REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL

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1 1. Capacidade para o exercício da empresa Atualmente, existe a possibilidade de a atividade empresarial ser desenvolvida pelo empresário individual, pessoa física, o qual deverá contar com capacidade para o exercício da ocupação mercantil. Dessa forma, o Código Civil/2002, em seu artigo 972, estabelece: Art Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. 2. Capacidade Civil capacidade da pessoa para os atos da vida civil Todo homem, desde o nascimento até sua morte, tem capacidade para ser titular de direitos e obrigações na ordem civil, não significando isso, contudo, que possa exercer pessoalmente tais direitos, ou seja, uma coisa é a titularidade de direitos, e outra é a capacidade para, pessoalmente, exercê-los. absolutamente incapazes / relativamente incapazes 1

2 2. Capacidade Civil capacidade da pessoa para os atos da vida civil Art. 3o. São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Art. 4o. São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV - os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. 2. Capacidade Civil capacidade da pessoa para os atos da vida civil Ao absolutamente incapazes deverão ser representados pelos seus representantes legais, sob pena de nulidade absoluta dos atos por eles diretamente praticados (art. 166, I, CC) Os relativamente incapazes necessitam ser assistidos na prática dos atos da vida civil, sob pena de anulabilidade dos atos cometidos (art. 171, I, CC) 2

3 Emancipação Código Civil 3. O menor empresário Art. 5o. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. 4. Proibidos de exercer atividade empresarial Código Civil/2002 Art Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos 3

4 4. Proibidos de exercer atividade empresarial a. os funcionários públicos estão proibidos de exercer atividade empresarial por conta do que estabelecem várias normas, p. ex.. CF/88, arts. 54 e 95, parágrafo único; art. 128, 5º., II etc. A proibição diz respeito ao efetivo exercício da atividade empresarial, não existindo, no entanto, nenhuma restrição quanto ao funcionário público ser simplesmente acionista ou quotista de sociedade empresária. b. os militares integrantes das forças armadas (marinha, exército ou aeronáutica), além dos integrantes dos efetivos militares sob a responsabilidade dos Estados e Distrito Federal, estão proibidos de exercer o comércio (restrição militares reformados) 4. Proibidos de exercer atividade empresarial c. os auxiliares do empresário (entre eles os leiloeiros, corretores, despachantes aduaneiros) não podem exercer atividade empresarial por absoluta incompatibilidade com as funções que desempenham, tendo em vista a importância de seus cargos, que são inclusive considerados de interesse público. d. o falido, que, como tal, não está autorizado a desempenhar a atividade empresarial. Determina a Lei /2005 (Lei de Falências e Recuperação de Empresa), em seu artigo 102, que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, ocasião em que ele fica autorizado novamente a exercer o oficio empresarial, salvo se condenado por crime falimentar. Nesta situação, torna-se necessária sua reabilitação na esfera penal, que há de ser promulgada pelo juízo da condenação, nos termos do art. 181, 1º., daquele diploma legal, combinado com o art. 94 do CP, isto em até cinco anos contados do dia em que terminar a execução da pena, e desde que extintas as obrigações do falido. 4

5 5. Exercício da empresa por empresários De regra, os estrangeiros podem desempenhar a atividade empresarial, desde que regularmente respeitadas as normas atinentes a sua permanência no território nacional, nos termos do Estatuto do Estrangeiro (Lei n /80). A Lei das Sociedades por Ações (Lei n /76) determina que o estrangeiro poderá ser administrador da companhia se obtiver visto permanente, e participar do conselho fiscal se residir no Brasil. 5. Exercício da empresa por empresários Questões de política econômica ou segurança nacional (Constituição Federal/88) Art As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o "caput" deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Art A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei. 5

6 6. Consequências da prática da empresa pelo proibido de exercer atividade empresarial Lei 8.112/90 regime jurídico dos servidores públicos civis da União, que impõe a perda do cargo àquele funcionário que participar da gerência ou administração de empresa privada (arts. 117 e 132) Lei /2005 Lei de Falências e Recuperação de Empresas, determina no seu artigo 1º., que sua aplicação se dá diante da falência do empresário e da sociedade empresária, sem fazer referência à sua condição de regularidade, mas tão-somente indicando a condição fática em que a pessoa física ou jurídica se encontra. 6. Consequências da prática da empresa pelo proibido de exercer atividade empresarial Decreto Lei n /41 - Lei de Contravenções Penais, em seu artigo 47, tipifica como ilícito penal o fato de alguém exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício. Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contatos de réis. Importante ressaltar que, mesmo em se tratando de atos praticados pelo proibido de comerciar, terão eles plena validade em relação a terceiros. 6

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