DAR A V LTA ENCONTROS PETI / OIT SOBRE O TRABALHO INFANTIL

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1 DAR A V LTA ENCONTROS PETI / OIT SOBRE O TRABALHO INFANTIL Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO Escritório em LISBOA COMO SURGE O PETI: DE PLANO A PROGRAMA QUE TRABALHO INFANTIL? AVALIAÇÃO DO PROGRAMA E DA MEDIDA PIEF QUE RASTO DO PETI NO FUTURO? O PETI E A SUA RELAÇÃO COM A OIT E COM A CPLP

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3 Nota Introdutória O PETI celebra, ao longo de 2008, uma década de combate à exploração do trabalho infantil em Portugal. O ano que ainda decorre foi fértil em iniciativas locais, promovidas pelo PETI em conjunto com todos os parceiros de que destacamos a ARISCO, que culminaram na Conferência que decorreu nos dias 2 e 3 de Julho de 2008, no Centro de Congressos de Santa Maria da Feira. Esta Conferência, que contou com a cooperação do Escritório da OIT em Lisboa, atingiu todos os objectivos a que se propôs, dos quais destacamos: - O convívio entre todos os profissionais do PETI e os parceiros governamentais ou não governamentais a nível local, regional, nacional e internacional; - Uma reflexão aprofundada sobre o fenómeno do trabalho infantil nas suas várias vertentes a cargo de investigadores reconhecidos que, ao longo destes dez anos, acompanharam o trabalho do PETI. Na conferência, participaram ainda 300 jovens que representaram o universo da medida PIEF e que estiveram envolvidos em actividades de animação na cidade de Santa Maria da Feira e no próprio recinto da conferência, tendo ainda contribuído com uma Declaração resultado de dois dias de trabalho. Foi um momento de convívio e de balanço e em que se apontaram rumos para o futuro. O rasto que o PETI pretendeu deixar na obra comemorativa dos 10 anos de combate à exploração do trabalho infantil em Portugal permitirá, pensamos nós, que, se uma outra situação semelhante vier a ocorrer no País, se possa consultar de que modo foi possível combater uma entrada precoce no mundo do trabalho e minorar os efeitos de um abandono escolar, também precoce, quase sempre conducente a situações de exclusão social. Este evento contou com a presença de responsáveis da OIT. Esta Organização, através do programa IPEC, acompanhou este percurso de Portugal e, quando solicitado, prestou cooperação técnica às autoridades portuguesas. Os responsáveis presentes na Conferência frisaram que a experiência portuguesa, quer num contexto europeu, quer internacional,constitui um exemplo a ser seguido. Comissão Organizadora Joaquina Cadete Paulo Bárcia Programa para Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO Escritório em LISBOA

4 ÍNDICE Nota Introdutória SESSÃO DE ABERTURA Joaquina Cadete, Directora do PETI e João Pereira, Representante de jovens em PIEF Amadeu Albergaria, Vereador da Educação da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira Fernando Medina, Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional MESa 1 - COMO SURGE O PEETI/PETI: Catalina Pestana Moderadora e Aurélio, Representante de jovens em PIEF O desafio que interpelou Portugal, Josefina Leitão Trabalho de menores: desafios e sucessos, Joaquim Pintado Nunes MESa 2 - A Medida PIEF Elisabete Fonte Moderadora e Alexia, Representante de jovens em PIEF A Medida PIEF, Maria do Céu Roldão DEBATE MESa 3 - Que trabalho Infantil? Fernando Coelho Moderador e Celso e Silvia, Representante de jovens em PIEF Trabalho Infantil não remunerado, Pedro Goulart Trabalho infantil por conta de outrem, Manuel Sarmento Participação de jovens em espectáculos, moda e publicidade, Sara Bahia Piores formas de trabalho infantil, Maria João Leote de Carvalho Debate Mesa 4 - Questões de Género e Minorias Clara Dimas Moderadora e Vanda e Ruben, Representante de jovens em PIEF Trabalho infantil e questões de género, António Manuel Marques Trabalho infantil e a comunidade cigana, Maria José Casa-Nova Intervenção comunitária, participação de jovens e prevenção da violência urbana, Pedro Calado Debate Mesa 5 - Avaliação do Programa e da Medida PIEF Domingos Fernandes Moderador Caracterização das actividades desenvolvidas por crianças e jovens, Manuel Lisboa Medida PIEF, Maria do Céu Roldão Declaração dos Jovens Coordenação, José Miguel Nogueira Projecto Uma Mão contra a Exclusão Entrega dos prémios Projecto Uma Mão contra a Exclusão, Rui Jerónimo Mesa 6 - O PETI e a sua relação com a OIT e com a CPLP Joaquina Cadete Moderadora O combate ao trabalho infantil no centro da agenda da OIT e a sua parceria com Portugal, Paulo Bárcia Dez anos de colaboração IPEC/PETI, Frans Roselaers A relação CPLP/PETI, Jovelina Imperial O rasto do PEETI/PETI, Hermano Carmo SESSÃO DE ENCERRAMENTO Joaquina Cadete, Directora do PETI

5 SESSÃO DE ABERTURA Joaquina Cadete Directora do PETI Em nome de Sua Excelência o Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, tutela directa do PETI, vamos dar início a estes dois dias de trabalho que comemoram os dez anos do Programa e da medida PIEF. Vamos começar com uma sessão muito especial que nos vai ser proporcionada pelo Prof. Urbano, a quem quem passo desde já a palavra. No início da Sessão houve lugar para um espaço de animação musical da responsabilidade de Urbano Oliveira que envolveu todos os participantes. PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 3

6 SESSÃO DE ABERTURA Joaquina Cadete Directora do PETI Permitam-me que, antes de mais, cumprimente Sua Excelência o Secretário de Estado que está connosco em representação de Sua Excelência o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social mas também, e quero enfatizar, enquanto membro do governo responsável directo por este programa, na mesma pasta que, desde 98 tutela o PETI, precisamente, desde o dia 2 de Julho, razão da escolha simbólica desta data. Agradeço ainda em nome de todos os Petianos este sinal inequívoco de apoio e de apreço por quantos, ao longo destes anos, colaboraram na tarefa imensa de apoiar milhares de jovens no seu projecto de vida. Muito obrigada pela sua presença, Senhor Secretário de Estado. Cumprimento o Senhor Vereador da Educação da Câmara de Santa Maria da Feira, Dr. Amadeu Albergaria, em representação do Sr. Presidente da Câmara, desde o início parceiro activíssimo na organização destas actividades e das actividades que, em paralelo, os nossos jovens que acabaram de nos desafiar para um começo diferente destes dois dias de trabalho vão desfrutar quer na cidade, quer no espaço do Europarque. Cumprimento os senhores dirigentes ou representantes de partidos com assento parlamentar presentes e todos aqueles que representam, de alguma maneira, a coisa pública. Cumprimento ainda todos os palestrantes, moderadores, e permitam-me uma palavra especial para Frans Roselaers do IPEC- OIT, um amigo do PETI desde o início, que fez questão de vir de longe para se associar às nossas comemorações. Não sei se estará presente algum representante, mas faço questão de mencionar a Delta cuja colaboração agradeço, uma colaboração que já é habitual no âmbito da responsabilidade social da empresa e que, como verificarão, ou até já verificaram quando tomaram o vosso café, executaram os pacotes de açúcar comemorativos desta efeméride. Por fim, cumprimento todas e todos os que vão participar neste evento e ainda os que, não podendo fazê-lo, estão connosco em espírito e coração. E agora, e os últimos são os primeiros, os jovens, os nossos meninos e meninas, como ternamente lhes chamamos, e sem os quais nada do que se vai passar teria sentido, e para os quais, peço um forte aplauso. Quando se pensa em comemorações, há ideia de que os participantes serão um conjunto de dirigentes a elas associados ou de alguns notáveis num circuito algo fechado. No caso presente, 4 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

