PRÁTICA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS INICIANTES E FORMANDOS DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNAMA

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1 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA Daniele Matos Barata Jamilly Laine Saraiva Batista PRÁTICA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS INICIANTES E FORMANDOS DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNAMA BELÉM-PA 2010

2 Daniele Matos Barata Jamilly Laine Saraiva Batista PRÁTICA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS, INICIANTES E FORMANDOS, DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNAMA Trabalho de conclusão do curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia para a obtenção do título de Fisioterapeuta, sob a orientação da Profª. Maria Lúcia da Silva Ribeiro. BELÉM-PA 2010

3 Daniele Matos Barata Jamilly Laine Saraiva Batista PRÁTICA DA AUTOMEDICAÇÃO EM ACADÊMICOS, INICIANTES E FORMANDOS, DO CURSO DE FISIOTERAPIA DA UNAMA Trabalho de conclusão do curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia para a obtenção do título de Fisioterapeuta, sob a orientação da Profª. Maria Lúcia da Silva Ribeiro. Banca Examinadora Profa. Maria Lúcia S. Ribeiro Orientadora 1ª avaliador 2º avaliador Apresentado em: / / Conceito: BELÉM-PA 2010

4 DEDICATÓRIA Jamilly Laine Saraiva Batista À Deus pelo dom da vida. À meu pai Everaldo Batista, à minha mãe Socorro Batista, à meu noivo Junior,à minha irmã Jaíne. Daniele Matos Barata Dedico este trabalho à meus pais que sempre me apoiaram, estiveram presentes e acreditaram em meu potencial, me incentivando na busca de novas realizações. Ao meu esposo e ao meu filho Pietro, que embora seja muito pequeno, ilumina de maneira especial os meus pensamentos me levando a buscar mais conhecimento.

5 AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus que iluminou o meu caminho durante esta caminhada. Agradeço também ao meu esposo, Ivair, que de forma especial me deu força e coragem, me apoiando nos momentos de dificuldades. Agradeço ainda ao meu irmão Alex e a nossa orientadora Prof. Maria Lúcia Ribeiro pela presteza no auxílio às atividades e discussões sobre o andamento e normatização deste trabalho de Conclusão de Curso. E não deixando de agradecer a meus pais, Alexandre e Sonia, a quem eu rogo todas as noites a minha existência. Daniele Barata

6 AGRADECIMENTOS Aos meus pais, pelo apoio, confiança e por estarem sempre ao meu lado nas minhas escolhas e me ofereceram sempre o melhor que puderam me dar. Aos amigos e parentes por me ajudarem nos momentos de dificuldade. A professora Maria Lúcia da Silva Ribeiro, por ter acreditado e confiado no nosso potencial, por ter tido paciência e sabedoria para assim nos conduzir. Ao meu querido noivo Junior Nascimento, que através de suas palavras de incentivo, de seu gesto de compreensão, mesmo quando me veio o desânimo, sempre esteve ao meu lado. A todos que nos momentos importantes, suportaram minha ausência, nos dias de fracasso, respeitaram meus sentimentos e enxugaram minhas lágrimas. Jamilly Batista

7 EPÍGRAFE De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que é preciso continuar, e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho, fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro, da morte um renascer. Fernando Pessoa

8 RESUMO A automedicação é uma prática comum, no entanto, pode possibilitar agravos no que se refere ao tratamento de patologias, interações e intoxicações medicamentosas. Com base nessas informações, foi realizado um estudo descritivo de natureza quantitativa que buscou analisar a percepção dos acadêmicos iniciantes e formandos do curso de fisioterapia da UNAMA acerca da prática da automedicação. Os resultados encontrados demonstraram que os acadêmicos praticam a automedicação tanto iniciantes como formandos e que o uso de analgésicos se encontra com percentual elevado entre os estudantes, apesar do profissional fisioterapeuta em sua formação receber informações que os habilita a utilizar recursos para a prática da analgesia prescindindo, portanto da automedicação. Palavras-chave: Uso racional de medicamentos, automedicação, acadêmicos e automedicação, analgésicos.

