4. REFERÊNCIAS PROJETUAIS



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Transcrição:

4. REFERÊNCIAS PROJETUAIS 4.1. Revitalização do Rio Cheonggyecheon Seul Coréia do Sul Ficha Técnica Localização: Seul, Coréia do Sul Autor do Projeto: KeeYeonHwang Área de Intervenção: 400 hectares, 8 km de comprimento X 80m de largura Proposta: Revitalização do Rio Cheonggyecheon Ano: Julho de 2003 O LUGAR Seul, capital da Coréia do Sul. Idade: mais de 800 anos População: 10,3 milhões de habitantes Área total: 605.600 Km² de extensão Localização:(ver figura 29) Figura30: Planta de localização do Cheonggyecheon. Observe que o Rio Han corta a cidade de Seul sendo o responsável pelo abastecimento de 45% das cidades da Coréia do Sul. O Rio Cheonggyecheon é um de seus afluentes e percorre o centro da cidade de Seul. Foi às margens dele que a cidade se desenvolveu e por isso tem tamanha importância aos cidadãos sul coreano. Fonte: Imagem do Google Earth com intervenções do autor, 2011. SITUAÇÃO Cidade de Seul, 1950: Existia o canal de Cheonggyecheon, um leito de águas de caráter rural que dividia a cidade no sentido norte-sul e servia às pessoascomo um local para lavar roupas. Com o crescimento econômico na Coréia do Sul, juntamente ao crescimento territorial, novas infraestruturasforam desenvolvidas nas cidades e a autopista Cheonggyecheon foi uma 33

delas,construída em Seul a fim de suprir a demanda crescente de espaços para os veículos. O canal tornou-se praticamente um esgoto a céu aberto e a autopista um símbolo da modernidade sul coreana. 160.000 veículos transitavam por dia na autopistacheonggyecheon(ver figuras 30 e 31); A autopista diminuiu em demasia a qualidade de vida da população, gerando um grande e crescente índice de poluição, tornando-se uma barreira para a ventilação natural e essa falta de ar puro colabora para a dispersão de doenças e ainda causando a contaminação ambiental. ESTOPIM O prefeito Lee MyungBak resolveu lutar pela revitalização revolucionária do canal Cheonggyecheon, liderando o projeto de recuperação do rio, tratando suas águas, demolindo a autopista e a criando um parque linear com 8 km de extensão. Figura31 e 32: Autopista Cheonggyecheon em Seul, ano de 1999. Fonte: www.commondatastorage.googleapis.com/static.panoramio.com /photos/original/11900276.jpeg, 2010. 34

VIABILIDADE DO PROJETO 1999 a prefeitura de Seul foi obrigada a fechar um dos 3 túneis de viabilidade urbana da cidade; Resultado: ao invés do volume de carro aumentar em outro ponto causando congestionamento, o inverso ocorreu, o volume de veículos caiu significativamente. Isso depois foi estudado e entendido comoparadoxo de Braess, no qual sugere que onde se elimina uma área urbana importante, mas em contrapartida se constrói capacidade extra dentro de um sistema de rede de vias, cria-se uma gama de opções de tráfego, diminuindo a concentração pontual. Figura 33: Estudo dos Fluxos. Observe que antes da revitalização do canal, a autopista possuía o fluxo concentrado em suas vias, distribuindo o tráfego para os demais bairros do entorno. Fonte: desenho do autor, 2011. PROJETO Solução do tráfego, (ver figuras 32 e 33); Remanejamento dos comerciantes do entorno imediato, reduzindo dessa forma o gabarito das edificações paralelas ao parque e o fluxo de veículos; Figura34: Estudo dos Fluxos. Com o projeto de revitalização, e então a construção do parque linear, o fluxo que antes saia da autopista para o entorno modificou. Agora o parque linear distribui o fluxo de veículos para os demais bairros sem haver concentração de veículos em uma única via. Além disso, existe relação entre pedestres dos dois lados da via. Fonte: desenho do autor, 2011. 35

Criação de um semi-anel viário para direcionar o grande fluxo de veículos que existia na autopista a caminho do centro da cidade; Para dar identidade ao lugar, o urbanista criou ao longo do parque linear 21 pontes para pedestres, permitindo a passagem de um lado a outro do rio, (ver figuras 34 e 35); Foram criados vários espaços públicos com atividades diversificadas aos usuários; O transporte público foi melhorado e houve a implantação do ônibus de Curitiba denominado BRT, (Bus Rapid Transit), para reduzir dessa forma o uso de veículos particulares. EFEITOS As temperaturas dos solos e da superfície próximas ao novo canal reduziram em média 3,6 C em relação às zonas que se encontram a 400 metros de distância da intervenção; Mais de 30.000 pessoas utilizam o parque a cada final de semana; Redução do uso de veículos particulares. Figura 35: Observem no croqui superior a autopista, os espaços subutilizados abaixo da mesma e a falta de permeabilidade do solo e no croqui inferior, a mudança a partir do projeto de revitalização que proporcionou maior permeabilidade do solo, o parque linear, a diminuição de veículos que permitiu o trânsito de pedestres de um lado a outro do parque. Fonte: arquivo do autor, 2011. A água do Rio Cheonggyecheon foi tratada; 36

