IV ENCONTRO EM EDUCAÇÃO AGRÍCOLA I FÓRUM DE DEBATES SOBRE A PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA 07 a 11 de maio de 2012

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1 LEVANTAMENTO PRELIMINAR DA AVIFAUNA NA ÁREA DO IFMT CAMPUS JUÍNA MT: UMA PROPOSTA PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ESCOLAR Edilson Luiz Cândido 1 Ronaldo Almeida de Souza 2 Romário Almeida de Souza 3 RESUMO A destruição acelerada dos ambientes naturais tem levado ao desaparecimento de inúmeras espécies da fauna silvestre. O Campus IFMT-Juína é privilegiado com uma grande área verde, constituída de APP e uma área verde na região central do campus. Portanto há uma grande biodiversidade tanto na fauna como na flora no campus. Este trabalho teve como objetivo conhecer a diversidade de espécies de avifauna na área pertencente ao IFMT Campus Juína, contribuindo para o fortalecimento de atividades de preservação e educação ambiental desenvolvida na escola, através do envolvimento de alunos da instituição e transparência dos dados obtidos. A coleta de dados foi realizada através de observações a olho nu e binóculo, com identificação de espécies através de guias de campo da avifauna brasileira. Encontrou-se 145 espécies da avifauna brasileira na área de estudo, obtendo cerca de 8,00 % da avifauna conhecida no país (cerca de 1800 espécies segundo dados do Centro Brasileiro de Registros Ornitológicos) e um comparativo com o estado de Mato Grosso (949 espécies), cerca de 15%. A pesquisa cumpriu seu objetivo principal, que era de dar transparência da avifauna do campus para o meio acadêmico, atingido com êxito através de divulgação de espécies encontradas e seus comportamentos, na pagina eletrônica: Para que isso ocorresse, houve ampla divulgação das espécies encontradas, estimulando a conservação e sensibilização ambiental local. Palavras-chave: Educação Ambiental. Avifauna. Percepção Ambiental INTRODUÇÃO 1 Prof. Biologia IFMT - Campus Juína; Mestrando em Educação Agrícola pela UFRRJ 2 Aluno do curso Técnico em Agropecuária IFMT Campus Juína 3 Aluno do curso Técnico em Agropecuária IFMT Campus Juína

2 O Instituo Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso Campus Juína esta inserido numa região de transição entre o bioma cerrado e amazônico. Sua área tem 80ha, contando com uma parcela de área verde de 0,81ha em sua área central e de uma APP composta por uma vegetação ciliar que segue o curso do Rio Perdido que atravessa o campus pelo fundo de sua área territorial. Com isso pode-se observar involuntariamente a riqueza da biodiversidade local no âmbito dos das demais variedades de seres vivos tanto da flora, como da fauna. Neste víeis, segundo Antas (2009), as aves formam um grupo de animais que nos desperta o maior interesse, seja pelas suas diferentes formas e coloridos, seja pela facilidade de encontrá-las em praticamente em todos ambientes do planeta. Ressaltando os benefícios de se conhecer a avifauna, Argel-de-Oliveira (1996), fala que o uso de atividades com aves em Educação Ambiental tem como um de seus mais importantes objetivos justamente desenvolver nas crianças e nos adolescentes a percepção quanto à existência de animais, especialmente vertebrados, no entorno do ser humano, mesmo daquele mais urbano, tornando assim uma aceitabilidade de convivência harmônica com o natural. METODOLOGIA O estudo foi realizado no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia campus Juína, compreendido por uma área de 80ha, com localização no município de Juína entre as coordenadas aproximadas de latitude 11º22'42" sul e a uma longitude 58º44'28" oeste, estando a uma altitude de 442 metros, no noroeste do estado do Mato Grosso. Houve participação dos alunos do curso de Técnico em Agropecuária oferecido pelo campus Juína, onde dois alunos estavam como Bolsistas financiados pelo Programa de Iniciação Cientifica oferecido pelo Instituto Federal do Mato Grosso. O levantamento da avifauna do Campus Juína teve inicio em Agosto de 2010, com finalização em Agosto de Os métodos utilizados para o registro da avifauna foram através de contatos visuais a olho nu, sonorização, com binóculo (Sakura 10-90x50) e imagens digitais (Nikon Colpix P100). Para identificação das espécies nas investiduras em campo, foi utilizando os guias de campo com as bibliográficas de Antas (2009), Frisch (2005) e Sigrist (2007, 2008), sendo que a nomenclatura e ordem taxonômica das espécies seguem CBRO (2011).