9 ABSTRACT Self-medication is common practice, however, can enable grievances with regard to treatment of diseases, interactions, and drug intoxication. Based on this information, we performed a descriptive study of a quantitative nature that sought to analyze the perceptions of academics and graduates of the beginners course in physiotherapy UNAMA about self-medication. The results showed that academics practiced self-medication both beginners and trainees and that the use of painkillers is with a high percentage among students, despite the physical therapists in their education receive information that enables them to utilize resources for the practice of dispensing analgesia therefore self-medication. Keywords: Rational use of medicines, self medication, academics and selfmedication, painkillers.

10 LISTA DE FIGURAS FIGURA 01- Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Sexo dos participantes da pesquisa sobre automedicação em meio a iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia em FIGURA 02 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a utilização de medicamentos sem receita médica. FIGURA 3 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a reutilização de receitas antiga. FIGURA 4 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a procedência de receitas antigas. FIGURA 05- Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a posição dos acadêmicos em relação aos danos causados pela automedicação. FIGURA 6 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre doenças que se acredita possui para fazer uso da automedicação. FIGURA 7 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre os medicamentos utilizados com maior freqüência. FIGURA 08 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre dependência da prática de automedicação. FIGURA 9 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a utilização dos mesmos remédios para os mesmos sintomas. FIGURA 10 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a disponibilidade dos medicamentos em domicilio próprio. FIGURA 11 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre embasamento para a prática da automedicação. FIGURA 12 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre uso simultâneo de medicamentos prescritos e não prescritos por médico. FIGURA 13 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a busca de orientações de farmacêuticos e ou balconista para a compra de medicamentos. FIGURA 14 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre seguir as instruções da bula que acompanha o medicamento.

11 FIGURA 15 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a utilização de medicamentos com a orientação de diversos indivíduos. FIGURA 16 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre o fato de possuir plano de saúde.

12 LISTA DE TABELAS TABELA 01 - Estatísticas Descritivas da Idade dos participantes da pesquisa sobre automedicação em meio a iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia em TABELA 02 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Sexo dos participantes da pesquisa sobre automedicação em meio a iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia em TABELA 03 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a utilização de medicamentos sem receita médica. TABELA 04 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a reutilização de receitas antigas. TABELA 05 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a procedência de receitas antigas. TABELA 06 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a posição dos acadêmicos aos danos causados pela automedicação. TABELA 7 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre doenças que se acredita possui para fazer uso da automedicação. TABELA 08 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre os medicamentos utilizados com maior freqüência. TABELA 09 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre dependência da prática de automedicação. TABELA 10 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a utilização dos mesmos remédios para os mesmos sintomas. TABELA 11 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre a disponibilidade dos medicamentos em domicilio próprio. TABELA 12 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre embasamento para a prática da automedicação. TABELA 13 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre uso simultâneo de medicamentos prescritos e não prescritos por médicos.

13 TABELA 14 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a busca de orientações de farmacêuticos e ou balconistas para a compra de medicamentos. TABELA 15 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Pergunta sobre seguir as instruções da bula que acompanha o medicamento. TABELA 16 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre a utilização de medicamentos co a orientação de diversos indivíduos. TABELA 17 - Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e pergunta sobre o fato de possuir plano de saúde.

14 LISTA DE SIGLAS ABIFARMA - Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária IVF Instituto Virtual de Fármacos OMS - Organização Mundial da Saúde

15 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 2. REFERENCIAL TEÓRICO 3. MÉTODOS 3.1- TIPO DE ESTUDO 3.2- CRITÉRIOS DE INCLUSÃO CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO COLETA DE DADOS RISCOS E BENEFÍCIOS Riscos Benefícios 4. RESULTADOS 5. DISCUSSÃO 6. CONCLUSÃO 7. REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS

