Resumo. O caminho da sustentabilidade

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1 Resumo O caminho da sustentabilidade Termos recorrentes em debates e pesquisas, na mídia e no mundo dos negócios da atualidade, como sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, responsabilidade empresarial ou corporativa referem-se a novos paradigmas, valores, regras sociais, políticas e transformações econômicas para um mundo em constante evolução. Por conta disso, o objetivo das aulas 3 e 4 é apresentar esses conceitos e estimular reflexões sobre essa nova ordem social. Historicamente, quando se trata de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, reporta-se às preocupações apresentadas na I Conferência sobre o Meio Ambiente Humano, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, em Estocolmo (Suécia), quando se discutiu a questão da conciliação da atividade econômica com a preservação do meio ambiente. Esse evento foi um marco no despertar da consciência ambiental e contou com a presença de 113 países e 400 instituições governamentais e não governamentais. Em dezembro de 1983, foi criada pela ONU, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Embora tenha sido batizada formalmente com esse nome, ficou conhecida como Comissão Brundtland, presidida pela ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. Essa Comissão foi composta por 21 integrantes, entre políticos, diplomatas e cientistas de diversos países, dentre os quais estava o Brasil, e sua finalidade era estudar e propor soluções para os problemas ambientais do planeta e assegurar o desenvolvimento da sociedade sem comprometer os recursos naturais para as gerações futuras. O produto final apresentado pela Comissão foi o relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum), publicado em Nesse documento o termo desenvolvimento sustentável foi definido como o desenvolvimento econômico e social que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades 1. Portanto, nos dias atuais existem diferentes definições para os termos sustentabilidade e desenvolvimento sustentável e as mais reconhecidas partem do conceito estabelecido pela ONU em O termo sustentabilidade refere-se à

2 característica de um processo ou sistema que permite a existência por determinado tempo ou por tempo indeterminado, isto é, que possa ser mantido. Nas últimas décadas o conceito de desenvolvimento sustentável evoluiu e, enquanto algumas definições enfatizam o aspecto econômico, evidenciando o bem-estar social, mas focando a maximização do lucro; outras definições abordam com maior destaque os aspectos ambientais ou ainda os aspectos sócio-culturais, contemplando a preocupação com os fatores sociais e ambientais, objetivando a contribuição para a melhoria da qualidade de vida das comunidades. Dessa forma, podemos entender que uma sociedade sustentável não coloca em risco os recursos naturais água, solo, vida vegetal, ar do qual depende. Seguindo esses princípios, uma sociedade sustentável segue o modelo de desenvolvimento sustentável. A definição de desenvolvimento sustentável envolve dois aspectos: 1) a ideia de que as necessidades essenciais das pessoas mais pobres do mundo devem ser priorizadas; e 2) as limitações impostas pela tecnologia e pela organização social sobre a capacidade de o meio ambiente atender às necessidades da geração atual e as da geração futura. Nesse sentido, esse conceito deve fundamentar as políticas públicas para que os objetivos do desenvolvimento econômico e social sejam definidos em consonância com a sustentabilidade. Surge, então, a necessidade de planejamento e execução das ações de governos, empresas e instituições de considerarem os aspectos econômicos (crescimento e desenvolvimento da economia), sociais (atendimento às necessidades humanas) e ambientais (capacidade de regeneração/recuperação do ambiente natural) no processo de tomada de decisões. Consequentemente, os objetivos das políticas públicas, visando o desenvolvimento sustentável, devem: a) revigorar e qualificar o crescimento econômico, social e ambiental; b) promover acesso às necessidades essenciais, como emprego, alimentação, energia, água e saneamento básico; c) manter o crescimento populacional de forma sustentável, para convivência com a escassez de recursos no planeta; d) preservar e fortalecer as fontes de recursos naturais; e) promover tecnologias limpas, enfatizando o gerenciamento de riscos sócio-ambientais; e f) integrar aspectos sociais e ambientais à economia no processo de tomada de decisão. Durante a II Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e 1 ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

