Patrícia Jundi Penha

Documentos relacionados
AVALIAÇÃO POSTURAL O QUE É UMA AVALIAÇÃO POSTURAL? 16/09/2014

3/26/2009. ALTERAÇÕES DA ESTRUTURA CORPORAL -parte I (MMII)

ALTERAÇÕES POSTURAIS EM ESTUDANTES DE FISIOTERAPIA

AVALIAÇÃO POSTURAL. Figura 1 - Alterações Posturais com a idade. 1. Desenvolvimento Postural

DESVIOS POSTURAIS. 1. LORDOSE CERVICAL = Acentuação da concavidade da coluna cervical. - Hipertrofia da musculatura posterior do pescoço

Marcha Normal. José Eduardo Pompeu

Fasciite PLANTAR UNIFESP - SÃO PAULO. LEDA MAGALHÃES OLIVEIRA REUMATOLOGIA - fisioterapeuta.

Manual de Análise Postural e Avaliação funcional.

Índice de Risco: NÃO FUME: CIGARRO MATA! Valores de referência para Glicemia. Classificação. Glicose (mg/dl)

Bem estar e produtividade no trabalho

Avaliação Fisioterapêutica do Ombro

Cinesiologia. Aula 2

CARACTERIZAÇÃO POSTURAL DA JOVEM PRATICANTE DE GINÁSTICA OLÍMPICA

Avaliação Postural e Flexibilidade. Priscila Zanon Candido

Instituto de Cultura Física

Coluna lombar. Características gerais: 5 vértebras 1 curvatura lordose fisiológica

Caracterização postural de crianças de 7 e 8 anos

Coluna Vertebral. Coluna Vertebral Cinesiologia. Renato Almeida

Cinesiologia. Cinesio = movimento Logia = estudo. Cinesiologia = estudo do movimento

QUESTIONÁRIO ACADEMIA PRATIQUE FITNESS AVALIAÇÃO FÍSICA

A importância da postura

Tronco. Funções. You created this PDF from an application that is not licensed to print to novapdf printer ( Coluna vertebral

Desvios da Coluna Vertebral e Algumas Alterações. Ósseas

Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. Profa. Dra. Sílvia Maria Amado João

DEFINIÇÃO. Forma de locomoção no qual o corpo ereto e em movimento é apoiado primeiro por uma das pernas e depois pela outra.

Biomecânica da Coluna Cervical

UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA - BACHARELADO MARCEL DAL BÓ FERNANDES

Alterações da Estrutura Corporal: Alterações da Estrutura Corporal

Avaliar a postura dos alunos do ensino médio, identificar e descrever as principais alterações no alinhamento da coluna vertebral.

CIOS REALMENTE MODIFICAM A POSTURA? OS EXERCÍCIOS POSTURA? Alterações da Estrutura Corporal. Os Exercícios Realmente Mudam a Postura?

NOÇÕES DO SISTEMA ESQUELÉTICO OU

AVALIAÇÃO DA COLUNA VERTEBRAL

CINESIOLOGIA. Músculos vs Movimentos. Prof. Msd. Ricardo L. Pace Jr.

Centro de Gravidade e Equilíbrio. Prof. Dr. André L. F. Rodacki

Exame Físico Ortopédico

DE VOLTA ÀS AULAS... CUIDADOS COM A POSTURA E O PESO DA MOCHILA!

ACAMPAMENTO REGIONAL EXERCÍCIOS PARA AQUECIMENTO E PREVENÇÃO DE LESÕES (ALONGAMENTO DINÂMICO ESTABILIZAÇÃO ATIVAÇÃO MUSCULAR)

Cuidar da postura é essencial para saúde e para evitar lesões e dores pelo corpo

Cadeira de Rodas. Prof. Dr. George Dias

CINEMÁTICA DO MOVIMENTO HUMANO

Semiologia Reumatológica em Crianças

Cinesiologia Aplicada. Quadril, Joelho e tornozelo

Músculos da Perna e Pé

FACULDADE ANHANGUERA DE SÃO JOSÉ CURSO DE FISIOTERAPIA

QUADRIL / PELVE. Prof. Gabriel Paulo Skroch

Alterações da Estrutura Corporal

INTRODUÇÃO Á ANATOMIA HUMANA. Instituto Long Tao. Prof. Regiane Monteiro

COLUNA: SEGMENTO TORÁCICO

ASPECTOS BIOMECÂNICOS APLICADOS AO TREINAMENTO DE FORÇA. Professor Marcio Gomes


FISIOTERAPIA Prevenção de Lesões

TMSA TERAPIA MANUAL SUB-AQUÁTICA Isidro Marques

AVALIAÇÃO DO OMBRO. 1. Anatomia Aplicada:

TERAPIA MANUAL APLICADA AO TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES DAS EXTREMIDADES INFERIORES

APÊNDICE II POSIÇÕES BÁSICAS

Postura. Bárbara Maria Camilotti Vera Lúcia Israel

INVOLUÇÃO X CONCLUSÃO

Tema C NOÇÕES GERAIS SOBRE ARTICULAÇÕES

28/08/2015 CINTURA PÉLVICA E QUADRIL INTRODUÇÃO. Transmissão do peso da cabeça, tronco e MMSS para os MMII INTRODUÇÃO ÍNDICE DE ASSUNTOS

Osteologia e Artrologia. Tema F Descrição e caraterização funcional do sistema ósseo e articular do membro inferior.

Cinesiologia aplicada a EF e Esporte. Prof. Dr. Matheus Gomes

A influência da prática da capoeira na postura dos capoeiristas: aspectos biomecânicos e fisiológicos.

Cap. 6, An Introduction to Rehabilitation Engineering. Adequação Postural. EN Engenharia de Reabilitação 1

ALUNAS: MARIA VITÓRIA SILVA GOMES JULIANA FERREIRA WHIRILENE CASSIANO GINOELY SHIRLEY G. GÁRCIA

DISTÚRBIOS DA COLUNA VERTEBRAL *

AVALIAÇÃO DO JOELHO. Articulação Tibiofibular Superior: É uma articulação sinovial plana entre a tíbia e a cabeça da fíbula.

Parafuso EIS Técnica Cirúrgica da Osteotomia de Scarf do M1 Princípios Gerais Indicações da Osteotomia de SCARF Contra-Indicação

Corpos vertebrais. Disco intervertebral


PILATES NO TRATAMENTO DE COLUNA: SAIBA COMO AJUDAR UM ALUNO

Avaliação Integrada. Profº Silvio Pecoraro. Specialist Cooper Fitness Center Dallas Texas/USA Cref G/SP

Existem duas formas de prescrição de palmilhas ortopédicas Pés Sem Dor

INTRODUÇÃO Á ANATOMIA HUMANA. Instituto Long Tao. Prof. Regiane Monteiro

Adutores da Coxa. Provas de função muscular MMII. Adutor Longo. Adutor Curto. Graduação de força muscular

Avaliação do Quadril

Desvios Posturais. Eduardo Da Luz Ferreira 1. Rafael Trentin Scremin 2. Pós-Graduação em Fisiologia do Exercício

ATITUDE POSTURAL E IDADE MOTORA NA MUCOVISCIDOSE * RESUMO

Cabeça. Ossos e Músculos 24/02/2016. Ossos da Cabeça Palpação. Músculos da Cabeça Palpação. Músculos da Cabeça Palpação ANATOMIA PALPATÓRIA

Estudos Avançados da Ginástica Artística

O corpo em repouso somente entra em movimento sob ação de forças Caminhada em bipedia = pêndulo alternado A força propulsiva na caminhada é a força

Anexo 2. Variável Antropométrica

ALTERAÇÕES POSTURAIS E LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS EM CRIANÇAS PRATICANTES DE ATIVIDADES ESPORTIVAS

Total de páginas: 06 1

ANATOMIA RADIOLÓGICA DOS MMII. Prof.: Gustavo Martins Pires

Termo ergonomia. Ergonomia 25/04/2012. Palavra de origem grega. Ergo Trabalho. Nomos - Regra INTERFACE HOMEM AMBIENTE ERGONOMIA

Músculos do Quadril e Coxa. Profa. Dra. Cecília H A Gouveia Departamento de Anatomia, ICB, USP

ABORDAGEM DAS DISFUNÇÕES POSTURAIS. André Barezani Fisioterapeuta esportivo/ Ortopédico e Acupunturista Belo Horizonte 15 julho 2012

3/26/2009 EX E E X R E C R ÍCI C OS S E E PO P ST S U T RA R OS EX ER EX CÍ C CI C OS REAL EA MEN M T EN E MO M DIFI F CAM A M A A PO P STUR U A?

