FERNANDO ROTHBARTH VIEK



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Transcrição:

FERNANDO ROTHBARTH VIEK MICROPARAFUSOS ORTOD6NTICOS PARA ANCORAGEM ABSOLUTA Ex. I UFSC BSCCSO CCSO v) 2 CA L) ;1 1 Ex.1 B SCCSO FLORIANÓPOLIS 2007

AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, pela vida e por ser responsável pelas oportunidades e por tudo o que sou. Aos professores, aos quais possuo grande respeito e admiração, e acima de tudo uma grande amizade. Aos colegas de turma, pela convivência e companherismo ao longo desses dois anos. A minha família, meus maiores incentivadores, amigos conselheiros, companheiros e por quem devo toda a minha formação.

RESUMO Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão de literatura referente aos microparafusos ortodõnticos para ancoragem absoluta, demonstrando suas características, vantagens e desvantagens, indicações e técnica de instalação. Palavras-chave: Microparafuso. Ancoragem ortodemtica. Auto perfurante. Estabilidade.

ABSTRACT The aim of this study was to do a revision of literature on mini screws implants used for absolute anchorage, showing the characteristics, advantages and disadvantages, indication and installation technique. Key-words: Miniscrews. Orthodontic anchorage. Drill-free screws. Stability.

SUMÁRIO RESUMO 3 ABSTRACT 4 1 INTRODUÇÃO 6 2 REVISÃO DA LITERATURA 10 2.1 INDICAÇÕES 10 2.2 TIPOS DE MICROPARAFUSOS 10 2.3 INSTALAÇÃO 13 2.4 ESTABILIDADE PRIMÁRIA 13 2.5 TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA 14 2.6 HIGIENIZAÇÃO 14 2.7 COMPLICAÇÕES 14 2.8 LESÕES ÀS RAÍZES 15 2.9 EXPLANTAÇÃO 15 3 DISCUSSÃO 16 4 CONCLUSÃO 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 20

1 INTRODUÇÃO 6 0 tratamento ortodemtico encontra vários desafios no que diz respeito a unidade de ancoragem. Segundo alguns autores a preparação da unidade de ancoragem é a fase mais importante do tratamento ortodemtico e o sucesso depende desta preparação. A relação implantodontia-ortodontia, viabiliza a realização de muitos tratamentos e ainda simplifica casos onde a resolução se torna mais rápida e mais previsível. Com a utilização dos implantes surge um novo conceito de ancoragem em ortodontia, denominado ancoragem absoluta, a qual não permite movimentação da unidade de ancoragem. Ela é obtida devido á. incapacidade dos efeitos colaterais da mecânica ortod6ntica de movimentar a unidade de ancoragem. As cargas ortod6nticas de natureza continua, unidirecional e de baixa magnitude, não são capazes de gerar atividade osteolitica na interface óssea, sendo q a preservação total da ancoragem permite a simplificação da mecânica ortodetntica, viabilizando a realização de tratamentos mais previsíveis e reduzindo a dependência da cooperação do paciente. Atualmente, um dos principais métodos utilizados para a obtenção de uma ancoragem absoluta é o uso de microparafusos. Estes possuem vantagens em relação aos implantes osteointegráveis ou às miniplacas, devido as suas dimensões reduzidas, que possibilitam utilizá-los em diferentes areas da maxila e mandíbula, seu baixo custo, simplicidade de instalação e remoção e possibilidade de ativação ortodemtica imediata. 0 sucesso do tratamento ortodetntico depende do planejamento eficiente tanto da mecânica responsável pela movimentação, quanto da unidade de ancoragem. A utilização de dispositivos temporários de ancoragem esquelética direta ou indireta simplifica a aparatologia ortodetntica e elimina ou minimiza os efeitos colaterais indesejados das forças reciprocas, sobretudo em casos clínicos onde há necessidade de movimentações dentárias complexas e com o estabelecimento de ancoragem maxima ou absoluta que não dependa da colaboração do paciente. (BEZERRA, 2006). A utilização de microparafusos para promover ancoragem absoluta tem se mostrado uma técnica segura, previsível e de custo relativamente baixo para o paciente, visto que na maioria dos casos acelera o tratamento ortodetntico, diminuindo desta forma o custo total da terapia.

