PRÓTESES PIP E RÓFIL DIREITO MÉDICO

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Transcrição:

O caso das PRÓTESES PIP E RÓFIL O Ingracio Advogados Associados vem por meio desta apresentar breves considerações acerca do tema esperando contribuir com o esclarecimento da classe médica.

1. A ANVISA, como fiscal da saúde, falhou no controle da qualidade das próteses de silicone defeituosas, permitindo seu registro e importação sem realizar testes que atestassem a adequação da composição dos produtos. Amparou sua conduta na documentação apresentada, eximindo-se de realizar qualquer análise por amostragem. 2. Com tal conduta, a ANVISA descumpriu sua função institucional (art. 6º, Lei nº 9.782/1999). Agiu ilicitamente, de forma negligente, causando dano a terceiros (art. 186 Código Civil) e, portanto, gerando o dever de indenizar (arts. 927, 949 e 37, parágrafo 6º do Código Civil). 3. A própria Agência reconhece a falha de procedimento, tanto que propõe mudança imediata no processo de importação de próteses. 4. Diante da gravidade da situação, a ANVISA convoca as pessoas que tiveram implantadas as próteses das marcas que apresentaram alteração a buscarem atendimento nas redes pública e privada de atendimento à saúde.

5. Entretanto, o órgão recomenda apenas a troca das próteses já rompidas, assegurando para estas o tratamento mediante realização de cirurgia pelo SUS, ou através dos planos de saúde particulares. 6. Incorre em erro mais uma vez ao expor as vítimas a risco continuado. 7. O Código de Ética Médica é bastante claro: Capítulo I Princípios Fundamentais II - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional. XVI - Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha, pelo médico, dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para o estabelecimento do diagnóstico e da execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente.

Capítulo I Princípios Fundamentais XIX - O médico se responsabilizará, em caráter pessoal e nunca presumido, pelos seus atos profissionais, resultantes de relação particular de confiança e executados com diligência, competência e prudência. Capítulo II Direitos dos Médicos É direito dos médicos: II - Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as práticas cientificamente reconhecidas e respeitada a legislação vigente. 8. Cabe, não à ANVISA, mas sim ao médico indicar qual o tratamento adequado ao paciente. Os médicos não podem e não devem abdicar desta prerrogativa, sob pena de estarem sujeitos a responsabilização pessoal. 9. Por outro lado, não cabe à ANVISA determinar qual médico deverá realizar a cirurgia de substituição das próteses, especialmente por tratar-se da co-autora do dano.

10. A relação médico-paciente é de confiança. O Código de Ética Médica, em seu Capítulo I Princípios Fundamentais assegura, em seu inciso XX, o caráter personalíssimo da atuação profissional médica. 11. Por todo o exposto, conclui-se que é a vítima do dano quem elegerá o médico que lhe vai tratar. O médico assistente, por sua vez, é quem indicará o tratamento adequado, sendo ele cirúrgico ou não, independentemente de haver rompimento de prótese. 12. À ANVISA compete custear o tratamento indicado pelo médico assistente, o que implica pagamento de consultas, exames e cirurgia, em caráter particular, não como benesse governamental, mas em reparação aos danos por ela provocados.

10. A Agência deve ser interpelada judicialmente pelas vítimas para o cumprimento de suas obrigações e reparação dos danos provocados. 11. Caso o médico assistente proceda ao atendimento das vítimas, inclusive com realização de cirurgia, sem a devida contrapartida financeira e como forma de preservar a relação médico-paciente, também ele deve acionar judicialmente a ANVISA, por constituir-se parte prejudicada pela conduta culposa da Agência. 12. O médico não está obrigado a trabalhar gratuitamente para reparar dano causado por terceiro. Sendo o que tínhamos para o momento, colocamo-nos à sua disposição para maiores informações através dos contatos à margem desta. Será um prazer poder atendê-lo. A seguir, fazemos uma breve apresentação a respeito de nosso escritório.

O Ingracio Advogados Associados oferece assessoria jurídica de excelência a clínicas e profissionais liberais da área da saúde. Contamos com o apoio de médicos assistentes especialistas em anestesiologia, cirurgia plástica e medicina do trabalho, com larga experiência no assunto. Isso se traduz em uma ferramenta singular para o desenvolvimento de uma assessoria multidisciplinar e compreensiva, abordagem fundamental nesse tipo de causa. Áreas de Atuação PROCESSOS JUDICIAIS EM RESPONSABILIDADE CIVIL COBRANÇAS DIREITO SOCIETÁRIO (CLÍNICAS MÉDICAS) DIREITO TRABALHISTA DIREITO TRIBUTÁRIO Entre em contato e agende uma visita: Telefone: 51 3086.3383 E-mail: contato@ingracioadvogados.com.br Trabalhamos com planos mensais de assessoria jurídica.