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1 5.15 Favela Jardim Floresta. Vielas e padrão de construção existente Favela Jardim Floresta. Plano geral de urbanização e paisagismo Favela Jardim Floresta. Seção transversal Favela Jardim Floresta Favela Jardim Floresta Localização 5.21 Favela Jardim Floresta. os projetos de urbanização de favelas 221 miolo_final.indd :09:52

2 No projeto para o Jardim Imbuias, favela localizada ao longo do córrego São José, importante contribuinte da represa, localizado em sua margem direita, onde viviam cerca de 800 famílias, a opção pela canalização fechada tinha o propósito de criar um eixo referencial pelo qual se ordenavam as redes de água e esgoto, a circulação viária e de pedestres. Para tal, foi necessária a remoção e reassentamento das famílias cujas casas estavam localizadas sobre o córrego, o que permitiu a abertura de um espaço livre onde se implantou um grande espaço público com áreas para esporte e recreação em geral. No memorial do trabalho, Paulo Bastos justificou a escolha do partido urbanístico: [ ] a canalização do córrego São José, afluente importante da represa, ao longo do qual se desenvolveu e consolidou a favela, e da linha d água que nele desemboca, para dotar a favela de um eixo central de acesso e trânsito esporádico de veículos de serviços, lixo, bombeiros, ambulância, etc. [ ] Ao mesmo tempo, porém, a canalização fechada do córrego foi pensada em termos de agregação, antes inexistente no assentamento, dos espaços públicos de convivência e uso previsto de pedestres (fundação bienal de são paulo (Brasil), 2002) A favela Parque Amélia (margem esquerda da represa) apresentava uma situação diferenciada das anteriores, por estar implantada em área de talvegue, com índices de ocupação elevados, o que impedia a implantação de rede de coleta de esgoto em várias residências localizadas em cotas abaixo da cota referência para a captação. O projeto, coordenado pelo arquiteto João Walter Toscano, adotou, como partido urbanístico, a necessária remoção das famílias localizadas nos pontos não esgotáveis, transformando o local em uma grande praça, a qual se tornou referência para os moradores, ao mesmo tempo em que articulava os acessos e distribuição do sistema viário. Quando a obra foi iniciada (1998), cerca de mil famílias viviam no local, e na revisão da topografia e das condições geotécnicas da área, verificou-se a necessidade de um número significativo de remoções de famílias como consequência das condições impróprias do terreno. 170 foram removidas e reassentadas, o que demandou uma necessária atualização do projeto da praça central, a qual foi ampliada, posto que a área remanescente das remoções era bem mais ampla do que previsto no projeto inicial Em 1994 foi elaborado o Plano Geral de Reassentamento do Programa Guarapiranga, no qual eram tratadas as questões das remoções previstas, assim como propostos os locais que serviriam de moradia para essas famílias. A Prefeitura de São Paulo ficou responsável pela construção de três conjuntos habitacionais - Pascoal Melantonio, Celso dos Santos e iv Centenário -, totalizando 528 unidades. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (cdhu) do Estado de São Paulo responderia pela construção de cerca de unidades, todas localizadas em áreas fora dos limites de proteção aos mananciais. Ao final do Programa em 2000, a prefeitura não destinou o conjunto iv Centenário para a demanda do programa, porém construiu um número significativo de 693 unidades nas áreas de urbanização e transferiu famílias para os conjuntos habitacionais, conforme informado no Relatório Final do Programa (secretaria de energia, recursos hídricos e saneamento do estado de são paulo, 2003). os projetos de urbanização de favelas 222 miolo_final.indd :09:52

3 5.18 Favela Imbuias. Seção transversal. Arq Localização 5.21 Favela Imbuias. Espaço Público. Arq Favela Imbuias. Vielas e padrão de construção existente. Arq Favela Imbuias. Plano geral de urbanização e paisagismo. Arq e 25 Favela Imbuias. os projetos de urbanização de favelas 223 miolo_final.indd :09:58

4 No local, foi possível fazer a captação de várias nascentes, integrando-as ao tratamento paisagístico da nova praça construída em patamares que respeitavam a topografia resultante dos aterros onde foram localizados equipamentos de recreação, transformando o lugar em um espaço público referencial para o novo bairro. Em 2000, o projeto da praça recebeu o prêmio do iab-sp na categoria Urbanismo. A favela Jardim Kagohara i (margem esquerda da represa) era parte do núcleo de mesmo nome, integrado por um conjunto de dez favelas de pequeno porte, cujos projetos foram desenvolvidos a partir da contratação das obras, procedimento adotado para os Lotes iv a xiii. A ocupação de cerca de 200 famílias se estendia ao longo do córrego representando risco de enchente permanente, embora o fundo de vale não fosse caracterizado por grandes declividades. O projeto coordenado pelo arquiteto Pascoal Guglielmi adotou como partido urbanístico, a canalização fechada do córrego de forma a conquistar um novo espaço público no qual foi implantada uma área de lazer de porte considerável (4.000 metros quadrados), que resultou em ser o elemento integrador da favela e do bairro vizinho. O projeto previa a remoção de moradias localizadas em áreas de risco de alagamento e foi proposta a construção de um alojamento provisório na área da futura praça para as famílias que aguardariam a mudança para novas unidades construídas na própria área. Quando as famílias mudaram para as novas moradias, os moradores propuseram que o alojamento provisório fosse transformado em centro comunitário, proposta acatada pelo arquiteto que procedeu às devidas adaptações de programa de uso. Finalmente, o último projeto apresentado é o da favela Nova Guarapiranga, localizada na margem direita da represa, em área de preservação permanente. Essa favela foi implantada em 1967, constituindo-se em uma das mais antigas da região, ocupa uma área de preservação permanente, ou seja, onde é vetada qualquer ocupação. Porém, tratava-se de favela consolidada, com 90% das moradias conectadas ao serviço de água oficial e, apenas 10% não conectadas às redes de captação de esgotos. O projeto coordenado pela Diagonal Urbana propôs a implantação de uma barreira imaginária entre as casas e a borda da represa de modo a impossibilitar novas ocupações. Fazendo parte do sistema viário foi implantada uma rua de lazer com locais para a contemplação do lago, campo de futebol e área para a implantação de um parque ao longo da borda da represa. Os exemplos de urbanização de favelas aqui apresentados como resultado da metodologia de projeto adotada pelo Programa Guarapiranga têm como propósito confirmar a hipótese inicial da tese sobre a integração dos assentamentos precários a partir da sua qualificação urbana, obtida através de projetos que privilegiem a organização e o desenho do sistema de espaços públicos, resultando em um novo território integrado a áreas da cidade, das quais se encontravam desconectados. Os resultados alcançados com esses projetos permitem afirmar que, a partir de soluções diferenciadas canalização de córrego a céu aberto estruturando o sistema viário principal, aproveitamento da encosta para a organização do sistema viário, canalização de córrego confinado ampliando o espaço do sistema viário e público os projetos de urbanização de favelas 224 miolo_final.indd :09:59

5 5.25 e 26 Parque Amélia, depois. Acervo sehab Localização 5.27 Parque Amélia. Vista aérea. Acervo sehab Parque Amélia. Plano urbanístico Parque Amélia. antes. Acervo sehab. os projetos de urbanização de favelas 225 miolo_final.indd :10:06

6 5.31 Localização e 33 Favela Kagohara. Vista geral da praça. Acervo sehab Favela Kagohara. Projeto da praça e 30 Favela Kagohara. antes. Acervo sehab. os projetos de urbanização de favelas 226 miolo_final.indd :10:09

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