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DECISÕES» ISS. 3. Recurso especial conhecido e provido, para o fim de reconhecer legal a tributação do ISS.

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A responsabilidade tributária na dissolução das sociedades. Cristiano Carvalho Pós-Doutor U.C. Berkeley e Livredocente

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AGRAVO INTERNO EM APELACAO CIVEL

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RECURSO ESPECIAL Nº RS (2003/ )

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RECURSO ESPECIAL Nº RO (2003/ )

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: DESEMBARGADOR FEDERAL LEOMAR BARROS AMORIM DE SOUSA : DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO

Responsabilidade Tributária: dissolução irregular, subsidiariedade, solidariedade e substituição tributária

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PROCESSO Nº TST-RR FASE ATUAL: E-ED

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5.ª REGIãO Gabinete da Desembargadora Federal Margarida Cantarelli

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Transcrição:

RECURSO ESPECIAL Nº 839.877 - RJ (2006/0083341-7) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : MARCUS DA SILVA DIAS E OUTRO ADVOGADO : GUILHERME DE JESUS E OUTROS RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MARCELO BARROSO MENDES E OUTROS EMENTA TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS INDICADOS NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. 1. Alegada impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica. Ausência de indicação de dispositivo legal supostamente violado. Aplicação da Súmula 284/STF. 2. A Corte a quo não emitiu juízo de valor acerca do tema supracitado. Falta de prequestionamento. Óbice que atrai, ainda, a incidência da Súmula 211/STJ. 3. Não se pode, diante da presunção de certeza e liquidez da Certidão de Dívida Ativa, inverter o ônus probatório para a exclusão dos sócios da execução fiscal. 4. Possuindo a CDA presunção juris tantum de liquidez e certeza, seria gravame incabível a exigência de que o Fisco fizesse prova das hipótese previstas no art. 135 do CTN. 5. Recurso especial improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator." Os Srs. Ministros Humberto Martins, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 15 de agosto de 2006 (Data do Julgamento). Ministro Castro Meira Relator Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 1 de 7

RECURSO ESPECIAL Nº 839.877 - RJ (2006/0083341-7) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : MARCUS DA SILVA DIAS E OUTRO ADVOGADO : GUILHERME DE JESUS E OUTROS RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS PROCURADOR : MARCELO BARROSO MENDES E OUTROS RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): Trata-se de recurso especial interpostos por Marcus da Silva Dias e outro, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão prolatado pelo TRF da 2ª Região, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE FISCAL. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. DESCABIMENTO. 1. O art. 135 do CTN estatui que o sócio gerente, os diretores ou representantes legais da pessoa jurídica respondem pelos créditos tributários quando praticam atos com excesso de poderes, ou infração à lei, contrato social ou estatuto. 2. Os agravantes não comprovaram que já haviam se afastado do cargo de direção da sociedade no período relativo ao crédito fiscal. Ao contrário, o contrato social da empresa e sua posterior alteração (fls. 49/54) revelam que, à época do inadimplemento da obrigação tributária (de 1995 a 1999), eram eles, de fato, os responsáveis pela gestão administrativa da sociedade. Portanto, é incabível asem exclusão de seus nomes do pólo passivo da lide. 3. A responsabilidade dos diretores de uma empresa advém de dispositivo legal, que tem por escopo a integral garantia do crédito fiscal. 4. Agravo de instrumento improvido" (fl. 124). Contra a decisão acima foram opostos embargos de declaração, rejeitados pelo Tribunal de origem (fl.156). O recorrente aponta a existência de violação ao disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional, alegando, em síntese, que o mero inadimplemento da obrigação de pagar tributos por parte da pessoa jurídica não pode ser considerado ato contrário à lei suficiente para ensejar o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente. Argumenta, ademais, que o sócio destituído de poderes de direção ou gerência não é pessoalmente responsável pelas dívidas da sociedade. Prossegue afirmando que, sem prova inequívoca da fraude ou violação de lei, contrato ou estatuto, o sócio é parte ilegítima pra figurar no pólo passivo da execução fiscal, cabendo o ônus de tal prova à Fazenda Pública exeqüente. Defende, ainda, ser inaplicável a desconsideração da personalidade jurídica de forma incidental ao processo de execução, impondo-se, para tanto, um processo cognitivo autônomo. Suscita dissídio jurisprudencial com julgado oriundo desta Corte de Justiça, no qual se decidiu que o inadimplemento da obrigação de tributos não configura violação à lei apta a ensejar a Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 2 de 7

