PREVENÇÃO ÀS LER/DORT



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Transcrição:

PREVENÇÃO ÀS LER/DORT Introdução Durante os dias 19, 20 e 23 de julho o Datafolha ouviu os trabalhadores paulistanos sobre sua vida no trabalho (atividades desempenhadas, carga horária, realização de horas extras, existência de pausas e tempo para refeição, relacionamento com chefes e colegas de trabalho, pressões no cotidiano, existência de riscos de acidentes ou de doenças relacionadas ao trabalho, entre outros aspectos), e fora dele (prática de atividades físicas, tempo para o sono e para o lazer, por exemplo). Esses trabalhadores também foram indagados sobre aspectos de sua saúde, tais como a presença de dores frequentes, dormências ou formigamentos e inchaços, e alguns outros sintomas. O objetivo dessa investigação foi identificar condições de trabalho e sintomas que poderiam indicar a possibilidade de existência ou riscos de desenvolvimento de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Como foi feita a pesquisa 1. Universo: trabalhadores moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais 2. Amostra: 1072 entrevistas pessoais 3. Realização das entrevistas: de 19, 20 e 23 de julho de 2001 4. Abordagem: aleatória com cotas de sexo e idade e controle de variáveis sócio-demográficas 5. Margem de erro: 3 pontos percentuais (total da amostra)

DIAGNÓSTICO DE LER/DORT

310 mil trabalhadores têm diagnóstico de LER/DORT Diagnóstico fornecido pelo médico Doenças nervosas/pscicológicas 16% LER/DORT 14% Serviços 15% Problemas na coluna Doenças cardiovasculares 9% 12% 6% dos trabalhadores da cidade de SP Indústria 12% Tendinite 6% Comércio 15% Cansaço físico 5% 4% da população da cidade de SP Construção civil 0% Dor de cabeça 5% Problemas musculares 3% O diagnóstico de problemas na coluna e doenças nervosas é mais comum entre os que fazem parte das classes D/E e entre os trabalhadores da construção civil 23% dos que receberam diagnóstico de LER/DORT apresentam inchaço em alguma parte do corpo, 19% costumam sentir dormência e 15% sentem dores frequentes Base: Entrevistados que têm algum sintoma e procuraram um médico

Diagnóstico de LER/DORT fica acima da média entre os integrantes das classes A/B e abaixo da média entre os das classes D/E 73% 79% 78% 18% 16% 9% 6% 3% 19% Classes A/B Classe C Classes D/E Sim Não Não sabe O diagnóstico de LER /DORT fica acima da média entre: * os que utilizam móveis desconfortáveis (24%) * falta de ventilação (23%) * estão expostos a vibrações (20%) * utilizam computador (19%) 10% 78% 76% 16% 13% 8% * trabalho exige muitos movimentos repetitivos (18%) * fazem mais de 5 a 10 horas extras semanais (28%) Homens Mulheres Sim Não ão sabe Base: Entrevistados que têm algum sintoma e procuraram um médico

Apenas 2% tiveram emissão de CAT A empresa na qual você trabalha emitiu CAT - comunicado de acidente de trabalho? SIM, DIAGNOSTICOU LER/DORT 14% Emitiu CAT 2% Não emitiu CAT NÃO DIAGNOSTICOU LER/DORT 12% 76% 13% 15% 6% Serviços Indústria Comércio Não foi emitido CAT principalmente entre os assalariados registrados (79%) e funcionários públicos (86%) Base: Entrevistados que têm algum sintoma e procuraram um médico

Maioria dos que têm diagnóstico de LER/DORT afirmam que sintomas prejudicam o desempenho no trabalho Esses sintomas prejudicam ou não o desempenho no trabalho? Sim, muito 23% 64% Informou os sintomas ao chefe ou superior? Não 39% Não tem chefe 8% Não prejudica 36% Sim, um pouco 41% Já ficou afastado alguma vez? Sim 52% SIM 64% 1 vez 24% 2 vezes 14% 3 vezes 6% 4 vezes 4% 5 vezes ou mais 15% NUNCA FOI AFASTADO 36% Base: Entrevistados com diagnóstico LER/DORT

Maioria dos que têm LER/DORT foram tratados com medicação e fisioterapia Já esteve sob tratamento? Tratamento ao qual foi submetido Não está 24% Está em tratamento 14% Medicação 57% Fisioterapia 55% Já esteve 62% Afastou-se durante o tratamento? Imobilização 16% Não 48% Consultas 6% Sim 52% Acupuntura 4% Base: Entrevistados que foram diagnosticados com LER/DORT