7 SESSÃO DE ABERTURA também convidámos, obviamente, dirigentes da administração central, regional e local, representantes de todos os partidos com sede na Assembleia da República, nomeadamente das várias comissões mais estritamente ligadas à nossa área de trabalho, enfim, todos quantos cuidam da coisa pública em nome dos cidadãos. Mas o grande objectivo foi reunir os que, permanecendo mais ou menos anónimos junto do grande público, são, para nós, as mulheres e os homens que, ao longo destes dez anos, com garra, altruísmo e uma resiliência acima de média trabalharam connosco e com os jovens e suas famílias tecendo redes que tornaram as suas vidas menos perigosas no momento de alguma queda. São essas e esses que hoje enchem esta sala. São estas e estes, e outros que não estão aqui hoje, que permitiram que o PETI pudesse cumprir os seus desígnios. Esta conferência e a publicação que já têm em vosso poder procuram dar conta do imenso trabalho executado para contrariar, como diz Hermano Carmo um dos autores de um dos capítulos, a prática socialmente correcta de inviabilizar os êxitos e exaltar os fracassos dos portugueses e que tem tido efeitos tão negativos na auto-estima nacional. Quisemos, no fundo, e cito também João Ruivo, não demonstrar ingratidão pública, demasiado comum neste tipo de tarefa que se passa longe dos holofotes dando a conhecer, a quem se interesse por estas matérias, os momentos altos mas também o desânimo sentido quando não se conseguiu ajudar um ou uma jovem a encontrar um rumo para a sua vida. Afirma ainda Hermano Carmo, no capítulo Rasto do PETI, «que o PETI, na sua função de laboratório social, deixou um rasto inovador, tanto pelo modo como foi concebida e experimentada a medida PIEF como pela experimentação de inúmeras parcerias entre entidades que, algumas situações, haviam trabalhado de costas voltadas até então». O PIEF - Programa Integrado de Educação Formação - a nossa medida mais emblemática, e à qual posso afirmar, sem sombra de dúvida, esteve ligada à maioria dos presentes, foi estudada por Maria do Céu Roldão, na sua dimensão curricular, sublinhando a investigadora que «a ideia mais forte da sua cultura se traduz na preocupação de tornar este jovens, lançados precocemente para processos vários de exclusão escolar e social, pessoas e cidadãos capazes de se reinserir nas dinâmicas sociais». Por isso é que o nosso amigo João Pereira que, nesta sessão, representa todos os jovens do PIEF diz que frequentar a medida PIEF foi a melhor coisa que lhe aconteceu. Não foi a primeira vez que estive ligada a programas governamentais. E sei que estes instrumentos legais, verdadeiros balões de oxigénio ou de ensaio, dependendo da perspectiva, ou se amam ou se odeiam. Sempre soube que, com o PETI e com a medida PIEF, não seria diferente. Mas foi também trabalhando em programas, e em particular neste, que confirmei o que já intuía: que as instituições não existem sem pessoas e que um bom projecto no papel, se não tiver uma equipa técnica que dê a cara para o levar a bom termo, dificilmente passará do próprio papel. Foi ainda graças ao conjunto de profissionais que constituíram e constituem a equipa PETI, que na sua maioria estavam no auge da juventude quando nela ingressaram, e a toda uma teia de parceiros governamentais e não governamentais de âmbito internacional, nacional, regional ou local, que o tema do trabalho infantil em Portugal saiu da agenda internacional constituindo hoje o nosso país, através do PEETI/PETI e da medida PIEF, um exemplo de boas práticas no contexto europeu e mundial. Qualquer que venha a ser a decisão política quanto à disseminação desta, e cito «boa prática», segundo Manuel Lisboa, um outro autor, com uma ideia de futuro: «O grande desafio não foi só resolver o problema do trabalho infantil, e isso já seria muito. A grande questão é ter a ousadia de começar a construir hoje os caminhos do amanhã», não desperdiçando o capital de experiência do saber fazer nestas circunstâncias porque, como refere o Senhor. Secretário de Estado, e muito a propósito, no seu contributo para a actividade de Uma Mão contra a Exclusão, «excluir é não dar uma nova oportunidade» e também o Senhor Ministro que afirma que «não fazer mais pelos mais frágeis é EXCLUIR». Confiamos nos decisores políticos que, decerto, tudo farão para combater a exclusão social pois sabem que, e cito a UNICEF1, «o nível real de um país mede-se pela atenção que dá às suas crianças, à sua saúde e segurança, à sua situação material, à sua educação e à sua sociabilização, bem como ao seu sentimento de serem amadas, apreciadas e integradas nas famílias e na sociedade em que nasceram». Renovando os nossos agradecimentos pela vossa presença, desejo a todas e a todos dois bons dias de formação e de algum lazer e espero que se revejam nos trabalhos apresentados quer pelos académicos na obra principal quer por todos os operacionais do PETI e do PIEF nos oito opúsculos que a complementam. Por fim, e porque uma sessão de abertura não deve ser muito longa permitam-me, num registo um pouco mais pessoal, o testemunho da minha passagem por este Plano/Programa a que estou ligada desde 99, primeiro como representante do PEETI na estrutura de coordenação regional do PIEF em Lisboa e Vale do Tejo, e como sua directora desde Dezembro de UNICEF, La pauvreté des enfants en perspective: Vue d ensemble du bien-être des enfants dans les pays riches, Bilan Innocenti 7, PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 5

8 SESSÃO DE ABERTURA Amadeu Albergaria Vereador da Educação da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira Sr. Secretário de Estado, Sr.ª Directora do PETI, restantes convidados, e de uma forma muito especial, e desculpando-me a falta de protocolo, cumprimentá-los a todos, na pessoa do João Pereira que está aqui connosco na mesa. As palavras de um autarca são, nestas cerimónias, as mais simples mas, provavelmente, aquelas que são as mais sentidas, a quem o autarca de uma freguesia ou autarca de um concelho, que é dar as boas-vindas a quem nos honra com a sua presença, e nós sentimo-nos honrados com a vossa presença e com a realização aqui no concelho de Santa Maria da Feira, desta conferência sobre os dez anos de combate à exploração do trabalho infantil em Portugal. O concelho de Santa Maria da Feira é um concelho que tem, neste momento, cerca de habitantes, repartidos por 31 freguesias, com três cidades, treze vilas e foi, nas últimas décadas, e ainda é, um importante concelho industrializado. Assenta a sua economia e o labor das suas gentes em dois sectores fundamentais da indústria, o calçado e a indústria da cortiça. Foi esse o modelo de desenvolvimento do concelho de Santa Maria da Feira nas últimas décadas. Como sabem, é um modelo que surtiu efeitos mas que também tem os seus lados bastante negativos. Este concelho está também numa região que tem baixas qualificações, é uma preocupação de toda esta região da área metropolitana do Porto. E o concelho de Santa Maria da Feira está consciente que tem que alterar este estado de situação para poder voltar a ser um concelho dinâmico em termos económicos e, em termos de solidariedade, um concelho mais coeso. Deixem-me também dizer-vos que tenho uma fé inabalável na nova geração de portugueses. Muitas vezes se discute se as actuais gerações, se os nossos actuais jovens são melhores ou piores do que os do passado. Eu penso que não há gerações melhores ou gerações piores. Não tenho é nenhuma dúvida de que estas novas gerações, são das mais estudadas, das mais observadas, das mais comentadas e são, provavelmente, aquelas que sofrem de um processo de aceleração histórica que os confronta com uma nova realidade com que eles têm que lidar diariamente. Estão, por isso, confrontados com novos desafios. Mas também tenho esta consciência, a consciência geracional, que não há mais volta a dar para este país. Este país só tem uma solução que é apostar nas suas pessoas, nos seus jovens, nos seus recursos humanos e por isso há que dar-lhes todas as qualificações que sejam necessárias e fundamentais para fazer deste concelho e deste país um concelho e um país mais justo, mais solidário e mais coeso. A experiência que temos aqui com o PETI e com as turmas PIEF: nós sentimo-nos honrados de ter aqui esta organização na comemoração destes dez anos e penso que temos bons motivos para continuar a trabalhar mas para estarmos também satisfeitos. Nem sempre o concelho de Santa Maria da Feira agiu com o dinamismo que devia agir para com as turmas do PIEF, nem sempre fomos tão rápidos como devíamos ter sido, e só nos valeu, sinceramente, a persistência dos técnicos, o trabalho que fizeram junto das nossas instituições e sempre discutimos de que este concelho precisava de dar respostas mais rápidas e, portanto, aqui também este sentimento de mea culpa mas também um sentimento de reconhecimento pelo trabalho de persistência incansável junto das nossas instituições, junto da Câmara Municipal, fazendo compreender o que é que estava em causa para o concelho e para este, país. Termino reiterando as boas-vindas ao concelho de Santa Maria da Feira, desejando que seja uma jornada de trabalho bastante positiva e que no fim destes dois dias de trabalho o concelho de Santa Maria da Feira seja um marco que assinalou dez anos de trabalho mas que assinale também o trabalho que resta ainda fazer para o futuro. Obrigado a todos. Bem-vindos e bom trabalho. 6 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

9 SESSÃO DE ABERTURA Fernando Medina Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional Sr. Vereador da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Sr.ª Directora do PETI, caro João Pereira, em nome de todos os jovens que aqui estão, senhores representantes dos parceiros sociais e dos partidos políticos aqui presentes, representação da OIT em Portugal e dos representantes e nossos amigos da CPLP, representantes das CPCJ s, técnicos e profissionais do PETI, e associados a todas as entidades associadas ao PETI, minhas senhoras e meus senhores, é para mim um grande gosto, em nome do Sr. Ministro do Trabalho e da Solidariedade poder estar hoje aqui nesta conferência e associar-me a este conjunto de eventos, que assinalam os dez anos do PETI e os dez anos do combate à exploração do trabalho infantil. E gostava de começar saudando todos os presentes e uma saudação muito em particular, de forma muito especial a todos aqueles, aos técnicos, aos profissionais, aos dirigentes, a todas as empresas, aos parceiros sociais, às universidades, às escolas, às entidades, que ao longo destes dez anos contribuíram e trabalharam e deram o seu melhor para a erradicação do trabalho infantil em Portugal. Eu julgo que a conferência que hoje aqui temos, a qualidade dos participantes e dos palestrantes, das intervenções que iremos assistir, bem como o conjunto de iniciativas que temos em torno deste programa e deste aniversario, assinalam, fundamentalmente, o testemunho da mobilização que aconteceu na sociedade portuguesa para a erradicação e pelo combate do trabalho infantil. E também o reconhecimento que sem a estreita cooperação entre as entidades públicas, e particulares, sem as empresas, as universidades, as escolas, as instituições de natureza policial e de natureza inspectiva não teria sido possível levar a bom porto este compromisso. Não teria sido possível a existência destes dez anos de progressos nesta dimensão. Dez anos destinados a alertar a comunidade para este problema, destinados a sensibilizar e a condenar estas práticas na sociedade portuguesa e, fundamentalmente, para construir soluções para a sua erradicação. Eu julgo que invocar os dez anos do trabalho do programa de erradicação do trabalho infantil em Portugal, significa em primeiro lugar, reconhecer que este desafio teve início em E o que teve início em 1998 foi o fim da negação. Em 1998 deixámos de esconder a cabeça na areia e Portugal assumiu que tinha um problema com o trabalho infantil. Depois desta assunção política, feita ao mais alto nível, desenvolveu-se um conjunto de iniciativas e um conjunto de medidas. Quer na frente legislativa, quer na frente da capacitação dos serviços, quer na frente da sensibilização da opinião pública e da criação de uma consciência social condenatória do trabalho infantil, e também, fundamentalmente, a criação do PETI. O PETI é hoje, reconhecidamente, a nível nacional, uma experiência singular que permitiu, não só dinamizar uma cooperação sem precedentes nesta área e com este objectivo, mas também, através da medida PIEF, construir uma solução inovadora para a reintegração das crianças através de um instrumento fundamental que seria a sua reintegração no meio escolar e profissional. E de formação profissional. Eu julgo que podemos hoje fazer um balanço, que será feito de forma mais detalhada. Julgo que a situação com que nós hoje nos deparamos no país, em matéria de trabalho infantil, é uma situação radicalmente diferente daquela que tínhamos há dez anos atrás. O trabalho infantil, na sua concepção, ou na sua acepção de trabalho infantil, no sector formal reduziu, significativamente. E hoje, subsistem bolsas de trabalho associado a indústrias tradicionais, nomeadamente, alimentadas por pequenas indústrias locais e numa base de incidência familiar. E é este o novo contexto com que nós nos deparamos. E, por isso, não erraremos em dizer que a sociedade portuguesa mudou, significativamente, nestes dez anos, como as outras sociedades também. Mas na sociedade portuguesa em particular, em que o fenómeno do trabalho infantil reduziu, do ponto de vista quantitativo, em que se alterou no que respeita à sua forma, podemos dizer que estamos num momento de mudança de paradigma relativamente ao trabalho infantil na sociedade portuguesa, quer na sua natureza, quer na sua escala. E se me permitem, eu julgo que a melhor forma de nós saudarmos e de nós valorizarmos, como disse a Dr.ª Joaquina Cadete, aquilo que foi feito, é termos a capacidade de pensar o futuro. PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 7