responsabilização do sócio. A autarquia previdenciária ofertou contra-razões às fls. 195-199. Admitido o recurso especial na origem, subiram os autos a esta Corte de Justiça. É o relatório. Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 3 de 7

RECURSO ESPECIAL Nº 839.877 - RJ (2006/0083341-7) EMENTA TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS INDICADOS NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. 1. Alegada impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica. Ausência de indicação de dispositivo legal supostamente violado. Aplicação da Súmula 284/STF. 2. A Corte a quo não emitiu juízo de valor acerca do tema supracitado. Falta de prequestionamento. Óbice que atrai, ainda, a incidência da Súmula 211/STJ. 3. Não se pode, diante da presunção de certeza e liquidez da Certidão de Dívida Ativa, inverter o ônus probatório para a exclusão dos sócios da execução fiscal. 4. Possuindo a CDA presunção juris tantum de liquidez e certeza, seria gravame incabível a exigência de que o Fisco fizesse prova das hipótese previstas no art. 135 do CTN. 5. Recurso especial improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): No que diz respeito à alegada impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, o recorrente não discriminou qual dispositivo da legislação federal teria sido violado pelo acórdão recorrido. O recurso especial, todavia, é de fundamentação vinculada, não bastando que a parte indique o seu direito, sem que tenha veiculado o malferimento a algum dispositivo de lei infraconstitucional. Em casos tais, o conhecimento do recurso esbarra no óbice da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o seguinte precedente da Segunda Turma: "TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL - IMPOSTO DE RENDA - PARCELAS SALARIAIS RECEBIDAS MEDIANTE ORDEM JUDICIAL - RESPONSABILIDADE DE PAGAMENTO. 1. A jurisprudência do STJ é firme em exigir, para conhecimento do recurso especial, a indicação dos dispositivos legais ditos violados pelo acórdão impugnado. 2. Embora seja dispensável a indicação do dispositivo legal no acórdão, o que se chama de prequestionamento implícito, não se isenta a parte da indicação. 3. (...) 4. Recurso especial parcialmente conhecido e improvido" (REsp 573052/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 18.04.05). Ademais, tal temática não foi abordada em momento algum pelo acórdão recorrido, padecendo da falta do requisito indispensável do prequestionamento, viabilizador do acesso à instância especial, o que atrai, ainda, a incidência da Súmula 211/STJ. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso especial quanto à apontada violação ao disposto no art. 135 do CTN. Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 4 de 7

