o. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA GABINETE DO DESEMBARGADOR JOÃO ALVES DA SILVA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVO DE INSTRUMENTO NQ 001.2010.006903-6/001 RELATOR : Desembargador João Alves da Silva AGRAVANTE : Itaú Seguros S/A (Adv. Rostad Inácio dos Santos) AGRAVADO : Aureliano de Oliveira Silva, representado por sua curadora Denise Pereira Teófilo (Adv. Wamberto Balbino Sales) AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DPVAT. PERÍCIA. OBRIGAÇÃO DO PAGAMENTO PELO REQUERENTE. APLICAÇÃO DO ART. 33, CPC. RECURSO EM CONFRONTO COM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SEGUIMENTO NEGADO. "Cabe a parte que requereu a diligência o encargo à antecipar ou depositar os honorários do perito." (TJSC AI n., de São José, Rel. Des. Silveira Lenzi, DJ de 24.04.98). Trata-se de agravo de instrumento com pedido de efeito suspensivo, desafiando decisão interlocutória proferida pelo Juízo da 8 Vara Cível da Comarca de Campina Grande, lançada em sede de ação de cobrança ajuizada pelo agravado em face do agravante. Na decisão objurgada, em suma, o magistrado manteve o valor dos honorários periciais, bem como determinou o pagamento da perícia pelo requerente, no prazo de 05 (cinco) dias, sob pena de indeferimento. O recorrente argumenta que a decisão merece reparos, uma vez que "desnecessária a nomeação do perito judicial, ainda mais sob as expensas da ré", devendo a perícia ser realizada pelo Instituto Médico Legal do Estado da Paraíba. Destaca que o valor dos honorários periciais devem ser reduzidos, em razão do mesmo ter sido demasiadamente excessivo. Por fim, pleiteia a concessão de efeito suspensivo ao recurso e, ao final, o seu provimento, a fim de que a perícia seja realizada por órgão competente, ou seja, pelo Instituo Médico Legal do Estado da Paraíba.
Relatado o que há de pertinente, decido. Na presente situação, apesar de haver a necessidade de realização de prova pericial, não se pode deixar de consignar que, ordinariamente, as despesas processuais devem ser antecipadas por aquele que a requereu, in casu, pelo agravante. Reza, a respeito, o art. 19 do CPC: "Art. 19. Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita, cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo, antecipando-lhes o pagamento desde o início até sentença final; e bem ainda, na execução, até a plena satisfação do direito declarado pela sentença". 01, Mais especificamente, alude o art. 33, caput, do CPC: "Art. 33. Cada parte pagará a remuneração do assistente técnico que houver indicado; a do perito será paga pela pálte que houver requerido o exame, ou pelo autor, quando requerido por ambas as partes ou determinado de ofício pelo juiz". Desta feita, conforme resta evidente da leitura dos dispositivos acima transcritos, percebe-se que, tendo a realização da perícia sido solicitada apenas pelo agravante, cabe a ele arcar com os honorários do perito. de Justiça. Neste sentido é a jurisprudência do Colendo Superior Tribunal PROCESSO CIVIL - PERÍCIA CONTÁBIL - ADIANTAMENTO ÔNUS. 1. O pagamento de perícia contábil compete àquele que a requereu, conforme disposição do art. 33 do CPC. 33, CPC. Recurso especial improvido l. (grifou-se). PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS PERICIAIS. ART. 33 DO CPC. 1. A reavaliação de bem penhorado decorrente de impugnação não é providência que pode ser determinada de ofício. 2. Aquele que requereu nova avaliação deve arcar com os ônus dos honorários periciais, nos exatos termos do artigo 33 do CPC. 3. Recurso especial improvido 2. (grifou-se). INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. CONVERSÃO DO STJ PB 2003/0147828-7, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 03/08/2005, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 29.08.2005 p. 259 = REsp 611970/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 26.10.2004, DJ 18.04.2005 p. 256
JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA EXAME PERICIAL PELO MÉTODO DO DNA. ATRIBUIÇÃO DO SEU CUSTEIO AO RÉU DIANTE DO SEU INTERESSE EM AFASTAR A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DAS AFIRMAÇÕES PRODUZIDAS PELO AUTOR. PARTICULARIDADE DA ESPÉCIE. - Atribuído pelo V. Acórdão o interesse do réu na realização do exame pericial, não constitui afronta ao art. 33 do CPC a determinação, ali constante, de que responda ele pela obrigação de antecipar as despesas pertinentes. Recurso especial não conhecido'. (grifou-se). Ademais, não há que se confundir distribuição do ônus da prova, com o pagamento de despesas processuais. Tal inversão é concernente às consequências da não produção das provas, não interferindo na responsabilidade da parte pelo adiantamento das despesas relativas à sua realização, conforme as regras insculpidas no art. 33 do CPC. Quanto ao valor arbitrado a titulo de honorários peri 'ais, entendo que não merece reforma. Para fixação de perícias em feitos que se buscam averiguar o grau de invalidez, com o fim de pagamento do seguro dpvat, há considerar que mesmo se tratando de questão repetitiva nos foros, deve ser analisada as peculiaridades de cada caso concreto. Não consta nos autos justificativa para a redução do valor da verba pericial, posto que em relação aos honorários periciais, incumbe ao Juiz verificar sua adequação, observados os valores em discussão, as condições das partes, o grau de dificuldade e a complexidade do trabalho a ser realizado, critérios estes que, no caso em exame, foram valorados pelo Magistrado ao acolher a verba honorária pretendida, o fazendo com acerto. Sendo assim, a importância de R$ 800,00 (oitocentos reais) não se mostra excessiva, não merecendo, portanto, qualquer reparo. Nesse sentido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO ACIDENTÁRIA -HONORÁRIOS PERICIAIS - FIXAÇÃO EM PATAMAR JUSTO - REDUÇÃO - DESCABIMENTO -DESPROVIMENTO. - Não há falar em redução do valor arbitrado a titulo de honorários periciais, quando estes forem fixados em patamar razoável'. 3 REsp 130.500/RS, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 17.08.1999. DJ 29.11.1999 p. 166 TJPB - Acórdão do processo n 20020040042919001 - Órgão (3 CCI) Rel. Des. Márcio Murilo da Cunha Ramos -j. em 05/05/2009
Por fim, quanto a alegação de que a perícia deve ser feita pelo Instituto Médico Legal, entendo que não merece provimento. Ocorre que a realização de perícias na esfera judicial não está entre as atribuições deste órgão público, não podendo a seguradora pretender sobrecarregá-lo com tal encargo porque, em última análise, não precisaria custear sua produção. Nesse contexto, não se verifica qualquer prejuízo à defesa ou risco de lesão que possa suportar a seguradora com a elaboração da perícia médica por profissional nomeado pelo Juízo, que certamente será tão qualificado quanto qualquer perito do IML e indicará qual o grau de invalidez do agravado, viabilizando a fixação do valor devido a título de seguro obrigatório. Assim, considerando que o presente agravo está em confronto com a jurisprudência dominante do STJ, nos termos do art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao recurso, mantendo na íntegra a decisão ora guerreada. Publique-se e Intimem-se. João Pessoa, 19 d ezembro de 2011. Desembargado Re r to o Alves da Silva