7 A simplicidade da técnica de instalação permite uma boa aceitação por parte dos pacientes e quando o planejamento é cuidadoso, a sua utilização é considerada extremamente segura e a técnica é totalmente reversível. A utilização dos microparafusos de titânio autoperfurantes como recurso de ancoragem na ortodontia trouxe novas perspectivas no tratamento e modificando os conceitos através de uma abordagem cirúrgica simplificada e segura. Em 1945 Gainsforth e Higley, sugeriram parafusos metálicos como ancoragem ortodiintica fixa, onde tentaram estabelecer em babuinos ancoragem por meio de parafusos de vitálio cirúrgico, porém os implantes afrouxaram de 16 a 31 dias depois. Em 1983 Creekmore e Eklund, acompanhando o sucesso das próteses sobre implantes osseointegrados, utilizaram implantes como ancoragem ortoantica intraoral e em1990 os parafusos cirúrgicos, também chamados de microimplantes, mini implantes ou microparafusos ortodônticos, começaram a ser amplamente utilizados para proporcionar ancoragem ortodeintica. (BEZERRA 2006) Segundo Proffit e Fields, ancoragem é a resistência ao movimento dentário indesejado. Quando a resultante das forças provoca movimentos indesejáveis na unidade de ancoragem caracteriza-se a perda de ancoragem. Em ortodontia, existem movimentos que frequentemente são limitados pela ancoragem disponível( KALAFATÁ, 2003). Os dispositivos efetivos mais utilizados para aumentar a ancoragem são os aparelhos extra orais e os implantes ( osseointegrados ou miniimplantes ). Ancoragem direta é quando a força ortodôntica é aplicada de um lado diretamente sobre implante e de outro sobre um dente ou grupo de dentes a serem movimentados. A ancoragem indireta ocorre quando a força ortodantica apóia-se em dentes e estes por sua vez são estabilizados ou unidos a implantes ( BERNARDES, 2006). A utilização de ancoragem estável em ortodontia, permite eliminar os movimentos indesejáveis nos dentes de ancoragem, quando eles se utilizam para este fim. Esta forma de ancoragem substitui os procedimentos tradicionais como a tracção extra oral, ou aparelhos intra orais como o botão de Nance, ou outros aparelhos mais complicados que necessitam de alguma colaboração da parte do paciente.

8 0 controle da ancoragem, em alguns casos pode ser critico, principalmente quando a dependência da colaboração do paciente pode ser crucial ( LABOISSIÉRE et al., 2005). Segundo Vilella 2006, dentre os dispositivos disponíveis, os microparafusos ortodemticos de tianio se destacam devido a sua grande aplicabilidade clinica aliada a simplicidade cirúrgica, baixo custo, boa aceitabilidade por parte dos pacientes, tornando os tratamentos mais eficientes e previsíveis. Isso significa que o ortodontista não mais esta em dependência do paciente, o que permite também ter mais sucesso no tratamento dos adultos. Este sistema de ancoragem permite aplicação de forças continuas, diminuindo o tempo de tratamento. A indicação da utilização de microparafusos deve partir do ortodontista. A escolha do local de instalação deve ser feita a partir de uma avaliação criteriosa do ortodontista, determinando o centro de resistência do dente, ou grupo de dentes a ser movimentado e a partir dai determinar o melhor posicionamento do implante. A escolha do local também deve ser avaliada sob o aspecto cirúrgico, levando em conta estruturas anatômicas, proximidade com raizes, qualidade do tecido gengival, densidade e espessura do tecido ósseo. A indicação do local de instalação e a quantidade de microparafusos a ser determinada, deve levar em consideração o tipo de movimentação dentária desejada. Para isto, é necessário definir o centro de resistência do dente ou grupo de dentes a ser movimentado e a partir dai estabelecer o melhor posicionamento do microparafuso e local no dente ou arco, onde haverá a aplicação da força, constituida pela origem da força (microparafuso) e ponto de aplicação de força (local de conexão com o dente ou arco). A relação da linha de ação de força com o centro de resistência determinará o tipo de movimento dentário a ser executado. Outros fatores como tipo e espessura da mucosa presente no local da instalação do microparafuso ortodemtico, densidade óssea, espaço disponível e proximidade de estruturas nobres têm que ser analizados para definir o tipo de microparafuso que melhor se adapta a essas condições. A introdução dos microparafusos autoperfurantes em ortodontia trouxe novos conceitos de planejamento e tratamento, com protocolo cirúrgico mais simples e seguro, reduzindo drasticamente a necessidade de realização de osteotomia utilizando o motor e contra ângulo. Esse fato favorece ainda mais a ancoragem esquelética nos planejamentos ortodõnticos atuais, estimulando os próprios ortodontistas a efetuarem a

