal Court. Sumário: 1. Introdução. 2. Estatuto de Roma. 2.1 Ratificação do Estatuto de Roma pelo Brasil. 2.2 A entrada em vigor da Emenda Constitucional nº A Hierarquia constitucional do Estatuto de Roma. 3. Constituição Federal. 3.1 Soberania. 3.2 Classificação. 4. Tribunal Penal Internacional. 4.1 Conceito. 4.2 Competência. 5. Possíveis Antinomias entre a Constituição e o Estatuto. 5.1 A entrega de nacionais. 5.2 A instituição da prisão perpétua. 5.3 As imunidades em geral e as relativas ao foro por prerrogativa de função. 5.4 Reserva Legal. 5.5 A Respeito da Coisa Julgada. 6. Discussão e Resultado. 7. Considerações Finais. Referências Bibliográficas. Anexos.

4 1. INTRODUÇÃO O Direito permanece em constante evolução, seja em decorrência dos costumes de cada local que exigem o progresso contínuo das leis, seja em decorrência de inexistirem hoje nações completamente isoladas, o que propicia o conflito jurídico entre as diversas normativas internacionais. Cada país possui sua soberania, elaborando assim seu próprio ordenamento jurídico interno, de acordo com suas características sociais e individuais. A Constituição da República Federativa do Brasil foi promulgada em 5 de outubro de 1988, representa lei fundamental e suprema, sendo referência para parâmetro de validade a todas as demais espécies normativas, situada portanto, no topo do ordenamento jurídico brasileiro. Com a instituição de um regime democrático de direito e a promulgação da Constituição, a República Federativa do Brasil se comprometeu a reger-se nas relações internacionais pela prevalência dos direitos humanos. O Brasil ratificou em 20 de junho de 2002, o Estatuto de Roma, promulgado pelo decreto nº 4.388, de 25 de setembro de 2002, obrigando-se assim, a cooperar e cumprir as normas previstas neste, bem como submeter-se a sua jurisdição. O Estatuto de Roma é um tratado que criou o Tribunal Penal Internacional, justamente com objetivo de complementar as jurisdições penais nacionais, bem como garantir a paz, segurança e o bem-estar da humanidade. Ocorre que a recepção do Estatuto de Roma pela Constituição Brasileira suscitou várias dúvidas e discussões doutrinárias, quanto à existência de possíveis antinomias entre ambos, uma vez que o Estatuto foi aprovado pelo Congresso Nacional e ratificado pelo Presidente de República em 20 de maio de 2002, obedecendo os requisitos legais para tal. O tema do presente artigo menciona a recepção do Estatuto de Roma pela Constituição brasileira, relatando análise de possíveis incompatibilidades entre ambos, principalmente em relação a cinco temas específicos, são eles: a) A entrega de nacionais; b) a instituição da prisão perpétua; c) a forma como são tratadas em nível de Tribunal Penal Internacional as imunidades em geral e as relativas ao foro por prerrogativa de função; d) a questão da reserva legal; e) a respeito da coisa julgada. 4

5 Para isso, será feita uma análise das normas que possam conter incompatibilidades entre o Estatuto de Roma e a Constituição Federal, à luz do direito internacional e da legislação Estatal interna, bem como pelos recentes julgados do Supremo Tribunal Federal, acompanhando opinião de conceituados doutrinadores para aperfeiçoamento e conclusão do tema por meio do método hipotético-dedutivo com procedimentos funcionalistas. Vale ressaltar, que o Estatuto de Roma foi um marco para a proteção dos direitos humanos na jurisdição internacional e na jurisdição interna, uma vez que o mesmo visa garantir os direitos humanos da sociedade como um todo, não existindo portanto, inconstitucionalidade, tanto intrínseca quanto extrínseca, da adesão brasileira ao Estatuto, apenas se faz concluir que o Estado brasileiro ratificou uma convenção multilateral que visa trazer um bem-estar para a sociedade internacional. 2. ESTATUTO DE ROMA Após o fim da segunda Guerra Mundial, havia uma enorme necessidade da criação de uma Corte Internacional com competência para julgar crimes contra a humanidade. Carlos Eduardo Adriano Japiassú (2004) informa que: na realidade foi somente a partir da Segunda Guerra Mundial e dos julgamentos de Nuremberg e de Tóquio que o Direito Penal Internacional efetivamente se consolidou como ciência unitária e autônoma em relação às suas origens históricas. Nesse contexto foi Criado o Estatuto de Roma, corte permanente para tutela penal internacional de crimes contra a humanidade. O Estatuto de Roma instituiu o Tribunal Penal Internacional, um tribunal de caráter permanente, destinado a processar e julgar responsáveis pelos crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de Agressão. 2.1.Ratificação do Estatuto de Roma pelo Brasil A ratificação segundo Francisco Rezek: é o ato unilateral com que o sujeito de Direito internacional, signatário de um tratado, exprime definitivamente, no plano internacional, sua vontade de obrigar-se. 5

6 Dentre as etapas que compreendem o processo de ratificação de tratados no ordenamento brasileiro, verifica-se que foram todas cumpridas. O Brasil assinou em 07 de fevereiro de 2000 o Estatuto de Roma, sendo este, aprovado pelo Congresso Nacional e ratificado pelo Presidente de República em 20 de maio de Cabe frisar que o Brasil ao ratificar Tratados Internacionais obriga-se no plano internacional a cumprir o ali disposto, uma vez que depois da aprovação do Congresso Nacional, automaticamente aceita o que nele está escrito, não havendo portanto diminuição de sua soberania, e sim a pratica de um ato de soberania, o fazendo de acordo com o que a constituição estabelece. Não obstante, também obrigou-se no plano interno, ao promulgar o decreto nº 4388, de 25 de setembro de 2002, o qual foi devidamente publicado no Diário Oficial. 2.2.A Entrada em Vigor de Emenda Constitucional nº 45 João Albino de Medeiros Farias, na Revista DIREITOS CULTURAIS - v.1 - n.1 - Dezembro 2006, preceitua que: A partir de 8 de dezembro de 2004, em virtude da entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 45, o Brasil passou a reconhecer formalmente a jurisdição do Tribunal Penal Internacional por meio do 4º acrescentado ao art. 5º da Constituição, segundo o qual: O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional, cuja criação tenha manifestado adesão. O que fez essa disposição constitucional foi solidificar a tese segundo a qual a Constituição de 1988 está perfeitamente apta a operar com o Direito Internacional e com o sistema internacional de proteção dos direitos humanos. Com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 45, houve reconhecimento formal da jurisdição do Tribunal Penal Internacional criado pelo Estatuto de Roma, comprovando assim que a Constituição Federal não encontra barreiras ao operar com o direito internacional. 2.3.A Hierarquia Constitucional do Estatuto de Roma Perante o Ordenamento Jurídico Interno Não há previsão expressa no ordenamento jurídico brasileiro quanto a hierarquia do Estatuto de Roma, porém, vários dispositivos constitucionais referentes aos tratados 6

7 internacionais de direitos humanos de forma implícita findam a conclusão de que o Estatuto de Roma apresenta hierarquia constitucional. O artigo 7º do Ato Das Disposições Constitucionais Transitórias, dispõe: O Brasil propugnará pela formação de um tribunal de direitos humanos. Antes mesmo da ratificação do Estatuto de Roma, foi previsto a criação de um tribunal internacional de direitos humanos, onde haveria a admissão da jurisdição deste tribunal no ordenamento jurídico brasileiro. João Albino de Medeiros Farias, na Revista DIREITOS CULTURAIS - v.1 - n.1 - Dezembro 2006, afirma que: O Estatuto de Roma de 1998 passou a ser formalmente constitucional no Brasil, aprovado em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos seus respectivos membros, nos termos do disposto no 3º do art. 5º da Constituição, também introduzido pela Emenda nº 45/2004. Neste caso, para além do status de norma materialmente constitucional, o Estatuto de Roma galgará ainda os efeitos jurídicos próprios das emendas constitucionais, passando a ser insuscetível de denúncia neste caso. Flávia Piovesan assinala que o entendimento sobre a hierarquia constitucional do Estatuto de Roma advém ainda de uma interpretação sistemática e teleológica dos 1º e 2 do artigo 5º da Constituição, que dispõe respectivamente: Art. 5 [...] 1 As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicabilidade imediata. 2 Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. [...] O princípio da aplicabilidade imediata dos direitos e garantias fundamentais, disposto no art. 5, 1 da Constituição, estende-se as normas oriundas de tratados e convenções de direitos humanos ratificados pelo Estado brasileiro, inclusive ao Estatuto de Roma. Com relação ao art. 5, 2 da Constituição, Carol Proner leciona que o Texto Constitucional inclui ao rol dos direitos constitucionais protegidos, os direitos previstos em tratados internacionais nos quais o Brasil seja parte, constituindo-se cláusulas pétreas. Deste modo, a interpretação é consonante com o princípio da máxima efetividade, pelo qual no dizer de Jorge Miranda: 7

