A R L S General MacArthur Nº 2724 Juramento na iniciação" Ir Eurico Luciano Nunes A M Ir Gilmar José da Silva Pinto A M Curitiba 25/04/2016
Introdução Dentro do contexto da ordem maçônica o juramento é um marco na vida do iniciado. Ele é revestido de caráter místico, esotérico, simbólico e ritualístico. Em uma seção de iniciação maçônica, o juramento nada mais é do que um compromisso que é firmado e espontâneo, onde o profano, na condição de iniciado assume perante a loja maçônica e a ordem, nunca revelar os segredos que lhe serão transmitidos. Em vista disso, o presente estudo faz uma análise e reflexão do juramento da iniciação maçônica apresentando uma relação com alguns processos e fatos da vida profana. A partir do referencial bibliográfico da pesquisa, identificou-se que em muitas sociedades ou instituições há um momento onde o candidato para ser aceito na sociedade ou instituição a qual está solicitando ingresso torna-se necessário a realização de um juramento. No entanto, percebe-se que no juramento da iniciação maçônica o candidato tem uma mistura de sentimentos, que vai desde o medo até a felicidade ao receber a luz. O Papel do Juramento na Sociedade e na Maçonaria No mundo inteiro existem inúmeros juramentos ou compromissos que são firmados todos os dias. Isso ocorre em ritos de passagem em tribos, religiões, sociedades, na vida civil. Seja na inclusão de um novo indivíduo em um grupo, numa sociedade ou até mesmo numa nova faixa etária, desde os primórdios da civilização humana existem ritos de passagem ou cerimônias de iniciação. Exemplo disso, para um candidato ser admitido e ingressar como praça, ele presta um juramento o qual é decorrente de exigência legal, influência da história e tradição. O presidente do Brasil presta juramento antes de ser empossado. Os senadores, os parlamentares, os juízes e outros funcionários do governo prestam o juramento do cargo. Os formandos de cursos universitários também prestam compromissos de ética e fidelidade para com suas novas profissões, a exemplo do médico que ao se formar jura cumprir o Código de deontologia médica, atribuído a Hipócrates. Na maçonaria não é diferente, é habitual o novo membro efetuar um juramento no momento da sua admissão ou durante a execução de uma cerimônia de caráter iniciático, no qual se assume um determinado compromisso. E somente após a realização desse juramento é que o neófito é recebido e integrado no seio da respectiva ordem, desse modo, antes do neófito ser iniciado nos mistérios da ordem, no conhecimento dos símbolos, dos princípios e segredos, é requerido que ele
faça um solene juramento para poder ser admitido numa determinada loja. Nesse juramento, é solicitado que ele prometa sigilo e que assuma a obrigação de lealdade ao juramento e que agirá de acordo com os ensinamentos da ordem. Não há nada de ilegal ou imoral nessas obrigações assumidas. E, muito menos, elemento de leviandade nos procedimentos seja de ordem política, na vida profissional, assim como na vida religiosa, em toda parte o juramento aparece como sendo um laço energético de todos os contratos, ou seja, o cimento que agrega de modo durável as instituições (Fernand Nicolay). A Origem Histórica do Juramento na Maçonaria No esclarecimento de Nicola Aslan, a fase Operativa da Maçonaria e início da Especulativa: um juramento era prestado para conservar os segredos dos sinais, toques e palavras para permitir àqueles que os conheciam, conseguirem trabalho em suas viagens, ou auxílio em caso de necessidades. A maçonaria operativa, ou dos construtores, foi um período em que a ordem maçônica estava diretamente ligada à arte da construção e teve o seu apogeu no século XIII. Também conhecida por maçonaria de ofício, resplandeceu na idade média, sob a influência espiritual da Igreja. A Europa vivenciou, neste período, efervescente demanda por construções de catedrais, igrejas, abadias, mosteiros, conventos, palácios, basílicas, torres, casas nobres, mercados e paços municipais. Pode se afirmar que o continente possuía grande abundância de monumentos e construções arquitetadas e executadas por maçons operativos. As principais obras da época incluem, dentre outras, a famosa Notre Dame de Paris, as Catedrais de Reims, de Estrasburgo, de São Pedro em Roma, de Sevilha, de Toledo, a Abadia de Westminster, o convento de Monte Cassino e o Mosteiro da Batalha. Os primeiros documentos de grande importância para a Maçonaria, não por coincidência, surgiram nessa época. A Constituição de York, o Manuscrito Régius, o Manuscrito de Cooke, os Estatutos e Regulamentos da Confraria dos Talhadores de Pedra de Estrasburgo, o Regulamento de 1663 ou Leis de Santo Albano, o Manuscrito Harley, o Manuscrito de Schaw, o Manuscrito de Kilwinning, constituindo se documentos que viriam compor a maçonaria moderna e que ficou conhecida como as Old Charges, denominação inglesa das constituições antigas. As Old Charges ou antigas obrigações ou antigos deveres, são escritos que se referem às lojas e aos regulamentos gerais. Tais manuscritos ilustram os deveres, os segredos, os usos e os costumes dos maçons operativos e se constituem base da jurisprudência para a maçonaria moderna. Analisar
