A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE TERESINA, UM EXEMPLO DE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DO BRASIL MESTRADO EM HISTÓRIA DO BRASIL Eliane Rodrigues de Morais A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE TERESINA, UM EXEMPLO DE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES TERESINA 2010

2 ELIANE RODRIGUES DE MORAIS A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE TERESINA, UM EXEMPLO DE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História, do Centro de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal do Piauí, para obtenção do grau de Mestre em História do Brasil. ORIENTADOR: Prof. Dr. Francisco Alcides do Nascimento TERESINA 2010

3 ELIANE RODRIGUES DE MORAIS A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE TERESINA, UM EXEMPLO DE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História, do Centro de Ciências Humanas e Letras, da Universidade Federal do Piauí, para obtenção do grau de Mestre em História do Brasil. Aprovada em, de /2010. BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Francisco Alcides do Nascimento - UFPI Doutor em História Social Orientador Prof. Dr. Alcebíades Costa Filho- UESPI Doutor em História do Brasil Examinador Prof. Dr. Pedro Vilarinho Castelo Branco - UFPI Doutor em História Cultural Examinador

4 AGRADECIMENTOS Este trabalho não é apenas resultado do meu esforço pessoal. Ele é produto tão meu quanto de minhas relações com todos: amigos e amigas, professores e instituições. Entretanto, reconheço a possibilidade de esquecer o nome de alguém e também não conseguir demonstrar, com palavras, a minha gratidão a todos que me ajudaram nessa jornada. Mesmo correndo esse risco, necessário se faz agradecer. Em especial, queria expressar minha imensa gratidão ao professor Francisco Alcides do Nascimento pela generosidade, paciência e confiança nessa proposta de estudo. Mas, principalmente, agradeço as suas valiosas orientações e companheirismo nesse percurso tão árduo, mas compensador. Sempre vou guardar o exemplo de profissional dedicado, responsável, sincero e muito generoso. Obrigada por tudo, principalmente por ter acreditado em mim. Agradeço também a minha família, em especial aos meus pais e irmãos, por sempre me apoiar, incondicionalmente, em todos os momentos de minha vida acadêmica. E esse é mais um resultado do reflexo de suas apostas e incentivos. Ao meu noivo, Junho Silva, pela paciência, pelo amor tranquilo, assim como pela compreensão nos momentos mais incompreensíveis e insuportáveis. Aos amigos que compartilharam comigo o cotidiano de alegria, angústia e descoberta em sala de aula: Ari, Gislane, Gustavo, Jarbas, Leda, Lindalva, Mara, Reginaldo, Rodrigo e, especialmente, Iara Guerra (pessoa imprescindível na 5ª turma. Você é demais! ), João (amigo querido, inteligente e generoso que vai morar sempre no meu coração, independente da distância) e Sônia Mariah (prefiro a Mariah. Amiga, generosa e simples. Exemplo de dedicação). Aos professores do programa: Francisco Alcides do Nascimento, Pedro Vilarinho Castelo Branco, Edwar Castelo Branco, Áurea Paz, Teresinha Queiroz, pelo incentivo, ideias e ajuda ao longo das disciplinas ministradas. Aos professores da Banca de Qualificação: Alcília Afonso e Pedro Vilarinho Castelo Branco, pelas críticas pertinentes que muito me ajudaram e sugestões de leituras. Um

5 agradecimento especial ao Prof. Pedro Vilarinho, por fazer parte de mais uma etapa de minha vida acadêmica como examinador dos meus trabalhos (monografia e dissertação). Além da sua participação no lançamento do meu livro (De Papagaio a Francinópolis, 2008), na condição de cerimonialista e diretor do CCHL. Obrigada, pelo exemplo de simplicidade, inteligência e dedicação. Aos funcionários do Arquivo Público do Piauí, do Conselho Estadual de Cultura, da Oficina da Palavra, da Academia Piauiense de Letras, pelas fontes, livros e materiais concedidos e imprescindíveis a esta pesquisa. A Jonas Morais, pela gentileza em enviar de São Paulo, mais precisamente da Biblioteca da PUC-SP, a volumosa revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História Projeto História, sentidos da comemoração, n. 20. À Profa. da UESPI, Silvana Maria Pantoja dos Santos e sua exorientandanayrlapatrizia Crispiniano Mota, pela atenção e trabalho concedidos sobre H. Dobal. Aos amigos que ganhei na academia no ano de 2001 e que são parte de minha vida: Aline Kelly (sempre sorridente e generosa. Obrigada pela amizade, paciência e materiais concedidos), Luciana, Nilsângela, Raquel, Emília, Mairton Celestino (com sua inteligência e calma, sempre nos faz acreditar que tudo é muito simples. Até fazer uma dissertação), Elson Rabelo (referência de dedicação, inteligência e competência), Zé Maria (amigo maravilhoso e exemplo de que com simplicidade e humildade chegamos aonde queremos), Ana Cristina (amiga até debaixo d água. Exemplo de competência, perseverança e paciência. Admiro-a muito), Marylu Oliveira (Inspirou-me em tudo de melhor que fiz na universidade. Foi, juntamente com Aninha, Zé e Elson meus maiores incentivadores e inspiradores para o ingresso no Mestrado. Mesmo sabendo que ela diz que amizade não se agradece, obrigada pela amizade, torcida, ideias sempre sensatas e por fazer parte de minha vida). Queria também agradecer à torcida de uma pessoa que fui presenteada com sua amizade quando ingressei no mestrado, Warrington Veras. A Rosa Pereira, por ser sempre atenciosa e gentil quando o assunto é revisão ortográfica e ABNT na velocidade da luz. Obrigada por tudo e pela amizade também. À CAPES e ao Programa de Pós-Graduação em História da UFPI, pelo apoio e financiamento.