16 1. INTRODUÇÃO A automedicação é um ato praticado, desde o início da história da humanidade, nas diversas etapas da evolução histórica, todas as civilizações buscavam o alívio e a cura das doenças, através da utilização de uma variedade de recursos terapêuticos. (REY, 1997) De acordo com Rey (1997), a automedicação é a condição em que o paciente toma, por sua iniciativa, medicamentos não prescritos por médicos e, portanto, sem indicação ou supervisão médica. Mesmo que os medicamentos usados sejam de venda livre (sem prescrição médica), não são sempre isentos de riscos, o que depende da adequação, da posologia, da duração do tratamento e de eventuais contra-indicações, peculiares a cada indivíduo e seu estado de saúde. Com o aumento da disponibilidade de medicamentos no Brasil e em todo mundo, surgiu uma preocupação relacionada ao uso racional de medicamentos, que se tornou um dos pilares da saúde pública, tendo em vista que os medicamentos tornaram-se indispensáveis na terapêutica atual (VALENTE e GRAZIELA, 2005). Segundo Paulo e Zanini (1997), nos dias de hoje pode-se identificar quatro tipos de automedicação: instintiva (restrito e individual), cultural (tradicional e popular), orientada (supervisão médica), induzida (sem supervisão médica). Dados sugerem que a automedicação no Brasil reflete as carências e hábitos da população, é consideravelmente influenciada pela prescrição médica e tem a sua qualidade prejudicada pela baixa seletividade de mercado farmacêutico (ARRAIS et al, 1997). Segundo Camargo et al. (2000), a prática da automedicação não distingue classe econômica, apenas os motivos são distintos, ou seja, os que possuem dificuldades sócioeconômicas procuram automedicar-se pela falta de recursos para pagar por uma consulta, enquanto a classe que dispõem de recursos acredita que sabe sobre os medicamentos e, por isso, dispensa a orientação médica, entendendo que algumas afecções são simples e não necessitam de acompanhamento médico. Os farmacêuticos são profissionais de saúde cuja formação inclui disciplinas que abordam não só a composição, mas também os efeitos farmacológicos e deletérios dos medicamentos. Assim, a formação do farmacêutico, poderia talvez prevenir a automedicação

17 desses profissionais, visto ser de seu conhecimento os riscos a que estes se submetem ao utilizar esse procedimento. (ZUBIOLI, 1992 e OMS, 2005) Alguns dos problemas causados pela automedicação são: o aumento do erro nos diagnósticos das doenças, a utilização de dosagem insuficiente ou excessiva, o aparecimento de efeitos indesejáveis graves ou reações alérgicas (LIMA, 1995 e OMS, 2005). De acordo com a Lei 5991/731, medicamento é todo produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. Eles ocupam lugar de destaque nas práticas profissionais e culturais relacionadas com a promoção ou a recuperação da saúde. A sua utilização é uma preocupação social constante, tanto na disponibilidade à população como no uso irracional ou abusivo (COSTA et. al., 1988). Varias são as razões pelas quais os indivíduos se automedicam. A automedicação pode ser atribuída à dificuldade de acesso de grande parte da população a um profissional, neste caso o médico, seja pela localização geográfica, com moradias distantes dos serviços de saúde ou pela falta de informação ou ainda, pelo habito de resolver os problemas de saúde considerados rotineiros da sua própria maneira, alegando falta de tempo. No Brasil, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano, cerca de 20 mil pessoas morrem, no País, vítimas da automedicação (HAAK, 1988, VILLARINO et al., 1997, CASA GRANDE at. al., 2004). De forma interessante, certo nível de automedicação é aceitável, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), desde que ocorra de forma responsável. De acordo com a OMS este nível de automedicação pode ser benéfico para o sistema publico de saúde (OMS, 2005). Exemplos como dores de cabeça, muitas vezes resultantes de situações de stress, cólicas abdominais ou menstruais, podem ser aliviadas temporariamente com medicamentos de menor potencial. (BRASS, 2001). Essa pratica, segundo a OMS, evita, muitas vezes, o colapso do sistema público de saúde, pelo atendimento a casos transitórios ou de menor urgência. Entretanto, a auto prescrição, ou seja, o uso por conta própria de remédios contendo tarja preto ou vermelho na embalagem, e que só devem ser utilizados sob prescrição médica, é extremamente perigoso e inaceitável (OMS, 2005).