10 SESSÃO DE ABERTURA Eu gostava de partilhar com todos, seis linhas que me parecem fundamentais para a construção do futuro e que nos devem orientar e mobilizar essa construção. No fundo, seis lições que eu, neste momento, retiro do que foram estes dez anos de PETI, do que são estes dez anos de luta contra o trabalho infantil. A primeira lição fundamental é o reconhecimento mais nítido que existe hoje na sociedade portuguesa de que as situações limite, como o trabalho infantil, e outras face às quais se começa a ter essa consciência, como o próprio abandono escolar, são situações que se entrelaçam indissociavelmente, com contexto de desestruturação familiar, com escassez de rendimentos, com reduzidas condições habitacionais e com baixos níveis de capitais, escolar e cultural. Níveis estes que são perpetuadores de expectativas de qualificação pouco ambiciosas. Em suma, a primeira lição que julgo que poderemos retirar é que as situações terminais iniciam-se e têm por base, fundamentam-se e articulam-se com situações indiciadas com o risco de profunda exclusão social. E por isso, avançar de uma lógica reparadora, relativamente a fenómenos de exclusão, para uma lógica preventiva é aquilo que o PETI acabou por ir fazendo, o percurso normal do PETI ao longo destes anos todos, mas é uma lógica que nós temos que aprofundar, valorizar e, acima de tudo, construir uma solução de futuro. Construir soluções numa lógica preventiva, relativamente aos fenómenos de exclusão, e menos, hoje, sobre uma lógica reparadora imediata sob as causas concretas que motivaram a origem do PETI. A segunda lição e o segundo ponto que eu gostava de partilhar com vocês consistem no reconhecimento de que o processo de desenvolvimento das sociedades ocidentais, bem assim, o processo de desenvolvimento em particular de Portugal, não é, em si, garantia de redução da exclusão. Pelo contrário, o processo de desenvolvimento económico em Portugal tem tendências, tem elementos caracterizadores de risco, de fractura, do ponto de vista social, que podem acentuar fenómenos de exclusão. Na base deste processo está, na minha opinião, o que é a profunda fractura, em matéria de qualificações da população portuguesa, que, num processo de globalização e na inserção internacional da economia portuguesa, coloca riscos de fractura significativos. Este risco de rotura entre uma significativa parte moderna do país, capaz de avançar mais depressa e estar na primeira linha, e uma parte do país que, se não tiver essa capacidade e não tiver essa possibilidade, levará ao surgimento de riscos significativos de exclusão de franjas importantes da sociedade portuguesa. E, por isso, esta segunda mensagem fundamental: o processo de desenvolvimento em si não é garantia, antes pelo contrário, da atenuação dos factores de risco de exclusão e, por isso, um alerta sobre estas dimensões é cada vez mais essencial. A terceira lição fundamental, que eu retiro muito da experiência do PETI, e julgo que é uma das duas marcas distintivas, é que as respostas aos problemas da exclusão e aos riscos da exclusão devem ser acima de tudo, respostas individualizadas. Os problemas da exclusão podem ser tipificados em categorias, podemos tipificar as suas origens, as suas fontes mas a resposta a cada um dos problemas é sempre uma resposta a casos concretos, a casos individuais, a pessoas, a situações. E a capacidade que nós tivermos de perceber e de interiorizar esta realidade é essencial para a qualidade da nossa resposta. Isto é uma mudança face àquilo que é, naturalmente, ou tradicionalmente, orientado para os instrumentos da política pública, que são instrumentos de âmbito nacional, de aplicação geral indiferenciada a um conjunto de cidadãos. Em matéria de exclusão, as respostas devem ser, e as respostas eficazes são fundamentalmente aquelas que são respostas individualizadas, que têm em conta cada situação concreta, cada caso concreto, no seu contexto. E permitam-me, nesta área, fazer aqui uma palavra particular de realce, de diferença de realce, do trabalho que as comissões de protecção de crianças e jovens têm desenvolvido ao longo dos últimos anos em Portugal, do esforço significativo que estão a desenvolver na melhoria da sua actuação e do esforço também do ponto de vista político e do empenho político que existe na sua capacitação. Cada vez mais temos comissões com maior capacidade para fazer as detecções e também teremos mais capacidade de instrumentos de resposta que possam ser mobilizados para essas situações. O quarto elemento, a quarta linha, a lição fundamental, e a linha pilar para a construção de uma solução para o futuro, é que a resposta eficaz para os problemas da exclusão, nomeadamente, de crianças e jovens, exige a mobilização de instrumentos muito diversos. Começam, naturalmente, os destinados a promover o sucesso educativo e a prevenir o abandono precoce em meio escolar, mas vão, obviamente, ao encontro do que tem sido um excelente exemplo um belíssimo exemplo, o trabalho desenvolvido pelos PIEF s mas também através da articulação com outros instrumentos de política pública, seja na qualificação dos activos, por exemplo, as Novas Oportunidades. Estou em querer que a qualificação dos activos será um dos principais motores da melhoria da situação em matéria de inclusão ao nível das crianças e dos jovens porque aumentará a consciencialização social relativamente à importância da escolarização e da qualificação, em articulação com mecanismos complementares, seja a nível da substituição de rendimentos, seja ao nível da criação desses próprios patamares mínimos de rendimentos, seja ao nível das intervenções na área da saúde, na área do conforto habitacional, na área da inclusão propriamente dita em meio local. Por isso, a quarta linha, a linha assente numa resposta integrada aos problemas da exclusão. É essencial uma resposta integrada que mobilize vários instrumentos. E permitam-me que faça aqui um pequeno parêntesis, porque julgo que esta é a muita experiência de quem está no terreno. Durante muitos anos, em Portugal, acreditou-se que um fenómeno c como o abandono e o insucesso escolar era, exclusivamente, um fenómeno de natureza educativa. Olhamos para as escolas, para a organização das escolas, olhamos para os currículos, olhamos para a forma como as escolas se organizam. É verdade que uma parte muito importante do abandono e do insucesso escolar tem a ver com matéria, estritamente, do âmbi- 8 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