8 [...] a uma norma fundamental tem de ser atribuído o sentido que mais eficácia lhe dê; a cada norma constitucional é preciso conferir, ligada a todas as outras normas, o máximo da capacidade de regulamentação. Interpretar a Constituição é ainda realizar a Constituição. Em virtude deste princípio, deve-se preferir a interpretação que reconheça maior eficácia aos direitos humanos. Portanto, faz-se concluir que o Estatuto de Roma tem status constitucional, uma vez que o Tratado versa sobre direitos humanos, bem como foi aprovado em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos seus respectivos membros, nos termos do disposto no 3º do art. 5º da Constituição, introduzido também pela Emenda nº 45/2004, respeitando assim os trâmites legais para tal. 3. CONSTITUIÇÃO FEDERAL A Constituição Federal de 1988, denominada constituição cidadã e promulgada em 05 de outubro de 1988 constitui o marco jurídico da transição democrática e da institucionalização dos direitos humanos no Brasil. De acordo com Paulo Ricardo Schier, a Constituição de 1988 é preocupada e comprometida com a afirmação da democracia, visto que buscou romper com o passado antidemocrático marcado pelo Golpe Militar de 1964 que, em nada primou os direitos fundamentais. Desta forma, a Carta Magna inova ao alargar a dimensão dos direitos e garantias, incluindo no catálogo de direitos fundamentais não apenas os direitos civis e políticos, mas também os sociais. Além disso, os direitos e garantias individuais estão consagrados pela constituição e constituem cláusula pétrea, não podem ser abolidos por meio de Emenda à Constituição. 3.1.Soberania A Constituição Federal de 1988 preconiza em seu art. 1º: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 8

9 I - a soberania; [...] Segundo Jean Bodin, soberania refere-se a entidade que não conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna. Para Miguel Reale, A soberania é uma espécie de fenômeno genérico do poder. Uma forma histórica do poder que apresenta configurações especialíssimas que se não encontram senão em esboços nos corpos políticos antigos e medievos." A soberania é uma autoridade superior que não pode ser limitada por nenhum outro poder, cada país possui sua soberania para editar e alterar seu ordenamento jurídico interno. 3.2.Classificação da Constituição Federal de 1988 A Constituição brasileira é classificada como formal, escrita, dogmática, promulgada, rígida e analítica. Paulo Mascarenhas, em seu livro Manual de Direito Constitucional, nos explica quanto as características da constituição brasileira, são elas: Quanto ao conteúdo: Quanto à forma: FORMAL: consubstancia-se em um conteúdo normativo expresso, estabelecido pelo poder constituinte originário em um documento solene que contém um conjunto de regras jurídicas estruturais e organizadoras dos órgãos supremos do Estado. (MASCARENHAS, 2010, p.17). Quanto à forma de elaboração: ESCRITA: é o conjunto de regras codificado e sistematizado em um único documento para fixar-se a organização fundamental. Caracteriza-se por ser a lei fundamental de um povo, colocada no ápice da pirâmide das normas legais, dotada de coercibilidade. (MASCARENHAS, 2010, p.17). Quanto a Origem: DOGMÁTICA: é aquela que se nos é apresentada de forma escrita e sistematizada, por um órgão constituinte, a partir de princípios e ideias fundamentais da teoria política e do direito dominante em uma determinada sociedade. (MASCARENHAS, 2010, p.18). PROMULGADA: também chamada de democrática ou popular, é aquela fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita pelo povo com a finalidade da sua elaboração. Exemplos: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e (MASCARENHAS, 2010, p.18). 9

10 Quanto a estabilidade: RÍGIDA: é aquela escrita, mas que pode ser alterada através de um processo legislativo mais solene e com maior grau de dificuldade do que aquele normalmente utilizado em outras espécies normativas. (MASCARENHAS, 2010, p.18). E por fim, quanto à sua extensão e finalidade: ANALÍTICA: é aquela que examina e regulamenta todos os assuntos relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado. É também chamada de Constituição dirigente porque define fins e programa de ação futura. (MASCARENHAS, 2010, p.18). A Constituição de 1988 foi um marco na história do Brasil, pois proclamou os direitos sociais e individuais e aprimorou o sistema democrático por meio do incremento da democracia semidireta, além dos direitos individuais e coletivos, dentre outros. Até mesmo pelo momento que o Brasil vivia, quando saia de uma longa ditadura militar que durou mais de 20 anos, onde os direitos individuais e sociais foram extremamente prejudicados. Havia uma enorme necessidade de mudança, e a nova constituição de 1988 veio como um sinal de esperança para os brasileiros. 4. TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL O Tribunal Penal Internacional foi criado pelo Estatuo de Roma, com a finalidade de instituir um tribunal internacional permanente, que alcance os países vinculados ao Estatuto, promovendo assim, uma segurança jurídica internacional. Aprovado em 17 de julho de 1998, em Roma, na Conferência Diplomática de Plenipotenciários das Nações Unidas, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional teve por finalidade constituir um tribunal internacional com jurisdição criminal permanente, dotado de personalidade jurídica própria, com sede na Haia, na Holanda. Foi aprovado por 120 Estados, contra apenas 7 votos contrários. (MAZZUOLI, 2008, p.833) O Tribunal Penal Internacional tem competência complementar em relação às jurisdições penais nacionais de seus Estados vinculados, com competência para julgar indivíduos acusados de cometer crimes de maior gravidade e potencial ofensivo, que afetam a sociedade internacional como um todo. Portanto o TPI não pode interferir indevidamente nas jurisdições nacionais, uma vez que cabe ao Estado a responsabilidade de processar e jugar crimes cometidos pelos seus nacionais. 10

11 4.1.Competência O Estatuto de Roma traz em seu preambulo os crimes imprescritíveis de sua competência, estabelecendo assim, em quatro categorias: crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão. Bem como apenas tem competência para julgar os crimes cometidos após sua instituição, ou seja, depois de 1º de julho de O Tribunal tem jurisdição internacional e não estrangeira, podendo afetar todo e qualquer Estado-parte da Organização das Nações Unidas. O Tribunal Penal Internacional é uma pessoa jurídica de direito internacional com capacidade necessária para o desempenho de funções e de seus objetivos. Possui competência complementar às jurisdições internas de cada país, buscando sanar eventuais falhas gerando assim uma maior segurança jurídica internacional. 5. POSSÍVEIS ANTINOMIAS ENTRE A CONSTITUIÇÃO E O ESTATUTO As regras penais e procedimentais estabelecidas pelo Estatuto de Roma podem pressupor possíveis incompatibilidades com o direito constitucional brasileiro. No direito dos tratados, tais matérias são denominadas de inconstitucionalidade intrínseca dos tratados internacionais. Esta tem lugar quando o tratado, apesar de formalmente ter respeitado todo o procedimento constitucional de conclusão estabelecido pelo direito interno, contém normas violadoras de dispositivos constitucionais. Não se confundi com a inconstitucionalidade chamada extrínseca (ou formal), também conhecida por ratificação imperfeita, que ocorre quando o Presidente da República viola norma constitucional de fundamental importância para celebrar tratados, ratifica o acordo sem o assentimento prévio do Congresso Nacional. No caso do Tribunal Penal Internacional, a ratificação ocorreu nas escorreitas normas constitucionais determinantes da competência para celebrar tratados: arts. 49, inc. I e 84, inc. VIII, da CF. (MAZZUOLI, 2008, P. 847). O Estatuto de Roma foi corretamente ratificado de acordo com as previsões constitucionais do ordenamento jurídico brasileiro, não possuindo assim, as denominadas inconstitucionalidades intrínsecas quando a forma é respeitada, porém contem normas que 11

12 violam o direito interno, bem como não possuindo também inconstitucionalidades extrínsecas, quando ocorre a ratificação imperfeita, onde o vício se encontra na forma. Diante de possíveis incompatibilidades do Estatuto de Roma em relação à Constituição brasileira, Valério de Oliveira Mazzuoli, em seu livro, Curso de Direito Internacional Público, nos explica cada uma das cinco questões de relevante importância, disciplinadas pelo Estatuto de Roma, são elas: 5.1.A Entrega de Nacionais A primeira possível antinomia é a entrega de nacionais, o art. 89, 1º do Estatuto do Estatuto de Roma preconiza: O Tribunal poderá dirigir um pedido de detenção e entrega de uma pessoa, instruído com os documentos comprovativos referidos no artigo 91, a qualquer Estado em cujo território essa pessoa se possa encontrar, e solicitar a cooperação desse Estado na detenção e entrega da pessoa em causa. Os Estados Partes darão satisfação aos pedidos de detenção e de entrega em conformidade com o presente Capítulo e com os procedimentos previstos nos respectivos direitos internos. A entrega de uma pessoa, qualquer que seja sua nacionalidade, ao Tribunal Penal Internacional é um instituto jurídico sui generis nas relações internacionais contemporâneas, bem distinto do instituto chamado de extradição, que é um ato de cooperação internacional onde ocorre a entrega de uma pessoa condenada ou acusada por algum crime ao país que a reclama. A Constituição Federal, no seu art. 5º, incisos LI e LII, dispõe: LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; Tais incisos pertencem ao rol dos direitos fundamentais, estão cobertos pela cláusula do art. 60, 4º, inc. IV, da mesma Carta, segundo a qual não será objeto de deliberação proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais. Por este motivo, o Estatuto de Roma distingue claramente o que se entende por entrega e por extradição. Nos termos do seu art. 102, alíneas a e b, vejamos: 12