18 Para que o paciente receba medicamentos de boa qualidade, com informações suficientes para seu uso correto e seguro, tanto as etapas de consultas clínicas e dispensação, quanto às de seleção, aquisição, armazenamento e distribuição, assistência farmacêutica, tornam-se, então, componentes indispensáveis para que todas as etapas ocorram de modo a promover o uso racional de medicamentos e evitar que os medicamentos sejam uma fonte de custos e agravos desnecessários para a saúde do paciente (AYRES, 2007). O presente trabalho justifica-se pela necessidade de se observar o comportamento em relação ao uso da automedicação, entre os acadêmicos iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia e pelo fato de existirem poucos estudos sobre o tema.

19 2. REFERENCIAL TÉORICO. Apesar de não ser um fenômeno único da modernidade, o consumo de medicamentos sem prescrição, torna-se uma pratica comum à população brasileira em todos os grupos etários (ARRAIS et. al, 1997). Segundo Arrais (1997). Dados sugerem que a automedicação no Brasil reflete as carências e hábitos da população, e é consideravelmente influenciada pela prescrição médica além de ter a sua qualidade prejudicada pela baixa seletividade do mercado farmacêutico. Em países desenvolvidos, o número de medicamentos de venda livre tem crescido nos últimos tempos, assim como a disponibilidade desses medicamentos em estabelecimentos não farmacêuticos, o que favorece a automedicação. A automedicação é um fenômeno potencialmente nocivo à saúde individual e coletiva, pois nenhum medicamento é inócuo ao organismo. O uso indevido de substâncias e até mesmo de drogas consideradas banais pela população, como os analgésicos, pode acarretar diversas conseqüências como resistência bacteriana, reações de hipersensibilidade, dependência, sangramento digestivo, sintomas de retirada e ainda aumentar o risco para determinadas neoplasias. Além disso, o alívio momentâneo dos sintomas encobre a doença de base que passa despercebida e pode, assim, progredir (VILARINO et. al., 1998). No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), já na década de 90, cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação. A maior incidência de problemas envolvendo esta prática está ligada à intoxicação e as reações de hipersensibilidade ou alergia (IVANNISSEVICH, 1994). Alguns dos problemas causados ainda pela automedicação são: o aumento do erro nos diagnósticos das doenças, a utilização de dosagem insuficiente ou excessiva, e o aparecimento de efeitos indesejáveis graves (LIMA, 1995, OMS, 2005). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2007), os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicação em seres humanos e o segundo lugar nos registros de mortes por intoxicação. A cada 20 segundos, um paciente da entrada nos hospitais com quadro de intoxicação provocado pelo uso incorreto de medicamento. A automedicação no Brasil não se dá apenas com os chamados medicamentos de venda livre, OTC s (OVER THE COUNTE), mas também, de modo extensivo e intensivo, com os de tarja vermelha e preta.

20 Quando o paciente procura uma orientação farmacêutica, a prática recebe o nome de automedicação responsável. Esta denominação torna-se contraditória, uma vez que o profissional de farmácia tem habilidade e formação que lhe permitem praticar a atenção farmacêutica. Essa é entendida com a provisão responsável da farmacoterapia com o objetivo de alcançar resultados definidos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes (ARRAIS, 1997). No tocante à dispensação e administração de medicamentos, é essencial a participação do farmacêutico; em casos de pacientes crônicos, quando existe a necessidade inadiável de medicação e impossibilidade de atendimento médico, o farmacêutico poderá assumir a responsabilidade da decisão de fornecimento de medicamento, sendo a quantidade fornecida apenas suficiente ate a próxima consulta clínica (PAULO; ZANINI, 1988). Quando uma pessoa recebe informação e indicação de um profissional perito em medicamentos, não seria contraditório chamar este serviço prestado pelo farmacêutico de automedicação? Se esse é o profissional que tem os conhecimentos da farmacoterapia e, detendo os conhecimentos patológicos e fisiológicos para males leves, a pratica do aconselhamento da medicação utilizada não deve ser entendido como automedicação, mas sim como indicação farmacêutica (SOARES, 2005). Para Soares (2005) a intensificação da atenção primaria à saúde, com a máxima participação dos farmacêuticos, é um dos focos atual dos lideres em saúde no mundo. O farmacêutico é o profissional que tem como obrigação aconselhar, em uma situação, o meio mais adequado para que o doente se sinta melhor com um tratamento, exigindo deste profissional, conhecimento sobre indicações e contra-indicações, interações e o acompanhamento com o médico. Nesse processo, o farmacêutico deve encaminhar o paciente ao médico, sempre que necessário, atuando com complementaridade (ARRAIS, 1997). Para o Sistema Único de Saúde (SUS), a indicação farmacêutica pode trazer vantagens na orientação sobre medicamentos, ajudando a racionalizar seu uso, evitar erros na terapêutica e diminuir os riscos associados à automedicação, além de melhorar o sistema de saúde como um todo. O consumo indiscriminado, a automedicação e a indicação de remédios por pessoas não capacitadas tecnicamente são um grave problema de saúde publica no Brasil. Profissionais da saúde e responsáveis pela regulamentação da produção e utilização de