11 SESSÃO DE ABERTURA to educativo sob a diversificação das ofertas, sob a organização escolar, é verdade. Mas desde há uns anos, quando foi publicado um primeiro estudo de diagnóstico profundo sobre a situação do abandono escolar, tornou-se claro aquilo que já o seria para muitos, para mim já o era naquele momento, de que se nós fizermos um mapa do abandono e do insucesso escolar, no nosso país, nós vamos ver uma enorme sobreposição do mapa do abandono e insucesso escolar com o mapa das condições sociais. E o que nós vemos é que a percepção que existe hoje e começa a haver na sociedade portuguesa é que fenómenos que eram tidos como, exclusivamente, resultantes ou derivados e com respostas na esfera educativa terão que ter, obrigatoriamente, hoje, resposta do âmbito social. Porque quando nós fazemos a sobreposição do mapa do que é o abandono e insucesso escolar só o conseguiremos perceber quando percebermos a realidade socioeconómica por trás, que está em cada uma dessas regiões, que está aqui muito bem presente, por exemplo, no norte do país onde situações de mono indústria, de baixo salário, de falta de perspectiva de mobilidade social faz e estimula uma saída precoce da escola para situações que depois são situações de elevadíssimo risco da exclusão social ao longo de todo o percurso de vida. E por isso é que nós conseguiremos perceber muito bem que os fenómenos, por exemplo, como o abandono escolar, tendo uma base e uma matriz de âmbito nacional que tem a ver e reside em matéria de sistema educativo, tem também por trás muitos, e de forma significativa, aspectos de natureza social, ligados aos riscos de exclusão social. Quinto lugar, e de forma sintética, que nós podemos retirar da experiência do PETI, destes dez anos, é que o sucesso das resposta em matéria de inclusão é o funcionamento em rede, numa base local, dos vários actores e dos intervenientes. Não é no âmbito nacional, não é só na esfera nacional, não é, essencialmente, na esfera nacional, é em cada território, em cada local a coordenação dos actores e dos agentes das várias instituições. Por último, sexto ponto, é a questão das competências, como a Dr.ª Joaquina Cadete há pouco referiu, e bem. Não basta ter um bom projecto, os bons projectos existem quando há boas pessoas, quando há bons profissionais, quando estão motivados, quando são profissionais competentes, quando são profissionais com conhecimento para agir nas situações. E aqui permitam-me uma palavra particular a todos os profissionais do PETI que são, neste momento, em minha opinião, um activo particularmente valioso de que o país dispõe, de que não dispunha há dez anos atrás, mas de que dispõe hoje. Julgo que na sociedade portuguesa, nós temos muita tendência para destruir e desconstruir com muita rapidez. Criamos coisas, acabamos com coisas, inventamos coisas com uma enorme velocidade e com uma enorme rapidez. Mas se há coisa, se há activo com que eu julgo que nós temos e que devemos valorizar é o capital de conhecimento, de experiência, de trabalho de aprendizagem que foi realizado ao longo destes dez anos. Há dez anos, Portugal não dispunha dos profissionais de que hoje dispõe, não dispunha dos profissionais, nem do conhecimento da realidade que hoje dispõe, e não é nenhum elogio de circunstância dizer que este capital de que nós hoje dispomos é um capital que nós não podemos desperdiçar porque é um activo valioso sobre o qual nós podemos construir as soluções do futuro. Era por isso que eu nesta ocasião gostava de partilhar, com todos, o que é a visão do governo relativamente ao próximo futuro, ao futuro próximo neste momento em que se celebram os dez anos do PETI. E julgo que aquilo com que nós estamos confrontados, e é a vontade do Governo nesse sentido, é de que nós imprimamos ao PETI uma nova ambição. Imprimamos ao PETI uma nova ambição pela inclusão das crianças e jovens, imprimamos ao PETI uma nova ambição na luta contra a exclusão e uma nova ambição pela igualdade de oportunidades. E uma nova ambição que se situe e que tenha por base estes seis pontos fundamentais que eu há pouco descrevi. Primeiro lugar, uma ambição centrada sob os fenómenos da exclusão, isto é, sobre as abordagens preventivas e não tanto sobre as abordagens reparadoras dos vários fenómenos de exclusão. Uma nova ambição centrada na valorização do que é um grande activo destes dez anos que é a resposta individualizada às situações, e por isso a necessidade e a vontade duma fortíssima articulação com o trabalhos das CPCJ, isto é, na construção de respostas àquilo que é o trabalho de enorme mérito que as CPCJ hoje desempenham no terreno. Em terceiro lugar, uma nova ambição relativamente aos instrumentos que estão ao dispor no combate à exclusão. Seja pela manutenção dos PIEF, seja pela articulação com o que agora o Ministério da Educação está a lançar de forma vigorosa, que são os Territórios Educativos de Intervenção Prioritária que terão uma expansão muito significativa ao longo dos próximos anos. Seja pela manutenção e reforço do apoio à rede de entidades que têm colaborado, da sociedade civil, que têm colaborado na produção de respostas aos fenómenos da exclusão, seja também pela disponibilização de recursos financeiros que permitam a construção de novas respostas adaptadas aos casos concretos. Por último, uma nova ambição relativamente ao trabalho em rede, ao trabalho em rede das diversas entidades, sejam as escolas, sejam as equipas da Administração Pública, sejam as empresas, as associações empresariais, sejam os parceiros sociais. Uma nova ambição redobrada relativamente a esse trabalho em rede. E em síntese é, no fundo, para este novo desafio, para um desafio mais vasto, para um desafio que hoje não se cingirá, ou não se deverá cingir, ao trabalho infantil, até porque, verdadeiramente, nos últimos anos, já não se cingia, e bem, ao trabalho infantil, já estávamos a trabalhar muito para além disso. Mas o desafio que agora vos será colocado, nos próximos meses, e nos próximos anos daqui para a frente, é que nós aproveitemos esta estrutura que temos, aproveitemos o know-how, aproveitemos as pessoas, aproveitemos os recursos e sobre isto construamos um novo programa, um novo programa com uma ambição mais vasta. A ambição de ser um instrumento de combate à exclusão de crianças e jovens, um instrumento colocado, fundamentalmente, sobre as causas e sobre os processos de origem, numa abordagem preventiva, e não tanto sob uma abordagem, ou não exclu- PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 9

12 SESSÃO DE ABERTURA sivamente, sob uma abordagem reparadora dos fenómenos da exclusão. Um projecto que mantenha uma abordagem de tratamento individualizado e personalizado das situações. Um projecto que tenha uma capacidade de servir fundamentalmente de resposta às comissões de protecção de crianças e jovens e às milhares de situações de risco que já estão sinalizadas e diagnosticadas. E um projecto que mantenha a característica da utilização de instrumentos muito diversificados com a manutenção dos PIEF s, com a articulação profunda com outros instrumentos, noutras esferas, mas também com os recursos financeiros para que possam ser construídos novos instrumentos adaptados à nova realidade e aos desafios com que estamos colocados. É esta a nossa vontade, é esta a perspectiva que nós temos que é a melhor forma que temos de honrar o caminho que foi feito, de aproveitar o esforço e a aprendizagem de todos aqueles que trabalharam neste projecto ao longo dos próximos anos, é dar-lhe, precisamente, esta nova ambição. Darmos um salto em frente e dizermos, neste momento, não é só o trabalho infantil que tem de estar aqui no nosso nome. É, fundamentalmente, uma luta pela inclusão social, uma luta contra a exclusão social, pela igualdade relativamente a todas as crianças e jovens, reforçando aquilo que já vinha a ser a trajectória normal do PETI na sua evolução. Terminava com três palavras de agradecimento. Uma palavra particular para a OIT que teve, desde a primeira hora, desde 1998, um papel essencial de ajuda a Portugal em todo o desenvolvimento do PETI, nesta estratégica de erradicação do trabalho infantil, tendo sido um parceiro em todas as horas e que muito nos apoia e muito nos ajuda. E também salientar o papel que tem, enquanto organização internacional na sua agenda do trabalho digno, que é hoje um farol para todos aqueles que procuram a melhoria das condições dos cidadãos, dos trabalhadores nas nossas sociedades. Uma segunda palavra de agradecimento, que já fiz há pouco, e que gostaria de repetir, a todos aqueles que colaboraram neste projecto ao longo do últimos dez anos, às associações empresariais, aos parceiros, às universidades, às diversas entidades, mas uma palavra muito em especial para todos os técnicos. Todos os técnicos, todos os dirigentes, todos os professores. Só quem não conhece a dificuldade do que é o trabalho nesta área é que pode não reconhecer e não valorizar o esforço e o mérito de todos aqueles que se têm empenhado neste combate. Por último, e se me permitem, uma saudação especial para todos os jovens que aqui estão, para todos os jovens dos PIEF, que além de toda a sua alegria com que participam neste Encontro, e de todo o esforço que têm feito ao longo destes anos no seu trabalho nas turmas PIEF e na sua integração, ainda por cima, depois de todo esse esforço, depois de toda essa dedicação ainda tiveram de me ouvir durante tanto tempo a falar sobre estas coisas, por isso, muito obrigado a todos. 10 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

13 SESSÃO DE ABERTURA Joaquina Cadete Directora do PETI Muito obrigada, Senhor Secretário de Estado pelas palavras de estímulo para todos os presentes, sobretudo para aqueles que referi estarem longe dos holofotes, mas sem os quais teria sido impossível este trabalho. E vamos revelar a primeira surpresa destes dois dias. Como sabem, desde Janeiro, tem decorrido, em paralelo, no âmbito da medida PIEF, e em articulação com a Associação Arisco a quem o PETI pediu apoio para algumas actividades concretas, a desenvolver com os jovens. Uma delas consistia em pedir a todas as entidades com quem os jovens contactam que descrevessem numa frase o seu entendimento sobre exclusão. Acabámos de ler a do Senhor Secretário de Estado e recebemos contributos do Senhor. Presidente da Assembleia da República, do Senhor Ministro da Justiça, do Senhor Ministro da Tutela, da Senhora Ministra da Saúde e de inúmeros parceiros. Numa outra actividade, Um click contra a exclusão, foram tiradas milhares de fotografias, no âmbito do PIEF. Escolher as dez finais PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 11

14 SESSÃO DE ABERTURA que representaram o todo nacional e que vos apresentamos a seguir foi uma tarefa imensa, e para terem uma noção do que foi esta fantástica actividade até chegar à fotografia vencedora, temos uma pequena sequência da autoria do colega João Vasco. O representante da escola autora da foto vencedora é o João Pereira que nos acompanha na mesa e vou pedir ao Senhor Secretário de Estado que entregue o diploma e o primeiro prémio, uma máquina fotográfica. Mas também temos presentes para os nossos convidados da mesa. Vou pedir ao aluno representante da escola de Penafiel que venha ao palco para oferecer o candeeiro feito pela sua turma ao Senhor Secretário de Estado. Estes cubos/candeeiros, dispostos numa coluna e que podem admirar no átrio, são também resultado de um trabalho feito ao longo dos últimos meses e foi a maneira simbólica de todos os alunos do PIEF estarem representados em Santa Maria da Feira. E este primeiro momento importantíssimo está encerrado. Em nome de Sua Excelência, o Secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, dou por encerrada esta sessão de abertura. Coluna de luz Uma mão contra a exclusão João Pereira do PIEF do Monte da Caparica oferece candeeiro ao Vereador da CMSMF Cubos de luz 12 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