3 Com os dados da pesquisa foi construído um blog com informações sobre as aves encontradas, onde os alunos da instituição participaram com a coleta de dados e divulgação do resultado, enfatizando a diversidade de aves e sua importância. RESULTADOS E DISCUSSÃO O levantamento teve como resultado a catalogação 145 espécies da avifauna brasileira na área de estudo, obtendo cerca de 8 % da avifauna conhecida no país (cerca de 1800 espécies segundo dados do Centro Brasileiro de Registros Ornitológicos) e num comparativo com o estado de Mato Grosso (949 espécies), cerca de 15,00 %. A representatividade taxonômica é dada por 21 ordens e 43 famílias, se destacando a ordem Passeriformes, com 17 famílias consolidadas em 39,53% do total de famílias encontradas e 59 espécies se fazendo de 39,86 % do numero total de espécies observadas. Entre as famílias encontradas houve destaque para a Accipitridae com 13 espécies), que é representada pelos gaviões, podendo citar o Rupornis magnirostris (gavião carijó) e Gampsonyx swainsonii (gaviãozinho), aves que tiveram as maiores freqüências de observação desta família A boa representatividade dessa família sugere que as cadeias alimentares (tróficas) estão bem conservadas na área de estudo, sendo os gaviões ocupantes do topo das cadeias. Os psitacídeos, que são representados pelas araras, papagaios, maitacas e periquitos, também tiveram uma boa representatividade, podendo citar a Ara ararauna (Arara-canindé), Ara macao (Araracanga) e Amazona ochrocephala (Papagaio campeiro), onde a freqüência de observação também foi alta. Segundo Rudran (et al, 2009), uma forma simples de estimar a riqueza de espécies de uma área são as curvas de acumulação de espécies ou curva do coletor, que demonstra um tipo de um gráfico o acumulo de espécies diferentes coletadas a medida que se aumenta o esforço de amostragem. Na imagem1 (abaixo) observa-se que a medida que as amostragens são feitas o nº de espécies acrescentados vai diminuindo, pois no final do trabalho acrescentava-se na media de 1 a 3 indivíduos no conjunto de amostragens mensais, indicando assim a estabilização do nº de espécies da área de estudo e chegando a uma estimativa de riqueza de diversidade. Ainda Rudran (et al, 2009), comenta que em ecossistemas tropicais a estabilização raramente acontece, sendo impossível a percepção de todas espécies.

4 Imagem 1. Diversidade de espécies/esforço de coleta. EDUCAÇÃO AMBIENTAL Louredo et al (2008), comenta que Aves são ótimas para serem utilizadas em educação ambiental, estão presentes em todos os habitats, inclusive naqueles antropizados. Conforme Benites e Mamede (2008), a educação ambiental representa o elo de interação entre as ciências e destas com as comunidades, interpondo-se como uma ferramenta útil à biologia da conservação e forte aliada para o alcance de sociedades sustentáveis. Além de gerar preocupação e sensibilização, pode principalmente direcionar para tomada de medidas estratégias de conservação viáveis e efetivas. Visando a apuração de percepção da comunidade acadêmica no campus no quesito avifauna local, foi criado um blog, com postagens constantes ao decorrer das coletas de dados, com imagens coletadas na área de estudo, explicitando a biologia das espécies encontradas. O blog pode ser acessado pelo endereço: A pagina teve ampla divulgação interna por meio de apresentações da pesquisa em feira de ciências do campus e divulgação do endereço eletrônico em salas de aula, onde os dados transpuseram os portões da instituição, por meio da divulgação dos próprios alunos, sendo alvo de divulgação em matéria pela mídia local.. O acumulado nº de visitas na pagina eletrônica, ate 21/04/2012, sugere que o blog alcançou não somente o meio acadêmico local, mais sim a sociedade local, pois houve relatos enfatizando a importância do estudo não só dentro da instituição, mas também na comunidade que ela está inserida.

