[ A][ B] [ A] [ B] v {[A] }= Vmáx

Documentos relacionados
CQ110 : Princípios de FQ. Imagens de Rorschach

3.2.2 Métodos de relaxação Métodos de competição Métodos de elevada resolução temporal ORDENS E CONSTANTES DE

Enzimas. As enzimas são proteínas com exceção de um pequeno grupo de moléculas de RNA que tem ação catalítica.

CATÁLISE ENZIMÁTICA. CINÉTICA Controle da velocidade de reações. CINÉTICA Equilíbrio e Estado Estacionário

Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Ano Lectivo 2007/2008. Disciplina de BIOQUÍMICA I Curso de MEDICINA 1º Ano

Química Geral e Inorgânica. QGI0001 Eng a. de Produção e Sistemas Prof a. Dr a. Carla Dalmolin. Cinética Química

Cinética Química. Prof. Alex Fabiano C. Campos. Rapidez Média das Reações

PAG Química Cinética 1.

Catalizadores biológicos - Aceleram reações químicas específicas sem a formação de produtos colaterais

São moléculas catalíticas protéicas (exceto algumas que são RNA) - Prefixo que designa a reação: lactato desidrogenase, catalase

Cinética Química. Mestrado integrado em Engenharia Biológica. Disciplina Química II, 2º semestre 2009/10. Professsora Ana Margarida Martins

Estudo da velocidade da reação enzimática e como ela se altera em função de diferentes parâmetros

Copyright McGraw-Interamericana de España. Autorização necessária para reprodução ou utilização. Cinética Química

METAIS COMO CATALIZADORES METAIS AMBIENTE E VIDA

Enzimas e Actividade enzimática

Cerca de 99% dos átomos no corpo humano são de H, O, C e N. Oxigenio 63% Hidrogenio 25.2% Carbono 9.5% Azoto 1.4%

QBQ 0102 Educação Física. Carlos Hotta. Enzimas 17/03/15

Cinética Enzimática. Prof Karine P. Naidek Novembro/2016

Universidade de São Paulo Instituto de Física Energia em Sistemas Biológicos Edi Carlos Sousa

Introdução ao bloco II Enfermagem. Monica Montero Lomeli Sylvia Alquéres

Enzimas versus outros catalisadores

Aula de Bioquímica I. Mecanismos de Catálise Enzimática

Aula de Bioquímica I. Tema: Enzimas. Prof. Dr. Júlio César Borges

Para compreender o conceito de reacção de precipitação é necessário considerar as noções básicas de dissolução e de solubilidade de sais em água.

Cinética Química. Prof. Alex Fabiano C. Campos

é o estudo da velocidade das reações, de como a velocidade varia em função das diferentes condições

Prática 8: Inibição por maltose (Ki) Execução e recolhimento dos exercícios 11 a 13

Polimerização Passo-a-Passo ou por Condensação

2. Aborda a rapidez com que os reagentes são consumidos e os produtos são formados;

FUNDAÇÃO CARMELITANA MÁRIO PALMÉRIO FACIHUS - FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS. Enzimas. Prof. Me. Cássio Resende de Morais

OBJETIVOS BIBLIOGRAFIA ENZIMAS E INIBIDORES ENZIMÁTICOS

Enzimas. Disciplina: Bioquímica Curso: Análises Clínicas 3º. Módulo Docente: Profa. Dra. Marilanda Ferreira Bellini

Estudo da velocidade da reação enzimática e como ela se altera em função de diferentes parâmetros

Para compreender o conceito de reacção de precipitação é necessário considerar as noções básicas de dissolução e de solubilidade de sais em água.

Físico-química Farmácia 2014/02

Mecanismo de reação de uma enzima com substrato único. A enzima (E) liga o substrato (S) e liberta o produto (P).

1- Microrganismos e indústria alimentar 1.1 Fermentação e actividade enzimática

PPGQTA. Prof. MGM D Oca

Hidrólise da ureia pela urease

QUI 153 Química Analítica IV. Volumetria de Complexação Parte I

INTRODUÇÃO Á BIOQUÍMICA

Enzimas - Sítio catalítico

Cinética Química. Cinética Química: Velocidade média, instantânea e inicial. Lei cinética. Fatores que influenciam a velocidade.

