PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO

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Transcrição:

PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO Depósitos Judiciais (REsp. 1.251.513/PR) e a conversão do depósito pela Fazenda Pública José Umberto Braccini Bastos umberto.bastos@bvc.com.br

CTN ART. 151 o depósito é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. INCISO II

STJ SÚMULA 112 O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro.

O depósito traduz um direito subjetivo do contribuinte, não podendo ser indeferido pelo juiz, sendo uma garantia do processo.

A Lei n 9.703/98 Dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições Federais. Uma vez realizado o depósito, ele passa a ter função de garantia do pagamento objeto da discussão judicial. Fica indisponível até o trânsito em julgado do processo.

RECURSO ESPECIAL N 1.251.513/PR Relator Min. Mauro Campbell Marques julgado em 27 de maio de 2011

Tratou-se de recurso especial interposto pela União (Fazenda Nacional) com fulcro no permissivo do art. 105,III, "a", da Constituição Federal de 1988, contra acórdão que acolheu o pedido do contribuinte de utilizar depósitos judiciais, ainda não transformados em pagamento definitivo (depósitos não convertidos em renda), vinculados a processos judiciais já transitados em julgado, para a quitação de débitos com as reduções a título de remissão e anistia previstas na Lei n. 11.941/2009 e que reconheceu a incidência das ditas reduções sobre valores decorrentes da incidência da Taxa Selic nos depósitos judiciais, permitindo o levantamento pelo contribuinte do saldo de juros remitido.

1) O contribuinte ajuizou mandado de segurança questionando o pagamento da Cofins. Durante a tramitação do processo efetou o depósito da referida contribuição nos respectivos vencimentos. 2) A ação transitou em julgado em 12.12.2008, desfavorável ao contribuinte. 3) Antes da ordem judicial para transformação dos depósitos efetuados em pagamento definitivo, sobreveio a Lei 11.941/2009 (DOU 28/05/2009) que em seu art. 1, 3, permitiu o pagamento ou parcelamento de débitos com os benefícios de remissão e anistia do crédito tributário e multas.

4) O contribuinte solicitou o gozo da benesse fiscal, na modalidade de pagamento à vista ( inc. I do 3 do art. 1 - Lei 11.941), quais sejam, que os débitos que não foram objeto de parcelamento anteriores a que se refere o artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal ( Decreto-Lei 1.025/69 20% a título de susbtitutivo de honorários advocatícios). Requereu que sobre sua dívida fossem aplicadas a anistia das multas e a remissão dos juros de mora e do encargo legal, a fim de que efetuasse o seu pagamento através da transformação dos valores depositados em pagamento definitivo. Além disso, por entender que após essa transformação haveria saldo remanescente dos depósitos efetuados, pois os depósitos renderam juros SELIC e a remissão legalmente concedida abrangeu 45% dos juros de mora (art. 1º, 3º, I, da Lei n. 11.941 2009), requereu que lhe fossem devolvidas as diferenças a título de juros, valor a que entende ter direito.

5) A FAZENDA NACIONAL argumentou que o trânsito em julgado da ação antes do advento da lei que instituiu as benesses fiscais impede o PARTICULAR de delas gozar, ainda que não tenha havido a transformação em pagamento definitivo dos depósitos ali efetuados. Argumenta também que, acaso admitida a benesse fiscal, o PARTICULAR não tem direito a levantar qualquer valor, pois não havia saldo remanescente a título de juros de mora.

Dois pontos foram analisados para solucionar o caso específico objeto do Recurso Especial : => Se a remissão/anistia podem ser aplicadas aos créditos tributários objeto de ação judicial já transitada em julgado onde a decisão confirmou a validade do crédito tributário; e, => Se a remissão de juros de mora alcança o valor do depósito judicial na ação judicial e se pode ser devolvida ao contribuinte a diferença entre os juros que remuneram o depósito e os juros moratórios não remitidos.

Salvo determinação legal em contrário, tanto a remissão quanto a anistia atingem todos os créditos tributários constituídos e existentes ao tempo da vigência da norma que traz benefício

A Lei 11.941/2009 não tem nenhum dispositivo que determine que créditos tributários que tenham sido confirmados por ação já transitada em julgado sejam excluídos do do seu art. 1, 3. Ao contrário, é o próprio art. 1º,e 1º, 4º e 11, da mesma lei que estabelece a amplitude do benefício, abrangendo inclusive créditos tributários a serem constituídos decorrentes de fatos geradores já ocorridos.

