Plano Urbanístico - Tiquatira 2 - Arche Consultoria, Planejamento e Projetos

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1 Plano Urbanístico - Tiquatira 2 - Arche Consultoria, Planejamento e Projetos

2 ARCHE CONSULTORIA PLANEJAMENTO E PROJETOS VIRGINIA MURAD Arquiteta Urbanista ELSA BURGUIÈRE Arquiteta Urbanista JOÃO PAULO HUGUENIN Aquiteto Urbanista TIAGO BASTOS Aquiteto Urbanista TOM F. CAMINHA Aquiteto Urbanista SONIA CARVALHO Assistente Social

3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 3 INSTRUMENTOS CONCEITUAIS 4 DIRETRIZES PROJETUAIS 6 CONDICIONANTES 8 MAPA SÍNTESE 9 CENÁRIOS 10 CRITÉRIOS 12 PLANO URBANÍSTICO 14 CONCEITO 16 UH TRIPOSTA 18 UH VERTICAL 19 CENTRALIDADES 20 ÁREAS VERDES 24 USOS DO SOLO 28 SISTEMA VIÁRIO 30 DRENAGEM 34 HIERARQUIZAÇÃO DA INTERVENÇÃO 38 IMAGENS DO PLANO URBANÍSTICO 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS 52 PLANO URBANÍSTICO 1

4 FIGURA 1: Foto com desejos dos moradores da Vila União sobre o projeto de urbanização do PAI Tiquatira 2.

5 APRESENTAÇÃO As propostas contidas nesta etapa de trabalho, além de formuladas com o rigor técnico necessário, foram também resultado de um diálogo com o setor público, responsável pelo monitoramento do Plano de Intervenção, e de um trabalho participativo junto aos moradores dos assentamentos, principais atingidos pela intervenção em curso. TRABALHO SOCIAL E GESTÃO DEMOCRÁTICA Acreditamos que o trabalho social é parte vital no processo de planejamento do PAI. Entre seus objetivos encontram-se: promover o envolvimento da comunidade no projeto, estimular sua participação, subsidiar equipe e comunidade com informações relevantes de parte a parte. Acreditamos também que o interesse dos moradores devem comprometê-los na conservação das intervenções propostas, assim como maior apropriação dos espaços criados através desta ação de planejamento. Isso tem como pressuposto um dos princípios fundamentais da proposta que é o da legitimidade da intervenção. Procuramos através disto tratar a questão habitacional de forma pactuada e manter o respeito à tipicidade da ocupação. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO E DISCUSSÃO COM A PREFEITURA Buscamos ao longo do processo de trabalho, estabelecer um diálogo com os setores do poder público envolvidos, devido às proposições contidas no Plano Urbanístico serem objeto de negociação. Por razão disto, fizemos uma consulta prévia à Habi Leste e ao GT Plano Urbanístico no dia 10 de agosto. ATIVIDADE DE EXPOSIÇÃO DO DIAGNÓSTICO E DIRETRIZES DO PLANO À COMUNIDADE Com apoio e aval da SEHAB, responsáveis pela divulgação e convite para comparecimento, foram realizadas atividades de consulta e debate na comunidade, visando contemplar os diversos setores internos da favela. A atividade consistiu em exposição visual do diagnóstico e das diretrizes de projeto contidas no Plano Urbanístico durante grande parte do dia. Realizamos debates e esclarecimentos com a população, de grandes grupos a grupos mais focalizados no usuário, entre os dias 23 e 25/08, pela tarde e noite. Foram afixados cartazes em um varal, para facilitar a leitura por parte da população. Nestes cartazes os moradores colaram sugestões em pequenas fichas enquanto a equipe técnica prestava os esclarecimentos necessários. A Habi Leste compareceu, enriquecendo a atividade com o respaldo dado conferiu aos eventos. Dessa forma, foi possível conhecer melhor e incorporar as preocupações da comunidade nas definições do plano. Observamos que muitas reivindicações já estavam sendo contempladas. Atribuímos essa conformidade de objetivos ao trabalho minucioso de investigação que realizamos no diagnóstico, quando o diálogo e o contato com a população foram de fundamental importância. Devemos frisar que a população local está acompanhando as atividades promovidas, manifestando, em geral, grande interesse e expectativa. Observamos que através de um diálogo franco e respeitoso é possível estabelecer um entendimento da população sobre as necessidades das intervenções urbanas.

