Fórum do CB27 em Natal Medidas para a redução do efeito estufa

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1 11 Fórum do CB27 em Natal Medidas para a redução do efeito estufa Alex Régis Ana Lúcia Araújo Assessora de Comunicação da SEMURB Considerado um dos mais participativos, desde a sua criação, o VI Encontro Nacional do CB27 encerrou com a Carta Natal pela Sustentabilidade, que sugere a adoção pelo Governo Federal de medidas mitigadoras para redução das emissões de gases do efeito estufa para minimizar esses impactos no ambiente urbano. Durante todo o evento foram apresentados os casos de sucesso, por vinte e duas Cidades da Federação, resultado dos trabalhos de que deram certo. O primeiro dia do evento contou com a presença do Ministro-chefe da Divisão de Clima do Ministério das Relações Exteriores, Everton Lucena, que trouxe explanações de como tem sido a atual gestão ambiental do Brasil no cenário mundial. Ele explicou que o Brasil tem participado ativamente do processo de negociação de um novo acordo que está sendo elaborado para ser apresentado na Conferência do Clima, que acontece em dezembro deste ano, em Paris. É importante que todas as esferas da administração pública e da sociedade estejam engajados ativamente nessas discussões, reforça Lucena. Ainda no primeiro dia, os representantes das 23 capitais ali presentes puderam compartilhar casos de sucesso com vertentes ambientais em suas cidades. Natal apresentou as ações que a secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB) vem adotando para potencializar a política pública de voltado para o meio ambiente, o fortalecimento do licenciamento e na fiscalização. Além disso, apresentou o estudo da Pegada Ecológica de Natal, como ferramenta importante no processo de mapeamento dos hábitos dos natalenses que interferem diretamente no meio ambiente. Segundo o secretário da Semurb, Marcelo Rosado, a meta é, num primeiro momento, reduzir o consumo de 1,9 para 1,5 planetas em recursos naturais, e depois para o ideal, que é fazer com que a população natalense consuma menos do que o planeta tem para oferecer, ressalta. Alex Régis

2 12 A representante da cidade de João Pessoa, Daniela Guedes, que veio representando a secretária do município, trouxe uma novidade, o case de sucesso foi o Projeto Carbono Junino, que tem como objetivo a neutralização do carbono que é emitido pelas fogueiras dos festejos juninos. Explicou que João Pessoa valoriza a tradição da queima de lenha durante o período, mas era preciso viabilizar esse projeto para que as emissões desse poluente fossem neutralizadas ecologicamente. Fizemos um estudo que resultou na plantação de árvores durante a semana do meio ambiente, essas árvores, plantadas estrategicamente pela cidade, neutraliza os efeitos do carbono, explicou. Outra cidade que trouxe um exemplo de sucesso diferente foi a capital paulista. A coordenadora do comitê de mudanças climáticas de São Paulo, Laura Ceneviva, mostrou os esforços da prefeitura de São Paulo em estimular o uso de transportes mais sustentáveis com a implantação de mais de 400 quilômetros de ciclovia. Segundo ela a proposta do prefeito é expandir esse número e incentivar o uso de bicicletas em toda a cidade. Além de dezenas de casos de sucesso na área de meio ambiente, o evento firmou um pacto com a Carta Natal pela Sustentabilidade, que representa o resultado do evento. O documento foi assinado pelos membros do grupo e contém os compromissos firmados e as recomendações a serem seguidas pelos gestores públicos. Essa carta será encaminhada ao prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, presidente do C40, que articulará a ida dos secretários à Presidente da República, Dilma Rousseff. O C40 é uma rede internacional de megacidades que colabora no combate às mudanças climáticas. Para o Coordenador Adjunto de Relações internacionais do Gabinete do Prefeito Eduardo Paes, Bruno Neele, presente ao evento, essa carta é importante no processo participativo das decisões de cunho ambiental e em âmbito nacional e mundial, pois além de ser entregue ao gabinete da presidência da república, ela será incluída nas discussões internacionais que o Brasil tem participado. O prefeito Eduardo Paes, na função de Presidente do C40, viabilizará a ida dos secretários do CB27 até Brasília para entregarem a carta nas mãos da presidente Dilma, completou. Carta Natal pela Sustentabilidade e Redução das Emissões de GEE A carta Natal pela Sustentabilidade, sugere ao governo brasileiro a defesa de um acordo climático para conter o aquecimento global abaixo de 2º C e aumentar a resiliência aos seus impactos. Assinada por todos os membros do Fórum das Capitais Brasileiras (CB27) com o apoio do C40 Cities Climate Leadshirp Group, será entregue a presidente Dilma Rousseff pelos membros do Cb27. Veja o seu conteudo na íntegra, nas páginas a seguir.