13 Para os fins do presente Estatuto: a) Por "entrega", entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado ao Tribunal nos termos do presente Estatuto. b) Por "extradição", entende-se a entrega de uma pessoa por um Estado a outro Estado conforme previsto em um tratado, em uma convenção ou no direito interno. Portanto, fica bem evidente a diferença entre ambos, onde a entrega refere-se ao ato de o Estado entregar uma pessoa ao Tribunal, diferente de extradição quando ocorre a entrega de uma pessoa por um Estado a outro Estado. Segundo Mazzuoli a diferença fundamental: [...] consiste em ser o Tribunal uma instituição criada para processar e julgar os crimes mais atrozes contra a dignidade humana de uma forma justa, independente e imparcial. Na condição de órgão internacional, que visa realizar o bem-estar da sociedade mundial, porque reprime crimes contra o próprio Direito Internacional, a entrega do Tribunal não pode ser comparada à extradição. (MAZZUOLI, 2008, P.849). Valério de Oliveira também preconiza: Assim, não se trata de entregar alguém para outro sujeito de Direito Internacional Público, de categoria igual a do Estado-parte, também dotado de soberania e competência na ordem internacional, mas sim a um organismo internacional criado pelo aceite e esforço comum de vários Estados. O Tribunal Penal Internacional certamente não é uma jurisdição estrangeira como é aquela de um outro Estado, não podendo ser-lhe aplicadas as mesmas regras que se aplicam a este último, em matéria de soberania e de política externa. (MAZZUOLI, 2008, P.849). O Tribunal Penal Internacional, age de forma imparcial, tratando-se de um órgão internacional e não estrangeiro, assegurando a segurança jurídica internacional. A extradição envolve sempre dois Estados soberanos, sendo ato de cooperação entre ambos visando a repressão internacional de crimes, diferente do que o Estatuto de Roma classificou de entrega, onde a relação de cooperação se processa entre um Estado e o próprio Tribunal. A entrega de nacionais do Estado ao Tribunal Penal Internacional estabelecida pelo Estatuto de Roma, não fere o direito individual da não extradição de nacionais, insculpido no art. 5º, inc. LI, da Constituição brasileira de 1988, bem como o direito de não-extradição de estrangeiros por motivos de crime político ou de opinião, constante do inc. LII do mesmo art. 5º da Carta de A aceitação, pelo Brasil, do art. 89, 1º, do Estatuto, impede (mais que corretamente) a alegação de violação da norma constitucional brasileira proibitiva da extradição de nacionais como meio hábil a livrar um nosso nacional à jurisdição do Tribunal. (MAZZUOLI, 2008, P.850). 13

14 Portanto fica evidente a diferença entre os dois institutos, extradição e entrega, o que faz concluir que não há nenhuma incompatibilidade com o ordenamento jurídico brasileiro. 5.2.A Instituição da Prisão Perpétua Outro ponto delicado que pode causar um aparente conflito entre as disposições do Estatuto de Roma e a Constituição brasileira de 1988 diz respeito à previsão do art. 77, 1º, alínea b, do Estatuto, segundo o qual o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos no seu art. 5º, dentre outras medidas, a pena de prisão perpétua, se o elevado grau pela pena privativa de liberdade não superior a trinta anos (pena máxima do Código Penal brasileiro, nos termos do seu art. 75, caput ). A interpretação mais correta a ser dada para o caso em comento é a de que a Constituição, quando prevê a vedação de pena de caráter perpétuo, está direcionando o seu comando tão-somente para o legislador interno brasileiro, não alcançando os legisladores estrangeiros e tampouco os legisladores internacionais que, a exemplo da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas, trabalham rumo à construção do sistema jurídico internacional. (MAZZUOLI, 2008, P.852). A pena de prisão perpétua não pode ser instituída dentro do Brasil, quer por meio de tratados internacionais, quer mediante emendas constitucionais, por se tratar de cláusula pétrea constitucional. Mas isso não impede de forma alguma, que a mesma pena possa ser instituída fora do Brasil, em tribunal permanente com uma jurisdição internacional, de que o Brasil é parte e em relação ao qual deve obediência, em prol do bem-estar da humanidade. Cachapuz de Medeiros acentua que: O Supremo Tribunal Federal entende, que a esfera da nossa lei penal é interna ; mas, ainda segundo seu entendimento, se somos benevolentes com nossos delinquentes, isso só diz bem com os sentimentos dos brasileiros, não se podendo impor o mesmo tipo de benevolência aos países estrangeiros. A Constituição brasileira de 1988 preceitua no art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que o Brasil propugnará pela formação de um tribunal internacional dos direitos humanos, e no 4º do art. 5º, que o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. E isto reforça a tese de que o conflito entre as disposições do Estatuto de Roma e a Constituição brasileira é apenas aparente, não somente pelo fato de que a criação de um tribunal internacional de direitos humanos reforça o princípio da dignidade da pessoa humana (também insculpido pela 14

15 Constituição, no seu art. 1º, inc. III), mas também pelo fato de que o comando do texto constitucional brasileiro é dirigido ao legislador doméstico, não alcançando os crimes cometidos contra o direito internacional e reprimidos pela jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Não obstante a vedação das penas de caráter perpétuo ser uma tradição constitucional entre nós, o Estatuto de Roma de forma alguma afronta a nossa Constituição (como se poderia pensar numa leitura descompromissada de seu texto); mas, ao contrário, contribui para coibir os abusos e as inúmeras violações de direitos que se fazem presentes no planeta, princípio esse que sustenta corretamente a tese de que a dignidade da sociedade internacional não pode ficar à margem do universo das regras jurídicas. De outra banda, o condenado que se mostrar merecedor dos benefícios estabelecidos pelo Estatuto poderá ter sua pena reduzida, inclusive a de prisão perpétua. Nos termos do art. 110, 32 e 42, do Estatuto, quando a pessoa já tiver cumprido dois terços da pena, ou 25 anos de prisão, em caso de pena de prisão perpétua, o Tribunal reexaminará a pena para determinar se haverá lugar a sua redução, se constatar que se verificam uma ou várias das condições seguintes: a) a pessoa tiver manifestado, desde o início e de forma contínua, a sua vontade em cooperar com o Tribunal no inquérito e no procedimento; b) a pessoa tiver, voluntariamente, facilitado a execução das decisões e despachos do Tribunal em outros casos, nomeadamente ajudando-o a localizar bens sobre os quais recaíam decisões de perda, de multa ou de reparação que poderão ser usados em benefício das vítimas; ou c) quando presentes outros fatores que conduzam a uma clara e significativa alteração das circunstâncias, suficiente para justificar a redução da pena, conforme previsto no Regulamento Processual do Tribunal. 5.3.As Imunidades em Geral e as Relativas ao Foro por Prerrogativa de Função Pode surgir ainda o conflito, também aparente, entre as regras brasileiras relativas às imunidades em geral e às prerrogativas de foro por exercício de função e aquelas atinentes à jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Tais regras são aplicáveis, por exemplo, ao Presidente da República, seus Ministros de Estado, Deputados, Senadores, etc. Essas imunidades e privilégios, contudo, são de ordem interna e podem variar de um Estado para o outro. Também existem outras limitações de ordem internacional, a exemplo da regra sobre imunidade dos agentes diplomáticos à jurisdição penal do Estado acreditado, determinada 15