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16 MESA 1 COMO SURGE O PEETI/PETI: DE PLANO A PROGRAMA Catalina Pestana Ex-Dirigente do PEETI Quero antes de mais cumprimentar todos os presentes e manifestar o meu prazer em estar presente na comemoração de 10 anos de combate à exploração do trabalho infantil em Portugal. Apresentando a mesa, à minha direita está o Aurélio, um jovem de Almada, margem sul, que esta a representar os jovens e o PIEF do Laranjeiro. A Dr.ª Maria Josefina Leitão, foi das primeiras, quer no plano nacional quer internacionalmente, a levantar a sua voz, juntamente com os primeiros que lutaram pela qualidade de vida das crianças, em relação à sua exploração em contexto de trabalho, quando ainda não havia PETI. Já veremos em que contextos, com o seu conhecimento, sabedoria, bom senso e espírito de investigação, a Dr.ª Josefina Leitão deixou sempre Portugal numa posição digna e de conforto pela verdade da assunção das suas responsabilidades. É licenciada em Direito - não se pode ser perfeito! -, exerceu funções técnicas e de chefia em vários departamentos do Ministério do Trabalho, tendo sido, designadamente, Subdirectora-geral das Condições do Trabalho e Presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Foi delegada governamental em numerosos grupos de trabalho, comités e conferências internacionais, nomeadamente, do Conselho da Europa, na OIT e na União Europeia. Actualmente, e apesar de ter abrandado o ritmo, continua a trabalhar no âmbito da cooperação e da investigação com as repúblicas de Angola, Cabo Verde, Moçambique e Timor, a par da actividade de consultora a nível nacional e internacional. O Dr. Joaquim Paulo Pintado Nunes também é licenciado em Direito - não se pode ser perfeito! -, e é de Direito mesmo de coração. Tem uma pós-graduação em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito de Lisboa, outra em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho pela Universidade Lusófona, outra em Administração Pública pela Universidade do Minho. É inspector do trabalho desde Foi assessor técnico do gabinete do Inspector-geral do trabalho. É dirigente regional da Inspecção Regional do Trabalho de Castelo Branco. Director de serviços de apoio à actividade da inspecção desde Outubro de 2007 e é formador interno da Autoridade para as Condições do Trabalho. Estão aqui três pessoas determinantes neste percurso. Eu chamo-me Catalina Pestana. Não sou licenciada em Direito, sou licenciada em Filosofia mas, de facto, aquilo de que gosto é de Psicologia Educacional, e de ser professora. Já ensinei coisas que não aprendi e que vou aprendendo. Fiz parte da primeira 14 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

17 MESA 1 COMO SURGE O PEETI/PETI: DE PLANO A PROGRAMA equipa que constituiu o PETI, pelo que conheço muitas das pessoas que ainda aí trabalham. Tenho imensa pena que não estejam cá muitos dos convidados. Um, foi o Secretário de Estado que participou na fundação do PETI, o Prof. Fernando Ribeiro Mendes, que se arrepiou um bocadinho quando, na altura, lhe dissemos por onde é que teria que passar uma resposta a este tipo de problema. Apesar de ter dito que não estávamos a ver bem o que é que isso irá dar, confiou. E eu penso que quando os políticos atribuem alguma confiança técnica aos técnicos, conseguem, muitas vezes, alguns resultados com mais eficácia. Porque, obviamente, nenhum político, de nenhum partido, pode ser especialista nas diferentes áreas sob as quais tem tutela. E um político que sabe ouvir já é um acontecimento extraordinário. E mesmo com uma grande luta, o Prof. Ribeiro Mendes conseguiu ouvir. Passados dois anos estava convencido e é a ele que, formalmente, se deve a criação do Plano para Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil. Faz hoje exactamente dez anos que saiu o diploma que criou o Plano. Antes dessa decisão governamental, e pressionada pelo facto de as empresas nacionais, sobretudo as dos têxteis e as do calçado com qualidade e preços competitivos serem, sistematicamente, preteridas nos mercados internacionais em função da marca vexatória da utilização do trabalho de crianças já os sindicatos e várias ONG, entre elas, a CNASTI, e sectores da Igreja Católica, haviam denunciado, tentando alterar a situação. A ética de consumo é, muitas vezes, utilizada como manobra intimidatória das pequenas e médias empresas que se atrevem a entrar nos mercados internacionais em competição com as gigantescas multinacionais. O processo é depois um círculo vicioso. Um maior número de empresas em situação difícil representa mais desemprego, mais dificuldades familiares, mais trabalho infantil. Era preciso romper este ciclo e houve coragem política para o fazer. Procurámos, em todas as organizações, nacionais e internacionais, o estudo que dera origem a uma informação de que seriam as crianças trabalhadoras em Portugal, mas ninguém conhecia, mesmo a OIT o citava. Investigámos a origem e o paradeiro desse estudo, queríamos saber. Soubemos, finalmente, que se tratava de uma estimativa elaborada a partir do trabalho de uma jornalista, Susan Williams, que em Portugal procurara conhecer a realidade especificamente num distrito do norte do país e que, a partir de um estudo de caso, extrapolara para o universo. Era, pois, preciso investigar e saber que tipo de trabalho infantil tínhamos e qual a sua dimensão. Era preciso também assumir que tínhamos trabalho infantil E assumir que se tem trabalho infantil numa Europa que não prima para transparência e pela clareza, porque os ingleses também têm trabalho infantil. Os meninos ingleses vão distribuir leite às seis da manhã e jornais às sete e meia. Mas isso não tinha mal nenhum porque os ingleses são ricos e nós somos pobres. Aliás, hoje em dia, o trabalho infantil que foi extremamente reduzido no sector formal, continua a existir, mas como é trabalho infantil dos ricos parece que é diferente. Então e os meninos das telenovelas e das passerelles, cujas mães fazem filas para os castings, e que não são presas pelos senhores inspectores do trabalho? Era muito mau quando os meninos iam dar de beber às ovelhas porque era trabalho infantil dos pobres, mas trabalhar oito horas seguidas debaixo de projectores fortíssimos a repetir, repetir, repetir, é muito bonito. É assim. Em 1998, foi feito um estudo coordenado pelo Dr. Sousa Fialho, que foi publicado, e os passaram a Isto não é nenhuma alegria, mas é diferente. Depois disso foram dez anos a tentar fazer diminuir este número, porque é algo que deve incomodar todos os dias cada um de nós, cidadão de um país que se quer integrado na Comunidade Europeia. Enquanto houver uma criança que não está na escola porque está a trabalhar nenhum de nós pode dormir de cabeça descansada, porque é o nosso futuro que está a ser hipotecado. Dez anos depois a realidade é completamente diferente. Isso é bom, mas há novas formas de exploração do trabalho infantil. E mais uma vez é a OIT quem as coloca na agenda política mundial, mas Portugal tem que despertar, de facto, para elas. São as chamadas formas intoleráveis de trabalho infantil que todos sabemos que existem, em relação às quais ainda não foi decidida a melhor metodologia para começar a trabalhar sobre elas. Aconselho-vos a ouvirem com atenção o que se passará, dado ser raro poder ter na mesma mesa duas pessoas com tanta experiência, quer no sector da produção legislativa da qualidade de trabalho, quer na intervenção directa dum parceiro determinante em toda a vida do PETI que foi a inspecção do trabalho. PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 15

18 MESA 1 O DESAFIO QUE INTERPELOU PORTUGAL Josefina Leitão Perita Consultora em Relações de Trabalho Antes de mais, permitam-me que agradeça à Dr.ª Joaquina Cadete o convite que me dirigiu para participar nesta conferência comemorativa dos dez anos da publicação da Resolução de Conselho de Ministros que criou o PEETI. É, para mim, um grande prazer e uma honra estar aqui, hoje, dado o papel relevantíssimo que o PEETI desempenhou, e continua a desempenhar, na protecção das nossas crianças. Por isso, temos razões para nos regozijar. A minha exposição irá dar conta de como foi possível, num prazo relativamente curto, Portugal passar de um país acusado internacionalmente por não actuar contra o trabalho ilegal de crianças, para um país reconhecido como um exemplo de boas práticas no combate ao trabalho infantil. Remontando no tempo, de referir que a primeira regulamentação do trabalho de crianças em Portugal - que é, simultaneamente, a primeira lei do trabalho - data de Era uma regulamentação relativamente avançada, para a época, na medida em que fixava a idade mínima de admissão ao emprego, na indústria, aos 12 anos, embora admitisse, em certas condições, que crianças com 10 anos pudessem trabalhar, desde que respeitada a obrigação escolar. O próprio diploma previa mecanismos de controlo para o efeito. Esta lei proibia, ainda, o trabalho subterrâneo às mulheres, bem como às crianças do sexo masculino até aos 14 anos, e outros trabalhos insalubres e perigosos. No que concerne às condições de trabalho, regulamentava o trabalho nocturno, estabelecia limites ao trabalho contínuo e regras sobre descanso intercalar. Numa altura em que o Direito do Trabalho se encontrava nos seus primórdios, Portugal inseria-se sem dificuldade no contexto europeu, quer quanto ao tempo quer quanto à regulamentação adoptada, uma vez que são da mesma época e têm conteúdo semelhante as primeiras leis nacionais europeias sobre o trabalho de crianças. É claro que entre a legislação e a prática ia uma grande distância, pois não basta a lei para modificar concepções e práticas sociais arreigadas, como é o caso do trabalho de crianças. Além disso, é impossível à lei cumprir a sua missão de regulador social se não foram instituídos mecanismos e adoptadas medidas que garantam o seu cumprimento. Ora, como sabemos, as inspecções do trabalho, que foram então criadas, eram muito incipientes. A sorte das crianças trabalhadoras, sujeitas a condições de trabalho susceptíveis de pôr em risco a sua vida, saúde e desenvolvimento, foi uma das questões sociais objecto da atenção dos movimentos humanitários que acompanharam o dealbar da revolução industrial. O próprio Papa Leão XIII incluiu-a na Encíclica Rerum Novarum. Todavia, o grande salto na regulamentação do trabalho infantil só foi dado com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), finda a Primeira Guerra Mundial, que incluiu nos seus Estatutos a protecção das crianças. Por isso, não é de admirar que, logo no ano da sua criação, em 1919, tenham sido adoptadas duas convenções na matéria. A convenção n.º 5 sobre a idade mínima de admissão na indústria, que é fixada em 14 anos, e a convenção n.º 6 sobre trabalho nocturno de crianças, que é proibido aos menores de 18 anos. Ao longo dos anos, a OIT elaborou um vasto conjunto de normas sobre trabalho de crianças, que não será aqui referido por manifesta falta de tempo. No entanto, não é possível, dada a sua importância, deixar de mencionar a adopção, em 1973, da convenção n.º 138 sobre a idade mínima de admissão ao emprego, que é fixada nos 15 anos e nunca antes de terminada a escolaridade obrigatória, convenção que abrange todos os sectores de actividade e todo o tipo de trabalho. A regulamentação do trabalho de crianças cresceu com o fim da Segunda Guerra Mundial, como consequência dos movimentos de protecção dos direitos humanos, então surgidos, e das organizações internacionais, entretanto criadas. É o caso, nomeadamente, do Conselho da Europa, onde a Carta Social Europeia, de 1961, estabeleceu a idade mínima de admissão ao trabalho aos 15 anos e proibiu que crianças ainda submetidas à escolaridade obrigatória fossem empregadas em trabalhos susceptíveis de as privar do pleno benefício dessa escolaridade. 16 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