21 fármacos estão entre os principais responsáveis por esta influencia negativa relacionada ao uso indevido dessas substâncias, no País (ARAUJO, 2007). Por este motivo, ações mais sérias no controle da legislação, produção, venda e propagandas de medicamentos precisam ser colocadas em prática para que a população não seja afetada por efeitos maléficos ou que deles se tornem vítima. Isso, porque, além do efeito terapêutico, os medicamentos têm o potencial de produzir também efeitos adversos, colaterais e tóxicos (MORAIS, 2001). Certas condições clínicas, no entanto, podem ser previstas e a implementação de medidas simples auxiliariam o profissional da saúde a evitar um efeito deletério provocado pelo medicamento. Entre essas medidas podem ser citadas a avaliação prévia, porém detalhada, das condições fisiológicas e patológicas do paciente, conhecimento profundo do mecanismo de ação e toxicidade dos fármacos, implantação de procedimentos sistemáticos na administração, como, por exemplo, confirmação junto ao prescrito de uma dose supostamente inadequada para o paciente (SOARES, 2005). Os mecanismos de ação tóxica se iniciam, na maioria das vezes, por acúmulo de metabólitos do fármaco em determinados tecidos. Estes metabólitos podem produzir peroxidação lipídica, geração de radicais tóxicos de oxigênio, depleção de glutation e modificação de grupos sulfidrílicos, além de interagirem diretamente com lipídios, proteínas, carboidratos e com o DNA da célula atingida. Devem ser consideradas também as variações biológicas individuais observadas em organismos e populações diferentes (BASS, 2001). No Brasil, onde o acesso à assistência médica pública é difícil e onde há uma grande parcela da sociedade na faixa da pobreza que não tem condições financeiras para pagar um plano de saúde, a prática da automedicação torna-se bastante comum. Mas somente o fator financeiro não basta para explicar a prática da automedicação, fatores como escolaridade, classe social, acesso às informações a respeito dos medicamentos e, principalmente, o fator cultural também entram nesse contexto (CHAVES, 2005). O Brasil assume a quinta posição na listagem mundial de consumo de medicamentos, estando em primeiro lugar em consumo na América Latina e ocupando o nono lugar no mercado mundial em volume financeiro. Tal fato pode está relacionado as 24 mil mortes anuais no Brasil por intoxicação medicamentosa (MORAIS, 2001). A automedicação no Brasil tem-se destacado em decorrência da crise no setor da saúde. Contraditoriamente a automedicação também aumenta o risco das interações

