O PLANEJAMENTO NO SETOR ELÉTRICO



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Transcrição:

O PLANEJAMENTO NO SETOR ELÉTRICO Mario Veiga mario@psr-inc.com Seminário FBDS - Desafios Ambientais no Novo Modelo do Setor Elétrico Rio, 01 de Abril de 2005 1

Temário Visão geral do sistema elétrico Perspectivas de suprimento Desafios para o planejamento Inserção dos recursos renováveis e geração distribuída 2

Visão Geral do Sistema Elétrico Cap. Inst. (2004): 89 mil MW Produção: 43.800 MW médios 55% da América do Sul Consumo máximo: 56.800 MW - comparável ao Reino Unido ou Itália 3

Fontes de produção de energia Térmicas + interconexões (15%): geração a gás natural (ciclo aberto e combinado), carvão, óleo e nuclear Hidro (85%): grandes usinas em cascata, em diferentes bacias hidrográficas As usinas hidro são operadas em conjunto, para aproveitar a diversidade (exportação das bacias molhadas para as secas ) A. A. Layner 602 Xavantes 604 L.N.Garoez 605 Canoas I 606 Canoas II 607 Capivara 616 Taquaraçu 617 Rosana 618 Nova Ponte 1508 Miranda 1509 Capim Branco 1510 Bocaina 1501 Itumbiara 1513 Cachoeira Dourada 1514 São Simão 1515 Itaipu Binac. 620 Corumbá I 1512 Serra Falcão 1493 Emborcação 1505 Barra Bonita 907 A.Souza Lima 908 Ibitinga 909 ML Leão Prom. 910 N.Avanhandava 911 C.I.Solteira 914 S.Dias Jupia 919 Porto Primavera 926 Camargos 1207 Itutinga 1208 Funil Grande 1212 Furnas 1221 Masc. Moraes 1222 Estreito Grande 1223 Jaguara 1224 Igarapava 1225 V.Grande Gde. 1226 P.Colombia 1227 Maribondo 1240 A.Vermelha 1241 Caconde 1233 Euclides da Cunha 1236 A.E.Oliveira 1237 Viradouro 1244 Jaborandi 1243 Barretos 1242 4

Sistema de transmissão A transmissão é um fator importante para a integração da produção hidrelétrica O país é interconectado por 80 mil km de linhas de transmissão de alta tensão Linhas longas (> 1.000 km) + 40 mil km de linhas deverão ser construídos até 2012 * Eletrobrás, Ten Year Expansion Plan 2003-2012 5

Segmentos do setor Geração: 11 concessionárias 15% privadas (por energia produzida) Faturamento (2003) : US$ 9 bilhões Transmissão: 26 empresas (17 privadas) Faturamento (2003) : US$ 1,6 bilhões Distribuição: 64 concessionárias 80% privadas (por energia consumida) Faturamento (2003): US$ 16 bilhões 6

Principais instituições CNPE Conselho Nacional de Política Energética MME (Ministério de Minas e Energia) EPE Empresa de Pesquisa Energética (estudos de planejamento energético e ambiental) CMSE Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (segurança de suprimento energética) ONS Operador Nacional do Sistema (otimização operativa, segurança de suprimento) Agências reguladoras (ANEEL e ANP) CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica 7

Perspectivas de suprimento 70.0 Nova Capacidade Necessária 60.0 50.0 Average GW 40.0 30.0 20.0 10.0 0.0 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Firm Energy 53.0 55.3 56.3 58.5 58.6 58.6 Load 46.8 49.2 51.7 54.3 56.9 59.6 Cenário: 5,4% crescimento demanda (4,3% de crescimento PIB) 8

Necessidade de Investimento Até 2008, há capacidade firme suficiente; a partir de 2009, é necessária nova capacidade (cerca de 3000 MW/ano) Devido aos tempos de construção das usinas, a decisão de investimento deve ser tomada em 2005 Source: MME. 2004 9

Recursos para a expansão da geração Norte: Norte: hidro hidro (abundante) e gás gás natural natural Nordeste: hidro hidro (limitado); gás gásnatural offshore ; importação de de GNL; GNL; importação das das regiões regiões Norte Norte e Sudeste; biomassa (cana); (cana); eólica eólica Sul: Sul: importação de de gás gás e eletricidade da da Argentina; carvão; carvão; usinas usinas hidro hidro binacionais; eólica eólica Sudeste/CO: hidro; hidro; gás gásbolívia + offshore (Campos e Santos); biomassa (cana) (cana) 10

Desafios para o planejamento 1. Incerteza na demanda - soluções flexíveis e robustas (tempo de construção) 2. Localização - custos evitados da rede de alta tensão para geração térmica e da rede de distribuição para geração distribuída 3. Integração gás/eletricidade - rede elétrica e gasodutos; co-geração e redes de gás/distribuição nos centros urbanos 4. Participação da demanda/eficiência energética melhor aproveitamento da energia secundária; ajuste em situações de escassez 5. Impacto ambiental - licenciamento e incentivos (créditos de carbono) 6. Harmonização com mecanismos competitivos - Sinalização eficiente para leilões de contratação de nova capacidade 11

