MEDIDAS COM O INTERFERÔMETRO DE MICHELSON

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Transcrição:

DEPARTAMENTO DE FÍSICA DO ESTADO SÓLIDO - IFUFBa 005 ESTRUTURA DA MATÉRIA I (FIS101) Roteiro original elaborado por Edmar M. Nascimento MEDIDAS COM O INTERFERÔMETRO DE MICHELSON 1. Objetivo do Experimento. Fundamentação Teórica.1. O interferômetro de Michelson O interferômetro de Michelson é o tipo mais fundamental de interferômetro de dois feixes. Ele pode ser utilizado para medir comprimentos de onda com grande precisão. Este aparelho foi originalmente construído por A. Michelson em 1881 e visava comprovar a existência do éter, o meio no qual se supunha na época deveria se propagar a luz. O experimento, como se sabe, não foi bem sucedido e anos mais tarde, em 1905, A. Einstein publicou o seu famoso trabalho intitulado Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento rejeitando definitivamente a existência do éter. A Fig. 1 a seguir mostra esquematicamente, a montagem do interferômetro. M 1 Espelho móvel Espelho semiprateado d 1 F M d M Espelho fixo O Fig. 1

Considere que a luz parte da fonte extensa F e incide no espelho semiprateado (M), de espessura desprezível. A luz é então dividida em dois feixes que seguem respectivamente para os espelhos M 1 e M onda são refletidos de volta para M onde eles são respectivamente transmitidos e refletidos indo interferir no ponto de observação O. Sejam e ( ω α ) Y = a s en t (1) 1 1 1 ( ω α ) Y = a sen t () as duas ondas que interferem em O e produzem como resultado uma onda que pode ser descrita como onde e ( ω δ ) Y = Asen t+ (3) ( cos ) A= a + a + aa δ (4) 1 1 δ = α1+ α (5) Na pratica para se obter uma fonte extensa uma lente é inserida entre a fonte de luz e o espelho semiprateado. Sendo os espelhos perpendiculares entre si podemos o sistema é equivalente a uma luz proveniente de uma fonte extensa incidindo sobre uma camada de ar, de espessura d = d1 d, entre o espelho M 1 e a imagem virtual do espelho M, como ilustra da figura. P M M 1 P P F d P d θ P dcosθ Fig. Da figura acima pode-se verificar que a diferença de fase entre os dois feixes é π δ = d cos θ (6) λ

onde λ é o comprimento de onda da luz utilizada. A distribuição de intensidade no caso em que a1 = a = a pode ser dada por I A = 4a cos δ (7) Portanto máximos ocorrerão cada vez que δ for um múltiplo de π, o que na equação (6) significa que dcos θ = mλ, m= 1,, (8) e círculos concêntricos são produzidos para cada valor de m, d e θ. Se a posição do espelho móvel (M 1 ) é variada de modo que d por exemplo diminua então, de acordo com a equação (8), o diâmetro do circulo também diminuirá. Portanto um circulo desaparecerá cada vez que d seja diminuída (ou aumentada) de λ... Determinação do índice de refração do ar Para determinar o índice de refração do ar um recipiente de comprimento s (cubeta) é inserido no caminho do feixe, em frente ao espelho fixo. Uma bomba de vácuo permite variar a pressão no recipiente. O índice de refração de um gás é linearmente dependente da pressão p, tal que sendo que n ( ) 0 = 1 e n n( p) = n( 0) + p (9) p ( + ) ( ). n n p p n p = p p (10) O caminho ótico para o feixe luminoso percorrendo o recipiente de comprimento s é x = n( p). s (11) Se a pressão no recipiente for variada de p, este caminho ótico sofrerá uma variação de ( ) ( ) x = n p+ p. s n p. s (1) Iniciando-se com a pressão ambiente (p o ) e diminuindo-se até um valor p, observaremos que a configuração inicial do padrão de interferência (caracterizada por exemplo por um mínimo no centro do padrão) se repetirá N vezes. Cada mudança de mínimo para mínimo corresponde a uma variação de λ no caminho ótico. Assim entre as pressões p e p + p o caminho ótico será alterado por { ( ) ( )}. x= N p N p+ p λ (13) 3