19 MESA 1 O DESAFIO QUE INTERPELOU PORTUGAL Também nas Nações Unidas, o Pacto internacional relativo aos Direitos Económicos, Sociais e Culturais incluiu um artigo sobre o trabalho de crianças. No entanto, e apesar de todos estas convenções internacionais consagrarem mecanismo de controlo do seu respeito pelos Estados Partes, são conhecidas as dificuldades inerentes à aplicação do Direito Social Internacional. Por isso, o Relatório global da OIT, elaborado no seguimento da Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho, de 2006, respeitante ao trabalho infantil, refere que, ainda em finais dos anos 80 do século XX, as reacções ao trabalho infantil iam da resignação à negação, passando pela indiferença. Eu própria fui testemunha de casos em que era negada a existência de trabalho infantil por parte de países onde, efectivamente, existia. Esta situação iria, porém, inverter-se a partir do fim da década de 80, por força da acção das organizações internacionais e da sociedade civil, isto é, das ONG s e das organizações sindicais. A culminar esta acção, a ONU elaborou a Convenção dos Direitos da Criança, em 1989, que é a Magna Carta dos Direitos da Criança, e a OIT lançou o IPEC, que se tornou rapidamente num programa de extraordinário sucesso. No que concerne à União Europeia, foi adoptada uma directiva relativa à protecção dos jovens no trabalho. Por sua vez, o Conselho da Europa, preocupado com o grau de incumprimento da Carta Social Europeia, elaborou o Protocolo adicional prevendo um sistema de reclamações colectivas e a OIT incluiu na Declaração relativa aos Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho a abolição efectiva do trabalho infantil e adoptou a convenção n.º 182 sobre as piores formas de trabalho de crianças. Por outro lado, as organizações da sociedade civil mantiveram-se muito activas na denúncia de situações de trabalho infantil. Este movimento, que se gerou a nível mundial, também ocorreu no nosso país, onde os sindicatos e as ONG se revelaram particularmente activos na sinalização de situações de trabalho de crianças em regiões economicamente deprimidas, nomeadamente, no Vale do Ave. A estas denúncias foi dada grande relevância pelos meios de comunicação social, que, ao conferirem visibilidade a uma situação que até aí se mantinha mais ou menos encoberta, obrigaram os poderes públicos e a sociedade em geral a ver aquilo que parecia não quererem ver. A Igreja Católica interveio igualmente nestes movimentos. A situação descrita teve, como é natural, repercussões políticas. Assim, foram celebrados dois acordos de concertação social que abordaram a questão do trabalho infantil: um primeiro, em 1990, que esteve na origem da revisão da legislação sobre trabalho de menores, que se tinha mantido intocada durante mais de 20 anos; e, um segundo, em 1996, em que foram desenhadas várias medidas de combate ao fenómeno, algumas das quais depois recuperadas no programa de acção do PEETI. Este movimento iria culminar com a Lei Constitucional de 1/97, na qual foi incluída a proibição do trabalho de menores em idade escolar. Enquanto a nível interno iam sendo tomadas estas medidas, a nível internacional foram surgindo vários relatórios sobre trabalho de crianças em Portugal, como é o caso do relatório da ONG Anti- Slavery e também dos apresentados ao Congresso Americano sobre direitos humanos. Nestes relatórios é referido que existiam cerca de crianças a trabalhar em Portugal, em particular em sectores como o vestuário, calçado, cerâmica e exploração de granitos, que, ao tempo, eram de forte exportação. Por outro lado, surgiram relatos sobre a situação portuguesa em várias televisões, nomeadamente, na BBC e na Chaine 2, o que acabou por se repercutir na apreciação feita, pelo Comité de peritos independentes do Conselho da Europa, sobre o cumprimento da Carta Social Europeia na parte respeitante ao trabalho de crianças. Efectivamente, nessa apreciação, o Comité de peritos refere que, não obstante Portugal ter uma legislação conforme à Carta, não a estava a cumprir, na medida em que existia um número muito elevado de crianças a trabalhar antes de atingirem a idade mínima de admissão ao emprego. Esta conclusão foi seguida pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa, que dirigiu uma recomendação ao Governo português, aconselhando-o a adoptar as medidas necessárias para que a legislação se traduzisse na prática. Quase em simultâneo, verificou-se a apresentação ao Secretário- Geral do Conselho da Europa de uma reclamação da Comissão Internacional de Juristas contra Portugal por violação da disposição da Carta que proíbe o trabalho infantil. Perante este estado de coisas, a posição de Portugal tornou-se insustentável, pelo que o Governo decidiu tomar medidas drásticas para a resolução do problema. Entre as medidas então tomadas incluiu-se a criação do PEETI e do Conselho Nacional contra a Exploração do Trabalho Infantil. Simultaneamente, iniciou-se uma colaboração muito estreita com a Organização Internacional do Trabalho, nomeadamente, com o IPEC, que apoiou o lançamento de um inquérito às famílias com crianças em idade escolar, destinado a caracterizar e quantificar o trabalho infantil, pois só um verdadeiro conhecimento da realidade permite a adopção de medidas adequadas e eficazes. Ao mesmo tempo, procedeu-se a mais uma revisão da legislação sobre trabalho de menores, foi ratificada a convenção n.º 138 e transposta a directiva sobre protecção dos jovens no trabalho, bem como agravadas as sanções por trabalho infantil. Por outro lado, reforçou-se a acção da Inspecção do Trabalho, que passou a colaborar com outras inspecções, nomeadamente, com a Inspecção de Finanças. Para além disto, foram tomadas medidas de combate ao insucesso e ao abandono escolar e utilizaram-se os programas de luta contra a pobreza e a exclusão social e o Rendimento Mínimo Garantido para resolver situações de trabalho infantil por razões económicas. Em simultâneo, assistiu-se à mobilização da sociedade civil, ONG, sindicatos e meios de comunicação social, no combate a este flagelo que nos envergonhava. O elemento central de luta contra o trabalho infantil foi, porém, o PEETI, de que não vou falar porque existem pessoas que o poderão fazer melhor do que eu. Direi, somente, que o PEETI era uma estrutura de projecto, dependente do Ministério do Trabalho, que articulava com vários ministérios, e que trabalhava, no terreno, na sensibilização e desenvolvimento de um trabalho extraordinário de prevenção e remediação de casos de trabalho infantil, de que é exemplo o Programa Integrado de Educação e Formação. Por todas estas razões, gostaria, neste momento, de felicitar todos aqueles que o criaram, que o dirigiram ao longo destes dez anos, e que nele trabalharam e trabalham, pelo relevantíssimo trabalho PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 17

20 MESA 1 O DESAFIO QUE INTERPELOU PORTUGAL social que desempenharam, e continuam a desempenhar, em prol das nossas crianças. Assim sendo, sinto-me muito honrada por ter colaborado, ainda que sem carácter de regularidade, na sua acção. Para finalizar, cabe indagar as razões que conduziram ao sucesso das políticas adoptadas e o motivo porque Portugal é considerado um exemplo de boas práticas. Do meu ponto de vista, há quatro razões que estão na origem deste sucesso: não ter negado a existência de trabalho infantil (negando-o, não é possível combatê-lo); uma vontade política forte no sentido da sua eliminação; e o empenhamento de todos os actores sociais. A tudo isto acresceu a criação e a acção de uma estrutura dinâmica, flexível, dialogante, capaz de mobilizar vontades e de congregar esforços no cumprimento dos seus objectivos o PEETI/PETI. Dez anos volvidos, existirá ainda trabalho infantil? Como já foi referido, o trabalho infantil, tal como o conhecíamos há dez anos, é, hoje, um fenómeno residual. No entanto, há novas formas de trabalho de crianças, que continuam a solicitar a nossa atenção. Situações como as que ocorreram durante os anos 90 poderão repetir-se? Não sei. O insucesso escolar e a pobreza são potenciadores da exploração de crianças, qualquer que seja a forma que assuma. Gostaria de terminar com uma frase do Director Geral da OIT, Juan Somavía, retirada de um livro que o Sr. Frans Roselaers, que nos honra com a sua presença, fez o favor de me oferecer: «As crianças são o futuro da sociedade nos planos biológico, organizacional, económico e cultural, e têm um direito incontestável a beneficiar dos recursos da sociedade.» Muito obrigada pela vossa atenção. Painéis alusivos ao rasto do PEETI/PETI 18 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

