1 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA FARROUPILHA CAMPUS SANTA ROSA RS Curso: Técnico em AgroindúsTriA Disciplina: Tecnologia de FruTas e HorTaliças Tema: Controle da maturação em frutas AulA: Nº 06 A velocidade da maturação das frutas pode ser controlado A maturação pode ser retardada ou acelerada. Na quase totalidade busca-se o retardo da maturação https://sites.google.com/site/agroindsr PROF. LAURÍ MAYER Qual o objetivo de controlar a velocidade da maturação? AUMENTAR O TEMPO DE ARMAZENAMENTO A fruticultura é, sem dúvida, um dos setores estratégicos para a geração de emprego e renda no Brasil. Atualmente ocupa o terceiro pólo mundial do setor, com produção anual de cerca de 40 milhões de toneladas, superado apenas pela China (140 milhões de toneladas anuais) e Índia (60 milhões de toneladas anuais) Nos últimos anos, as exportações anuais de frutas frescas têm alcançado valores médios da ordem de 340 milhões de dólares, apresentando um aumento de quase 40%, em comparação aos 230 milhões de dólares, obtidos em 2000. Com crescimentos anuais acima dos 10%, torna-se cada vez mais factível a meta de elevar a 1 bilhão de dólares as exportações brasileiras de frutas frescas até 2010 A fruticultura é estratégica para o agronegócio brasileiro, pois com um superávit anual médio de 270 milhões de dólares, o setor emprega atualmente mais de cinco milhões de pessoas, numa área de, aproximadamente, 3,5 milhões de hectares Para cada dez mil dólares investidos na atividade, é possível gerar de três a quatro empregos diretos e dois indiretos. A produção de frutas permite obter um faturamento anual bruto entre mil e vinte mil reais por hectare Segundo dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), das quase 40 milhões de toneladas produzidas anualmente, o Brasil exporta 2,1% (± 840 mil toneladas) e absorve, no mercado interno aproximadamente 21 milhões de toneladas; arredondando, se consegue dar destino para, mais ou menos, 22 milhões de toneladas; mas com uma sobra estimada em 18 milhões de toneladas anuais A análise desses dados remete para as perdas pós-colheita, que se estima ser da ordem de 50% da produção brasileira; segundo vários autores, uma das principais causas dessas perdas é a falta de tecnologias pós-colheita
2 O Brasil tem pequena participação no comércio internacional de frutas frescas, embora seja o terceiro maior produtor mundial, sendo superado apenas pela China e Índia A exportação dessas frutas, tem registrado crescimento muito lento, correspondendo a apenas 1,5% do total produzido O volume das exportações ainda é pequeno, principalmente, devido à grande demanda interna, às exigências do mercado importador e ao elevado volume de perdas, estimado em 10 milhões de toneladas/ano, correspondendo a 30-40% da produção ClimatériCo x não climatérico FRUTA RESPOSTA CLIMATÉRICA NÃO CLIMATÉRICA Respiração climatérica Sim Não Aumento da produção de CO 2 ou C 2 H 4 com aplicação exógena de etileno Aceleração no amadurecimento Sim com aplicação exógena de etileno Atraso no amadurecimento pela remoção de etileno atmosférico Irreversível Sim Temporário Sim ou Não Não Produção de etileno Variável Usualmente baixa MetabolisMo no desenvolvimento e maturação de frutas climatéricas COLHEITA Cor normal na colheita 1ª mudança de cor durante o processo de amadurecimento Mudança pronunciada de cor. Ideal para ser enviada ao varejista em estações de clima temperado Etileno Cor recomendada para ser enviada ao varejista em estações de clima frio. Ideal para exposição pelo varejista Máximo amadurecimento para exposição pelo varejista Amido Ideal para consumo Completamente madura, com melhor sabor e maior valor nutritivo Perda de qualidade causas? CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE PÓS-COLHEITA MATURAÇÃO RESPIRAÇÃO UMIDADE RELATIVA TEMPERATURA DANOS FISIOLÓGICOS PODRIDÃO TRANSPIRAÇÃO CONCENTRAÇÃO DE CO 2 ETILENO CONCENTRAÇÃO DE O 2
