Riscos Biológicos. Como atender a NR 32



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Transcrição:

Riscos Biológicos Como atender a NR 32

Risco Biológico nas NRs NR 9: agentes biológicos nos ambientes de trabalho que são capazes de causar danos à saúde do trabalhador, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição NR 32: risco biológico é a probabilidade de exposição ocupacional a agentes biológicos 16/11/2011 2

O Risco Biológico 2 fatores a definir O que são agentes biológicos capazes de danos? Qual a probabilidade da exposição ocupacional? 16/11/2011 3

Agentes Biológicos NR 32 Bactérias, fungos, protozoários, vírus, riquétsias, clamídias e parasitas parasitas: vermes, artrópodes ácaros, pulgas, piolhos Microrganismos geneticamente modificados, culturas de células de organismos multicelulares Substâncias ou produtos de origem biológica: toxinas, enzimas, príons, etc 16/11/2011 4

Agentes Biológicos São seres vivos ou suas partes com potencial de causar danos à saúde humana Tipos de danos: infecções: micobactérias parasitoses: esquistossomo, tripanossomo intoxicação: toxina botulínica, venenos de cobras alergias: pólen, fungos, fezes de ácaros doenças autoimunes: estreptococo do grupo A carcinogênicos: HPV, vírus das hepatites B e C teratogênicos: rubéola 16/11/2011 5

Dano após Exposição Dano é definido em função da relação do patógeno com o organismo não é inerente ao microrganismo (patógeno): NR 9 estritos : causam dano na maior parte dos expostos normalmente de transmissão pessoa-a-pessoa mecanismos de transmissão oportunistas: causam dano em uma fração menor dos expostos expostos com comprometimento do sistema imunológico normalmente de fontes ambientais 16/11/2011 6

Potencial de Dano Não é inerente ao patógeno características do microrganismo são pouco informativas Resultado da interação patógeno-hospedeiro dados epidemiológicos é que dão melhor indicação do potencial de dano 16/11/2011 7

Classificação dos Agentes Classe de Risco Risco individual Risco à coletividade Profilaxia ou tratamento 1 baixo baixo não se aplica 2 moderado baixo existem 3 elevado moderado para alguns 4 elevado elevado não existem ainda 16/11/2011 8

Classificação dos Agentes Exposição com intenção deliberada: manipulação direta do agente biológico como objeto principal do trabalho p.ex., cultivo de microrganismos nível de contenção correspondente, no mínimo, ao da maior classe de risco dentre os agentes presentes Exposição sem intenção deliberada: manipulação indireta do agente biológico, pois este não é o objeto principal do trabalho p.ex., manipulação de amostras biológicas medidas e procedimentos de proteção e prevenção definidos após avaliação do risco biológico 16/11/2011 9

Classificação dos Agentes Classificações existentes são voltadas à saúde pública Pode-se adaptar da seguinte forma: Classe 1: risco individual quase inexistente Classes 2 e 3: risco individual variando de baixo a alto analisar caso a caso, considerando patogenicidade, virulência e possibilidade de deixar seqüelas Classe 4: risco individual e coletivo muito altos tratar como situação emergencial, com medidas rápidas e imediatas, como se fosse uma atmosfera IPVS 16/11/2011 10

Interação negativa Limites de Exposição? desequilíbrio na relação entre o agente biológico e o organismo exposto deixa rastros: biomarcadores Únicos biomarcadores de exposição para patógenos: sorológicos limitação: resposta imunológica a infecções bacterianas e parasitárias é limitada, temporária e inespecífica sorologias boas na determinação de infecções virais Outros biomarcadores, como a contagem de subpopulação de leucócitos ou a produção de óxidos de nitrogênio nos pulmões são possíveis testes insuficientes para seres humanos 16/11/2011 11

2º Probabilidade da Exposição Exposição ocupacional ambiente de trabalho com maior probabilidade de exposição que outros agentes biológicos são disseminados nos vários ambientes Por um aumento na presença dos agentes mais fontes de exposição: principalmente pacientes capacidade de propagação Porque as vias de exposição estão presentes via adicional: perfurocortantes 16/11/2011 12