6 NSTRUMENTOS INSTRUMENTOS CONCEITUAIS Para desenvolvermos o Plano Urbanístico do PAI Tiquatira 2 introduzimos instrumentos conceituais que norteou nossas propostas de intervenção. Os conceitos utilizados foram os seguintes: HABITABILIDADE: Garantir a habitabilidade é o objetivo básico das intervenções em assentamentos informais. Na escala urbana, a habitabilidade inclui a provisão de infraestrutura e serviços públicos. Já na escala da moradia, indica a melhoria habitacional das moradias que podem ser mantidas e adoção de premissas sustentáveis nas novas edificações. Dessa forma, as famílias passarão a ter uma Moradia Digna. LEGITIMIDADE As intervenções em favelas se tornam legitimas ao reconhecer o direito constitucional à moradia respeitando os vínculos, a identidade social e a noção de pertencimento da população existente. Assim, o projeto deve promover a garantia da posse da terra através da regularização fundiária considerando os bens construídos pela população. Além disso, a legitimidade aumenta na medida em a gestão da cidade passa a ser democrática e os moradores podem participar do processo de decisão do processo. 4 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

7 CONECTIVIDADE Permitir a conexão da favela com o espaço urbano circundante significa integrá-la à cidade. A conexão deve se dar tanto internamente, a partir da idententificação do traçado urbano e a definição do sistema viário, como externamente, através da formulação de um sistema de mobilidade urbana sustentável. Além disso, a conexão entre as diversas partes da cidade se dá através dos usos e serviços previstos para o local. SUSTENTABILIDADE Esse conceito implica numa necessária inter-relação entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a necessidade de desenvolvimento. A sustentabilidade deve permear todas as ações e intervenções a serem implementadas, na medida do possível, através das opções do projeto urbano, das soluções construtivas, dos processo de execução, da gestão e das possibilidades de programas sociais. PLANO URBANÍSTICO 5

8 DIRETRIZES DIRETRIZES PROJETUAIS São as seguintes as Diretrizes de Ação que respaldam os Princípios Fundamentais: Garantia da Função Social da Cidade e da Propriedade, com Justiça Social - Aplicação dos instrumentos do Estatuto da Cidade; tomando por base as determinações do Plano Diretor estratégico, enquanto importante instrumento de efetivação da função social da propriedade urbana, na medida em que este se apresenta como requisito essencial para a utilização dos instrumentos da política urbana, descritos: no 4º do Art. 182o da Constituição Federal de 88 e nos termos do Inc. III do Art. 41o do Estatuto da Cidade. - Urbanização e regularização fundiária do assentamento como garantia à posse da terra e à função social da propriedade. A regularização fundiária promove a cidadania, e, ao fornecer ao morador um título de propriedade, também lhe assegura um endereço, efetivando sua inclusão social. - Integração da população no contexto legal da cidade, pela consolidação do assentamento e sua inserção no planejamento e no conjunto de ações e programas desenvolvidos pela prefeitura. - Regulamentação de ZEIS 1 para a favela a ser consolidada e elaboração de legislação de uso e ocupação do solo com parâmetros e normas simplificadas e flexíveis, respeitosas ao ambiente construído, com adoção de padrões urbanísticos diferenciados da cidade formal. Definição, no interior da ZEIS de sistema de nomenclatura de ruas e numeração de casas. - Garantia da capacidade de suporte de infraestrutura, serviços e equipamentos urbanos. Garantia de Moradia Digna - Enfrentamento do problema habitacional em articulação com as demais políticas: fundiária, de saneamento, de meio ambiente e de transporte, de acordo com as determinações da política urbana. - Respeito ao espaço construído e reconhecimento da produção e dos investimentos em habitação já realizados pela população moradora local. - Respeito às características da organização física e social local, à noção de pertencimento da população local e aos laços de vizinhança já estabelecidos. - Provisão de novas unidades habitacionais para atendimento ao déficit por substituição, proveniente da necessidade de reassentamento dessas famílias. Sustentabilidade Ambiental - Promoção de ações que combinem a melhoria de condições de melhoria à recuperação do meio ambiente na área de intervenção. - Considerar, para efeito de planejamento de ações de saneamento, em especial para a drenagem ambiental, o território de forma mais abrangente, tomando a subbacia hidrográfica do Ponte Rasa, de acordo com a orientação e a prática da SEHAB. 6 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