Da impossibilidade de se devolver ao contribuinte a diferença entre os juros que remuneram o depósito e os juros moratórios não remitidos. A remissão e a anistia atingem o crédito tributário e a obrigação tributária. A remissão de juros moratórios, portanto, refere-se aos juros que compõem o crédito tributário e não aos juros que remuneram o depósito judicial. A este respeito, convém rememorar as parcelas ou rubricas que compõem o crédito tributário: Principal: é valor do tributo devido ou da multa isolada devida; Multa: é o valor da multa devida quanto atrelada ao principal, podendo ser de ofício, no caso de infração à legislação tributária, ou de mora, no caso de atraso no pagamento do principal; Juros de mora: são os juros incidentes em razão de atraso no pagamento do principal (art. 161, 1º, do CTN, atualmente a SELIC, por força do art. 61, 3º, da Lei n. 9.430 96). (ocorre depois de um mês de atraso). Encargos: demais encargos incidentes sobre a dívida. No caso dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União incide o encargo legal previsto no art. 1º, do Decreto-Lei n. 1.025 69.

O crédito tributário até seu vencimento é composto apenas do principal. Portanto, se houve depósito integral do valor do crédito tributário, este (o crédito) fica congelado, pois sua exigibilidade fica suspensa, impedindo a incidência ou a continuidade de incidência de multa de mora, de juros de mora e de encargo legal.

Se houve depósito integral do valor do crédito tributário, este (o crédito) fica congelado, pois sua exigibilidade fica suspensa a impedir a incidência ou a continuidade da incidência de multa de mora, de juros de mora e do encargo legal, conforme o caso. É o que determina a lei: CTN Art. 151 Inciso II Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:...o depósito do seu montante integral;

a remissão anistia das rubricas concedida (multa, juros de mora, encargo legal) somente incide se efetivamente existirem tais rubricas (saldos devedores) dentro da composição do crédito tributário cuja exigibilidade se encontra suspensa pelo depósito.

TRIBUTÁRIO E ECONÔMICO. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA ALÍNEA "A" DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL, CONTRIBUINTE DA COFINS, PRETENSÃO DE LEVANTAMENTO DOS JUROS COMPENSATÓRIOS DO DEPÓSITO JUDICIAL CONVERTIDO EM RENDA A FAVOR DA UNIÃO. 1. Desistência da ação e pretensão de recebimento dos juros compensatórios referente ao depósito prévio (artigo 151 do CTN) 2. Os eventuais juros compensatórios derivados de supostas aplicações do dinheiro depositado a título de depósito na forma do inciso II do artigo 151 do CTN não pertencem aos contribuintesdepositantes. A lei federal 9779 99 como as alterações da medida provisória 2113-28 2001, refere-se aos juros moratórios suportados pelos próprios contribuintes. 3. A isenção dos acréscimos legais previstos pela lei 9779 99 não influi na questão relativa aos juros compensatórios. Obediência ao princípio da legalidade. 4. Os depósitos judiciais vencem, em favor da parte vitoriosa apenas a correção monetária. 5. Aplicação analógica dos precedentes que assentam a inaplicação dos juros compensatórios na repetição do indébito, EDREsp 197236 DF e EDAGA 398377 SP 6. Recurso especial improvido (REsp. n.º 392.879 - RS, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.8.2002).

O depósito integral do crédito tributário suspende a sua exigibilidade. Portanto, não há mora por parte do contribuinte. Em decorrência disso, não há que se falar em remissão possível de juros de mora e/ou anistia de multa. Conclusões Nestes casos, o contribuinte não pode pleitear que a União lhe pague juros remuneratórios em razão de norma remissiva que foi posterior a sua opção de depositar judicialmente o valor devido.

É possível entre o transito em julgado e a ordem judicial para a transformação do depósito em pagamento definitivo, desde que não haja impedimento legal, que o contribuinte possa usufruir de benefícios estipulados em lei que concede parcelamento com remissão e anistia. Conclusões

Muito Obrigado!