3 13 CARTA DE NATAL PELA SUSTENTABILIDADE E REDUÇÃO DAS EMISSÕES DE GEE Nós, o Fórum das Capitais Brasileiras CB27, constituído pelos 26 Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras e Distrito Federal presentes nesta reunião de 02 de julho de 2015, em Natal, a fim de discutir o desenvolvimento sustentável nas cidades e o papel dos governos locais na governança da sustentabilidade global resolvemos: Considerando que as mudanças climáticas constituem uma séria ameaça aos esforços para o desenvolvimento sustentável e para a redução da pobreza no planeta, Considerando o agravamento dos prognósticos científicos reunidos no quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre os impactos das mudanças do clima no Brasil e no mundo e nas recentes descobertas científicas sobre o tema, Considerando a importância de que a 21ª Conferência das Partes (COP-21) das Nações Unidas em dezembro de 2015 estabeleça um acordo climático que amplie a probabilidade de manter a elevação da temperatura média da Terra anual inferior a 2 C até o ano de 2100, sob pena de se aumentarem os custos sociais, as perdas sobre a infraestrutura pública e privada, principalmente nas cidades do planeta e os riscos para a civilização, Considerando a relevância regional e global do Brasil na área do desenvolvimento sustentável, e pela dimensão econômica e de biodiversidade, Considerando a responsabilidade do Brasil como potência ambiental e sua tradição em promover consensos e conferências internacionais sobre Desenvolvimento Sustentável, como a Rio 92 e a Rio+20, Considerando que o perfil das emissões de gases de efeito estufa no Brasil tem se alterado e que as emissões advindas do setor energético já ultrapassaram as emissões do setor agropecuário e de mudança no uso da terra, Considerando que a população mais vulnerável aos impactos das mudanças climáticas está localizada nas cidades, nas quais residem 84% da população brasileira e que os centros urbanos serão lar de sete em cada dez habitantes da Terra até 2050, Considerando que as cidades e aglomerados urbanos são as maiores consumidoras de energia e responsáveis por 75% das emissões de gases de efeito estufa no planeta, Considerando que as cidades podem implementar políticas efetivas de mitigação de emissões e de adaptação às mudanças do clima e assim contribuir para conter o aquecimento global abaixo de 2 C e aumentar a resiliência aos seus impactos,

4 14 Declaramos que, Nós, membros do Fórum das Capitais Brasileiras (CB27), com apoio do C40 Cities Climate Leadership Group, defendemos que o governo brasileiro sustente, nas negociações no âmbito da Conferência das Partes das Nações Unidas para as Mudanças do Clima, um acordo climático ambicioso, equitativo e que tenha como prioridade o limite do aquecimento global a 2ºC até As negociações climáticas marcadas para dezembro, em Paris, devem favorecer o planejamento e o desenvolvimento urbano de baixo carbono, o acesso a mecanismos de financiamento e o aumento da resiliência das cidades às mudanças do clima. As cidades são chave na estratégia de promoção de um desenvolvimento de baixo carbono e de um mundo mais resiliente aos impactos das mudanças do clima. Podem auxiliar de forma significativa os governos nacionais a cumprirem seus objetivos de redução de emissões de gases do efeito estufa e diminuir o hiato entre os compromissos nacionais e o necessário para conter o aumento da temperatura global. Estudo desenvolvido pelo C40 Cities Climate Leadership Group e pelo Enviado Especial das Nações Unidas para Cidades e Mudanças Climáticas, Michael Bloomberg, estima que as cidades podem reduzir cumulativamente 3,7 Gt de CO2 equivalente por ano até 2030 e 8 Gt de CO2 por ano em 2050, e um total acumulado evitado de 140 Gt de CO2 equivalente até As capitais brasileiras têm adotado crescentes iniciativas e políticas climáticas consistentes a fim de reduzir emissões de gases do efeito estufa e se adaptarem aos efeitos da mudança do clima. O Pacto Global dos Prefeitos firmado por redes de cidades e Prefeituras junto às Nações Unidas é exemplo de iniciativa de governos locais que se comprometem com objetivos claros, monitoramento e transparência em políticas de mitigação e adaptação. O desenvolvimento urbano de baixo carbono estimula a economia e favorece a geração de empregos de maior qualificação e alta renda. As políticas urbanas de mobilidade, gestão de resíduos, habitação, ambientais e de gestão de recursos naturais, culturais, educacionais e de saúde pública, entre outras, evidenciam que é possível desvincular a alta das emissões de gases do efeito estufa do desenvolvimento econômico promovendo inclusão social e melhor qualidade de vida nas cidades. Nesse sentido, também é importante que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas incluam desafios urbanos e nas futuras oportunidades para melhorar a vida das populações urbanas mais vulneráveis e melhorar a qualidade de vida e dos ecossistemas nas cidades. O desenvolvimento urbano de baixo carbono é vital para atingir esses objetivos. É fundamental o estabelecimento de mecanismos de engenharia financeira internacionais e nacionais de transferência de recursos para que as cidades, sobretudo dos países em desenvolvimento, possam estruturar e implementar planos de desenvolvimento urbano de baixo carbono e adotar medidas de adaptação aos impactos das mudanças climáticas e de fortalecimento de suas resiliências. Sob a liderança de nossos Prefeitos mandatários, estamos prontos a colaborar com o Governo Federal com a contribuição nacionalmente determinada (INDC) e com uma proposta nas negociações multilaterais do clima que reconheça a importância das cidades no esforço para mitigação das emissões de gases do efeito estufa e favoreça a adaptação e a resiliência do ambiente urbano aos impactos da mudança do clima. Natal, 02 de julho de 2015.

5 Eduardo Silva Sagüi Callithrix jacchus 15

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