9 Recuperação de área degradada e subutilizada no interior da área de intervenção para Implantação de Parque Linear; - Urbanização dos assentamentos contíguos à área de intervenção, visando à readequação do entorno do parque linear a ser criado (com implantação de redes de saneamento básico, projetos de drenagem pluvial, recuperação da calha de deságue do rio e replantio de mata ciliar, coleta de lixo, despoluição da nascente do córrego Ponte Rasa) com reflexos e melhoria no funcionamento de toda a bacia a que pertence o córrego. - Ampliações dos fluxos de mobilidade pela articulação com a escala maior da cidade, seus espaços livres e públicos, centralidades, importantes modais de circulação: Interligação do Parque Linear, através de caminhos verdes (alamedas arborizadas) e ciclovias, a outros parques e praças do bairro e às estações de metro, entre outros. - Projeto de educação ambiental junto à comunidade, para preservação das obras e dos equipamentos implementados. PROJETUAIS - Criação do Conselho Gestor da ZEIS de acordo com as determinações do Plano Diretor Estratégico visando à análise e aprovação, esta quando for o caso, do plano e dos demais projetos de intervenção. - Fortalecimento dos segmentos sociais e representantes das comunidades atingidas, por meio de canais de participação e esclarecimento acerca da intervenção proposta. - Garantia de participação da sociedade local nas etapas de elaboração e implementação do Plano de Intervenção, por meio de: a) Apresentação, discussão e esclarecimento dos resultados do diagnóstico, abrindo espaço para que os moradores e seus representantes se manifestem, no tocante à concordância ou discordância com as conclusões ali contidas. b) Incorporação das reivindicações dos moradores e de seus representantes aos estudos e ao plano de intervenção e apresentação do plano em assembleia. - Fortalecimento de uma organização comunitária e democrática para garantia de transparência na aplicação dos recursos. Gestão Democrática - Sistematização de práticas de trabalho em conjunto com atores sociais e lideranças comunitárias com os objetivos de abrir espaço e dar voz à população atingida. - Envolvimento da comunidade e integração da equipe técnica pelo estabelecimento de uma relação de segurança e franqueza na apresentação dos objetivos e ações. PLANO URBANÍSTICO 7

10 PLANO URBANÍSTICO 9

11 ENÁRIOS Áreas densas, com casas precárias e em área de risco (deslizamento e alagamento) Rua Agreste de Itabaiana C. Ponte Rasa Av. Águia de Haia CENÁRIO ATUAL Verticalização das habitações com ocupação da margem do rio, piorando as situações de risco. CENÁRIO TENDÊNCIA Recuperação da margem do rio, controle da inundação e áreas de risco. Controle da urbanização e construção de UH para relocação. CENÁRIO DESEJADO 10 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

12 Rua Agreste de Itabaiana C. Ponte Rasa Rua Cinco CENÁRIO ATUAL CENÁRIO TENDÊNCIA CENÁRIO DESEJADO PLANO URBANÍSTICO 11

