CONCEITOS E PRINCÍPIOS DAS POLÍTICAS AMBIENTAIS

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1 CONCEITOS E PRINCÍPIOS DAS POLÍTICAS AMBIENTAIS António Gonçalves Henriques AMBIENTE Conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações, e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem. (Lei nº 11/87, Lei de Bases do Ambiente, Artigo 5º, nº 2) Políticas Ambientais 2 1

2 UTILIZAÇÕES DO AMBIENTE As actividades sócio-económicas utilizam o ambiente e os recursos naturais sob múltiplas formas, que se podem agregar nos seguintes tipos: provisão de bens e serviços; suporte de actividades; meio receptor de resíduos. Políticas Ambientais 3 DANO AMBIENTAL Dano ambiental ó o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas, que consiste numa ofensa ao direito do ambiente, traduzindo-se numa violação, em concreto, das normas de qualidade ambiental. Políticas Ambientais 4 2

3 EXAUSTÃO DE RECURSOS Os bens e serviços providos pelo ambiente, em particular os recursos naturais, podem ser utilizados até um determinado limite, sem risco de exaustão, desde que a capacidade de regeneração dos recursos seja superior à sua utilização. Políticas Ambientais 5 CAPACIDADE DE CARGA O ambiente tem capacidade para funcionar como suporte de infra-estruturas sócio-económicas produzidos pelas actividades humanas desde que os processos físicos, químicos e biológicos não sejam significativamente afectados por forma a afectar ulteriores utilizações do meio. Políticas Ambientais 6 3

4 CAPACIDADE DE ASSIMILAÇÃO O ambiente tem capacidade para absorver os resíduos e emissões produzidos pelas actividades humanas desde que os processos físicos, químicos e biológicos não sejam significativamente afectados por forma a afectar ulteriores utilizações do meio. Políticas Ambientais 7 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Compatibilização das infra-estruturas e das actividades humanas com o ambiente e os processos naturais, por forma a não exceder os limites da capacidade de regeneração dos recursos naturais e a não exceder a capacidade de carga e a capacidade de assimilação do meio. Políticas Ambientais 8 4

5 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. (Relatório da Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, 1987 Relatório Brundtland) Não comas hoje as sementes que precisas para as sementeiras de amanhã Políticas Ambientais 9 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PRESSUPÕE A preservação do equilíbrio global e do valor das reservas do capital natural. A redefinição dos critérios e instrumentos de avaliação de custo-benefício a curto, médio e longo prazos, de forma a reflectirem os efeitos sócio-económicos e os valores reais do consumo e da conservação. A distribuição e utilização equitativa dos recursos entre as nações e as regiões a nível global e à escala regional. Políticas Ambientais 10 5

6 DIMENSÕES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ECONÓMICA SOCIAL AMBIENTAL eficiência. equidade e pluralismo. resiliência. Políticas Ambientais 11 UTILIDADE DOS PRINCÍPIOS Padrão para aferir a validade das disposições legais e regulamentares e dos actos administrativos. Auxiliar de interpretação de normas jurídicas. Capacidade de integração de lacunas. Políticas Ambientais 12 6

7 PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO Em vez de avaliar os danos e tentar reparálos, deve-se evitar a ocorrência de danos, controlando as respectivas causas. Impossibilidade de remover os danos (irreversibilidade) É demasiado oneroso a reconstituição das condições anteriores à ocorrência do dano. Em regra é mais dispendioso remediar os danos do que preveni-los. Políticas Ambientais 13 PRINCÍPIO DA CORRECÇÃO NA FONTE Quem? a correcção na fonte dos danos ambientais redunda na imposição ao poluidor enquanto «fonte subjectiva» da poluição do dever de modificar a sua conduta expurgando-a das acções lesivas do ambiente ou, quando tal não for possível ou não seja exigível, rectificando-a de modo a reduzir ao mínimo as agressões ao ambiente. Onde? os produtos nocivos para o ambiente devem ser tratados no local onde são produzidos. Quando? tomar as medidas necessárias para evitar a produção de substâncias perigosas, em vez de medidas de tratamento de «fim de linha». Políticas Ambientais 14 7

8 PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO O ambiente deve ter a seu favor o benefício da dúvida. O ónus da prova da inocuidade de uma acção em relação ao ambiente é do agente da acção. Definição de dano ambiental e de actividades perigosas. a) quando não se verificaram danos mas se receia, apesar da falta de provas científicas, que possam vir a ocorrer. b) quando, havendo já danos provocados ao ambiente, não há conhecimento científico de qual a causa que está na origem dos danos. c) quando, havendo já danos provocados ao ambiente, não há provas científicas do nexo de causalidade. Políticas Ambientais 15 PRINCÍPIO DO POLUIDOR- PAGADOR a) O princípio do poluidor-pagador não é o mesmo que responsabilidade civil por danos ambientais. b) O princípio do poluidor-pagador permite, com maior eficácia ecológica, maior economia e equidade social, realizar o objectivo de protecção do ambiente. Políticas Ambientais 16 8

9 PRINCÍPIO DO POLUIDOR- PAGADOR Os poluidores têm de suportar os custos económicos, a favor do Estado, da poluição que causam. Fixação dos custos económicos: Combater a poluição residual ou acidental, Auxiliar as vítimas da poluição. Custear as despesas públicas de reparação dos danos, Custear as despesas públicas de administração, planeamento e execução das políticas de protecção do ambiente Políticas Ambientais 17 PRINCÍPIO DA INTEGRAÇÃO Consideração das consequências para o ambiente das diversas acções As exigências em matéria de protecção do ambiente devem ser integradas na definição e aplicação das demais políticas Comunitárias Políticas Ambientais 18 9

10 PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO Transparência e intervenção no funcionamento da Administração Pública Políticas Ambientais 19 PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO Colaboração entre entidades públicas, entre entidades públicas e privadas, internacional, entre indivíduos. Políticas Ambientais 20 10

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