e estudar a origem da maçonaria propicia ao maçom o conhecimento de suas origens e uma melhor visão de conjunto da instituição, revelando o que até então parecia obscuro sobre questões relacionadas à ordem maçônica. Possibilita revisar e buscar a compreensão da regulamentação da conduta moral dos maçons, ou seja, relembrar seus juramentos e compromissos. Essa análise também reforça a importância da organização familiar como elemento básico para tornar-se um bom e futuro obreiro. Com o estudo da maçonaria operativa, o maçom moderno, irá entender melhor essa grande engrenagem que move a ordem maçônica. Tomará consciência de que recebeu uma herança de grande valia e passará a dar maior importância ao trabalho do maçom operário. Enquanto o maçom operativo construía grandes templos, igrejas, catedrais, o maçom atual deve construir, por meio da simbologia e dos conceitos herdados, o grande templo ideal que é o homem integrado e em harmonia com a sociedade. Cerimônia de Juramento Iniciático Desde os primórdios da formação das sociedades existem determinados momentos na vida de seus membros que são marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem. Nestas cerimônias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representavam igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual está inserida. Neste contexto, na maçonaria também ocorre uma cerimônia de iniciação, ou seja, um rito de passagem da vida profana para a vida maçônica. Mas não é um mero marco dessa passagem, desse início. O traço distintivo da cerimônia de iniciação em relação à generalidade dos ritos de passagem é que, mais do que assinalar, festejar, marcar a passagem da vida profana para a vida maçônica, tem um papel efetivamente constituinte dessa transição. Não se pode ser maçom sem viver a cerimônia de iniciação. Entretanto, na maçonaria é habitual o novo membro efetuar um juramento no momento da sua admissão ou durante a execução de uma cerimônia de caráter iniciático, no qual se assume um determinado compromisso. E somente após a realização desse juramento é que o neófito é recebido e integrado no seio da respectiva Ordem. Para Nicola Aslan, juramento é o procedimento com que se jura, promete ou afirma tomando Deus por testemunha ou invocando o nome de uma coisa que se reputa sagrada. No entanto, o juramento maçom deve ser feito de corpo, alma e coração, de forma alguma deve ser uma obrigação, pois para que a nossa mente e o nosso espírito apreendam em toda a sua complexidade e riqueza o que é ser maçom, é essencial viver
a iniciação. Porque a transformação ética e espiritual que o método maçônico propicia depende, não apenas do intelecto, mas da integralidade do homem. O que vale por dizer que não basta conhecer intelectualmente os princípios, os ensinamentos, os propósitos, a moral. É necessário sentir esses princípios, esses ensinamentos, esses propósitos, essa moral.nicola Aslan comenta que, na fase Operativa da Maçonaria e início da Especulativa: um juramento era prestado para conservar os segredos dos sinais, toques e palavras para permitir àqueles que os conheciam, conseguirem trabalho em suas viagens, ou auxílio em caso de necessidades. Na cerimônia de iniciação tem vários pontos marcantes quando está realizando o juramento, será exposto abaixo de forma não exaustiva, iniciando com a promessa de nunca escrever, gravar, entalhar, traçar, imprimir ou por qualquer outra forma descrever os segredos mac:., tendo como punição a g. c. de l. a l., minha l. a. pela r., e e. na a. do m., a d. um da p., onde a m. faz f. e r. duas v. e q. h.. Entende-se que esta fala demonstra a possibilidade do neófito falhar como maçom e se submeter às penalidades cabíveis. No entanto podemos refletir sobre o significado de ter sua l. a. pela r., ou seja, a l. tem entre outras funções, produzir a fala, ou seja, provendo as palavras que pronunciamos caracterizando símbolo de comunicação. Neste sentido quando o maçom quebra seu juramento, aceita a punição de que não mais possa pronunciar maçonicamente, qualquer palavra ou expressão, tornando-se estéril, do ponto de vista da comunicação verbal. Ou seja, a partir do momento em que perjura, ele se submete a não ter mais credibilidade maçônica entre os seus irmãos.outro momento muito importante na cerimônia de iniciação é a prova da caridade: Tendes convosco alguma coisa a dar para o tronco de benf.?, com um significado muito profundo porque o candidato está deliberadamente impedido de aceitar o desafio. Todos os valores tinham sido retirados antes. Mas isso serve para demonstrar que a caridade vem do coração e é uma forma de vida não apenas um pagamento. A vestimenta e ausência de valores fazem o candidato refletir de que maneira ele pode demonstrar caridade. Essa reflexão deve reforçar sua constante obrigação a de aliviar o sofrimento dos irmãos indigentes ou carentes. A caridade, como demonstrada, pode assumir a forma de seu tempo, sua energia, a sua amizade ou assistência financeira, enfim, são diversas as formas de caridade a que o candidato é submetido a refletir, pois um dos princípios do maçom deve ser a caridade.
