EPIDEMIOLOGIA DO USO DE MEDICAMENTOS NO BAIRRO SANTA FELICIDADE, CASCAVEL PR.

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1 EPIDEMIOLOGIA DO USO DE MEDICAMENTOS NO BAIRRO SANTA FELICIDADE, CASCAVEL PR. Janaína Pelosi Bezerra (PIBIC/UNIOESTE/PRPPG), Vanessa Cristine Beck, Éverson Andrade, Ligiane de Lourdes Silva, Poliana Vieira da Silva Menolli (Orientador), Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Médicas e Farmacêuticas/Cascavel, PR. 4. Ciências da Saúde/ Saúde Coletiva. Palavras-chave: Uso de medicamentos, hipertensão, farmacoepidemiologia. Resumo: A organização dos serviços de saúde e o aumento da tecnologia presente nos medicamentos não garantem o acesso e a segurança relacionados ao consumo de medicamentos. Assim, as informações sobre o uso dos medicamentos fornecem base para medidas educativas para o uso racional dos medicamentos, reações adversas para o planejamento das ações de saúde baseadas na realidade local. O objetivo do trabalho foi conhecer o uso de medicamentos pela população do bairro Santa Felicidade do município de Cascavel, PR. Este é um estudo transversal descritivo e a planilha foi aplicada somente naqueles domicílios em que se encontrou pelo menos um morador com condições de entender e aceitar participar da pesquisa. As doenças auto referidas mais citadas foram hipertensão arterial e doenças do coração (15,29%), problemas osteomusculoarticulares (5,28%) e doenças relacionadas ao trato respiratório (4,96%). A automedicação foi encontrada em 91,21% dos domicílios (n=2834) e segundo a classificação da Anatomical Therapeutic Chemical Classification (ATC) as classes de medicamentos mais relatadas foram N02B Analgésicos e Antipiréticos com 67,91%, M01 Antiinflamatórios-nãoesteroidais (AINES) com 9,98% e M03 Relaxantes Musculares com 6,92%. Em relação aos medicamentos prescritos os mais citados foram C09 Agentes que atuam sobre o sistema renina angiotensina (24,60%), C03 Medicamentos diuréticos (18,93%), B01 Medicamentos Antitrombóticos (10,43%) e A02 - Antiácidos e medicamentos para tratamento da úlcera péptica e flatulência (10,32%). O aparecimento de problemas osteomusculoarticulares pode ser responsável pelo alto uso de analgésicos e Antiinflamatórios não esteroidais. Um risco do consumo dos Antiinflamatórios é a elevação da pressão arterial quando usados em pacientes hipertensos. Introdução

2 O consumo de medicamentos é um indicador indireto da qualidade dos serviços de saúde 1. Mesmo com a organização dos serviços e o aumento da tecnologia presente nos medicamentos, o acesso e a segurança relacionados ao consumo ainda são desconhecidos pelos profissionais de saúde e planejadores. O estudo dos medicamentos pode ser utilizado para identificar a necessidade de intervenções específicas como o esclarecimento à população quanto a seu uso adequado, formação e educação de profissionais de saúde para a prescrição racional incluindo reações adversas ao uso e a identificação de populações em risco de consumo crônico de medicamentos inadequados 1. Além disso, pode subsidiar a elaboração de políticas públicas para conter a venda e o uso de medicamentos desnecessários 1, como os de automedicação que quando utilizados de forma inadequada podem ocasionar efeitos indesejáveis e mascarar a evolução de doenças, representando, um problema a ser gerenciado, pois o risco dessa prática está interligado ao grau de instrução e a informação dos usuários sobre os medicamentos, bem como o acesso dos mesmos ao sistema de saúde 2. Este estudo teve como objetivo conhecer a epidemiologia do uso de medicamentos no bairro Santa Felicidade, Cascavel-PR. Materiais e métodos Este é um estudo transversal descritivo não controlado analisado e apresentado quantitativamente. Os dados foram coletados em visitas domiciliares realizadas no bairro Santa Felicidade da cidade de Cascavel, por planilha especialmente elaborada para o estudo. As visitas foram realizadas no universo de domicílios do bairro. Como critério de inclusão a planilha foi aplicada somente naqueles domicílios em que se encontrou pelo menos um morador acima dos 18 anos com condições de entender e aceitar participar da pesquisa. Os domicílios fechados foram excluídos do estudo. Os dados foram coletados por acadêmicos do curso de farmácia, previamente treinados na Técnica da Estimativa rápida participativa (ANDRADE, SOARES E CORDONI JR, 2001) para levantamento de dados em saúde. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Estadual do Oeste de Paraná. Após a coleta os dados foram compilados em planilhas do Programa Excel/2007/Windows e os medicamentos foram classificados segundo a Anatomical Terapeutic Chemical Classification (ATC) da Organização Mundial da Saúde para estudos de Utilização de Medicamentos (OMS, 2000). Resultados e Discussão Foram coletados dados de 3107 moradores em 882 domicílios, dos quais 50,53% eram do gênero feminino e 49,47% do gênero masculino. A média de idade foi de 31,59 anos sendo a maioria da população adultos jovens de 17 a 40 anos (37,46%). Com relação ao grau de escolaridade, os adultos (acima de 16 anos) possuíam baixa escolaridade com 46,77% (n=1035)