Considerando-se agora que o feixe de luz atravessa duas vezes o recipiente, pelas equações (1) e (13) temos λ n( p+ p) n( p) = { N( p) N( p+ p) } (14) s e em vista da equação (10) podemos escrever: n N λ = (15) p p s A quantidade N pode ser determinada a partir do gráfico do número de variações do padrão p de interferência versus a pressão. O índice de refração n é então determinado com o uso das equações (15) e (9). 3. Medidas O aparato experimental necessário está mostrado na Fig.03. Ele consiste dos seguinte itens: 1. Interferômetro de Michelson. Laser, He-Ne 1.0 mw 3. Lente f+0mm 4. Suporte para a lente 5. Banco ótico 6. Anteparo 7. Cubeta de vidro (comprimento s=10mm) 8. Bomba de vácuo manual com manômetro 3.1. Ajustes iniciais A fim de obter o maior número possível de círculos de interferência, os espelhos do interferômetro precisam, antes de tudo, serem ajustados. Para fazer este ajuste remova a lente (L) que está entre o laser e o interferômetro. O feixe de laser incide sobre o espelho semi refletor sob um ângulo de 45º, dividindo-se em dois que são refletidos pelos espelhos móvel (M 1 ) e fixo (M ) e finalmente atingem o anteparo (A). Ajuste os parafusos fixados à base do espelho fixo (M ) até que os pontos de luz proveniente dos dois espelhos coincidam. Coloque a seguir a lente (L) entre o laser e o interferômetro (exatamente no meio) e ajuste cuidadosamente até obter uma imagem de círculos concêntricos. 4

Lente (L) Laser He-Ne Anteparo Espelho semiprateado Cubeta Espelho fixo (M ) Bomba de vácuo Espelho móvel (M 1 ) Micrômetro Fig. 03 3.. Medida do comprimento de onda da luz do laser Para medir o comprimento de onda da luz do laser ajuste o parafuso micrométrico em alguma posição inicial para a qual haja um mínimo de intensidade no centro do padrão de interferência. Anote a posição inicial do micrometro. Gire o parafuso micrométrico e conte o número de mínimos que chegam ao centro do padrão de interferência. Conte 100 períodos e anote a posição final do micrometro. Repita a medida contando 00 periodos. Lembre-se de avaliar os erros cometidos nas medidas A distância que se deslocou o espelho móvel é obtida pela diferença entre as duas posições do micrometro dividida por 10 (fator de redução 1:10 DISCUTA A RAZÃO DESTE FATOR). A partir destas medidas determine o comprimento de onda da luz do laser utilizado. 3.3. Medida do índice de refração do ar Fixe a cubeta de vidro no suporte em frente ao espelho fixo (M ) e ajuste o interferômetro e a lente (L) para obter um padrão de círculos concêntricos.. Iniciando da pressão ambiente (p o =1004 mbar) diminua a pressão usando a bomba de vácuo anotando o número de mínimos que chegam ao centro do padrão de interferência (número de períodos). Anote em uma tabela o número de períodos (N) em função da pressão (p). Note que o valor p que você está medindo é na verdade o decréscimo sofrido pela pressão ambiente 5

dentro da cubeta. Faça medidas para N variando de 1 até 7. Avalie os erros cometidos nas medidas. 4. Sugestões para o relatório As sugestões apresentadas abaixo não são limitativas. Visam apenas ressaltar alguns aspectos do experimento e da confecção do relatório que julgamos imprescindíveis. Determine o comprimento de onda do laser a partir das medidas efetuadas na seção 3.. Qual o significado do fator de redução utilizado nestas medidas? Procure na literatura qual o comprimento de onda típico de um laser He-Ne e compare com o valor por você determinado. A partir das medidas efetuadas na seção 3.3, corrija o valor de p medido e trace o gráfico de N x p. A partir do gráfico e tendo em vista o discutido na seção determine o índice de refração do ar. Utilize o comprimento de onda medido na seção 3. e p o =1004 mbar. Procure na literatura o índice de refração do ar na CNTP e compare com o seu resultado. Não esqueça de sempre avaliar e apresentar os erros para cada resultado apresentado. 5. Bibliografia e sugestões de leitura [1] PHYWE series of publications-laboratory Experimentos-Physics-37070 Göttinger, Germany [] Artigo de Einstein, de 190, sobre o éter e a teoria da relatividade: http://www.mountainman.com.au/aether_0.html [3] John P. McKelvey and Howard Grotch, "Fisica 4 ", Harbra - Harper & Row do Brasil, São Paulo (1981). [4] R. M. Eisberg, Fundamentos da Física Moderna, Guanabara Dois, Rio de Janeiro-RJ (1979) 6