6 RESUMO Perceber como foram construídas representações sobre a cidade de Teresina observando projetos desejados, manifestações da imprensa e de intelectuais no contexto da sociedade teresinense que marcaram o período das comemorações do centenário de sua fundação é matéria desta pesquisa. O objetivo central é discutir a participação da sociedade teresinense nas comemorações ocorridas em 1952, a partir de três perspectivas. A primeira diz respeito à maneira como o poder público se apropriou do centenário de Teresina, ou seja, fala do ponto de vista inscrito no discurso político que desde décadas anteriores já idealizava a comemoração dos 100 anos de sua fundação. Na segunda, analisamos a atuação da imprensa nas comemorações, observando que, durante os preparativos das festividades, as páginas dos periódicos teresinenses expressaram várias práticas e representações voltadas para esta efeméride. Na terceira, analisamos os modos de percorrer a cidade centenária a partir do livro Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina, de H. Dobal, no qual a intenção é identificar um autor que lança múltiplos olhares sobre Teresina e recolhe cacos, traços de suas histórias, lembranças, costumes, tipos humanos, elementos sociais e signos da modernização. Palavras-chave: Centenário, Imprensa, Poder Público, Roteiro, Teresina.

7 10 SUMMARY Understand how representations were built on the city of Teresina observing projects desired, manifestations of the press and intellectuals in the context of the teresinense society that marked the period of the celebrations of the centenary of its foundation is the subject of this research. The central objective is to argue the participation of the teresinensesociety in the occurred commemorations in 1952, from three perspectives. The first one says respect to the way as the public power if it appropriated of the centenarian of Teresina, in the words, it says of the enrolled point of view in the speech politician who since previous decades already idealized the commemoration of the 100 years of its foundation. In second, we analyze the performance of the press in the commemorations, observing that, during the preparations of the festivities, the pages of the periodic teresinenses had expresses several practical and representations come back toward this event. In third, we analyze the ways to cover the centennial city from the book Sentimental and Colorful Script of Teresina, of H.Dobal, in which the intention is to identify an author who lauches multiples looks on Teresina and collectscacos,traces of its histories, souvenirs, customs, human types,social elements and signs of the modernization. Keywords: Centennial, Press, Public Power, Roadmap, Teresina.

8 11 LISTA DE FOTOGRAFIAS Fotografia 01 Saraiva, o Fundador de Teresina...13 Fotografia 02 Placa Conselheiro Saraiva...10

9 12 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...13 CAPÍTULO I - OITO DIAS DENTRO DE CEM ANOS: A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO NA PERSPECTIVA DO PODER PÚBLICO Teresina, Teresina vestida como bela aniversariante Produção de uma festa apoteótica Centenário, sucesso frágil...52 CAPÍTULO II O CENTENÁRIO IMPRESSO NOS JORNAIS TERESINENSES Jornalismo e política se confundem A imprensa que representou o centenário Transição sutil, mas opinião tinha prioridade sobre informação Espaço de múltiplas expressões A imprensa atuando no centenário O povo é convocado a participar! Fixando imagens do passado, disputando o presente Teresina é uma ou várias cidades?...88 CAPÍTULO III TERESINA NO OLHAR DE H. DOBAL A cidade não poderia ganhar presente melhor em seu aniversário Itinerários de H. Dobal, roteiros de uma cidade Guia de Gilberto Freyre, uma tradição híbrida e sentimental Esta cidade ardente, poucos homens a trazem na lembrança ou no coração CONSIDERAÇÕES FINAIS FONTES E BIBLIOGRAFIA