9 instalação dos microparafusos e ingressarem nessa nova vertente de forma definitiva. (VILELLA 2006) Sua simplicidade de instalação, e remoção, aliada ao baixo custo, e alta flexibilidade de uso clinico, predispõe a uma grande aceitação e conforto por parte do paciente e torna a mecânica ortoantica mais efetiva, por meio do maior controle da unidade de ancoragem, sem a presença de movimentos recíprocos indesejáveis. Este estudo tem por objetivo apresentar uma revisão da literatura disponível a respeito de microparafusos ortodõnticos para ancoragem absoluta e ressaltar o protocolo de instalação clinica e ocorrências transoperat6rias relevantes à aplicação na clinica diária.

10 2 REVISÃO DA LITERATURA 0 tamanho dos implantes para uso ortodiintico é menos do que o dos implantes convencionais, porque normalmente se dispõe de menor espessura óssea. Uma característica importante dos implantes ortodônticos é permitir um único estágio cirúrgico para minimizar o trauma para o paciente ( WEHRBEIN e MERTZ 1998). Os microparafusos de titânio utilizados para ancoragem ortod8ntica apresentam diferentes desenhos, formas e medidas que variam de acordo com a marca comercial. Os microparafusos apresentam como vantagens nenhum efeito colateral, devido ao não uso da dentição remanescente como ancoragem; conduta previsível e unidade de ancoragem invisível, além de ser independente da colaboração do paciente; redução do tempo total do tratamento quando da aplicação desta terapia; ótima indicação em casos onde uma potencial ancoragem periodontal esteja comprometida pela periodontite ou pela falta de ancoragem dental suficiente. 2.1 INDICAÇÕES Retração anterior-superior Retração anterior-inferior Desvio da linha média Mesialização de molares Distalização de molares Intrusão de molares superiores Correção de giroversões Abertura ou fechamento de espaços para posterior instalação de próteses implanto suportadas. Outro exemplo citado na literatura é o caso dos pacientes periodontalmente comprometidos, onde a utilização de unidades de ancoragem extra como microparafusos ortod8nticos pode diminuir os danos causados aos dentes com periodonto de sustentação comprometido e ainda tornar os movimentos mais previsíveis por se tratar de uma unidade de ancoragem estável. 2.2 TIPOS DE MICROPARAFUSOS Auto rosqueantes

Auto perfurantes 11 Devido As suas dimensões reduzidas, os microparafusos possuem alta versatilidade clinica, sendo que o local ideal para sua instalação, assim como o número de implantes a ser utilizado, dependerá de planejamento conjunto do ortodontista com o cirurgião. O ortodontista, uma vez definido o plano de tratamento para a correção, da má oclusão em questão, indicara o tipo de movimento desejado, e o melhor ponto de aplicação de forças em relação ao centro de resistência da unidade ativa. Em seguida o cirurgião avaliará anatomicamente a viabilidade de instalação dos microparafusos na posição sugerida, ou ill propor localizações alternativas, que possam incrementar a estabilidade inicial do microparafuso, e/ou minimizar o risco de lesão a estruturas anatômicas. Para a instalação, é imperativo um planejamento cuidadoso e individualizado para cada caso. Após a determinação do plano de tratamento para a correção da Ind oclusão em questão, o ortodontista definirá o tipo de movimento desejado, a quantidade e os locais para a instalação dos mini implantes. ( VILELLA et al. 2006 ) Tendo-se selecionado o local para os microparafusos, é recomendável que o paciente compareça a uma consulta de avaliação e instrução previamente à data da cirurgia. Nessa consulta, o cirurgião realizará uma avaliação geral de suas condições periodontais e de higiene bucal, e uma investigação clinica e radiográfica mais detalhada do local de inserção do microparafuso. Na oportunidade o paciente será instruido sobre o protocolo medicamentoso e de higiene bucal a ser seguido. 0 protocolo cirúrgico para instalação dos microparafusos auto perfurantes mais simples, reduz a possibilidade de lesão de raizes e proporciona uma melhor estabilidade primária em relação aos auto-rosqueantes. Apesar da simplicidade, a instalação dos microparafusos é minuciosa e exige o conhecimento de suas variáveis. A possibilidade de lesões de raizes pode ser evitada através da adoção de atitudes como a utilização de um guia cirúrgico, o tipo de anestesia, treinamento prévio. Apesar dos microparafusos autoperfurantes dispensarem na maioria das vezes uso de fresa com motor e contra ângulo para fazer a osteotomia inicial, é necessário avaliar cada caso individualmente. Corticais mais espessas podem necessitar o uso de uma fresa lança manual para evitar uma possível fratura. Deste modo, o prtocolo cirúrgico pode variar

