PARECER SOBRE A LEI DA SOLIDARIEDADE-RS



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Transcrição:

PARECER SOBRE A LEI DA SOLIDARIEDADE-RS 1) FUNDAMENTO LEGAL: Objetivando expressar nosso Parecer Técnico sobre a legislação que fundamenta o programa de incentivo fiscal (Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social -PAIPS- Lei da Solidariedade), que viabiliza a parceria entre governo, Entidades Sociais e empresas para realização de projetos sociais. Esta parceria consolida se com a adoção de projetos sociais elaborados e executados por entidades sociais, bem como o setor produtivo empresas- que financiam, com utilização de incentivo fiscal oferecido pelo Estado- até 100% do ICMS, que teriam de recolher e, 25% com seus próprios recursos. O benefício Fiscal concedido pela Lei da Solidariedade permite ao Governo agilizar e garantir a aplicação de recursos na Assistência Social na medida em que o repasse do dinheiro por parte da Empresa é feito diretamente a Entidade Social Executora de Projeto Social, sendo assim procedemos ao exame da legislação e normativos abaixo elencados: >Lei Estadual nº 11.853 de 29 de novembro de 2002 e regulamentado pelo Decreto 42.338 de 11 de junho de 2003 - Institui o Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social e dá outras providências. >Decreto Estadual nº 42.338 de 11 de julho de 2003 - Regulamenta o Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social - PAIPS -, instituído pela LEI Nº 11.853, de 29 de novembro de 2002, e dá outras providências. >Decreto Estadual nº 42.339 de 11 de julho de 2003 - Modifica o Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (RICMS). >Lei Estadual nº 12.761 de 10 de agosto de 2007 - Introduz alterações na LEI Nº. 11.853, de 29 de novembro de 2002, que instituiu o Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social e dá outras providências. >Lei Estadual nº 13.924 de 17 de janeiro de 2012 - Institui o Sistema Estadual de Apoio e Incentivo a Políticas Estratégicas do Estado do Rio Grande do Sul SISAIPE/RS e dá outras providências. >Instrução Normativa STDS 01/2013 - que dispõe sobre a organização e o funcionamento do Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social PAIPS.

2) FUNDAMENTO TÉCNICO: Trata-se de análise de viabilidade e operacionalização de incentivos fiscais para investimentos em projetos sociais que tenham sido aprovados pela Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimentos Social do Estado do Rio Grande do Sul - STDS. Desta forma analisamos detalhadamente a legislação especifica, bem como os seus normativos administrativos e fiscais, tendo como fulcro administrativo e contábil os Princípios Fundamentais de Contabilidade emanados pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC e fiscal/tributário o Regulamento do Imposto de Renda - RIR emanados do Poder Executivo Federal e em especial os normativos da secretaria acima citada e a secretaria da Fazenda do Estado do RS. As empresas contribuintes do ICMS-RS (regularmente inscritas na Categoria Geral) que financiarem projetos sociais em conformidade com o Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social PAIPS, devidamente aprovados pela Câmara Técnica (CT) vinculada à Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social - STDS, poderão financiar projetos sociais, na sua totalidade ou parcialmente, até 100% do valor do ICMS a recolher (crédito fiscal presumido), através de guia informativo, de acordo com a seguinte tabela: Faixa Saldo Devedor do ICMS (R$) Aliquotas Adicional De Até a) - 50.000,00 20% 0 b) 50.000,01 100.000,00 15% 2.500,00 c) 100.000,01 200.000,00 10% 7.500,00 d) 200.000,01 400.000,00 5% 17.500,00 e) 400.000,01 Infinito 3% 25.500,00 As empresas contribuintes do ICMS que financiarem projetos aprovados conforme acima poderão compensar, por meio de crédito fiscal presumido, até 75% (setenta e cinco por cento) do valor comprovadamente aplicado no projeto com ICMS a recolher, discriminado em guia informativa.