10 13 INTRODUÇÃO Pesquisar sobre o centenário de Teresina foi um pretexto para falar sobre a Teresina centenária. O meu interesse por essa temática surgiu em 2008, quando já estava no mestrado. Ao produzir o artigo Moderna e Provinciana para a disciplina História das Cidades Brasileiras, ministrada pelo prof. Francisco Alcides do Nascimento, tive contato com alguns textos que tratam do centenário de Teresina 1. Dessa aproximação, percebi o quanto a produção historiográfica sobre o centenário de Teresina era pequena dentro do conjunto de perspectivas e de fontes que a temática propõe, uma vez que a temática escolhida anteriormente falava de Teresina numa perspectiva literária a partir de seu centenário de fundação. 2 Entretanto, as dificuldades em abordá-la me fizeram observar as várias possibilidades de dizê-la a partir de um leque de possibilidades que não excluíam a perspectiva anterior. Procurando mais informações sobre trabalhos que tratam de comemorações cívicas, observei que as discussões no Brasil crescem em número de produções, principalmente historiográficas. E essa perspectiva é uma tradição europeia que remonta ao século XIX. Para o historiador português Fernando Catroga 3, as ritualizações cívicas dos centenários, propagadas pelos acontecimentos festivos, são, antes, produto de apropriações de tradições religiosas adequadas às aparições modernas que foram inauguradas a partir da Revolução Francesa. No Brasil, as discussões sobre comemorações incorporaram essa tradição cultural europeia e ocupam uma posição central nos debates atuais, especificamente nos encontros de historiadores, a partir das badaladas comemorações dos 500 anos de Brasil, evento que produziu muitas reflexões 4, dentro de uma pluralidade de interesses e perspectivas 1 Para produzir o artigo da disciplina História das Cidades Brasileiras, além de outras leituras, li as monografias: A cidade centenária: o aniversário da cidade como pretexto para a discussão do urbano, de Aline Kelly Brito; Centenário de Teresina: mudanças no espaço urbano e no cotidiano dos teresinenses ( ), de Lenice Lima, e o artigo As comemorações do centenário de Teresina: novas sensibilidades do viver urbano, do historiador Francisco Alcides do Nascimento, apresentado no encontro de História e Patrimônio Cultural, em A temática anterior visava analisar a cidade de Teresina através do Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina, de H. Dobal. O título do projeto anterior era: A cidade da saudade: representações sobre Teresina no livro Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina, de H. Dobal. O Roteiro, como veremos no terceiro capítulo, foi produzido quando Teresina estava completando um século de fundação, então ele diz de uma cidade de um século com suas tradições, com seu pitoresco e que tem o seu progresso. 3 CATROGA, Fernando. Ritualizações da História. In: A história da História em Portugal séculos XIX XX: da historiografia à memória histórica. Temas e Debates. Coimbra, Dentre os trabalhos mais divulgados destacam-se: Memória e (res)sentimento. São Paulo: Unicamp, Organizado por Maria Stella Bresciani e Márcia Naxara, que contém 24 estudos que discutem memória, história e identidades; Come, mora? Descobrimento, comemoração e nacionalidade nas Revistas Humorísticas Ilustradas. In: Sentidos da comemoração. São Paulo: Projeto História/PUC-SP, 2000, de Mônica Pimenta Velloso; Imaginário histórico e poder cultural: as comemorações do descobrimento. Estudos Históricos, v. 14, n. 26, 2000, de Lúcia Lippi de Oliveira; IV Centenário da cidade de São Paulo: uma cidade entre passado e futuro. São Paulo: Annablume, 2004, de Silvio Luiz Lofego. Existe uma extensa lista de trabalhos publicados

11 14 diferenciadas. Depois disso, tem sido difícil para os historiadores ignorar os festejos comemorativos como abordagem historiográfica. As comemorações do Centenário de Teresina acompanharam essa vertente dominante de uma tradição cultural típica do século XIX, marcada pelas ideias de progresso e modernidade que ainda prevalecem no século XXI. Hoje, esse evento pode ser lembrado como um feriado a mais no calendário dos teresinenses, mas, o de 1952, foi organizado para ser um marco simbólico, não só pela repercussão que teve, mas também pela pluralidade de reflexões que provocou na sociedade teresinense. 5 Nesse sentido, o cenário das comemorações oferece condições históricas de conhecer múltiplos aspectos constitutivos de seu tempo. Teresina assistiu a esse acontecimento no início da década de 1950, período em que os administradores estadual e municipal não economizaram esforços no sentido de transformar Teresina em uma cidade bonita e moderna, de acordo com os padrões estéticos das principais capitais brasileiras. Dentro desse contexto, esse momento é valioso para observar como a sociedade teresinense percebeu e vivenciou o seu próprio tempo, assim como refletir sobre a atuação do poder público, da imprensa e de intelectuais como H. Dobal, 6 naquele momento histórico. Para além dos discursos do poder público, da imprensa escrita ou da literatura, a cidade de Teresina figurou com destaque dentro de múltiplas representações que expõem um descompasso entre a narrativa do poder público, que desejou apresentar a imagem de uma cidade moderna; da mídia impressa, que mostrou os aspectos de uma cidade carente, com inúmeros problemas e, da literatura, que reconstruiu a paisagem de uma Teresina bucólica, simples e acolhedora, indiferente às mudanças pelas quais estava passando. Falar da Teresina centenária nos remete, portanto, a um conjunto de representações de um passado que parecer ter-se conservado no presente, mas que é conflitante. A Teresina da escrita é múltipla. A cidade real permite que os atores sociais que atuavam no poder em anais de encontros de História. No Simpósio Nacional de História Cultural que ocorreu em Goiânia em outubro de 2008, foi criado um minissimpósio intitulado A festa: expressão de sociabilidades e sensibilidades. Nele foi apresentado um grande número de trabalhos que discutiram a comemoração a partir de diversas perspectivas. Sobre a comemoração do centenário de Teresina, existem as monografias do curso de História: BARBOSA, Aline Kelly Brito. A cidade centenária: o aniversário da cidade como pretexto para a discussão do urbano [manuscrito]. Monografia (Graduação) Licenciatura Plena em História-UFPI. 2009; LIMA, Lenice. Centenário de Teresina: mudanças no espaço urbano e no cotidiano dos teresinenses ( ), 2008 e o artigo As comemorações do centenário de Teresina: novas sensibilidades do viver urbano, do historiador Francisco Alcides do Nascimento, apresentado no encontro de História e Patrimônio Cultural, em O 16 de agosto de 1952 é comemorado porque a data representa o ato de mudança da capital de Oeiras para a nova capital da Província do Piauí. 6 Uma apresentação mais detalhada sobre H. Dobal está no terceiro capítulo.

