diesel
Um novo mercado Por mais um ano, as vendas de diesel superaram o desempenho do PIB, encerrando com expansão de 5,2% no volume e respondendo por quase 50% da matriz veicular brasileira. Foram quase 52 milhões de metros cúbicos comercializados em, gerando um incremento de 7% no faturamento do setor para R$ 105 bilhões. De forma geral, dois assuntos têm dominado o debate sobre o mercado nos últimos anos: os problemas com o biodiesel e a chegada do diesel de baixo teor de enxofre (S50/S10) 5.1 FATURAMENTO Em bilhões de reais $ $ $ $ $ $ $ $ $ 98 105 seja, podem apresentar oscilação em seu aspecto ou em outras características, caso tenham contato mínimo com água ou resíduo de outro combustível no caminhão-tanque, por exemplo. Por trás da aparente tranquilidade trazida pelos bons números, no entanto, está um setor que passou por inúmeras mudanças nos últimos anos: concorrência desleal de Pontos de Abastecimento irregulares, achatamento das margens, extinção da carta-frete para motoristas autônomos e equiparados, normas de construção de acessos nas rodovias, entre outros itens. Mas, de forma geral, dois assuntos têm dominado o debate sobre esse mercado nos últimos anos: biodiesel (leia mais sobre o assunto no próximo capítulo) e diesel de baixo de teor de enxofre (S50/S10). Tanto a chegada do biodiesel quanto a do novo diesel alteraram a rotina de distribuidoras e revendedores, exigindo cuidados mais frequentes com manutenção e armazenagem e trazendo maiores riscos de autuação. E a situação só tende a se agravar. Afinal, tanto o S50 quanto o S10 são produtos de altíssima qualidade e bastante sensíveis à contaminação, ou Hora de discutir Ao longo de, ANP e todos os agentes da cadeia se prepararam para fechar os últimos detalhes relativos à introdução do S50, a partir de janeiro de 2012, em postos de todo o país. Entretanto, as notícias mais importantes só chegaram mesmo em dezembro. E pegaram todos de surpresa. Primeiro, a Petrobras finalmente anunciou o preço do S50 nas refinarias: R$ 0,06 a mais que o S1800, utilizado nas regiões interioranas. Como o novo diesel é transportado em pequenos volumes e, basicamente, pelas estradas (ao contrário do S500 e do S1800, cujo abastecimento se dá principalmente por dutos), as distribuidoras anunciaram que os custos com logística encareceriam o produto em outros R$ 0,06. Os números surpreenderam. É verdade que todos já sabiam que o S50 seria mais caro que os demais tipos de diesel, até para evitar uma migração excessiva para o novo combustível, já que a Petrobras ainda não tem produção suficiente para atender a todo o mercado. Mas a expectativa era de que a diferença Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012 39
diesel ficaria em torno de três ou quatro centavos. Afinal, a Petrobras comercializava, desde 2009, o produto nos postos de três regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza e Recife) por cerca de dois centavos a mais. Para os ônibus de frotas urbanas das regiões que já utilizavam o S50, a estatal mantinha o mesmo preço do S500, buscando assim evitar impacto nas tarifas. No entanto, a maior surpresa ficou para o início de dezembro, quando a ANP publicou a Resolução n o 62, obrigando cerca de três mil postos a comercializarem o S50. Como até aquele momento se trabalhava com cenário de adesão voluntária, a medida levou postos e distribuidoras a reverem seus planos. Foi necessário excluir alguns postos que pretendiam comercializar, mas não estavam obrigados pela Resolução, e incluir outros que não intencionavam ofertar o produto. Só que