de acordo com a densidade de cada cortical, respeitando as peculiaridades de cada regido (VILELLA et al. 2006). 1? A técnica anestésica utilizada é importante para controlar a direção de inserção do parafuso. Deve-se utilizar anestesia local infiltrativa com somente 1:16 do tubete anestésico e desta forma se houver contato com a raiz dos dentes vizinhos este será perceptível, permitindo uma nova orientação do parafuso ( VILELLA et al. 2006). Para a seleção e instalação, a área cirúrgica eleita, deverá ser, no mínimo, o correspondente ao diâmetro do implante somado a 1,5 mm. Isso se deve ao fato de o espaço periodontal radicular possuir, em média, 0,25mm para cada raiz e ser necessário mais lmm de margem de segurança. Portanto, no caso de eleição de um miniimplante ortodeontico de 1,4mm de diâmetro, a distância entre as raizes deverá ser de, no mínimo, 2,9mm. Caso esta distância não esteja disponível, há necessidade de se avaliar a possibilidade de utilização de posicionamentos anatômicos alternativos, modificar a angulação de instalação do miniimplante ortodôntico ou, ainda, promover, ortodonticamente, o afastamento das raizes, de forma a aumentar o espaço para que a fixação do miniimplante seja realizada com segurança ( POS FERMAN, et al. ). Para a seleção do local de inserção dos microparafusos, deve-se utilizar recursos como palpação digital do sitio, radiografia panorâmica, radiografias periapicais com guias radiográficos e tomografias. Os guias utilizados, podem ser confeccionados a partir de acrílico, com marcadores radiograficos, ou ainda com fio de latão ou fio ortod6ntico retangular. Estes guias confeccionados com fios ortodemticos podem ser utilizados como guias radiograficos e cirúrgicos. Após a escolha do local mais adequado para instalação, inicia-se o processo de seleção do microparafuso. Este possui 3 partes: cabeça, corpo e perfil transmucoso. A seleção da cabeça deve ser feita de acordo com as necessidades do ortodontista, mediante o tipo de dispositivo utilizado para executar a movimentação planejada. A escolha do perfil trnasmucoso esta relacionada a regido de instalação e é determinada pela espessura do tecido gengival. É importante salientar o controle de placa para evitar que o tecido gengival sofra hiperplasia e dificulte o acesso a cabeça do parafuso.