A compensação acima referida dar-se-á mediante a apropriação do crédito fiscal presumido calculado, conforme enquadramento nas faixas da tabela acima, pela soma do valor resultante da aplicação do percentual da coluna Alíquotas sobre o saldo devedor do mês imediatamente anterior, desconsiderado o valor do crédito fiscal apropriado naquele mês, com o valor correspondente da coluna Adicional A apropriação do crédito fiscal fica condicionada a que o contribuinte esteja em dia com o pagamento do ICMS devido, e com as contribuições ao Programa Estadual de Solidariedade de que trata o art.5º, 1º, da Lei nº 11.196, de 15 de julho de 1998, se participante deste. 3) DA PARTICIPAÇÃO NOS FUNDOS: Os projetos apresentados pelas Entidades deverão prever em seu orçamento a destinação de 5% (cinco por cento) do valor total para a formação de fundos permanentes de sustentabilidade vinculados a Fundações de Direito Privado, habilitadas pela STDS e 20% (vinte por cento) do valor total para a formação do Fundo Estadual de Apoio à Inclusão Produtiva (FEAIP) vinculados à STDS As despesas administrativas relativas à elaboração do projeto, coordenação, agenciamento, captação de recursos, assessoria jurídica e contábil e outras deverão ser detalhadas e reunidas num mesmo grupo de despesa, não podendo exceder a 10% (dez por cento) do valor total do projeto. Vide exemplo que segue: > VALOR EFETIVAMENTE APLICADO AO PROJETO Com dedução do ICMS devido:... R$ 100.000,00 > VALOR NÃO INCENTIVA A RECOLHER: Parcela complementar de 25% de participação do Fundo Permanente de Sustentabilidade: (05%)... R$ 5.000,00 Fundo Estadual de Apoio: (20%)... R$ 20.000,00 > VALOR TOTAL A INVESTIR:... R$ 125.000,00 A Pessoa Jurídica poderá contabilizar o montante despendido como despesa de publicidade, se houver a divulgação da marca no evento

4) BENEFÍCIO INDIRETO - REDUÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL NO IR e CS Para as empresas tributadas pelo Lucro Real e que venham a investir em projetos sociais abarcados pela Lei da Solidariedade terão um redutor da despesa na ordem de 13,20%, tendo em vista que dos 25% que aplicará no fundo e contabilizará como despesa operacional, reduzirá 25% a título de imposto de renda, 10% do adicional do IR e 9% da Contribuição Social. Para uma melhor visualização vide o exemplo no quadro demonstrativo abaixo: R$ PERC. (%) VALOR INVESTIDO - PROJETO APROVADO 100.000,00 80,00% CONTRIBUIÇÃO AOS FUNDOS PERMANENTES DE SUSTENTABILIDADE 25.000,00 20,00% VALOR DA DESPESAS OPERACIONAL 125.000,00 100,00% REFLEXO DA REDUÇÃO TRIBUTÁRIA DA CONTRIBUIÇÃO AOS FUNDOS PERMANENTES DE SUSTENTABILIDADE (15%.10%+9%) ou 34% de R$ 25.000,00 (8.500,00) 6,80% RESULTADO LIQUIDA DA CONTRIBUIÇÃO (25.000,00-8.500,00=16.500,00) 16.500,00 13,20% BENEFÍCIO INDIRETO - (16.500,00:125.000,00= 0,1320) 13,20% RESULTADO DO FLUXO DE CAIXA (100.000,00+25.000,00-8.500=116.500,00) 116.500,00 OBSERVAÇÕES: Analisando o quadro resumo acima, podemos verificar que o retorno do investimento social para as empresas tributadas pelo lucro real é obtido a partir da aplicação de 13,20% do total investido, enquanto nas demais empresas o percentual fica em 20% do valor investido 5) INCENTIVO FISCAL: Abaixo dados ilustrativos para melhor visualizar através de demonstrativo do cálculo da aplicação dos recursos, bem como as obrigações acessórias a serem cumpridas pela empresa contribuinte que na condição de investidor social no projeto deve observar para o perfeito aproveitamento do benefício fiscal oferecido:

: ICMS devido no mês anterior ao da apropriação:... R$ 100.000,00 Valor efetivamente aplicado no projeto Social:... Parcela Incentivada (100%):... Parcela Fundos de SustenbilidadeS (25%):... R$ 2.500,00 5.1) CÁLCULO DO LIMITE DO BENEFÍCIO (Prevalece o de maior valor): a) Valor efetivamente aplicado no Projeto:... b) R$ 100.000,00 x 15% + R$ 2.500,00:... R$ 17.500,00 c) Saldo a aplicar em outro projeto:... R$ 7.500,00 5.2) REGISTRO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 5.2.1) Os contribuintes que utilizarem este benefício de crédito fiscal deverão emitir Nota Fiscal de Entrada, conforme Livro II, art. 26, inc. II do RICMS. Nota Fiscal de Entrada, conforme Livro II, art. 26, inc. II do RICMS. 5.2.2) A Nota Fiscal deverá ser escriturada no Livro Registro de Entradas, mediante o preenchimento apenas das colunas "Data de Entrada", "Documento Fiscal" e "Observações". mediante o preenchimento apenas das colunas "Data de Entrada", "Documento Fiscal" e "Observações". Fiscal" e "Observações". 5.2.3) O registro do crédito presumido da Guia de Informações e Apuração do ICMS no anexo III, Livro I, será lançado com o código 70 - Projetos Sociais, Regulamento ICMS, Art. 32, inc. LXIV. 5.2.4) O registro no Quadro A da Guia de Informações e Apuração do ICMS do valor caso é de do crédito presumido, corresponde a parcela incentivada, que neste (Dez mil reais). 6) CONTABILIZAÇÃO DOS VALORES: Conforme o exemplo acima a empresa investidora/patrocinadora na condição de contribuinte do ICMS se beneficiou de incentivos fiscais com redução de pagamento

do tributo estadual. Por outro lado a investidora/patrocinadora pode ainda se beneficiar da redução de pagamento de tributos federais incidente sobre o Lucro Operacional uma vez que pode contabilizar os valores investidos nestes projetos como Despesa Operacional em contas de Resultado, conforme segue: 6.1) CONTABILIZAÇÃO DO VALOR INVESTIDO: D - DESPESAS OPERACIONAL Projetos Sociais - Lei da Solidariedade Fundos de Sustenbilidade (10.000,00 + 25.000,00) C - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Banco do Projeto Valor pago ao Projeto da Lei da Solidariedade, conforme Recibo nº 000 C - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Banco do Projeto Valor pago ao Projeto da Lei da Solidariedade, conforme Recibo nº 000 R$ 2.500,00 6.2) CONTABILIZAÇÃO DA RECUPERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: D - IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A RECUPERAR ICMS a Recuperar C - DESPESA OPERACIONAL Valor pago ao Projeto da Lei da Solidariedade, Parcela do incentivo à cultura do Projeto Social "tal" conforme Recibo nº 000 - Lei da Solidariedade 7) BENEFÍCIO INDIRETO - REDUÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL NO IR e CS Como podemos observar em nossa simulação no item 05 o contribuinte teria um saldo devedor apurado em GIA mensal no mês imediatamente anterior ao do mês do investimento no valor de R$ 100.000,00 (Cem mil reais) e decidiu destinar para o projeto cultural 10% do seu saldo devedor de ICMS, ou seja, (Dez mil reais), gerando assim um desembolso de R$ 12.500,00 (Doze mil e quinhentos reais) acrescidos dos 25% dos Fundos de Sustentabilidade (conforme já explicado ), resultando nos seguintes benefícios:

FONTE A legi Lucro Tributável Apurado antes da apropriação do crédito de ICMS:... R$ 500.000,00 ICMS devido no mês anterior ao da apropriação do crédito:... R$ 100.000,00 Valor apropriado como crédito presumido de ICMS:... Valor apropriado como despesas operacional:... R$ 12.500,00 IR e CS devidos antes da apropriação:... R$ 101.000,00 Valor total do desembolso (despesa e recuperação de tributos):... R$ 12.500,00 ICMS devido após a apropriação do crédito:... R$ 90.000,00 IR e CS devidos após a apropriação do crédito:... R$ 100.375,00 Valor resultante de redução de tributos a pagar:... R$ 625,00 8) CONCLUSÃO E RESUMO: Analisando o quadro resumo acima, podemos verificar que o benefício junto ao fisco estadual fora de R$ (Dez mil reais) correspondente a 80% do valor investido, e junto ao fisco federal fora de R$ 625,00 (Seiscentos e vinte e cinco reais), correspondente a 5% (Cinco por cento) do valor investido. Resumindo, a decisão pelo investimento neste tipo de projeto gera um retorno total sobre o valor investido de 85%. ROBERTTO ONOFRIO CRC-RS 49.568 FONTES DE CONSULTA A legislação citada no texto, bem como os seus normativos; Páginas de Internet em especial a da Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimentos Social do Estado do Rio Grande do Sul - STDS Manual de Incentivos Fiscais do CRC-RS