13 CRITÉRIOS CRITÉRIOS DE URBANIZAÇÃO Para realizar o plano de urbanização dos assentamentos do PAI Tiquatira 2 seguimos critérios técnicos para fazer uma estimativa do número de unidades habitacionais a serem reassentadas. O primeiro critério das edificações que deveriam sair foi o da precariedade da habitação, no caso, verificamos que essas coincidiam com as edificações de madeira. Além disso, verificamos que muitas casas ficavam em área de risco de escorregamento e também deveriam ser realocadas. Como o córrego Ponte Rasa quando transborda invade algumas casas, foi previsto que suas margens fossem recuperadas. Nas área de ocupação mais antiga que conta com boas edificações utilizamos a diretriz da SIURB de uma faixa não edificante de 5 metros. Já onde as edificações eram mais precárias, consideramos a área de proteção permanente de 15 metros prevista no Código Florestal. Junto à Avenida Águia de Haia verificamos que seria necessário afastar as edificações por conta do ruído excessivo dos veículos. Além dessas edificações que deveriam ser removidas por questões de risco, consideramos que no caso da necessidade de abertura de vias e infraestrutura, deveríamos priorizar as áreas que tivessem a maior concentração de edificações com área reduzida ( 35m²). Dessa forma, chegamos a seguinte situação: 12 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

14 CRITÉRIOS PARA NOVAS EDIFICAÇÕES Para realizar a reconstituição do tecido urbano através da habitação pensamos em duas tipologias: uma de casas tripostas e outra de edificíos com cinco pavimentos. A concepção estrutural das duas é a mesma: lâminas paralelas de alvenaria estrutural definem os limites de cada com o vão usual de uma laje pré-fabricada. As edificações devem possuir uma implantação em fita, tendo as unidades aberturas em fachadas opostas, possibilitando uma ventilação cruzada eficiente, potencializada pelo desenho das esquadrias. Vão < 7m Vão < 7m Nas casas tripostas, o térreo é composto por dois módulos horizontais enquanto as outras unidades se desenvolvem em dois módulos verticais. O térreo é facilmente adaptado à uma unidade voltada a deficientes físicos ou para o comércio. Essa tipologia também deverá ser utilizada em reconstituição do tecido, devido a sua reduzida projeção A tipologia verticalizada deve ser implementada na divisa dos lotes, evitando os edifícios isolados em centro de terreno. Assim, o acesso ao conjunto deve se dar por um espaço de uso coletivo, transição entre o público e o privado. PLANO URBANÍSTICO 13

15 PLANO URBANÍSTICO Parque linear que conjuga fatores de recuperação ambiental como: recuperação da nascente aterrada[1], recomposição de mata ciliar [2], controle de vazão de águas pluviais; com carências do bairro quanto à espaços públicos, equipamentos de esporte/ lazer e áreas verdes[3]. -Ciclovia[4] que além de unir ambiências, foi projetada com a intencionalidade de uma escala maior da cidade, onde conectaria espaços livres, espaços públicose importantes modais de circulação (trem, metrô e ônibus). - Organização do sistema viário [5] integrado à malha envoltória e respeitando o preexistente. Mais acessose permeabilidade à favela. Abertura de vias e ampliação das vielas existentes. - Ligação às redes de infraestrutura existentes no bairro a todas as residências do assentamento. - Remanejamento das famílias em situação de risco para área contígua[6] ou interior da própria favela[7]. Os terrenos prioritários postos em negociação são adjacentes aos assentamentos, promovendo a manutenção de vínculos sociais já estabelecidos e a possibilidade (indicada no presente trabalho) de construção das unidades de reassentamento antes da intervenção no interior da favela. - Implantação de equipamentos públicos identificados como carências da área através do diagnóstico participativo, como o Centro de Referência [8] (centro comunitário para múltiplos usos), galpão de triagem de coleta seletiva para geração de emprego e renda [9] (sugere-se capacitação para a criação de cooperativa de catadores do assentamento) e equipamentos diversos de esporte e lazer no parque linear. 14 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

