QUANTIFICAÇÃO DE DOENÇAS

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Transcrição:

QUANTIFICAÇÃO DE DOENÇAS Prof. José O. Menten Colaboradores: Meyriele Pires de Camargo Felipe F. Sartori Ticyana Carone Banzato

Importância da quantificação Estudar a importância das doenças na cultura Determinar perdas Comparar a eficácia das medidas de controle Determinar a época de aplicação de fungicidas Avaliar a resistência de genótipos aos patógenos no melhoramento Estudar o progresso da doença ou de epidemias Elaborar modelos de previsão de doenças

Patometria Métodos diretos de quantificação de doenças (sintomas) Incidência Severidade Métodos indiretos de quantificação de doença (população do patógeno)

Métodos indiretos Sintomas pouco específicos/evidentes Ex.: enfezamento, redução do vigor, redução da produção Mais comum para doenças causadas por vírus e nematoides Uso de técnicas de diagnose para quantificação do patógeno

Métodos diretos: Incidência Porcentagem ou frequência de plantas ou órgãos doentes em uma amostra/população Simplicidade, precisão e facilidade de obtenção Limitações do seu uso para epidemiologia e na quantificação de danos

Incidência Tombamento em soja - Sclerotium rolfsii Mofo branco em soja Sclerotinia sclerotiorum

Incidência Padrão espacial da doença disseminação da doença

Métodos diretos: Severidade Porcentagem da área ou do volume do tecido coberto por sintomas Maior precisão; expressa com maior fidelidade a intensidade da doença no campo e os danos causados Trabalhoso e demorado; dependente da acuidade do avaliador e da escala Uso de chaves descritivas, escalas diagramáticas e análises de imagens computadorizadas

Severidade:chaves descritivas Escalas arbitrárias com um número variável de graus ou classes para quantificar doenças Exemplo: Mancha preta do amendoim 1 = Sem mancha 2 = Com pouca doença, ou seja, folíolos com 0,5 a 3,0% de área infectada (1 a 10 manchas/ folíolo) 3 = Nível regular de doença, folíolos com 6 a 9% de área infectada (ou 11 a 25 manchas/folíolo) Fonte: Moraes, 2006 4 = Nível alto de doença, folíolos com mais de 9% de área infectada (mais de 25 manchas /folíolo).

Severidade: escalas diagramáticas São representações ilustradas de plantas ou partes de plantas com sintomas em diferentes níveis de severidade Exemplo: Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha alvo da soja Fonte: Soares et al., 2009

Severidade: escalas diagramáticas Aplicáveis em diferentes condições Uso bem sucedido, especialmente na seleção de materiais resistentes em programas de melhoramento Exige certa experiência do avaliador: seu uso constante melhora a acurácia e precisão dos avaliadores

Severidade: escalas diagramáticas Conceitos: Acurácia: proximidade entre o valor estimado da quantidade real de doença Precisão: variação associada com a estimativa da quantidade de doença Reprodutibilidade: variabilidade dos valores estimados entres dois avaliadores Repetibilidade: variabilidade dos valores estimados para cada avaliador em diferentes tempos de avaliação

Severidade: Escalas diagramáticas Precisão x Acurácia Fonte: http://www.baseaerofoto.com.br/faq/

Elaboração de escalas diagramáticas Coleta do material vegetal doente Obtenção de imagens (scanner, fotografia) Determinar a severidade real (Softwares, ex.: Quant) Análise dos resultados Validação da escala Diagramas de severidade da doença Acurácia Precisão Reprodutibilidade Repetibilidade Avaliadores avaliam uma sequência de imagens com diferentes níveis de severidade sem e com o uso da escala Definir intervalos de severidade

Severidade estimada (%) Elaboração de escalas diagramáticas Como determinar a acurácia e precisão dos avaliadores? Acurácia e precisão: obtidas pela regressão linear simples entre a severidade real e a severidade estimada, sem e com o uso da escala diagramática para cada avaliador 80 60 40 20 0 y = 0,9348x + 0,5978 R² = 0,9138 0 20 40 60 80 Severiddade Real (%)

Elaboração de escalas diagramáticas - Acurácia: Eq. de regressão: y = bx + a Teste T aplicado ao intercepto da regressão linear (a), para testar se foi, significativamente diferente de 0, e ao coeficiente angular da reta (b), para testar se foi significativamente diferente de 1. Se a =0 e b=1 o avaliador apresenta boa acurácia A acurácia é tanto maior quanto mais próximo de 0 for a e mais próximo de 1 for b

Elaboração de escalas diagramáticas - Precisão: Eq. de regressão: y = bx + a Coeficiente de determinação da regressão Linear (R 2 ): Quanto mais próximo de 1,0 for o R 2, maior a precisão do avaliador Erro absoluto (severidade estimada menos a severidade real): quanto menor o erro absoluto, maior a precisão do avaliador

Severidade: análise de imagens Uso de softwares Ex.: QUANT - Software para quantificação de doenças de plantas, UFV, 2003.

Exercício Escala diagramática Avaliar o desempenho de cada avaliador (com e sem o uso da escala diagramática) e entre os avaliadores (com e sem o uso da escala diagramática) em relação à acurácia e precisão Acurácia: comparar os valores de a e b da regressão linear Precisão: no exercício, comparar apenas os valores de R 2 da equação de regressão linear

Obrigado!! jomenten@usp.br meyrielecamargo@usp.br