PROJETO DE LEI Nº, DE 2005



Documentos relacionados
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO PARANÁ - SESA SUPERINTENDÊNCIA DE VIGILÂNCIA. Nota Técnica nº 08/13 DVVSA/CEVS/SESA 29 de agosto 2013.

*RESOLUÇÃO SMSDC Nº DE 16 DE FEVEREIRO DE 2009

ANEXO I REGULAMENTO TÉCNICO PARA O TRANSPORTE DE ALIMENTOS, MATÉRIA- PRIMA, INGREDIENTES E EMBALAGENS.

NOTA: Procedimentos revistos pela ASAE

PARCERIAS MAPA MS ABIA INMETRO ABNT PIF ANDEF SUPORTE INSTITUCIONAL

Alimentos Minimamente Processados : controle sanitário e legislação

6 CURSO DE CONTROLE DE QUALIDADE NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

Enquadramento legal Item da RDC ANVISA Nº 216/04. N Recipientes para coleta de resíduos Item da RDC

PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DO OESTE

RESOLUÇÃO SESA Nº 465/2013 (Publicada no Diário Oficial do Estado nº 9036, de 04/09/13)

PROJETO DE LEI Nº., DE DE DE 2012.

BOAS PRÁTICAS EM SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO: Segurança ao Cliente, Sucesso ao seu Negócio!

NORMAS DE HIGIENE E SEGURANÇA - TASQUINHAS DAS FESTAS DO BARREIRO

Art. 1º - O artigo 104 do Decreto Estadual nº , de 20 de fevereiro de 1987, passa a vigorar com a seguinte redação:


CURSO DE GASTRONOMIA Disciplina : matérias primas Conceito e Tipo de Matéria Prima

Esclarecimento 13/2014

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O que faz um Responsável Técnico em Restaurantes comerciais

QUALIDADE DA CONSERVAÇÃO, MANIPULAÇÃO E HIGIENIZAÇÃO DOS PEIXES COMERCIALIZADOS NOS BOXES DO MERCADO PÚBLICO DE SÃO JOSÉ EM RECIFE-PE.

PROJETO DE LEI Nº, DE 2011

RESOLUÇÃO nº 12 DE 22 DE OUTUBRO DE 2009

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA INDAIATUBA/SP

Esclarecimento 8/2014

Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos. SEÇÃO II - Composição e Informações Sobre os Ingredientes

FORMULÁRIO DE AUTO-INSPEÇÃO PARA SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO

Diário Oficial da União Seção 1 DOU 26 de julho de 1999

BOAS PRÁTICAS NO PREPARO DE ALIMENTOS

CARTILHA BEM-ESTAR PATROCÍNIO EXECUÇÃO

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE 2010

SIM NÃO B. Equipamentos limpos (geladeira, freezer, fogão, batedeira) SIM NÃO C. Utensílios limpos (panelas, canecas, pratos, talheres)

Menu Dzetta. Alimento seguro é sempre um bom negócio! para que você atenda seus clientes com Segurança e Qualidade!

BOAS PRÁTICAS. Fonte: Manual Boas Práticas Agrícolas para a Agricultura Familiar

PROJETO DE LEI N o, DE 2012

REGIMENTO INTERNO DOS LABORATÓRIOS DE QUÍMICA E FÍSICA DO CAMPUS CAÇAPAVA DO SUL TÍTULO I DOS FINS

MANUAL DE BOAS PRÁTICAS DE ARMAZENAMENTO E NA ÁREA DE VENDA

PROJETO DE LEI Nº DE 2007 ( Do Sr. Alexandre Silveira)

PARECER Nº, DE RELATORA: Senadora MARTA SUPLICY I RELATÓRIO

ESTABELECIMENTOS DE RESTAURAÇÃO E BEBIDAS [recomendações]

PORTARIA CRN-3 nº 0112/2000

Mantenha as portas e as janelas abertas, inclusive nos dias frios, para evitar o aumento de germes no ar, o que facilita a transmissão de doenças.