13 A escolha do corpo do micro-parafuso deve-se ao tipo de rosca, auto-perfurante ou auto-rosqueante. 0 comprimento varia de acordo com a disponibilidade de tecido ósseo na regido. 2.3 INSTALAÇÃO -Anestesia local infiltrativa subperiosteal; -Não necessita de incisões, salvo em casos onde o local de instalação é em mucosa alveolar; Neste caso a incisão é necessária para evitar traumatismos na mucosa alveolar, decorrente da utilização da broca. -Perfuração com fresa helicoidal ( 1,0 ou 1,2 mm ) e rotação maxima de 300 rpm; -Instalação com motor ou chave manual. ( ARAUJO, et al. 2006) 2.4 ESTABILIDADE PRIMARIA: 0 torque de inserção dos microparafusos ortodõnticos e portanto a estabilidade primária, variam largamente, dependendo da qualidade do osso, desenho do implante e preparação do sitio do implante. Segundo Park, os autoperfurantes apresentam maior estabilidade primária e oferecem maior resistência à aplicação de carga ortoantica imediata. A espessura da cortical, o desenho do implante e o preparo do sitio,tem um grande impacto na estabilidade primária dos microparafusos para ancoragem ortodemtica. Dependendo do sitio de inserção e qualidade do osso local, o clinico deve escolher uma ótima combinação entre implante e diâmetro e profundidade da broca de perfuração ( BENEDICT et al. 2006). A espessura e densidade do osso cortical, a qual é critica para a retenção do microparafuso, varia entre pacientes e sítios de implantação. Sítios espessos e cortical óssea densa, são considerados os mais estáveis para microparafusos. Na mandíbula, a regido retromolar e o lado vestibular da região posterior satisfazem esses critérios. Na maxila a regido da sutura palatal mediana é considerado o mais favorável sitio graças ao tecido mole fino e osso denso e espesso ( PARK et al. 2003).

2.5 TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA 14 Em pacientes de risco para endocardite bacteriana utilizar antibioticoterapia profilática. Ex. 2 g de amoxicilina uma hora antes do procedimento. Após o procedimento utilizar antiinflamatório durante três dias. Ex: Etoricoxib 120 mg durante três dias (ARAUJO, et al. 2006). 2.6 HIGIENIZAÇÃO: Escova periodontal extramacia, embebida em solução de gluconato de clorexidina, 0,12% durante duas semanas. A partir da terceira semana, utilização de escova macia e creme dental; bochecho diário com colutório antiséptico a base de triclosan 0,03% (ARAÚJO, et al. 2006). 2.7 COMPLICAÇÕES: Perda da estabilidade; Mucosite periimplantar; Lesão de mucosa (língua ou mucosa jugal ) Lesão de raizes; Fratura do miniimplante. As falhas dos microparafusos mais frequentemente originam-se da inflamação dos tecidos moles ao redor do parafuso. Quando os microparafusos são implantados na gengiva livre, acima da junção mucogengival, é frequentemente dificil aplicar força elástica porque o tecido mole cobre a cabeça dos parafusos. As raizes adjacentes, os nervos e vasos sanguíneos podem ser danificados durante a operação, mas com cuidado e atenção durante a operação o perigo pode ser mínimo. Ocasionalmente microparafusos podem fraturar, mas isso pode ser evitado usando os parafusos com diâmetro de 2 milímetros ou mais ( PARK et al. 2003). Quando possível, a implantação dos microparafusos na zona da gengiva inserida sobre a junção mucogengival deve ser escolhida, porque a hiperplasia do tecido mole é menos frequente nesta área,, diminuindo a possibilidade do tecido mole cobrir o

15 parafuso ou do parafuso afrouxar e aumentando a possibilidade do paciente manter uma boa higiene oral. Determinar o número, posição e paralelismo das raizes proximais antes do implante ser instalado. Radiografias panorâmicas ou periapicais podem ser utilizadas para este propósito. Na mandíbula evitar o canal mandibular e o foramen mentoniano quando o microparafuso estiver sendo colocado. Apesar do canal incisivo e nervo palatino maior e artérias ser encontrados na maxila, eles são geralmente longe do sitio do implante e raramente apresentam problemas ( PARK et al. 2003). 2.8 LESÕES ÀS RAIZES Um potencial local de inserção dos microparafusos é entra as raizes de dentes no processo alveolar, o que resulta em um risco de dano as raizes dos dentes vizinhos. Em um estudo realizado em cães da raça beagle, 20 microparafusos foram colocados na mandíbula de 5 cães. Dois microparafusos foram instalados em cada quadrante, entre o segundo e terceiro pré molares e entre o terceiro e quarto pré molares. Em ties raizes foi observado dano. A avaliação histológica das raizes, comprovou total reparação ( osso, cemento e ligamento periodontal ) após 12 semanas da retirada dos miniimplantes ( ASSCHERICKX et al. 2005). 2.9 EXPLANTAÇÃO Os microparafusos,deverão ser removidos com a utilização das mesmas chaves de inserção manual ou mecânica, em sentido inverso ao da instalação. Na grande maioria dos casos, não ha necessidade de realização de anestesia no local ( MAH e BERGSTRAND, 2005). Os principais sistemas para ancoragem esquelética disponíveis nos mercados nacional e internacional utilizam o titânio de grau V de pureza em sua fabricação, cuja principal característica é não viabilizar a formação de interface osseointegravel.