12 15 público, na imprensa local, construam cidades diferentes, e tais leituras estão diretamente relacionadas aos interesses de cada um que as escreveu. Os interesses podem ser políticopartidários, econômicos ou sociais. Teresina é muitas cidades que convivem em uma mesma cidade, para utilizar a expressão de Ítalo Calvino, no clássico Cidades invisíveis 7. Ela geralmente resulta da forma como diferentes sistemas de representações e significados se entrelaçam para dar lugar a uma cultura urbana que está em constante transformação. Por essa razão, uma mesma cidade pode ser representada das mais diversas maneiras, dependendo do ponto de vista daquele que a observa ou das práticas culturais que são realizadas. Esses discursos geralmente motivam um discurso identitário e inventor de tradições que diz muito da relação da própria cidade com a modernidade, sendo fundamentais para se entender as representações culturais que foram instituídas em momentos comemorativos. Analisar como a sociedade teresinense participou das festividades do Centenário, perceber como foram construídas representações sobre a Teresina centenária são alguns dos objetivos desta pesquisa. Trazer à tona as discussões, os projetos, as manifestações da imprensa, as divergências, as especulações e os sonhos que foram vivenciados, no contexto da sociedade teresinense e que tanto marcou esse momento histórico é outra tarefa deste trabalho. Os caminhos escolhidos para a construção desta pesquisa, no sentido de discutir a participação da sociedade teresinense nas comemorações do centenário de Teresina, ocorridas em 1952, se dão a partir de três perspectivas. A primeira diz respeito à maneira como o poder público atuou no centenário de Teresina, ou seja, a perspectiva inscrita no discurso político que desde décadas anteriores já idealizava a comemoração dos 100 anos de fundação. Na segunda, analisamos a atuação da imprensa nas comemorações, observando que, durante os preparativos das festividades as páginas dos periódicos teresinenses expressaram várias práticas e representações voltadas para esta efeméride. Na terceira, analisamos os modos de percorrer a cidade centenária a partir do Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina (1992), de H. Dobal, onde a intenção é identificar autor que lança múltiplos olhares sobre Teresina e recolhe cacos, traços de suas histórias, lembranças, patrimônios, costumes, tipos humanos, elementos sociais e signos da modernização. Teremos, então, três grupos documentais que serão empregados no desenvolvimento desta pesquisa, produzidos em momentos diferentes, dentro de um recorte temporal que vai do 7 CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