3 Desenvolvimento (CNUMAD), sediada na cidade do Rio de Janeiro, em 1992 também conhecida como Rio-92 ou Eco-92 os 179 chefes de estado reunidos discutiram amplamente a necessidade de articular os esforços mundiais para o desenvolvimento de um modelo de desenvolvimento sustentável. O esforço de incorporar o conceito de sustentabilidade às políticas públicas resultou em uma agenda de compromissos comuns a todos os países participantes da Conferência ao longo do século XXI, documento que ficou conhecido como Agenda 21. A Agenda 21 é um instrumento de planejamento estratégico que aborda quatro dimensões: 1) social e econômica; 2) conservação e gestão de recursos em prol do desenvolvimento; 3) fortalecimento do papel dos grupos principais; e 4) meios de execução. Para honrar os compromissos assumidos, cada país criou a sua própria Agenda 21. O Brasil estabeleceu como prioridades: a) a implantação de programas de inclusão social; b) a sustentabilidade urbana e rural; c) a preservação dos recursos naturais e minerais; e d) a ética política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Em 1997, a ONU promoveu o fórum de discussão no Rio de Janeiro, chamado Rio+5, para avaliar a implementação da Agenda 21, constatando-se que muito pouco havia sido implementado pelos países. Em 2002, nova reunião foi realizada com o mesmo objetivo: a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+10, em Johanesburgo, naáfrica do Sul. Embora os resultados tenham mostrado pouco empenho de alguns países ricos, concluiu-se, nessa reunião, que o envolvimento de empresas, governos e sociedade civil é necessário para formulação de políticas e soluções em busca da sustentabilidade. Outro importante resultado da Rio-92 foi a Convenção Mundial das Mudanças Climáticas, onde foi evidenciada a necessidade de sistematizar dados científicos sobre os efeitos das mudanças climáticas globais. Em 1997, em Kyoto,Japão, aconteceu a Quarta Conferência das Partes da Convenção Mundial do Clima, com o objetivo de colocar em ação medidas para reduzir em 5% a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs), entre 2008 e 2012, com base nos índices de emissão em Nessa reunião foi assinado o Protocolo de Kyoto, documento que separou os países em dois grupos, de acordo com o nível de industrialização. O Anexo I do Protocolo, agrupou os países desenvolvidos, que possuem metas obrigatórias de redução; o Anexo II agrupou os países em desenvolvimento (inclusive o Brasil), que não possuem metas obrigatórias de redução dos GEEs durante o primeiro período

4 de compromisso ( ). O Protocolo de Kyoto entrou em vigor em Além das ações governamentais, as empresas também tiveram que incorporar os princípios da sustentabilidade, provocando mudanças nas estruturas produtivas. Os aspectos econômicos, sociais e ambientais constituem o tripé da sustentabilidade. Dessa ideia, o inglês John Elkington criou o termo triple bottom line, também conhecido como TBL ou 3BL, referindo-se às três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental, respectivamente correspondendo a lucro, pessoas e planeta. A ideia central de Elkington é que as organizações avaliem seu desempenho não apenas pelo retorno do investimento ou valor para os acionistas, mas também pelo impacto de seus negócios sobre a sociedade e o meio ambiente. Assim, as organizações sustentáveis são aquelas que consideram essas três dimensões, beneficiando todos os stakeholders, ou seja, todas as pessoas ou grupos que podem interferir e receber influências das ações das organizações, ou seja, existe uma relação de influência mútua. São considerados stakeholders de uma organização: stakeholders internos (os empregados); stakeholders da cadeia de valor (fornecedores e clientes); stakeholders externos (comunidade, investidores, órgãos não-governamentais e públicos, reguladores, imprensa e as futuras gerações). No mundo dos negócios, o foco reside em valor agregado aos acionistas, considerados shareholders. A participação ou engajamento dos stakeholders no processo decisório para influenciar e compartilhar o controle junto às organizações acontece de acordo com as seguintes formas de participação: a) informação compartilhada; b) consulta; c) processo de decisão colaborativo; d) engajamento (empowerment). Na informação compartilhada, que envolve o mínimo de engajamento, os stakeholders são informados sobre o planejamento da ação, resultados esperados e recursos investidos na comunidade; os stakeholders são consultados por meio de questionários. No caso de consulta, os stakeholders podem ter apenas oportunidade limitada para contribuir ou podem interferir e modificar a proposta. No processo de decisão colaborativo, a oportunidade de influenciar nas decisões é maior; a participação ocorre por meio de elaboração de documentos, identificação de interesses ou construção de um consenso, resultados de debates, discussões e responsabilidades compartilhadas. Pelo engajamento, ou empowerment, os stakeholders podem ter a oportunidade de atuar no planejamento, implementação e

5 avaliação de projetos; nesse caso, desenvolvem senso de pertencimento e motivação e canalização de esforços para assegurar resultados positivos.

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