TERMINOLOGIAS TÉCNICAS NO PROCEDIMENTO JUDICIAL

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Transcrição:

TERMINOLOGIAS TÉCNICAS NO PROCEDIMENTO JUDICIAL PARTE II

AVALIAÇÕES E PERÍCIAS Imóvel rural: é o prédio rústico, de área contínua, qualquer que seja a sua localização, que se destine à exploração extrativa, agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através do Poder Público, quer pela iniciativa privada (art. 4º, I, Lei 4.504/64 Estatuto da terra); Definem-se como imóveis rurais: a) Glebas ou áreas de terras e suas acessões naturais; b) Benfeitorias reprodutivas (pastagens, pomares, culturas anuais ou perenes, florestas cultivadas, etc; c) Benfeitorias não reprodutivas (construções em geral casas, currais, galpões, cercas, silos, represas, instalações elétricas e hidráulicas, estradas vicinais e internas, etc. Carvalho, 2012, p.46

Lei 4.504/64 (Estatuto da terra) Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; Incorporam ao imóvel rural: as benfeitorias, tais como: a) Construções em geral (casas, currais, galpões, cercas, silos, represas, instalações elétricas e hidráulicas, estradas); b) Culturas (pastagens, pomares, florestas artificiais, lavouras); Carvalho, 2012, p.46

Direito de propriedade: corresponde ao direito de usar, gozar e dispor de um bem (art. 1.228/CC); Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 1 o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. 2 o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Art. 1.228, 1º e 2º/CC

Direito de propriedade: art. 1.228/CC Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. [...] 3 o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. 4 o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. 5 o No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. Art. 1.228, 3º, 4º e 5º/CC

Quanto ao título dominial, que define direito de propriedade sobre imóvel Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. 1 o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 2 o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. Arts. 1.245 a 1.247/CC

Imóvel urbano: propriedade constituída de terreno nu ou edificado, situada em perímetro urbano e em local de características, uso, ocupação, acesso e melhoramentos públicos disponíveis, próprios de regiões já urbanizadas e de possível utilização imediata; SERVIDÃO: a instituição de servidão não implica em desapropriação, mas gera direito de indenização ao proprietário do imóvel atingido, na proporção dos danos causados, incluindo as servidões acessórias; Carvalho, 2012, p.46/245

Servidão principal: são estradas, passagens, transmissão de rede elétrica, diversos dutos subterrâneos ou aéreos, passagens de cabos, substâncias líquidas e suas instalações acessórias (torres, estradas de acesso e passagens); SERVIDÃO: a servidão é encargo específico que se impõe a qualquer propriedade em proveito de outrem, pode ser administrativa (quando decorre iniciativa do Poder Público) ou Particular (atender interesse particular); Carvalho, 2012, p.46/245

Área gravada pela servidão: parte do imóvel serviente ou prédio matriz diretamente atingida pela servidão; Imóvel serviente: aquele que sofre restrições impostas por servidões; Imóvel dominante: aquele que impõe restrições por servidão; Servidão perpétua ou permanente: servidão instituída por prazo indeterminado; Servidão temporária: servidão instituída por prazo determinado; Carvalho, 2012, p.47

Da Constituição das Servidões Art. 1.378. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, que pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. Art. 1.379. O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, nos termos do art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de Imóveis, valendo-lhe como título a sentença que julgar consumado a usucapião. Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o prazo da usucapião será de vinte anos. Arts. 1.378 e 1.379/CC

Do Exercício das Servidões Art. 1.380. O dono de uma servidão pode fazer todas as obras necessárias à sua conservação e uso, e, se a servidão pertencer a mais de um prédio, serão as despesas rateadas entre os respectivos donos. Art. 1.381. As obras a que se refere o artigo antecedente devem ser feitas pelo dono do prédio dominante, se o contrário não dispuser expressamente o título. Art. 1.382. Quando a obrigação incumbir ao dono do prédio serviente, este poderá exonerar-se, abandonando, total ou parcialmente, a propriedade ao dono do dominante. Parágrafo único. Se o proprietário do prédio dominante se recusar a receber a propriedade do serviente, ou parte dela, caber-lhe-á custear as obras. Arts. 1.380 a 1.382/CC