O INSS promoveu execução fiscal contra a sociedade comercial e seus diretores, incluídos como co-responsáveis na Certidão de Dívida Ativa, razão pela qual foi determinada a citação dos recorrentes. Com o objetivo de se verem excluídos do feito, os sócios aviaram petição (objeção de pré-executividade), que não foi acolhida pelo julgador de primeiro grau sob o argumento de que o período da dívida correspondia ao exercício da gerência pelos executados. Interposto agravo de instrumento, o Tribunal de origem manteve os sócios no pólo passivo da demanda, ao fundamento que estes não comprovaram seu afastamento do cargo de direção da sociedade no período relativo ao crédito fiscal. Considerou também a Corte regional que cabe ao exeqüente decidir contra quem pretende litigar, "não podendo o magistrado posicionar-se pela não inclusão ou exclusão dos co-responsáveis do pólo passivo da lide" (fl. 121). Por fim, acrescentou que, constando da Certidão de Dívida Ativa o nome dos co-responsáveis pelos créditos tributários, não é dado ao juiz excluí-los da demanda executiva. Esta Corte fixou o entendimento de que o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração legal capaz de ensejar a responsabilidade prevista no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Entretanto, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatutos. Sobre o tema, confiram-se: REsp 724.077/RS, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJU de 21.11.05; AgRg no Ag 662.610/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 22.08.05; REsp 732.143/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 19.09.05 e AgRg no REsp 739.717/MG, Rel. Min. Francisco Falcão, DJU de 03.10.05. Também é entendimento sedimentado o de que, constando da CDA o nome do sócio contra quem se pretende direcionar a execução, não é dado ao magistrado exigir outras provas da responsabilidade pelas dívidas tributárias da empresa, como requisito para o prosseguimento do executivo fiscal. Proposta a execução, simultaneamente, contra a pessoa jurídica e o sócio cujo nome constava da CDA, haverá inversão do ônus da prova, cabendo a este último demonstrar que não se faz presente qualquer das hipóteses autorizativas do art. 135 do CTN. Isso porque a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção relativa de liquidez e certeza e tem o efeito de prova pré-constituída, não podendo o Judiciário limitar o alcance dessa presunção. Nesse sentido, o seguinte precedente oriundo da Primeira Seção: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ART. 135 DO CTN. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE. EXECUÇÃO FUNDADA EM CDA QUE INDICA O NOME DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. DISTINÇÃO. 1. Iniciada a execução contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sócio-gerente, que não constava da CDA, cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN. Se a Fazenda Pública, ao propor a ação, não visualizava qualquer fato capaz de estender a responsabilidade ao Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 5 de 7

sócio-gerente e, posteriormente, pretende voltar-se também contra o seu patrimônio, deverá demonstrar infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, dissolução irregular da sociedade. 2. Se a execução foi proposta contra a pessoa jurídica e contra o sócio-gerente, a este compete o ônus da prova, já que a CDA goza de presunção relativa de liquidez e certeza, nos termos do art. 204 do CTN c/c o art. 3º da Lei n.º 6.830/80. 3. Caso a execução tenha sido proposta somente contra a pessoa jurídica e havendo indicação do nome do sócio-gerente na CDA como co-responsável tributário, não se trata de típico redirecionamento. Neste caso, o ônus da prova compete igualmente ao sócio, tendo em vista a presunção relativa de liquidez e certeza que milita em favor da Certidão de Dívida Ativa. 4. Na hipótese, a execução foi proposta com base em CDA da qual constava o nome do sócio-gerente como co-responsável tributário, do que se conclui caber a ele o ônus de provar a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. 5. Embargos de divergência providos" (EREsp 702.232/RS, DJU de 26.09.06). Repita-se que a manutenção dos sócios no pólo passivo da demanda executiva não implica afirmação final e peremptória sobre a sua responsabilidade tributária, que deverá ser objeto de apuração aprofundada por meio dos competentes embargos à execução. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É como voto. Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 6 de 7

CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA Número Registro: 2006/0083341-7 REsp 839877 / RJ Números Origem: 200251015043594 200302010091461 PAUTA: 15/08/2006 JULGADO: 15/08/2006 Relator Exmo. Sr. Ministro CASTRO MEIRA Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. DULCINÉA MOREIRA DE BARROS Secretária Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI AUTUAÇÃO RECORRENTE : MARCUS DA SILVA DIAS E OUTRO ADVOGADO : GUILHERME DE JESUS E OUTROS RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MARCELO BARROSO MENDES E OUTROS ASSUNTO: Execução Fiscal - Redirecionamento para Sócio Gerente CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator." Os Srs. Ministros Humberto Martins, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 15 de agosto de 2006 VALÉRIA ALVIM DUSI Secretária Documento: 639708 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJ: 25/08/2006 Página 7 de 7