Biologia 12 Fermentação e actividade enzimática

CINÉTICA QUÍMICA TUTOR: LUIZ EDUARDO NOCHI DISCIPLINA: QUÍMICA (FÍSICO QUÍMICA) CURSO ALCANCE (TURMA A E B ) DATA: 17/09/2016

Cinética Química. Prof. Alexandre D. Marquioreto

BIOQUÍMICA 1º ano de Medicina Ensino teórico 2010/2011

A B A B. Espontaneidade vs. Velocidade de Reações. Enzimas como Catalisadores. Velocidade das reações depende da Energia de Ativação

Polimerização por condensação ou polimerização passo-a-passo

CINÉTICA QUÍMICA. Obs.: a variação da quantidade deverá ser sempre um valor positivo, então ela deverá ser em módulo. 1.

Engenharia Biomédica. Relatório Cinética da Enzima Invertase

Reações de Substituição Nucleofílica Acílica

Introdução à cinética enzimática. Cinética da catálise pela invertase. Termodinâmica MIB (2015)

Equilíbrio Ácido-Base. Ácidos e Bases Fracos

H 2 C OCH 3 H 2 C OH EXERCÍCIOS DE CLASSE

Enzimas. Bianca Zingales IQ - USP

Disciplina de BIOQUÍMICA do Ciclo Básico de MEDICINA Universidade dos Açores 1º Ano ENSINO PRÁTICO 4ª AULA PRÁTICA

Atividade a Distância 4 CINÉTICA

QUIMICA ORGÂNICA A. Analisando Reações Orgânicas e seus Intermediários

Concentração dos reagentes Quanto maior a concentração dos reagentes, maior a velocidade da reação.

PARTE I. PARTE I I Modalidade A QUESTÃO 11. Olimpíada Brasileira de Química 2014 Fase III. G A B A R I T O S de correção. Modalidade B.

EXAME DE SELEÇÃO PARA O PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (PPGQ-UFC)/ MESTRADO

Pontifícia Universidade Católica de Goiás Departamento de Biologia Bioquímica Metabólica ENZIMAS

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO Campus de Jaboticabal Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.

ENZIMAS ENZIMAS ENZIMAS 19/02/17 DEFINIÇÃO CLASSIFICAÇÃO ESTRUTURAL. ativa. inativa

Fundamentos de Química

DISCIPLINA DE QUÍMICA

Disciplina de Didáctica da Química I

P4 - PROVA DE QUÍMICA GERAL 05/12/12

Aula 6 CATÁLISE. META Apresentar os conceitos de catálise

O processo de dissolução

ÁGUA. Planeta Terra ou planeta Água? 71% da supergcie é de água. Composição dos seres vivos:

ÁGUA, SOLUBILIDADE E PH

Cinética Química. Cinética Química...? É o estudo da velocidade das reações químicas e dos fatores que as influenciam.

Avaliação Quantitativa das Preparações Enzimáticas

Vestibular Comentado - UVA/2011.1

Cinética. Módulo I - Físico Química Avançada. Profa. Kisla P. F. Siqueira

algébrica das variações de entalpia de outras reacções químicas cujas equações, depois de somadas, dão a equação inicial.

7.1 CISÃO E FORMAÇÃO DE LIGAÇÃO NO MECANISMO POLAR

Nome Completo : Prova de Acesso de Química para Maiores de 23 Anos. Candidatura de Junho de 2013, 10: h

Entropia. Energia de Gibbs e Equilíbrio

Química Orgânica II Profa. Rosângela de A. Epifanio Prova 2 16/05/2005

Aula de Bioquímica I. Tema: Água. Prof. Dr. Júlio César Borges

Química Orgânica I Profa. Dra. Alceni Augusta Werle Profa. Dra. Tania Márcia do Sacramento Melo

Exercício de Revisão III Unidade. Eletroquímica

ENZIMAS. Faculdade Maurício de Nassau Cursos de Biomedicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia Disciplina de Bioquímica. Prof.: Me.