3 DISCUSSÃO 16 Devido a sua extrema relevância clinica, sua versatilidade e simplicidade de uso, a utilização dos microparafusos ortodeinticos no contexto diário da ortodontia moderna tem possibilitado importantes avanços da terapia conetiva em diferentes graus de complexidade e demonstrando ser um caminho promissor a ser seguido ( BEZERRA, 2006). A interdiciplinaridade esta cada vez mais evidente em odontologia. A ortodontia esta intimamente ligada a cirurgia bucomaxilofacial, implantodontia e prótese dental. Da mesma forma a implantodontia contribui de forma significativa através do uso de implantes osseointegados ou microparafusos ortodiinticos para ancoragem absoluta. Essa relação ortodontia implantodontia torna os tratamentos mais rápidos, mais previsíveis e sem sequelas para os pacientes. Os microparafusos autoperfurantes proporcionaram uma simplificação considerável da técnica de instalação, tornando este tipo de procedimento mais rápido e menos agressivo proporcionando inclusive a possibilidade de instalação pelos próprios ortodontistas. A aplicação clinica dos microparafusos é bastante diversificada, devido a grande versatilidade deste dispositivo. A instalação de microparafusos em osso basal ou alveolar, disponibiliza várias possibilidades de se obter um ponto fixo na cavidade bucal ( ponto de ancoragem ), para efetuar movimentações dentarias complexas ou simples de forma mais previsível. Partindo desta premissa, a possibilidade de instalação dos microparafusos, ate mesmo entre as raizes, faz com que as aplicações clinicas sejam ilimitadas, podendo servir de ancoragem para diversos tipos de movimentos dentários como intrusão, extrusão, retração, distalizações, protração e verticalização ( VILELLA, 2006). Poucas desvantagens foram citadas, como irritação local, perfuração do seio maxilar, risco de infecção e perda do parafuso. A mais aceita dentre estas, é a irritação local, principalmente nos casos em que o parafuso é inserido em região de mucosa alveolar. Nesta região o tecido pode facilmente hiperplasiar, dificultando cada vez mais a higienização e também a manutenção da aparatologia ortodõntica. A possibilidade de carga imediata é uma vantagem desta técnica, segundo Buchter, 2005, os microarafusos podem ser submetidos a forças ortodõnticas

17 imediatamante após a sua instalação, desde que essa força não seja excessiva. Porém Vilella, 2006 sugere que a carga seja aplicada somente duas semanas após a instalação. Este período é relativo ao tempo de cicatrização do tecido mole periimplantar, diminuindo desta forma a possibilidade de irritação da mucosa periimplantar, causada pelo biofilme bacteriano, que neste caso aumenta o risco de afrouxamento do microparafuso. A aparatologia ortodôntica aplicada sobre o parafuso, pode em alguns casos dificultar a higienizaçâo, principalmente no período inicial da cicatrização dos tecidos moles, por isso o período de 2 semanas de intervalo entre instalação e aplicação de carga é recomendado. Alguns fatores são associados com a estabilidade dos microparafusos, tais como, diâmetro do implante, espessura da cortical óssea, e inflamação do tecido subjacente. Além da palpação digital do vestíbulo, com o propósito de identificar as raizes dos dentes, uma avaliação cuidadosa da região eleita, com o objetivo de verificar a saúde óssea e o espaço disponível, para a instalação dos microparafusos, deve ser realizada, através do exame de radiografias panorâmicas e periapicais. Estas últimas obtidas com o auxilio de um posicionador, através da técnica do paralelismo, de forma que o feixe de raio X incida perpendicularmente à Area de estudo ( ARAUJO 2006). 0 custo dos implantes não é uma desvantagem, pois a diminuição no tempo de tratamento, compensa o invetimento inicial e até pode gerar um ganho para o paciente ( LABOISSLERE, 2005). A utilização de microparafusos é citada como uma forma de tornar o tratamento ortodeintico mais aceitável por parte dos pacientes, pois é possível substituir dispositivos de ancoragem extra oral pela ancoragem através de microparafusos ortodkticos. sucesso deste recurso de ancoragem porém, depende de cuidados que passam por detalhado planejamento ortodôntico, aplicação de força adequada e manutenção da saúde periimplantar. De acordo com Kyung et al., o sucesso do tratamento com microparafusos depende dos seguintes fatores: a0 habilidade do cirurgião; b) condição fisica do paciente; c) seleção do local adequado e estabilidade inicial e d) higiene bucal.