16 PLANO URBANÍSTICO PLANO URBANÍSTICO 15

17 16 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

18 PLANO URBANÍSTICO 17

19 H-TRIPOSTA 18 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

20 UH-VERTICAL PLANO URBANÍSTICO 19

21 20 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

22 CENTRALIDADES PLANO URBANÍSTICO 21

23 CENTRALIDADES 22 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

24 PLANO URBANÍSTICO 23

25 ÁREAS VERDES 24 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

26 PLANO URBANÍSTICO 25

27 26 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

28 PLANO URBANÍSTICO 27

29 28 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

30 30 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

31 SISTEMA VIÁRIO PLANO URBANÍSTICO 31

32 32 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

33 PLANO URBANÍSTICO 33

34 34 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

35 PLANO URBANÍSTICO 35

36 36 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

37 DRENAGEM PLANO URBANÍSTICO 37

38 HIERARQUIA 38 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

39 PLANO URBANÍSTICO 39

40 40 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

41 PLANO URBANÍSTICO 41

42 42 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

43 PLANO URBANÍSTICO 43

44 44 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

45 PLANO URBANÍSTICO 45

46 46 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

47 PLANO URBANÍSTICO 47

48 48 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

49 PLANO URBANÍSTICO 49

50 50 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

51 PLANO URBANÍSTICO 51

52 CONSIDERAÇÕES CONSIDERAÇÕES FINAIS Deve ser assegurado a todas as pessoas, não apenas em palavras, mas concretamente, o direito à moradia, sem o qual nenhum ser humano poderá satisfazer todas as suas necessidades materiais e espirituais Dalmo de Abreu Dallari (Viver em Sociedade) Favela consolidada e urbanizada é aquela servida por saneamento ambiental, infraestrutura e serviços básicos, aquela em que o direito à moradia digna e o direito a terra estão assegurados. Assim, o Plano de Intervenção se propõe a consagrar esses direitos e garantir o atendimento à infraestrutura urbana como um todo, buscando a sustentabilidade da intervenção, com inserção do assentamento à cidade e, ao mesmo tempo, combate à exclusão social. LIMITAÇÕES DO PLANO Algumas limitações do Plano são devidas, entre outros, à falta de Cadastro, nesta etapa, das famílias atingidas e à falta de Restituição da Aerofotogrametria, que interferem diretamente com algumas tomadas de decisão e consequentemente, com o resultado final do trabalho. Embora contornáveis nesta etapa de desenvolvimento do trabalho, situações como essas não deveriam voltar a acontecer, sob pena de comprometer não só o Estudo Preliminar como as etapas futuras da intervenção. 52 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2 CONDIÇÕES DE PAGAMENTO DAS NOVAS MORADIAS A situação das casas mais precárias das favelas - feitas de madeira ou de materiais inservíveis, situadas nos locais mais insalubres - vai exigir uma ação mais cuidadosa e concentrada da intervenção, no que diz respeito à realocação de moradias. Algumas pessoas nessa situação não terão condições de arcar com o peso de um financiamento para a nova habitação. E é claro que isso se aplica também a outras situações, tais como famílias numerosas moradoras de cubículos sem condições de habitabilidade, mas que não podem pagar por uma nova casa, etc. Dessa maneira, devem ser pensadas outras soluções para resolver esses problemas. Como esta questão está intimamente ligada à falta de cadastro, a primeira atitude deve ser a elaboração de um cadastro e uma análise socioeconômica das famílias que moram nas casas indicadas para remoção. A realização de um plantão social contínuo na comunidade, para esclarecimentos, antes do início das obras, também é recomendável, pois os moradores precisam conhecer para estarem preparados para as dificuldades decorrentes da intervenção. PROGRAMA DE REQUALIFICAÇÃO DE MORADIAS Em alguns casos seria recomendável entrar com um Programa de Requalificação de Moradias para as unidades que continuarem instaladas na favela. Criado a partir da aprovação do Plano Diretor Estratégico (Lei no /02) o programa, que visa oferecer assistência técnica gratuita, foi proposto para atender às necessidades de requalificação das moradias em assentamentos que tenham sofrido intervenções (urbanização/regularização), garantindo parâmetros mínimos de salubridade e conforto.