Metais e ligas metálicas Estrutura e propriedades dos metais

Físico-Química Experimental Exp. 10. Cinética Química

Termodinâmica. Estudo das formas de energia que afetam a matéria. Sistemas (moléculas + solutos) X ambiente (sistema - universo)

Ligação Iônica. Ligação Metálica. Ligações Química. Ligação Covalente. Polaridade. Geometria. Ligações Intermoleculares

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE

Metabolismo e Endocrinologia

CINÉTICA QUÍMICA. Profa. Loraine Jacobs DAQBI.

Transcrição:

Reacções com Mais que um Substrato Equação de ase Experimental v = V máx S [ ][ ] [ ] [ ] [ ][ ] Quando [] ou [] toma valores muito elevados, por exemplo, reacções de hidrólise em solução aquosa podem ser tratadas como reacções com um único substrato pelo facto do segundo substrato (a água) se encontrar em largo excesso, tem-se: [ ] [ ] v {[] }= Vmáx v {[] }= Vmáx [ ] equação cinética de mais que um substrato sob uma forma análoga à da equação de Michaelis-Menten pode escrever-se: [ ] v = V máx [ ] [ ] s [ ] [ ] [ ] [ ] Map

Reacções com Mais que um Substrato Equação de ase Experimental a) [] constante [] constante v v = Vmáx [ ] [ ] v v = Vmáx [ ] [ ] Map [ ] s = [ ] S [ ] = Map [ ] [] []

Reacções com Mais que um Substrato Equação de ase Experimental Para facilitar a análise de resultados experimentais fazem-se representações gráficas do tipo de Lineweaver-ur: ou: 1 = v V 1 1 S máx [ ] [ ] [ ][ ] 1 1 1 = S 1 v Vmáx máx [ ] V [ ] [ ] Isto é, uma recta com um coeficiente angular igual a e uma ordenada na origem igual a 1 V [ ] máx 1 V máx S [ ]

Reacções com Mais que um Substrato Representação de Lineweaver-ur

Mecanismos Reaccionais - Mecanismo Sequencial leatório O enzima E pode formar complexos binários E e E e também o complexo E, não sendo relevante a ordem pela qual os substratos e se ligam ao E. E 2 1 E 1-2 2 E 3 E P Q ou, graficamente: -1 E -2 Equação cinética a mais que um substrato E E E (E EPQ) P Q EQ EP Q P E v = V máx S [ ][ ] [ ] [ ] [ ][ ]

Mecanismos Reaccionais - Mecanismo Sequencial Ordenado Neste mecanismo a ordem pela qual os dois substratos se ligam ao enzima é obrigatória e considera-se que o complexo ternário E só pode ser formado a partir do complexo E. Para simplificar, supõe-se que o complexo E não se forma: Equação cinética a mais que um substrato P Q E E (E EPQ) EQ E [ ][ ] ( ) ( ) ( ) ( ) [ ] ( ) [ ] [ ][ ] C v 4 3 1 4 3 4 3 2 3 2 4 4 3 2 1 3 2 4 1 E 4 3 4 3 =

Mecanismos Reaccionais Mecanismo de Theorell-Chance Este mecanismo é uma variante do mecanismo sequencial ordenado, ou seja, do anterior, em que reage com E para formar EP Q sem a formação de um complexo ternário com vida suficientemente longa para ser cineticamente significativo: P Q E E EQ E Equação cinética a mais que um substrato v = 3 C E 1 1 2 3 3 2 [ ][ ] 3 [ ] [ ] [ ][ ] 1

Mecanismos Reaccionais - Mecanismo de Ping - Pong Nos mecanismos de ping-pong, um ou mais produtos libertam-se do complexo com o enzima antes de todos os substratos terem reagido. No esquema para um mecanismo de ping-pong bi bi um dos substratos liga-se ao enzima e um dos produtos liberta-se antes que o segundo substrato se possa ligar: P Q E (E FP) F (F EQ) E Equação cinética a mais que um substrato v = 2 2 4 4 C E 3 [ ][ ] 24 ( ) [ ] 4 ( 1 2 ) ( ) [ ] [ ] [ ] 2 4 1 2 4

Tipos de Mecanismos Envolvidos na Catálise Enzimática O termo mecanismo reaccional pode ser usado no sentido restrito, ou seja, indicação de uma sequência de passos elementares que descrevem em pormenor a reacção global; ou num sentido mais lato, que tem em conta a resposta a perguntas como: - Como é que se quebram e formam as ligações químicas nos sistema biológicos? - Qual é a natureza do estado de transição que envolve o enzima? - Que tipos de compostos intermediários se formam? - Será que eles envolvem a formação de ligações covalentes entre o enzima e um fragmento de um substrato? - Que vantagens catalíticas advêm da participação do enzima e como é que os estados de transição são selectivamente estabilizados?