18 4 CONCLUSÃO: - A utilização de microparafusos ortoanticos para ancoragem esquelética, representa uma excelente técnica para obtenção de ancoragem confidvel em ortodontia; - A técnica descrita é simples, rápida e pouco traumática para o paciente. - 0 custo relativo à técnica, geralmente compensa o tempo reduzido do tratamento e consequente custo de manutenção reduzido, viabilizando tal investimento. = M aiternativas desta modalidade de tratamento são inúmeras, porém todos os autores ressaltam a importância de um planejamento criterioso, iniciando corn o planejamento para resolução ortodiintica e posterior planejamento cirúrgico. Seguindo estas orientações a técnica descrita é considerada segura para o paciente. - A utilização de microparafusos ortodõnticos auto perfurantes, facilita o procedimento de instalação e ainda é considerado mais previsível, devido ao melhor travamento obtido e maior contato osso-superficie do parafuso. - A utilização de microparafusos é descrita como uma forma de tornar o tratamento ortode ntico mais previsível, pois através destes dispositivos o ortodontista não depende exclusivamente da colaboração do paciente, para a obtenção dos resultados desejados. -A utilização de microparafusos para ancoragem ortoantica, tem demonstrado ser um recurso eficiente, podendo ser indicada para diversas situações.

19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ARAOJO, T. et al. Ancoragem esquelética em ortodontia com miniimplantes. Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial. v. 11, n 4, 2006. ARAOJO, T. Recursos para ativação do sistema e controle de higiene periimplantar. Implant News. v. 3, n 4, 2006. ASSCHERICKX, K. et al.root repair after injury from mini-screw. Clin. Oral Impl. Res. 16, 575-578, 2005. BEZERRA, F. Evidências clinicas e cientificas dos miniimplantes ortodeinticos. Implant News. v.3, n 4, 2006. BENEDICT, W. et al. Parameters affecting primary stability of orthodontic miniimplants. J. Orofac. Orthop. 67, 162-74, 2006. HIDETAKE, O. et al. A mini-implant for orthodontic anchorage in a deep overbite case. The Angle Orthodontist. V. 75, n 3, 444-452, 2004. FAVERO, L. et al. Orthodontic anchorage with specific fixtures: related study analysis. Am. J. Orthod. Dentofacial Orthop. 122, 84-94, 2002. KIM, J. et al. Histomorphometric and mechanical analyses of the drill-free screw as orthodontic anchorage. Am. J. Orthod. Dentofacial Orthop. 128,190-4, 2005. LABOISSIÈRE, M. Aspectos estruturais dos microparafusos ortodônticos. Implant News. v. 3, n 4, 2006. MELSEN, B. et al. Immediate loading of implants used for orthodontic anchorage. Clin. Orthod. Res. 3, 23-28, 2000. MIYAWAK I, S. et al. Farctors associated with the stability of titanium screws placed in the posterior region for orthodontic anchorage. Am. J. Orthod. Dentofacial. Orthop. 124, 373-8, 2003. MOTOYOSHI, M. et al. Recommended placement torque when tightening an orthodontic mini-implant. Clin. Oral Impl. Res. 17, 109-114, 2006. PARK, Y. et al. Intrusion of posterior teeth using mini-screw Implants. Am. J. Dentofacial Orthop. 123, 690-4, 2003.

-)1 VILELLA, H. et al. Microparafusos ortodiinticos de titânio autoperfurantes: mudando os paradigmas da ancoragem esquelética na Ortodontia. Implant News. v.3, n 4, 2006.