Avaliação Integrada. Prof. Silvio Pecoraro

O protocolo SAPO de medidas

É importante compreender a biomecânica do joelho (fêmoro tibial e patelo femoral ao prescrever exercícios para o joelho em um programa de

Músculos da Perna e Pé. Profa. Dra. Cecília H A Gouveia Ferreira Departamento de Anatomia Instituto de Ciências Biomédicas Universidade de São Paulo

1) PANTURRILHAS. b) Músculos envolvidos Gastrocnêmios medial e lateral, sóleo, tibial posterior, fibular longo e curto, plantar (débil),

COLUNA CERVICAL - POCISIONAMENTO RADIOLÓGICO. Coluna Cervical (AP)

Cuidados Posturais. Prof Paulo Fernando Mesquita Junior

Os membros inferiores são formados por cinco segmentos ósseos, que apresentamos a seguir. Todos os ossos desses segmentos são pares.

Transcrição:

Patrícia Jundi Penha Doutoranda do Programa de Pós-Graduação Ciências da Reabilitação FMUSP Docente do Curso de Fisioterapia da PUC-SP ppenha@pucsp.br

Definição Postura Kendall, 1995 Zatsiorsky e Duarte, 1999 Shumway-Cook e Woollacott, 2001 Zatsiorsky e Duarte, 1999 Postura Ideal Kendall et al, 1995 Má postura Postura de Referência CG mais posterior Gangnet et al, 2003 ppenha@pucsp.br

ppenha@pucsp.br

Dor Obesidade Indivíduo Frouxidão ligamentar Estado emocional Configuração óssea Envelhecimento Encurtamento muscular Hereditariedade Raça Desenvolvimento Postura Atividade física Estado sócio-cultural e econômico Condições físicas Ambiente

Vantagens Mãos ficam livres Olhos mais longe do solo, aumentando o campo de visão Desvantagens Sobrecarga aumentada sobre a coluna e membros inferiores Dificuldades na respiração e transporte do sangue à cabeça

Postura padrão Calcanhares separados cerca de 7,5 cm Parte posterior do pé abduzida cerca de 8º a 10º da linha mediana Pé plano Rebaixamento do arco longitudinal medial Pé cavo Arcos longitudinais acentuados Cabeças dos metatarsais mais baixas em relação ao retropé

Valgo Excessiva pronação subtalar Varo Excessiva supinação subtalar

Valgo aproximação da linha média, joelhos encostados e pés afastados Varo afastamento da linha média, tornozelos encostados e joelhos afastados Hiperestendido linha de referência anterior ao centro da articulação do joelho Semifletido linha de referência posterior ao centro da articulação do joelho

Posição neutra na postura padrão EIAS mesmo plano horizontal EIAS e sínfise púbica mesmo plano vertical

Antepulsão Deslocamento anterior do tronco Linha de referência posterior ao trocanter maior do fêmur Retropulsão Deslocamento posterior do tronco Linha de referência anterior ao trocanter maior do fêmur

Curvatura convexa para frente no pescoço lordose cervical Curvatura convexa para trás cifose torácica Curvatura convexa para frente lordose lombar

Ângulo tíbio-társico Ângulo coxo-femural Mobilidade das colunas Lombar Torácica

Curvatura lateral da coluna Escoliose na coluna cervical torcicolo

Não estrutural Problemas posturais, histeria, irritação de raízes nervosas, discrepância de comprimento de pernas, contratura muscular Estrutural Deformidade óssea (congênita/adquirida), neuromuscular, miopática, tumores Idiopática

Uma linha é traçada perpendicularmente à margem superior da vértebra que mais se inclina para a concavidade e outra na borda inferior da vértebra inferior e com maior angulação em direção à concavidade

Alinhada Linha de referência através do lóbulo da orelha Protraída Linha de referência posterior ao lóbulo da orelha Retraída Linha de referência anterior ao lóbulo da orelha

Alada Visualização do ângulo inferior ou de todo o bordo medial Abduzida Afastamento da linha média Aduzida Aproximação da linha média Rodada lateralmente Afastamento do ângulo inferior da linha média Rodada medialmente Aproximação do ângulo inferior da linha média

Nivelamento Dominância ombro dominante tende a ser mais baixo Rotação medial

Definição Postura Postura Ideal Má Postura Gangnet et al, 2003 Asher, 1976 Crianças Adultos Estágios de crescimento Maturação musculoesquelética Hábitos posturais Lafond et al, 2007? Watson e Mac Donncha, 2000 Mensuração Griegel-Morris et al, 1992 Fotogrametria Goniômetro, régua Radiografia

Arcos plantares mascarados por coxim adiposo Reflexos posturais e aperfeiçoamento do andar arcos plantares mais evidentes Tende a desaparecer por volta dos 6,5 anos (Asher, 1976)

Joelho Varo Início do andar Diminui por volta dos 18-24 meses Joelho Valgo Progressão da angulação Pico entre 3 e 4 anos Regride até o alinhamento com valgismo fisiológico de 5º a 6º, por volta dos 6 7 anos (Salenius e Vanka, J Bone Jt Surg, 1975) (Tolo, 1996)