16 pelo art. 31 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, que está em vigor no Brasil desde Os embaixadores, por exemplo, têm imunidade plena na jurisdição penal dentro dessa sistemática. Os crimes de competência do Tribunal são quase sempre perpetrados por indivíduos que se escondem atrás dos privilégios e imunidades que lhes conferem os seus ordenamentos jurídicos internos. Levando em conta tais circunstâncias, o Estatuto de Roma pretendeu estabelecer regra clara a esse respeito, e assim o fez no seu art. 27, que trata da irrelevância da qualidade oficial daqueles que cometem os crimes por ele definidos, segundo o qual: 1. O presente Estatuto será aplicável de forma igual a todas as pessoas sem distinção alguma baseada na qualidade oficial. Em particular, a qualidade oficial de Chefe de Estado ou de Governo, de membro de Governo ou do Parlamento, de representante eleito ou de funcionário público, em caso algum eximirá a pessoa em causa de responsabilidade criminal nos termos do presente Estatuto, nem constituirá de per se motivo de redução da pena. 2. As imunidades ou normas de procedimentos especiais decorrentes da qualidade oficial de uma pessoa, nos termos do direito interno ou do direito internacional, não deverão obstar a que o Tribunal exerça a sua jurisdição sobre essa pessoa. Portanto, as imunidades ou privilégios especiais que possam ser concedidos aos indivíduos em função de sua condição como ocupantes de cargos funções estatais, seja segundo o seu direito interno, seja segundo o Direito Internacional, não constituem motivos que impeçam o Tribunal de exercer a sua jurisdição em relação a tais assuntos. O Estatuto elide qualquer possibilidade de invocação da imunidade de jurisdição por parte daqueles que cometeram genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra ou de agressão. Assim, de acordo com essa nova sistemática, não podem os genocidas e os responsáveis pelos piores crimes cometidos contra a humanidade acobertar-se pela prerrogativa de foro, pelo fato de que exerciam uma função pública ou de liderança à época do delito. 5.4.A Reserva Legal A próxima questão em comento, quanto à pretensa Incompatibilidade da Constituição brasileira em relação ao Estatuto de Roma, diz respeito à reserva legal. Não há qualquer conflito entre o Estatuto de Roma e a constituição brasileira, uma vez que aquele próprio instrumento já prevê os princípios de nullum crimen sine lege e nulla poena sine lege, em seus arts. 22, 1º e 16

17 23, segundo os quais, respectivamente, nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, nos termos do presente Estatuto, a menos que a sua conduta constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da competência do Tribunal, não podendo qualquer pessoa condenada pelo Tribunal ser punida a não ser em conformidade com as disposições do presente Estatuto. (MAZZUOLI, 2009, P. 854). Estatuto de Roma explicitou os crimes de sua competência, até mesmo pelo fato do Tribunal ter sido criado não somente para julgar nacionais de outros Estados, mas também nacionais dos próprios Estados que o criaram. Portanto existe previsão no Estatuto quanto aos crimes de competência do Tribunal Penal Internacional, tornando a questão da Reserva Lega mais uma mera aparente antinomia, uma vez que não existe conflito com a mesma em relação à Constituição Brasileira. 5.5.Respeito à Coisa Julgada Por fim uma última questão que poderia ser colocada em relação às possíveis incompatibilidades entre o Estatuto de Roma e a Constituição diz respeito à eventual agressão à chamada coisa julgada material, definida pelo art. 467 do Código de Processo Civil, vejamos: Art Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. A regra da Constituição brasileira que versa sobre a coisa julgada material, vem transcrita no art. 5º, inc. XXXVI, da Constituição de 1988, segundo a qual a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. No caso de uma pessoa sujeita à jurisdição do Tribunal Penal Internacional já ter sido julgada pelo judiciário brasileiro. Com trânsito em julgado da sentença cessa a sua competência, nos termos do seu art. 20, 3º, que trata da regra do ne bis in idem, segundo o qual o Tribunal não poderá julgar uma pessoa que já tenha sido julgada por outro tribunal, por atos também punidos pelos artigos 6º, 7º ou 8º, a menos que o processo seja outro nesse outro tribunal: a) tenha tido por objetivo subtrair o acusado à sua responsabilidade criminal por crimes da competência do Tribunal; ou b) não tenha sido conduzido de forma independente ou imparcial, em conformidade com as garantias de um processo equitativo reconhecidas pelo direito internacional, ou tenha sido conduzido de uma maneira que, no caso concreto, se revele incompatível com a intenção de submeter a pessoa à ação da justiça. (MAZZUOLI, 2008, p.855). O Tribunal Penal Internacional tem jurisdição subsidiária à jurisdição dos Estados, portanto atuará somente quando o julgamento feito pelo Estado local conter vícios que 17

18 possam inocentar o autor dos crimes definidos pelo Estatuto, dando assim uma maior segurança jurídica internacional. Quanto ao fato do Tribunal poder reexaminar questões já decididas em último grau pelos Estados nacionais competentes encontrado no art. 17 do Estatuto, Valério de Oliveira nos explica: É um equívoco pensar que o Estatuto de Roma ofende a coisa julgada material (resguardada, no Brasil, em última instância, pelo Supremo Tribunal Federal), em virtude da permissibilidade de o Tribunal Penal Internacional reexaminar as questões já decididas em último grau pelo judiciário nacional. Neste caso, sem dúvida, a norma constitucional brasileira deve ceder perante a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nos mesmos termos em que a norma do inc. XLVII, alínea b, do art. 52, da Constituição (proibição das penas de caráter perpétuo) cede frente à possibilidade de prisão perpétua prevista pelo Estatuto de Roma de 1998." (MAZZUOLI, 2008, p.855). Portanto, o Tribunal Penal Internacional tem jurisdição Complementar, atuando com o fim de promover igualdade e justiça nas relações internacionais. Atuando assim apenas quando o julgamento ocorrido no país de origem estiver eivado de vício que comprometa a veracidade dos fatos, tirando a imparcialidade do julgamento. Dessa forma o Tribunal Penal Internacional atuará na intenção de sanar esse vício, encontrando a verdade real dos fatos, fazendo com que mais uma vez trate de uma mera antinomia, pois não ofende a legislação brasileira no tocante ao respeito da coisa julgada. 6. DISCUSSÃO E RESULTADO Diante de uma enorme necessidade de justiça internacional, após o fim da segunda guerra mundial foi criado o Estatuto de Roma, corte permanente para tutela penal internacional de crimes contra a humanidade. O Estatuto de Roma instituiu o Tribunal Penal Internacional, tribunal este, de caráter permanente, destinado a processar e julgar os responsáveis pelos crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de Agressão, com a finalidade de promover uma segurança jurídica internacional. A Constituição Federal de 1988 teve enorme importância na história do país, ela veio como um grande avanço na busca de melhoria social estabelecendo fatores fundamentais para organização e implementação dos direitos e garantias individuais e sociais. Trata-se do ápice 18

19 do ordenamento jurídico brasileiro, promulgada com participação popular representado o Estado Democrático de Direito. A Constituição de 1988 é classificada como formal, pois possui um conteúdo normativo expresso estabelecido pelo poder constituinte originário. Escrita, pois o conjunto de regras está codificado e sistematizado em um único documento. Dogmática, uma vez que é apresentada de forma escrita e sistematizada, por um órgão constituinte. Promulgada, pois houve participação popular, fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita pelo povo. Rígida, porque é escrita e pode ser alterada mesmo que com uma grau de dificuldade maior e Analítica, pois examina e regulamenta todos os assuntos relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado, sendo mais ampla e completa. Cada país possui soberania para editar seu próprio ordenamento jurídico interno, não podendo ser limitado por nenhum outro poder. Ocorre que o Brasil em um ato de soberania estabeleceu os procedimentos para a aceitação de uma norma internacional, nesse âmbito o Estatuto de Roma passou pelos ritos necessários para se tornar norma legitima no Brasil, com status de norma constitucional, uma vez que o Tratado versa sobre direitos humanos e foi aprovado em dois turnos por três quintos dos membros do Congresso Nacional. Quanto as possíveis antinomias entre o Estatuto e a Constituição, foi analisado mais especificamente cinco temas de fundamental relevância, são eles: a) A entrega de nacionais; b) a instituição da prisão perpétua; c) a forma como são tratadas em nível de Tribunal Penal Internacional as imunidades em geral e as relativas ao foro por prerrogativa de função; d) a questão da reserva legal; e) a respeito da coisa julgada. Depois de minuciosa análise, foi identificado que as possíveis incompatibilidades supracitadas nada mais são do que meras aparentes antinomias, uma vez que não foi encontrada nenhuma divergência com o texto constitucional. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ficou evidente a enorme importância da Constituição Federal de 1988, criada com participação popular, veio para garantir uma sociedade nacional mais justa, destacando os direitos e garantias individuais e sociais. 19