para vender S50 é necessário ter bomba, tanque e sistema de filtragem segregados, o que pode demandar obras nos postos. Na melhor das hipóteses, exige uma limpeza cuidadosa das instalações. Como a Resolução só foi publicada no início de dezembro, os revendedores tiveram cerca de 30 dias (contando com o recesso de final de ano) para fazer as adaptações necessárias. No geral, a maior parte dos postos conseguiu se adaptar a tempo, embora algumas multas pontuais tenham ocorrido no início de 2012. Só que os veículos novos, com motor Euro 5 e que só podem abastecer com S50, praticamente não circularam nas estradas brasileiras no primeiro trimestre do ano. Diante do elevado preço do novo combustível, o consumo ficou por conta de curiosos ou usuários que não se importam em pagar mais caro, em troca de melhor rendimento dos motores. Resultado: baixo giro e produto encalhado nos postos. RR AP AM MA CE PA RN PI PB PE AC AL RO TO SE MT BA 5.2 ALÍQUOTAS DE ICMS GO DF 17% 15% 13,5% 13% 12% MS PR SC SP MG RJ ES não trouxe grandes mudanças para as alíquotas de RS ICMS praticadas para o diesel. De forma geral, os estados do Norte e Nordeste seguiram cobrando ICMS de 17%, com exceção da Bahia, que adota o percentual de 15%, ficando assim numa posição intermediária em relação aos estados com que faz fronteira. No Sul e Sudeste, a alíquota praticada é de 12%, excetuando-se o estado do Rio de Janeiro, que adota ICMS de 13%. A única mudança registrada no ano passado ficou por conta de Goiás, que a partir de 1 o de março elevou o ICMS sobre o diesel de 12% para 13,5%. 40 Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012
À espera das novas refinarias O Brasil seguiu importando diesel no ano passado, para atender à forte demanda da economia. Apesar das importações se manterem num patamar elevado, 9.332.789 metros cúbicos no fechado do ano, este volume é apenas 3,6% superior ao apurado em. A previsão é de que as novas refinarias em construção venham, finalmente, suprir o déficit na nossa balança de derivados. As novas unidades foram projetadas para ampliar a produção de diesel, especialmente o de baixo teor de enxofre. Atualmente, a Petrobras produz internamente parte do S50 e importa o restante. 5.3 IMPORTAÇÕES Em m 3 10.500.000 9.000.000 7.500.000 6.000.000 4.500.000 3.000.000 1.500.000 Em m3 0 2001 2002 2003 IMPORTAÇÃO 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Cresce total de bandeiras brancas Ao contrário do que ocorreu no etanol e na gasolina, no segmento de diesel houve uma ampliação da presença de postos independentes ao longo do ano passado. Segundo dados da ANP, os postos bandeira branca responderam por 26,6% de todo volume de diesel comercializado no país, ante o patamar de 18,3% apurado no ano anterior. O número ainda é bem inferior aos 73, de participação dos postos embandeirados, mas COMPOSIÇÃO reflete a DAS insatisfação VENDAS POR TIPO da DE revenda BANDEIRA com algumas imposições das grandes bandeiras e também a menor MARKET SHARE DAS DISTRIBUIDORAS disposição das principais redes em investirem nas estradas. Em termos de market share para as principais distribuidoras do país, não Outras houve grandes surpresas. A Distribuidoras BR, embora não tenha apresentado Bandeira crescimento Branca na sua fatia de mercado, manteve 20,0% a liderança isolada, com BR 18,3% 40,6% 40,6% de participação nas vendas. Esso/Cosan 5,8% COMPOSIÇÃO DAS VENDAS POR TIPO DE BANDEIRA 5.5 MARKET SHARE DAS DISTRIBUIDORAS 5.4 COMPOSIÇãO DAS VENDAS MARKET SHARE DAS DISTRIBUIDORAS POR TIPO DE BANDEIRA Vinculados 81,7% Bandeira Branca 