Do Exercício das Servidões Art. 1.383. O dono do prédio serviente não poderá embaraçar de modo algum o exercício legítimo da servidão. Art. 1.384. A servidão pode ser removida, de um local para outro, pelo dono do prédio serviente e à sua custa, se em nada diminuir as vantagens do prédio dominante, ou pelo dono deste e à sua custa, se houver considerável incremento da utilidade e não prejudicar o prédio serviente. Arts. 1.383 e 1.384/CC

Do Exercício das Servidões Art. 1.385. Restringir-se-á o exercício da servidão às necessidades do prédio dominante, evitando-se, quanto possível, agravar o encargo ao prédio serviente. 1 o Constituída para certo fim, a servidão não se pode ampliar a outro. 2 o Nas servidões de trânsito, a de maior inclui a de menor ônus, e a menor exclui a mais onerosa. 3 o Se as necessidades da cultura, ou da indústria, do prédio dominante impuserem à servidão maior largueza, o dono do serviente é obrigado a sofrê-la; mas tem direito a ser indenizado pelo excesso. Art. 1.386. As servidões prediais são indivisíveis, e subsistem, no caso de divisão dos imóveis, em benefício de cada uma das porções do prédio dominante, e continuam a gravar cada uma das do prédio serviente, salvo se, por natureza, ou destino, só se aplicarem a certa parte de um ou de outro. Arts. 1.385 e 1.386/CC

Da Extinção das Servidões Art. 1.387. Salvo nas desapropriações, a servidão, uma vez registrada, só se extingue, com respeito a terceiros, quando cancelada. Parágrafo único. Se o prédio dominante estiver hipotecado, e a servidão se mencionar no título hipotecário, será também preciso, para a cancelar, o consentimento do credor. Art. 1.388. O dono do prédio serviente tem direito, pelos meios judiciais, ao cancelamento do registro, embora o dono do prédio dominante lhe impugne: I - quando o titular houver renunciado a sua servidão; II - quando tiver cessado, para o prédio dominante, a utilidade ou a comodidade, que determinou a constituição da servidão; III - quando o dono do prédio serviente resgatar a servidão. Art. 1.389. Também se extingue a servidão, ficando ao dono do prédio serviente a faculdade de fazê-la cancelar, mediante a prova da extinção: I - pela reunião dos dois prédios no domínio da mesma pessoa; II - pela supressão das respectivas obras por efeito de contrato, ou de outro título expresso; III - pelo não uso, durante dez anos contínuos. Arts. 1.387 a 1.389/CC

Propriedade familiar: imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, dando-lhe subsistência e progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente com ajuda de terceiros; Minifúndio: imóvel rural de área e possibilidade inferiores às da propriedade familiar; Carvalho, 2012, p.47

Latifúndio: imóvel rural que: a) Exceda a dimensão fixada nos termos do art. 46, 1º, b, Lei 4.504/64, tendo-se em vista as condições ecológicas, sistemas agrícolas regionais e sua finalidade; b) Quando não excede o limite, e tendo área igual ou superior à dimensão do módulo de propriedade rural, seja mantido inexplorado em relação às possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins especulativos, ou seja, deficiente ou inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no conceito empresa rural; Carvalho, 2012, p.47/48

Art. 46. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá levantamentos, com utilização, nos casos indicados, dos meios previstos no Capítulo II do Título I, para a elaboração do cadastro dos imóveis rurais em todo o país, mencionando: [...] 1 Nas áreas prioritárias de reforma agrária serão complementadas as fichas cadastrais elaboradas para atender às finalidades fiscais, com dados relativos ao relevo, às pendentes, à drenagem, aos solos e a outras características ecológicas que permitam avaliar a capacidade do uso atual e potencial, e fixar uma classificação das terras para os fins de realização de estudos microeconômicos, visando, essencialmente, à determinação por amostragem para cada zona e forma de exploração: [...] b) dos limites máximos permitidos de áreas dos imóveis rurais, os quais não excederão a seiscentas vezes o módulo médio da propriedade rural nem a seiscentas vezes a área média dos imóveis rurais, na respectiva zona; Art. 46, 1º, b /Lei 4.504/64