Figura36: Mapa de Implantação geral do Parque Linear Cheonggyecheon. São 21 pontes para pedestres, que além de ligar de um lado a outro do parque, criam identidade à região, uma vez que as pontes são diferentes, com elementos que fazem formas de destaque e, além disso, essas pontes servem como mirantes. Fonte:http://espeschit.blog.uol.com.br/arch2007-05-27_2007-06- 02.html 37

4.2. Concurso Bairro Novo São Paulo Brasil Ficha Técnica Localização: São Paulo, Brasil. Autor do Projeto: Euclides Oliveira, Carolina de Carvalho, Dante Furlan. Área de Intervenção: mais de 1.000.000,00 m² Proposta: Primeiro lugar no concurso Bairro Novo com a proposta de um plano urbano para a região da Barra Funda Ano: Janeiro de 2009. O PARTIDO E A PROPOSTA Partiu-se do sistema viário, onde foi adotado o sistema cartesiano, orientado no sentido Norte-Sul, direção do escoamento natural das águas pluviais para a bacia do rio Tietê. Foram criados grandes quarteirões de 318x 318m delimitados por vias principais de circulação com 25m de caixa; estas superquadras foram então subdivididas em quatro quadras menores por vias secundárias que, por sua disposição em forma de cata-vento, geram uma praça no interior de cada quarteirão, (ver figura 38). O LUGAR O terreno,(ver figura 37), com área de 107, 6266 Ha, é limitado ao norte pela Avenida Marginal do Rio Tietê, ao sul pela Avenida Francisco Matarazzo, possui dois corredores expressos para ônibus (um na Francisco Matarazzo e outro na Avenida Marquês de São Vicente), a sua frente encontra-se a linha de trens suburbanos da CPTM e fica a menos de um quilômetro da estação intermodal da Barra Funda (metrô/ trem/ ônibus). Imagem 37: Imagem do google Earth da área de intervenção. Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read /arquitextos/09.104/82 A topografia é praticamente plana e o terreno é pouco ocupado, o que facilita a desapropriação caso seja necessário. 38

ponto focal de interesse paisagístico, numa linguagem adequada ao uso comum de todas elas. Figura 38: Imagem das quadras propostas, sendo as vias principais com largura de 25 m. As vias secundárias delimitam a praça no centro das superquadras. Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.104/82 com intervenções do autor, 2011. Essas praças formadas no interior das superquadras possuem um projeto paisagístico basicamente, em um sistema de dez praças com área de cerca de 6.500 m² cada, um parque urbano com 74.500 m² e a arborização da malha viária. São concebidas com características de áreas de lazer destinadas às unidades habitacionais, apresentando um desenho com leitura de fácil identificação dos acessos, convergindo para um Figura 39: Imagem do paisagismo proposto para as praças no interior das superquadras. Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.104/82. Cada praça foi pensada para ter elementos peculiares, visando o enriquecimento e identidade desses espaços livres do bairro. Dessa forma, a praça I, contará com tanques para peixes e espelhos d água e na praça II haverá espaços para a comercialização de frutas e flores. Na praça III se encontrará diversos tipos de fontes e na praça IX espaços para feiras de artes e artesanatos, locais para uso dos grafiteiros e assim por diante: praças pomares, praças com palco e anfiteatro, praças 39

para se passear, todas elas dotadas de equipamentos de lazer para as diversas faixas etárias. Quanto às espécies arbóreas e arbustivas escolhidas para cada um destes espaços, estas foram indicadas de acordo com o tema de cada uma das praças e se constituirão em parte integrante do arranjo espacial e funcional proposto. O parque, situado próximo a ponte sobre o Tietê, foi concebido em uma linguagem orgânica, com um modelo de relevo em ondulações suaves e um lago, referência simbólica às antigas várzeas e meandros do rio. O plantio será composto principalmente, por extensos gramados com grupos de árvores nativas e fileiras de palmeiras plantadas mais densamente nas faixas que margeiam o sistema viário, de modo que funcionem como barreiras visuais e sonoras criando um ambiente de tranquilidade no interior do parque. Figura 40: Imagem da maquete do paisagismo proposto para as praças no interior das superquadras. Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.104/82. 40