53 HABILITAR A COMUNIDADE A PARTICIPAR DA CONSTRUÇÃO DOS ESPAÇOS CRIADOS E DE SUA GESTÃO Dar continuidade ao trabalho de envolvimento e pactuação com a população, em uma proposta de identificação da comunidade com seu próprio espaço. A instituição das ZEIS que visa harmonizar o assentamento irregular com a cidade formal traz, entre seus elementos o direito aos moradores de participarem do planejamento das intervenções. Isso pode se dar sob a forma de um trabalho social articulado e respeitoso junto á população e através do estabelecimento de um Conselho Gestor, do qual façam parte representantes da prefeitura e das favelas atingidas. INSTITUIÇÃO DE CONSELHO GESTOR O estabelecimento de um Conselho Gestor para a ZEIS (objeto do Decreto Municipal nº /04, posteriormente alterado pelo Decreto Municipal n /04) é um canal instituído por lei para viabilizar a participação da sociedade na gestão da política habitacional do município. Em seu artigo 175o, parágrafo 1º, o PDE estabelece que os Planos de Urbanização das ZEIS devem contar com Conselhos Gestores compostos por representantes dos atuais ou futuros moradores e do Executivo, que deverão participar de todas as etapas de elaboração do Plano de Urbanização e de sua implementação. O artigo 178O estabelece ainda que os Planos de Urbanização de cada ZEIS deverão ser subscritos pelo Conselho Gestor da respectiva ZEIS e aprovados pela Comissão de Avaliação de Empreendimentos Habitacionais de Interesse Social - CAHEIS, da SEHAB, garantindo na elaboração e implementação do respectivo Plano de Urbanização a participação da população moradora da ZEIS, da Subprefeitura envolvida e dos proprietários de imóveis da respectiva ZEIS. Sugerimos que esse conselho seja constituído ainda nesta fase, de acordo com a legislação vigente, permitindo um protagonismo por parte dos atingidos pela intervenção em consonância com o poder público local, enquanto responsável pela intervenção. LEGISLAÇÃO DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO PARA A ZEIS As ZEIS são um instrumento fundamental para as políticas de integração urbana dos assentamentos precários, garantindo a segurança jurídica da posse dos moradores sobre sua área de moradia, com resultados benéficos para toda a cidade, em termos de qualificação do espaço, melhorias sanitárias e ambientais. Nas ZEIS devem ser aplicadas regras especiais de uso e ocupação do solo, buscando o reconhecimento da diferença e permitindo a realização de obras de infraestrutura e a inscrição da área nos cadastros municipais. No entanto, a valorização da área resultante da implantação dessa infraestrutura e da chegada dos serviços urbanos, acarreta, muitas vezes, a expulsão dos moradores mais pobres do assentamento, substituídos por famílias vindas de uma camada de renda mais alta. O estabelecimento de uma legislação de uso e ocupação do solo com normas urbanísticas especiais, que reconheça a diversidade de uso e ocupação e a realidade do assentamento, funciona como um mecanismo legal de proteção desses moradores e de garantia do seu direito constitucional à moradia. Além disso, facilita a regularização fundiária desses assentamentos. Daí a importância da elaboração e aprovação de lei antes do término das obras. INCLUSÃO DE PARTE DAS 80 FAMÍLIAS DESALOJADAS As 80 famílias desalojadas para limpeza e desobstrução PLANO URBANÍSTICO 53

54 do córrego, 11 das quais recebem aluguel social da prefeitura e os outros 69 receberam algum dinheiro do Estado para desocuparem a área. Dessas famílias, algumas voltaram a ocupar a área, outras ainda estão esperando serem beneficiadas com uma moradia. As 11 famílias que vivem de aluguel social devem ser incluídas no projeto. A situação das demais deve ser objeto de negociação com o Estado. IMPACTO DAS OBRAS NA COMUNIDADE O planejamento da obra deve levar em consideração que as famílias vão continuar a morar no local enquanto durarem as obras (ver cronograma de etapas) e assim seria interessante que fosse elaborada uma avaliação do impacto da obra sobre o assentamento, para redução de incomodidades. 54 PERÍMETRO DE AÇÃO INTEGRADA TIQUATIRA 2

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