22 medicamentosas, as quais podem reduzir o efeito terapêutico ou aumentar a toxicidade do medicamento, levando a problemas graves de saúde (CAMARGO et.al, 2002). A forte tendência à automedicação, justificada pelas condições sócio-econômicas de grande parte da população, colocam o País ainda na perspectiva da busca de soluções para a precariedade dos órgãos de Vigilância Sanitária em fiscalizar e coibir práticas inescrupulosas, bem como de criar fronteiras efetivas entre os impactos mercadológicos da indústria e a ética necessária à manutenção da saúde pública (FILHO et al, 2002). Para Filho et al. (2002) ressalta que o Brasil está longe de ser um país de primeiro mundo, onde o mesmo é rotulado como país em desenvolvimento, mas teoria à parte, os números mostram a verdadeira realidade e são números alarmantes, quando comparados ao consumo de medicamentos da população de países de primeiro mundo. O alto índice de automedicação da população brasileira também tem forte relação com o mercado ocupado pela indústria farmacêutica, que não mede esforços através das ferramentas de marketing, das propagandas e das drogarias adaptadas a verdadeiros supermercados. Tudo para vender medicamentos e até criar uma cultura desenfreada de consumo excessivo dos mais variados medicamentos. Seria então, o sintoma na cultura. Embora haja medicamentos que podem ser adquiridos sem prescrição médica, as pessoas não devem fazer uso indevido dos mesmos, como ingeri-los na dose e na hora que lhes for conveniente. Partindo do princípio de que nenhuma substância farmacologicamente ativa é inócua ao organismo, a automedicação pode vir a ser prejudicial à saúde individual e coletiva. Os analgésicos, por exemplo, normalmente subestimados pela população no tocante aos riscos inerentes à sua administração, podem gerar seleção de bactérias resistentes, reações de hipersensibilidade, dependência, sangramento digestivo, além de poder aumentar o risco para determinadas neoplasias e ainda mascarar a doença de base que, por sua vez, poderá progredir (ARRAIS et. al., 1997). As instruções sobre como e quando tomar os medicamentos, a duração do tratamento e o objetivo da medicação devem ser explicados pelo médico e pelo farmacêutico a cada paciente. Além disso, o nome do medicamento, a indicação para a qual foi prescrito e a duração da terapia devem ser registradas em cada rótulo, de modo que o medicamento possa ser facilmente identificado em caso de superdosagem. Uma instrução para uso conforme recomendado pode economizar o tempo gasto para redigir as prescrições, mas quase sempre leva a uma falta de aderência, confusão para o paciente e erro de medicação (FILHO, 2002).

23 3. MÉTODOS Foi realizado um estudo prospectivo, onde foram entrevistados alunos do curso de fisioterapia da UNAMA, onde só puderam participar da amostra estudantes da fase inicial (1º e 2º semestres) e final do curso (7º e 8º semestres), sendo assim chamados de iniciantes e formandos respectivamente. Os estudos transversais são feitos para descrever indivíduos de determinada população, com relação às suas características pessoais e de suas histórias de exposição a fatores causais suspeitos em determinado momento (VIEIRA, 2001). Segundo Vieira (2001) a aplicação de questionários é apropriada ao presente trabalho, pois se trata de uma pesquisa efetuada junto aos acadêmicos de Fisioterapia da Universidade da Amazônia UNAMA, para verificar o comportamento desses alunos tanto iniciantes quanto Formandos no que diz respeito à automedicação, portanto os dados só podem ser obtidos por meio de relato através de respostas verbais pelos participantes da pesquisa ou às perguntas feitas pelo pesquisador com o uso de questionário apropriado. A pesquisa inclui a coleta de dados quantitativos, constituindo-se da aplicação de um questionário (Apêndice -02) composto por 17 perguntas, envolvendo variáveis independentes (sexo, idade, plano de saúde) e variáveis dependentes (uso de medicamentos sem prescrição e outros). A aplicação do questionário se deu após aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa CEP da Universidade da Amazônia UNAMA/PA (Anexo 01), aceite da orientadora (Apêndice 01). Os acadêmicos pesquisados assinaram o TCLE- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 03) 3.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO. - alunos do curso de Fisioterapia de ambos os sexos; - alunos devidamente matriculados no curso de Fisioterapia Universidade da Amazônia; - alunos do 1º e 2º semestres denominado grupo A e os alunos do 7º e 8º denominado grupo B semestres.