Maior probabilidade - HBV Estudos epidemiológicos: NTEP 16/11/2011 13

Como Estimar a Probabilidade Levantar as fontes, não os agentes: inviável determinar previamente a presença do agente biológico presumir a presença dos agentes nas fontes quais são as fontes de exposição e onde se localizam outras pessoas, como pacientes fontes ambientais: superfícies, perfurocortantes, vetores, água, alimentos, ar... 16/11/2011 14

Como Estimar a Probabilidade Verificar detalhadamente quais são as vias de exposição e onde estão presentes assumir a presença do agente nas vias de exposição por isso, observar em detalhes onde e como são realizadas as atividades laborais de cada função 16/11/2011 15

Risco Biológico na Prática Levantar as doenças transmissíveis presentes a partir de dados epidemiológicos Levantar as fontes de exposição presentes Observar situações em que possa ocorrer contato entre a fonte de exposição e o trabalhador Observar se não há barreira que bloqueie a via de transmissão 16/11/2011 16

Avaliação PPRA na NR 32 Identificação e caracterização do risco biológico, considerando: doenças mais prováveis no serviço (item e) fontes (pacientes e ambientais) comprovadas e possíveis (depende do item e) Só então apontar os agentes presumidos mais prováveis - correspondentes aos que causam as doenças mais prováveis 16/11/2011 17

Avaliação PPRA na NR 32 Descrição dos agentes presumidos vias de exposição (transmissão) persistência estimativa da gravidade do dano (patogenicidade, virulência) Anexo II (tabela) pode ser usada como orientador, como guia Dados já conhecidos sobre doenças e agentes etiológicos: CCIHs, literatura, etc 16/11/2011 18

Avaliação do Risco Biológico Identificação e caracterização do agente: levantamento das doenças mais prováveis no serviço identificar e localizar as fontes comprovadas e as possíveis Caracterização da exposição: por fonte identificada como são transmitidos e penetram a pessoa exposta quantos agentes (difícil determinar) Avaliação do risco qualitativa: gravidade do dano (tabela), caracterização da exposição, número de pessoas que podem ser afetadas 16/11/2011 19

Avaliação PPRA na NR 32 Guideline for Isolation Precautions: http://www.cdc.gov/ncidod/dhqp/gl_isolation.html 16/11/2011 20

Vigilância Epidemiológica Obter taxas acerca da realidade epidemiológica usar definições padrão de infecção usar dados laboratoriais, quando disponíveis Identificar surtos antes da disseminação Avaliar eficácia e efetividade das medidas de prevenção e proteção Determinar áreas, situações e serviços que merecem atenção especial 16/11/2011 21

Vigilância Epidemiológica Coletar variáveis epidemiologicamente significativas localização das fontes, fatores de risco específicos, condições que predispõem a efeitos adversos graves Analisar dados para identificar tendências de aumento ou diminuição Avaliar fatores possivelmente associados à variação do evento estudado Divulgação de informações pertinentes 16/11/2011 22

Fontes e reservatórios Fontes ambientais surto por fonte única sempre que houver material orgânico resíduos, superfícies sujas, alimentos, objetos sujos, dejetos... sempre que houver água fontes de água: caixas d água, poços, poças de água no chão, vasos sanitários, bandeja do condicionador de ar, caldeiras, torres de resfriamento... sempre que houver umidade paredes úmidas, aerossóis no ar sempre que houver um veículo contaminado qualquer objeto, perfurocortantes... 16/11/2011 23

Fontes e reservatórios Fontes não ambientais surto por fonte propagada sempre que houver outras pessoas transmitindo sintomáticas ou assintomáticas mãos, fala, espirro, tosse... sempre que houver vetores transmitindo ratos, baratas, mosquitos... 16/11/2011 24

Transmissão e Portas de Entrada Via de transmissão Contato direto - Por gotículas - Transmissão por aerossóis Contato indireto Porta de entrada Pele, mucosas, oral, olhos Aparelho respiratório, oral, olhos Aparelho respiratório Pele, mucosas, oral, olhos, parenteral 16/11/2011 25