Juramento na iniciação e seus sentimentos A cada novo processo de iniciação que temos a oportunidade de assistir, faz com que tenhamos uma reflexão sobre a nossa iniciação, pois, como estávamos envolvidos de muitos sentimentos, incertezas, e até mesmo medo do desconhecido, fez como que não lembrássemos algumas falas, viagem e percepção do local onde foi realizada a iniciação. Ao presenciar a entrada de um novo candidato e acompanhar todo o ritual de iniciação faz reviver, entender como é rico e forte esse processo. O aprendiz maçom ao reviver o ritual de iniciação permite que ele faça uma reflexão sobre falas que ele simplesmente repetiu, ou seja, a cada nova iniciação que assiste permite que ele perceba o quão importante é o juramento para sua evolução como pessoa e maçom. Conclusão O juramento na iniciação contém mais sentido do que podem sugerir as palavras que o compõem, se entendidas pelo seu lado esotérico. Em vez de meras palavras alegóricas e teatrais, destinadas a impressionar o neófito pela penalidade que demonstra o juramento e o castigo pelo perjúrio ocultam um sentido muito mais significativo, merecedor de permanente reflexão. Para perceber a extensão do castigo e a sua real aplicação, na vida prática, é necessário que saibamos interpretar o profundo significado esotérico do compromisso que, num momento glorioso, o maçom assumiu como primeiro e mais importante vínculo espontaneamente admitido com a ordem. Sob o ponto de vista iniciático, a relação existente entre o neófito e a maçonaria tem início, exatamente, no momento em que conclui a prestação do seu juramento sagrado, num momento solene e com o testemunho daqueles que são, a partir daí, inseparavelmente ligados ao seu próprio destino. Tal compromisso, se quebrado, por infelicidade ou má-fé, tem o seu castigo terrível no corte, definitivo e permanentemente, de todas as ligações criadas desde a iniciação. Não se trata, portanto, de mera simbologia vazia de conteúdo ou de manutenção, pura e simples, de um costume ancestral. Menos, ainda, é ameaça real de ofensa física ou castigo corporal que possa intimidar, pelo seu sentido externo, aqueles que o prestam. Nas palavras do juramento do aprendiz repousam as bases onde se hão de assentar, progressivamente, todos os
seus outros compromissos, a serem assumidos à medida que progride na maçonaria. E por isso que o juramento tem uma importância tamanha na maçonaria, uma vez que através dele o maçom contrai a obrigação que o liga a Ordem pelas mais elevadas aspirações de sua alma, com a mais plena, livre e espontânea vontade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASTELLANI, José, Cartilha do Aprendiz. Ed. A Trolha, Londrina, 2004 Câmara de Reflexões. Online. disponível em: http://cidademaconica.blogspot.com/2007/07/cmara-de-reflexes.html DA CAMINO, Rizzardo. Simbolismo do Primeiro Grau. Ed. Madras, São Paulo, 1998. DUARTE, Jan. Iniciação e Ritos de Passagem. Online. disponível em: http://www.casadobruxo.com.br/textos/magia99.htm Maçonaria operativa: A origem da arte real - Lucas Francisco Galdeano Por Trás do Juramento. Por. Editor. Posted on 28 de maio de 2010 Publicado em: Estudos, Simbolismo.