EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.157.106 - MT (2009/0162827-3) RELATOR EMBARGANTE EMBARGADO : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES : ROGÉRIO LUIZ GALLO E OUTRO(S) : DANIELA ALLAM GIACOMET GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. TRIBUTAÇÃO SOBRE CHAMADAS INTERNACIONAIS (DDI) REALIZADAS PELA EMBRATEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EMPRESA DE TELEFONIA LOCAL QUE NÃO PRATICA O FATO GERADOR. ALEGADA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO À APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ E DO ART. 155, II, DA CF. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO EVIDENCIADOS. 1. Os embargos de declaração, ainda que manejados para fins de prequestionamento, são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade, nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. Na espécie, o acórdão embargado foi claro ao decidir que a apreciação do recurso especial não exige reexame de provas, mas da correta repercussão jurídica advinda dos fatos considerados pelo Tribunal estadual, sendo, portanto, inaplicável o veto contido na Súmula 7/STJ. O Colegiado consignou, ainda, que o fato de as operadoras locais serem responsáveis pela disponibilização de suas redes, faturamento e cobrança não as tornam contribuintes ou responsáveis pelo recolhimento do tributo incidente sobre chamadas internacionais que foram efetivamente prestadas por outra empresa, in casu, a Embratel. 3. No caso em tela, é desnecessário tecer quaisquer considerações acerca do art. 155, inciso II, da Carta Política, ainda que para fins de prequestionamento, na medida em tal preceito constitucional não versa sobre responsabilidade tributária. 4. Constata-se que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios. 5. Embargos de declaração rejeitados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 1 de 7
Ministro Relator. Licenciado o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 06 de setembro de 2011(Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 2 de 7
EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.157.106 - MT (2009/0162827-3) RELATOR EMBARGANTE EMBARGADO : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES : ROGÉRIO LUIZ GALLO E OUTRO(S) : DANIELA ALLAM GIACOMET GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(S) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Estado de Mato Grosso em face de acórdão prolatado pela Primeira Turma, assim ementado (fls. 1.075-1.076): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. TRIBUTAÇÃO SOBRE CHAMADAS INTERNACIONAIS (DDI) REALIZADAS PELA EMBRATEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EMPRESA DE TELEFONIA LOCAL QUE NÃO PRATICA O FATO GERADOR. ACÓRDÃO ESTADUAL EM DESACORDO COM PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. APELO NOBRE PROVIDO. VENCIDA A FAZENDA PÚBLICA. INSURGÊNCIA DA PARTE VENCEDORA CONTRA O JUÍZO DE SUCUMBÊNCIA PROFERIDO NA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO ART. 20, 4º, DO CPC. VERBA HONORÁRIA ARBITRADA EM 1% SOBRE O VALOR DA CAUSA. QUANTUM RAZOÁVEL. PRETENSÃO DE MAJORAÇÃO NÃO ACOLHIDA. 1. Agravos regimentais contra decisão que deu provimento ao recurso especial da empresa e julgou prejudicado o recurso especial do Estado de Mato Grosso. O ente público invoca as Súmulas 280/STF e 7/STJ e, no mérito, sustenta a legitimidade passiva da empresa. Esta, por sua vez, pugna pela majoração da verba honorária decorrente do provimento do recurso especial. 2. Não é o caso de aplicação da Súmula 280/STF, pois a Corte de origem decidiu a questão relativa à responsabilidade tributária a partir de interpretação da legislação federal pertinente, disciplinada nos arts. 11 e 12 da LC 87/96. A menção à cláusula de Convênio de ICMS (que, supostamente, complementaria o RICMS), transcrita pelo acórdão a quo, não pode ser considerada como fundamento autônomo, até porque tal cláusula nada fala sobre responsabilidade tributária. 3. A análise da pretensão recursal da empresa não exige reexame da prova, mas a correta repercussão jurídica advinda dos fatos considerados pelo Tribunal estadual; inaplicável, portanto, o óbice da Súmula 7/STJ. 4. As operadoras de telefonia local não respondem pelo ICMS-Comunicação incidente sobre as chamadas por elas não efetivadas, na medida em que não praticam o respectivo fato gerador. Assim, o fato de elas serem responsáveis pela Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 3 de 7
disponibilização de suas redes, faturamento e cobrança não as tornam contribuintes ou responsáveis pelo recolhimento do tributo incidente sobre chamadas internacionais que foram efetivamente prestadas por outra empresa, in casu, a Embratel. Precedentes: REsp 996.752/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/2/2009; REsp 589.631/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 27/2/2007. 5. Na espécie, o quantum arbitrado pela decisão agravada, de 1% sobre o valor atualizado dos embargos à execução (de R$ 8.168.965,57, em 10/11/2003), o que atualmente representa quantia superior a R$ 100 mil (cem mil reais), mostra-se suficiente para remunerar condignamente os patronos da empresa vencedora. 