21 MESA 1 TRABALHO DE MENORES: DESAFIOS E SUCESSOS Joaquim Pintado Nunes Direcção de Serviços de Apoio à Actividade Inspectiva Para falar sobre desafios e sucessos relacionados com o trabalho de menores devemos recentrar o tema no trabalho que coloca em crise o normal desenvolvimento do menor. É deste último que vos falarei um pouco, nesta breve apresentação. E é deste último que falaremos porque é este que se apresenta como problema público. Embora se identifiquem aspectos positivos do trabalho desenvolvido por menores na preparação para a vida activa do trabalho, o mesmo pode ter, desde logo, o efeito de um amadurecimento precoce, com reflexos na construção da personalidade da criança. Para o menor, é a sua especial vulnerabilidade que está exposta, sendo essa exposição tanto mais gravosa, quanto a natureza da actividade assuma contornos de exploração, seja pelo tipo de actividade realizada pense-se, por exemplo, na prostituição seja pelas condições em que o trabalho é desenvolvido, com a sujeição da criança ou jovem a riscos desproporcionados e indevidos para a respectiva segurança e saúde ou para o seu normal desenvolvimento sócio-cultural pense-se, por exemplo, na construção civil, na agricultura ou nas indústrias de mão-de-obra intensiva. Pense-se, aliás, em qualquer actividade que coloque em risco o normal desenvolvimento do menor. O trabalho dos jovens em idade escolar configura-se também como uma variável que potencia não apenas um menor rendimento escolar, mas o abandono escolar. E a longo prazo, a falta de escolarização dos menores envolvidos no trabalho, apresenta-se como um problema sério numa economia global em que a competitividade se baseia cada vez mais no conhecimento e qualificação dos trabalhadores. Sabemos que além dos efeitos no desenvolvimento ou mesmo na dignidade individual do menor, o trabalho em idades prematuras, em detrimento do processo educativo, tem uma correlação directa com o crescimento económico e social. Citando um estudo de Anker, publicado na Revista Internacional do Trabalho, vemos que são tão gravosos os efeitos deste fenómeno na economia como, a um nível micro, no jovem e nas respectiva famílias. Por outro lado, o mercado de trabalho sofre os efeitos do trabalho infantil, com expressão sobretudo a nível local. Sendo a actividade dos menores em idade escolar uma actividade não declarada, ela é tendencialmente menos remunerada que a actividade idêntica de um adulto, afectando assim quer os níveis de emprego, especialmente em actividades que exigem pouca especialização, quer os níveis de remuneração da população adulta ocupada em actividades similares. Por todas estas razões e outras aqui não identificadas, este problema público tem sido objecto de um conjunto significativo de instrumentos normativos internacionais, desde logo a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a que se aduzem a Convenção sobre os Direitos da Criança, Convenção Europeia dos Direitos da Criança, a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a Carta Social Europeia, a Convenção n.º 138 da OIT que estabelece a idade mínima de admissão ao emprego e a Convenção n.º 182 da OIT, sobre as piores formas de trabalho infantil. PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 19

22 MESA 1 TRABALHO DE MENORES: DESAFIOS E SUCESSOS para os 16 anos, a partir de 1 de Janeiro de 1997, desde que os menores dispusessem de capacidade física e psíquica adequada ao posto de trabalho. Admitia-se ainda que os menores com idade compreendida entre os 14 anos e a idade mínima de admissão pudessem prestar trabalhos leves. Mais tarde, em 1999, surgiu uma nova alteração legislativa, através da Lei n.º 58/99, de 30 de Junho, que veio estabelecer alterações ao nível das garantias de protecção da saúde, da educação e da regulação do trabalho nocturno, estabelecendo a sua proibição a menores com menos de 16 anos. A nível europeu, destaca-se com particular relevo a Directiva n.º 94/33/CE o Conselho, de 22 de Junho de 1994, relativa à protecção dos jovens no trabalho, transposta para o ordenamento jurídico nacional pelo Código do Trabalho (CT), aprovado pela Lei n.º 99/2003, de 27 de Agosto Para provocar um efeito dissuasor do recurso ao trabalho de menores, o Regime Legal das Contra-Ordenações Laborais, também em 1999, estabeleceu que a violação das normas legais sobre a idade mínima de admissão ao trabalho e ao emprego constituíam contra-ordenações muito graves, determinando em certos casos a criminalização das condutas ligadas à exploração do trabalho infantil. Actualmente, de acordo com O Código do Trabalho, que entrou em vigor no dia 1 de Dezembro de 2003, a admissão de menores ao emprego deve cumprir um conjunto de requisitos associados à idade, à escolaridade e à natureza dos trabalhos desenvolvidos. Em Portugal, o primeiro regime jurídico que regulou as condições do trabalho prestado por menores data do ano 1891, estabelecendo o conceito de menor e referindo a idade de 12 anos como a idade mínima de acesso ao emprego, embora com algumas excepções. Previu-se também o limite da jornada de trabalho diário e restringiu-se o trabalho de menores a determinadas indústrias de acordo com a perigosidade da actividade. Passado mais de um século, a protecção conferida aos menores tem vindo sucessivamente a ser reforçada, através da publicação de diversos diplomas legais que têm aumentado a idade mínima de admissão ao trabalho, a necessidade de níveis mais elevados de escolaridade obrigatória e ampliado o leque das actividades condicionadas ou proibidas. Assim, em 1969, o Decreto-Lei n.º , de 24 de Novembro, que aprovou o regime jurídico do contrato individual de trabalho, fixou a idade mínima de admissão ao trabalho em 14 anos. Apenas cerca de três décadas depois, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 396/91, de 16 de Outubro, foi fixada nos 15 anos a idade mínima de admissão ao trabalho, sendo elevada De facto, apenas podem ser admitidos a prestar trabalho, os menores quetenham completado 16 anos de idade, tenham concluído a escolaridade obrigatória, e disponham de capacidade física e psíquica adequadas ao posto de trabalho. São contudo admitidas excepções, no caso dos menores com idade inferior a 16 anos, desde que tenham concluído a escolaridade obrigatória e os trabalhos sejam leves, não prejudiquem a sua segurança e saúde, a assiduidade escolar, a sua participação em programas de orientação e formação, ou o seu desenvolvimento psíquico, moral, intelectual e cultural. São estas, como outras especificidades previstas na lei, contudo, devemos salientá-lo, excepções ao regime geral, da idade mínima fixada em 16 anos e da escolaridade obrigatória. No que diz respeito à protecção da saúde, a aptidão física e psíquica para o trabalho a realizar é avaliada através de exames de saúde, antes do início da prestação do trabalho e posteriormente com periodicidade anual, a fim de prevenir eventuais prejuízos para o desenvolvimento físico e mental do menor. 20 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

23 MESA 1 TRABALHO DE MENORES: DESAFIOS E SUCESSOS Ainda no sentido de reforçar a protecção da saúde dos menores no trabalho, a Regulamentação do Código do Trabalho enumera um conjunto de actividades proibidas e condicionadas por razões de saúde e de segurança. Traduzindo a forte censura social sobre estas matérias e a par da previsão do sancionamento contra-ordenacional reforçado com a sanção acessória de publicidade, o Código Penal criminaliza os maus tratos a pessoa menor e o Código do Trabalho qualifica como crime a utilização indevida do trabalho de menor, a violação da idade de admissão ao trabalho e a violação da proibição de prestação de trabalhos que, pela sua natureza, ou pelas condições em que são prestados, sejam prejudiciais ao desenvolvimento físico, psíquico e moral dos menores. Desde 2002 até 2005, essa relação decresceu, sucessivamente, apresentando valores de 3,8 e 0,07, respectivamente, ou seja, o número de menores detectados em resultado daquelas visitas inspectivas diminuiu, progressivamente, num período de 5 anos., situação que se mantém até hoje. No ano passado foram encontrados 5 menores em situação ilícita, representado um valor de 0, 13 por cada 1000 visitas efectuadas. Na relação entre o número de menores detectados, em situação irregular, nos locais de trabalho, por 1000 trabalhadores ao serviço das empresas que foram objecto de visita específica, os valores apresentam, igualmente, uma tendência de decréscimo acentuado. A principal inovação introduzida pela regulamentação do Código do Trabalho, em 2004 assenta na consagração do regime jurídico da participação de menores em espectáculos e outras actividades com idade inferior a 16 anos, vindo a dar resposta a uma realidade incontornável: a participação de menores em espectáculos. Prevê-se que o menor pode ter participação em espectáculos e outras actividades de natureza cultural, artística ou publicitária, designadamente como actor, cantor, dançarino, figurante, músico, modelo ou manequim, incluindo os correspondents ensaios, determinando a lei os períodos de actividade de acordo com a idade dos menores. Salvaguarda-se o período de aulas e a participação em actividades escolares, para que não haja coincidência de horários. Esta participação está condicionada a um regime de autorização da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens CPCJ e de comunicação da autorização à ACT. Se este é hoje um dos maiores desafios que se põe, nomeadamente a quem tem competências de aplicação da lei, como a ACT, que aqui represento, a verdade é que há cerca de uma década atrás o problema era bem diferente. Na relação entre o número de menores detectados, em resultado de intervenção inspectiva, nos locais de trabalho, por cada 1000 visitas específicas efectuadas, observa-se que foram identificados, no ano 2000, 22,4 menores em situação ilícita. No ano 2001, iniciou-se uma tendência decrescente deste indicador, tendo sido encontrados 12,8 menores por cada 1000 visitas específicas. Quanto à caracterização do total de menores detectados em resultado da acção inspectiva, no período abrangido, no que respeita à distribuição por idade, constata-se que a maioria das crianças (60,2 %), em situação ilícita, apresentava 15 anos de idade, e que 26,8 % dos menores tinha 14 anos. Verifica-se aqui um progressivo decréscimo do número de menores no trabalho, à medida que a idade diminui. O número de infracções detectadas apresenta igualmente uma tendência de decréscimo, observando-se que os inspectores do trabalho presenciaram, no ano 2000, 229 infracções relativas a trabalho de menores. No ano 2001, iniciou-se a tendência decrescente deste indicador, tendo sido detectadas 157 infracções. De 2002 a 2005, aquele número decresceu, sucessivamente, de 94 para 46, respectivamente. No ano 2006, verificouse, relativamente ao ano anterior, um ligeiro aumento para 68, descendo em 2007 para 46. Refira-se que estas infracções não são apenas as relacionadas com os requisitos de admissão, mas com outros ilícitos, como a vigilância da saúde e os períodos de trabalho praticados. Na distribuição do número total de menores detectados pela inspecção do trabalho, em situação ilícita, por sectores de actividade económica, no período compreendido entre os anos de 2000 e 2006, verifica-se que a maioria desses menores (28 %) se encontrava a trabalhar na construção civil. O segundo sector de actividade foi o da hotelaria (18 %); segue-se a actividade de indústria de vestuário e confecção (13 %) e, finalmente, o sector da indústria alimentar (11 %). PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 21