20 A Criação do Estatuto de Roma veio para sanar a grande insegurança jurídica internacional, pois cada país tem soberania para editar suas leis, ocorre que no âmbito internacional e com o avanço da globalização, está cada vez mais comum atritos internacionais, onde se faz necessário a instituição de um Tribunal imparcial de caráter permanente. Portanto, o Tribunal Penal Internacional é de suma importância para proteção internacional dos Direitos Humanos, até mesmo pois veio com o objetivo de complementar as jurisdições internas buscando sanar falhas dos tribunais nacionais, que muitas vezes deixam impune seus criminosos além de evitar a criação dos tribunais ad hoc respeitando o principio do juiz natural e também a criação de tribunais ex post facto, criados depois do fato para julga-lo. Na medida em que o Brasil assina e ratifica um tratado como esse que versa sobre direitos humanos e visa garantir a justiça da sociedade internacional não está de forma alguma prejudicando sua soberania, tratando sim de um ato de soberania interna, garantindo uma maior proteção e segurança jurídica aos seus nacionais. O Estatuto de Roma criou o Tribunal Penal Internacional para processar e julgar os piores crimes, de cunho mais ofensivo, que violam os direitos humanos causando instabilidade e insegurança na justiça internacional. Quanto ao objeto do trabalho em verificar a existência de incompatibilidade entre o Estatuto de Roma e a Constituição Federal, ficou claro que todas as questões levantadas apenas nos faz concluir que tratam-se de meras aparentes antinomias, pois não se verifica nenhuma incompatibilidade com a Constituição Federal, e sim a concretização de uma jurisdição complementar buscando sanar possíveis falhas na jurisdição interna, assegurando assim uma maior segurança jurídica nacional. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AMARAL JUNIOR, Alberto. Introdução ao Direito Internacional Público. Ed. São Paulo: Atlas S.A AMORA, S. Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa. 1.ed.São Paulo: Saraiva,

NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ

NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ NOVOS INSTRUMENTOS PERMITEM CONCRETIZAR DIREITOS HUMANOS NO STF E STJ (Conjur, 10/12/2014) Alexandre de Moraes Na luta pela concretização da plena eficácia universal dos direitos humanos o Brasil, mais

Leia mais

TRATADOS INTERNACIONAIS E SUA INCORPORAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO 1. DIREITOS FUNDAMENTAIS E TRATADOS INTERNACIONAIS

TRATADOS INTERNACIONAIS E SUA INCORPORAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO 1. DIREITOS FUNDAMENTAIS E TRATADOS INTERNACIONAIS Autora: Idinéia Perez Bonafina Escrito em maio/2015 TRATADOS INTERNACIONAIS E SUA INCORPORAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO 1. DIREITOS FUNDAMENTAIS E TRATADOS INTERNACIONAIS Nas relações internacionais do

Leia mais

DIREITO PENAL MILITAR

DIREITO PENAL MILITAR DIREITO PENAL MILITAR Objetivos: Definir direito penal e direito penal militar; Distinguir direito penal militar das demais denominações do direito e dos demais direitos e ciências afins; Distinguir lei

Leia mais

O Tribunal Penal Internacional. Luciana Boiteux Prof. Adjunta de Direito Penal FND/UFRJ

O Tribunal Penal Internacional. Luciana Boiteux Prof. Adjunta de Direito Penal FND/UFRJ O Tribunal Penal Internacional Luciana Boiteux Prof. Adjunta de Direito Penal FND/UFRJ Conceitos Básicos É o primeiro tribunal penal internacional permanente Os tribunais internacionais criados até então

Leia mais

Remédio constitucional ou remédio jurídico, são meios postos à disposição dos indivíduos e cidadão para provocar a intervenção das autoridades

Remédio constitucional ou remédio jurídico, são meios postos à disposição dos indivíduos e cidadão para provocar a intervenção das autoridades Remédio constitucional ou remédio jurídico, são meios postos à disposição dos indivíduos e cidadão para provocar a intervenção das autoridades competentes, visando sanar ilegalidades ou abuso de poder

Leia mais

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Concurso Delegado de Polícia Federal 2012 Prof. Leopoldo Canal Leopoldo Canal, advogado, assessor e procurador do consulado da República da Guiné no Rio de Janeiro, diretor

Leia mais

A PROMULGAÇÃO DE LEI DECORRENTE DE SANÇÃO TÁCITA

A PROMULGAÇÃO DE LEI DECORRENTE DE SANÇÃO TÁCITA A PROMULGAÇÃO DE LEI DECORRENTE DE SANÇÃO TÁCITA Antônio José Calhau de Resende Consultor da Assembléia Legislativa Lei decorrente de sanção tácita. Ausência de promulgação pelo Chefe do Poder Executivo

Leia mais

COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL. MENSAGEM N o 479, DE 2008

COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL. MENSAGEM N o 479, DE 2008 COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL MENSAGEM N o 479, DE 2008 Submete à consideração do Congresso Nacional o texto do Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e o Governo

Leia mais

A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO MILITAR DIREITO PENAL MILITAR PARTE ESPECIAL MARCELO VITUZZO PERCIANI A CRÍTICA AO ATO DE SUPERIOR E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO Marcelo Vituzzo Perciani

Leia mais

MATERIAL DE APOIO. Prof. Márcio Luís de Oliveira Direito Constitucional, Direito Internacional e Direito Eleitoral TEMA: TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

MATERIAL DE APOIO. Prof. Márcio Luís de Oliveira Direito Constitucional, Direito Internacional e Direito Eleitoral TEMA: TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL MATERIAL DE APOIO 1. Material do Professor: Tribunal Penal Internacional Prof. Márcio Luís de Oliveira Direito Constitucional, Direito Internacional e Direito Eleitoral TEMA: TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Leia mais

Validação dos tratados internacionais ambientais no ordenamento jurídico brasileiro

Validação dos tratados internacionais ambientais no ordenamento jurídico brasileiro Validação dos tratados internacionais ambientais no ordenamento jurídico brasileiro Semana de Produção e Consumo Sustentável Mauricio Pellegrino de Souza FIEMG Convenção de Viena 1969 Direito dos Tratados

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 Disciplina: Direito Internacional Departamento IV Direito do Estado Docente Responsável: Fernando Fernandes da Silva Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual

Leia mais

ESCOLA DE FORMAÇÃO 2007 ESTUDO DIRIGIDO. Liberdade de profissão

ESCOLA DE FORMAÇÃO 2007 ESTUDO DIRIGIDO. Liberdade de profissão ESCOLA DE FORMAÇÃO 2007 ESTUDO DIRIGIDO Liberdade de profissão Preparado por Carolina Cutrupi Ferreira (Escola de Formação, 2007) MATERIAL DE LEITURA PRÉVIA: 1) Opinião Consultiva n. 5/85 da Corte Interamericana

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015)

PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015) PROJETO DE LEI Nº 5.237, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 385, de 2015) Acrescenta inciso V ao art. 3º da Lei 9.474, de 22 de agosto de 1997, e inciso VI e parágrafo único ao art. 7º da Lei nº 6.815,

Leia mais

Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio

Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio Direito Internacional Aplicado Tratados e Convenções Direito Internacional Penal Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio Conclusão e assinatura: Nova Iorque EUA, 09 de dezembro de

Leia mais

Estatuto da Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Estatuto da Comissão Interamericana de Direitos Humanos Estatuto da Comissão Interamericana de Direitos Humanos Aprovado pela resolução AG/RES. 447 (IX-O/79), adotada pela Assembléia Geral da OEA, em seu Nono Período Ordinário de Sessões, realizado em La Paz,

Leia mais

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO *

CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO * CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO * Aprovada e proposta para assinatura e ratificação ou adesão pela resolução 260 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 9 de Dezembro

Leia mais

ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de

ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de constitucionalidade Luís Fernando de Souza Pastana 1 RESUMO: há diversas modalidades de controle de constitucionalidade previstas no direito brasileiro.

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 8.310, DE 23 DE SETEMBRO DE 2014 Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados

Leia mais

Nota Técnica. Contra a Redução da Maioridade Penal

Nota Técnica. Contra a Redução da Maioridade Penal Nota Técnica Contra a Redução da Maioridade Penal A Defensoria Pública do Estado de São Paulo, por meio do Núcleo Especializado de Infância e Juventude, diante da missão de exercer a defesa dos interesses

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato *

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato * A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL Fábio Konder Comparato * Dispõe a Constituição em vigor, segundo o modelo por nós copiado dos Estados Unidos, competir

Leia mais

Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais

Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais Controle de Constitucionalidade de normas pré-constitucionais O Supremo Tribunal Federal possui o poder de decidir sobre a constitucionalidade das normas jurídicas que foram aprovadas antes da entrada

Leia mais

ARTIGO: TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS E

ARTIGO: TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS E ARTIGO: TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS E O ORDENAMENTO INTERNO Luís Fernando de Souza Pastana 1 RESUMO: este artigo visa observar a relação existente entre os tratados internacionais sobre

Leia mais

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº, DE 2015

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº, DE 2015 PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº, DE 2015 As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Leia mais

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras CONVENÇÃO DE NOVA YORK Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras Decreto nº 4.311, de 23/07/2002 Promulga a Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução

Leia mais

Crimes praticados por militares estaduais contra civis Procedimentos a serem adotados, CPP ou CPPM?

Crimes praticados por militares estaduais contra civis Procedimentos a serem adotados, CPP ou CPPM? Crimes praticados por militares estaduais contra civis Procedimentos a serem adotados, CPP ou CPPM? A Justiça Militar Estadual por força de expressa vedação contida no art. 125, 4º, da CF/88, não tem competência

Leia mais

Palavras-chaves: Impeachment, Presidente da Republica, Infrações Político- administrativas.

