Balança de Pagamentos
Conceitos e Rubricas
Definições Registo sistemático que se destina a medir as transacções económicas que se estabelecem entre os residentes (sectores internos) e os não residentes (exterior), durante um determinado período de tempo contabilístico. Residentes: aqueles cujo centro principal de interesse económico se fixa em Portugal, estando sujeitos ao controlo das autoridades económicas nacionais Período de tempo contabilístico: mês/ano Transacções económicas: transferência de valor económico entre agentes económicos classificadas segundo a sua natureza económica transferências bilaterais versus transferências unilaterais
Principais Rubricas Mercadorias Serviços Rendimentos (de trabalho e de investimento) Transferências Correntes (públicas e privadas) Transferências de Capital (públicas e privadas) Aquisição/cedência de activos não financeiros não produzidos Investimento directo de Portugal no exterior do exterior em Portugal Investimento de carteira de Portugal no exterior do exterior em Portugal
Principais Rubricas Outro Investimento Sectores residentes não monetários Autoridades monetárias Instituições financeiras monetárias (Bancos) Derivados financeiros Activos de reserva (activos cambiais, direitos de saque especiais, ouro monetário, )
Registo Contabilístico das Transacções
Registo Contabilístico Utilização do método digráfico ou das partidas dobradas: a um Crédito corresponde sempre um Débito. Exemplos de registo a crédito exportação de mercadoria IDE em Portugal transferência financeira da UE Nestes casos, haverá uma entrada (directa ou diferida) de meios de pagamento e, em função disso, um outro registo a débito Exemplos de registo a débito importação de mercadoria IDE de Portugal no exterior transferência financeira para a UE Nestes casos, haverá uma saída (directa ou diferida) de meios de pagamento e, em função disso, um outro registo a crédito
Contas de Contrapartida Outro Investimento Variação das Disponibilidades e Responsabilidades de Curto Prazo dos Bancos corresponde ao efeito das operações autónomas com o exterior sobre as disponibilidades e responsabilidades de curto prazo dos bancos Activos de Reserva Activos Cambiais correspondem à variação das disponibilidades relacionadas com reservas das Autoridades Monetárias, no âmbito das operações que estas promovem para afectar as taxas de câmbio
Contas de Contrapartida Registo nestas contas: Crédito: saída de meios de pagamento dos bancos resultante de transacções autónomas ou saída de meios de pagamento sob a forma de reservas oficiais Débito: entrada de meios de pagamento dos bancos resultante de transacções autónomas ou entrada de meios de pagamento sob a forma de reservas oficiais Nota: a contrapartida de uma dada operação autónoma pode consistir numa entrada/saída de financiamento (em lugar de saída/entrada de meios de pagamento) o registo de contrapartida implica, então, a movimentação de uma rubrica da chamada Balança Financeira (operações não monetárias)
Exemplos
O Saldo da Balança de Pagamentos: saldo global versus saldos parcelares
Saldo global versus saldos parcelares Uma vez que cada operação gera um registo a débito e um registo a crédito, o saldo global da balança de pagamentos é, por definição, nulo Ao agrupar as transacções económicas em grupos homogéneos, torna-se possível definir sub-balanças e determinar saldos parcelares (Saldo = Crédito Débito) A noção de equilíbrio económico está associado à definição de saldos parcelares
Identidade Contabilística BP = Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira = 0 Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira (operações não monetárias) = - Bal. Financeira (operações monetárias)
Balança de Pagamentos e Mercado Cambial
BP e Mercado Cambial Se Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Fin. (não monet.) < 0: saída líquida de meios de pagamento dos bancos (registo a crédito) excesso de procura de moeda estrangeira / excesso de oferta de moeda nacional se as autoridades monetárias não intervêm, a moeda nacional deprecia-se até que aquela expressão se torne nula (depreciação => aumento de X, diminuição de Q, ) e os activos de reserva não se alteram se as autoridades monetárias intervêm para evitar a depreciação da moeda nacional, compram esta e vendem divisas, fazendo diminuir os activos de reserva (registo a crédito)
BP e Mercado Cambial Exemplo - considerando o conjunto dos registos efectuados anteriormente: K10(c) = [K5($) + K7($) + K9($)] - [K1($) + K3($) + K4($) + K6($) + K8($)], K10(c) Variação das Disponibilidades e Responsabilidades de Curto Prazo dos Bancos. Se K10(c) > 0, então: Bal. Corrente + Bal. Capital + Bal. Financeira (não monetária) < 0. Isto é: há uma saída líquida de meios de pagamento dos bancos e possivelmente uma pressão no sentido da depreciação da moeda nacional.
BP e Mercado Cambial Caso pretendam evitar a depreciação da moeda, as Autoridades Monetárias deverão intervir no Mercado Cambial: Compram moeda nacional e vendem divisas no montante de K10(c) (operação compensatória). Então: Activos de Reserva (Cambiais) diminuirão no montante de K10(c) (registo a CRÉDITO).
D ÉBITO C RÉDITO SALDO (1) BALANÇA DE B ENS E SERVIÇOS MERCADORIAS (BALANÇ A COMERCIAL) K2 K1 K1 -K2 SE RVIÇOS Transportes, viagens e turismo, outros serviços (ex.: postais), operações governamentais (ex.: embaixadas) (2) BALANÇA DE R ENDIMENTOS DE TRABALHO DE INVESTIMENTO (3) TRANSFERÊNCIAS C ORRENTES PÚBLICAS PRIVADAS K3 K3 (4 ) B ALANÇA C ORRENTE = (1)+(2)+(3) (5) T RANSFERÊNCIAS DE C APITAL PÚBLICAS K4 K4 PRIVADAS (6) A QUISIÇÃO /C EDÊNCIA DE A CTIVOS NÃO PRODUZIDOS NÃO F INANCEIROS (7) B ALANÇA DE C APITAL = (5)+(6) (8) INVESTIMENTO D IRECTO DE PORTUGAL NO EXTE RIOR DO EXTERIOR EM PORT UGAL K8 K8 (9) INVESTIMENTO DE C ARTEIRA DE PORTUGAL NO EXTE RIOR K9 -K9 DO EXTERIOR EM PORT UGAL (10) O UTRO INVESTIMENTO Sectores Residentes Não Monetários K7 K2 K2 -K7 Empréstimos financeiros, créditos comer - ciais, reembolsos, depósitos. Autoridades Monetárias Instituições Financeiras Monetárias (Bancos) K1($) K3($) K4($) K5 K6($) K8($) K10( C) K5($) K6 K7($) K9($) -K1($) - K3($) - K4($) - K5+ K5($) + K6 K6($) +K7($) K8($) +K9($) -K10(c) (11) D ERIVADOS F INANCEIROS (12) A CTIVOS DE R ESERVA ACTIVOS CAMBIAIS K10( C) K10( C) DIREITOS DE SAQUE ES PECIAIS POSIÇÃO DE RESERVA N O FMI OURO MONETÁRIO (13) B ALANÇA F INANCEIRA = ( 8)+(9)+(10)+(11)+(12)
Capacidade / Necessidade de Financiamento
Capacidade / Necessidade de Financiamento da Nação Cap./Nec. Financiamento Nação = B. Corrente + B. Capital Esta definição corresponde à equivalente dada pela Contabilidade Nacional (ver exercício, questão 8)