Princípios de catálise - Catálise com base na teoria da colisão, que resulta do facto de essa colisão entre moléculas libertar energia suficiente para ocorrer a reacção e a velocidade da reacção está limitada à difusão dos reagentes no meio reaccional mas não fornece qualquer detalhe entre a estrutura do enzima e a sua função. - Catálise com base na teoria do estado de transição, os enzimas ligam-se a vários reagentes (ou substratos) na proximidade do centro catalítico em concentrações muito mais elevadas do que aquelas que existem no meio reaccional. Energia # E a Reagentes Produtos Coordenada reaccional

Catálise com base na teoria do estado de transição E S # G G # (S # ) G L (S # ) E S l(s) b ES Reacção não catalisada E S L(S) ES # # b Reacção catalisada pelo enzima E E P b EP E S G L (S) G # (ES # ) ES # G ES Como G #O (S # ) G LO (S # ) = G LO (S) G #O (ES # ) EP logo G #O (S # ) - G #O (ES # ) = G LO (S) - G LO (S # ) Isto significa que, quanto maior for a redução da energia livre padrão de activação maior será a energia livre padrão para a ligação do substrato ao enzima no estado de transição em relação ao substrato. Tendo em conta que: G O # = H O # - T S O # Os enzimas podem actuar sobre as duas grandezas. H de activação por interacção dos substratos no centro activo (ES) e na diminuição da entropia S de activação pois os substratos são mantidos com orientações favoráveis para a reacção que se vai seguir (efeito de proximidade).

Princípios de catálise por proximidade e orientação O 2 N O C CH 3 H 2 O O HN Figura 2-1 Reacção de hidrólise intermolecular de um éster catalisada pelo imidazol. N CH 3 Imidazol (Imzol) O C O - OH NO 2 cetato de p-nitrofenilo (pnf) cetato (c) p-nitrofenilo (pnf) V = obs * [pnf] * [Imzol] ( obs = 35 min -1 M -1 ) HN N C O HN N C O O H 2 0 HO O - obs / obs = 5,7 M Imzol NO 2 NO 2 V = obs * [Imzol- pnf] ( obs = 200 min -1 )

Princípios de catálise por proximidade e orientação

Catálise com formação de intermediário covalente O O - O R C Y R C Y R C Y X X ENZ-X: Figura 2-1 Mecanismo enzimático catalisado por um grupo nucleófilo do enzima com formação de complexos intermediários covalentes. ENZ ENZ

Catálise com formação de intermediário covalente

Catálise com formação de intermediário covalente

Catálise geral ácida ou básica catálise geral ácida ou básica é aquela em que há transferência de um protão no estado de transição, ou seja, em que um ácido fraco doa um protão ou uma base fraca aceita um protão num mecanismo catalítico. Reacções em que as espécies catalíticas são iões relacionados com o solvente (H ou OH -, no caso de as reacções terem lugar em meio aquoso) dizem-se sujeitas a catálise específica ácida ou básica.

Catálise geral ácida ou básica

Catálise geral ácida ou básica

Catálise geral ácida ou básica

Catálise geral da lipase CL

Catálise geral da lipase CL

Mecanismo em detalhe de catálise da lipase CL 1º passo de acilação

Mecanismo em detalhe de catálise da lipase CL 2º passo de transesterificação

Mecanismo em detalhe de catálise da lipase CL 2º passo de hidrólise

Catálise electrostática Os enzimas podem estabilizar estados de transição polares de uma forma mais eficiente do que a água, porque têm dipolos que são mantidos com uma orientação fixa em relação à carga, enquanto que a orientação dos dipolos das moléculas de água é afectada pela interacção das camadas de hidratação com outras moléculas de água mais afastadas da carga eléctrica.

Catálise electrostática