Produção Segura de Hortaliças. Leonora Mansur Mattos Embrapa Hortaliças

FISPQ (FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS.) DETERGENTE EUCALIPTO GEL 1- IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DA EMPRESA:

COMIDA DE RUA: SEGURANÇA ALIMENTAR E CRITÉRIOS DE FISCALIZAÇÃO SANITÁRIA

Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos VEDAPREN FAST - TERRACOTA

PROJETO DE LEI /2009 dos Vereadores Claudio Fonseca (PPS) e Jose Police Neto (PSD) Consolida a legislação municipal sobre alimentação escolar,

Treinamento: FSSC / Versão 3 Formação de auditores internos

DATA: 04/05/2015 ARENA DO CONHECIMENTO TEMA: BOAS PRÁTICAS NA MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS PALESTRANTE: NÁDYA MOLINA

PORTARIA CRN-3 N. 262/2012

REVISTA SAÚDE TRABALHAR COM TRABALHAR COM A POR ONDE COMEÇAR? 29/9/2010 SETEMBRO DE 2010 UFSM UFSM. PPHO na Indústria de Laticínios

Tania Pich Gerente Geral de Saneantes - ANVISA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS PROGRAMA DE ENSINO DE DISCIPLINA

AÇÕES DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE NAS ILPI

SEGURANÇA ALIMENTAR PROGRAMA QUALIDADE PARA ÁFRICA OCIDENTAL SUPORTE A COMPETITIVIDADE E HARMONIZAÇÃO DOS ACORDOS OTC E SPS

REGULAMENTO TÉCNICO MERCOSUL DE PORÇÕES DE ALIMENTOS EMBALADOS PARA FINS DE ROTULAGEM NUTRICIONAL

FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTO QUÍMICO (FISPQ) NOME DO PRODUTO: BIOFLOC 1601

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL MUNICÍPIO DE CHARQUEADAS COMUMA - CONSELHO MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos - FISPQ ADESIVO PISOFIX - OBRAFIX

HACCP no Dom Pedro Baía

1 Boas Práticas de Utilização 1.1 Normas de Qualidade Higiene e Ambiente - Água

Guia de Boas Práticas

CHECKLIST DA RDC 16/2013

III Mostra Nacional de Produção em Saúde da Família IV Seminário Internacional de Atenção Primária/ Saúde da Família. Brasília, 08 de Agosto de 2008

DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS

COMIDA DE ESCOLA NA COZINHA. O que é?

Rotulagem de alimentos embalados. Prof. Ismar Araújo de Moraes Departamento de fisiologia e Farmacologia da UFF Medico Veterinário S/SUBVISA-RIO

CONCEITOS E APLICAÇÃO DA NORMA ISO 22000

O manipulador de alimentos tem que conferir todas as informações do rótulo?

Competências Técnicas

LEI Nº 740, DE 03 DE NOVEMBRO DE 2009.

LEI Nº 1550, DE 17 DE ABRIL DE 2008

Avaliação de Risco e Pontos de Controlo Críticos (ANÁLISE DE PERIGOS E PONTOS de CONTROLO CRÍTICOS - HACCP)

Boas Práticas de Manipulação em Serviços de Alimentação. Módulo 6 - Etapas da Manipulação dos Alimentos

COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO PROJETO DE LEI N.º 2.079, DE 2011.

CHECK - LIST - ISO 9001:2000

FISPQ - FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA SOBRE PRODUTO QUÍMICO. Preparado: Este produto é uma composição de cargas minerais.

CHEFE DE COZINHA (M/F)

APLICAÇÃO DA FERRAMENTA FMEA NOS PROCESSOS DA MICRO EMPRESA MARMITEX EXPRESS

Curso Chef 600h. Traços programáticos. Palestra Laticínios e derivados na cozinha - Santa Clara e Cooperbufalo - 4horas

PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO FIC AGENTE DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

O consumidor deve estar atento às informações do rótulo?