24 MESA 1 TRABALHO DE MENORES: DESAFIOS E SUCESSOS Por distritos, a maioria dos menores (31 %) encontrava-se a trabalhar no distrito de Braga. A segunda zona geográfica em que foi identificada, no período abrangido, maior número de menores, foi o distrito do Porto (27%), seguindo-se os distritos de Aveiro e de Viseu, apresentando, ambos, um valor de 6%. orientadas à identificação de menores no trabalho e a acção conjunta com outras instituições antes da visita inspectiva na sua preparação, durante a visita e após a intervenção, por exemplo pelo encaminhamento do jovem para soluções de apoio social ou educativo. A comunicação às CPCJ das situações de trabalho infantil identificadas nos respectivos concelhos e a participação ao Ministério Público de situações passíveis de serem enquadradas no tipo legal de crime previsto no Código Penal e no CT constituem, igualmente, metodologias utilizadas para ampliação do efeito da acção inspectiva, ao nível da identificação de situações irregulares e da cooperação nas intervenções desenvolvidas. São acompanhados também, numa perspectiva orientadora, os casos de comunicação de admissão de menores à ACT; perspectivando-se o alcance estratégico da intervenção inspectiva através do acompanhamento e avaliação da produção efectiva de resultados. Disse-se antes que o desafio não é o mesmo de há uma década. Mas o desafio subsiste ainda. Em conclusão, a taxa de incidência de menores detectados, em situação ilícita, em função do número de visitas específicas e de trabalhadores abrangidos, decresceu, de forma progressiva e acentuada, desde o ano 2000 até 2007, assim como igualmente diminuiu o número de menores encontrados. Consequentemente, o número de infracções presenciadas apresenta uma tendência de decréscimo, tendo a grande maioria das crianças identificadas a trabalhar ilegalmente, neste período, 14 ou 15 anos de idade. Considerando os dados da OIT relativos a tendências globais da actividade económica dos menores por região, constata-se que o seu envolvimento no trabalho diminuiu em todo o mundo, entre os anos de 2000 a 2004, nas três categorias de crianças economicamente activas, trabalho infantil e trabalho perigoso, tanto em termos relativos como em termos absolutos. O declínio ocorrido no trabalho perigoso permite equacionar, a médio prazo, a possibilidade de eliminação, a nível mundial, das piores formas de trabalho infantil. Na mudança que percepcionamos, a ACT identifica a necessidade de intervenção em matéria de verificação e promoção da melhoria das condições de participação de menores em espectáculos e outras actividades de natureza cultural, artística ou publicitária. Embora, para a generalidade das crianças, esta participação tenha uma frequência meramente ocasional, é certo que ocorrem casos de actividade frequente. Nalgumas actividades, como a moda e a publicidade, a participação tem, em regra, uma duração limitada, correspondente às sessões fotográficas e aos desfiles, enquanto que, no circo, na televisão, no cinema e no teatro, a participação dos menores apresenta, com frequência, uma duração prolongada, que pode comprometer o desenvolvimento do menor e o seu sucesso escolar. Este decréscimo traduz um sucesso na resposta a um desafio, quer a nível internacional onde o problema subsiste, no entanto e a nível nacional, onde assume, quando muito, novos contornos, de uma forma não tradicional, como veremos. A resposta a este desafio foi plenamente participada. Face a uma generalizada acusação da comunidade internacional de Portugal como um país de acentuada exploração do trabalho infantil, em aparente contradição com o que se passaria em outros estados europeus, o país concentrou esforços para a erradicação do fenómeno, através da concertação de políticas e da acção conjugada de organizações ligadas ao trabalho, à educação, à segurança social, a outras áreas, no que veio a ser reconhecido como um caso de sucesso, para o qual terá contribuído, sem dúvida, o papel desenvolvido pelo PEETI, na charneira das várias dinâmicas geradas em torno do problema. No que respeita à inspecção do trabalho, o combate ao trabalho infantil constituiu uma oportunidade de desenvolver novas abordagens e metodologias, com a intensificação das visitas No contexto dos novos desafios, coloca-se ainda o problema do trabalho infantil no domicílio. Tratando-se de uma prestação de actividade caracterizada por aspectos particulares de dimensão cultural, nomeadamente, porque é frequentemente associada a práticas e negócios familiares, a acção pública neste domínio implica o estudo de estratégias inovadoras que configurem uma res- 22 PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal

25 MESA 1 TRABALHO DE MENORES: DESAFIOS E SUCESSOS posta eficaz, que permita mais uma vez satisfazer objectivos de protecção do menor e de desenvolvimento social e económico. A estratégia a seguir, caracterizadora de qualquer abordagem ao trabalho de menores deve passar pela sensibilização, aconselhamento e consolidação do trabalho em rede, envolvendo as áreas da educação e orientação profissional, as políticas activas e inclusivas de emprego, apoios sociais e um quadro legislativo que permita uma efectiva resposta e acompanhamento. Em conclusão, uma resposta pública eficaz às problemáticas do trabalho de menores apresenta-se como um desafio a três níveis. Trata-se de uma abordagem pluridimensional, que, partindo de um conhecimento adequado da realidade, e da mobilização de actores sociais e dos cidadãos, para o que a comunicação social se revela como um parceiro de enorme valor, alicerçada em capacidades locais ou seja, desconcentradas e próximas das fontes dos problemas, se alia a um processo de enriquecimento normativo, planeamento político e políticas sociais e educativas que, aumentando o rendimento das famílias, melhorando as respostas do sistema educativo e aproveitando sinergias e competências dos serviços que lidam com o trabalho infantil criem possibilidades sustentadas de trabalho e educação que, não comprometendo o futuro dos jovens e das crianças reconheçam os valores da infância como bem social essencial. Nesta perspectiva e porque estas medidas são já uma realidade o combate ao trabalho infantil é identificável como um caso de sucesso na resposta a um desafio nacional, do qual alguma experiência se pode recolher para fazer face a outros problemas que ocupam a vida pública. Catalina Pestana, Moderadora: Muito obrigada, Dr. Pintado Nunes. Eu queria agradecer aos meus três companheiros de mesa. Penso que foi muito útil, pois um dos males deste país é esquecer que tem história. Considero que em determinado momento criámos uma má relação com a História, e penso que ignoramos a História todos os dias. Esta mesa foi o exemplo de que estamos a ultrapassar o «trauma» e tivemos oportunidade de ouvir, quer numa perspectiva macro, quer numa perspectiva mais específica e directa da intervenção das organizações que têm a seu cargo o problema do trabalho infantil, como a Inspecção do Trabalho, agora ACT, a história da criação dum plano especial para o combate ao trabalho infantil, a história do percurso desse plano e a história futura, i.e., o que os responsáveis antevêem como necessidade emergente de intervir para ir mais fundo e para ir mais longe. Tenhamos consciência de que a roda já foi inventada há milhões de anos, pelo que não vale a pena fazer tábua rasa do que já foi construído, começando sempre tudo de novo. Neste aspecto em concreto, nós temos boas práticas reconhecidas, pelo menos ao nível da Europa e dos países de expressão portuguesa. Não vale a pena tentarmos decalcar uma realidade que é específica, que é a nossa, para outros países porque ela não obterá os mesmos resultados. Temos que partir do que já está feito e não ter medo de enfrentar o que está por fazer. Oscar Wilde dizia: «nós somos anões aos ombros de gigantes». Se nos soubermos equilibrar às cavalitas de quem já andou muitos anos, centenas de anos, a lutar por estas coisas talvez consigamos, no tempo certo, dar a resposta certa. Muito obrigada a todos, muito obrigada aos meus colegas de mesa. PETI / OIT - 10 Anos de Combate à Exploração do Trabalho Infantil em Portugal 23

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