5 Imagem 2. Blog Avifauna IFMT- Juína CONCLUSÕES A área de estudo é localizada em uma região de transição entre os biomas amazônico e cerrado, constituindo assim uma rica biodiversidade de espécies tanto da fauna e flora. No entanto, o município de Juína tem histórico ambiental acometido pelo avanço da fronteira agrária e atividades relacionadas à mineração. A destruição de habitat natural pode levar ao desaparecimento de espécies sem mesmo tendo oportunidades de conhecê-las. Com isso, o objetivo principal do trabalho, que era de dar transparência da avifauna do campus para o meio acadêmico foi atingido com êxito através de participação de alunos na pesquisa e divulgação, fazendo com que a percepção ambiental desses alunos ficasse num nível mais apurado em relação a avifauna local e seus habitats naturais. Contanto, pode-se concluir este trabalho teve grande importância no que tange o conhecimento e divulgação de espécies da avifauna local, onde se observou a necessidade de pesquisas e trabalhos no quesito ambiental que envolva diretamente a comunidade escolar, para que ocorra uma sensibilização do natural que esta em nosso entorno. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTAS, P. T. Z.; PANTANAL GUIA DE AVES. 2ª ED. Rio de Janeiro. Sesc, Departamento Nacional, p

6 ARGEL DE-OLIVEIRA, M. M.; Subsídios para a atuação de biólogos em Educação Ambiental. O uso de aves urbanas em educação ambiental Disponívelem:<http://www.marthaargel.com.br/ornitologia/publicados/ea_urbanas.htm>.Acessado em Junho FRISCH, J. D; FRISCH, C. D.; AVES BRASILEIRAS E PLANTAS QUE AS ATRAEM. 3º edição. São Paulo: Ed. Dalgas Escotec p SIGRIST, T. AVES DA AMZÔNIA BRASILEIRA. 1º edição, Vol. 2. São Paulo: Ed. Avis Brasilis p SIGRIST, T. AVES DO BRASIL ORIENTAL. 1º edição, Vol. 1. São Paulo: Ed. Avis Brasilis p LISTAS DAS AVES DO BRASIL, CBRO.Disponível em: < Acessado em Agosto de SICK, H. ORNITOLOGIA BRASILEIRA. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, Brasil.1997, 912pp. RUDRAN, RUDY; et al. METODOS DE ESTUDOS EM BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO E MANEJO DA VIDA SILVESTRE. 2º edição. Curitiba, Parana. Ed. UFPR p WILLIS, E. O.; ONIKI, Y. LEVANTAMENTO PRELIMINAR DE AVES EM TREZE ÁREAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro, v. 41, n. 1, p , LOUREDO, R; MARQUES, A. B; CAVALCANTE, F. UTILIZAÇÃO DA AVIFAUNA DO ATERRO CONTROLADO DO MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO/RJ COMO MODELO PARA EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Anais XIV CBO, Disponível em: < Acessado em Agosto de BENITES M; MAMEDE, S. B. MAMÍFEROS E AVES COMO INSTRUMENTOS DE EDUCAÇÃO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL EM CORREDORES DE BIODIVERSIDADE DO CERRADO, BRASIL. Mastozoología Neotropical, 15(2): , Mendoza, Disponível em: < Acessado em Agosto de 2011.

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