6. Agravos regimentais do Estado de Mato Grosso e da empresa não providos. O estado embargante alega que o acórdão recorrido está eivado de omissão. Para tanto, aduz que o Colegiado não se manifestou acerca das alegações concernentes à aplicação da Súmula 7/STJ na espécie, já que a "premissa fática que se apegou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso não guarda com relação com os precedentes julgados por esta Corte". Conclui (fl. 1.083): Daí, pois, a omissão na análise da tese deduzida no agravo regimental, porquanto o embargante, no referido recurso, mencionou expressamente que os fatos considerados pelo Tribunal Estadual são distintos dos precedentes julgados por esta Corte, já que, no âmbito das provas contidas nos autos, o tribunal de origem verificou que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo era da empresa de telefonia incumbida do faturamento resultante da realização da ligação internacional, porquanto, no caso, verificou que os usuários finais do serviço (contribuintes de fato) recolheram o ICMS exigido em suas faturas telefônicas. Por isso, o STJ não pode alterar o quadro fático constante do acórdão proferido pelo Tribunal de origem, que verificou que os usuários finais do serviço de ligações internacionais recolheram o ICMS cobrado pela ora Embargada nas faturas expediu e arrecadou. Além disso, afirma que o acórdão recorrido quedou-se silente quanto à aplicação do art. 155, inciso II, da Constituição Federal, "que assegura a incidência do ICMS nesta hipótese" (fl. 1.086). A parte embargada apresentou impugnação (fls. 1.094-1.096) pelas quais defende que é inaplicável a Súmula 7/STJ na espécie e que o dispositivo constitucional invocado (art. 155. II) não trata de responsabilidade tributária. É o relatório. Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 4 de 7
EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.157.106 - MT (2009/0162827-3) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. TRIBUTAÇÃO SOBRE CHAMADAS INTERNACIONAIS (DDI) REALIZADAS PELA EMBRATEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EMPRESA DE TELEFONIA LOCAL QUE NÃO PRATICA O FATO GERADOR. ALEGADA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO QUANTO À APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ E DO ART. 155, II, DA CF. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO EVIDENCIADOS. 1. Os embargos de declaração, ainda que manejados para fins de prequestionamento, são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade, nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. Na espécie, o acórdão embargado foi claro ao decidir que a apreciação do recurso especial não exige reexame de provas, mas da correta repercussão jurídica advinda dos fatos considerados pelo Tribunal estadual, sendo, portanto, inaplicável o veto contido na Súmula 7/STJ. O Colegiado consignou, ainda, que o fato de as operadoras locais serem responsáveis pela disponibilização de suas redes, faturamento e cobrança não as tornam contribuintes ou responsáveis pelo recolhimento do tributo incidente sobre chamadas internacionais que foram efetivamente prestadas por outra empresa, in casu, a Embratel. 3. No caso em tela, é desnecessário tecer quaisquer considerações acerca do art. 155, inciso II, da Carta Política, ainda que para fins de prequestionamento, na medida em tal preceito constitucional não versa sobre responsabilidade tributária. 4. Constata-se que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios. 5. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Como cediço, os embargos de declaração, ainda que manejados para fins de prequestionamento, são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade, nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. Na espécie, o acórdão embargado foi claro ao decidir que a apreciação do recurso especial não exige reexame de provas, mas da correta repercussão jurídica advinda dos fatos considerados pelo Tribunal estadual, sendo, portanto, inaplicável o veto contido na Súmula 7/STJ. Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 5 de 7
Frise-se que a alegação da recorrente de que, no caso concreto, a empresa de telefonia local cobrou e recebeu a exação dos consumidores finais, é desinfluente para o resultado da demanda, havia vista que, conforme assentado pelo acórdão ora impugnado, "o fato [de as operadoras locais] serem responsáveis pela disponibilização de suas redes, faturamento e cobrança não as tornam contribuintes ou responsáveis pelo recolhimento do tributo incidente sobre chamadas internacionais que foram efetivamente prestadas por outra empresa, in casu, a Embratel" (grifei). De igual forma, no caso em tela, é desnecessário tecer quaisquer considerações acerca do art. 155, inciso II, da Carta Política, ainda que para fins de prequestionamento, na medida em tal preceito constitucional não versa sobre responsabilidade tributária. Constata-se, portanto, que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É como voto. Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 6 de 7
CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA Número Registro: 2009/0162827-3 EDcl no AgRg no REsp 1.157.106 / MT Números Origem: 1293642008 827352006 EM MESA JULGADO: 06/09/2011 Relator Exmo. Sr. Ministro BENEDITO GONÇALVES Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro BENEDITO GONÇALVES Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. DARCY SANTANA VITOBELLO Secretária Bela. MÁRCIA ARAUJO RIBEIRO (em substituição) RECORRENTE ADVOGADO RECORRENTE RECORRIDO AUTUAÇÃO : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(S) : DANIELA ALLAM GIACOMET : ADRIANE SILVA COSTA E OUTRO(S) : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Impostos - ICMS/ Imposto sobre Circulação de Mercadorias EMBARGANTE EMBARGADO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO : ROGÉRIO LUIZ GALLO E OUTRO(S) : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTRO(S) DANIELA ALLAM GIACOMET CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Licenciado o Sr. Ministro Francisco Falcão. Documento: 1086662 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 13/09/2011 Página 7 de 7