24 3.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO. - alunos de outros cursos que não sejam de Fisioterapia; - alunos de outras Universidades; - alunos do 4º, 5º e 6º semestres; - alunos que não estejam devidamente matriculados na Universidade da Amazônia. 3.3 COLETAS DE DADOS. A aplicação do questionário foi realizada durante o mês de março de 2010, com 100 acadêmicos entrevistados neste período, de ambos os sexos, iniciantes do curso de fisioterapia (1º e 2º semestres), denominados grupo A (n=50), e de alunos formandos (7º e 8º semestres) denominados grupo B(n=50), do curso de fisioterapia da Universidade da Amazônia UNAMA, em Belém do Pará. Os alunos foram abordados formalmente com o consentimento dos mesmos através da assinatura do TCLE, com a apresentação do questionário, a fim de facilitar a comunicação e a obtenção dos dados. Os dados foram coletados pelas acadêmicas responsáveis pelo trabalho. Os dados da pesquisa foram organizados em gráficos e quadros verificando-se o percentual das variáveis. A análise dos dados foi realizada através de uma estatística descritiva para a caracterização da amostra, utilizando os seguintes testes: - testes de hipóteses nos cruzamentos feitos entre a condição do entrevistado (Iniciante ou Formando) e as demais variáveis do questionário, para verificar eventuais diferenças estatísticas entre as freqüências em ambos os grupos, para tal foram elaboradas as seguintes hipóteses ao nível α = 0, 05 ; - testes qui-quadrado e Fischer que são provas não paramétricas muito utilizadas na área das ciências biológicas e médicas, a comparação é efetuada entre os escores observados e esperados. - teste G que se trata de um teste não paramétrico para duas amostras independentes. Semelhante em todos os aspectos ao Qui Quadrado para dados categóricos. Os escores devem ser mensurados a nível nominal ou ordinal e as amostras podem apresentar duas ou mais categorias.

25 3.4 RISCOS E BENEFÍCIOS Riscos: Durante a pesquisa poderá ocorrer exposição de informações relativas ao pesquisado e a emissão de opiniões inadequadas por parte do pesquisador em relação à automedicação Benefícios: A pesquisa tem como benefício informar aos participantes sobre os riscos à saúde do individuo, bem como a importância da orientação quanto ao uso de medicamentos. Para complementar esta etapa serão distribuídos aos participantes folders com conteúdo educativo.

26 4. RESULTADOS. Os resultados desse trabalho foram obtidos após a aplicação de um questionário composto por 17 perguntas aos acadêmicos iniciantes e formandos do curso de fisioterapia. O tamanho amostral foi de 99 acadêmicos sendo utilizadas as informações de todos os pesquisados, dentre os pesquisados dos grupos sendo o grupo A com n=50 e o grupo B com n=49, pois um dos pesquisados do grupo B que inicialmente tinha n=50 teve seus dados retirados da pesquisa porque não estava regularmente matriculado no curso. Foram observadas as respostas com variáveis dependentes e independentes e aplicados os testes descritos anteriormente e realizada análise descritiva conforme tabelas e figuras a seguir. Tabela 1 Estatísticas descritivas da idade dos participantes da pesquisa sobre automedicação em meio a iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia em Estatísticas Iniciantes Formandos Média Desvio Padrão Coeficiente de Variação 30.3% 20.8% Moda Mínimo Máximo Fonte: dados dos autores, Análise (Iniciantes): Houve uma média de 20,8 com desvio padrão de 6,3 anos, o coeficiente de variação de 30,3% indica que há uma alta variabilidade, o valor mais freqüente foi de 18 anos (Moda), o mais novo tem 17 e o mais velho tem 52 anos. Análise (Formandos): Houve uma média de 23,1 com desvio padrão de 4,8 anos, o coeficiente de variação de 20,8% indica que há uma média variabilidade, o valor mais freqüente foi de 22 anos (Moda), o mais novo tem 19 e o mais velho tem 51 anos. Tabela 2 Cruzamento entre Condição (Iniciante ou Formando) e Sexo dos participantes da pesquisa sobre automedicação em meio a iniciantes e formandos do curso de Fisioterapia em Condição Sexo F M Total Iniciante Formando Total QQ = 0,333 p valor = 0,7308 (Não Significativo) Fonte: dados dos autores, 2010.

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