Ângulo de anteversão do colo femoral Nascimento 30º a 60º 12 anos de idade 25º a 30º Adulto 12º a 15º no adulto (Ishida e Kuwajima, 2001)

Nascimento coluna côncava para frente (curvas primárias) Crescimento curvas convexas para frente (curvas secundárias) Aos 3 meses lordose cervical (levantar a cabeça) Aos 6 e 8 meses lordose lombar (sentar e andar) (Magee, 2002)

Lordose lombar Angulação lombar Aumento no 1 o ano de vida - aquisição postura em pé; Segundo pico de aumento aos 11-15 anos - estirão de crescimento; Diminuição da angulação - sétima década de vida. (Chernukha, 1998; Kobayashi, 2004)

Cifose Torácica Não apresenta padrão definido até 10 anos; (Asher, 1976) Meninas ectomórficas mais cifóticas que meninos; (Asher, 1976) Angulação da cifose estudo radiográfico Aumentou até os 10 anos Diminuiu entre 10 e 12 anos Aumentou novamente dos 13 aos 15 anos (Cil et al, 2005)

Protrusão abdominal Por volta dos 10-12 anos musculatura do abdome melhor contenção do conteúdo abdominal Musculatura abdominal traciona a pelve no sentido da retroversão (Kendall, 1995)

Instabilidade de ombro Frouxidão Hipermobilidade Fraqueza muscular pouca fixação escapulotorácica (Gross, 1996)

Alterações Posturais Freqüentes em crianças Ajustes mudanças proporções do corpo Estágios de crescimento Problemas de equilíbrio

Hábitos posturais inadequados Mochilas muito pesadas (acima 10% peso corporal) Protração da cabeça Maior deslocamento anterior do CG Mobiliários inadequados Maior tempo sentado

Não se espera que a criança apresente o alinhamento padrão do adulto, pois o indivíduo em desenvolvimento exibe mobilidade e flexibilidade maiores que as do adulto (Kendall, 1995)

Maior amplitude articular global: desvios momentâneos no alinhamento (anormais nos adultos) Flexibilidade protege contra desalinhamentos posturais fixos

Anteversão pélvica Déficit de contenção abdominal Hiperextensão joelhos Déficit de contenção abdominal, mecanismo de distribuição do peso ântero-posterior

Joelhos Valgos Mudar medialmente CG e melhorar equilíbrio Meninas maior distância intermaleolar que meninos Rotação medial do quadril Anteversão do colo femoral

Tornozelo Valgo Fraqueza ou incoordenação dos mm. estabilizadores do tornozelo, uso de calçados inadequados, associado a outros desvios posturais

Hiperlordose lombar Déficit de contenção abdominal Hipercifose torácica Estirão da puberdade Esconder desenvolvimento das mamas

Escápula alada Pouca fixação escapulotorácica Escápula abduzida Pode estar associada à hipercifose torácica

Protração de ombro Natural no processo de desenvolvimento diminui a partir dos 10 anos Rotação medial ombro Associada à abdução escapular

Impressão Plantar Meninos (26,31%±22,44) apresentam arco longitudinal medial mais baixo que meninas (21,02%±19,71) Joelhos Meninas (3,02±2,58 cm) maior distância intermaleolar que os meninos (2,4±3,03cm)

Postura da Cabeça Meninas maior anteriorização que meninos

Flexibilidade apresenta diferença entre sexo e idade (Mikkelson et al, 2006; Grahame, 1999; Hinman, 2004) Meninas (7 e 8 anos) apresentaram menor flexibilidade muscular que meninos da mesma faixa etária Outros estudos concluíram que meninas de 5 a 10 anos são mais flexíveis que os meninos (Cornbleet e Woolsey, 1996; Haley et al, 1986)

Penha PJ, Baldini, M, João SMA. Spinal postural alignment variance according to sex and age in 7- and 8-year old children. J Manip Phys Ther 32(2): 154-9, 2009. Penha PJ, Casarotto RA, Sacco ICN, Marques AP, João SMA. Qualitative postural analysis among boys and girls of seven to ten years of age. Rev Bras Fisioter 12(5): 386-91, 2008. Penha PJ, João SMA. Avaliação da flexibilidade muscular entre meninos e meninas de 7 e 8 anos. Fisioterapia e Pesquisa 15(4): 387-91, 2008. Penha PJ, João SMA, Casarotto RA et al. Postural assessment of girls between 7 and 10 years of age. CLINICS 60 (1):9-16, 2005.