13 16 final da década de 1930 a meados da década de O primeiro diz respeito às ideias que giravam em torno de modernizar, sanear e comemorar a Teresina centenária. É o que designamos como fonte oficial e se encontra no Arquivo Público do Piauí Casa Anísio Brito. Trata-se de mensagens governamentais e Diários Oficiais. Essas fontes não se constituem enquanto documentação inédita, pois já foram utilizadas em estudos anteriores que abordaram as comemorações do centenário de Teresina. Nesse sentido, consideramos aqui a sugestão de Laura de Mello e Souza, quando afirma que o historiador só pode trabalhar com documentos que existem: não pode inventá-los, mas pode reinventá-los, lê-los com novos olhos 8. O segundo grupo documental se constitui de notícias e opiniões relacionadas à atuação da imprensa nas festividades do centenário que circularam à época. Dentre os periódicos pesquisados destacam-se: A Cidade, A Luta, Jornal do Comércio, Jornal do Piauí, O Dia, O Piauí e O Pirralho. Nesse grupo de documentos, que também estão disponíveis no Arquivo Público do Piauí Casa Anísio Brito, encontramos uma imprensa que ora se apresenta divulgando as atividades do centenário que estavam sendo planejadas, ora se apresentam nas disputas político-partidárias que permearam a organização do evento, ou também mostrando os problemas que a cidade enfrentava. Nessa situação, a imprensa afirma-se como mediadora entre os cidadãos e o governo e ainda como peça fundamental do funcionamento das festividades. O terceiro grupo diz respeito ao livro Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina (1992), de Hindemburgo Dobal Teixeira, mais conhecido como H. Dobal. Livro de crônicas produzido numa época em que Teresina estava passando por modificações para as comemorações do seu aniversário de centenário. As transformações da cidade reforçaram os laços de afetividades do escritor com a cidade natal. Nesse sentido, H. Dobal olha a cidade atentando para o que acredita que merece ser conservado ou reconstituído na sua paisagem física e social. Assim, traça o roteiro de como se vive em uma cidade, a partir da rememoração de suas lembranças. A propósito, o gênero de escrita sentimental aqui proposto faz parte de uma tradição que foi introduzida no Brasil por Gilberto Freyre a partir do seu Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, publicado em cinco edições. Ao prefaciar a 5ª, o historiador pernambucano Antônio Paulo Rezende ressalta que: Recife era a 8 SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 2004, p. 28.

14 17 primeira cidade do Brasil a ter o seu guia e que nesta obra são traduzidas as saudades do passado, mas com uma forma leve de expressá-las. 9 As crônicas que compõem o Roteiro formam um conjunto de textos que serão usados neste trabalho como testemunho de uma época. Na análise dessas crônicas, enquanto documento histórico, procuramos analisar as representações construídas sobre a Teresina centenária. A crônica tem um formato de narração muito particular, retratado pela relação ficção e história. Dessa forma, para Margarida de Souza Neves 10, as crônicas se apresentam como imagens de um tempo social e como narrativas do cotidiano não como dados, mas como construções aqui consideradas documentos. Foram realizadas pesquisas em fontes primárias que tratam, principalmente, das ideias que giravam em torno da modernização e comemoração do centenário de Teresina, e hemerográficas, que nos dessem subsídios para a discussão sobre a atuação da imprensa nessa efeméride, encontradas no Arquivo Público do Piauí, Casa Anísio Brito. Para a realização desta pesquisa houve uma leitura prévia de documentos, seleção, registro e análise de informações nas diversas fontes encontradas. Além da pesquisa documental, foi essencial a pesquisa bibliográfica em obras pertinentes ao tema. Como o trabalho se apropria de diferentes práticas e representações sobre Teresina, nesta pesquisa utilizamos também como metodologia uma estratégia conhecida como montagem por contraste e superposição 11, na qual procuramos articular várias representações de Teresina, ou seja, as que falam da cidade moderna, problemática, e a provinciana. Essa metodologia sugerida por Walter Benjamin, que oferece explicações para a leitura do passado, nos dá a possibilidade de articular peças em composição ou justaposição, cruzando-se em todas as combinações possíveis, de modo a revelar analogias e relações de significado, ou então se combinam por contraste, a expor oposições ou discrepâncias. 12 Metodologicamente, também seguimos a indicação do historiador Roger Chartier (1990) para tentarmos compreender a potencialidade do discurso jornalístico na historicidade da sua produção e na intencionalidade da sua escrita. 13 O que nos permitiria ver como, além de acompanhar o movimento da história, a própria imprensa também se faz sujeito do 9 REZENDE, Antônio Paulo. As múltiplas cidades de Calvino e Freyre. In: FREYRE, Gilberto. Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife. São Paulo: Global, 2007, p NEVES, Margarida de Sousa. Uma escrita do tempo: memória, ordem e progresso nas crônicas cariocas. In: CÂNDIDO, Antônio (et al). A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas: Unicamp, Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 1992, p PESAVENTO, Sandra Jatahy. Muito além do espaço: por uma história cultural do urbano. In: Estudos históricos. Rio de Janeiro, v. 8, n. 16, PESAVENTO, Sandra Jatahy. História e História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2008, p CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990, p. 63.