Metade dos que têm algum dos sintomas investigados procurou médico; maioria não informou os sintomas ao chefe Você procurou médico por iniciativa própria ou foi encaminhado pela empresa? PROCUROU MÉDICO 47% 50% 44% 39% 57% Iniciativa própria 43% Serviços Indústria Comércio Construção civil Encaminhado pela empresa 5% NÃO PROCUROU MÉDICO 53% Pq não considerou necessário (37%) Pq os sintomas não eram frequentes (12%) Por falta de tempo (17%) Pq os sintomas eram normais em função da profissão (8%) Por não confiar em médicos (6%) Por fazer auto medicação (4%) Base: Entrevistados que têm algum sintoma

17% já ficaram afastados por causa de algum dos sintomas apresentados Já ficou afastado alguma vez por causa de alguns desses sintomas? SIM 17% 17% 17% 15% 20% 1 vez 2 vezes 3 vezes 4 vezes 5 vezes ou mais NUNCA FOI AFASTADO 7% 3% 2% 2% 2% 83% Serviços Indústria Comércio Construção civil Entre os que obtiveram diagnóstico de LER/DORT, 64% dizem que ficaram afastados do trabalho Base: Entrevistados que têm algum sintoma

Sintomas não interferem no desempenho do trabalho Esses sintomas prejudicam ou não o desempenho no trabalho? Sim, muito 10% 36% A interferência é maior entre os trabalhadores da construção civil 39% 42% 45% Não prejudica 61% Sim, um pouco 29% 39% Serviços Indústria Comércio Construção civil Entre os que sentem dormência ou formigamento, 48% dizem que os sintomas prejudicam o desempenho no trabalho, entre os que têm inchaço essa taxa sobe para 54%. Informou os sintomas ao chefe ou superior? Acham que correm algum risco de ficar sem emprego(70%) Não 66% Não tem chefe 9% Sim 26% Não informaram ao chefe principalmente os que trabalham na construção civil, os que trabalham mais de 10h por dia e os que pertencem às classes D/E Base: Entrevistados que têm algum sintoma

Maioria nunca ouviu falar de LER/DORT Já ouviu falar de um problema de saúde conhecido como LER ou DORT? Descrição de LER ou DORT Sim 16% Esforços repetitivos 66% Dor 7% Não 84% Nunca ouviram falar em LER/DORT principalmente os trabalhadores da construção civil (87%), os que têm entre 16 e 24 anos (88%), os menos escolarizados (89%) e os que fazem parte das classes D/E (90%) Tendinite Lesões Doença relacionada ao trabalho 4% 3% 6% Não sabe 14% Base: Entrevistados que não foram diagnosticados com LER/DORT

METODOLOGIA A pesquisa do Datafolha é um levantamento estatístico por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados. O conjunto dos trabalhadores dos setores de Serviços, Comércio, Indústria e Construção Civil acima de 16 anos da cidade de São Paulo é tomado como universo da pesquisa. Nesses levantamentos, foram realizadas em São Paulo 1072 entrevistas nos dias 19, 20 e 23 de julho, com margem de erro de 3 pontos percentuais para cada levantamento, para mais ou para menos dentro de um intervalo de confiança de 95%. Isto significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista. Essa pesquisa é uma realização da Gerência de Pesquisas de Opinião do Datafolha.

BIBLIOGRAFIA Para a realização do questionário e como referência para a análise dos resultados foi consultada a seguinte bibliografia: Lesões Por Esforços Repetitivos (LER)/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) / Ministério da Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, Área Técnica de Saúde do Trabalhador Elaboração de Maria Maeno, Lúcia Fonseca de Toledo, Renata Paparelli, Milton Carlos Martins, Ildeberto Muniz de Almeida e João Alexandre Pinheiro Silva. Brasília : Ministério da Saúde, Fevereiro de 2001. Série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 103. LER/DORT Dilemas, Polêmicas e Dúvidas/ Ministério da Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, Área Técnica de Saúde do Trabalhador Elaboração de Maria Maeno, Lúcia Fonseca de Toledo, Renata Paparelli, Milton Carlos Martins, Ildeberto Muniz de Almeida e João Alexandre Pinheiro Silva. Brasília : Ministério da Saúde, Fevereiro de 2001. Série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 104. Diagnóstico, Tratamento, Reabilitação, Prevenção e Fisiopatologia das LER/DORT / Ministério da Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, Área Técnica de Saúde do Trabalhador Elaboração de Maria Maeno, Lúcia Fonseca de Toledo, Renata Paparelli, Milton Carlos Martins e Ildeberto Muniz de Almeida. Brasília : Ministério da Saúde, Fevereiro de 2001. Série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 105. Guia de / ; SIMESP Sindicato dos Médicos de São Paulo Elaboração de José Erivalder Guimarães de Oliveira, Luiz Bernardo Leonelli, Márcia Cristina de Angelo Morás, Maria José Pereira da Silva O Neill, Nirvana Marinho, Rodrigo Dionisio