Transmissão em Serviços de Saúde Contato direto: ao virar o paciente, dar banho, outros procedimentos de cuidados ao paciente, respiração boca-a-boca por gotículas: quando o paciente tosse, espirra, fala, nos procedimentos de sucção, entubação endotraqueal ou broncoscopia transmissão aérea: ao respirar o ar contendo bioaerossóis Contato indireto: mãos, perfurocortantes, luvas, roupas, roupas de cama, instrumentos, vetores, água, alimentos, superfícies 16/11/2011 26

Alguns Agentes e Fontes S. aureus resistente Pacientes e trabalhadores colonizados, fontes ambientais pouco importantes Legionella pneumophila Mycobacterium tuberculosis HBV, HCV e HIV Coronavírus (síndrome respiratória aguda grave), influenza e vírus sincicial respiratório Enterovírus incluindo o vírus da hepatite A Varicela, sarampo e rubéola Escabiose Sistemas de ar quente e de aquecimento de água (via respiratória) Pacientes e trabalhadores bacilíferos Acidentes com perfurocortantes Pacientes e trabalhadores com infecção (transmissão por secreções respiratórias; coronavírus: também por via fecal-oral provavelmente) Alimentos ou água contaminados, trabalhadores Pacientes ou trabalhadores Pacientes ou trabalhadores 16/11/2011 27

Medidas de precaução e prevenção Qual a diferença? Prevenção: medidas e atitudes tomadas quando são conhecidos os riscos envolvidos probabilidade de exposição conhecida dano causado também conhecido Precaução: medidas e atitudes tomadas quando existe a certeza de que todos os riscos envolvidos não são totalmente conhecidos Risco biológico: incertezas sobre a probabilidade de exposição e o dano causado logo, deve-se agir primeiro com precaução 16/11/2011 28

Precaução x Prevenção Ações de precaução adotadas antes de se ter ideia de qualquer risco de fato existente basta presumi-lo p.ex. as precauções padrão: para qualquer paciente, independente de doente ou não indicadores de exposição (p.ex. frequência de acidentes) usados para monitorar a eficácia das medidas de proteção e prevenção já implantadas e não o inverso, isto é, para planejar e estudar a implantação das primeiras medidas 16/11/2011 29

PPRA e PCMSO integrados 1. Antecipação e reconhecimento - fontes - vias de transmissão - Medidas de precaução - Definir prioridades e metas 2. Avaliação - doenças - situações de risco Medidas de prevenção específicas a riscos mais significativos 3. Monitoramento da exposição e dos possíveis efeitos - Vigilância de sinais, sintomas e doenças -Quimioprofilaxia pós-exposição e tratamento médico 4. Avaliação da eficácia das medidas e ações do programa Registro e divulgação 16/11/2011 30

Controle do Risco Biológico Antes da exposição PPRA avaliação do risco biológico: qualitativa doenças mais prováveis e agentes presumidos medidas de prevenção: precauções padrão e por via de transmissão PCMSO exames periódicos para doenças mais importantes exames periódicos para doenças mais prováveis vacinação 16/11/2011 31

Controle do Risco Biológico Depois da exposição PPRA identificação mais precisa do agente medidas de prevenção específicas para evitar disseminação do agente (acidentes) PCMSO profilaxia pós-exposição tratamento condutas frente a eventuais danos permanentes (adaptação e/ou reabilitação) 16/11/2011 32

Controle do Risco Biológico Baseado em indicadores especialmente os epidemiológicos pacientes e trabalhadores fontes ambientais mas, em alguns casos, também em dados quantitativos: relação mais fraca com a doença monitoramento da eficácia das medidas de prevenção à exposição 16/11/2011 33

Indicadores Associados Desempenho e qualidade acidentes e quase acidentes comunicação feita pelos próprios trabalhadores adesão dos trabalhadores às medidas de precaução e de prevenção consumo de luvas, de sabão, de antisséptico, etc avaliação das capacitações Vigilância da saúde dos trabalhadores adesão à profilaxia ou ao tratamento status vacinal estado de saúde 16/11/2011 34

Hierarquia de medidas de controle Controle de riscos na fonte Controle de riscos na trajetória Proteção individual Tipos de medidas de controle Eliminação ou substituição Interposição de barreiras: no ambiente ou no indivíduo Procedimentos Outras medidas administrativas 16/11/2011 35