15 18 processo histórico. 14 O primeiro passo foi então investigar a historicidade daquela produção jornalística, tentando compreender desde suas possibilidades técnicas até, o reconhecimento social do jornalismo enquanto instância legítima de leitura dos acontecimentos, até sua atuação na comemoração do centenário de Teresina. Os conceitos que passam a ser centrais para esta dissertação são os de prática e representação, formulados por Roger Chartier. 15 As representações, para o historiador, são essas formas de pensar o mundo, fazer uma leitura da sociedade em que os indivíduos vivenciam as suas práticas cotidianas. No início da década de 1950, o poder público, a imprensa e H. Dobal apresentaram uma forma de ver o mundo, a partir das representações sobre a cidade de Teresina. O centenário de Teresina naquele período estimulou a expressar formas de ver, viver e fazer a cidade, tendo como suporte, representações desejadas, negativas, melancólicas e positivas. Sabendo da infinidade de sentidos que a noção de representação evoca, Chartier (1990) a propõe como a presentificação do ausente, a transformação em próximo daquilo que se encontra distante, que assume parcialmente poderes e efeitos referentes ao que está longe. 16 Em síntese, a noção de representação, para o referido autor, não só deixa ver uma ausência, mas estabelece a diferença entre aquilo que representa (o representante) e o que é representado. É exatamente nesse sentido que a Teresina centenária será analisada. A noção de prática que Chartier (1990) propõe está relacionada ao de representação, no sentido de que mesmo as representações coletivas mais elevadas só têm existência, na medida em que comandam atos. 17 Como exemplos de práticas relacionadas ao centenário de Teresina, podemos citar a concretização do poder público em comemorar o centenário de Teresina a partir de uma prática europeia de comemorar festa cívica. A materialização dessa prática está representada nos documentos oficiais, como mensagens governamentais, na imprensa escrita e em livros como o Roteiro sentimental e pitoresco de Teresina, de H. Dobal. Quando nos propusemos a discutir a participação da sociedade teresinense nas comemorações do centenário de Teresina, dialogamos, primeiramente, com trabalhos que leem a cidade a partir de olhares tão múltiplos como reveladores. O clássico Tudo que é sólido 14 MARIANI, Bethania. Os primórdios da imprensa no Brasil (ou: de como o discurso jornalístico constrói memória). Discurso fundador a formação do país e a construção da identidade nacional. Campinas: Pontes, 1993, p CHARTIER, Roger. A história cultural: entre as práticas e representações. Lisboa: Difel, Ibid., p CHARTIER, Roger. O mundo como representação. In: Estudos avançados. Jan-abr. São Paulo: USP. 11 (5), 1991, p

16 19 desmancha no ar, de Marshall Berman 18, discute o termo modernidade através de sua concepção de mundo, tentando imprimir-lhe um caráter crítico. Para Bermam (2007), a modernidade seria delimitada pelas novas experiências dos homens: o local onde vive o tempo que passa, a sua percepção totalmente nova de mundo. Essas características são paradoxais, visto que ao mesmo tempo em que une todos os homens, separa-os por um abismo inegável e profundo. Não existiria, então, um termo pleno para modernidade, pois sua vivência é discrepante em todos os pontos do globo. A modernidade seria, portanto, um turbilhão de permanente desintegração de mudança. Em Cidades invisíveis, Ítalo Calvino 19 sugere que podemos estabelecer traços que desenham a cidade a partir de uma articulação entre literatura e história, enquanto conteúdo e forma de construção de texto. Seja pelas suas memórias, seja como objeto, ou pelos seus símbolos. Para Calvino, as cidades possuem uma dimensão que vai muito além dos limites de local de produção de mercadorias ou prestação de serviços. Elas constituem um universo repleto de símbolos que dão sentido à sua existência e a seus citadinos. Sandra Jatahy Pesavento 20, ao se voltar para as representações como forma de abordagem do real, nos sugere construir uma forma de acesso ao urbano, através da visão literária que dá a ver como ideias e imagens reapropriadas em tempos e espaços diferentes, ou seja, de Paris a Porto Alegre, passando pelo Rio de Janeiro, as especificidades do local se articulam com a ressemantização do mito da modernidade urbana. A partir de tais enfoques, esses autores constituíram-se no ponto de partida de nossa busca por leituras que pudessem contribuir para a elaboração de uma nova possibilidade de narrar à história da cidade de Teresina. E essa é uma proposta da história cultural. Na leitura do Roteiro de Dobal, no terceiro capítulo, tomamos por base pressupostos teóricos de Walter Benjamin acerca da figura do narrador. Assim, nos referimos a Dobal como um cronista narrador, na perspectiva de Walter Benjamin. Para Benjamin, a figura do narrador só se torna plenamente tangível a partir de dois grupos, que se interpenetram de múltiplas maneiras: aquele que viaja e tem muito a contar, e com isso imagina o narrador como alguém que vem de longe e, aquele que ganhou honestamente sua vida sem sair do seu país e que conhece suas histórias e tradições. 21 Dobal, mesmo tendo sido uma pessoa que morou em muitos lugares, inclusive outros países, na época da produção do Roteiro, 1952, 18 BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, PESAVENTO, Sandra Jatahy. O imaginário da cidade: versões literárias do urbano Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS, BENJAMIN, 1994, p. 198.