3 Abacate 4,4 a 13 85 90 2 a 8 semanas Abacaxi 7 a 13 85 90 2 a 4 semanas Ameixa -0,5 a 0 90 95 2 a 5 semanas Carambola 9 a 10 85 90 3 a 4 semanas Cereja-doce -1 a -0,5 90 95 2 a 3 semanas Caqui -1 90 3 a 4 meses Figo fresco -0,5 a 0 85 90 7 a 10 dias Goiaba 5 a 10 90 2 a 3 semanas Lima 9 a 10 85 90 6 a 8 semanas Limão 12 a 14 85 90 2 a 3 meses Laranja 3 a 9 85 90 3 a 8 semanas Maçã -1 a 4 90 95 1 a 12 meses Morango 0 90 95 5 a 7 dias Manga 13 85 90 2 a 3 semanas Mamão 7 85 90 1 a 3 semanas Maracujá 7 a 10 85 90 3 a 5 semanas Marmelo -0,5 a 0 90 2 a 3 meses Melancia 10 a 15 90 2 a 3 semanas Melão Cantaloupe 0 a 2 95 5 a 14 dias Melão Honeydew 7 90 95 3 semanas Nectarina -0,5 a 0 90 95 2 a 4 semanas Pêssego -0,5 a 0 90 95 2 a 4 semanas Pêra -1,5 a -0,5 90 95 2 a 7 meses Tangerina 4 90 95 2 a 9 semanas Uva -1 a -0,5 90 95 1 a 6 meses Alcachofra 0 95 100 2 a 3 semanas Aspargos 0 a 2 95 100 2 a 3 semanas Aipo 0 98 100 2 a 3 meses Alho 0 65 70 6 a 7 meses Alface 0 98 100 2 a 3 semanas Abobrinha 5 a 10 95 1 a 2 semanas Broto de feijão 0 95 100 7 a 9 dias Beterraba 0 98 100 4 a 6 meses Brócolis 0 95 100 10 a 14 dias Berinjela 8 a 12 90 95 1 semana Couve-flor 0 95 98 3 a 4 semanas Couve 0 95 100 10 a 14 dias Cenoura 0 98 100 7 a 9 meses Cogumelo 0 95 3 a 4 dias Cebola (verde) 0 95 100 3 a 4 semanas Ervilha-verde 0 95 98 1 a 2 semanas Feijão-verde 4 a 7 95 7 a 10 dias Moranga 10 a 13 50 70 2 a 3 meses Milho-doce 0 95 98 5 a 8 dias Pepino 10 a 13 95 10 a 14 dias Pimentão 9 a 13 90 95 2 a 3 semanas Quiabo 7 a 10 90 95 7 a 10 dias Repolho precoce 0 98 100 3 a 6 semanas Repolho tardio 0 98 100 5 a 6 meses Rabanete 0 95 100 2 a 4 meses Salsa 0 95 100 2 a 2,5 meses Tomate verde-maturo 13 a 21 90 95 1 a 3 semanas Tomate maduro firme 8 a 10 90 95 4 a 7 dias ARMAZENAMENTO EM ATM. CONTROLADA Controle dos seguintes parâmetros: TEMPERATURA UMIDADE RELATIVA CONCENTRAÇÃO DE OXIGÊNIO CONCONTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO CONCENTRAÇÃO DE ETILENO
4 ATM. CONTROLADA NO BRASIL ARMAZENAMENTO EM ATM. CONTROLADA Armazenamento Resfriado Armazenamento Em Atm. controlada CUIDADOS Composição do ar: N 2 (78%); O 2 (21%) + CO 2 (0,03%) Altas concentrações de CO 2 e baixas concentrações de O 2 inibem a síntese e ação do etileno, além de reduzir consideravelmente a taxa respiratória Níveis de O 2 < 2% durante períodos prolongados provocam alterações de sabor e aroma Excesso de CO 2 acarreta transtornos fisiológicos (> 15-20%: fermentação, acumulação de etanol e acetaldeído) 0 2 (%) CO 2 (%) Alface 0 98 100 2 a 3 semanas 2 a 5 0 Aspargo 2 a 5 95 100 2 a 3 semanas Ar 5 a 12 Brócolis 0 95 100 10 a 14 dias 1 a 2 5 a 10 Cenoura 0 98 100 6 a 8 meses - - Pimentão 7 a 10 95 98 2 a 3 semanas 2 a 5 2 a 5 Monitoramento do O 2 e do CO 2 Abacaxi 7 a 13 80 90 2 a 4 semanas 2 a 5 5 a 10 Ameixa -0,5 a 0 90 95 2 a 5 semanas 1 a 2 0 a 5 Banana 13 a 15 90 95 1 a 4 semanas 2 a 5 2 a 5 Laranja 3 a 9 85 90 3 a 8 semanas 5 a 10 0 a 5 Morango 0 90 95 7 a 10 dias 5 a 10 15 a 20 Cada espécie/cultivar necessita de condições específicas que lhe são ótimas
5 Controle automático das concentrações de O 2 e CO 2 em câmaras de AC Remoção do O 2 : combustão, membrana separadora de N 2, etc. Remoção do CO 2 : carvão ativado ou cal hidratada Eliminação do etileno: permanganato de potássio, oxidação com O 3, luz UV CONTROLE DO ETILENO Absorção química do etileno CONTROLE DO ETILENO Conversão catalítica
6 CONTROLE DO ETILENO Inibição da síntese: Utilização de 1-MCP (1-metilciclopropeno) CONTROLE DO ETILENO 1-MCP (1-metilciclopropeno) EfEito do EtilEno Em bananas CONTROLE DO OxigêNiO Injeção de gás inerte Maçã: 10 meses a 1 C Sem AC Com AC
7 Alta concentração de O 2 e alta umidade Baixa concentração de O 2 Baixa concentração de O 2 Danos externos e internos causados pelo CO 2 Danos por redução de O 2 e/ou aumento de CO 2 DANOS PELO FRIO
8 DANOS PELO FRIO DANOS PELO FRIO