1. Incerteza na demanda 75000 70000 65000 60000 55000 50000 45000 40000 35000 30000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Cenário Referencia 42508 44465 46906 49626 52611 55096 57942 61625 64493 67504 Cenário Alto 42508 45239 47895 51295 54959 57889 61197 65334 68752 72262 Cenário Baixo 42508 43850 45228 46828 48748 50386 52314 54169 56050 58052 Previsão de demanda 2003-2009 12

O dilema da decisão sob incerteza 20000 18000 16000 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 Baixo Referência Alto 9806 15434 18689 Se o investimento é feito para o cenário baixo, há risco de escassez; para o cenário alto, há risco de sobre-oferta 13

A vantagem da flexibilidade Embora as hidrelétricas sejam nominalmente mais baratas, elas têm prazo de construção maiores, e não se adaptam fácilmente a mudanças na demanda maiores custos para o consumidor, devido a sobre-investimento ou escassez Usinas nominalmente mais caras, mas com menores prazos de construção, podem ser mais econômicas para o consumidor final numa estratégia de contratação 14

Estratégia de expansão 75000 70000 65000 60000 55000 50000 até o final de 2005 não é possível saber qual é o cenário; a decisão de investimento não é condicionada ao cenário não é possível distinguir o cenário alto do de referência; a mesma decisão é aplicada a ambos cenário alto cenário ref. cenário baixo 45000 40000 35000 30000 a partir de 2006, é possível saber se estamos no cenário baixo ou no cenário alto/referência; a decisão de investimento é condicionada ao cenário 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Cenário Referencia 42508 44465 46906 49626 52611 55096 57942 61625 64493 67504 Cenário Alto 42508 45239 47895 51295 54959 57889 61197 65334 68752 72262 Cenário Baixo 42508 43850 45228 46828 48748 50386 52314 54169 56050 58052 As estratégias de expansão valorizam os tempos de construções menores das térmicas 15

2. Localização O objetivo do planejamento é minimizar o custo final da energia para o consumidor: soma de geração, transmissão e distribuição Portanto, na comparação de opções é necessário considerar o custo evitado das redes de transmissõ de alta tensão ( hidro vs térmica ) e de distribuição ( térmica vs geração distribuída ) 16

3. Integração gás/eletricidade Aumento da produção local (bacia de Santos), importação da Bolívia e Argentina (Uruguaiana e TSB) Crescimento acelerado do consumo de gás industrial, comercial e transporte A geração térmica a gás natural corresponde a cerca de 50% do consumo de gás natural Grandes investimentos em infra-estrutura de transporte (exemplo, GASENE) Importância para sistemas isolados (redução de consumo de óleo e benefícios ambientais) Regulamentação do setor de gás em desenvolvimento 17

4. Participação da demanda/eficiência energ. O racionamento de 2001/2002 mostrou o imenso potencial para a eficiência energética e resposta da demanda a sinais econômicos Oportunidades imediatas: eletrotermia (com possibilidade de créditos de carbono) e consumo interruptível (melhor aproveitamento da energia secundária ) Futuro: participação formal da redução de demanda nos leilões de contratação 18

5. Impacto ambiental O impacto ambiental tem sido incorporado como uma restrição ao planejamento, isto é, reduz o conjunto de candidatos às usinas aceitáveis O desafio é incorporar a dimensão ambiental ao próprio processo de planejamento, de maneira semelhante aos atributos já mencionados de flexibilidade e localização O mecanismo de créditos de carbono é um fator adicional de grande importância (negociação recente do Banco Mundial com o setor de bioeletricidade, que pode viabilizar a entrada substancial de co-geração nos leilões) 19

6. Harmonização planejamento/competição O novo modelo do setor elétrico busca harmonizar a visão estratégica do planejamento com a eficiência dos mecanismos competitivos Isto é feito através dos leilões de contratação de nova capacidade O montante a contratar é informado pelas distribuidoras O menu de opções é dado pelo governo (concessões hidrelétricas c/ licença ambiental) e pelos investidores (usinas térmicas) O desafio final para o planejamento é fornecer sinais econômicos que induzam o reconhecimento dos atributos desejáveis, por exemplo tempo de construção, localização e benefícios da geração distribuída 20

Exemplos de sinais econômicos Tempo de construção realização de dois leilões, um com antecedência de 5 anos (A-5) e outro com antecedência de 3 anos (A-3) Localização tarifas de transmissão que refletem a responsabilidade de cada gerador pelos investimentos na rede Benefícios da geração distribuída permissão para que as distribuidoras contratem diretamente, através de esquemas competitivos, até 10% de sua demanda Há um processo contínuo de discussão e aperfeiçoamento destas medidas, em colaboração MME e associações tais como a COGEN e outras 21

Conclusões A complexidade do processo de planejamento é muito grande, devido às dimensões de incerteza, transporte, interação entre setores energéticos (gás e eletricidade) e a dimensão ambiental O novo modelo setorial busca o círculo virtuoso de harmonizar visão estratégica e eficiência econômica Dois marcos importantes neste processo são a criação da EPE e o processo de diálogo/cooperação com as diversas associações 22