Palavras-chaves: Impeachment, Presidente da Republica, Infrações Político- administrativas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA IMPEACHMENT Fernando França Caron Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade Damásio de Jesus Docente do Curso de Direito da UNILAGO RESUMO A Constituição Federal de

Leia mais

Faculdade de Direito da Alta Paulista

Faculdade de Direito da Alta Paulista Disciplina: DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Código: Série: 4º Obrigatória (X) Optativa ( ) CH Teórica:68 CH Prática: CH Total: 68 Obs: Objetivos GERAL - Enfocar o conjunto de normas jurídicas que regulam

Leia mais

O MENSALÃO E A PERDA DE MANDATO ELETIVO

O MENSALÃO E A PERDA DE MANDATO ELETIVO O MENSALÃO E A PERDA DE MANDATO ELETIVO José Afonso da Silva 1. A controvérsia 1. A condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Penal 470, de alguns deputados federais tem suscitado dúvidas relativamente

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br As Medidas de Segurança (Inconstitucionais?) e o dever de amparar do Estado Eduardo Baqueiro Rios* Antes mais nada são necessárias breves considerações acerca de pena e das medidas

Leia mais

Ministério da Justiça. Intervenção do Ministro da Justiça

Ministério da Justiça. Intervenção do Ministro da Justiça Intervenção do Ministro da Justiça Sessão comemorativa do 30º Aniversário da adesão de Portugal à Convenção Europeia dos Direitos do Homem Supremo Tribunal de Justiça 10 de Novembro de 2008 Celebrar o

Leia mais

Resumo Aula-tema 01: Noção, fundamento e desenvolvimento histórico do Direito Internacional Público

Resumo Aula-tema 01: Noção, fundamento e desenvolvimento histórico do Direito Internacional Público Resumo Aula-tema 01: Noção, fundamento e desenvolvimento histórico do Direito Internacional Público 1. Evolução histórica A evolução histórica do direito internacional é, geralmente, divida pela doutrina

Leia mais

OAB 140º - 1ª Fase Extensivo Final de Semana Disciplina: Direito Internacional Professor Diego Machado Data: 06/09/2009. 1.

OAB 140º - 1ª Fase Extensivo Final de Semana Disciplina: Direito Internacional Professor Diego Machado Data: 06/09/2009. 1. TEMAS ABORDADOS EM AULA Aula 1: Nacionalidade, Estrangeiro 1. Nacionalidade É um direito fundamental, é um Direito Humano que tem a previsão na previsão na Declaração de Direitos Humanos de 48, portanto,

Leia mais

RELAÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL COM OUTRAS DISCIPLINAS OU CIÊNCIAS.

RELAÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL COM OUTRAS DISCIPLINAS OU CIÊNCIAS. RELAÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL COM OUTRAS DISCIPLINAS OU CIÊNCIAS. 1. RELAÇÃO COM O DIREITO ADMINISTRATIVO: Classificado no Direito Público Interno, de quem é um de seus ramos, o Direito Administrativo,

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL O Presidente da República editou o Decreto nº 5555, estabelecendo a obrigatoriedade, como exigência à obtenção do diploma de graduação em engenharia, de um elevado

Leia mais

A PENA DE MORTE EM TEMPO DE GUERRA

A PENA DE MORTE EM TEMPO DE GUERRA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO MILITAR DIREITO PENAL MILITAR PARTE GERAL MARCELO VITUZZO PERCIANI A PENA DE MORTE EM TEMPO DE GUERRA Marcelo Vituzzo Perciani 1º Tenente da Polícia

Leia mais

EXTENSIVO PLENO Direito Internacional Prof. Diego Pereira Machado

EXTENSIVO PLENO Direito Internacional Prof. Diego Pereira Machado MATERIAL DE AULA NACIONALIDADE Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga um indivíduo a um determinado Estado, permitindo que ele (nacional) desfrute de direitos e submeta-se a obrigações. Princípio

Leia mais

Dicas de Direitos Humanos

Dicas de Direitos Humanos Coleção Passe no Exame da OAB Dicas de Direitos Humanos Com a alteração das diretrizes do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, através do art.6 o do Provimento 136/09, é fundamental que o candidato

Leia mais

Convenção relativa à Luta contra a Discriminação no campo do Ensino

Convenção relativa à Luta contra a Discriminação no campo do Ensino ED/2003/CONV/H/1 Convenção relativa à Luta contra a Discriminação no campo do Ensino Adotada a 14 de dezembro de 1960, pela Conferência Geral da UNESCO, em sua 11ª sessão, reunida em Paris de 14 de novembro

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Princípio da Legalidade na Administração Pública Heletícia Oliveira* 1. INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objeto elucidar, resumidamente, a relação do Princípio da Legalidade

Leia mais

2. (CESPE/MMA/2009) O modelo de federalismo brasileiro é do tipo segregador.

2. (CESPE/MMA/2009) O modelo de federalismo brasileiro é do tipo segregador. 1. (CESPE/SEJUS-ES/2009) A CF adota o presidencialismo como forma de Estado, já que reconhece a junção das funções de chefe de Estado e chefe de governo na figura do presidente da República. 2. (CESPE/MMA/2009)

Leia mais

Publicação, Identificação e Formulário dos Diplomas

Publicação, Identificação e Formulário dos Diplomas Publicação, Identificação e Formulário dos Diplomas Lei n.º 74/98, de 11 de novembro com as alterações introduzidas pela Lei n.º 2/2005, de 24 de janeiro 1 2, Lei n.º 26/2006, de 30 de junho, Lei n.º 42/2007,

Leia mais

CASO RELATIVO À CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE AS RELAÇÕES CONSULARES (Paraguai v. Estados Unidos da América)

CASO RELATIVO À CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE AS RELAÇÕES CONSULARES (Paraguai v. Estados Unidos da América) CASO RELATIVO À CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE AS RELAÇÕES CONSULARES (Paraguai v. Estados Unidos da América) (MEDIDAS CAUTELARES) Decisão de 9 de abril de 1998 Histórico do caso e exposição das demandas (parágrafo

Leia mais

Site Jurídico S.O.S Estagiários (www.sosestagiarios.com) Trabalhos Prontos Gratuitos LEI DE ARBITRAGEM EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Site Jurídico S.O.S Estagiários (www.sosestagiarios.com) Trabalhos Prontos Gratuitos LEI DE ARBITRAGEM EVOLUÇÃO HISTÓRICA LEI DE ARBITRAGEM EVOLUÇÃO HISTÓRICA Nos primórdios da sociedade romana, surgiu o instituto da arbitragem como forma de resolver conflitos oriundos da convivência em comunidade, como função pacificadora

Leia mais

DEFESA EM CONTEXTO TRANSNACIONAL

DEFESA EM CONTEXTO TRANSNACIONAL Direito Penal Europeu para Advogados Penalistas ERA/ECBA/ICAB Barcelona 21-22 de Fevereiro de 2014 DEFESA EM CONTEXTO TRANSNACIONAL NA UNIÃO EUROPEIA INDICAÇÕES DE PESQUISA E ELEMENTOS NORMATIVOS Vânia

Leia mais

PROJETO DE LEI N 4.596/09

PROJETO DE LEI N 4.596/09 1 COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL PROJETO DE LEI N 4.596/09 (Do Sr. Capitão Assumção) Altera os artigos 3 e 41 da Lei n 9.474, de 22 de julho de 1997, que "Define mecanismos para a

Leia mais

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988...

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988... CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988 TÍTULO VII DA ORDEM SOCIAL CAPÍTULO VIII DOS ÍNDIOS Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições,

Leia mais

Comentário à Jurisprudência

Comentário à Jurisprudência Comentário à Jurisprudência OS TRATADOS DE DIREITOS HUMANOS NA JURISPRUDÊNCIA DO STF APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45/2004 CÁSSIO HENRIQUE AFONSO DA SILVA Oficial do Ministério Público 1. Introdução

Leia mais

PROJETO DE LEI N O, DE 2006. (Do Sr. Ivo José) O Congresso Nacional decreta:

PROJETO DE LEI N O, DE 2006. (Do Sr. Ivo José) O Congresso Nacional decreta: PROJETO DE LEI N O, DE 2006 (Do Sr. Ivo José) Regulamenta o inciso LI do Art. 5º da Constituição Federal. O Congresso Nacional decreta: Art. 1 o Esta lei regulamenta o inciso LI do Art. 5º da Constituição

Leia mais

IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO TRIBUNAL DO JURI NA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL

IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO TRIBUNAL DO JURI NA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO TRIBUNAL DO JURI NA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL Jonas Guedes 1 Resumo: O tema abordado no presente artigo versará sobre a impossibilidade jurídica do Tribunal do Júri na Justiça

Leia mais

EVOLUÇÃO DA APLICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS SOCIAIS NO ORDENAMENTO JURIDICO BRASILEIRO.