18,3% Shell/Sabba 11,2% Esso/Cosan 5,8% Outras Distribuidoras 20,0% Ipiranga 22, BR 40,6% COMPOSIÇÃO DAS VENDAS POR TIPO DE BANDEIRA Vinculados 81,7% Bandeira Branca 26,6% Shell/Sabba 11,2% Ipiranga 22, MARKET SHARE DAS DISTRIBUIDORAS Outras Distribuidoras 20,5% BR 40,6% COMPOSIÇÃO DAS VENDAS POR TIPO DE BANDEIRA Raízen 15,6% MARKET SHARE DAS DISTRIBUIDORAS Vinculados 73, Bandeira Branca 26,6% Raízen 15,6% Outras Distribuidoras 20,5% Ipiranga 23,3% BR 40,6% Vinculados 73, Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012 41 Ipiranga 23,3%
diesel Mais conforme Após três anos sucessivos de crescimento, o índice de não conformidade no diesel finalmente voltou a recuar. Em parte, a melhoria se deve à adoção de cuidados cada vez maiores e mais constantes no transporte e armazenamento do diesel, tendo em vista a maior capacidade de absorção de água do biodiesel, facilitando a proliferação de micro-organismos que geram borra em tanques e filtros. O índice caiu para 2,3%, ante a taxa de 3,6% apurada no ano anterior. A melhoria pôde ser sentida em praticamente todos os itens analisados, com apenas duas exceções. Uma delas foi o ponto de fulgor, que apresentou incremento de 3 pontos percentuais para 20% no índice de não conformidade. Tal característica é útil para identificar, por exemplo, desvio de uso do produto (como diesel marítimo sendo empregado em veículos rodoviários). A outra desconformidade que registrou ampliação foi a referente ao aspecto do produto, que passou de 3 para 37%. Acredita-se que os problemas relacionados ao aspecto do diesel devem-se, basicamente, à deterioração do produto misturado ao biodiesel, sobretudo em postos com baixo giro deste combustível. As irregularidades envolvendo teor de biodiesel diminuíram, passando de 35% para 32%, um patamar, entretanto, ainda bastante elevado. De forma geral, tanto as bandeiras regionais como as líderes de mercado mostraram melhoria nos índices de conformidade do produto. 5.6 EVOLUÇãO DO ÍNDICE DE NãO CONFORMIDADE Em % Em % 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 6,7 6,5 2000 2001 Teor de Biodiesel 35% Teor de Biodiesel 35% Teor de Biodiesel 32% EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE NÃO CONFORMIDADE 2002 5,9 2003 4,9 3,8 2004 3,4 2005 5.8 NãO CONFORMIDADE POR BANDEIRA (Em %) Bandeiras Bandeiras Bandeira Nacionais Regionais Branca 3,3 2,5 4,6 2,0 2,1 3,0 Outros 2,6 2006 1,9 2007 Enxofre 6% Ponto de Fulgor Corante ESPECIFICAÇÃO 17% DA NÃO CONFORMIDADE 2,2 2008 ESPECIFICAÇÃO DA NÃO CONFORMIDADE Outros ESPECIFICAÇÃO DA NÃO CONFORMIDADE Outros 5% Enxofre Ponto de Fulgor 20% Enxofre 6% 5.7 ESPECIFICAÇãO DA NãO CONFORMIDADE Teor de Biodiesel 32% Ponto de Fulgor 17% Corante Corante 2% 3,0 2009 Outros Enxofre 5% ESPECIFICAÇÃO DA NÃO CONFORMIDADE Ponto de Fulgor 20% Corante 2% 3,6 Aspecto 3 Aspecto 3 Aspecto 37% Aspecto 37% 2,3 42 Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012
Cofres cheios As boas vendas de diesel têm garantido cofres cheios para o setor público. Somente no ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA Em bilhões de 5.9 ARRECADAÇãO reais TRIBUTÁRIA Em bilhões de R$ ano passado, a arrecadação cresceu 4,62%, totalizando R$ 24,9 bilhões, quando analisados 23,8 24,9 todos os impostos incidentes: Cide, ICMS 28,0 e PIS/Cofins. Tanto o PIS/Cofins quanto o ICMS registraram incremento em torno de 6%, embora 21,0 13,6 ICMS 14,4 o montante arrecadado pelo último tenha sido 14,0 PIS/Cofins quase o dobro do primeiro: R$ 14,4 bilhões. Cide 6,9 Já a receita com a Cide se manteve estável 7,0 7,3 em R$ 3,3 