17 20 ainda não havia saído do país. Ausentou-se de Teresina por pouco tempo, no ano de 1948, para ir a São Luís devido à aprovação em concurso público para o cargo de Oficial Administrativo, assumido na Estrada de Ferro São Luiz-Teresina, onde tomou posse no dia primeiro de setembro de Em São Luiz do Maranhão, ficou só o tempo necessário para ser chamado para assumir o cargo de Oficial Administrativo no Fomento Agrícola, na cidade de Teresina. 23 Com isso, Dobal se enquadra no segundo grupo proposto por Benjamin, ou seja, o que narra com propriedade sobre uma cidade centenária observando as modificações pelas quais estava passando sua fisionomia urbana, assim como suas histórias e tradições sem ter saído de sua terra natal ou país. Dobal, na época, ainda estava enraizado a sua terra natal Teresina. Outras leituras que apresentam trabalhos abordando as temáticas das comemorações também foram sendo incorporados na pesquisa, dentre eles destaca-se o livro IV Centenário da cidade de São Paulo: uma cidade entre passado e futuro, de Sílvio Luiz Lofego, que apresenta uma discussão sobre os diferentes sentidos e interesses que envolvem as festividades sobre o IV Centenário da cidade de São Paulo, que ocorreu em O autor entende que a comemoração adquire historicidade própria, tal como se pode falar em história política, econômica ou social, e conquanto elas não se excluam do universo comemorativo, assim pode-se falar também numa história das comemorações. 24 A comemoração não implica apenas em hinos, feiras, exposições e outras manifestações festivas, mas há também o lugar da história na sociedade que quer, assim, ser celebrada. 25 O contato com o artigo de Mônica Pimenta Velloso, Comê, morá? Descobrimento, comemoração e nacionalidade nas revistas humorísticas ilustradas 26, foi importante para observarmos que a ideia de comemoração pode ser compreendida dentro do contexto das festas comemorativas da nacionalidade, que muitas vezes revelam os conflitos da própria sociedade que comemora. Diante do exposto, a estrutura do trabalho esta organizada em três capítulos. No primeiro capítulo, Oito dias dentro de cem anos: a comemoração do centenário de Teresina na perspectiva do poder público, analisaremos as ideias de modernização pensadas pelo poder público assim como para a produção da festa comemorativa do Centenário de Teresina. Para 22 SILVA, Halan Kardeck F. As formas incompletas: apontamentos para uma biografia. Teresina: Oficina da Palavra/Instituto Dom Barreto, 2005, p Ibid., p LOFEGO, Silvio Luiz. IV Centenário da cidade de São Paulo: uma cidade entre passado e futuro. São Paulo: Annablume, 2004, p Ibid., p VELLOSO. Mônica Pimenta. Comê, morá? Descobrimento, comemoração e nacionalidade nas revistas humorísticas ilustradas. In: Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da PUC São Paulo. São Paulo: EDUC, 1981, p. 129.

18 21 esta comemoração, o poder público, em sua instância estadual e municipal, mobilizou um esforço nada comum para o conjunto de atividades que pretendia desenvolver. A cidade de Teresina experimentou modificações significativas no seu espaço físico, onde foram alteradas e reformadas ruas, construídos novos espaços públicos, prédios e monumentos. As mudanças se estenderam aos teresinenses no que diz respeito ao seu modo de ser, se divertir, se comportar e tratar a cidade. Entretanto, ao se debruçar no passado para nele buscar as fontes simbólicas capazes de construir uma inteligibilidade para o presente, 27 o poder público acabou revelando os conflitos da cidade e da própria sociedade que ora se comemorava. No segundo capítulo, O centenário impresso nos jornais teresinenses, traçamos um panorama da atuação da imprensa teresinense na comemoração do Centenário de Teresina, com o objetivo de analisar suas potencialidades, que de um lado divulgou as atividades que estavam sendo planejadas e, de outro se divulgaram as disputas político-ideológicas que permearam a organização do evento, ou, ainda, mostrando os problemas que a cidade enfrentava. A imprensa afirma-se como mediadora entre os cidadãos e o governo e também como peça fundamental do funcionamento das festividades. No terceiro capítulo, Teresina no olhar de H. Dobal, refletiremos sobre os modos de percorrer a cidade centenária, com o objetivo de analisar as representações construídas sobre Teresina no Roteiro de Dobal. A intenção é identificar um Dobal que lança múltiplos olhares sobre Teresina e recolhe cacos, traços de suas histórias, lembranças, patrimônios, costumes, tipos humanos, elementos sociais, signos da modernização, enfim, um Dobal que identifica uma Teresina, que, de um lado, resiste às exigências que estão nas decisões do poder e, de outro, se mostra tentando acompanhar as modernizações das grandes capitais. 27 VELLOSO. Mônica Pimenta. Comê, morá? Descobrimento, comemoração e nacionalidade nas revistas humorísticas ilustradas. In: Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da PUC São Paulo. São Paulo: EDUC, 1981, p. 129.