Empresa rural: empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condições de rendimento econômico da região em que se localiza, explore área mínima agricultável do imóvel, conforme padrões fixados, pelo Poder Executivo; ATENÇÃO: existe conceito de pequena e média propriedades, para o qual o perito deve ficar atento, para evitar desperdício de tempo e trabalho com perícia, quando a lei estabelece o óbice de desapropriação de tais imóveis, no caso que proprietário não possua outro imóvel; Carvalho, 2012, p.244

Pequena propriedade: é o imóvel rural com área compreendida entre o mínimo de 1 (um) módulo e máximo de 4 (quatro) módulos, art. 4º, II, a /Lei 8.629/93; Média propriedade: é imóvel rural com área compreendida entre 4 (quatro) e 15 (quinze) módulos Art. 4º Para os efeitos desta lei, conceituam-se: I- Imóvel Rural - o prédio rústico de área contínua, qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial; II - Pequena Propriedade - o imóvel rural: a) de área compreendida entre 1 (um) e 4 (quatro) módulos fiscais; b) (Vetado) c) (Vetado) III - Média Propriedade - o imóvel rural: a) de área superior a 4 (quatro) e até 15 (quinze) módulos fiscais; Carvalho, 2012, p.245

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra; II - a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social. Art. 185/CF

Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Art. 186/CF

Acessões: é tudo que se incorpora à terra ou a outro bem principal, por união física natural ou artificial; Terra nua: é a terra de uma gleba, excluídas as benfeitorias; o seu valor (VTN), pode ser encontrado por: a) método direto, através de pesquisa de levantamento de dados de valor (VTI= VTN VB); b) método dedutivo, onde encontra-se valor do VTI (terras, acessões naturais e benfeitorias), que subtrai VB, encontra-se VTN;

Acessões naturais: todos elementos que, por força da natureza, aderem à terra (cobertura vegetal, rios, córregos, lagos, potencial hidráulico, paisagem ecológica, recursos minerais); a) Aluvião: acréscimo lento e paulatino, de terras que rio tira das margens e deposita em outra (art. 1.250/CC c/c arts. 16 e 18/Decreto 24.643/34 Código da Águas); Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Art. 1.250/CC

AVALIAÇÕES E PERÍCIAS a) Aluvião: acréscimo lento e paulatino, de terras que rio tira das margens e deposita em outra (art. 1.250/CC c/c arts. 16 e 18/Decreto 24.643/34 Código da Águas); b) Avulsão: acréscimo em decorrência deslocamento brusco e violento de parte das terras de outro imóvel; Cabe indenização ao prejudicado, art. 1.251/CC c/c arts. 19 a 22/Decreto 24.643/34 (Código da Águas); Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Art. 1.251/CC

c) Formação de ilhas em rios: aquisição por acessão, pelo deslocamento da corrente dos rios que não sejam públicos, formando ilhas que passam a pertencer aos proprietários ribeirinhos de ambas margens, art. 1.249/CC c/c arts. 23 a 25/ Decreto 24.643/34 (Código da Águas); Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideramse acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado; III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram. Art. 1.249/CC

c) Álveo abandonado: é o leito do rio que secou, que passa a pertencer aos proprietários ribeirinhos de cada margem até o meio do álveo, sem direito à indenização ao prejudicado, exceto por utilidade pública, art. 1.252/CC c/c arts. 9º, 10, 26 e 27/ Decreto 24.643/34 (Código da Águas); Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Art. 1.252/CC

Acessões artificiais: são todos os bens que se fixam ao solo por meios artificiais (ex. benfeitorias em geral); Terra bruta: é denominação popularmente usada para se referir à terra, quando sobre ela se encontra a cobertura florística natural; ATENÇÃO: diferença a) Terra nua: se trata de terra beneficiada, ou seja, a terra sobre a qual existam benfeitorias; b) Terra bruta: se trata de terra sem benfeitorias; * A terra nua beneficiada tem maior valor do que a mesma terra nua bruta ou com a cobertura natural. Carvalho, 2012, p.50

MUITO OBRIGADO!!!