3 apresentando ensino fundamental incompleto ou não alfabetizados. A renda familiar média foi de 2,84 salários mínimos para em média três adultos e uma criança por domicilio. A maioria (90,48%) relatou procurar o sistema Único de Saúde em caso de doença. As doenças auto referidas mais citadas estão no gráfico ,68 4,28 5,28 4,96 72,8 Gráfico 1 Porcentagem de doenças auto referidas mais citadas nos domicílios do bairro Santa Felicidade, Cascavel - PR. A relação dos medicamentos prescritos, segundo a Anatomical Therapeutic Chemical Classification (ATC) da OMS, estão no gráfico 2 e as classes mais citadas foram C09 Agentes que atuam sobre o sistema renina angiotensina, C03 Medicamentos diuréticos, B01 Medicamentos Antitrombóticos e A02 Antiácidos e medicamentos para tratamento da úlcera péptica e flatulência , ,6 18, ,43 10, CO9 C03 B01 A02 Outros Gráfico 2 Porcentagem de medicamentos de prescrição classificados de acordo com a ATC mais encontrados nos domicílios do bairro Santa Felicidade, Cascavel - PR. A automedicação foi relatada em 91,21% dos domicílios (n=2834) e segundo a classificação da ATC as classes de medicamentos mais citadas foram N02B Analgésicos e Antipiréticos com 67,91%, M01 Antiinflamatóriosnão-esteroidais (AINES) com 9,98% e M03 Relaxantes Musculares com 6,92%. A renda relativamente baixa das famílias pode refletir na necessidade de uso do sistema único de saúde e de seus medicamentos.

4 Os medicamentos mais citados, anti-hipertensivos estão de acordo com a doença mais prevalente, hipertensão arterial. A prevalência de hipertensão arterial 15,29% é inferior ao encontrado em outros estudos de 22,3% a 43,9% 4, porém por se tratar de uma população predominantemente jovem este resultado aumenta quando se leva em consideração somente a população acima dos 40 anos mais propensa às doenças crônico degenerativas. O aparecimento de problemas osteomusculoarticulares pode ser responsável pelo alto uso de analgésicos e Antiinflamatórios não esteroidais, mesmo os Antiinflamatórios não sendo medicamentos de venda livre no Brasil. Outro risco do consumo inadequado dos Antiinflamatórios é a elevação da pressão arterial quando usado em pacientes hipertensos (15,29%). Foi encontrado um grande uso de fitoterápicos 17,34% e criada uma classe a parte para eles por não estarem incluídos na ATC. Conclusões Um fator determinante no consumo de medicamentos é a disponibilidade destes no mercado farmacêutico para a aquisição sem receita médica 3. Desta forma, estes medicamentos de venda livre contribuem significativamente para o crescente aumento da procura quando as pessoas possuem principalmente problemas osteomusculoarticulares. Os Antiinflamatórios, mesmo não sendo de venda livre, também são utilizados para este fim e podem contribuir para o aumento da pressão arterial em pacientes hipertensos. Dessa forma, devem existir políticas de gerenciamento para que essa prática possa ser controlada. Referências 1. Weiderpass Elisabete, Jorge U. Béria, Fernando C. Barros, Cesar G. Victora, Elaine Tomasi e Ricardo Halpern. Epidemiologia do consumo de medicamentos no primeiro trimestre de vida em centro urbano do sul do Brasil. Rev. Saúde Pública. 1998, , 32 (4). ii. Arrais, P. S. D.; Coelho, H. L. L.; Batista, M. C. D. S.; Carvalho, M. L.; Righi, R. E.; Arnau, J. M. Perfil da automedicaçäo no Brasil. Rev. Saúde Pública. 1997, 71-77, 31(1). iii. Arrais, P. S. D. Epidemiologia do consumo de medicamentos e eventos adversos no município de Fortaleza-CE. Tese de Doutorado. Universidade Federal da Bahia, Sociedade Brasileira de Cardiologia. V diretrizes brasileiras de hipertensão arterial. Arq Bras Cardiol. 2007; 89 (3): e24-e World Health Organization [WHO]. Collaborating Centre for Drug Statistics Methodologhy Guideline for ATC classification and DDD assign-

5 ment 3rd ed. Oslo: WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology; p.

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