ARTE E CULTURA AFRO-BRASILEIRA



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Transcrição:

ARTE E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

Cultura afro-brasileira é o resultado do desenvolvimento da cultura africana no Brasil, incluindo as influências recebidas das culturas portuguesa e indígena que se manifestam em diversos expressões como, por exemplo, a música, a religião, a culinária, a literatura, a dança.

A música popular brasileira é fortemente influenciada pelos ritmos africanos. As expressões de música afro-brasileira mais conhecidas são o SAMBA, MARACATU, COCO, JONGO, CARIMBÓ, LAMBADA E O MAXIXE. Jongo Samba Coco Maracatu Carimbó Maxixe

Capoeira é uma arte marcial criada por escravos negros no Brasil durante o período colonial. Conta-se que os escravos diziam aos senhores que era apenas uma dança e, então, o treino era permitido. Assim, a capoeira é sempre praticada com instrumentos de percussão, música cantada, dança e, em algumas versões, acrobacias. Acredita-se que a palavra capoeira refira-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil, que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata.

Na culinária, a feijoada é considerado o prato nacional do Brasil. É basicamente a mistura de feijões pretos e carne de porco. Começou, certamente, quando escravos negros tentaram reproduzir pratos típicos da culinária portuguesa.

Religião: Os negros trazidos da África na condição de escravo, geralmente eram imediatamente batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. Mas conseguiram fazer permanecer suas religiões através de prática secreta. Dentre todas as religiões afro-brasileiras, destaca-se a Umbanda e o Candomblé, por serem praticados em todos os estados do Brasil.

Candomblé: Culto dos orixás que incorporam. Foi trazida pelos africanos escravos para o Brasil. Cada orixá tem seu lugar, como por exemplo um quartinho, onde ficam os objetos do orixá. Dançam num circulo em movimento, rodopiando seus corpos ao som dos atabaques.

Umbanda é uma religião criada por volta de 1900 no Rio de Janeiro. Tem origem de outras religiões como a Católica, Espirita e as religiões afro-brasileiras.

A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para realização do culto aos Orixás e dos seus guias (Guias que incorporam), que na Umbanda se denominam giras. O terreiro tem lado a lado, imagens de santos católicos que representam os orixás. Os médiuns ficam parados esperando o espírito incorporar. Vale lembrar que o termo pai-de-santo ou mãe-desanto não deve ser aplicado na religião de Umbanda, pois estes termos são oriundos do Candomblé, que é uma religião diferente da Umbanda.

A arte afro-brasileira recupera a memória e resgata a história do negro no Brasil. Ela tem servido como padrão para o orgulho de nossos heróis, para marcar seu lugar na história, e para reafirmar a contribuição do negro na identidade nacional.

Os artistas contestavam o que viam na política. Artistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Candido Portinari, representaram em suas obras os negros do Brasil em seu trabalho escravo ou mesmo a sua situação após a abolição da escravatura em 1831, criticando assim a política daquele tempo, utilizando para isso temas sociais.

Obras como A Negra (1923) de Tarsila do Amaral e O Lavrador de Café (1939) de Cândido Portinari são exemplos dos problemas sociais vividos pelos negros pela política da época. Quando perguntaram a Portinari porque pintava aquela gente negra, feita de homens degredados da sorte, o pintor respondeu: É preciso haver mudança, o homem merece uma existência mais digna. Minha arma é a pintura.

Curiosidade: 45% da população brasileira é de descendência africana, chegando a 80% na cidade de Salvador, onde as culturas dos vários reinos de onde foram trazidos radicaram-se e foram transmitindo seus costumes, hierarquias, línguas, concepções estéticas, dramatizações, literatura, mitologia, visão de mundo e sobretudo a sua religião.

Mestre Didi nasceu em Salvador, Bahia em 1917. Seguindo o que era normal na época, Mestre Didi se iniciou no catolicismo, sendo batizado, e fazendo a primeira comunhão. Mas, aos 8 anos de idade, Didi foi iniciado na religião de origem africana. Didi absorveu, desde a infância, o significado das múltiplas relações do homem com seu meio ético, social e cósmico. Toda esta sensibilidade fez com que Mestre Didi assumisse os mais altos cargos da religião africana. É o único brasileiro que domina a língua Ioruba.

Além de Sacerdote, construiu uma carreira artística bastante vigorosa. Junto a sua iniciação religiosa, ele se iniciou nas artes plásticas. Suas obras carregam a experiência, o hálito, a respiração, dos mais antigos aos mais novos, de geração em geração. As esculturas de Mestre Didi são expostas em alguns importante museus e casas de arte ao redor do mundo.

Toda a obra de Didi emerge, se eleva e se apóia na Terra, Natureza Terra. Dela ele extrai os materiais orgânicos que traduz em formas e espaços que levam à criação de uma arte universal.