19 22 CAPÍTULO I. OITO DIAS DENTRO DE CEM ANOS: A COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DE TERESINA NA PERSPECTIVA DO PODER PÚBLICO Para a comemoração do Centenário de Teresina o poder público, em sua instância estadual e municipal, mobilizou um esforço nada comum para o conjunto de atividades que pretendia desenvolver. A cidade de Teresina experimentou modificações significativas no seu espaço físico, onde foram alteradas e reformadas ruas, construídos novos espaços públicos, prédios e monumentos. Mas, as mudanças se estenderam aos teresinenses no que diz respeito ao seu modo de ser, se divertir, se comportar e tratar a cidade. Entretanto, ao se debruçar no passado para nele buscar as fontes simbólicas capazes de construir uma inteligibilidade para o presente, 28 o poder público acabou revelando os conflitos da cidade e da própria sociedade que se comemora. A atuação do poder público desde décadas anteriores para a comemoração do centenário de Teresina nos dá a dimensão da sua marca fundamental: a tentativa de construir uma tradição de forte conteúdo simbólico. E o trabalho do grupo dirigente, como poder constituído, é ser o anunciador dessa festa, numa época em que Teresina vivia num tempo de controvérsias e de tímido desenvolvimento econômico. 29 Nesse sentido, o poder público tem aí o seu lugar como emissor autorizado 30 na construção de um marco simbólico da história de Teresina. Os documentos que utilizaremos neste capítulo, como Mensagens governamentais, relatórios publicados no Diário Oficial e jornais, revelam caminhos de investigação da história da cidade que possibilita a análise das ações e projetos imaginados ou implementados pelos representantes do poder constituído para a cidade que estava completando um século de fundação. Apresentam, assim, os problemas que assolavam a cidade, as soluções por vezes apresentadas. Fornece-nos, então, mais do que um reflexo dessas ações ou argumentos do poder público, podem ser vistos como representações construídas sobre a cidade do passado. Como o plano volta-se sempre para o futuro, podemos inferir, através da análise desses documentos, três imagens fundamentais: em primeiro lugar, identifica-se a cidade desejada e 28 VELLOSO. Mônica Pimenta. Comê, Morá? Descobrimento, comemoração e nacionalidade nas revistas humorísticas ilustradas. In: Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da PUC São Paulo. São Paulo: EDUC, 1981, p MENDES, Felipe. Economia e desenvolvimento no Piauí. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves. 30 De acordo com Michel de Certeau, a modernidade, através da instituição de múltiplos locutores, apaga a figura do locutor único, Deus, que pela palavra divina determinava o lugar dos homens na terra. No caso do poder público, utilizamos essa expressão dado ao seu lugar, socialmente instituído, como lugar privilegiado de fala. (1994, p. 229/230)

20 23 sonhada, a projeção de um futuro que deve dar conta das mudanças almejadas; em segundo, podemos localizar a cidade do presente, que é percebida por especialistas como uma cidade que precisa ser modernizada, saneada; por último, revela uma cidade que precisa ser destruída, que não deve permanecer no tempo. 31 É nossa intenção analisar, neste capítulo, a atuação do poder público na comemoração do centenário de Teresina. Para isso, refletiremos, num primeiro momento, como estava a cidade que se queria comemorar. Em seguida, trataremos da Teresina que se queria para as festividades de seu centenário e, os conflitos que viriam a gerar tais pretensões. E, finalmente, analisaremos de que forma ocorreu a produção da grande festa e seus desdobramentos dentro do contexto da época. 1.1 Teresina, 1952 Agosto de Documentos, edições comemorativas, chamadas na imprensa escrita, produções de obras históricas e a grande festa confirmam: a cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí, completa 100 anos de fundação. Mas, que cidade é essa que se quer comemorar? É uma cidade múltipla e essa multiplicidade pode ser considerada histórica. Dos primeiros traçados da cidade planejada por José Antônio Saraiva, ainda no século XIX, que viria como que contrapor à antiga capital, Oeiras, até o ano de 1952, a cidade centenária cresceu entre dois rios Parnaíba e Poti e se estendeu em várias direções que a destacava como a mais importante do Estado do Piauí. Em sua arquitetura centenária estão expostos casarões neoclássicos, Greco-romanos, cinemas art-déco, igrejas com traçados do século XIX que diz de uma cidade que se quer preservar apesar das práticas da modernidade e do capitalismo que elegem o novo como fundamental. Os traçados dessas e outras construções antigas da cidade também representam a marca do tempo. Tempo este que resiste às mudanças socioculturais que coloca a cidade perante a modernidade e seus novos padrões exigentes e excludentes, num cenário em que tradição e modernização se chocam. Também pode ser traduzido como atravessando o sentido das permanências que a velocidade do tempo faz dissolver diante de um presente que anuncia o progresso, mas também de incertezas, crises e contradições. Teresina é uma cidade que nasceu obedecendo a alguma conveniência, mais precisamente, a de atender necessidades comerciais de controle da economia, para evitar 31 GIOVANAZ, Marlise. Em busca da cidade ideal: o planejamento urbanístico como objeto da história cultural. Porto Alegre: Anos 90, n. 14, dezembro de 2000, p

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