bilhões, com o aumento no 3,3 3,3 volume vendido tendo sido suficiente para 0,0 compensar o desconto no imposto aplicado pelo governo desde 1 o de novembro e que vale até 30 de junho de 2012. O tributo caiu Fonte:Fecombustíveis de R$ 0,07 para R$ 0,047 por litro de diesel. Postos ainda na liderança A revenda varejista segue como principal fornecedora de diesel no país, embora tenha perdido participação no mercado total. Em, os postos comercializaram 29 milhões de m 3, o que representa uma expansão de 4,5% ante o total de 27,7 milhões de m 3 registrado em. Com isso, responderam por 55,9% das vendas de diesel no país, em comparação com os 56,3% no ano anterior. O melhor desempenho ficou por conta dos TRRs, cujas vendas aumentaram 9, e a fatia de mercado subiu de 12% para 12,5% no período. Mesmo assim, eles foram responsáveis pelo menor volume comercializado, de 6,5 milhões de metros cúbicos. Já as vendas diretas para os consumidores finais subiram 4,7% e totalizaram 16,3 milhões de metros cúbicos, embora a participação dessa categoria tenha se mantido praticamente estável, passando de 31,7% para 31,6%. O aumento das vendas em um ritmo mais acelerado nos consumidores finais e TRRs reflete a forte demanda da agroindústria, do setor de construção (abastecimento de máquinas e tratores in loco), mas também a expansão desenfreada de Pontos de Abastecimento, que não estão submetidos às mesmas regras ambientais dos postos, nem a uma fiscalização constante. COMPOSIÇÃO DO VOLUME COMERCIALIZADO PELAS DISTRIBUIDORAS COMPOSIÇÃO DO VOLUME COMERCIALIZADO PELAS DISTRIBUIDORAS 5.10 COMPOSIÇãO Grandes DO VOLUME consumidores COMERCIALIZADO PELAS DISTRIBUIDORAS 31,7% Grandes consumidores 31,7% TRRs 12,0% Grandes consumidores 31,6% TRRs COMPOSIÇÃO DO VOLUME COMERCIALIZADO PELAS 12,0% DISTRIBUIDORAS COMPOSIÇÃO DO VOLUME COMERCIALIZADO PELAS Grandes DISTRIBUIDORAS consumidores 31,6% TRRs 12,5% Postos 56,3% Postos 56,3% Total: 49,2 milhões de m 3 Postos 55,9% Postos 55,9% Total: 51,8 milhões de m 3 TRRs 12,5% Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012 43
diesel Preços x margens Tanto os preços quanto as margens das distribuidoras apresentaram um ritmo de expansão superior ao dos postos. Na média Brasil, os preços nas bombas subiram cerca de 2%, enquanto nas distribuidoras a alta foi de 3%. PREÇOS MÉDIOS NO UPSTREAM E DOWNSTREAM Em relação às margens, em média, as 5.11 PREÇOS MÉDIOS NO UPSTREAM E DOWNSTREAM distribuidoras registraram incrementos brutos de 8,16% e os postos, de 2,9%. Em Em R$/L R$/L 2,4 Quando analisado o desempenho por 2,2 bandeira, as diferenças se acentuam. Os 2,0 postos Esso/Cosan apresentaram o maior 1,8 ganho nas margens brutas, de 5,5%, seguidos pelos da BR (3%), Ipiranga (2,8%) 1,6 1,4 e Shell (2,6%). 1,2 Entre as distribuidoras, entretanto, Refino Distribuição Revenda 1,0 a alta na margem média foi de 7,37%. A Esso/Cosan registrou incremento de 14,6%; a Ipiranga, de 10,85%, enquanto BR apresentou elevação de 8,49% e a Nota: O preço médio do refino não inclui ICMS. Shell, de 9,16%. 5.12 MARGEM MÉDIA DAS DISTRIBUIDORAS (Em R$/L) BR 0,094 0,102 Ipiranga 0,110 0,122 Esso/Cosan 0,107 0,123 Shell 0,119 0,129 Branca 0,063 0,067 Outras 0,116 0,129 Média 0,095 0,102 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 O preço médio do refino não inclui ICMS set/10 nov/10 jan/11 mar/11 5.13 MARGEM MÉDIA DOS POSTOS (Em R$/L) BR 0,265 0,273 Ipiranga 0,248 0,255 Esso/Cosan 0,236 0,249 Shell 0,224 0,230 Branca 0,250 0,251 Outras 0,231 0,243 Média 0,248 0,256 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 5.14 composição do preço em Fretes 2% Biodiesel 6% Margens 15% Tributos 22% Diesel 5 44 Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012