LEI DO BOM SAMARITANO

Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico Nome do produto: PIROFOSFATO DE SÓDIO DM80

QUESTIONÁRIO DO MERENDA ESCOLAR. MERENDA ESCOLAR Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)

1.1. Nutricionista Entrevistado(a) CRN- Estatutário [ ] Celetista [ ] Contratado [ ] Concursado Celetista [ ] Outro [ ] CRN- RT / QT

PROJETO DE LEI Nº DE 2011 (Do Sr. MANATO)

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO CONSELHO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO SECRETARIA DOS ÓRGÃOS COLEGIADOS

Lista de Verificação de Cantinas Escolares

NOVA PORTARIA VIGILÂNCIA SANITÁRIA PORTARIA Nº 2619/2011-SMS.G QUE REVOGA A PORTARIA Nº 1210

Associação Educativa Evangélica FACULDADE RAÍZES. Plantando Conhecimento para a Vida. Regulamento do Núcleo de Atividades Complementares NAC

FICHA DE INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA DO PRODUTO QUÍMICO NAFTALINA

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA DIRETORIA COLEGIADA RDC N 24, DE 8 DE JUNHO DE 2015

Alimentação saudável. Nídia Braz Outubro, 2012

Critérios de classificação:

Nome do produto: Botatop Imper Flex (B) FISPQ nº: 1207 Data da última revisão: 02/04/2007

Transcrição:

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (Do Sr. Alex Canziani) Dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de cozinheiro. Congresso Nacional decreta: Art. 1º Considera-se cozinheiro, para efeitos desta Lei, aquele que manipula e prepara alimentos, observando os processos de cocção, os padrões de qualidade, os métodos de conservação e as boas práticas de manipulação dos alimentos em meios de hospedagem, restaurantes, bares, quiosques, hospitais, escolas, indústrias, residências e similares. Art. 2º Somente poderão exercer a profissão de cozinheiro os portadores de comprovantes de habilitação em cursos ministrados por instituições oficiais ou privadas, nacionais ou estrangeiras, ou aqueles, que à data de promulgação desta Lei, estejam exercendo efetivamente a profissão há, pelo menos, três anos. Art. 3º São atividades específicas do cozinheiro: I. Realizar os procedimentos de abertura e fechamento da área de trabalho: a) Organizar os utensílios de trabalho; e b) Preparar a mise-en-place. II. Manter higiene pessoal ao manusear alimentos e bebidas:

2 a) Manter o corpo, as roupas e os calçados limpos e preparados para o trabalho, antes e durante o manuseio dos alimentos e bebidas; b) Higienizar as mãos, as unhas e os antebraços antes de realizar suas atividades; c) Respeitar as regras com relação ao afastamento do profissional de atividades de manipulação de alimentos, em caso de ferimentos e outras afecções na pele que propiciem contaminação; e d) Identificar e desenvolver hábitos no trabalho que previnam a contaminação dos alimentos. III. Utilizar adequadamente todos os equipamentos e utensílios básicos de cozinha: a) Conhecer os procedimentos para ligar, desligar e limpar os equipamentos de cozinha. IV. Medir, registrar e ajustar a temperatura no armazenamento e processamento de forma a promover a inocuidade dos alimentos: a) Utilizar termômetro e registrador de temperatura; b) Conhecer os limites críticos para temperatura e tempo de armazenamento, processamento e serviço de acordo com as boas práticas e a legislação pertinente; c) Medir e registrar o tempo e a temperatura e, se necessário, aplicar e documentar as ações corretivas para atender as boas práticas; e d) Aplicar as técnicas de manutenção dos alimentos até o consumo (quentes ou frios). V. Identificar os gêneros alimentícios de acordo com a sua classificação: frutas, legumes, verduras, tubérculos, cereais, ovos, laticínios, aves, peixes, crustáceos, carnes, farináceos, grãos, ervas, condimentos, massas, conservas, entre outros. VI. Conhecer os ingredientes e insumos básicos da cozinha e as alternativas de substituição. VII. Pré-preparar os alimentos:

