3º EM Literatura Dina Aval. Rec. Par. 18/04/11 Texto para a questão 1 AUTO DA LUSITÂNIA Entra Todo o Mundo, homem como rico mercador, e faz que anda buscando - Outra adição nos acude: alguma cousa que se lhe perdeu; e logo escreve aí, a fundo, após ele um homem, vestido como pobre. que busca honra Todo o Mundo, Este se chama Ninguém, e diz: e Ninguém busca virtude. - Que andas tu aí buscando? - Buscas outro mor bem qu'esse? - Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, - Busco mais quem me louvasse porém ando perfiando, tudo quanto eu fizesse. por quão bom é perfiar. - E eu quem me repreendesse - Como hás nome, cavaleiro? em cada cousa que errasse. - Eu hei nome Todo o Mundo, - Escreve mais. e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro, - Que tens sabido? e sempre nisto me fundo. - Que quer em extremo grado - E eu hei nome Ninguém, Todo o Mundo ser louvado, e busco a consciência. e Ninguém ser repreendido.(...) (Todo o Mundo para Ninguém) - Esta é boa experiência! - E mais queria o paraíso, Dinato, escreve isto bem. sem mo ninguém estorvar. - Que escreverei, companheiro? - E eu ponho-me a pagar quanto devo pera isso. - Que Ninguém busca consciência e Todo o Mundo dinheiro. - Escreve com muito aviso. (Ninguém para Todo o Mundo) - E agora que buscas lá? - Que escreverei? - Busco honra muito grande. - Escreve que Todo o Mundo quer paraíso, - E eu virtude, que Deus mande e Ninguém paga o que deve. que tope co ela já.
1. Na cena da farsa AUTO DA LUSITÂNIA atuam os personagens Todo o Mundo e Ninguém, e, intercaladamente, Berzebu e Dinato. Os diálogos entre estes dois últimos estabelecem uma ambigüidade semântica com respeito aos dois primeiros. Qual personagem se responsabiliza diretamente por promover a ambiguidade? 2. Explique a ambiguidade que adquirem os nomes Todo o Mundo e Ninguém. Texto para a questão 3 No mundo não conheço ninguém igual a mim, enquanto acontecer o que me aconteceu, pois eu morro por vós e ai! Minha senhora alva e rosada, quereis que vos lembre que já vos vi na intimidade! Em mau dia eu me levantei Pois vi que não sois feia! A RIBEIRINHA - TRADUÇÃO E, minha senhora desde aquele dia, ai! Venho sofrendo de um grande mal enquanto vós, filha de dom Paio Muniz, a julgar forçoso que eu lhe cubra com o manto pois eu, minha senhora nunca recebi de vós a coisa mais insignificante. 3. Classifique a cantiga de Airas Nunes em um dos dois gêneros, apresentando a justificativa dessa resposta. Texto para a questão 4 Cessem do sábio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano A fama das vitórias que tiveram; Que eu canto o peito ilustre Lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram. Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta. 4. A oitava anterior constitui a terceira estrofe de OS LUSÍADAS, de Luís de Camões, poema épico publicado em 1572, obra máxima do Classicisismo português. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e fora introduzido na Literatura Portuguesa algumas décadas antes, por Sá de Miranda. Releia a estrofe citada e indique o tipo de verso utilizado (pode mencionar simplesmente o número de sílabas métricas); Texto de Camões para a questão 5 Quando da bela vista e doce riso, tomando estão meus olhos mantimento, tão enlevado sinto o pensamento que me faz ver na terra o Paraíso. Tanto do bem humano estou diviso, que qualquer outro bem julgo por vento; assi, que em caso tal, segundo sento, assaz de pouco faz quem perde o siso. Em vos louvar, Senhora, não me fundo, porque quem vossas cousas claro sente, sentirá que não pode merecê-las. Que de tanta estranheza sois ao mundo, que não é d'estranhar, Dama excelente, que quem vos fez, fizesse Céu e estrelas. Tomando mantimento - tomando consciência. Estou diviso - estou separado, apartado. Sento - sinto. Não me fundo - não me empenho. 5. Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.
6. Assinale a alternativa INCORRETA. a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias seguindo a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista. b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva. c) A literatura seiscentista reflete um dualismo: o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão. d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações. e) O Conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o Cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. 7. O século XVI deve ser reconhecido, na história da literatura brasileira, como um período de a) manifestações literárias voltadas basicamente para a informação sobre a colônia e para a catequese dos nativos. b) amadurecimento dos sentimentos nacionalistas que logo viriam a se expressar no Romantismo. c) exaltação da cultura indígena, tema central dos poemas épicos de Basílio da Gama e Santa Rita Durão. d) esgotamento do estilo e dos temas barrocos, superados pelos ideais estéticos do Arcadismo. e) valorização dos textos cômicos e satíricos, em que foi mestre Gregório de Matos. Texto para a questão 8 Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de águas disfarçado; Rio de neve em fogo convertido: SONETO Tu, que em um peito abrasas escondido; Tu, que em um rosto corres desatado; Quando fogo, em cristais aprisionado; Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas bradamente, Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania, Como quis que aqui fosse a neve ardente, Permitiu parecesse a chama fria. 8. Considere atentamente as seguintes afirmações sobre o poema de Gregório de Matos: I- O par fogo e água, que figura amor e contentação, passa por variações contrastantes. II- O poema evidencia a "fórmula da ordem barroca" ditada por Gérard Genette: diferença transforma-se em oposição, oposição em simetria e simetria em identidade. III- O poema inscreve, no âmbito da linguagem, o conflito vivido pelo homem do século XVII. De acordo com o poema, pode-se concluir que: a) são corretas todas as afirmações. b) são corretas apenas as afirmações I e II. c) são corretas apenas as afirmações I e III. d) é correta apenas a afirmação II. e) é correta apenas a afirmação III.