Controle de riscos na fonte Eliminação, substituição ou controle da fonte e do agente Eliminar todas fontes possíveis não deixar acumular resíduos e substituir ou eliminar equipamentos, instrumentos, ferramentas e materiais potencialmente contaminados Controle de pragas e vetores e controle de acesso de visitantes e terceiros Afastar temporariamente trabalhadores que possam transmitir doenças a outros trabalhadores nos ambientes de trabalho (bom senso) Em relação a pacientes: eliminar exames, procedimentos e retornos desnecessários 16/11/2011 36

Controle de riscos na trajetória Prevenção ou diminuição da disseminação do agente no ambiente de trabalho Manter o agente restrito à fonte ou ao seu ambiente imediato: uso de sistemas fechados, uso de recipientes fechados, enclausuramento da fonte, ventilação local exaustora, cabines de segurança biológica, segregação de materiais e resíduos Isolamento ou diluição do agente: ventilação geral diluidora, áreas com pressão negativa, antecâmaras para troca de vestimentas, isolamento de pacientes, estabelecimento de áreas com finalidades específicas 16/11/2011 37

Controle de riscos na trajetória Prevenção ou diminuição da disseminação do agente no ambiente de trabalho Limpeza, organização, desinfecção e esterilização: instalações, água, alimentos, lavanderia, equipamentos, instrumentos Medidas administrativas Planejar e implantar processos e procedimentos de recepção, manipulação ou transporte de materiais visando a redução da exposição aos agentes Planejar o atendimento e fluxo de pessoas de forma a reduzir a possibilidade de exposição 16/11/2011 38

Proteção individual Capacitação inicial e continuada Uso dos EPIs adequados: luvas, protetores respiratórios, protetores faciais, óculos Medidas de proteção a trabalhadores mais suscetíveis: grávidas, imunocomprometidos, alérgicos, etc Planejar horários e turnos de forma a minimizar exposição 16/11/2011 39

Proteção individual Higiene das mãos lavatórios adequados procedimentos adequados: lavagem freqüente, mesmo com luvas Atitudes pessoais e instalações adequadas locais e asseio para refeição, descanso, fumar uso de adornos Vestimentas e calçados: fornecimento, guarda e higienização Vacinação 16/11/2011 40

Aspectos associados ao controle Documentação procedimentos e manuais em português programas Comunicação comunicar acidentes e incidentes importantes às autoridades e aos trabalhadores CATs, SINAN sinalização, avisos campanhas internas Prestação de contas retorno aos trabalhadores sobre as medidas 16/11/2011 41

ATs com Perfurocortantes Portaria MTE 1.748, de 30 de agosto de 2011 Subitem 32.2.4.16 da NR 32: O empregador deve elaborar e implementar Plano de Prevenção de Riscos de Acidentes com Materiais Perfurocortantes, conforme as diretrizes estabelecidas no Anexo III desta NR. prazo de 120 dias a partir da data de publicação 16/11/2011 42

Plano de Prevenção 1. Constituição de Comissão Gestora Multidisciplinar 2. Análise dos acidentes de trabalho ocorridos e das situações de risco com materiais perfurocortantes 3. Estabelecimento de prioridades para ação 4. Implantação das medidas de controle para a prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes 16/11/2011 43

Plano de Prevenção 6. Seleção e substituição dos materiais perfurocortantes com dispositivo de segurança a) escolha e prioridades a partir do cenário encontrado b) realização de testes antes da substituição c) análise do desempenho do produto substituído 7. Capacitação dos trabalhadores 8. Cronograma de implementação e comprovantes: disponível para a fiscalização do MTE, sindicatos e trabalhadores 9. Monitoramento e avaliação da eficácia do plano 16/11/2011 44

Manual ATs com Perfurocortantes Programa de prevenção alinhado com sistema de gestão Manual de implementação: programa de prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes em serviços de saúde http://www.fundacentro.gov.br/dominios/ctn/sele ciona_livro.asp?cod=251 www.riscobiologico.org 16/11/2011 45