EVOLUÇÃO DA APLICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS SOCIAIS NO ORDENAMENTO JURIDICO BRASILEIRO. 1 EVOLUÇÃO DA APLICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS SOCIAIS NO ORDENAMENTO JURIDICO BRASILEIRO. Clarissa Felipe Cid 1 Sumário:1. Introdução. 2. A distinção entre direitos humanos e fundamentais. 3. Como são aplicadas

Leia mais

DIREITO CONSTITUCIONAL. SIMULADO Prof. Cristiano Lopes

DIREITO CONSTITUCIONAL. SIMULADO Prof. Cristiano Lopes DIREITO CONSTITUCIONAL SIMULADO Prof. Cristiano Lopes SIMULADO DIREITO CONSTITUCIONAL 1. (FCC - 2013 - TRT - 18ª Região (GO) - Técnico Judiciário - Tecnologia da Informação) Analise o Art. 2, da Constituição

Leia mais

A CONSTITUIÇÃO. Auditor

A CONSTITUIÇÃO. Auditor A CONSTITUIÇÃO CESPE/UNB Auditor Questão n. 1 (CESPE/AFCE/TCU - 1995) A hierarquia das normas jurídicas no Brasil faz com que: a) uma lei, em sentido estrito, somente possa ser revogada por uma outra lei,

Leia mais

A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini

A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini RESUMO: Após a Segunda Guerra Mundial, a sociedade internacional passou a ter como principal objetivo a criação de acordos

Leia mais

Marcel Brasil F. Capiberibe. Subprocurador do Ministério Público Especial Junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul

Marcel Brasil F. Capiberibe. Subprocurador do Ministério Público Especial Junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul Critérios institucionais diferençados entre as funções do Ministério Público junto à justiça ordinária e as atribuições funcionais do Ministério Público especial junto ao Tribunal de Contas Marcel Brasil

Leia mais

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS ÍNDICE Código Disciplina Página DIR 02-07411 Direito Constitucional I 2 DIR 02-07417 Direito Constitucional II 3 DIR 02-00609 Direito Constitucional III 4 DIR 02-00759 Direito

Leia mais

RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS. 1ª Edição OUT 2012

RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS. 1ª Edição OUT 2012 RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS TEORIA 38 QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS GABARITADAS Teoria e Seleção das Questões: Prof. Ricardo S. Pereira Organização e Diagramação: Mariane dos Reis 1ª

Leia mais

Destacando que a responsabilidade primordial e o dever de promover e proteger os direitos humanos, e as liberdades fundamentais incumbem ao Estado,

Destacando que a responsabilidade primordial e o dever de promover e proteger os direitos humanos, e as liberdades fundamentais incumbem ao Estado, Declaração sobre o Direito e o Dever dos Indivíduos, Grupos e Instituições de Promover e Proteger os Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais Universalmente Reconhecidos 1 A Assembléia Geral, Reafirmando

Leia mais

Natanael Gomes Bittencourt Acadêmico do 10º semestre de Direito das Faculdades Jorge Amado

Natanael Gomes Bittencourt Acadêmico do 10º semestre de Direito das Faculdades Jorge Amado ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Natanael Gomes Bittencourt Acadêmico do 10º semestre de Direito das Faculdades Jorge Amado Resumo: A Administração Pública se liga ao interesse público e às necessidades sociais,

Leia mais

PARECER Nº, DE 2015. RELATORA: Senadora ANA AMÉLIA

PARECER Nº, DE 2015. RELATORA: Senadora ANA AMÉLIA PARECER Nº, DE 2015 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS, sobre o PLS nº 407, de 2012, do Senador Eduardo Amorim, que altera a Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007, que dispõe sobre o transporte rodoviário

Leia mais

Antonio Henrique Lindemberg. 1 - Assinale a assertiva correta:

Antonio Henrique Lindemberg. 1 - Assinale a assertiva correta: Antonio Henrique Lindemberg 1 - Assinale a assertiva correta: a. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pode-se invocar validamente o princípio do direito adquirido em face das leis de ordem

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS BR/1998/PI/H/4 REV. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 Brasília 1998 Representação

Leia mais

TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO SUBSEQUENTE NOÇÕES GERAIS DO DIREITO CONCEITOS BÁSICOS

TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO SUBSEQUENTE NOÇÕES GERAIS DO DIREITO CONCEITOS BÁSICOS NOÇÕES GERAIS DO DIREITO CONCEITOS BÁSICOS 1 I. Introdução: - A vida em Sociedade exige regramento; - As Normas Reguladoras das relações humanas; - A aplicação das sanções (punições): maior ou menor grau

Leia mais

Direito Tributário. Aula 05. Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho

Direito Tributário. Aula 05. Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho Direito Tributário Aula 05 Os direitos desta obra foram cedidos à Universidade Nove de Julho Este material é parte integrante da disciplina oferecida pela UNINOVE. O acesso às atividades, conteúdos multimídia

Leia mais

FIXAÇÃO DO NÚMERO DE VEREADORES PELOS MUNICÍPIOS MÁRCIO SILVA FERNANDES

FIXAÇÃO DO NÚMERO DE VEREADORES PELOS MUNICÍPIOS MÁRCIO SILVA FERNANDES FIXAÇÃO DO NÚMERO DE VEREADORES PELOS MUNICÍPIOS MÁRCIO SILVA FERNANDES Consultor Legislativo da Área I Direito Constitucional, Eleitoral, Municipal, Administrativo, Processo Legislativo e Poder Judiciário

Leia mais

Perda do Posto e da Patente dos Oficiais e da Graduação das Praças

Perda do Posto e da Patente dos Oficiais e da Graduação das Praças Perda do Posto e da Patente dos Oficiais e da Graduação das Praças PAULO TADEU RODRIGUES ROSA é Juiz de Direito da Justiça Militar do Estado de Minas Gerais respondendo pela titularidade da 2ª AJME, Mestre

Leia mais

O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas.

O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas. O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas. O que é o dever de Consulta Prévia? O dever de consulta prévia é a obrigação do Estado (tanto do Poder Executivo, como do Poder Legislativo)

Leia mais

CÂMARA DOS DEPUTADOS

CÂMARA DOS DEPUTADOS CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº, DE 2004 (Da Comissão de Legislação Participativa) SUG nº 84/2004 Regulamenta o art. 14 da Constituição Federal, em matéria de plebiscito, referendo e iniciativa

Leia mais

SABER DIREITO FORMULÁRIO

SABER DIREITO FORMULÁRIO Programa Saber Direito TV Justiça Outubro de 2010 Curso: Poder Constituinte Professor: André Alencar SABER DIREITO FORMULÁRIO TÍTULO DO CURSO PODER CONSTITUINTE PROFESSOR ANDRÉ ALENCAR TÍTULO Máximo de

Leia mais

IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DE PRESO CIVIL EM PRISÃO MILITAR

IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DE PRESO CIVIL EM PRISÃO MILITAR ELBERT DA CRUZ HEUSELER Mestre em Direito da Administração Pública Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais Pós Graduado em Estratégia e Relações Internacionais Especialista em Globalização e Brasil

Leia mais

GUIA DE ESTUDOS INSS NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO FÁBIO RAMOS BARBOSA

GUIA DE ESTUDOS INSS NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO FÁBIO RAMOS BARBOSA DIREITO ADMINISTRATIVO Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios. Direito Administrativo: conceito, fontes e princípios. Organização

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Aspectos civis do seqüestro de menores Roberta de Albuquerque Nóbrega * A Regulamentação Brasileira De acordo com a Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), em seu artigo 7º, o

Leia mais

Instrutor: Marlon L. Souto Maior Auditor-Fiscal de Contas

Instrutor: Marlon L. Souto Maior Auditor-Fiscal de Contas TREINAMENTO AOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DE RORAIMA Módulo: Processos e Técnicas Legislativas Noções Básicas de Direito Administrativo e Administração Pública Instrutor: Marlon L. Souto Maior Auditor-Fiscal

Leia mais

INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade.

INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade. INTERESSE PÚBLICO: Supremacia e Indisponibilidade. Jaileno Miranda Conceição¹ RESUMO O Direito Administrativo é um ramo do Direito Público composto por órgãos, agentes, e pessoas jurídicas administrativas,

Leia mais

1. (FCC/TRT3/Analista/2009) São exemplos de atuação concreta da Administração Pública fundada no poder de polícia em sentido estrito:

1. (FCC/TRT3/Analista/2009) São exemplos de atuação concreta da Administração Pública fundada no poder de polícia em sentido estrito: 1. (FCC/TRT3/Analista/2009) São exemplos de atuação concreta da Administração Pública fundada no poder de polícia em sentido estrito: (A) desapropriação de terras improdutivas. (B) penhora de bens em execução

Leia mais

Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros

Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros Acesso ao Tribunal Constitucional: Possibilidade de ações movidas por estrangeiros Os direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira de 1988 são igualmente garantidos aos brasileiros e aos

Leia mais

Conselho Nacional de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas (CECiHu / MCTI)

Conselho Nacional de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas (CECiHu / MCTI) Conselho Nacional de Ética em Pesquisa nas Ciências Humanas (CECiHu / MCTI) Processo de sua criação no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com vistas ao estabelecimento de um Código

Leia mais

FLÁVIO ALENCAR DIREITO CONSTITUCIONAL

FLÁVIO ALENCAR DIREITO CONSTITUCIONAL FLÁVIO ALENCAR DIREITO CONSTITUCIONAL 78 QUESTÕES DE PROVAS DA BANCA ORGANIZADORA DO CONCURSO SEFAZ/MS E DE OUTRAS INSTITUIÇÕES DE MS GABARITADAS. Seleção das Questões: Prof. Flávio Alencar Coordenação

Leia mais

DIREITO PROCESSUAL PENAL COMPETÊNCIAS

DIREITO PROCESSUAL PENAL COMPETÊNCIAS DIREITO PROCESSUAL PENAL COMPETÊNCIAS Atualizado em 03/11/2015 4. Competência Material Ratione Materiae: Divide-se em competência da Justiça Estadual, Federal, Eleitoral e Militar (não falamos da Justiça

Leia mais

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados Os Estados Partes no presente Protocolo, Encorajados pelo apoio esmagador à Convenção

Leia mais

Da reserva de administração, da harmonia entre os Poderes e da iniciativa legislativa

Da reserva de administração, da harmonia entre os Poderes e da iniciativa legislativa Vitória, 07 de julho de 2008. Mensagem n º 156/ 2008 Senhor Presidente: Comunico a V. Exa. que vetei totalmente o Projeto de Lei n 116/2007, por considerá-lo inconstitucional, pois padece dos vícios de

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL João e José são pessoas com deficiência física, tendo concluído curso de nível superior. Diante da abertura de vagas para preenchimento de cargos vinculados ao Ministério

Leia mais

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III Direito Ambiental Prof. Fabrício Ferreira Aula III 1 Direito Internacional NOÇÕES PRELIMINARES CONCEITO: É o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações mútuas dos Estados e, subsidiariamente,

Leia mais

DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL

DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL 1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA PRISÃO DO DEPOSITÁRIO INFIEL Edson Ribeiro De acordo com a Convenção de Viena (1969), os tratados internacionais são acordos internacionais firmados entre Estados, na forma

Leia mais

Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge

Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge Boa tarde! Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge Chediek, e a toda sua equipe, pela oportunidade em participar desse importante

Leia mais

AG/RES. 2577 (XL-O/10) PROMOÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 1/2/ (Aprovada na quarta sessão plenária, realizada em 8 de junho de 2010)

AG/RES. 2577 (XL-O/10) PROMOÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 1/2/ (Aprovada na quarta sessão plenária, realizada em 8 de junho de 2010) AG/RES. 2577 (XL-O/10) PROMOÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 1/2/ (Aprovada na quarta sessão plenária, realizada em 8 de junho de 2010) A ASSEMBLÉIA GERAL, RECORDANDO as resoluções AG/RES. 1619 (XXIX-O/99),

Leia mais

RESPOSTA A QUESTÃO DE ORDEM SOBRE A INCLUSÃO DE MATÉRIA ESTRANHA À MEDIDA PROVISÓRIA EM PROJETO DE LEI DE CONVERSÃO ENVIADO À APRECIAÇÃO DO SENADO

RESPOSTA A QUESTÃO DE ORDEM SOBRE A INCLUSÃO DE MATÉRIA ESTRANHA À MEDIDA PROVISÓRIA EM PROJETO DE LEI DE CONVERSÃO ENVIADO À APRECIAÇÃO DO SENADO RESPOSTA A QUESTÃO DE ORDEM SOBRE A INCLUSÃO DE MATÉRIA ESTRANHA À MEDIDA PROVISÓRIA EM PROJETO DE LEI DE CONVERSÃO ENVIADO À APRECIAÇÃO DO SENADO Em resposta à questão de ordem apresentada pelo Senador

Leia mais

IMUNIDADE PARLAMENTAR À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

IMUNIDADE PARLAMENTAR À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 DIVANI ALVES DOS SANTOS IMUNIDADE PARLAMENTAR À LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação do Cefor como parte das exigências do curso de Especialização

Leia mais

DIREITO CONSTITUCIONAL

DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO CONSTITUCIONAL 1. NOÇÕES GERAIS 1.1. Constituição e antecedentes A fim de se limitar o poder, e de se garantir direitos aos indivíduos, separou-se, hierarquicamente, as normas constitucionais das

Leia mais

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador ANTONIO ANASTASIA

PARECER Nº, DE 2015. RELATOR: Senador ANTONIO ANASTASIA PARECER Nº, DE 2015 Da COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 237, de 2013, que define crime conexo, para fins do disposto no art. 1º, 1º, da Lei nº 6.683,

Leia mais

Sobre os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos definidos na Constituição Federal, é correto afirmar:

Sobre os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos definidos na Constituição Federal, é correto afirmar: DIREITO CONSTITUCIONAL É fundamento da República Federativa do Brasil, disposto de forma expressa na Constituição Federal, (A) a cooperação entre governantes. (B) o pluralismo político. (C) a erradicação

Leia mais

PONTO DOS CONCURSOS PROCESSUAL CIVIL P/ TCU 3º SIMULADO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ TCU! PROFESSOR: RICARDO GOMES

PONTO DOS CONCURSOS PROCESSUAL CIVIL P/ TCU 3º SIMULADO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ TCU! PROFESSOR: RICARDO GOMES 3º SIMULADO DE DIREITO! AVISOS: Estamos ministrando os seguintes CURSOS: ORGANIZAÇÃO DO MPE/RJ DIREITO PROCESSUAL PARA O TCU TEORIA E EXERCÍCIOS REGIMENTO INTERNO DO TSE TODOS OS CARGOS (TEORIA E EXERCÍCIOS)

Leia mais

DIVISÃO ESPACIAL DO PODER

DIVISÃO ESPACIAL DO PODER DIVISÃO ESPACIAL DO PODER FORMA DE ESTADO: UNITÁRIO 1. Puro: Absoluta centralização do exercício do Poder; 2. Descentralização administrativa: Concentra a tomada de decisões, mas avança na execução de

Leia mais

TRABALHO 1 COMENTÁRIOS A ACÓRDÃO(STF)

TRABALHO 1 COMENTÁRIOS A ACÓRDÃO(STF) UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA MATRICULA:12/0138573 ALUNO:WILSON COELHO MENDES PROFESSOR:VALLISNEY OLIVEIRA TRABALHO 1 COMENTÁRIOS A ACÓRDÃO(STF) Teoria geral do Processo II Princípio:Juiz natural, com observações

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Competência da Justiça Militar Paulo Tadeu Rodrigues Rosa* A Justiça Militar é um dos órgãos do Poder Judiciário, com previsão constitucional e Lei de Organização Judiciária que

Leia mais

TÍTULO: A VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA E A SUA CONSEQUÊNCIA JURÍDICA NO BRASIL ATUAL

TÍTULO: A VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA E A SUA CONSEQUÊNCIA JURÍDICA NO BRASIL ATUAL TÍTULO: A VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA E A SUA CONSEQUÊNCIA JURÍDICA NO BRASIL ATUAL CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS SUBÁREA: DIREITO INSTITUIÇÃO:

Leia mais

APOSENTADORIA ESPECIAL DO POLICIAL CIVIL

APOSENTADORIA ESPECIAL DO POLICIAL CIVIL APOSENTADORIA ESPECIAL DO POLICIAL CIVIL José Heitor dos Santos Promotor de Justiça/SP Silvio Carlos Alves dos Santos Advogado/SP A Lei Complementar Paulista nº. 1.062/08, que disciplina a aposentadoria

Leia mais

Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid

Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid INTRODUÇÃO A Convenção Apartheid foi aprovado pela Assembléia Geral da ONU em 1973, mas com um grande número de abstenções por

Leia mais

OAB 2ª Fase Direito Constitucional Meta 4 Cristiano Lopes

OAB 2ª Fase Direito Constitucional Meta 4 Cristiano Lopes OAB ª Fase Direito Constitucional Meta Cristiano Lopes 0 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. META LEITURA OBRIGATÓRIA Legislação: CF, arts. ; Doutrina: Poder legislativo

Leia mais

GESTÃO PÚBLICA PRINCIPIOS GERAIS

GESTÃO PÚBLICA PRINCIPIOS GERAIS 1 GESTÃO PÚBLICA PRINCIPIOS GERAIS Prof.MSc. José Ricardo Leal Lozano 1. Administração Pública x Privada Afinal, o que difere a administração pública da administração de empresas privadas? O que impede

Leia mais