3 a) Limpar e marinar carnes, aves, pescados e vegetais; b) Porcionar alimentos; c) Preparar molhos; d) ) Pré-cozinhar alimentos; e e) Utilizar as técnicas adequadas de refrigeração, congelamento, descongelamento e dessalgue para garantir a segurança dos alimentos. VIII. Preparar os alimentos: a) Aplicar os processos de cocção utilizando os produtos alimentícios específicos das receitas; b) Empregar as técnicas de combinação de alimentos de acordo com cor, textura, aroma, paladar e aspecto visual; c) Preparar os pratos, observando os critérios de: higienlzação dos gêneros alimentícios, corte, gramaturas e métodos de cocção; d) Empregar de forma adequada as técnicas de manipulação e processamento dos alimentos. IX. Prevenir a contaminação dos alimentos: a) Manter a área de trabalho, os equipamentos e os utensílios em condições higiênico-santárias conforme as boas práticas, a legislação pertinente e as recomendações fornecidas pelos fabricantes dos produtos para higienização dos equipamentos e utensílios; b) Limpar e sanitizar a área de trabalho, os equipamentos e utensílios; c) Higienizar os alimentos de acordo com a legislação, as boas práticas e as instruções específicas de rotulagem; d) Manusear alimentos, observando condições apropriadas, inclusive quanto ao uso de luvas, tábuas de corte e outros utensílios; e) Preparar os alimentos com utensílios adequados e em superfícies higienizadas; f) Identificar a ocorrência de vetores e pragas, e aplicar procedimentos operacionais para prevenir a infestação de acordo com a legislação e as boas práticas.

4 X. Por em prática as técnicas adequadas de utilização de sobras na cozinha. XI. Lixo: a) Manter os recipientes de lixo devidamente limpos, forrados e tampados; b) Remover o lixo para áreas apropriadas; c) Armazenar em recipientes cobertos; d) Classificar e separar o lixo orgânico do inorgânico. XII. Atender e resolver adequadamente os problemas e reclamações de clientes, tendo em conta a necessidade de assegurar um bom clima relacional. Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. JUSTIFICAÇÃO A atividade de preparar refeições é tão antiga quanto a existência do próprio homem. Porém, para além do ambiente doméstico, a profissão de cozinheiro tornou muito diversificada e complexa. Hoje, esta atividade é vital para um grande número de empreendimentos, especialmente os setores de turismo e restaurantes. O fornecimento comercial de refeições depende da figura do cozinheiro, e de sua atuação não só o sucesso do empreendimento, como também a saúde e a satisfação dos milhares de consumidores que todos os dias, por trabalho ou lazer, alimentam-se em estabelecimentos comercias. Desse modo, a necessidade de regulamentar o exercício dessa importante profissão tem muitos propósitos: a) garantir, por meio de uma maior controle sobre a formação e a conduta dos cozinheiros, que os consumidores não correrão riscos sanitários; b) contribuir para o aperfeiçoamento profissional do cozinheiro e de toda a cadeia de empreendimentos produtivos ligados ao ramos de alimentação, que hoje responde por milhares de empregos e necessita tornar-se competitivo de acordo com os padrões de qualidade

5 internacionais para continuar a atrair investimentos para o setor. c) Valorizar a profissão e o profissional, estimulando o ingresso de novos talentos para a cozinha. Sendo, pois, inegável a importância da aprovação dessa matéria, pedimos, aos nossos pares, o necessário apoio par a aprovação do Projeto. Sala das Sessões, em de de 2005. Deputado ALEXIS CANZIANI 2005_122441_Alex Canziani_198