Diesel marítimo Já há algum tempo, os postos de combustíveis vêm solicitando que a ANP redobre a fiscalização em relação às vendas de diesel marítimo e que adicione algum tipo de marcador ou corante, para diferenciá-lo do diesel rodoviário. Isso porque, além de contar com alguns benefícios tributários, o diesel marítimo é dispensado da adição de biodiesel, o que lhe garante uma vantagem econômica bastante atrativa, suficiente para compensar possíveis desvios para uso rodoviário. No ano passado, as vendas de diesel marítimo aumentaram 1, bem acima, portanto, da alta de 5,2% apurada pelo diesel comum. Destaque para a expansão registrada em estados como Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Rondônia. 5.15 VENDAS DE DIESEL MARÍTIMO PELAS DISTRIBUIDORAS (Em m 3 ) UF Variação / AC 1.700 784-5 AL 205 259 26% AM 135.737 132.146-3% AP 182 152-16% BA 9.921 10.163 2% CE 6.147 5.792-6% DF 21.420 3-100% ES 26.362 37.289 41% MA 3.048 15.502 409% MG 3.040 3.180 5% MS 769 748-3% PA 128.381 133.571 PB 1.326 2.638 99% PE 5.064 3.064-39% PI 1.530 2.002 31% PR 5.434 5.901 9% RJ 257.876 344.545 3 RN 1.870 4.985 167% RO 3.934 8.991 129% RS 26.961 27.148 1% SC 59.411 61.652 SE 1.826 1.732-5% SP 32.741 34.289 5% VR* 1.506 3.371 12 TOTAL 736.391 839.907 1 Nota: VR* corresponde às vendas residuais que, por insuficiência de dados, não puderam ser atribuídas a nenhum estado. O que esperar para 2012 4Uma grande preocupação para a revenda neste ano diz respeito aos índices de qualidade do S50, já que o novo diesel tem giro menor e fica armazenado mais tempo nos tanques, o que pode gerar alteração no aspecto do produto e formação de micro-organismos; 4O elevado preço do S50 tem desestimulado a procura pelo novo combustível e até mesmo pelos veículos novos, com motor Euro 5. A expectativa é de que o governo adote algum mecanismo de compensação para reduzir a diferença entre o S50 e os outros tipos de diesel que estão em uso no país; 4Como o S50 representa apenas uma transição para o S10, os debates neste ano devem se concentrar na chegada deste novo combustível. Com qualidade superior a do S50, teme-se que seu preço seja ainda maior. Além disso, por se tratar de um produto altamente sensível à contaminação, a Petrobras já advertiu que será impossível manter o teor de 10 ppm em toda a cadeia. A ANP montou um grupo de estudo para discutir o assunto, que preocupa especialmente à revenda, a qual corre o risco de assumir o ônus da desconformidade no final da cadeia; 4Os postos situados nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza e Ceará, obrigados desde 2009 a comercializarem apenas o S50, buscam agora autorização para se encaixarem na mesma regra do restante do país, ou seja, ofertar o S50 e também o S500. Afinal, como o novo combustível custa pelo menos R$ 0,12 a mais que o S1800, muitos postos estão perdendo vendas, já que o caminhoneiro prefere rodar um pouco mais até um estabelecimento que venda S1800. Péssimo para o meio ambiente e para os revendedores; 4O Arla-32 também chegou com preço salgado nos postos: R$ 4 a R$ 5 por litro. A expectativa agora é pela homologação das bombas desse produto, o que deve ajudar a reduzir os custos com logística. Hoje, cerca de 70% do preço do Arla-32 decorrem dos gastos com embalagem e transporte. Além disso, é esperada uma forte fiscalização sobre o produto, a fim de evitar fraudes. Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2012 45